INFORME ECONÔMICO 16 de dezembro de 2016

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1 RESENHA SEMANAL E PERSPECTIVAS No Brasil, as primeiras medidas fiscais são aprovadas pelo Congresso Nacional e, nos EUA, o FED altera sua expectativa para a trajetória dos juros em No Brasil, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita a expansão dos gastos da União foi aprovada, em caráter definitivo e sem modificações, no Senado Federal. Foram 53 votos favoráveis (quatro a mais do que o necessário) e 16 votos contrários à referida proposta, que foi promulgada já no dia 15 de dezembro. Desta maneira, o crescimento das despesas públicas será determinado pela inflação passada durante os próximos vinte anos, sendo que seu impacto já será observado no orçamento de Avaliamos que esta medida será importante para o ajuste gradual das contas públicas, juntamente com a Reforma da Previdência. Sobre esta reforma, em particular, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, após acordo com a oposição, a sua admissibilidade e a comissão especial que tratará de seu mérito ocorrerá apenas em fevereiro de 2017, após a eleição para a presidência da Câmara. Além disso, o governo anunciou um pacote de medidas para o aumento da produtividade e estímulo à atividade econômica. Na quinta-feira, a equipe do governo federal anunciou um pacote de dez medidas para combater a crise. O presidente Michel Temer ressaltou o caráter de combate ao desemprego do pacote, enquanto o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles afirmou que tais medidas de aumento da produtividade, que estão em consonância com o ajuste fiscal e a estabilização de preços, farão o Brasil retomar o crescimento. As medidas estão detalhadas na tabela que segue. Medida Programa de regularização tributária Redução do spread bancário Diferenciação de Preços Juros do Cartão de Crédito Desburocratização Melhoria de Gestão Competitividade do Comércio Exterior Incentivo ao crédito imobiliário FGTS BNDES Fonte: Arko Advice, BRAM Brasil - Medidas de estímulo à economia Resumo Regularização tributária para empresas com dívidas vencidas até 30 de novembro. Prevê também a quitação de dívidas previdenciárias. Criação da duplicata eletrônica (garantindo automatização e a oferta de crédito). Permitir a diferenciação de preço entre os vários meios de pagamento (cartão de crédito, pagamento a vista, etc). Redução nos juros do cartão de crédito e do prazo do pagamento ao lojista. Sistema para pagamentos trabalhistas, tributários e previdenciários. Simplificação da questão contábil e dos procedimentos de restituição e compensação de tirbutos. Reduzir o tempo para abertura de negócios. Cadastro nacional de imóveis, títulos e documentos (integração com os cartórios). Simplificação de registro e legalização de empresas. Facilitação de procedimentos aduaneiros. Criação do portal único do comércio (redução do tempo de procedimentos de importação e exportação de mercadorias). Ampliação do crédito de longo prazo para construção civil. Criação da Letra Imobiliária Garantida (captação para crédito imobiliário). Redução gradual da alíquota. Redução da multa adicional de 10% sobre o saldo fo FGTS. Distribuição de resultado do FGTS para os trabalhadores. Crédito rural e para micro e pequenas empresas. Ampliação do limite para acesso ao crédito para micro, pequenas e médias empresas. Renegociação de dívidas de empresas com o BNDES. 1

2 jun-10 out-10 fev-11 jun-11 out-11 fev-12 jun-12 out-12 fev-13 jun-13 out-13 fev-14 jun-14 out-14 fev-15 jun-15 out-15 fev-16 jun-16 out-16 jan-09 jun-09 nov-09 abr-10 set-10 fev-11 jul-11 dez-11 mai-12 out-12 mar-13 ago-13 jan-14 jun-14 nov-14 abr-15 set-15 fev-16 jul-16 dez-16 mai-17 out-17 Ainda no Brasil, as vendas varejistas tiveram a quarta queda mensal consecutiva em outubro, sugerindo que o consumo das famílias prosseguirá contido. O volume do comércio varejista (restrito) recuou em 0,8% no mês de outubro e o comércio ampliado (que inclui veículos e material de construção) teve queda de 0,3%. Com isso, as respectivas médias trimestrais prosseguem em baixa, sugerindo que o consumo agregado exibirá movimento semelhante. Na margem, cinco das dez atividades pesquisadas tiveram queda em setembro, com destaque para supermercados e material de construção. Por outro lado, o segmento de material de informática/comunicação teve variação positiva. Avaliamos que o cenário para o setor varejista como um todo permanece complexo, tendo em vista principalmente o ajuste do mercado de trabalho, que se acentuará nos próximos meses. Projetamos queda de 0,30% para o PIB do quarto trimestre, após recuo de 0,80% no trimestre anterior. Com isso, nossa projeção para este ano é de queda de 3,5%. Quanto a 2017, nossa expectativa é de gradual aceleração para 0,2% Brasil - Vendas Varejistas média móvel trimestral (%) Fonte: IBGE Brasil - Taxa SELIC (% a.a) Restrita Ampliada Fonte: BCB, BRAM Por fim, o Presidente do Banco Central do Brasil afirmou que o processo de ancoragem das expectativas observado até agora permite a flexibilização sustentável da taxa de juros. Em adição, reiterou que a autoridade permanece atenta à atividade econômica e que a retomada do PIB na conjuntura atual pode ser mais demorada e gradual do que o previsto. Reafirmamos, com isso, nosso cenário-base, que prevê redução de 50 pontos base (p.b.) na taxa SELIC já na próxima reunião de janeiro e manutenção deste ritmo nas reuniões seguintes (até outubro). Para o final de 2017, projetamos 10,00% para a taxa básica de juros. Nos EUA, o FED aumentou a taxa básica de juros corrente e também suas projeções para os Fed Funds em Um ano após a primeira elevação da taxa de juros, os membros do FOMC decidiram, de maneira unânime e sem surpresas, aumentá-la novamente em 25 p.b. em sua última reunião de política monetária. Com isso, a taxa dos Fed Funds situa-se agora entre 0,50% e 0,75% ao ano. Em termos de cenário, a autoridade manteve uma leitura construtiva sobre a economia norteamericana e promoveu apenas discretas revisões em suas projeções (PIB, desemprego, inflação). Contudo, as expectativas do colegiado para a trajetória da taxa básica de juros em 2017 foram revisadas para cima, sendo que agora englobam três aumentos adicionais ao longo do próximo ano (ante dois anteriormente). Adicionalmente, em termos do cenário fiscal do governo que está prestes a tomar posse, houve apenas discussões entre os membros do board sendo que nem todos incorporaram este aspecto em suas projeções. Em linha com estas modificações, nosso cenário-base para os juros norte americanos foi revisado de duas para três altas ao longo do próximo ano, com a ressalva de que pode haver alterações adicionais a depender do estímulo fiscal efetivo do governo Trump. 2

3 dez-10 jun-11 dez-11 jun-12 dez-12 jun-13 dez-13 jun-14 dez-14 jun-15 dez-15 jun-16 dez-16 jun-17 dez % 4.0% 3.5% 3.0% 2.5% 2.0% 1.5% 1.0% 0.5% 0.0% EUA - Projeção de Fed Fund X Mercado "DOTS" de Dez/16 (% ao ano) Mediana (2017): 3 altas Mediana (2017): 3 altas Mediana (2018): 3 altas Fonte: FED, BRAM Fed Funds Futures Na Europa, o ritmo da economia neste último trimestre deve exibir discreta melhora na margem. O PMI composto da Zona do Euro permaneceu em 53,9 pontos em dezembro, resultado em linha com o esperado e baseado na forte elevação (+1,2 pontos) do PMI manufatureiro, compensada parcialmente pelo recuo (-0,7 pontos) do PMI de serviços. Na abertura regional, os PMIs compostos da Alemanha e da França prosseguem em território expansionista e em nível relativamente alto quando consideramos a média trimestral. Desta forma, nossa expectativa é de uma leve aceleração (+0,4%) do PIB da Zona do Euro neste quarto trimestre. Com isso, projetamos 1,6% para o PIB da região em 2016 e 1,0% para o próximo ano. 60,0 58,0 56,0 54,0 52,0 50,0 48,0 46,0 44,0 Zona do Euro - PMI (Projeção) 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0-0,2-0,4-0,6 Projeção do PIB (dir.) Projeção do PMI Os dados de atividade e de crédito na China em novembro indicam que a meta para o PIB deste ano será cumprida sem percalços. O financiamento social total (TSF) alcançou RMB 1,74 trilhão em novembro (consenso em RMB 1,10 trilhão) sendo que, na margem, houve crescimento dos empréstimos em moeda local (com destaque para hipotecas) e também de notas promissórias. Quando consideramos a sazonalidade, contudo, o ritmo de crescimento dos empréstimos arrefeceu na margem, sugerindo que os investimentos imobiliários exibirão movimento semelhante a partir do próximo trimestre. Quanto aos indicadores de atividade, tanto a indústria como o varejo exibiram discreta aceleração em novembro e ambos apontam para PIB em torno de 6,7% (interanual) neste último trimestre. Sobre os investimentos (FAI), este indicador seguiu estável em 8,3% no acumulado do ano até novembro (em linha com o esperado). Seu detalhamento, contudo, mostrou desaceleração 3

4 nov-10 mai-11 nov-11 mai-12 nov-12 mai-13 nov-13 mai-14 nov-14 mai-15 nov-15 mai-16 nov-16 nov-07 ago-08 mai-09 fev-10 nov-10 ago-11 mai-12 fev-13 nov-13 ago-14 mai-15 fev-16 nov-16 nos investimentos públicos e em infraestrutura, compensada por alguma retomada nos investimentos privados e na manufatura. Já o FAI Imobiliário, em especial, exibiu relativa estabilidade na margem. Para 2017, nossa expectativa é de desaceleração do PIB da China para 6,5%. No próximo ano, avaliamos que a estabilidade da economia doméstica será a prioridade de Pequim, tendo em vista a renovação programada para os principais cargos do Partido Comunista, além de possíveis ventos contrários vindos da geopolítica mundial. 25.0% 20.0% 15.0% 10.0% 5.0% 0.0% China - Atividade Econômica (% A/A) 220% 210% 200% 190% 10.8% 180% 8.3% 170% 6.2% 160% 150% 159% 140% China - Financiamento Total / PIB 190% 214% Fonte: CEIC Varejo (nominal) Varejo (real) Industria Na agenda da próxima semana, destacamos o último Relatório de Inflação deste ano e o IPCA-15 de dezembro, para o qual projetamos alta de 0,28%. Ainda no âmbito doméstico, teremos também os dados de crédito e balanço de pagamentos (referentes a novembro), juntamente com os indicadores de confiança da indústria e dos consumidores em dezembro. Nos EUA, a inflação medida pelo núcleo do PCE (novembro) será publicada, além da revisão do PIB do 3T16 e o PMI composto de dezembro. Na China, destaque apenas para a inflação dos imóveis novos no mês passado. 4

5 16-set set set-16 7-out out out out-16 4-nov nov nov nov-16 2-dez-16 9-dez dez set set set-16 7-out out out out-16 4-nov nov nov nov-16 2-dez-16 9-dez dez-16 INDICADORES DE MERCADO 3,50 3,45 3,40 3,35 3,30 3,25 3,20 3,15 3,10 3,21 3,26 Taxa de Câmbio (BRL/USD) 3,35 3,24 3,22 3,21 3,17 3,11 3,48 3,40 12,30 12,10 11,90 11,70 11,50 11,30 11,10 11,99 Taxa de Juros (DI 2019) 12,23 11,57 11,41 11,25 11,92 11,38 MERCADO DOMÉSTICO Nível 16-dez Semana Mês Ano Real (R$/US$) 1 3,40 0,7% -1,8% -14,1% CDS Brasil 5 anos 294-2,0-18,8-198,5 Taxa DI Jan 2019 (%) 11,38-0,09-0,53-5,33 Taxa DI Jan 2025 (%) 12,27 0,17-0,25-4,30 Taxa NTN-B 2019 (%) 6,00-0,02-0,40-1,20 Taxa NTN-B 2050 (%) 5,97-0,10-0,30-1,25 Ibovespa ,3% -0,7% 36,3% IBX ,1% -0,6% 34,1% MERCADOS INTERNACIONAIS Moedas¹ Commodities 16-dez Semana Mês Ano 16-dez Semana Mês Ano Dólar (Índice DXY) 103,20 1,6% 2,1% 4,6% CRB (US$) 426,32-0,2% 1,3% 13,8% Euro (USD/EUR) 1,04 1,5% 2,4% 4,2% CRB (R$) ,6% -1,6% 2,0% Libra (USD/GBP) 1,24 1,08% 13,7% 15,6% Petróleo BRENT (US$/bbl.) 54,98 1,2% 1,9% 28,1% Iene - Japão (JPY/USD) 118,34 2,62% 3,7% -1,6% Minério de Ferro 81,49-0,2% 4,0% 87,0% Renminbi - China (CNY/USD) 6,96 0,77% 1,1% 7,2% Ouro (US$) 1.128,22-2,7% -3,7% 6,3% Peso Chileno (CLP/USD) 672,53 3,22% -0,3% -5,1% Soja (US$/bu.) 1.027,50-1,0% -0,2% 19,4% Peso Mexicano (MXN/USD) 20,47 0,40% -1,5% 19,0% Milho (US$/bu.) 354,75-1,3% 3,6% -10,5% Peso Colombiano (COP/USD) 2.996,91-0,3% -2,5% -5,6% Trigo (US$/bu.) 405,50-2,6% 2,5% -26,6% Sol Peruano (PEN/USD) 3,40-0,1% -0,4% -0,4% Açúcar (US$/bu.) 18,03-6,3% -6,9% 13,8% Juros Bolsas 2 16-dez Semana Mês Ano 16-dez Semana Mês Ano Libor USD 3m 0,99 0,04 0,05 0,38 S&P 500 Index 2.265,19 0,3% 3,4% 10,8% Libor EUR 3m -0,32 0,00 0,00-0,18 VIX 12,38 0,63-1,69-4,91 Título 10 anos EUA 2,62 0,15 0,17 0,35 Bolsas Europeias (MSCI) 121,65 1,0% 5,3% -1,2% Título 10 anos Alemanha 0,34-0,03-0,03-0,29 Bolsas LATAM (MSCI) ,9% 1,0% 23,2% Nikkei 225 (Japão) ,1% 4,8% 1,9% Dados atualizados às 14:00 Shangai (China) ,4% -4,6% -11,7% (1) Variações negativas significam valorização em relação ao dólar (2) Índices acionários medidos em moeda local 5

6 CALENDÁRIO E PROJEÇÕES Data Evento País Período BRAM Consenso Anterior 20/12 até 23/12 - Arrecadação Federal Brasil Nov -- R$ 100,6 Bi R$ 148,7 Bi - Criação de empregos formais - CAGED Brasil Nov mil - Anúncio da TJLP Brasil ,50% 7,50% Terça 20-dez 15:00 Nota à Imprensa: Transações Correntes Brasil Nov US$ 3,4 Bi Quarta 21-dez 09:00 IPCA-15 (M/M) Brasil Dez -- 0,33% 0,26% 13:00 Confiança do Consumidor Z. Euro Dez -- -6,00-6,10 13:00 Vendas de Casas Usadas EUA Nov -- 5,5 Mi 5,6 Mi Quinta 22-dez 11:00 Relatório Trimestral de Inflação do BCB Brasil 4T :30 Índice de Atividade - Fed Chicago EUA Nov ,00% 11:30 PIB (T/T anualizado) EUA 3T -- 3,30% 3,20% 11:30 Pedidos de Bens Duráveis EUA Nov -- -4,00% 4,60% 11:30 Pedidos Bens de Capital ex Defesa e Aviação EUA Nov -- 0,40% 0,20% 13:00 Renda Pessoal EUA Nov -- 0,30% 0,60% 13:00 Gastos Pessoais EUA Nov -- 0,30% 0,30% 13:00 PCE Nucleo (M/M) EUA Nov -- 0,10% 0,10% 13:00 Indicadores antecedentes (M/M) EUA Nov -- 0,20% 0,10% Sexta 23-dez 07:30 PIB (T/T) Reino Unido 3T -- 0,50% 0,50% 07:30 PIB (A/A) Reino Unido 3T -- 2,30% 2,30% 10:30 Nota à Imprensa: Taxa de Inadimplência PF Brasil Nov ,20% 13:00 Vendas de Casas Novas EUA Nov mil 563 mil 6

7 MARCELO CIRNE DE TOLEDO Economista Chefe ANA PAULA ALMEIDA ANDRE NASCIMENTO NOGGERINI DANIEL XAVIER FRANCISCO HUGO RIBAS DA COSTA JOSE LUCIANO DA SILVA COSTA MARIANNE KOMORI GEHRINGER THIAGO NEVES PEREIRA Tel.: Material produzido em 16/12/2016 às 15h00 Outras edições estão disponíveis no site: item Informações aos Investidores / Nossa visão / Informativos de Macroeconomia. As opiniões, estimativas e previsões apresentadas neste relatório constituem o nosso julgamento e estão sujeitas a mudanças sem aviso prévio, assim como as perspectivas para os mercados financeiros, que são baseadas nas condições atuais de mercado. Acreditamos que as informações apresentadas aqui são confiáveis, mas não garantimos a sua exatidão e informamos que podem estar apresentadas de maneira resumida. Este material não tem intenção de ser uma oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro. BRAM - Bradesco Asset Management é a empresa responsável pela atividade de administração de recursos de terceiros do Banco Bradesco S.A. BRAM - Bradesco Asset Management - Todos os direitos reservados. 7

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