ALIANÇA PARA A PREVENÇÃO RODOVIÁRIA

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1 ALIANÇA PARA A PREVENÇÃO RODOVIÁRIA ESTUDO DAS ATITUDES E COMPORTAMENTOS DOS PORTUGUESES FACE À SINISTRALIDADE RODOVIÁRIA Este documento procura ilustrar, de forma sucinta, a relevância do estudo a realizar. RELEVÂNCIA DO ESTUDO 1) SOCIAL A Sinistralidade Rodoviária (SR) constitui um problema social e de saúde pública em Portugal. As estatísticas do Eurostat (2010) indicam que, apesar de ter diminuído nos últimos anos, o número de acidentes rodoviários em Portugal continua a ser preocupante (79 fatalidades/milhão de habitantes) e bastante acima da média na União Europeia em 2010 (61 fatalidades/milhão de habitantes). É, portanto, necessário continuar a intervir no sentido da sua redução. Vários estudos têm procurado compreender o fenómeno, sendo o comportamento dos condutores identificado como a principal causa dos acidentes (ex. Faria, 2010; Reto e Sá, 2003; Pires, 2011; Oliveira, 2007). Assim, para reduzir a SR será necessário promover a mudança a médio/longo prazo dos comportamentos de trânsito destes atores. A definição dos modelos de intervenção deve assentar no conhecimento aprofundado dos comportamentos dos condutores, mas também das perceções, crenças, normas e atitudes que sustentam estes comportamentos. O conhecimento destes indicadores torna-se ainda mais relevante dado as intervenções ancorarem, muitas das vezes, em aspectos cognitivos e comunicativos. Os últimos estudos que, de forma sistemática e abrangente, examinaram os factores que intervêm na SR no contexto nacional foram realizados há cerca de uma década (Reto e Sá, 1

2 2003; SARTRE 3, ). Isto torna muito relevante a realização de um estudo aprofundado e de âmbito nacional que permita ajustar as novas intervenções às dimensões sócio-psicológicas e comportamentais mais relevantes para a SR no contexto actual. Mais recentemente, a seguradora francesa AXA, no âmbito da sua área de negócios, alargou um estudo sobre segurança rodoviária aos restantes mercados onde está implementada, onde se inclui Portugal. O Barómetro da AXA (2009), com dados recolhidos 2008 junto de uma amostra representativa de portugueses, constitui, portanto, também uma referência a ter em consideração na análise de dados actuais sobre estas matérias. 2) TEÓRICO-METODOLÓGICA A produção científica nacional sobre a SR à data é relativamente escassa. Os estudos existentes têm-se centrado em (1) descrever as atitudes, perceções e comportamentos de condutores e não condutores face à SR (ex. Reto e Sá, 2003; SARTRE, 2004), (2) analisar a sua relação com a ocorrência de acidentes (ex. Brites e Baptista, 2010; Rosário, 2009) e (3) compreender as consequências sócio-psicológicas decorrentes do envolvimento num sinistro (ex. Cunha, 2007; Pires, 2011). Reto e Sá (2003) desenvolveram, há quase uma década, o estudo mais abrangente sobre o comportamento dos condutores portugueses, combinando a recolha de informação quantitativa junto de amostras representativas da população condutora e da população portuguesa em geral, com informação qualitativa recolhida junto de amostras de condutores. Mais recentemente, alguns autores têm privilegiado o uso do método quantitativo. No entanto, o uso de amostras de conveniência, muitas vezes fragmentadas (constituídas por grupos específicos ex.: jovens universitários Pimentão, 2008; recolhidas em zonas geográficas circunscritas ex.: Braga - Cunha e Abrunhosa, 2009; Grande Lisboa Brites e Baptista, 2010), limita a capacidade de generalização dos resultados à população portuguesa. Assim, no âmbito da Aliança para a Prevenção Rodoviária propôs-se a realização de um estudo sobre o que genericamente se designou de atitudes e comportamentos dos portugueses face à SR. Partindo do conhecimento produzido por estudos anteriores, este estudo pretende contribuir para uma visão abrangente e atualizada sobre as atitudes e comportamentos dos 1 Estudo sobre atitudes dos condutores europeus, baseado na realização de inquérito presencial a amostras representativas de condutores. 2

3 condutores. O estudo visa recolher informação aprofundada sobre a opinião que os portugueses, condutores e não condutores, em 2012, no início de uma década dedicada internacionalmente à segurança rodoviária, possuem sobre a SR. Os resultados do estudo servirão de base à definição de planos de ação que promovam comportamentos rodoviários seguros (e que contribuam para aquele que é o objetivo final deste estudo, ou seja, a redução da sinistralidade em Portugal), mas também como um baseline com o qual se poderá comparar, a médio/longo prazo, a evolução das atitudes e comportamentos dos portugueses face à SR. O estudo aborda temáticas identificadas como relevantes na literatura da especialidade, nomeadamente a perceção de gravidade do fenómeno, fatores de risco e fatores de prevenção; perceção de causas e consequências da SR; risco pessoal de acidente; auto e hétero perceção de estilos de condução; perceção de estratégias de prevenção; avaliação de campanhas de prevenção rodoviária. À semelhança de Reto e Sá (2003), o presente estudo utiliza uma abordagem multi-método, recorrendo a métodos quer qualitativos (grupos de discussão focalizada - focus group FG) quer quantitativos (inquérito telefónico) de recolha e análise de dados, que permitirão produzir conhecimento complementar sobre o objeto de estudo. Concretamente, o estudo subdivide-se em três estudos específicos: Estudo qualitativo sobre a opinião de condutores sobre SR. Estudo a realizar com recurso a 35 FG. Participarão nos FG indivíduos encartados, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 18 e os 64 anos, residentes nos 6 distritos com maior índice de sinistralidade , colaboradores de entidades que integram o painel de partes interessadas da Galp Energia 2. Com este estudo pretende-se alcançar uma descrição detalhada do posicionamento dos participantes sobre os temas em discussão, identificando consensos e divergências nas opiniões existentes. Estudo qualitativo sobre a opinião de jovens sobre SR. Estudo a realizar com recurso a 5 FG. Participarão nos FG jovens com e sem carta de condução, de ambos os sexos, com idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos, estudantes de instituições que integram o painel de partes interessadas da Galp Energia 3. Os jovens constituem um grupo com elevado risco de SR e os estádios de desenvolvimento em que se encontram 2 Este último critério decorre da APR pretender envolver as partes interessada da GE neste projeto. 3 Idem. 3

4 (adolescência e início da adultícia) justificam que se dedique uma atenção particular à forma como a adopção de comportamentos de risco, como a condução com velocidade excessiva, são associados pelos próprios a processos importantes para a construção da sua identidade pessoal e social (Panichi e Wagner, 2006). Estudo quantitativo sobre a opinião dos portugueses sobre SR. Estudo a realizar com recurso a um inquérito telefónico a uma amostra representativa da população portuguesa com mais de 18 anos, integrando condutores e não condutores. O estudo permitirá apurar a prevalência de crenças, atitudes e comportamentos associados à ocorrência de SR na população, assim como comparar o posicionamento de condutores e não condutores sobre as diversas variáveis em análise. Para a construção dos guiões do FG e do inquérito telefónico recorreu-se à literatura da especialidade, tomando como principais referências os trabalhos de Reto e Sá (2003), mas também as propostas de indicadores relevantes presentes na pesquisa mais recente sobre estas matérias. Um exemplo disto consiste na integração das normas sociais, enquanto relevância das opiniões e comportamentos dos outros na construção da opinião própria e na decisão comportamental, no modelo de análise (ex. Pelsmacker e Jansen, 2007; Verschuur e Hurts, 2008). Referências AXA (2009). Barómetro de Prevenção Rodoviária. Brites, J. e Baptista, A. (2010). Comportamentos agressivos ao volante. Atas do VII Simpósio Nacional de Investigação em Psicologia (pp ). Cunha, S. (2007). Distúrbio de stresse pós-traumático em acidentes de viação: consequências psicológicas. Tese de mestrado não publicada. Universidade de Aveiro. Cunha, O., e Abrunhosa, R. (2009). Consumos recreativos e (in)segurança rodoviária. Revista Toxicodependências, 15 (2), Eurostat (2010). Road Safety How is your country doing? European Commission, Mobility and Transport DG, BE-1049 Brussels. 4

5 Faria, N. (2010). Mortalidade rodoviária em Portugal: Dissertação de mestrado não publicada. ISCTE. Abordagem sócio-demográfica. Oliveira, P. (2007). Os fatores potenciadores da sinistralidade rodoviária: Análise aos fatores que estão na base da sinistralidade. Disponível em Panichi, R., e Wagner, A. (2006). Comportamentos de risco no trânsito: Revisando a literatura sobre as variáveis preditoras da condução perigosa na população juvenil. Revista Interamericana de Psicologia, 40 (2), Pelsmacker, P., & Janssens, W. (2007). The effect of norms, attitudes and habits on speeding behavior: Scale development and model building and estimation. Accident Analysis & Prevention, 39, Pimentão, C. (2008). Análise do comportamento de risco ao volante de jovens condutores com base no modelo do comportamento planeado de Ajzen. Revista da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Fernando Pessoa, 5, Pires, T. (2011). Impacto psicológico dos acidentes rodoviários nas suas vítimas diretas. Dissertação de doutoramento não publicada. Universidade do Minho. Reto, L., e Sá, J. (2003). Porque nos matamos na estada e como o evitar. Lisboa: Editorial Notícias. Rosário, L. (2009). Agressividade na condução e mecanismos de defesa em condutores infratores. Tese de mestrado não publicada. Universidade de Lisboa. SARTRE Consortium (2004). EUROPEAN DRIVERS AND ROAD RISK - SARTRE 3 reports. Institut National de Recherche sur les Transports et leur Sécurité, INRETS. Verschuur, W., & Hurts, K. (2008). Modeling safe and unsafe driving behaviour. Accident Analysis & Prevention, 40,

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