Análise ao Comércio Externo de Equipamento Elétrico e Eletrónico

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1 Análise ao Comércio Externo de Equipamento Elétrico e Eletrónico Janeiro Dezembro Análise global Setor Elétrico e Eletrónico Confirma-se uma tendência decrescente na evolução do comércio externo do SEE ao longo do ano de 2013; acentuou-se um pouco a variação negativa homóloga das Exportações (-2%) face ao período anterior (Janeiro-Setembro), enquanto que a das Importações (-2%) se atenuou, na mesma proporção; deste modo, mantém-se a taxa de cobertura da Importação pela Exportação (+88%). 1.1 Balança Comercial Portuguesa No período Janeiro-Dezembro de 2013, a Exportação Portuguesa de Mercadorias (+4,6%) saldou-se por uma taxa de crescimento razoável em termos homólogos, quase exclusivamente baseada no crescimento do comércio extracomunitário (+7,6%), uma vez que no mercado intracomunitário o cenário foi de quase estagnação (+0,2%). Por sua vez, o decréscimo da taxa da importação (-0,8%) acentuou-se no que toca a países terceiros, com sinais de recuperação a nível do mercado da UE (+1,0%). Jan-Dez Jan-Dez 2013 % Total Exportação (Saídas) ,6% Importação (Entradas) ,8% UE Exportação ,2% Importação ,0% Países Terceiros Exportação ,6% Importação ,8% Nota valores em milhões de Euros Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística IP (Nºs preliminares de Comércio Externo) Associação Portuguesa das Empresas do Setor Elétrico e Eletrónico 1

2 Analisemos agora o comércio internacional a nível dos principais Grupos de Produtos no 4º trimestre de 2013 e em termos homólogos. Grupos de Produtos com melhor comportamento: Grupos de Produtos Export. Import. % Grupos de Produtos % Combust.e Lubrif.(P.Transf) +44,8 Material de Transporte e Acess. +14,0 Bens de Consumo NE noutra categ +9,7 Bens NE noutra categoria +13,3 Máq. e O. Bens de Capital e Acess. +5,7 Bens de Consumo NE n. categ +7,0 O grupo com melhor comportamento a nível da exportação, destacando-se com a taxa mais elevada face a qualquer dos restantes grupos, foi Combustíveis e Lubrificantes, na vertente dos Produtos Transformados, o que não surpreende, visto já se ter verificado noutras análises ao longo de 2013 ser este um dos grupos com maior peso no crescimento das exportações portuguesas. Seguem-se Bens de Consumo NE noutra categ e Máq. e O. Bens de Capital e Acess., em níveis bastante mais baixos que aquele primeiro grupo, mas semelhantes aos verificados ao longo do ano, em termos médios. O crescimento pontual verificado no 3º trimestre, nas importações de Bens NE noutra categoria (+75,6%), também regressou para valores normais (+13,3%), sendo o 2º grupo com melhor comportamento a seguir a Material de Transporte e Acess. (+14,0%). Bens de Consumo NE n. categ tem um comportamento igualmente razoável ao nível das importações (+7,0). Grupos de Produtos com pior comportamento: Export. Import. Grupos de Produtos % Grupos de Produtos % Bens NE noutra categoria -15,0 Combust.e Lubrif. (P. Transf) -6,2 Material Transp e Acessór. -1,2 Prod. Alimentares e Bebidas +3,9 Fornec. Ind noutra categ. +1,1 Fornec. Ind NE noutra categ +2,0 Inversamente ao que sucede nas importações, Bens NE noutra categoria é o grupo com pior comportamento a nível das exportações (-15,0). Em níveis de ligeiro decréscimo ou crescimento muito débil, temos Material de Transp. e Acessór.(-1,2) e Fornec. Ind noutra categ (+1,1). A nível das importações, Combustíveis e Lubrificantes (-6,2) segue a Associação Portuguesa das Empresas do Setor Elétrico e Eletrónico 2

3 tendência inversa à das exportações. Os restantes grupos, ainda que com taxas modestas, mostram crescimento. 1.2 Exportação de Equipamento Eléctrico e Electrónico Os dados do Comércio Internacional para o SEE no período de Janeiro-Dezembro de 2013 vêm confirmar a tendência continuada de decrescimento a nível das Exportações, negativa pela primeira vez no final de Setembro (-1%) e acentuando-se ligeiramente neste último trimestre (-2%). Vejamos quais os subsectores com melhor evolução no período de Janeiro-Dezembro, em termos homólogos: Máquinas, Equipamentos e Aparelhagem Industrial (+3%) a taxa de crescimento homólogo baixou, acusando um comportamento pior neste último trimestre face ao período homólogo, sobretudo nos produtos como Equipamentos para Energias Renováveis (-5,91%). A queda nos Transformadores de Dieléctrico Líquido > KVA (-43,9%) persiste. Fios e Cabos Isolados (+9% ) 2013 foi claramente um ano de recuperação para este subsector, cuja crise de 2012 se saldou numa perda de cerca de -8% em valor nas exportações. Em 2013, tem vindo a crescer lenta e consistentemente ao longo dos vários trimestres. Componentes Electrónicos (+1%) a quebra abrupta, depois de uma aparente estabilização nos últimos dois trimestres, explica-se pela quebra acentuada (-64,48%) em O. Dispositivos Fotosensíveis semicondutores, que deverá ser pontual. Os restantes principais produtos mantêm o ritmo de crescimento esperado. Telecomunicações, Electrónica Profissional e Informática (+8%) a quebra da taxa de crescimento é agora mais visível, em cerca de 10 pp, relativamente à taxa do período anterior (+18%); o abrandamento verifica-se em três dos principais produtos: telefones para redes sem fio (+27 %), O. Painéis indicadores c/ dispos. LCD ou LED (+16,6%) e ainda em O. Ptes de máq. e aparelhos elétricos com função pp (-18,9%). Aparelhagem Ligeira de Instalação (+10%) de uma maneira geral, os principais produtos recuperaram nas suas taxas de crescimento face a 2012, restando saber se a tendência será de estabilização ou crescimento. Associação Portuguesa das Empresas do Setor Elétrico e Eletrónico 3

4 Relativamente aos restantes grupos: Destaca-se a recuperação progressiva ao longo de 2013 de Cablagens, de uma taxa de -10% para -2% e ainda de Lâmpadas e Material p/ Iluminação, de -4% para -1%. A procura de novos mercados e a recuperação da economia parecem começar a fazer-se sentir. Verifica-se a estabilização da evolução negativa de Eletrónica de Consumo (-22%), cujo valor não sofreu alterações face ao período anterior. Aparelhagem e Sistemas de Medida, Controlo e Automatismo melhorou também o seu comportamento negativo (-44%), enquanto Eletrodomésticos manteve o crescimento de +3%. 1.3 Importação de Equipamento Elétrico e Eletrónico Tendência confirmada para estabilização das importações do sector numa diminuição de -2% face a As maiores e mais significativas taxas de diminuição continuam ser as de Eletrónica de Consumo (-21%) e Componentes Eletrónicos (-9%), embora este último tenha recuperado de -15% para -9%. Enquanto que Fios e Cabos Isolados (-4%) e Telecomunicações, Eletrónica Profissional e Informática (2%) mantêm as taxas, os restantes subsetores apresentam pequenas subidas e descidas, destacando-se neste último caso Cablagens (+10%), Máquinas, Equipamentos e Aparelhagem Industrial (+4%) e Aparelhagem Ligeira de Instalação (+8%), com descidas na ordem dos 4 a 6 pp. Os dados mostram que o 4º trimestre foi bom para a economia portuguesa; no SEE, isto repercutiu-se na recuperação ou estabilização de alguns subsectores, mas já sem hipótese de recuperar para um nível globalmente positivo. A recuperação da economia europeia ajudará alguns subsetores, mas o desafio da competitividade é elevado para se alcançarem taxas de crescimento razoáveis no mercado externo. 2. Exportação por Zonas Económicas e Países Clientes A variação homóloga de -2% do valor das exportações do SEE resulta de uma diminuição das exportações para todas as zonas face a 2012; nas de maior peso, verificamos UE (-6%), Países 3ºs (-8%) e PALOPS (-4%). Porém, a diminuição das exportações nas restantes zonas - Sudeste Asiático (-27%) e USA (-22%) resultou num efeito de conjunto que fez a UE subir o Associação Portuguesa das Empresas do Setor Elétrico e Eletrónico 4

5 seu peso em 2 pp e os PALOP s em 1 pp, ao mesmo tempo que todas as outras zonas mantiveram os seus pesos relativos. Dentro dos Países da UE, destacam-se as diminuições das exportações para a Alemanha (- 1%), Espanha (-2%), França (-26%) e Holanda (-23%). No entanto, em face dos seus pesos elevados no conjunto das exportações comunitárias, isto traduziu-se num ganho em 2 e 1 pp no peso percentual da Alemanha e Espanha, respetivamente; já França e Holanda perderam 3 e 1 pp, respetivamente. Destaque-se ainda o aumento das exportações para o Reino Unido (+3%) e um ganho de peso em 1 pp. 3. Importação por Zonas Económicas e Países Fornecedores É a UE, com uma variação global de -2% e uma perda de peso de 2 pp que melhor explica a variação das importações como um todo. Assinale-se, no entanto, a recuperação acentuada das importações de Países 3ºs (+21%), que se traduz no aumento em 1 pp do seu peso relativo e uma subida da EFTA de 1pp. As restantes zonas económicas tendem a estabilizar no peso relativo. Dentro dos países da UE com maior peso, continuam a destacar-se a Alemanha (+24%), e a Espanha (+32%), ainda que com variações respetivas de valor de -2% e -4%; França e Holanda sobem 1 e 2 pp no seu peso no conjunto das importações comunitárias. 4. Perspetivas 2014 MUNDO 3,7 EUA 2,8 Economias avançadas 2,2 Economias emergentes 5,1 UE Zona Euro 1,0 Alemanha 1,6 França 0,9 Espanha 0,6 Portugal 0,8 Japão 1,7 Brasil 2,3 China 7,5 Fonte: World Economic Outlook - FMI Associação Portuguesa das Empresas do Setor Elétrico e Eletrónico 5

6 Segundo o FMI, o crescimento a nível mundial situar-se-á ao nível dos 3,7%, sendo melhores as perspetivas para os EUA e outras economias avançadas face a As economias avançadas parecem ter recuperado um pouco, enquanto que as emergentes abrandaram, continuando a ser o motor principal de crescimento. A avaliação recente da Comissão Europeia feita a Portugal refere que o país teve um crescimento positivo nos últimos três trimestres de 2013, graças ao crescimento do consumo privado e do investimento, que mais do que compensou a quebra das exportações. E uma vez que na Zona Euro os indicadores de confiança sugerem uma estabilização da atividade nos países periféricos e uma recuperação nas economias principais, espera-se que de alguma forma o SEE beneficie desta conjuntura; afinal, esta zona continua deter um peso de 68% no conjunto das exportações. Destaque-se, nas revisões em alta, as previsões para a Alemanha de 1,8% este ano e de 2% no próximo. Para Espanha, os prognósticos são de 1% e 1,7% nos dois anos. De qualquer forma, mantêm-se uma série de riscos como o nível do endividamento privado, a execução orçamental ou a simples perda de confiança que poderão afetar mais negativamente o consumo e o investimento, mas também as reformas previstas. fevereiro de 2014 Serviço de Economia e Associativismo ANIMEE Associação Portuguesa das Empresas do Setor Elétrico e Eletrónico 6

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