Taxa de crescimento anual (%) Produção de eletricidade 345,7 558,9 61,7 4,9 2,5 Produção de energia 49,3 96,7 96,1 7,0 0,5

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1 ESTRUTURA ATUAL DA MATRIZ ELÉTRICA BRASILEIRA. LUZIENE DANTAS DE MACEDO 1 O Brasil é líder mundial na produção de eletricidade a partir de fontes renováveis. Consequentemente, apresenta posição privilegiada quando se discute a mudança da matriz elétrica dos demais países do globo, porque no caso do Brasil a diversificação da matriz elétrica surge da possibilidade de encontrarmos outras fontes renováveis disponíveis no país para complementar a energia hidroelétrica existente. Ou seja, enquanto os países desenvolvidos são obrigados a aumentar a participação de fontes renováveis para reduzir a emissão de gás carbônico de efeito estufa, no Brasil a amplitude da diversificação de fontes renováveis apresenta uma conotação diferente; como a nossa matriz elétrica já apresenta um percentual significativo de fontes de renováveis, a diversificação dessas fontes vem fazer face a dois objetivos importantes: complementar nossa matriz elétrica e aproveitar a potencialidade dos recursos naturais que dispomos abundantemente, tais como o vento e o sol (CASTRO et al, 2010). Se analisarmos, conforme os dados do Fifteenth inventory (2013 Edition), a produção de energia convencional, renovável, nos anos 2002 e 2012, pode-se observar, conforme os dados da tabela 1, que a participação do Brasil na produção mundial de energia elétrica a partir de fonte convencional e renovável foi de 0,5% e 9,8%, respectivamente, no ano de 2012, com taxa de crescimento anual relativamente superior para a produção de energia convencional (7,0%), enquanto que a produção de energia renovável cresceu a uma taxa de 4,5%, no período Tabela 1 Brasil - Produção de eletricidade 2002 e 2012, em TWh Var. (%) 2012/2002 Taxa de crescimento anual (%) Produção de eletricidade 345,7 558,9 61,7 4,9 2,5 Produção de energia 49,3 96,7 96,1 7,0 0,5 convencional Produção de energia renovável 296,4 462,2 55,9 4,5 9,8 Fonte: Fifteenth inventory (2013 Edition) Participação (%) no total mundial em 2012 Considerando a participação de fontes renováveis na geração de eletricidade no Brasil e no mundo, os dados da figura 1 revelam que, enquanto no mundo a participação de renováveis na geração de eletricidade em 2012 foi 20,8%, no Brasil esse percentual foi de 82,7%. Outra informação importante que a figura em tela revela é que no mundo a participação de fontes renováveis aumentou de 18,3%, em 2002, para 20,8%, em 2012, ao passo que as fontes convencionais reduziram sua participação na geração mundial de eletricidade de 81,7%, em 2002, para 79,2%, em No Brasil o percentual das fontes renováveis na geração de eletricidade sofreu redução de três pontos percentuais, passando de 85,7%, em 2002, para 82,7%, em 2012, enquanto que a fonte convencional apresentou aumento de participação no mesmo período, de 14,3%, em 2002, para 17,3%, em 2012, assim não acontecendo no mundo, como já destacado. 1 Docente do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

2 Brasil Mundo Renovável 20,8 82,7 Convencional 17,3 79,2 Renovável 18,3 85,7 Convencional 14,3 81,7 Figura 1 Participação de fontes renováveis na geração de eletricidade no Brasil e no mundo. Fonte: elaboração própria a partir de Fifteenth inventory (2013 Edition) De forma sintética, a estrutura da matriz elétrica brasileira, em 2013, pode ser entendida conforme os dados da figura 2, que mostra uma maior participação da energia gerada por fonte hidráulica na Oferta Interna de Energia Elétrica (OIEE), sendo seguida pelo gás natural, biomassa, derivados de petróleo, carvão e derivados, nuclear e eólica. O Brasil é o segundo país no ranking mundial que tem na energia hidráulica sua principal fonte de geração de energia elétrica, atrás da Noruega, cuja participação na geração de hidroeletricidade foi de 96,7% 2, em Para efeitos comparativos, convém assinalar que a participação da fonte eólica na OIEE atingiu 1,1%, em 2013, contra 0,2%, em 2009, ao passo que a participação da energia hidráulica sofreu uma redução percentual de participação, já que, em 2005, sua participação na OIEE era de 74,6% (EPE, 2006), e, em 2013, essa mesma participação foi de 70,6% (EPE, 2014). Se tomarmos os dados de 2009 e 2013, é possível perceber, conforme destaca a figura 2, aumento de participação da eólica, biomassa e do gás natural e redução de participação da fonte hidráulica. Ou seja, em 2009 e 2013 a participação da geração de energia hidráulica reduziu de 76,9%, em 2009, para 70,6%, em 2013, em virtude de alguns fatores, tais como o potencial de recursos hídricos a ser aproveitado encontrar-se concentrado em áreas que demandam soluções ambientais e socioeconômicas (região Norte do país), restrições ambientais para a construção de hidrelétricas de grande porte e esgotamento progressivo da fonte hidráulica. Nesse contexto, faz-se necessário diversificar a matriz elétrica nacional, com o que já é possível constatar aumento de participação de outras fontes renováveis, como a eólica, cuja participação aumentou de, 0,2%, em 2009, para 1,1%, em 2013, assim como da biomassa, cuja participação em 2013 foi de 7,6%, contra 5,4%, em Informações da Key World Energy Statistics (IEA, 2014).

3 ,9 70,6 5,4 7,6 11,3 0,2 1,1 2,6 2,9 4,4 2,5 2,4 1,3 2,6 Hidráulica* Biomassa** Eólica Gás natural Derivados de petróleo Nuclear Carvão e derivados*** Figura 2 Oferta Interna de Energia Elétrica participação (%) por fonte Notas: * Inclui importação. ** Inclui lenha, bagaço de cana, lixívia e outras recuperações. ***Inclui gás de coqueria. Fonte: EPE (2010, 2014) A participação do gás natural foi significativa de 11,3%%, em 2013, contra 2,6%, em 2009, razão pelo qual o gás natural poderá vir representar uma participação importante nos próximos anos. Esse aumento de participação do gás natural na OIEE ocorre em virtude do aumento da geração térmica, que passou de 24,9%, em 2011, para 40,0%, em 2013 (EPE, 2012 e 2014). As demais fontes que formaram a estrutura da geração termelétrica no país em 2013 são: biomassa (26,9%), nuclear (8,5%), derivados de petróleo (15,4%) e carvão e derivados (9,2%) (EPE, 2014). As termelétricas movidas a derivados de petróleo também aumentaram sua participação na geração de eletricidade em 2013, assim como o carvão e derivados. A participação de fontes alternativas poderá ser importante na medida em que for possível reduzir ao longo do tempo o uso dessas fontes na geração de energia elétrica. Em termos de potência instalada, o país possuía, em 22/03/2015, , o que equivale a usinas hidrelétricas, 125 usinas térmicas movidas a gás natural, a base derivados de petróleo, 23 a base de carvão mineral, 2 usinas nucleares, 258 usinas eólicas, 401 usinas de biomassa, conforme mostra os dados da tabela 2. As maiores participações vêm da hidroeletricidade (62,5%), gás natural (9,0%), biomassa (7,0%), totalizando empreendimentos. Tabela 2 Matriz Elétrica Brasileira dados de potência instalada usinas em operação Tipo Número de usinas Capacidade instalada em % do total Hidro ,5 Gás Natural ,0 Biomassa Agroindustrial ,0 Petróleo ,2 Eólica ,9 Carvão mineral ,5 Floresta ,6 Solar ,01 Outros fósseis ,1 Biocombustíveis líquidos ,01 Resíduos animais ,001 Resíduos sólidos urbanos ,04 Nucelar ,4 Importação ,7 Total Fonte: Banco de Informações de Geração (ANEEL, 22/03/2015) Interessante notar que, em termos de capacidade instalada, a eólica já supera a energia nuclear, sendo esta uma tendência que vem se confirmando na elaboração dos planos decenais, com o que se poderão elaborar projetos que possam aproveitar a potencialidade importante dos ventos na geração de eletricidade e no desenvolvimento regional dos espaços onde estão sendo implantados os parques eólicos. Os dados desagregados mostram que o Brasil possuía, em 22/03/2015, de capacidade fiscalizada de geração elétrica em operação no país, o que equivale projetos em

4 operação (tabela 2). Em termos de projetos em construção e outorgados, os dados da referida tabela mostram que o país possuía 192 projetos em construção e 591 projetos outorgados. Tabela 3 Brasil - Capacidade de geração por tipo* Tipo Em operação Em construção Outorgados Total parcial - construção e outorgados Quantid Potência (%) Quantid Potência (%) Quanti Potência (%) Potência % ade fiscalizada ade Outorgada dade Outorgada CGH , , ,2 29 0,1 EOL , , , ,9 PCH , , , ,4 UFV , , ,5 69 0,2 UHE , , , ,3 UTE , , , ,3 UTN , , , ,7 CGU 0 0 0, , ,0 0 0,0 Total * CGH: Central Geradora Hidrelétrica; CGU: Central Geradora Undi-Elétrica; EOL: Central Geradora Eólica; PCH: Pequena Central Hidrelétrica; UFV: Central Geradora Solar Fotovoltaica; UHE: Usina Hidrelétrica; UTE: Usina Termelétrica; UTN: Usina Termonuclear. Fonte: Banco de Informações de Geração (ANEEL, 22/03/2015) Esses dados permitem destacar ainda que o total parcial revela uma participação de 43,3% de usina hidrelétrica, 26,9% de usina eólica e 19,3% de usinas termelétricas. Em termos de projetos em construção, a maior participação é das UHE s (69,9%), sendo seguida pelas usinas eólicas (13,8%); em se tratando dos projetos outorgados, destaca-se maior participação das usinas eólicas (46,8%) e das UTE s (36,2%). Em suma, percebe-se a importância que a matriz elétrica do país vem sinalizando com o aumento de participação de outras fontes renováveis para efeito de geração de eletricidade. Com isso, a elaboração do planejamento setorial e a implementação de políticas de estruturação do setor elétrico nacional versam sobre a possibilidade de se aumentar o grau de confiabilidade do suprimento de eletricidade a partir da diversificação de fontes que ofereçam maior grau de certeza no momento atual, quando o parque gerador nacional vem apresentando redução de participação da hidroeletricidade. Logo, convém destacar que tanto a fonte eólica e a solar, como a biomassa, PCH s e gás natural, oferecem capacidade de garantir uma maior confiabilidade do sistema elétrico e qualidade da energia elétrica gerada, podendo, portanto, sua inserção progressiva na matriz elétrica nacional reduzir o uso de combustíveis fósseis; razão pelo qual a intensificação da expansão continuada dessas fontes na OIEE vem permitindo que o Brasil continue se destacando no mundo nesse quesito, em que uma matriz elétrica limpa é condição primordial para a sustentabilidade econômica com redução de gases poluentes. REFERÊNCIAS ANGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA (ANEEL). Banco de Informações de Geração (BIG). Capacidade de Geração no Brasil. Disponível em: Acesso em: 22/03/2015. CASTRO N. J. de; DANTAS, G. de A.; LEITE, A. L. da S; GOODWARD, J. Perspectivas para a energia eólica no Brasil. Rio de Janeiro: GESEL-UFRJ, Março de (Texto de Discussão do Setor Elétrico n 18). EMPRESA DE PESQUISA ENERGÉTICA (EPE). Balanço Nacional de Energia 2006 (Ano-base 2005). Rio de Janeiro: EPE, 2006.

5 Balanço Energético Nacional 2014: ano base Rio de Janeiro: EPE, Maio de 2014 (Relatório Final).. Balanço Energético Nacional 2014: ano base Rio de Janeiro: EPE, Maio de 2014 (Relatório Síntese)... Balanço Energético Nacional 2012: ano base Rio de Janeiro: EPE, 2012 (Síntese do Relatório Final).. Balanço Energético Nacional 2010: ano base Rio de Janeiro: EPE, 2010 (Relatório Final). FIFTEENTH INVENTORY - EDITION Worldwide electricity production from renewable energy sources - Stats and figures series. Disponível em: Acesso em: 27/01/2014. IEA. Key World Energy Statistics. IEA, Disponível em: Acesso em 22/03/2015.

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