AGENDA NACIONAL DE TRABALHO DECENTE PARA A JUVENTUDE. Laís Abramo Diretora do Escritório da OIT no Brasil Brasília, 27 de junho de 2012

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1 AGENDA NACIONAL DE TRABALHO DECENTE PARA A JUVENTUDE Laís Abramo Diretora do Escritório da OIT no Brasil Brasília, 27 de junho de 2012

2 Esquema da apresentação A. Por que uma agenda de trabalho decente para a juventude brasileira? B. Políticas públicas no campo do trabalho para os jovens: breves considerações C. Prioridades e linhas de ação da Agenda Nacional de Trabalho Decente para a Juventude (ANTDJ) e o tema do cooperativismo

3 Por que uma agenda de trabalho decente para a juventude brasileira?

4 Alguns pontos de partida da ANTDJ 1. A juventude brasileira é uma juventude trabalhadora Em 2009, mais de 34 milhões de adolescentes e jovens entre 15 e 29 anos trabalhavam ou procuravam trabalho Taxa de participação (trabalhando ou buscando ativamente um trabalho): 15 a 29 anos: 69,6% 15 a 17 anos: 36,0% 18 a 24 anos: 74,7% 25 a 29 anos: 83,6% 15 a 19: 47,4% 20 a 24: 78,4% 4

5 2. A ampliação da presença dos jovens na escola não eliminou a experiência do trabalho Os efeitos do aumento dos anos de escolarização ainda são relativos no que se refere ao momento de ingresso ao mercado de trabalho: Principal efeito: reduzir o trabalho na adolescência (15 a 17 anos); ainda assim 36% está na PEA Não implicou uma redução da participação na PEA a partir dos 18 anos É elevada a porcentagem de jovens que busca conciliar escola e trabalho Jovens entre 18 e 24 anos de idade: só estudam: 14,7% trabalham e estudam: 15, 6% só trabalham: 46,7% 5

6 3. A idade de entrada no mercado de trabalho é fortemente marcada pelas desigualdades sociais É no trabalho realizado na adolescência que mais se evidencia o forte peso das desigualdades sociais muito mais intenso entre os jovens das famílias mais pobres. poucas vezes ele se exerce nas condições protegidas pela Lei de Aprendizagem muitas vezes equivale às piores formas de trabalho infantil e adolescente (proibidas até os 18 anos) A partir dos 18 anos, a diferença principal não está na disposição para o trabalho, mas sim nas chances de encontrálo e nas condições em que ele se exerce Jovens de baixa renda: mais afetados pelo desemprego e piores condições de trabalho, muitas vezes sem completar o Ensino Fundamental Jovens com renda mais alta: tendem a ser menos afetados pelo desemprego e encontrar melhores empregos 6

7 4. Trabalho permanece central e apresenta diversidade de sentidos Depende do perfil sócio econômico e da trajetória profissional e educacional, mas em geral: a necessidade ainda é o sentido mais forte, especialmente entre jovens pobres mas também estão presentes outras dimensões: busca de independência e autonomia, realização pessoal, direito. Jovens de mais baixa renda: expectativa de qualificação e trabalho no presente para melhor reinserção no futuro (um verdadeiro trabalho ). 7

8 5. O desemprego e a informalidade não atingem apenas os jovens de baixa renda ainda que esses fenômenos estejam fortemente marcados pelas desigualdades sociais, de gênero e de raça/cor 8

9 OPORTUNIDADES DE EMPREGO Desemprego juvenil e desemprego total (15 a 24 anos, PNAD 2009, porcentagens) TOTAL JOVENS Total 8,4 17,8 Homens 6,2 13,9 Mulheres 11,1 23,1 Brancos 7,3 16,6 Negros 9,4 18,8 Mulheres negras 12,8 25,3

10 OPORTUNIDADES DE EMPREGO Jovens que não estudam e não trabalham (15-24 anos, 2009, porcentagens) BRASIL Total 18,4 Homens 12,1 Mulheres Brancos 16,1 Negros 20,4 Mulheres negras 28,2 24,8 *mais que o dobro

11 Jovens que não estudam e não trabalham Necessidade de compreender melhor a inatividade juvenil Diversidade de situações: Jovens que deixaram de procurar trabalho devido ao desalento, mas que aceitariam trabalhar caso tivessem oportunidade Jovens que estão em um período de trânsito ou espera entre determinadas situações Jovens que trabalham em atividades não remuneradas (muitas vezes no âmbito familiar) Jovens que se dedicam às tarefas domésticas (cuidado de filhos, irmãos, parentes idosos)

12 Inatividade juvenil Forte componente de gênero, raça e origem social: mulheres negras de mais baixa renda Dificuldades de conciliação entre trabalho, estudos e vida familiar Maior atenção em geral aos jovens de baixa escolaridade, porém: Atenção aos jovens com ensino médio completo que não estudam, não trabalham e não buscam trabalho: poucas perspectivas e falta de apoio após ensino médio

13 As políticas públicas para os jovens no campo do trabalho

14 Políticas públicas para jovens Ausência de uma política estrutural de emprego para jovens Foco central dos programas: ações de elevação de escolaridade e qualificação profissional importante, mas não suficiente Baixa execução da ação de subsídio do Programa Primeiro Emprego : encerramento da ação sem avaliação clara Grande e recente novidade: PRONATEC

15 Políticas públicas para jovens Necessidade de construir outras saídas no campo da demanda por trabalho Necessidade de um olhar específico para o tema da juventude no Sistema Público de Emprego e Renda Necessidade de fortalecer ações que contribuam para conciliação entre: trabalho e estudo trabalho, estudo e vida familiar inserção ocupacional e melhoria das condições de trabalho e salário (quantidade e qualidade dos empregos)

16 A Agenda Nacional de Trabalho Decente para a Juventude (ANTDJ)

17 Decisão política e institucionalidade Decreto Presidencial de 4/junho/2009: Cria o Comitê Executivo Interministerial da Agenda Nacional de Trabalho Decente Cria o Subcomitê de Juventude, coordenado pelo MTE e pela SNJ da Secretaria Geral da Presidência da República Inclui o CONJUVE e o CONANDA 2010: criação do Grupo Consultivo Tripartite 2010: construção da ANTDJ por consenso tripartite 2011: discussão do tema nas CEETDs/CNETD 2012: construção do Plano Nacional de Trabalho Decente para a Juventude

18 Coerência com outros marcos: AHTD, ANTD e PNETD A elaboração da ANTDJ tomou como referência também a Agenda Hemisférica do Trabalho Decente (2006), a Agenda Nacional de Trabalho Decente (2006) e o Plano Nacional de Emprego e Trabalho Decente (2010) AHTD: meta para 2015: reduzir pela metade o número de jovens que não estuda e nem trabalha ANTD e PNETD: presente como tema transversal nas 3 prioridades

19 A ANTDJ e as agendas subnacionais Juventude e Trabalho é uma das prioridades da ABTD A ANTDJ pode ser uma referência muito importante para a construção das agendas subnacionais 19

20 Prioridades da ANTDJ 1. Mais e melhor educação 2. Conciliação entre estudos, trabalho e vida familiar 3. Inserção digna e ativa no mundo do trabalho com igualdade de oportunidades e tratamento 4. Diálogo social: juventude, trabalho e educação

21 Prioridade 1: Mais e melhor educação elevação do acesso e qualidade em todos os níveis de ensino para os/as jovens, com igualdade de oportunidades e tratamento de gênero e raça: melhor ensino médio profissionalizante e tecnológico ampliação do acesso ao ensino superio mais e melhor acesso ao patrimônio cultural brasileiro implementação de políticas públicas para garantir a observância efetiva da idade mínima de ingresso no mercado de trabalho conforme legislação vigente implementação da política pública de educação no campo.

22 Prioridade 2: Conciliação entre estudos, trabalho e vida familiar Compatibilizar as jornadas de trabalho e a permanência na escola Ampliar as oportunidades para jovens de ambos os sexos compatibilizarem trabalho, estudos e vida familiar

23 Prioridade 3: Inserção digna e ativa no mundo do trabalho Mais e melhores empregos e outras oportunidades de trabalho para os/as jovens com igualdade de tratamento e de oportunidades: ampliação das oportunidades de emprego assalariado e melhoria de sua qualidade promoção da saúde do/a trabalhador/a combate às causas da rotatividade acesso à terra, trabalho e renda no campo melhorias na qualidade dos empregos, com ampliação das oportunidades no campo dos empregos verdes geração de trabalho e renda através da economia popular e solidária, associativismo rural e do empreendedorismo.

24 Prioridade 4: Diálogo Social ampliar e fortalecer o debate sobre as alternativas e condicionantes para a melhor inserção juvenil no mercado de trabalho estimular as condições de participação juvenil urbana e rural nos instrumentos de defesa de direitos do trabalho, na organização sindical e nas negociações coletivas qualificar a gestão e implantação da Agenda de Trabalho Decente para a Juventude

25 Muito Obrigada! Escritório da OIT no Brasil: 25

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