XII Congresso Brasileiro de Meteorologia, Foz de Iguaçu-PR, 2002 INFLUÊNCIA DA LA NIÑA NAS TEMPERATURAS MÁXIMAS E MÍNIMAS MENSAIS PARA VIÇOSA-MG

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1 INFLUÊNCIA DA LA NIÑA NAS TEMPERATURAS MÁXIMAS E MÍNIMAS MENSAIS PARA VIÇOSA-MG Rosandro Boligon Minuzzi Universidade Federal de Viçosa Dep. de Engenharia Agrícola Av. P.H. Rolfs, s/n Campus Universitário Viçosa-MG Gilberto Chohaku Sediyama Universidade Federal de Viçosa Dep. de Engenharia Agrícola Av. P.H. Rolfs, s/n Campus Universitário Viçosa-MG ABSTRACT Phenomenon caused by the anomalous cooling of the sea water surface in the Central and Oriental Equatorial Pacific Ocean, La Niña (LN), was used in this study to determine its influence in the monthly maximum and minimum temperatures for Viçosa-MG. Through a graphic comparison analysis of the monthly averages temperatures for the years of occurrence of LN of moderate and strong intensities with the climatic monthly temperatures averages, it was concluded that the months of July, October and November, the maximum temperature during the LN events was below to that climatic average, and in July the minimum temperature was below the climatic average for events LN of strong intensity. INTRODUÇÃO: Devido ao resfriamento anômalo das águas superficiais no Oceano Pacífico Equatorial Central e Oriental, ocorre o fenômeno popularmente denominado La Niña (LN), ou episódio frio do Oceano Pacífico, devido as temperaturas da água do mar à superfície diminuírem cerca de 2 a 3 0 C do habitual valor. O resfriamento dessas águas, faz com que as massas de ar polar cheguem na América do Sul com mais intensidade, provocando temperaturas mais baixas que a normal climatológica, sendo mais influente na Amazônia oeste e nos estados do sudeste do Brasil. No entanto, mesmo que durante o inverno no sudeste do Brasil a ocorrência de geadas sejam freqüentes, este elemento meteorológico não está associado a presença do La Niña (Marengo e Sampaio, 2000). Em geral, o episódio começa a se desenvolver em meados de um ano, atinge sua intensidade máxima no final daquele ano e dissipa-se em meados do ano seguinte. Bristot e Pinheiro (2000) concluíram que no caso da La Niña de , a temperatura máxima mensal praticamente não apresentou alterações significativas, para a cidade de Natal-RN. Sem levar em consideração fenômenos globais, Santos et al. (2000) concluíram, através de análise das temperaturas médias mensais máximas e mínimas, que o clima de Viçosa pode ser considerado temperado, apresentando um verão quente. A temperatura é um elemento fundamental para à classificação climática, ao conforto da população, à agricultura, etc. Por isso, este trabalho visa analisar a influência no qual o fenômeno La Niña exerce nas temperaturas máxima e mínima mensal para Viçosa-MG, visto ser uma cidade com uma economia baseada na agricultura e pecuária. MATERIAL E MÉTODOS: 752

2 As temperaturas máximas e mínimas foram obtidas da Estação Meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), localizada na cidade de Viçosa-MG, a 20º45` S, 40º38` W e altitude de 657 m. Foram calculadas as médias mensais das temperaturas máximas e mínimas no período compreendido entre 1968 a Com a média climatológica realizou-se uma comparação gráfica com as temperaturas média mensais para os anos de ocorrência da La Niña de intensidades moderada e forte de acordo com o NCEP/NOAA, para o citado período climático, baseados na Temperatura da Superfície do Mar (TSM) da região de ocorrência do fenômeno. Além disso, comparou-se graficamente a média climática de temperatura máxima, com a temperatura média mensal máxima de todos anos La Niña, com a temperatura média mensal máxima de anos sem ocorrência de La Niña, ou deste fenômeno com fraca intensidade. Do mesmo modo, foi feito para a temperatura mínima. Na tabela 1, têm-se os anos de evento La Niña utilizados neste trabalho, com suas respectivas intensidades. Tabela 1: Anos de La Niña utilizados neste estudo, com suas respectivas intensidades, de acordo com o NCEP/NOAA. Anos de La Niña Intensidade 1970/71 Moderada 1973/74 Forte 1975/76 Forte 1988/89 Forte 1998/2000 Forte 2000/01 Moderada RESULTADOS E DISCUSSÃO: Nas Figuras 1, 2, 3 e 4, têm-se a relação da temperatura mínima média mensal, com a média climática da temperatura, juntamente com a relação da temperatura máxima média mensal, com a média climática da temperatura máxima, ambas relações para os eventos La Niña nos anos citados na Tabela 1. Figura 1 Jan/70 Mar/70 Mai/70 Jul/70 Set/70 Nov/70 Jan/71 Mar/71 Mai/71 Jul/71 Set/71 Nov/71 753

3 31,0 Figura 2 26,0 21,0 16,0 11,0 6,0 Figura 3 Jan/88 Mar/88 Mai/88 Jul/88 Set/88 Nov/88 Jan/89 Mar/89 Mai/89 Jul/89 Set/89 Nov/89 Figura 4 Na Figura 5, tem-se a relação da temperatura máxima média mensal somente de anos La Niña, com a média mensal para a mesma variável, porém para anos sem ocorrência da La Niña ou de sua fraca intensidade, com a média climática da temperatura máxima. A mesma relação vale para a Figura 6, porém com a diferença que esta, refere-se a temperatura mínima. 754

4 30,0 29,0 27,0 26,0 25,0 24,0 Figura 5 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Tmáx média anos La Niña Tmáx média anos sem La Niña Tmáx climática 19,0 17,0 16,0 15,0 14,0 12,0 11,0 10,0 Figura 6 jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Tmín média anos La Niña Tmín média anos sem La Niña Média Climática Analisando as figuras, percebe-se que a temperatura máxima é mais variável em relação a sua média climatológica, do que a temperatura mínima. Para os meses de julho, nos eventos de forte intensidade, a temperatura mínima mostrou-se inferior a sua média climatológica, bem como em novembro, principalmente quando se trata normalmente do período de dissipação do fenômeno, como observado nos anos de 1970, 73, 74, 75, 88, 98 e A Figura 6 apresenta estas colocações, além de caracterizar que fevereiro é o mês em que a temperatura média mínima durante anos La Niña fica com valor levemente acima da média climática. Assim como para a temperatura mínima, outubro e principalmente novembro apresentaram temperaturas máximas abaixo da média climatológica. Em novembro, as exceções foram durante os anos de 1974 e Devido a grande variação observada durante todos os eventos La Niña, para os demais meses torna-se difícil chegar a um padrão definido, porém a Figura 5 ressaltar um valor acima da média climatológica, da temperatura máxima de janeiro a junho, em agosto, setembro e dezembro. CONCLUSÕES: As conclusões mais significativas foram as seguintes: - durante os anos de La Niña, a temperatura máxima é mais variável em comparação com a mínima; - somente nos meses de julho, outubro e principalmente novembro, a temperatura máxima durante os eventos foi inferior a média climática, porém somente em novembro, pode-se afirmar que a temperatura máxima se comporta desta maneira, visto que nos anos de ocorrência e a grande diferença observada na Figura 5 (26ºC Tmáx em anos LN, 27,5ºC Tmáx sem LN e 27ºC Tmáx climática); 755

5 - julho foi o mês mais significativo referente à temperatura mínima, ficando abaixo da média climatológica para os eventos LN de forte intensidade (exceto 98/99). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: BRISTOT, G.; PINHEIRO, J.V.; A Influência dos Fenômenos El Niño e La Niña nas Variações da Temperatura Máxima Mensal para a cidade do Natal-RN. Anais do XII Congresso Brasileiro de Meteorologia, CD-ROM, Rio de Janeiro-RJ, MARENGO, J.A.; SAMPAIO, G.; Impactos do Fenômeno La Niña no Tempo e Clima do Brasil: Desenvolvimento e Intensificação do La Niña 1998/99. Anais do XII Congresso Brasileiro de Meteorologia, CD-ROM, Rio de Janeiro-RJ, VIANELLO, R.L.; ALVES, A.R.; Meteorologia Básica e Aplicações, Viçosa, UFV, 1991, 449p. CPETC Portal do Clima. 756

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