GESTÃO DE ESTOQUES DE PRODUTOS VETERINÁRIOS - UM ESTUDO DE CASO

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1 ISSN GESTÃO DE ESTOQUES DE PRODUTOS VETERINÁRIOS - UM ESTUDO DE CASO Samuel Vinícius Bonato (Facensa) Tássia Aline Duarte da Rosa (Facensa) Paula Machado Lange (Facensa) Resumo O PRESENTE ARTIGO CIENTÍFICO TEM COMO OBJETIVO ABORDAR UM ESTUDO SOBRE GESTÃO DE ESTOQUES. É ESSENCIAL QUE AS ORGANIZAÇÕES RECONHEÇAM AS SUAS REAIS NECESSIDADES, PARA QUE AS EXPECTATIVAS SEJAM ATENDIDAS. ALÉM DISTO, AS ORGANIZAÇÕES DEVEM DEESENVOLVER SEUS PROCESSOS COM FOCO NA ORGANIZAÇÃO DE ESTOQUE. ESTE ESTUDO TEM COMO OBJETIVO ANALISAR O PROCESSO DE LOGÍSTICA DE MATERIAIS DE UMA EMPRESA DO RAMO AGROPECUÁRIO, DE MANEIRA A VERIFICAR EM QUE CONDIÇÕES ELE ESTÁ ORGANIZADO, SUGERIR E IMPLEMENTAR MELHORIAS, TENDO COMO BASE DADOS PASSADOS E DEMAIS INFORMAÇÕES LEVANTADAS COM OS GESTORES DA EMPRESA. ENTRE OS PRINCIPAIS RESULTADOS OBTIDOS DESTACAM-SE A ACEITAÇÃO DA EMPRESA EM RELAÇÃO ÀS PROPOSTAS IMPLEMENTADAS E A MELHORIA DO CONTROLE SOBRE OS PRODUTOS VETERINÁRIOS ESTOCADOS NA ORGANIZAÇÃO. Palavras-chaves: ESTOQUES, PREVISÃO DE DEMANDA, VETERINÁRIA

2 1. Introdução Atualmente, as empresas lutam incessantemente por sua sobrevivência em um cenário cada vez mais competitivo e globalizado. Com essas variáveis, tem-se uma busca constante por uma melhor colocação no mercado. Independente do ramo de atuação, a plena satisfação do cliente se faz imprescindível para uma organização obter sucesso em suas atividades. Segundo Fleury, Wanke e Figueiredo (2008), o gerenciamento de estoque é um processo integrado, onde existem determinadas políticas da empresa com relação ao seu controle. Os procedimentos para este controle podem ser periódicos ou permanentes, sendo necessário desenvolver procedimentos que definam a freqüência segundo a qual os níveis de estoques são examinados e comparados com os dados anteriores, ou seja, quando e quanto pedir. Baseado nestes dados é possível afirmar que qualquer organização, independente do seu tamanho, necessita de atenção no que se refere à Gestão de Estoque. Este trabalho tem como objetivo aprimorar a gestão dos estoques de uma Agropecuária, através da sugestão e implantação de melhorias nos controles e métodos utilizados atualmente. A primeira seção apresenta uma revisão da literatura, buscando embasar a gestão e controle de estoques através da pesquisa em periódicos, internet e livros que abordam a gestão de estoques nas empresas. A segunda seção apresenta um diagnóstico da situação atual da empresa objetivando identificar os principais pontos fracos em relação à gestão de seus estoques. A terceira seção apresenta os procedimentos metodológicos utilizados para a execução do trabalho, a quarta seção apresenta algumas sugestões para melhoria dos pontos fracos identificados, bem como a sua implantação e, por fim, a quinta seção apresenta os resultados alcançados após a implementação das oportunidades de melhoria. 2. Referencial Teórico 2.1 Planejamento e Gestão de Estoques De acordo com Ballou (1993), o processo de armazenar produtos em longo prazo exige um grande investimento por parte das empresas. Estoque em determinados setores, é 1

3 dinheiro parado, então é necessária uma sincronização entre a oferta e a demanda, a entrada e saída, reduzindo a manutenção e eliminando o que é desnecessário, visto que existe uma dificuldade de prever a demanda futura e como nem sempre os suprimentos estão disponíveis a qualquer momento. Segundo Fleury, Wanke e Figueiredo (2008), saber onde localizar, quando pedir, quanto pedir e quanto manter em estoque de segurança é de extrema importância, destacando: i) a localização é uma decisão que depende fundamentalmente da interação de diversas dimensões características de cada material: giro do estoque, valor agregado e validade dos produtos; ii) quanto pedir depende de análises incrementais referente a custos de transportes das compras e manutenção de estoques; iii) quando pedir, depende diretamente do consumo médio dos produtos; iv) o quanto manter em estoque, é determinado supondo que a variabilidade da demanda siga uma distribuição de probabilidade normal. Para chegarmos a uma resposta coerente devemos observar o valor agregado aos produtos, a previsão de necessidade de comprar, exigência do consumidor, prazos e disposição dos produtos (BOWERSOX E CLOSS, 2001). Outro fator importante, devido à grande concorrência e a evolução constante no mercado, é o fato de as empresas estarem cada vez mais fazendo o uso dos sistemas de informação como softwares e demais equipamentos adequando-se as necessidades e otimizando o sistema como um todo (WANKE; FIGUEREDO; FLEURY, 2008). Nesse sentido, Ballou (1993) também destaca que o uso de computadores é justificável para o armazenamento de dados por um determinado período, tendo uma freqüência de consultas diárias, semanal, mensal e anual conforme a necessidades. Outro ponto importante a destacar é a extrema importância para a empresa que se criem planilhas de controles eletrônicos (Excel), para que se possa ter um melhor acesso as informações, controle e facilitando o planejamento. O departamento de compras necessita estar programado para efetuar os pagamentos das mesmas com base em dados passados. A previsão de demanda é sujeita a erros, portanto as execuções de vendas eficazes necessitam de três componentes básicos que é uma boa administração das previsões, uma boa base de dados e por fim um suporte financeiro (BALLOU, 1993). 2.2 Previsão de Demanda (Entrada e Saída) 2

4 As previsões de demanda orientam o planejamento e a coordenação de todos os sistemas logísticos, pois são projeções de valores ou quantidades que provavelmente serão produzidas, vendidas ou expedidas (BOWERSOX E CLOSS, 2001). Segundo Ballou (1993), geralmente os estoques de segurança são determinados conforme a demanda, e supondo que a mesma siga uma probabilidade normal de saída. É necessário saber o ponto certo de reposição, conhecido também como estoque mínimo e nível de investimento ótimo. FLEURY (2008) destaca que estes estoques mínimos dependem diretamente do consumo médio de produtos, considerando o valor unitário e o custo de transportar. No caso de medicamentos e materiais de uso veterinários, comprar a maior quantidade de produtos em uma mesma nota é possível negociar descontos. O fato de prever não é considerado uma ciência exata, e empresas estão adotando processos integrados de previsão, que inclui a coleta de dados de várias fontes, cálculos matemáticos, estatísticas conforme dados passados e pessoas capacitadas (BOWERSOX E CLOSS, 2001). Segundo Francischini e Gurgel (2004), o consumo real de determinado item possui dois componentes: i) padrões básicos de comportamento ao longo do tempo, que podem ser estimados por métodos de previsão; ii) variáveis aleatórias, onde as causas são tão variáveis que é impossível prevê-las. Existem dois métodos para se estimar uma demanda, que seria a qualitativa, que é baseada em opiniões e estimativas, e a quantitativa que seria baseado em ferramentas estatísticas e de programação de produção (FRANCISCHINI E GURGEL, 2004). 2.3 Armazenagem e Custos de Estoques Faz parte da logística um bom armazenamento de produtos. Muitas empresas estão evitando ou minimizando a necessidade de armazenamento de produtos, visto que a idéia é ajustar o suprimento e a demanda de acordo com o tempo e quantidade necessária, expondo os produtos de uma forma com fácil visualização, utilizando etiquetas contendo informações relacionadas ao produto como prazos de validade, utilidade, composição, tudo se possível com uma fácil visualização dentro de um espaço físico. (BALLOU, 1993). 3

5 Para Francischini e Gurgel (2004), é considerada uma vantagem para a empresa possuir seu próprio controle de armazenagem, pois a mesma possuirá uma maior flexibilidade, terá autoridade absoluta na tomada de decisões, poderá agregar valor reutilizando produtos se adequando a necessidade. Já para Fleury, Wanke e Figueiredo (2008), é fundamental para a organização um programa contendo dados para uma melhor localização dos produtos. Esses dados são convertidos em informações úteis para a tomada de decisões logística e para e emissão de relatórios. As informações devem ser atualizadas com freqüência, rapidez e com um fácil acesso. O layout de um depósito é um trabalho específico, evitando que atrapalhe o fluxo dos materiais, conforme seu manuseio. Devem ficar bem posicionados e identificados. As construções nos tetos, como luzes, tubulações de vapor, dutos de ar quente e antenas de comunicação, devem ficar acima das prateleiras, dando espaço para a movimentação e abastecimento dos produtos e equipamentos de uma forma mais segura para os funcionários da empresa que ali operam (BOWERSOX E CLOSS, 2001). O projeto do armazém reflete o período de tempo no qual se espera que os produtos permaneçam a disposição. A maior parte das empresas possui um espaço físico próprio trazendo vantagens como o menor custo de armazenagem, maior controle sobre o estoque e se o produto/material requer um pessoal especializado, sendo assim mais viáveis. (FRANCISCHINI E GURGEL, 2004). Para BALLOU (1993), o manuseio também incrementa o risco de dados e perda de produtos, o que pode causar insatisfação por parte do comprador. As estantes e as caixas permitem um armazenamento vertical dos produtos, fácil acessibilidade, facilitando o manuseio, eficiência, organização dos itens e um fácil reconhecimento dos materiais, podendo ser distribuídos em fileiras (BOWERSOX E CLOSS, 2001). Uma maneira prática de armazenagem é dividir o setor em diferentes partes como medicamentos, materiais cirúrgicos, dentre outros. Podem existir produtos com alta e baixa rotatividade conforme demanda (FRANCISCHINI E GURGEL, 2004). A alternativa é o arranjo em ângulo, que seria a adaptação conforme as paredes do armazém, aumentando a eficiência das movimentações, ao invés de usar um ângulo reto perdendo espaços (BALLOU, 1993). 4

6 Empresas possuem estoques cada vez mais diversificados, tornando o gerenciamento cada vez mais complexo e complicado. Quanto menor, menores são os riscos de permissibilidade e absolência do material (BALLOU, 1993). O custo de armazenamento seria referente ao acondicionamento dos materiais e a sua movimentação, como por exemplo, aluguel do armazém, mão-de-obra, depreciação das empilhadeiras. Já o custo de estoque seria o custo financeiro, custo das perdas, absolência e avarias, (FRANCISCHINI E GURGEL, 2004). Existe uma parcela de custos fixos em um estoque, sendo proporcional a capacidade das instalações, pois está relacionada ao espaço físico, aos equipamentos, ao pessoal envolvido e aos demais investimentos (WANKE; FIGUEREDO; FLEURY, 2008). 2.4 Classificação e Codificação de Materiais Para Francischini e Gurgel (2004), são geralmente codificados com o nome, marca, fabricante, quantidades, peso e validades. Um profissional deve desenvolver um sistema de codificação que melhor atinja as necessidades. A chave mais rápida para a identificação dos produtos seria o código de barras. Segundo Bowersox e Closs (2001), para facilitar a localização no estoque existem dois métodos básicos de endereçamento, como o endereçamento fixo, onde é designada certa localização para cada produto e endereçamento variável que seria a designação das mercadorias a qualquer espaço físico disponível. As embalagens devem conter informações identificando um determinado produto, principalmente quando o frasco não permite uma fácil visualização (BALLOU, 1993). 3. Metodologia O método escolhido para a elaboração deste artigo foi um estudo de caso, tratando de uma abordagem metodológica de investigação aplicada à uma empresa Agropecuária localizada na cidade de Glorinha RS. A primeira etapa do trabalho contempla a análise da literatura existente sobre gestão de estoque, armazenagem, codificação de materiais e o uso da tecnologia de informação para o gerenciamento de materiais. Através da busca em periódicos, livros, revistas, artigos e 5

7 trabalhos acadêmicos serão identificados e apresentados os principais pontos referentes ao assunto abordado. A segunda etapa apresenta o diagnóstico da situação atual da empresa no que se refere à gestão de seus estoques. Esta análise será feita através da observação in loco da situação atual, complementadas por entrevistas não estruturadas com os principais envolvidos no processo. Serão analisadas as estratégias de reposição dos estoques bem como a armazenagem, identificação e controle dos mesmos. A partir da análise dos dados, será possível identificar os principais pontos que geram problemas para a gestão eficaz e prática dos estoques da organização. Com a identificação das necessidades da empresa, na terceira etapa serão sugeridas melhorias, com o intuito de serem aprovadas e aplicadas na gestão dos estoques. Por fim, a quarta etapa apresentará os resultados obtidos com a implantação e adaptação dos funcionários envolvidos nos novos procedimentos internos no almoxarifado. 4. Diagnóstico da Situação Atual A empresa Agropecuária Santa Teresinha, situada na cidade de Glorinha/RS é uma empresa familiar que possui uma grande criação de animais como bovinos, ovinos e eqüinos para reprodução e venda. A propriedade tem cerca de hectares e seu departamento financeiro é situado em Porto Alegre. A empresa está dividida em setores, sendo a estrutura dominante na empresa a Estrutura Funcional. Os medicamentos e materiais de uso veterinário usados para prevenção e/ou cura de doenças e demais curativos, ficam armazenados em uma média de 4000 doses de medicamentos em um almoxarifado com cerca de 50 m². A utilização destes medicamentos é conforme a demanda, ou seja, cada vez que algum animal fica doente alguma dose é requisitada e também através de um levantamento no calendário das datas de vacinação junto à Inspetoria Veterinária. A primeira etapa do processo de suprimentos da empresa acorre após verificação da real necessidade junto a Inspetoria Veterinária da região. Desta forma, o médico veterinário da empresa realiza a solicitação de compras de forma manual ao fornecedor, citando os 6

8 medicamentos e/ou materiais (antibióticos, vacinas e materiais cirúrgicos) de uso veterinário, em quantidades específicas de acordo com o número de animais a ser medicados. Em um segundo momento, o gerente e o auxiliar de estoques da empresa, após a chegada dos produtos, realizam uma conferência junto a nota fiscal, identificando a real solicitação de tais produtos, como quantidades e especificação. O setor financeiro da empresa realiza de imediato (á vista) o pagamento para o fornecedor. Após, o funcionário responsável pelo almoxarifado separa e identifica cada medicamento lançando em planilhas de controles internos e após armazenando em prateleiras com fácil visualização. Para os medicamentos que necessitam manter-se em temperaturas de 2º a 8 C, os mesmos então são colocados em freezers. Conforme a demanda, os medicamentos e materiais são retirados das prateleiras do estoque. Para controlar a baixa das quantidades do estoque é realizado anotações em livros que ficam arquivados na empresa. A seqüência de atividades administrativas e operacionais realizadas para a gestão de estoques da empresa atualmente acontece de acordo com esta sequência: i) levantamento da real necessidade; ii) compra do produto; iii) conferência da nota fiscal; iv) lançamento em planilhas de controle; v) separação e identificação; vi) pagamento ao fornecedor e; vii) retirada do estoque e atualização da planilha de controle. Durante a observação realizada in loco para identificar os problemas enfrentados pela empresa em relação à sua gestão de estoques, foram observados aspectos relacionados aos processos internos, custos e histórico da empresa. A partir desta observação, foi possível identificar que a mesma possui alguns problemas em seus processos, principalmente no que se refere a estoques parados, previsão da demanda e as formas de identificação e armazenamento dos itens no almoxarifado. A figura 01 descreve cada um dos pontos destacados e qual a situação atualmente enfrentada pela empresa. Problema ESTOQUE PARADO Descrição Devido à empresa possuir criação de animais de várias espécies, é necessário um grande volume de medicamentos e materiais cirúrgicos de uso veterinários, para que supra a demanda quando necessário. São cerca de doses de medicamentos estocados para prevenção e/ou cura de doenças. Desta forma, acaba tornando-se comum a existência de estoques parados aguardando a sua utilização. Um dos problemas gerados por esta espera é que muitas vezes os medicamentos vencem antes da sua utilização, gerando custos desnecessários de descarte e armazenagem. 7

9 PREVISÃO DE DEMANDA Os medicamentos são utilizados para prevenção e/ou curas de doenças, conforme a demanda ou calendário de vacinação da Inspetoria veterinária da região, sendo difícil prevê-la. Porém mesmo com dificuldades, a previsão é baseada em dados passados arquivados na própria empresa. FORMAS DE ARMAZENAMENTOS E IDENTIFICAÇÃO DOS ITENS Figura 01 - Maiores problemas de Gestão de Estoques Fonte: Autor O armazenamento dos produtos precisa de alguns ajustes para que melhore a visualização dos itens, pois nem todos são corretamente identificados, havendo uma miscelânea no armazenamento. Hoje a falta de uma divisão correta dos produtos, por espécie, utilização, prazos de validade, é um fator preocupante no setor de estoque da empresa. 5. Oportunidades de Melhoria e Implantação 5.1 Estoques Parados O estoque de produtos da empresa é difícil prever e está sujeito a erros, portanto o estoque parado é custo. A redução do mesmo é de extrema importância, evitando gastos desnecessários, como a compra indevida de produtos, e prazos de validade vencidos. Sugere-se que o médico veterinário responsável pela solicitação dos medicamentos e produtos veterinários, tenha certeza da real necessidade, e que use como base os dados passados que são arquivados na empresa, evitando compras desnecessárias e o aumento contínuo deste estoque. Como proposta, um método bastante utilizado é o Just-in-time, que seria suprir os produtos apenas quando eles são necessários, diminuindo o estoque parado (WANKE; FIGUEREDO; FLEURY, 2008), porém muitas vezes o uso desta ferramenta fica restrito por indisponibilidade de fornecedores com produtos a pronta entrega Devido à inexistência na empresa de um controle formal de estoques, a figura 02 apresenta um modelo de controle da entrada de produtos no estoque, onde é possível acompanhar a data da última compra, as quantidades e o número da NF, a fim de montar um histórico do tempo de permanência de tais produtos armazenados. Data da Compra Nota Fiscal Quantidades Medicamentos e Materiais 15/10/ pares Luvas 20/10/ doses Dipirona Figura 02 Proposta para controle de entrada de produtos Fonte: Autor 8

10 5.2 Previsão de demanda Após levantamentos de dados do estoque, é proposto que a empresa crie planilhas de controles eletrônicos (Excel), para que se possa ter um melhor acesso as informações, controlando e facilitando o planejamento. O departamento de compras necessita estar programado para efetuar os pagamentos das mesmas com base em dados passados. A figura 03 apresenta um modelo mais elaborado para controlar as demandas e os fluxos de entrada e saída de medicamentos na empresa. Laboratório Medicamento Fabricação/ Validade IBASA DIPIRONA MERIAL LEVAMISOL CALBOS TOPLINE LTDA SPRAY Figura 02 Controle de estoque de medicamentos Fonte: Autor Disponível Total Indicação Saída no Estoque Estoque Medicamento ANALGÉSICO E ANTE-PIRÉTICO VERMÍFUGO CICATRIZANTE A figura 03 apresenta uma proposta de planilha para controle do fluxo de entrada e saída de materiais de uso veterinário. Material Disponível no Estoque Saída Total no Estoque LUVAS SIRINGAS AGÚLHAS CURATIVOS Figura 03 Controle de materiais de uso veterinário Fonte: Autor. Estas planilhas proporcionam uma melhor visualização dos medicamentos e matérias que estão disponíveis no estoque e seus prazos de validade. Os dados são lançados pelo gerente do almoxarifado no momento da chegada e da saída de tais produtos. A mesma possui uma fórmula (=D8-E8) que calcula automaticamente as quantidades (Disponibilidade em Estoque Saída = Total Estoque). É necessário para a empresa um estoque de segurança, portanto a planilha avisa quando determinado produto está com necessidade de reposição (quantidade mínima), e até mesmo quando determinado produto vencerá (prazo mínimo de 5 dias). 5.3 Formas de Armazenamento e Identificação dos Itens Sugere o autor Araújo (1978), que para uma melhor utilização dentro dos armazéns, um método que pode ser adotado pela empresa é método de endereçamento fixo, onde cada produto tem um espaço determinado. Desta forma, é possível disponibilizá-los em estantes, 9

11 divididos em setores diferentes, permitindo um armazenamento vertical dos produtos, facilitando a acessibilidade, o manuseio, eficiência, organização dos itens e um fácil reconhecimento dos materiais, podendo ser distribuídos em fileiras. Neste sentido, a figura 04 apresenta 3 modelos de layout de etiquetas de identificação, separando cada medicamento por espécie, o que facilitará a visualização e agilizará a busca por medicamentos e materiais de uso veterinário. Figura 04 Modelo de layout de etiquetas de identificação Fonte: Autor Nos rótulos dos produtos deverá constar o nome, fabricante, quantidade, peso e data de validade. Como proposta, será criada uma etiqueta maior, contendo todos os dados do produto, facilitando a visualização. A figura 05 apresenta a proposta para os novos rótulos e informações que deverão constar neste rótulo. É importante salientar ainda que podem existir produtos com alta ou baixa rotatividade conforme demanda. Figura 05 Sugestão de rótulo para os produtos Fonte: Autor 6. Resultados da Implantação A figura 06 apresenta os principais resultados obtidos com a implantação das propostas sugeridas no item 5. 10

12 7. Conclusões Para o desenvolvimento deste trabalho, foi necessária uma visão geral da empresa, tendo como foco a área de gestão de estoques. O objetivo foi mapear e analisar a estrutura organizacional, bem como os procedimentos adotados pela empresa Agropecuária Santa Terezinha Ltda, identificando as deficiências no setor, propondo e implementando melhorias a fim de ajudar a organização a controlar melhor seus estoques. Desta forma, foram identificados 3 problemas que a empresa deve tentar melhorar através da implantação de novos controles e métodos de trabalho, sendo os estoques parados, a previsão de demanda e a forma de armazenamento e identificação de itens. Para o primeiro e segundo caso, foram definidas melhorias no que se refere ao controle de entrada e saída de materiais, facilitando o acompanhamento da movimentação dos materiais. Para o terceiro caso, foi proposto um novo layout para etiquetas de identificação e para os rótulos dos produtos. Problema ESTOQUE PARADO PREVISÃO DE DEMANDA Resultados Implantou-se na empresa um controle eletrônico padrão, em formato de planilha. O responsável pelo estoque após adaptação ao novo procedimento implantado, lança diariamente informações, onde é possível verificar-se o prazo de validade e as quantidades de cada medicamento de uso veterinário estocado. Este sistema reduziu consideravelmente o numero e o custo de produtos vencidos dentro do almoxarifado. Com a implantação de uma planilha eletrônica (Excel), gerou-se uma melhor organização no setor de estoque. O responsável pelo almoxarifado realiza o lançamento dos dados na planilha conforme a Nota Fiscal de compra, onde são lançadas e armazenadas em médias 90 notas semestralmente (média de 15 NF/mês). Tal controle indica um estoque mínimo de segurança informando com cinco dias de antecedência o término dos produtos no estoque. Realizou-se também uma parceria com a Inspetoria Veterinária da região, onde foi acordado o envio, aos cuidados da empresa, do calendário de vacinação com prazo mínimo de seis meses de antecedência, o que está auxiliando na programação da compra dos medicamentos e produtos de uso veterinários junto ao setor financeiro. A empresa realizou recentemente um levantamento de informações, a fim de comparar os custos das compras. O custo com produtos era em média de R$ ,00/ano, e após a implantação dos novos controles ocorreu uma redução média de 15%, economizando-se cerca de R$ 5.000,00/ano, valor considerável. Com esta economia está sendo possível manter os novos controles internos e aumentar a receita da empresa. 11

13 FORMAS DE ARMAZENAMENTOS E IDENTIFICAÇÃO DOS ITENS Figura 06 Resultados obtidos Fonte: Autor Após adaptação dos funcionários a uma mudança no Layout interno da empresa, os produtos estão sendo armazenados em estantes de forma vertical, subdivididos por espécie e utilização, onde o método utilizado foi em forma de etiquetas, cerca de R$ 2.000,00/ano está sendo investido. Tal melhoria está proporcionando resultados positivos, como organização e melhor visualização. Anteriormente, demorava-se em torno de 15 minutos até a localização de determinados produtos. Com a implantação dos novos controles internos, leva-se aproximadamente 5 minutos para que os medicamentos e produtos de uso veterinários estejam preparados para uso, agilizando os processos dentro do almoxarifado. As propostas foram bem recebidas pela empresa, e o sucesso está diretamente ligado à cultura da mesma. Foi necessária inicialmente uma conscientização e adaptação dos funcionários junto às novas sugestões de melhorias, como por exemplo, um controle mais eficaz de endereçamento e etiquetagem dos produtos e a utilização de planilhas eletrônicas a fim de controlar a demanda. Após alguns meses de funcionamento dos novos procedimentos, sugere-se que sejam realizados estudos complementares a fim de avaliar a obtenção de resultados positivos ou negativos, eficazes ou não dentro da empresa. A interação da teoria com a prática possibilitará à empresa atender melhor suas reais necessidades com uma adequada organização, tornandose mais eficiente e alcançando o almejado sucesso. 8. Referências ARAÚJO, Jorge S. Administração de Materiais. São Paulo: Atlas, BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: transportes, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas, BOWERSOX, Donald; CLOSS, David. Logística Empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimentos. São Paulo: Atlas, FLEURY, Paulo; WANKE, Peter; FIGUEIREDO, Kleber. Logística Empresarial: a perspectiva brasileira. São Paulo: Atlas, Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: planejamento do fluxo de produtos e dos recursos. São Paulo: Atlas,

14 FRANCISCHINI, Paulino; GURGEL, Floriano. Administração de Materiais e Patrimônio. São Paulo: Pioneira Thomson Learning,

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