Informativo de Jurisprudência de 2014 organizado por ramos do Direito

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2 Superior Tribunal de Justiça Secretaria de Jurisprudência Seção de Informativo de Jurisprudência Informativo de Jurisprudência de 2014 organizado por ramos do Direito 19ª Edição (Informativos nºs. 533 a 552) Brasília-DF, dezembro de 2014.

3 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Secretaria de Jurisprudência Coordenadoria de Divulgação de Jurisprudência Seção de Informativo de Jurisprudência REALIZAÇÃO Secretaria de Jurisprudência EQUIPE TÉCNICA Alexandre Ferreira das Neves de Brito Breno Lucas Souto Lepesqueur Daniel Sartório Barbosa João Paulo de Franco Alcântara Leandro Araujo da Silva Salgado Marcos Deivid Eufrasio de Faria Marici Albuquerque da Costa Márcia Bertoldo Claudino Orlando Seixas Bechara Paulo Eduardo Leal Ferreira Ricardo da Costa Marques Vandré Borges de Amorim Superior Tribunal de Justiça Secretaria de Jurisprudência SAFS Quadra 06 Lote 01 Trecho III Prédio da Administração Bloco F 2º andar Trecho I Ala A Brasília-DF Telefone: (061) Fax: (061) CEP

4 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO...5 DIREITO ADMINISTRATIVO...6 Cobrança de Crédito não Tributário... 6 Concurso Público... 7 Conselho de Administração Profissional... 9 Desapropriação Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Improbidade Administrativa Intervenção na Propriedade Licitação Lei Orgânica da Magistratura Nacional Poder Hierárquico Poder de Polícia Políticas Públicas Prescrição Administrativa Princípios Constitucionais Registro de Procedimento Fiscal Serviço Público Servidor Público DIREITO AMBIENTAL...38 DIREITO CIVIL...45 Autoral Bem de Família... 46

5 Contratos Correção Monetária Direito Adquirido, Ato Jurídico Perfeito e Coisa Julgada Direito de Preferência para a Aquisição de Imóvel Rural Arrendado Família Fatos Jurídicos Locação Obrigações Pessoas Posse Prescrição e Decadência Responsabilidade Civil Restituição do Valor Investido na Extensão de Rede de Telefonia Seguros Sucessões DIREITO CONSTITUCIONAL Ações Constitucionais Administração Pública Competência Direitos Fundamentais Habeas Data Intervenção Federal Precatórios Princípios Administrativos Requisição de Pequeno Valor

6 Recursos Ordinários Seguridade Social Sentença Estrangeira DIREITO DO CONSUMIDOR Aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor Cadastro de Proteção ao Crédito Direitos do Consumidor Plano de Saúde Responsabilidade Civil DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DIREITO EMPRESARIAL Factoring Instituição Financeira Marcas e Patentes Recuperação Judicial e Falência Representação Comercial Sociedade Empresária Títulos de Crédito DIREITO FINANCEIRO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO DIREITO PENAL Aplicação da Pena Contravenções Penais

7 Crimes Contra os Costumes Crimes Contra a Fé Pública Crimes Contra a Honra Crimes Contra o Idoso Crimes Contra a Inviolabilidade do Domicílio Crimes Contra a Liberdade Sexual Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Contra as Relações de Consumo Crimes Contra o Patrimônio Crimes Contra a Pessoa Crimes Contra a Administração Pública Crimes previstos na Lei de Drogas Crimes previstos no Código de Trânsito Brasileiro Crimes previstos no Estatuto do Desarmamento Crime de Tortura Efeitos da Condenção Extinção da Punibilidade Execução Penal Parte Geral Livramento Condicional Medida de Segurança Sedução e Corrupção de Menores Violência Doméstica DIREITO PENAL MILITAR DIREITO PREVIDENCIÁRIO Concessão de Benefícios

8 Custeio Previdência Complementar Questões Processuais DIREITO PROCESSUAL CIVIL Ação de Adjudicação Compulsória Ação de Alimentos Ação Coletiva Ação de Consignação em Pagamento Ação de Exibição de Documentos Ação por Improbidade Administrativa Ação Possessória Ação Rescisória Agravo Apelação Assistência Judiciária Gratuita Citação Competência Comunicação dos Atos Processuais Correção Monetária Cumprimento de Sentença Direito de Preferência dos Idosos no Pagamento de Precatórios Embargos de Declaração Embargos Infringentes Execução em Geral Execução de Honorários

9 Execução Fiscal Execução contra a Fazenda Pública Execução de Prestação Alimentícia Execução por Quantia Certa Contra Devedor Solvente Execução de Título Extrajudicial Formação, Suspensão e Extinção do Processo Fungibilidade Recursal Honorários Advocatícios Impenhorabilidade Imunidade de Jurisdição Intervenção de Terceiros Juros de Mora Legitimidade das Partes Liquidação de Sentença Litisconsórcio e Assistência Mandado de Segurança Medidas Cautelares Medidas Protetivas Acautelatórias de Violência Contra a Mulher Ministério Público Multa Nulidades Petição Inicial Prazos Preclusão Procedimentos Especiais

10 Processo Eletrônico Processo de Falência Processo no Tribunal Provas Recurso Especial Recursos Submetidos ao Rito do art. 543-C do CPC Reexame Necessário Resposta do Réu Sentença Estrangeira Sentença e Coisa Julgada DIREITO PROCESSUAL PENAL Ação Penal Ação Penal de Competência Originária dos Tribunais Competência Crime Contra a Ordem Tributária, Econômica e Contra as Relações de Consumo Descoberta Fortuita de Delitos Efeitos da Condenação Habeas Corpus Honorários Advocatícios Inquérito Policial Instrução Criminal Execução Penal Medidas Assecuratórias Nulidades Prazos

11 Procedimento Relativo aos Processos da Competência do Tribunal do Júri Prisão Provas Questões Prejudiciais Recursos Sentença Penal Transação Penal DIREITO PROCESSUAL PENAL MILITAR DIRETO TRIBUTÁRIO Certidões Negativas Compensação Tributária Contribuição para o Financiamento de Seguridade Social Contribuição ao FUNRURAL Contribuição sobre o Lucro Líquido Contribuição Previdenciária Dívida Ativa Exceção de Pré-executividade Execução Fiscal Imposto de Importação Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação Imposto sobre Produtos Industrializados Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana Imposto de Renda Pessoa Física Imposto de Renda Pessoa Jurídica

12 Imposto Territorial Rural Imunidade Tributária Parcelamento Tributário Prescrição do Crédito Tributário Programa de Integração Social Registro de Procedimento Fiscal Repetição de Indébito Tributário Sanções Administrativas Tributárias Simples Nacional Taxa de Coleta Domiciliar de Lixo

13 APRESENTAÇÃO O presente trabalho tem por objetivo proporcionar ao usuário mais uma forma de consulta a todas as notas de julgados publicadas durante o ano de 2014, organizadas segundo os ramos do Direito e separadas por assuntos preponderantes. Para localização dos assuntos, o usuário pode utilizar o índice analítico. As notas estão organizadas por ordem de recentidade, da mais recente para a mais antiga, e por órgão julgador, considerando a Corte Especial, as Seções temáticas e as Turmas, nessa ordem. Ao final de cada nota existe também a indicação da edição do Informativo de Jurisprudência em que foi publicada. Vale lembrar que as notas que abordaram mais de um tema jurídico estão repetidas nos respectivos temas. Essa opção foi adotada para facilitar a consulta do documento. 5

14 DIREITO ADMINISTRATIVO Cobrança de Crédito não Tributário Segunda Turma DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. PRAZO PRESCRICIONAL PARA A AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE (ANS) PROMOVER EXECUÇÃO FISCAL DOS VALORES DESPENDIDOS PELO SUS EM FAVOR DE SERVIÇOS PRESTADOS A CONTRATANTES DE PLANOS DE SAÚDE. Prescreve em cinco anos, nos termos do art. 1 do Decreto /1932, e não em três anos como previsto no art. 206, 3º, V, do CC a pretensão da ANS de promover execução fiscal para reaver de operadora de plano de saúde os valores despendidos por instituição pública ou privada, conveniada ou contratada pelo SUS, pelos atendimentos efetuados em favor dos contratantes de plano de saúde e respectivos dependentes, quando os serviços prestados estejam previstos em contrato firmado entre a operadora de plano de saúde e seus filiados. Com efeito, o art. 32 da Lei 9.656/1998 estabelece que serão ressarcidos pelas operadoras de plano de saúde os valores despendidos por instituições públicas ou privadas, conveniadas ou contratadas pelo SUS, em razão da prestação de serviços de saúde previstos em contrato firmado entre a operadora de plano de saúde e seus filiados e respectivos dependentes. Já o 5 do referido dispositivo legal preceitua que os valores devidos e não recolhidos pelas operadoras de plano de saúde devem ser inscritos na dívida ativa da ANS, a qual detém competência para cobrar judicialmente o débito. Desse modo, inscritos em dívida ativa, os valores não se qualificam mais como espécie de indenização civil, como se extrai do art. 39, 2º, da Lei 4.320/1964. Esclareça-se que, embora o STJ tenha pacificado o entendimento de que a Lei 9.873/1999 só se aplica aos prazos de prescrição referentes à pretensão decorrente do exercício da ação punitiva da Administração Pública, há muito tempo esse Tribunal Superior firmou o entendimento de que a pretensão executória de créditos não tributários observa o prazo quinquenal do Decreto /1932 (REsp RS, Segunda Turma, DJe 10/2/2012; e AgRg no REsp RS, Primeira Turma, DJe 2/2/2010). Além do mais, a relação jurídica que há entre a ANS e as operadoras de planos de saúde é regida pelo Direito Administrativo, por isso inaplicável o prazo prescricional previsto no Código Civil. REsp RS, Min. Rel. Humberto Martins, julgado em 19/8/2014 (Informativo nº 545). 6

15 Concurso Público Corte Especial DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL PARA IMPETRAR MS CONTRA ATO ADMINISTRATIVO QUE EXCLUI CANDIDATO DE CONCURSO PÚBLICO. O termo inicial do prazo decadencial para a impetração de mandado de segurança no qual se discuta regra editalícia que tenha fundamentado eliminação em concurso público é a data em que o candidato toma ciência do ato administrativo que determina sua exclusão do certame, e não a da publicação do edital. Precedente citado: EREsp MS, Corte Especial, DJe 10/5/2013. REsp PI, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 1º/7/2014 (Informativo nº 545). Corte Especial DIREITO ADMINISTRATIVO. SURDEZ UNILATERAL EM CONCURSO PÚBLICO. Candidato em concurso público com surdez unilateral não tem direito a participar do certame na qualidade de deficiente auditivo. Isso porque o Decreto 5.296/2004 alterou a redação do art. 4º, II, do Decreto 3.298/1999 que dispõe sobre a Política Nacional para Integração de Pessoa Portadora de Deficiência e excluiu da qualificação deficiência auditiva os portadores de surdez unilateral. Vale ressaltar que a jurisprudência do STF confirmou a validade da referida alteração normativa. Precedente citado do STF: MS AgR, Segunda Turma, DJe 1º/8/2011. MS DF, Rel. Min. Castro Meira, Rel. para acórdão Min. Humberto Martins, julgado em 2/10/2013 (Informativo nº 535). Primeira Turma DIREITO ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA LIMITE DE IDADE EM CONCURSO PÚBLICO. O prazo decadencial para impetrar mandado de segurança contra limitação de idade em concurso público conta-se da ciência do ato administrativo que determina a eliminação do candidato pela idade, e não da publicação do edital que prevê a regra da limitação. Precedentes citados: AgRg no AREsp BA, Segunda Turma, DJe 18/3/2013; AgRg no AREsp BA, Primeira Turma, DJe 18/4/2013. AgRg no AREsp BA, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 5/12/2013 (Informativo nº 533). 7

16 Segunda Turma DIREITO ADMINISTRATIVO. AGREGAÇÃO DE MILITAR QUE PARTICIPA DE CURSO DE FORMAÇÃO. O militar aprovado em concurso público tem direito a ser agregado durante o prazo de conclusão de curso de formação, com direito à opção pela respectiva remuneração. Precedentes citados: AgRg no AREsp BA, Segunda Turma, DJe 2/5/2012; AgRg no AREsp RO, Segunda Turma, DJe 1/8/2012; e AgRg no REsp RJ, Sexta Turma, DJe 21/2/2011. AgRg no REsp RN, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 16/10/2014 (Informativo nº 551). Segunda Turma DIREITO ADMINISTRATIVO. EXAME MÉDICO PARA INGRESSO EM CARGO PÚBLICO. O candidato a cargo público federal pode ser eliminado em exame médico admissional, ainda que a lei que discipline a carreira não confira caráter eliminatório ao referido exame. Isso porque a inspeção de saúde é exigência geral direcionada a todos os cargos públicos federais (arts. 5º, VI, e 14 da Lei 8.112/1990), daí a desnecessidade de constar expressamente na lei que disciplina a carreira da qual se pretende o ingresso. Ademais, a referida inspeção clínica não se confunde com o teste físico ou psicológico, os quais são exigências específicas para o desempenho de determinados cargos e, portanto, devem possuir previsão legal em lei específica. Precedente citado: REsp DF, Quinta Turma, DJe 6/12/2010. AgRg no REsp DF, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 3/4/2014 (Informativo nº 538). Segunda Turma DIREITO ADMINISTRATIVO. EXAME PSICOLÓGICO EM CONCURSO PÚBLICO. É admitida a realização de exame psicotécnico em concursos públicos se forem atendidos os seguintes requisitos: previsão em lei, previsão no edital com a devida publicidade dos critérios objetivos fixados e possibilidade de recurso. Precedentes citados do STF: MS DF, Segunda Turma, DJe 26/6/2012; e AgRg no RE DF, Segunda Turma, DJe 1º/6/2011. RMS AC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 18/2/2014 (Informativo nº 535). Segunda Turma DIREITO ADMINISTRATIVO. INVESTIGAÇÃO SOCIAL EM CONCURSO 8

17 PÚBLICO. Na fase de investigação social em concurso público, o fato de haver instauração de inquérito policial ou propositura de ação penal contra candidato, por si só, não pode implicar a sua eliminação. A eliminação nessas circunstâncias, sem o necessário trânsito em julgado da condenação, viola o princípio constitucional da presunção de inocência. Precedentes citados do STF: ARE AgR, Primeira Turma, DJe 28/8/2013; e AI AgR, Segunda Turma, DJe 4/2/2010; precedentes citados do STJ: REsp MG, Segunda Turma, DJe 4/10/2013; EDcl no AgRg no REsp RS, Quinta Turma, DJe 13/3/2013 e AgRg no RMS AC, Sexta Turma, DJe 21/3/2012. AgRg no RMS PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 11/2/2014 (Informativo nº 535). Segunda Turma DIREITO ADMINISTRATIVO. LIMITE ETÁRIO EM CONCURSO PÚBLICO PARA INGRESSO NA CARREIRA DE POLICIAL MILITAR. Não tem direito a ingressar na carreira de policial militar o candidato à vaga em concurso público que tenha ultrapassado, no momento da matrícula no curso de formação, o limite máximo de idade previsto em lei específica e em edital. Precedente citado: RMS AC, Primeira Turma, DJe 13/10/2011. RMS AC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 17/12/2013 (Informativo nº 533). Conselho de Administração Profissional Primeira Seção DIREITO ADMINISTRATIVO. LIMITES DE ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ). O profissional de educação física que tenha concluído apenas o curso de licenciatura, de graduação plena, somente pode exercer suas atribuições na educação básica (área formal), sendo-lhe proibido o exercício da profissão em clubes, academias, hotéis, spas, etc. (área não formal). Conforme estabelecem os arts. 44, II, e 62, da Lei 9.394/1996, regulamentados pelos art. 5º do Decreto 3.276/1999, arts. 1º e 2º da Resolução CNE/CP 2/2002, art. 14 da Resolução CNE/CES 7/2004 e art. 2º, III, a, c/c Anexo da Resolução CNE/CES 4/2009, há atualmente duas modalidades de cursos para profissionais de educação física: (a) o curso de licenciatura, de graduação plena, para atuação na educação básica, de duração mínima de 3 anos, com carga horária mínima de horas/aula; e (b) o curso de graduação/bacharelado em educação física, para atuação em áreas não formais, de duração mínima de 4 anos, com carga horária mínima de horas/aula. Sendo assim, o profissional de educação 9

18 física que pretende atuar de forma plena, nas áreas formais e não formais (sem nenhuma restrição), deve concluir tanto o curso de licenciatura, de graduação plena, quanto o curso de graduação/bacharelado, haja vista tratar-se de cursos distintos, com disciplinas e objetivos particulares. Além do mais, as Resoluções do Conselho Nacional de Educação foram emitidas com supedâneo no art. 6º da Lei 4.024/1961 (com a redação conferida pela Lei 9.131/1995), em vigor por força do art. 92 da Lei 9.394/1996, sendo certo que essas Resoluções, em momento algum, extrapolam o âmbito de simples regulação, porque apenas tratam das modalidades de cursos previstos na Lei 9.394/1996 (licenciatura e bacharelado). REsp SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 12/11/2014. (Informativo nº 552). Segunda Turma DIREITO ADMINISTRATIVO. INSCRIÇÃO DE INDÚSTRIA DE LATICÍNIOS NO CONSELHO DE QUÍMICA. A pessoa jurídica cuja finalidade precípua é a industrialização e o comércio de laticínios e derivados não é obrigada a registrar-se no Conselho Regional de Química. Precedentes citados: REsp SC, Segunda Turma, DJ 1º/8/2005; e REsp RJ, Primeira Turma, DJ 17/4/2006. REsp /PR, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/10/2013 (Informativo nº 534). Desapropriação Segunda Turma DIREITO ADMINISTRATIVO. DELIMITAÇÃO DO VALOR DE INDENIZAÇÃO POR DESAPROPRIAÇÃO PARA FINS DE REFORMA AGRÁRIA. Nas desapropriações para fins de reforma agrária, o valor da indenização deve ser contemporâneo à avaliação efetivada em juízo, tendo como base o laudo adotado pelo juiz para a fixação do justo preço, pouco importando a data da imissão na posse ou mesmo a da avaliação administrativa. De fato, a avaliação efetivada em juízo, ordinariamente, deverá se reportar à época em que for realizada e não ao passado para fixar a importância correspondente ao bem objeto da expropriação, haja vista que exigir que esses trabalhos técnicos refiram-se à realidade passada (de anos, muitas vezes) pode prejudicar a qualidade das avaliações e o contraditório. A propósito, extrai-se do art. 26 do Decreto-Lei 3.365/1941 que a indenização, em regra, deverá corresponder ao valor do imóvel apurado na data da perícia (avaliação judicial). Precedentes citados: REsp CE, Segunda Turma, DJe 24/10/2013; e AgRg no REsp CE, Segunda Turma, DJe 25/10/2013. AgRg no REsp CE, Rel. Min. Herman Benjamin, 18/9/2014 (Informativo nº 549). 10

19 Fundo de Garantia por Tempo de Serviço Primeira Seção SÚMULA n. 514 A CEF é responsável pelo fornecimento dos extratos das contas individualizadas vinculadas ao FGTS dos Trabalhadores participantes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, inclusive para fins de exibição em juízo, independentemente do período em discussão. Primeira Seção DIREITO ADMINISTRATIVO. HIPÓTESE DE NÃO LEVANTAMENTO DE FGTS. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ). A suspensão do contrato de trabalho em decorrência de nomeação em cargo em comissão não autoriza o levantamento do saldo da conta vinculada ao FGTS. Isso porque o art. 20, VIII, da Lei 8.036/1990 condiciona a liberação do saldo da conta do FGTS ao fato de o trabalhador permanecer três anos ininterruptos fora do regime do FGTS, circunstância que não ocorre quando o empregado tem seu contrato de trabalho suspenso por força de nomeação em cargo público em comissão. De fato, não ocorre a ruptura do vínculo laboral, nem o empregado fica fora do regime do FGTS, mas permanece nele, embora não ocorrendo depósitos por força da suspensão do contrato de trabalho. REsp SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 24/9/2014 (Informativo nº 548). Primeira Seção DIREITO ADMINISTRATIVO. INAPLICABILIDADE DA TAXA PROGRESSIVA DE JUROS ÀS CONTAS VINCULADAS AO FGTS DE TRABALHADOR AVULSO. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ). Não se aplica a taxa progressiva de juros às contas vinculadas ao FGTS de trabalhadores qualificados como avulsos. Isso porque o trabalhador avulso não preenche os requisitos legais para tanto. Com efeito, a legislação de regência, desde a criação do fundo, prevê que a taxa progressiva de juros estaria condicionada à existência de vínculo empregatício, inclusive impondo percentuais diversos a depender do tempo de permanência na mesma empresa. Por definição legal, inserta no art. 9º, VI, do Decreto 3.048/1999, trabalhador avulso é "aquele que, sindicalizado ou não, presta serviço de natureza urbana ou rural, a diversas empresas, sem vínculo empregatício, com a intermediação obrigatória do órgão gestor de mão-de-obra, nos termos da Lei n. 11

20 8.630, de 25 de fevereiro de 1993, ou do sindicato da categoria, assim considerados". Precedentes citados do STJ: REsp ES, Primeira Turma, DJe 29/6/2010; e AgRg no REsp RS, Segunda Turma, DJe 18/10/2012. REsp SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 26/3/2014 (Informativo nº 546). Improbidade Administrativa Primeira Seção DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. REVISÃO EM RECURSO ESPECIAL DAS PENAS IMPOSTAS EM RAZÃO DA PRÁTICA DE ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. As penalidades aplicadas em decorrência da prática de ato de improbidade administrativa, caso seja patente a violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, podem ser revistas em recurso especial. Nessa situação, não se aplica a Súmula 7 do STJ. EREsp RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 14/8/2014 (Informativo nº 549). Primeira Seção DIREITO ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. REQUISITOS DA MEDIDA CAUTELAR DE INDISPONIBILIDADE DE BENS PREVISTA NO ART. 7º DA LEI 8.429/1992. RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ). É possível decretar, de forma fundamentada, medida cautelar de indisponibilidade de bens do indiciado na hipótese em que existam fortes indícios acerca da prática de ato de improbidade lesivo ao erário. De fato, o art. 7º da Lei 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa) instituiu medida cautelar de indisponibilidade de bens que apresenta caráter especial em relação à compreensão geral das medidas cautelares. Isso porque, para a decretação da referida medida, embora se exija a demonstração de fumus boni iuris consistente em fundados indícios da prática de atos de improbidade, é desnecessária a prova de periculum in mora concreto ou seja, de que os réus estariam dilapidando efetivamente seu patrimônio ou de que eles estariam na iminência de fazêlo (colocando em risco eventual ressarcimento ao erário). O requisito do periculum in mora estaria implícito no referido art. 7º, parágrafo único, da Lei 8.429/1992, que visa assegurar o integral ressarcimento de eventual prejuízo ao erário, o que, inclusive, atende à determinação contida no art. 37, 4º, da CF (REsp ES, Primeira Seção, DJe 21/9/2012; e EREsp RJ, Primeira Seção, DJe 7/6/2013). Ora, como a indisponibilidade dos bens visa evitar que ocorra a dilapidação patrimonial, não é razoável aguardar atos concretos direcionados à sua diminuição ou dissipação, na medida em que exigir a comprovação de que esse fato estaria ocorrendo ou prestes a ocorrer tornaria difícil a efetivação da medida cautelar em análise (REsp MA, 12

21 Segunda Turma, DJ 20/4/2010). Além do mais, o disposto no referido art. 7º em nenhum momento exige o requisito da urgência, reclamando apenas a demonstração, numa cognição sumária, de que o ato de improbidade causou lesão ao patrimônio público ou ensejou enriquecimento ilícito. REsp BA, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Og Fernandes, julgado em 26/2/2014 (Informativo nº 547). Primeira Turma DIREITO ADMINISTRATIVO. REQUISITO PARA A CONFIGURAÇÃO DE ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA QUE ATENTE CONTRA OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Para a configuração dos atos de improbidade administrativa que atentam contra os princípios da administração pública (art. 11 da Lei 8.429/1992), é dispensável a comprovação de efetivo prejuízo aos cofres públicos. De fato, o art. 21, I, da Lei 8.429/1992 dispensa a ocorrência de efetivo dano ao patrimônio público como condição de aplicação das sanções por ato de improbidade, salvo quanto à pena de ressarcimento. Precedentes citados: REsp DF, Segunda Turma, DJe 20/11/2013; e AgRg nos EDcl no AgRg no REsp PA, Primeira Turma, DJe 18/9/2013. REsp MG, Rel. originário Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Sérgio Kukina, julgado em 4/9/2014 (Informativo nº 547). Primeira Turma DIREITO ADMINISTRATIVO. REQUISITOS PARA A REJEIÇÃO SUMÁRIA DE AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA (ART. 17, 8º, DA LEI 8.429/1992). Após o oferecimento de defesa prévia prevista no 7º do art. 17 da Lei 8.429/1992 que ocorre antes do recebimento da petição inicial, somente é possível a pronta rejeição da pretensão deduzida na ação de improbidade administrativa se houver prova hábil a evidenciar, de plano, a inexistência de ato de improbidade, a improcedência da ação ou a inadequação da via eleita. Isso porque, nesse momento processual das ações de improbidade administrativa, prevalece o princípio in dubio pro societate. Esclareça-se que uma coisa é proclamar a ausência de provas ou indícios da materialização do ato ímprobo; outra, bem diferente, é afirmar a presença de provas cabais e irretorquíveis, capazes de arredar, prontamente, a tese da ocorrência do ato ímprobo. Presente essa última hipótese, aí sim, deve a ação ser rejeitada de plano, como preceitua o referido 8º da Lei 8.429/1992. Entretanto, se houver presente aquele primeiro contexto (ausência ou insuficiência de provas do ato ímprobo), o encaminhamento judicial deverá operar em favor do prosseguimento da demanda, exatamente para se oportunizar a ampla produção de provas, tão necessárias ao pleno e efetivo convencimento do julgador. Com efeito, somente após a regular instrução processual é que se poderá concluir pela existência de: (I) eventual dano ou prejuízo a 13

22 ser reparado e a delimitação do respectivo montante; (II) efetiva lesão a princípios da Administração Pública; (III) elemento subjetivo apto a caracterizar o suposto ato ímprobo. REsp MG, Rel. originário Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Sérgio Kukina, julgado em 4/9/2014 (Informativo nº 547). Primeira Turma DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. NÃO CONFIGURAÇÃO DE ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. Não configura improbidade administrativa a contratação, por agente político, de parentes e afins para cargos em comissão ocorrida em data anterior à lei ou ao ato administrativo do respectivo ente federado que a proibisse e à vigência da Súmula Vinculante 13 do STF. A distinção entre conduta ilegal e conduta ímproba imputada a agente público ou privado é muito antiga. A ilegalidade e a improbidade não são situações ou conceitos intercambiáveis, cada uma delas tendo a sua peculiar conformação estrita: a improbidade é uma ilegalidade qualificada pelo intuito malsão do agente, atuando com desonestidade, malícia, dolo ou culpa grave. A confusão conceitual que se estabeleceu entre a ilegalidade e a improbidade deve provir do caput do art. 11 da Lei 8.429/1992, porquanto ali está apontada como ímproba qualquer conduta que ofenda os princípios da Administração Pública, entre os quais se inscreve o da legalidade (art. 37 da CF). Mas nem toda ilegalidade é ímproba. Para a configuração de improbidade administrativa, deve resultar da conduta enriquecimento ilícito próprio ou alheio (art. 9º da Lei 8.429/1992), prejuízo ao Erário (art. 10 da Lei 8.429/1992) ou infringência aos princípios nucleares da Administração Pública (arts. 37 da CF e 11 da Lei 8.429/1992). A conduta do agente, nos casos dos arts. 9º e 11 da Lei 8.429/1992, há de ser sempre dolosa, por mais complexa que seja a demonstração desse elemento subjetivo. Nas hipóteses do art. 10 da Lei 8.429/1992, cogita-se que possa ser culposa. Em nenhuma das hipóteses legais, contudo, se diz que possa a conduta do agente ser considerada apenas do ponto de vista objetivo, gerando a responsabilidade objetiva. Quando não se faz distinção conceitual entre ilegalidade e improbidade, ocorre a aproximação da responsabilidade objetiva por infrações. Assim, ainda que demonstrada grave culpa, se não evidenciado o dolo específico de lesar os cofres públicos ou de obter vantagem indevida, bens tutelados pela Lei 8.429/1992, não se configura improbidade administrativa. REsp MG, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 24/4/2014 (Informativo nº 540). Primeira Turma DIREITO ADMINISTRATIVO. INDISPONIBILIDADE DE BENS EM AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. Os valores investidos em aplicações financeiras cuja origem remonte a verbas trabalhistas não podem ser objeto de medida de indisponibilidade em sede de ação de improbidade administrativa. Isso porque a aplicação financeira das verbas 14

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