Audiência Pública nº 006/2015

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1 Audiência Pública nº 006/2015 Aprimoramento do sistema de Bandeiras Tarifárias e da regulamentação da Conta Centralizadora dos Recursos de Bandeiras Tarifária Contribuições do Grupo Energisa Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 2015

2 Sumário 1. Introdução Breve análise da proposta da ANEEL Regras de Aplicação das Bandeiras Tarifárias Adicionais das Bandeiras Tarifárias Conta Centralizadora dos Recursos de Bandeiras Tarifárias Sugestões de Aprimoramento Exposição involuntária ao mercado de curto prazo

3 1. Introdução: A REN nº 464/2011, de 22 de novembro de 2011, homologou o Módulo 7 dos Procedimentos de Regulação Tarifária PRORET, definindo os procedimentos a serem aplicados ao processo de definição da Estrutura Tarifária para as concessionárias de serviço público de distribuição de energia elétrica. O Submódulo 7.1 do PRORET definiu que o sistema de bandeiras tarifárias seria aplicado a partir do ano de 2015 às concessionárias do Sistema Interligado Nacional SIN. Em 05 de fevereiro de 2015 foi emitido o Decreto nº 8401/2015, determinando a criação da Conta Centralizadora dos Recursos de Bandeiras Tarifárias, destinada a administrar os recursos decorrentes da aplicação das bandeiras tarifárias. Frente aos comandos estabelecidos no referido Decreto, faz-se necessária a regulamentação da Conta Centralizadora dos Recursos de Bandeiras Tarifárias (CCRBT), bem como adequações e aperfeiçoamentos no próprio sistema das bandeiras, tais como regras de acionamento, valor dos adicionais e forma de aplicação pelas distribuidoras. 2. Breve análise da proposta da ANEEL: 2.1. Regras de Aplicação das Bandeiras Tarifárias: Com a criação da Conta Centralizadora dos Recursos de Bandeiras Tarifárias, os custos de geração por fonte termelétrica e da exposição aos preços de liquidação no mercado de curto prazo passarão a ser compartilhados entre todas as distribuidoras do SIN. Desta forma, é necessária a adequação de seus critérios de acionamento, visando definir uma única bandeira mensal para todas elas, e não mais por submercado, como a regra atual define. Atualmente o acionamento de cada bandeira tarifária é realizado por submercado e sinalizado mensalmente pela ANEEL, de acordo com informações de CMO e ESS_SE prestados pelo ONS. A ANEEL, através da Nota Técnica nº 28/2015-SGT/ANEEL NT28, propõe que o acionamento seja dado pelo valor do Custo Variável Unitário CVU da última usina a ser despachada. 2

4 O Custo Variável Unitário será informado mensalmente pelo ONS e será aquele relacionado à usina mais cara com previsão de despacho por ordem de mérito ou segurança energética para o mês subsequente à reunião do Planejamento Mensal de Operação PMO. Já para o acionamento da bandeira vermelha, propõe-se que a faixa seja alterada dos R$ 350,00/MWh atuais para R$ 388,48/MWh Adicionais das Bandeiras Tarifárias: O Decreto 8401/2015 possibilitou a inclusão das variações dos custos de geração por fonte termelétrica e da exposição aos preços de liquidação no mercado de curto prazo na receita das bandeiras tarifárias. Portanto, propõe-se que os adicionais referentes às bandeiras tarifárias amarela e vermelha sejam recalculados para o ano civil de Foram adotadas premissas que condizem com um cenário hidrológico desfavorável, com o despacho do parque térmico na totalidade da sua disponibilidade, seja por ordem de mérito ou por segurança energética, e manutenção do PLD em seu valor teto, R$ 388,48/MWh durante todo o ano. O racional que justifica as premissas adotadas é que a não ocorrência de um cenário desfavorável reflete-se no desligamento das usinas termelétricas com CVU mais elevado e, consequentemente, no não acionamento das bandeiras amarela e vermelha, não onerando os consumidores desnecessariamente. Isso não ocorreria caso essa expectativa de custos elevados fosse considerada, em sua totalidade, nos processos tarifários ordinários Conta Centralizadora dos Recursos de Bandeiras Tarifárias: De acordo com o Decreto nº 8401/2015, os recursos provenientes da aplicação das bandeiras tarifárias pelos agentes de distribuição serão revertidos à Conta Centralizadora dos Recursos de Bandeiras Tarifárias. Os recursos disponíveis nessa conta serão repassados aos agentes de distribuição considerando a diferença entre os valores realizados dos custos de geração por fonte termelétrica e da exposição aos preços de liquidação no mercado de curto 3

5 prazo que afetam os agentes de distribuição de energia elétrica conectados ao SIN, e a cobertura tarifária vigente. Ainda o Decreto nº 8401/2015 estabelece que a conta seja criada e mantida pela CCEE e que a ANEEL deverá regulamentá-la. Para a operacionalização da Conta Centralizadora, recomenda-se primeiramente que a reversão de receitas à conta e o subsequente repasse às distribuidoras sejam realizados pelo resultado líquido. Por fim, com a aplicação do sistema de bandeiras e a criação da Conta Centralizadora dos Recursos de Bandeiras Tarifárias, recomenda-se que nos processos tarifários (ordinários ou extraordinários) sejam realizados os seguintes procedimentos: a) Os CCEARs por disponibilidade sejam valorados pela previsão mensal de CMO informado pelo ONS, cujo valor será limitado a R$ 200/MWh; b) Não seja concedida previsão para o custo de Encargo de Serviços do Sistema por Segurança Energética ESS_SE, c) Não seja concedido repasse do custo estimado do montante de sobrecontratação ou exposição ao mercado de curto prazo relativo ao ano civil corrente de aplicação do processo tarifário. Para este item, deve-se revogar o inciso II do art. 6º da REN 255/2007. d) Na apuração da CVA do ano posterior devem ser consideradas as receitas líquidas de bandeiras tarifárias, isto é, Receita Faturada menos aporte realizado à Conta mais repasse recebido da Conta. 4

6 3. Sugestões de Aprimoramento: O Grupo Energisa considera que a regulamentação proposta para a Conta Centralização dos Recursos de Bandeiras Tarifárias é positiva e traz maior estabilidade para todo o setor elétrico nacional. Da mesma forma, a inclusão das variações dos custos de geração na receita das bandeiras tarifárias permite uma melhor sinalização de preço para o consumidor e maior previsibilidade tarifária. Não obstante as evidentes melhorias que o regramento proposto traz para o setor, gostaríamos de contribuir com a forma de cálculo da Exposição Involuntária ao mercado de curto prazo, de forma que nenhum custo adicional majore o carregamento financeiro das distribuidoras de energia elétrica Exposição involuntária ao mercado de curto prazo: De acordo com a NT28 o cálculo foi feito considerando montante de reposição para 2015, acrescido da contratação incremental (exceto adicional de 0,5% da carga), descontada a energia contratada no Leilão A-1 de 2014, Leilão de Ajuste e recebimento de cotas, exceto São Simão. Desta forma, está sendo proposta cobertura apenas para os custos adicionais referentes à exposição de energia existente, que pode não refletir a realidade de algumas distribuidoras. A regra proposta resulta em um valor de exposição que não reflete a posição real no Mercado de Curto Prazo para o ano de Entendemos que isto se deve ao fato de não ter sido considerada a exposição decorrente de energia nova, conforme explicitado no item 39, transcrito abaixo. 39. Cabe ressaltar que no cálculo da estimativa de exposição involuntária para 2015 não foi considerada a frustração do Leilão A-3 realizado em 2012 e nem o cancelamento de energia nova a partir de 2012 que ainda não pôde ser contratada em O correto 5

7 dimensionamento dessas frustrações depende de informações do MME e da CCEE. Acreditamos que há necessidade de aprimoramentos na metodologia proposta, uma vez que a mesma não reflete a verdadeira posição no MCP. Propõe-se, portanto, a consideração no cálculo da exposição involuntária dos montantes relativos à frustrações e usinas em atraso, conforme foi sugerido no item 40 da NT A proposta aqui apresentada poderá ainda incorporar aprimoramentos, como por exemplo, a consideração da declaração da necessidade de carga no 14º Leilão de Energia Existente A-1 no lugar do montante de reposição estimado. Outros elementos também poderão ser incorporados ao cálculo, como as frustrações de energia nova. 6

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