AVALIAÇÃO COGNITIVA DE ALUNOS AUTISTAS A PARTIR DO PROCESSO DE INCLUSÃO ESCOLAR. Palavras-Chave: Autismo. Avaliação Cognitiva. Educação Inclusiva.

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1 AVALIAÇÃO COGNITIVA DE ALUNOS AUTISTAS A PARTIR DO PROCESSO DE INCLUSÃO ESCOLAR Vanessa Queiroz Ferreira- EAUFPA Denise Soares da Silva Alves- EAUFPA Deusa Priscila da Silva Resque- EAUFPA Renata Oliveira de Almeida- EAUFPA Suelen Tavares Godim de Assis- EAUFPA Palavras-Chave: Autismo. Avaliação Cognitiva. Educação Inclusiva. INTRODUÇÃO O despertar pelo estudo do desenvolvimento cognitivo de crianças Autistas, além do percentual considerável de alunos incluídos na Escola de Aplicação/UFPA com diagnóstico médico de Autismo, considerando as outras deficiências, este ser um tema de desafio para escola, para o fazer profissional de todos que estão envolvidos e a comunidade de um modo geral. Haja vista que, este tema embora muito discutido nas literaturas atuais, socialmente é ainda desconhecido, prevalecendo os mitos entorno deste conceito, o que é necessário ser revisto. Abordar a Avaliação cognitiva de crianças autistas a partir do processo de inclusão escolar tornou-se importante, pois durante minha prática profissional, houve a necessidade de se apresentar uma avaliação fidedigna do potencial intelectual destas pessoas, a fim de subsidiar e auxiliar junto à equipe escolar estratégias educacionais que possam facilitar sua escolarização. OBJETIVOS GERAL: Avaliar o processo de avaliação cognitiva de alunos autistas a partir do processo de inclusão escolar ESPECÍFICOS: Refletir sobre a avaliação cognitiva de alunos autistas na atualidade Refletir sobre o processo de inclusão escolar do aluno autista

2 MÉTODOS Optou-se pela pesquisa bibliográfica, onde abrange a leitura, análise e interpretação de livros, periódicos, textos, documentos, etc. A pesquisa bibliográfica tem por objetivo conhecer as diferentes contribuições científicas disponíveis sobre determinado tema. A partir desta pesquisa pode-se fazer o levantamento dos principais autores e suas contribuições sobre a temática estudada, a fim de suscitar uma discussão e reflexão contribuindo para uma prática profissional eficaz e ética. DISCUSSÃO O transtorno do espectro autista é caracterizado por interação social recíproca anormal, habilidades de comunicação atrasadas e disfuncionais e um repertório limitado de atividades e interesses. Está incluindo entre os transtornos globais do desenvolvimento (TGD). Sendo reconhecidos por apresentar comprometimento em três áreas do desenvolvimento: habilidades de interação social recíproca, habilidades de comunicação e presença de comportamentos, interesses e atividades repetitivas (KAPLAN & SADOCK, 2008). De acordo com a literatura atual, são restritos os estudos sobre o desenvolvimento cognitivo de crianças autistas, bem como, poucos instrumentos de avaliação cognitiva específicos, de acordo com as especificidades deste diagnóstico. A inteligência tem sido descrita como comprometida na maioria dos autistas. Posicionamentos mais recentes, no entanto, têm discutido as limitações existentes no uso clínico de instrumentos de avaliação da pessoa autista, por exemplo, as escalas Wechsler, que contêm subtestes verbais aos quais muitos não conseguem responder. Com isso, o conhecimento da real capacidade intelectual desses indivíduos encontrase ainda impreciso, em parte devido às dificuldades em graus variados que eles apresentam nas áreas da comunicação, interação social recíproca, imaginação e comportamento, comprometendo de forma mais ou menos ampla sua capacidade adaptativa ao meio; e, em outra parte, pela dificuldade na escolha de testes mais adequados e formas de avaliação que não coloquem esses indivíduos em desvantagem, mas que permitam uma compreensão consistente de sua

3 funcionalidade cognitiva (JORGE, 2010 apud ALMEIDA, ROAZZI & SPINILLO,1989; CARNEIRO & FERREIRA, 1992; FLORES-MENDOZA & NASCIMENTO, 2001; LEMOS, 2006). A inteligência é a capacidade de aprender a partir da experiência, usando processos metacognitivos para melhorar a aprendizagem e a capacidade de se adaptar ao ambiente. Ela pode requerer diferentes adaptações em distintos contextos sociais e culturais (JORGE, 2010 apud STERNBERG, 1992). A avaliação psicológica da inteligência vem passando por algumas revisões; por um lado, em função das críticas feitas ao uso dos testes, cujos resultados estavam assumindo um caráter absoluto na decisão sobre as capacidades intelectuais dos indivíduos; por outro lado, em função da necessidade de melhor definição, desse e de outros construtos psicológicos, considerando mais sua natureza ou sua essência, e não apenas o desempenho manifesto (ALMEIDA & PRIMI, 2010). De acordo com Almeida e Primi (2010), uma das modificações previstas para a avaliação da inteligência refere-se à inclusão de aspectos mais dinâmicos do funcionamento cognitivo, como estratégias de processamento da informação, com interesse particular no como esse funcionamento ocorre, e não no quanto de potencial existe. Trata-se de uma avaliação em que o avaliador deve interagir com o examinando, para verificar a discrepância entre as capacidades que ele já desenvolveu e as capacidades latentes, as quais ainda necessitam da intervenção de terceiros para que seja desenvolvida. Dentro desta perspectiva, questiona-se quais as influências da Inclusão Escolar no desenvolvimento cognitivo da criança autista? Pois com a minha restrita prática profissional dentro da escola, muitos educadores atribuem o aspecto negativo da inclusão escolar destes alunos, atribuindo não saberem lidar com as especificidades deste transtorno e o pequeno avanço destes alunos a nível cognitivo e pedagógico. Dificultando assim seu processo de escolarização. Daí a necessidade de uma avaliação cognitiva fidedigna que mostre resultados e contribua para as estratégias de ação na escola possibilitando o desenvolvimento cognitivo destes alunos.

4 Ao abordar o aspecto educativo de indivíduos com Autismo, fazemos um resumo da retrospectiva histórica, passando pela seleção natural, eliminação de crianças mal-formadas ou deficientes em várias civilizações, marginalização e segregação promovidas na Idade Média, até um período marcado por uma visão mais humanista na Europa após a Revolução Francesa; para se chegar ao século XIX, aos primeiros estudos sobre deficiências (CARLA, 2008). No início do século XX, a questão educacional passou a ser abordada, porém, ainda é muito contaminada pelo estigma do julgamento social. Nos dias de hoje, entre todas as situações da vida de uma pessoa com deficiência, uma das mais críticas é a sua entrada e permanência na escola. Ainda, embora mais sutil, pratica-se a "eliminação" de crianças deficientes no ambiente escolar. Hoje, não se pensa mais no autismo como algo incurável e já é impossível se falar de atendimento à criança sem considerar o ponto de vista pedagógico. Essas crianças necessitam de instruções claras, precisas e os programas devem ser essencialmente funcionais e que contribuem para seu desenvolvimento cognitivo (KASSAR, ET AL, 2009). Na concepção inclusiva, a adaptação curricular é necessária, respeitando as dificuldades dos alunos. Na perspectiva em que o aprendizado é uma ação humana e criativa, individual, heterogênea e regulada pelo sujeito da aprendizagem, independentemente de sua condição intelectual ser mais ou menos privilegiada (NASCIMENTO, 2007). Segundo Garcia (2009) o primeiro documento analisado a qual apresenta três referências à ideia de flexibilidade curricular é a Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994). Neste documento encontra-se a defesa de que os sistemas educacionais se tornem mais flexíveis e adaptados para atender às diferentes necessidades das crianças e contribuir para o sucesso educacional e inclusão. Percebe-se aí uma defesa de que os currículos sejam adaptados às crianças e não o contrário. Tal adaptação implica que as escolas proporcionem oportunidades curriculares para crianças com habilidades e interesses diferentes. Observamos que apesar dos avanços legais que aparem as pessoas com Autismo e/ou outras deficiências, há ainda a necessidade de uma mudança nesse discurso, isso implica uma mudança atitudinal, onde estratégias de intervenção dentro das escolas devem envolver a equipe como um todo e família, e dentro deste processo a avaliação cognitiva, pode ser uma ferramenta

5 eficiente na construção de um plano de ação que contribua para o desenvolvimento cognitivo de alunos autistas. CONCLUSÃO Avaliar autistas tem sido um desafio ao psicólogo, no Brasil, pois, tanto a falta de instrumentos específicos de investigação desse transtorno (escalas, inventários, questionários), quanto a insuficiência de diretrizes que orientem mais detalhadamente o processo avaliativo especial, são empecilhos para o cumprimento dessa tarefa. No entanto, o conhecimento do funcionamento cognitivo desses indivíduos é fundamental, para seja traçado um plano de atendimento eficaz que considere as necessidades especiais de cada um e oriente pais e educadores no processo de inclusão escolar e social. REFERÊNCIAS ALMEIDA, L.S.; PRIMI, R. Considerações em torno de medida da inteligência. (2010). In: PASQUALI, L. e Cols. Instrumentação psicológica: fundamentos e práticas. Porto Alegre: Artmed, p. CARLA, D. O Pedagogo Na Educação Da Criança Autista Disponível em: Acesso em 29 de Março de JORGE, L.M. Avaliação cognitiva de indivíduos autistas: inteligência, atenção e percepção. Dissertação de Mestrado. Universidade São Francisco, Itatiba, GARCIA, R. M.C. O conceito de flexibilidade curricular nas políticas públicas de inclusão educacional. Universidade Federal de Santa Catarina. In: Inclusão: práticas pedagógicas e trajetórias de pesquisa. Organização: Denise Meyrelles de Jesus et al (org.) Porto Alegre: Mediação: NASCIMENTO, L. M. Educação Especial. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. Indaial: ASSELVI, 2007.

6 OLIVEIRA, I. A. Política de educação inclusiva nas escolas: trajetória de conflitos. Universidade Estadual do Pará. In: Inclusão: práticas pedagógicas e trajetórias de pesquisa. Organização: Denise Meyrelles de Jesus et al (org.) Porto Alegre: Mediação: KASSAR, M. C. M; ARRUDA, E. E.; BENATTI, M. M.S.; Políticas de inclusão: o verso e reverso de discursos e práticas. Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. In: Inclusão: práticas pedagógicas e trajetórias de pesquisa. Organização: Denise Meyrelles de Jesus et al (org.) Porto Alegre: Mediação: KAPLAN & SADOCK. Manual conciso de psiquiatria clínica. Porto Alegre: Artmed, 2008.

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