ENERGIA ELÉTRICA: RETROSPECTIVA DO CONSUMO ENERGÉTICO E O CENÁRIO DE EXPANSÃO DA OFERTA E DEMANDA NACIONAL

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1 RICARDO SAVOIA ENERGIA ELÉTRICA: RETROSPECTIVA DO CONSUMO ENERGÉTICO E O CENÁRIO DE EXPANSÃO DA OFERTA E DEMANDA NACIONAL 24ª Fenasucro (Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética) VI Seminário CEISE Br/UNICA sobre Bioeletricidade 24 de Agosto de 2016

2 Agenda EVOLUÇÃO HISTÓRICA PIB vs. CARGA 2º. REVISÃO QUADRIMESTRAL ONS / EPE 2016 BALANÇO DA OFERTA E DEMANDA NACIONAL CONSIDERAÇÕES FINAIS

3 A acentuada queda na atividade econômica do País é refletida na queda de consumo de energia. O setor industrial é uma amostra importante do atual cenário, com queda de atividade em 0,9% em 2014 e 6,2% em 2015 Em 2016, a expectativa deste setor é ainda de queda de 5,2% e serviços com -2,5% O Ambiente livre de contratação representa mais de 70% do setor industrial brasileiro atualmente! EVOLUÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA E CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA Do seu pico de consumo em Setembro de 2013 até dezembro de 2015, apresentou retração superior a 18% no ACL

4 OFERTA E DEMANDA NACIONAL PERSPECTIVAS PDE 2024 PDE 2024: Com relação à economia brasileira, espera-se que a economia nacional supere as ameaças externas e sustente uma taxa de crescimento acima da média mundial. No horizonte decenal, o Brasil crescerá a uma taxa média entre 1,8% a.a. e 4,5% a.a., enquanto o mundo cresce aproximadamente 3,8%. O Baixo desempenho do PIB observado em 2014 e 2015 de 0,1% e -2,3% respectivamente, demonstram a necessidade de revisão do cenário base da EPE, quanto suas previsões, mesmo ao considerar a 2º. Revisão Quadrimestral da Carga para 2016 (ONS/ EPE) frente as expectativas macroeconômicas principalmente para o 2 quinquênio do plano decenal

5 2ª REVISÃO QUADRIMESTRAL DA CARGA ONS-EPE ONS/EPE disponibilizou esta semana a 2ª revisão quadrimestral da carga. Não houve indicativo de grandes mudanças nas premissas macroeconômicas de PIB. A Revisão trouxe uma melhora na carga para 2016, mas suavizou o crescimento para anos futuros! A base passada foi revista e a projeção foi adaptada aos valores verificados em 2016 ao considerar a nova base de dados vinculada à geração de usinas não despachadas centralizadamente pelo O N S. Tais usinas representaram um aumento de 3% sobre a carga Bruta do Sistema Interligado Nacional Boletim Técnico ONS-EPE: Previsão Anual, 1ª e 2ª Revisão Quadrimestral PIB Planejamento ,0% 2,5% 3,0% 3,2% 3,8% 1ª Revisão -3,0% 0,8% 2,6% 3,2% 3,2% 2ª Revisão -3,0% 0,8% 2,6% 3,2% 3,2% Boletim Técnico ONS-EPE: 1ª e 2ª Revisão Quadrimestral Revisão SIN ª Carga de energia ª (MWm) ª Taxa Cresc. Carga -2,4% 2,5% 3,9% 4,2% 5,3% 2ª % 1,0% 2,4% 3,7% 4,1% 4,5% 1ª Acréscimo anual ª (MWm) ª: Os valores previstos contemplam a interligação de Boa Vista a partir de jul/2018 2ª: Os valores previstos contemplam a interligação de Boa Vista a partir de jan/2019 5

6 CONSUMO DE ENERGIA EPE Apesar da 2ª revisão quadrimestral indicar aumento de carga, o acompanhamento da EPE ainda aponta para queda geral no consumo. O setor residencial mostrou crescimento na comparação com Efeito das temperaturas e da ausência de bandeiras tarifárias. Hipótese: com uma carga maior e um consumo estável, a projeção indica para um aumento estrutural nos níveis de perdas do sistema. O cenário de aumento de perdas pode ser efeito da interligação dos Sistemas Isolados, uma contabilização subdimensionada das perdas sistêmicas no passado ou uma junção dos dois fenômenos. 6

7 ADIÇÃO NA CARGA DAS USINAS NÃO DESPACHADAS CENTRALIZADAMENTE O patamar de carga de energia sobre o qual se lastreou a primeira revisão quadrimestral do Planejamento Anual da Operação Energética (PEN) deste ano foi atualizado em consonância com a nova base de dados vinculada à geração de usinas não despachadas centralizadamente. ONS revisou a carga de 2014 a 2016, entretanto, EPE não fez revisão aos dados históricos do consumo. No primeiro semestre de 2016, a demanda apresentou queda de 1,7% ante igual período de Decorrência do cenário econômico adverso, redução do poder aquisitivo, desemprego e temperaturas médias mais amenas! Aumento estrutural de Perdas? BRASIL CARGA (GWm) 55,9 57,7 60,2 62,8 67,4 66,0 66,6 CRESCIMENTO (%) 7,0% 3,3% 4,4% 4,3% 7,3% -2,1% 0,9% % de Perdas (GWM) -15,1% -14,3% -15,0% -15,8% -19,5% -19,6% -20,5% CONSUMO (GWm) BRASIL 47,5 49,4 51,2 52,9 54,3 53,0 52,9 RESIDENCIAL 12,2 12,8 13,4 14,3 15,1 15,0 15,3 INDUSTRIAL 20,5 21,0 20,9 21,1 20,5 19,3 18,4 COMERCIAL 7,9 8,4 9,0 9,6 10,3 10,3 10,6 OUTROS 6,8 7,3 7,7 8,0 8,4 8,5 8,6 A revisão da Carga, deve ou não afetar o consumo? A principio EPE não fará ajustes sobre histórico de consumo! CRESCIMENTO (%) BRASIL 8,2% 4,2% 3,5% 3,3% 2,7% -2,3% -0,2% RESIDENCIAL 6,4% 4,4% 5,1% 6,2% 6,0% -1,0% 2,5% INDUSTRIAL 10,9% 2,3% -0,1% 0,7% -2,7% -6,0% -4,5% COMERCIAL 6,0% 6,2% 7,8% 5,7% 7,3% 0,8% 2,8% OUTROS 5,9% 7,0% 5,9% 3,1% 5,4% 0,7% 1,2%

8 EXPECTATIVA DA DEMANDA NACIONAL EM 2016 Crescimento do Consumo EPE Ano MWh o. Trimestre MWh Crescimento no 2o. Trimestre 4,2% 2,7% 4,0% -1,3% -1,7% Brasil EPE 3,5% 3,3% 2,6% -2,3% -0,2% Residencial 5,1% 6,2% 6,0% -1,0% 2,5% Industrial -0,1% 0,7% -2,7% -6,0% -4,5% Comercial 7,8% 5,7% 7,3% 0,8% 2,8% Outros 5,9% 3,1% 5,4% 0,7% 1,2% O CONSUMO ATÉ A DATA APRESENTA QUEDA DO CONSUMO EM - 1,70% AO CONSIDERAR O CRESCIMENTO APONTADO PELA EPE ATÉ O FINAL DE 2016, CRESCIMENTO SERÁ NEGATIVO EM 0,2% Consumo EPE - Crescimento Real Acumulado até a Data: Junho 2016 Julho até Dezembro Expectativa Thymos 0,00% -1,00% -2,00% -3,00% -4,00% -5,00% -6,00% -7,00% Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro Outubro Novembro Dezembro -1,3% -1,0% -0,7% -0,5% -0,3% -0,2% -1,7% -2,0% -2,7% -4,1% -5,6% -6,0% 8

9 OFERTA E DEMANDA NACIONAL 2016 REVISÃO AGOSTO ONS / EPE EVOLUÇÃO DA CARGA MWm - PEN VS VERIFICADO PEN 2016 Ver Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total

10 CRESCIMENTO DA CARGA O N S / EPE Os dados verificados com viés acima do projetado para o 1 semestre anteciparam a revisão quadrimestral do ONS e EPE para agosto de 2016, conforme a seguir: 30,0% 25,0% 20,0% 15,0% 10,0% 5,0% 0,0% -5,0% -10,0% 4,5% 4,1% 3,7% 9,6% 5,9% 3,7% 2,4% 4,1% 4,5% 4,6% 3,0% 1,0% 2,6% 2,5% 3,5% 4,0% 3,8% 2,0% 0,8% 2,4% 2,9% 3,1% 0,2% 2,3% 3,6% 3,8% 4,0% -2,7% -4,2% -0,1% SIN N NE SUL SE/CO Previsão de carga para a 2ª revisão Quadrimestral NT NOS / EPE Subsistema SE/CO SUL NE N SIN Expectativa de crescimento mais forte a partir de 2018 puxado pela retomada da utilização de capacidade ociosa. A revisão da Carga pela ONS/EPE traz um cenário mais realista para 2016, mas entretanto aposta na forte retomado do crescimento economia para 2018 em diante, superiores as expectativas da Thymos com até 4,5% ao final do período.

11 EXPECTATIVA DE EXPANSÃO DO PIB: ESTUDO TENDÊNCIAS CONSULTORIA: CRISE TRIPLA FISCAL, ECONÔMICA E POLÍTICA DETERIOROU A PERCEPÇÃO DOS AGENTES. Confiança de consumidores e empresários parece já ter atingido o fundo do poço e apresenta primeiros sinais de recuperação ao longo de PIB: -3,5% Massa de renda familiar: -3,3% Consumo: -7,0% Prod. Ind: -6,0% A atividade econômica está condicionada à capacidade do governo de encaminhar medidas estruturais que mitiguem os riscos fiscais! 80% na continuidade de Temer até final do mandato Cenário de acomodação do PIB no segundo semestre e crescimento moderado ao longo do 2017 (+1,2%) O ano de 2016 segue com desempenhos bem ruins para os principais indicadores de atividade: Setores mais afetados são os movidos à confiança: construção civil, bens de capital e automotivo Sudeste e Sul são as regiões mais afetadas: PIB -4,0% (SE) e -3,7% (S). Nordeste também demonstra desempenho ruim: renda e consumo fortemente pela contratação da bolsa família, além da forte seca que prejudica o desempenho agrícola da região.

12 Taxa Média de Crescimento TENDÊNCIAS CONSULTORIA 4,0% 2,0% 0,0% -2,0% -4,0% -6,0% PIB - CENÁRIO BASE 2,3% 2,2% 2,3% 2,4% 2,2% 2,2% 1,2% -3,8% -3,5% Date 29/07/2016 Bacen - Projeçoes de Mediana Anual (3,2%) 1,1% 2,0% 2,0% 2,3% Date 30/06/2016 BofA (3,5%) 1,5% 2,0% 2,0% 2,3% PROJEÇÃO DA CARGA - SIN 4,0% 2,4% 3,3% 3,2% 3,3% 3,3% 3,3% 2,0% 0,0% -2,6% 0,9% -2,0% -4,0% THYMOS

13 EXPANSÃO DA OFERTA NACIONAL (GF) Expansão da Oferta (GF) Oferta Hidro Oferta Termo Eólica/Biomassa/PCH Conforme Projeção Thymos da Expansão da Oferta (GF) a participação das fontes renováveis variam entre 2016 a 2020, de 7% para 13% na matriz energética nacional! A geração térmica manteve seu participação da matriz ao redor de 20% ao passo que apesar da entrada nas grandes usinas estruturantes, sua participação da matriz diminui de 72% para 66%

14 abr/15 jun/15 ago/15 out/15 dez/15 fev/16 abr/16 jun/16 ago/16 out/16 dez/16 fev/17 abr/17 jun/17 ago/17 out/17 dez/17 fev/18 abr/18 jun/18 ago/18 out/18 dez/18 fev/19 abr/19 jun/19 ago/19 out/19 dez/19 Carga com 1 % de Crescimento em 2016 OFERTA E DEMANDA NACIONAL: ENERGIA ELÉTRICA OFERTA E DEMANDA NACIONAL DEMANDA SIN OFERTA SIN Crise Energética A acentuada queda na atividade econômica do País é refletida na queda de consumo de energia (Demanda). O aumento da carga em conjunto com hidrologia ruim traz viés de alta de preços no curto prazo para os prox. meses. A curva da oferta de energia será sempre superior a demanda projetada para os próximos anos, mas... Atenção: Devido aos atrasos nas obras de construção das linhas de transmissão e geração para os próximos anos, a curva de expansão da oferta poderá sofrer retração e pressionar os preços de energia. A Energia de Reserva vem no sentido de garantir a segurança do Sistema!

15 SOBRECONTRATAÇÃO DE ENERGIA E SEUS EFEITOS AO MERCADO A atual situação de sobrecontratação regulatória (105%) seria sanada somente entre 2019 e 2020, ao considerar o cenário Thymos de crescimento da carga e demanda. A AP 12/2016 e a Resolução Normativa 711/16, flexibilizou a possibilidade de cessão de contratos entre as distribuidoras e os geradores, visando a mitigação da sobrecontratação ao permitir a redução ou encerramento de contratos de empreendimento que apresentavam pendencias regulatória e de execução. Contudo, o efeito foi apenas marginal e até agora poucos contratos no ACR foram afetados por tal medida. Como forma de limitar a sobrecontratação de energia, a Aneel (Decreto 8.828) recentemente eliminou a obrigatoriedade de contratação de 96% do montante de reposição da energia existente, aliviando assim, a exposição de algumas distribuidoras para o próximos anos. A sobrecontratação das distribuidoras afeta a demanda por leilões de energia nova. Assim, a expansão da oferta pode ficar comprometida, ao afetar também a disponibilidade de energia para o mercado livre, principalmente de energia incentivada. Este cenário pode eventualmente sinalizar a elevação dos preços por fonte incentivada no curto/médio prazo. ( Leilão E Nova vende 70% ao ACR e até 30% ao ACL) 15

16 CONSIDERAÇÕES FINAIS Projeta-se uma retomada lenta da atividade econômica! A sobrecontratação de energia é estrutural e continua até 2019/2020 ao considerar o cenário base de PIB e condições hidrológicas no cenário base Thymos Energia ( E.Arm. 29%-Dez/16). A revisão da carga com a adição das usinas não despachadas centralizadamente não afetou neste primeiro momento o lado do consumo = Consumo = - 0,2% Carga = + 1%. Atenção: Para 2019/2020 o risco de abastecimento será por usinas não entregues, atrasos nas linhas de transmissão, cronograma de obras, aspectos quanto a definição a nova Garantia Física Hídrica e Risco Hidrológico. A Expansão da Oferta poderá sofrer retração e pressionar os preços de energia. A segunda revisão quadrimestral indicou uma elevação nas previsões de carga para os próximos anos, o que exerce uma influência altista no PLD, atreladas as expectativas hidrológica para o próximo ciclo de chuvas. Para 2016, a grande migração de clientes ao ACL, em conjunto com a pouca disponibilidade de energia renovável elevou o spread de preços para fontes incentivadas para o curto médio/prazo.

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