Gastos com medicamentos para tratamento da Doença de Alzheimer pelo Ministério da Saúde,

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1 Gastos com medicamentos para tratamento da Doença de Alzheimer pelo Ministério da Saúde, Marina Guimarães Lima, Cristiane Olinda Coradi Departamento de Farmácia Social da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Minas Gerais Justificativa A Doença de Alzheimer é uma doença degenerativa progressiva do Sistema Nervoso Central que causa deterioração da memória e de pelo menos uma das seguintes funções cognitivas: orientação, linguagem, praxia, atenção, percepção visual e funções executivas 1. O aumento da expectativa de vida e da proporção de idosos na população brasileira vem ocasionando maior prevalência de doenças neurodegenerativas como a Doença de Alzheimer. Há escassos estudos sobre a epidemiologia dessa doença. Uma pesquisa realizada na população do município de Catanduva, São Paulo, mostrou uma prevalência de demência de 1,3% na faixa etária de 65 aos 69 anos e de 36,9% nos indivíduos com 84 anos ou mais de idade. A Doença de Alzheimer representou 54,1% dos diagnósticos de demência 2. Estudo realizado no Rio Grande do Sul estimou a incidência da doença em 14,8 por pessoas-ano 3. O financiamento dos medicamentos para o tratamento da Doença de Alzheimer no Sistema Único de Saúde (SUS) é realizado por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica. Os medicamentos incluídos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas para o tratamento da Doença de Alzheimer são: donepezil, galantamina e rivastigmina 4. Um estudo brasileiro analisou os gastos com medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, anteriormente denominado Programa de Medicamentos de Dispensação em Caráter Excepcional. Segundo esta pesquisa, 5,3% dos gastos com este Programa em 2007 foram efetuados com medicamentos destinados ao tratamento da Doença de Alzheimer 5. Considerando o processo atual de envelhecimento da população brasileira, a alta prevalência da Doença de Alzheimer na faixa etária idosa e os gastos elevados com esta doença pelo SUS, é necessário o conhecimento sobre gastos destinados ao tratamento desta condição clínica para o planejamento de políticas públicas de medicamentos. O presente trabalho teve o objetivo de analisar os gastos com medicamentos para o tratamento da Doença de Alzheimer pelo Ministério da Saúde no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica relativos ao período de 2007 a 2011.

2 Metodologia A pesquisa foi um estudo de custos retrospectivo. Foram analisados os procedimentos ambulatoriais de alta complexidade no período de 2007 a 2011, autorizados para pagamento pelo Ministério da Saúde com base na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais do SUS. A coleta de dados foi realizada no Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) do Ministério da Saúde por meio do site do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (Datasus). Foram buscados os valores dos gastos com medicamentos destinados ao tratamento da Doença de Alzheimer. O levantamento de dados foi realizado em abril de 2012 e considerou os procedimentos do SIA referentes à dispensação de medicamentos presentes nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas para o Tratamento da Doença de Alzheimer. Os dados foram inseridos em um banco de dados do Microsoft Excel Foi realizada uma descrição dos gastos totais segundo o tempo. A composição dos gastos em 2011 foi descrita segundo as seguintes variáveis: sexo, faixa etária e Região do Brasil de residência do usuário. As análises estatísticas foram realizadas por meio do sistema Microsoft Excel Resultados No período de 2007 a 2011, os gastos com medicamentos para tratamento da Doença de Alzheimer pelo Ministério da Saúde aumentaram em 109%, passando de R$ 75,6 Milhões em 2007 para R$ 157,8 Milhões em O número de unidades autorizadas para dispensação passou de 18,6 milhões em 2007 para 36,9 milhões em 2011.

3 Gastos em Milhôes (R$) Figura 1- Gastos com medicamentos destinados ao tratamento da Doença de Alzheimer pelo Ministério da Saúde no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, ,9 157,8 129,6 100,1 75, Em 2011, foi observado que 65,6% dos gastos foram efetuados com indivíduos do sexo feminino. Figura 2- Composição dos gastos com destinados ao tratamento da Doença de Alzheimer pelo Ministério da Saúde no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica segundo o sexo do usuário, ,40% sexo feminino sexo masculino 65,60% Conforme ilustrado na Tabela 1, 97,5% dos gastos com medicamentos para a Doença de Alzheimer em 2011 foram efetuados com a população com 60 anos ou mais de idade e 49,2% com usuários da faixa etária com 80 anos ou mais de idade. Esta elevada proporção pode ter ocorrido devido à alta prevalência da doença na população idosa, especialmente nas faixas etárias mais avançadas.

4 Tabela 1- Composição dos gastos com destinados ao tratamento da Doença de Alzheimer pelo Ministério da Saúde no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica segundo a faixa etária do usuário, 2011 Faixa etária Gastos totais (R$) Frequência relativa (%) 40 a 59 anos ,48 2,5 60 a 79 anos ,96 48,3 80 anos ou mais ,27 49,2 Total ,71 100,0 Em 2011, houve elevada proporção de gastos com indivíduos residentes na Região Sudeste do Brasil (69%), ilustrada na Tabela 2. Esta situação pode estar associada a uma maior concentração de unidades de Atenção Especializada nesta Região do Brasil, que pode resultar em uma frequência maior de diagnósticos da Doença de Alzheimer. Tabela 2- Composição dos gastos com destinados ao tratamento da Doença de Alzheimer pelo Ministério da Saúde no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica segundo a Região de residência do usuário, 2011 Região do Brasil Gastos totais (R$) Frequência relativa (%) Norte ,56 1,0 Nordeste ,38 14,5 Sudeste ,52 69,0 Sul ,76 12,0 Centro-Oeste ,49 3,5 Total ,71 100,0 Conclusões Os gastos com medicamentos para tratamento da Doença de Alzheimer apresentaram aumento no período de 2007 a Foi observada uma concentração dos gastos na Região do País com melhores condições de oferta de serviços de saúde. Recomenda-se que sejam realizadas estratégias pelo Ministério da Saúde para aumentar a eficiência dos gastos com medicamentos para tratamento da Doença de Alzheimer e para reduzir desigualdades nos mesmos.

5 Referências Bibliográficas 1. McKhann G, Drachman D, Folstein M, Katzman R, Price D, Stadlan EM. Clinical diagnosis of Alzheimer s disease: report of the NINCDSADRDA Work Group under the auspices of Department of Health and Human Services Task Force on Alzheimer s Disease. Neurology. 1984; 34(7): Herrera Júnior E, Caramelli P, Nitrini R. Estudo epidemiológico populacional de demência na cidade de Catanduva - Estado de São Paulo - Brasil. Rev Psiquiatr Clín (São Paulo). 1998; 25(2): Chaves ML, Camozzato AL, Godinho C, et al. Incidence of Mild Cognitive Impairment and Alzheimer Disease in Southern Brazil. J Geriatr Psychiatry Neurol 2009; 22(3): Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Portaria n o 491, de 23 de setembro de Brasília: Diário Oficial da União; 23 set. 5. Carias, CM, Vieira FS, Giordano CV, Zucchi P. Medicamentos de dispensação excepcional: histórico e gastos do Ministério da Saúde do Brasil. Rev. Saúde Pública 2011; 45(2):

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