Direito e Mudanças Climáticas. Vanêsca Buzelato Prestes, procuradora do município de Porto Alegre, mestre em Direito PUC/RS

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1 Direito e Mudanças Climáticas Vanêsca Buzelato Prestes, procuradora do município de Porto Alegre, mestre em Direito PUC/RS

2 MUDANÇAS CLIMÁTICAS: o que o Direito tem a ver com isso?

3 Mudanças Climáticas Alterações estatisticamente importantes no estado médio do clima e nas suas variações, provocada pro processos naturais ou por mudanças antrópicas.

4 Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima/ Eco 92 (UNFCCC) Objetivo: estabilizar a concentração dos gases de efeito estufa na atmosfera para impedir a perigosa interferência antropogênica no sistema climático. Art. 1º UNFCCC: Mudanças do Clima atribuídas direta ou indiretamente à atividade humana que alteram a composição da atmosfera global, somadas às variações naturais do clima observadas em períodos de tempo comparáveis.

5 IPCC- Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima a) 1988: criado pela Organização Metereológica Mundial (OMM) e pelo PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) para avaliar informações científicas, técnicas e socioeconômicas relevantes para a compreensão da mudança do clima, seus potenciais impactos e opções de adaptação e mitigação

6 IPCC Congrega pesquisadores dos países-membros das Nações unidas que analisam a literatura científica e técnica disponível e elaboram relatórios sobre o estado do conhecimento de todos os aspectos relevantes à mudança do clima. Os relatórios são revisados por especialistas e são submetidos à aprovação pelos representantes de todos os governos envolvidos.

7 Relatórios IPCC 1º Relatório: 1990/ apoiou a Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudança do Clima 2º Relatório: 1995/ contribuiu para as negociações que levaram ao Protocolo de Quioto (1997) 3º Relatório: 2001/ consagrou como referência para o fornecimento de informações para a deliberação nas Conferências das Partes

8 4º Relatório IPCC 2007/ consolidou e aprofundou o conhecimento das influências antrópicas sobre o clima Compõem-se de três textos que tratam da mudança do clima: a) das bases das ciências físicas; b) dos impactos, adaptação e vulnerabilidade; c) das possibilidades de mitigação

9 AQUECIMENTO GLOBAL Elevação da temperatura média do planeta 250 anos atividade humana com queima de combustíveis fósseis e destruição florestas que absorvem CO2, foi liberada grande quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera Gases de efeitos estufa provocam as mudanças climáticas

10 Gases que provocam o efeito estufa A concentração de gases de efeito estufa retém o calor Estes gases permanecem na atmosfera CO2 : de 05 a 200 anos N2O (óxido nitroso) : 114 anos Ch4 (metano) : 14 anos

11 Uso de combustíveis fósseis constitui a maior causa de concentração de CO2 na atmosfera terrestre 56,6%, sendo a principal causa do aquecimento global

12 EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RESP Nº SP (2009/ ) RELATOR : MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI PROCESSUAL CIVIL E AMBIENTAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. QUEIMADA DA PALHA DE CANA-DE-AÇÚCAR. PROIBIÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 27 DO CÓDIGO FLORESTAL. 1. "Segundo a disposição do art. 27 da Lei n /85, é proibido o uso de fogo nas florestas e nas demais formas de vegetação as quais abrangem todas as espécies, independentemente de serem culturas permanentes ou renováveis. Isso ainda vem corroborado no parágrafo único do mencionado artigo, que ressalva a possibilidade de se obter permissão do Poder Público para a prática de queimadas em atividades agropastoris, se as peculiaridades regionais assim indicarem" (Resp /SP, 2ª T., Min. João Otávio de Noronha, DJ de 26/03/2007).

13 2. Assim, a palha da cana-de açúcar está sujeita ao regime do art. 27 e seu parágrafo do Código Florestal, razão pela qual sua queimada somente é admitida mediante prévia autorização dos órgãos ambientais competentes, nos termos do parágrafo único do mesmo artigo e do disposto no Decreto 2.661/98, sem prejuízo de outras exigências constitucionais e legais inerentes à tutela ambiental, bem como da responsabilidade civil por eventuais danos de qualquer natureza causados ao meio ambiente e a terceiros. 3. Embargos de Divergência improvidos.

14 Suspensão de Liminar e de Sentença SC - Superior Tribunal de Justiça BRASIL Decisão sobre o pedido de suspensão de decisão liminar interposto pela União e pela Agência Nacional de Energia Elétrica Aneel, em face de acórdão que manteve liminar que impedia o Ibama de expedir a Licença de Operação para empresa, impossibilitando a finalização do enchimento de reservatório para que a Usina Hidrelétrica passasse a gerar energia. O indeferimento da tutela recursal foi proferido nos autos do Agravo de Instrumento nº /SC, que manteve a decisão exarada na Ação Civil Pública nº /SC, movida pelo Ministério Público Federal contra o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a empresa Foz do Chapecó Energia S/A. O pedido foi deferido em razão do entendimento de que a liminar impugnada poderia causar grave lesão ao meio ambiente e à ordem econômica do país.

15 Em relação à questão ambiental, a emissão de CO2 a partir de usinas térmicas movidas a gás natural, para o cenário mais pessimista em relação à construção do empreendimento, resultaria em uma emissão total de 76,1 Mt desse poluente à atmosfera, se considerado todo o período de concessão" (fls ). Enfim, sob os enfoques econômicos e ambientais, a liminar ora impugnada poderá causar grave lesão aos bens juridicamente tutelados pela lei de regência, cabendo o acolhimento da pretensão deduzida pelo Ibama. Ante o exposto, defiro o pedido para suspender a liminar concedida, em , nos autos da Ação Civil Pública n /SC, da 1ª Vara Federal de Chapecó, Seção Judiciária de Santa Catarina, juntada às fls do presente feito.

16 Maior Contribuição Brasileira para Aquecimento Global Desmatamento (savanização da Amazônia) Perda de biodiversidade, liberação de CO2

17 ENERGIA - 19% de emissões de CO2 (inventário incorpora à energia as emissões com transportes)

18 O que o Direito tem a ver com isso? Constituições Democráticas do Pós Guerra Incorporação da Doutrina dos Direitos Fundamentais Meio Ambiente como Direito Fundamental Direito Difuso e reconhecimento como direito intergeracional

19 Consequências Dogmáticas Incorporação e reconhecimento princípios da precaução e da prevenção Revisitação instituto da responsabilidade civil: nexo de causalidade/imputação amparado no risco e não somente no resultado Incorporação das causas do aquecimento global nas decisões judiciais (causa de pedir e de decidir) Legitimação de medidas administrativas que enfrentem as causas das mudanças climáticas, trabalhando mitigação e adaptação

20 Inversão do ônus da prova nas hipóteses de imputação amparada no risco presente ou futuro, de modo que o debate quanto ao direito das futuras gerações frente as ações presentes se desenvolva no âmbito do processo.

21 Leis no Brasil Lei Federal /2009 Lei Estadual Amazonas 3135/2007 Lei Estadual São Paulo /09 Lei Municipal /09

22 Energia o Origem: extração, processamento, distribuição e consumo de combustíveiss fósseis. o Conservação, uso racional de energia e eficiência energética. o Fontes de energia renováveis alternativas: mitigação e adaptação. o Biocombustíveis

23 CONCLUSÕES Necessidade do direito acompanhar e compreender o tempo em que estamos vivendo Possibilidade de incorporação dos temas contemporâneos a partir da aplicação dos princípios presentes nas Constituições democráticas A jurisprudência vem incorporando nas razões de decidir os efeitos do aquecimento global

24 Conclusões o Há inúmeras normas na legislação setorial com potencial para a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas. o Reforço da implementação com a inserção da variável climática. o Necessidade de se romper com a tradição de pouca atenção ao planejamento.

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