PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA JUNTO AOS ADOLESCENTES - RELATO DE EXPERIÊNCIA

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1 PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA JUNTO AOS ADOLESCENTES - RELATO DE EXPERIÊNCIA Aline Cardoso Machado Ana Paula Ferreira Gomes 1 Ilana Slud Raquel Valença Flavia Emilia Leite Lima INTRODUÇÃO: Segundo a Organização Pan-americana de Saúde (OPS) e a Organização Mundial de Saúde (OMS), a adolescência é um processo fundamentalmente biológico de vivências orgânicas, no qual se aceleram o desenvolvimento cognitivo e a estruturação da personalidade. Este período é constituído pela pré-adolescência (faixa etária de 10 a 14 anos) e a adolescência propriamente dita (15 aos 19 anos) (CURITIBA, 2005), porém, diversos autores afirmam que devido às inúmeras modificações que ocorrem nesta fase e as particularidades de cada individuo, torna-se difícil saber com exatidão quando a mesma inicia ou se encerra. O conceito de juventude abrange uma categoria sociológica, um processo sociocultural demarcado pela preparação dos indivíduos para assumirem o papel de adulto na sociedade, na família e no campo profissional (RAMOS, PEREIRA e ROCHA, 2001). A adolescência é considerada um período de transição entre a infância e a vida adulta. Segundo LÓPES e FUERTES (1992) o início da adolescência é marcado pelo aparecimento da puberdade, momento em que ocorre a maturação sexual. Ainda de acordo com esses autores, ocorrem três tipos de mudanças na adolescência: mudanças biofisiológicas, mudanças psicológicas e mudanças na capacidade de integração social. Dentro desta construção de identidade, é importante que se fundamente também o conceito de cidadania e a noção de que os direitos só se tornam realidade a partir do momento que o 1 Psicóloga, residente da Residência Multiprofissional em Saúde da Família, da Faculdade Evangélica do Paraná, residente à Alameda Presidente Taunay, 1415, Mercês. Curitiba-PR. Cep: Telefax: (41) ou

2 indivíduo cumpra seus deveres em relação aos demais (ADOLEC, 2005). No decorrer das décadas, as políticas públicas voltadas às crianças e aos adolescentes foram alteradas, enfrentando diversas crises, sendo que o divisor de águas nesta área ocorreu com a aprovação da Lei n , de 13 de junho de 1990 que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (MIRANDA E FERRIANI, 2001). A partir de então, diversas mudanças no tratamento dispensado aos menores foram alterados, merecendo destaque o fato de que se transfere o enfoque da situação irregular em que as crianças estão inseridas para a proteção integral, a qual deve ser oferecida a estas (NOGUEIRA, 1996). O exercício da cidadania por parte dos adolescentes no Brasil é viabilizado principalmente por esta evolução de leis, como o ECA, que prevê a diferenciação destes por estarem vivenciando um processo de transição, estipulando assim que esse público seja atendido prioritariamente em suas necessidades e direitos. (BRASIL, 2005). O jovem deve ser percebido como protagonista de sua história, a partir de seus sentimentos e sua percepção do mundo que o cerca. Oportunizar ao jovem a participação no mundo adulto é valorizá-lo como pessoa, desenvolvendo a auto-estima e autoconfiança no âmbito pessoal e promovendo sua participação social. É importante que no decorrer das mudanças, o individuo tenha a oportunidade de refletir, construir um projeto de vida e concretizá-lo, pois a ausência desta pode colocar qualquer adolescente em situação de risco, independente da situação social em que se encontre (CURITBA, 2002). Frente às diversidades nesta fase do desenvolvimento humano, se fizeram necessárias ações de promoção da saúde, com o intuito de orientar e apoiar o jovem durante esse processo de formação individual. Refletindo assim, em seus comportamentos, preparando-os para a vida adulta e para a prática de estilos de vida mais saudáveis. Enquanto equipe de residentes multiprofissionais em saúde da família, inseridos em uma Unidade de Saúde da Família (USF) na cidade de Curitiba, Paraná, tivemos a oportunidade de acompanhar um programa voltado ao adolescente. OBJETIVO: Relatar a experiência de uma equipe multiprofissional de residentes em

3 Saúde da Família ao trabalhar com prevenção de situações de risco, promoção da saúde e qualidade de vida em um grupo de adolescentes. METODOLOGIA: O Programa de Adolescente acompanhado foi elaborado pelas psicólogas da USF com base no Protocolo de Atenção à Saúde do Adolescente da Secretária Municipal da Saúde de Curitiba, Paraná. O mesmo foi realizado em dois grupos, o primeiro composto por pré-adolescentes e o segundo por adolescentes, seguindo sempre os horários do contra turno escolar, com a duração aproximada de dois meses. Os encontros eram realizados semanalmente com duração de duas horas. As atividades foram desenvolvidas através de dinâmicas de grupo e palestras participativas, com intuito de promover a reflexão sobre os temas discutidos. Foram convidadas diferentes categorias profissionais que repassaram informações com linguagem objetiva e acessível, facilitando assim a reflexão sobre diversos temas, tais como: sexualidade; métodos contraceptivos; gravidez na adolescência; doenças sexualmente transmissíveis, HIV/aids; auto cuidado corporal; percepção físico-postural; orientações nutricionais; uso e/ou abuso de drogas; os diversos tipos de violência e vulnerabilidade; atividade física, artística, cultural e lazer; amizade, namoro e o ficar ; timidez e auto-estima; estudo e trabalho; planejamento em relação à vida profissional, familiar e afetiva; saúde bucal; saúde mental. Outros temas foram trabalhados de acordo com as necessidades e interesses do grupo através de uma caixa intitulada tenho dúvida, quero saber, onde eram depositadas perguntas e colocações dos participantes, sem qualquer identificação, evitando-se assim a exposição dos mesmos. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Inicialmente os jovens se mostraram tímidos, pois muitos estudavam na mesma escola, porém, não tinham intimidade entre eles. No decorrer dos encontros, os grupos foram adquirindo identidade própria, o que proporcionou entrosamento entre eles, formação de vínculo e confiança para com os profissionais, o que contribuiu para uma maior participação, para o melhor andamento e rendimento das atividades. A discussão dos temas pôde contribuir para a construção de valores e formação de conceitos, auxiliando o jovem a tomar decisões conscientes de

4 forma responsável e possibilitando aos mesmos exercer seu papel de cidadão. É importante ressaltar ainda que houve uma melhora da qualidade de vida dos envolvidos no programa, assim como de seus familiares e comunidade, uma vez que os mesmos se tornaram multiplicadores dos temas trabalhados dentro de suas redes sociais. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Acreditamos que quando o jovem participa de programas como esse, assimilando e refletindo sobre tais informações, os riscos da adolescência podem ser reduzidos, viabilizando assim, perspectivas mais saudáveis para o seu futuro. Convém ressaltar que o adolescente se sente valorizado quando é capaz de contribuir com suas idéias, o que proporciona identificação e sentimento de pertença à sociedade. Cabe, portanto, aos profissionais de saúde e educação trabalharem sempre juntos, numa perspectiva intersetorial, a fim de sensibilizar os adolescentes quanto à importância de serem responsáveis por seus atos, incentivando-os a avaliar e refletir sobre as informações recebidas, articulando-as de modo a melhorar sua qualidade de vida. REFERÊNCIAS ADOLEC. Disponível em: Acesso em: 26/07/2005. CURITIBA. Prefeitura Municipal. Protocolo de Atenção à Saúde do Adolescente. Curitiba, 1 ed. Nov/2002. CURITIBA. SECRETARIA DA SAÚDE. Disponível em: Acesso em 01/07/2005. LOPEZ, F. FUERTES, A. Para Entender a Sexualidade. São Paulo: Loyola, RAMOS, F. R. S.; PEREIRA, S. M.; ROCHA, C. R. M. Viver e Adolescer com Qualidade. IN:Adolescer: Compreender, atuar, acolher. Projeto Acolher/Associação Brasileira d Enfermagem. Brasília. ABEn, p MIRANDA, M. I.; FERRIANI, M. G. C. Políticas Públicas Sociais para Crianças e Adolescentes. Goiânia: AB

5 NOGUEIRA, P. L. Estatuto da Criança e Adolescente Comentado. 3 ed. São Paulo: Saraiva MIRANDA, M. I.; FERRIANI, M. G. C. Políticas Públicas Sociais para Crianças e Adolescentes. Goiânia: AB NOGUEIRA, P. L. Estatuto da Criança e Adolescente Comentado. 3 ed. São Paulo: Saraiva

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