Direito Internacional do Trabalho. Prof.: Konrad Mota

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1 Direito Internacional do Trabalho Prof.: Konrad Mota

2 SUMÁRIO 1. Direito internacional 1.1. Divisão 2. Direito internacional público 2.1. Conceito 2.2. Objeto 2.3. Problemática central 3. Fontes formais 4. Sujeitos

3 1. Direito Internacional 1.1. Divisão O direito internacional é o ramo do direito que regula as relações internacionais, tanto aquelas estabelecidas entre Estados e/ou Organismos Internacionais, como aquelas estabelecidas entre particulares (indivíduos, empresas, coorporações, etc). O direito internacional, segundo tradicional classificação, subdivide-se em: direito internacional público e direito internacional privado.

4 O direito internacional público por sua vez, pode ser dividido em: direito internacional dos direitos humanos, direito internacional do trabalho, direito do comércio internacional e direito da integração ou comunitário. Já o direito internacional privado rege as relações estabelecidas entre particulares em âmbito internacional, sobretudo explicitando qual a norma jurídica que será aplicada diante do caso concreto.

5 2. Direito Internacional Público 2.1. Conceito a) Conceito clássico ramo do Direito que regula as relações estabelecidas entre os Estados e entre estes e as Organizações Internacionais. As relações internacionais ficariam restritas aos sujeitos acima mencionados, sem o reconhecimento de outros atores.

6 b) Conceito moderno ramo do Direito que regula as relações internacionais, assim entendidas como laços que, de uma forma ou de outra, perpassam às fronteiras dos Estados e que envolvem não só Estados Soberanos como também outros atores, como empresas, ONG s e os indivíduos. Fundamenta-se na atual realidade mundial, em que muitos atores participam das relações internacionais, sendo certo que os temas internacionais dizem respeito diretamente à situação de outros integrantes da sociedade além do Estado

7 2.2. Objeto a) Regular as relações internacionais, bem como a maneira como os Estados soberanos trabalham entre si para regular problemas comuns; b) Estabelecer padrões mínimos em temas de interesse internacional que se repetem; c) Diminuir a anarquia por ora inerente à sociedade internacional, tendo em vista que não há, para regular a sociedade mundial em termos jurídicos, um governo global, como existe no âmbito interno dos países um Estado soberano;

8 2.3. Problemática central Pode-se dizer que a problemática central no campo de atuação do Direito internacional público é estabelecer como as normas por ele produzidas devem ser cumpridas. Com efeito, três teorias foram desenvolvidas a esse respeito: a) teoria voluntarista; b) teoria objetivista; e c) teoria mista.

9 a) Teoria voluntarista A vontade tem o papel decisivo no cumprimento das normas de Direito Internacional. O mesmo não ocorre com o Direito Interno, o qual muitas vezes se impõe de forma cogente. Pelo voluntarismo, as normas internacionais somente valem para o Estado que com elas consentir. b) Teoria objetivista Entende que as normas de direito internacional valeriam por fatores externos nãorelacionados à vontade dos Estados, como a origem da norma e a sua importância. As normas devem ser objetivamente aplicadas por se referirem a direito cogente (jus cogens), notadamente se relacionadas, aos direitos humanos, ao meio ambiente e ao patrimônio internacional.

10 c) Teoria mista os Estados devem cumprir de boa-fé as normas internacionais com as quais consentiram (pacta sunt servanda). Porém, ao estabelecer as normas internacionais, os Estados não podem violar o jus cogens. Os Estados devem consentir com as normas internacionais produzidas, porém sem violar as normas cogentes de Direito Internacional. É como se o jus cogens impusesse limites as normas consentidas, ou seja, às vontades dos Estados. Só se deve cumprir o consentido, mas não se pode consentir com qualquer coisa.

11 3. Fontes formais a) Tratado é a fonte de Direito Internacional Público mais utilizada, sendo, pois, a principal. Trata-se de acordo escrito, elaborado por Estados e/ou Organizações Internacionais para tratar juridicamente de temas de interesse comum. É um acordo juridicamente vinculante, não possuindo apenas interesses políticos. Tratado é um gênero que comporta várias espécies. A convenção é uma espécie de tratado.

12 b) Jurisprudência internacional conjunto de decisões reiteradas oriundas de mecanismos de solução de conflitos e controvérsias internacionais (cortes e tribunais internacionais, mecanismos arbitrais, bem como comissões e comitês que emitem meras recomendações). Nenhum Estado é automaticamente jurisdicionável perante uma corte internacional, isto é, os Estados somente se submeterão às cortes e tribunais internacionais se quiserem.

13 c) Atos das organizações internacionais aqueles que resultam dos poderes atribuídos aos órgãos da organização como das deliberações dos Estados, tendo como ato típico a resolução, que pode ter caráter vinculante ou não. A resolução é a decisão da organização internacional, voltada a uma matéria técnica da competência da dita organização. O caráter obrigatório da resolução depende das regras da organização que a instituiu e o teor da matéria tratada.

14 d) Soft law são padrões criados por Instituições de prestígio (UNICEF, BID, etc), produzidos de maneira mais célere e com maior atenção aos aspectos técnicos das questões que regulam e que, ademais, nem sempre são vinculantes, mas que acabam se impondo como pauta da conduta de pessoas e instituições. São exemplos as recomendações de organizações internacionais, os chamados códigos de conduta, as denominadas leis modelos (sugestões de normas jurídicas), declarações políticas de determinadas matérias. No direito internacional do trabalho os dois principais exemplos são as recomendações da OIT e as normas voltadas às concessões dos selos sociais.

15 4. Sujeitos São entes com capacidade para exercer direitos e obrigações relacionadas ao Direito Internacional, tais como: a) Estado; b) Organizações Internacionais; c) Novos atores: Empresas de entidades em geral, organizações não-governamentais e o indivíduo. Esses novos atores, todavia, apesar de se submeterem às normas de direito internacional, não podem criá-las

16 SUMÁRIO 1. Tratados internacionais 1.1. Conceito 1.2. Classificação 2. Condições de validade 3. Fases de elaboração dos tratados 4. Cláusulas finais ou processualísticas 5. O Brasil e os tratados internacionais

17 1. Tratados internacionais 1.1. Conceito É o acordo escrito celebrado por Estados e Organismos Internacionais, regido pelo Direito Internacional Público, com vistas a tratar juridicamente de temas de interesse comum. Vale destacar que o tratado é celebrado e não simplesmente assinado ou ratificado. É, portanto, objeto de consentimento. Os tratados são entendidos como tal qualquer que seja a sua denominação específica, não importando o nome que se lhes confira. Na prática, o uso da terminologia é indiscriminado.

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