ESCOLA DO SERVIÇO DE SAÚDE MILITAR NEWSLETTER. Junho de 2013 ARTIGO. Sistemas de Saúde versus Serviço Nacional de Saúde

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1 ARTIGO CAP Luís Pereira Sistemas de Saúde versus Serviço Nacional de Saúde Cada país da Europa desenvolveu, ao longo de décadas ou de séculos, um modelo de sistemas de saúde que assenta em características políticas, sociais, económicas e culturais próprias. Foram evoluindo como sistemas de proteção social, mais ou menos universais. O sistema mais antigo do mundo foi instituído na Alemanha, em 1883 por BismarK. Em que foi adotada uma lei inovadora, na qual obrigou os empregadores a contribuir para um esquema de seguro-doença a favor dos trabalhadores mais pobres, alargada num segundo momento a trabalhadores com rendimentos mais elevados. Constituiu o primeiro exemplo de um modelo de segurança social imposto pelo Estado, que conduziu, num momento posterior, à criação de um sistema de seguros obrigatórios. No Reino Unido, logo após a II Guerra Mundial, criou-se um sentimento de solidariedade entre o povo, que defendeu políticas igualitárias e promoveu a intervenção do Estado. Beveridge em 1948 desenvolve o serviço de saúde inglês e estabelece um modelo para sistemas de saúde com base na responsabilidade do Estado pela prestação de serviços gerais de saúde e no princípio do acesso igual para todos os cidadãos.

2 Modelo Bismarckiano (Final do séc. XIX). Modelo Beveridgeano (Após a II Guerra Mundial). Ambos assentam no princípio de que o acesso a cuidados de saúde não pode depender da capacidade de pagar, pelo que a contribuição depende do rendimento, mas a utilização depende apenas da necessidade. (Simões et al., 2007) O Modelo de Seguro Social (Existente hoje na Alemanha, Aústria, Bélgica, França e Holanda, apesar de diferenças significativas, tem alguns aspetos em comum) Adesão obrigatória para quem cumpre os requisitos de cobertura; Financiados por contribuições de empregadores e empregados, baseados no salário e independentemente do nível de risco de doença individual; O Estado assegura as contribuições dos desempregados e de alguns grupos particularmente vulneráveis; O Estado especifica um pacote básico de benefícios, deixando a recolha das contribuições e a gestão e aquisição de cuidados de saúde a cargo de um número variável de fundos de doença. Serviço Nacional de Saúde (Reino Unido, Irlanda, Dinamarca, Suécia, Dinamarca, Itália, Espanha e Portugal, que se baseiam no princípio da cobertura universal, com financiamento obrigatório por via dos impostos) Gestão institucional de um SNS é pública, podendo a prestação ser pública ou, cada vez mais, contratualizada. Os cuidados de saúde, geralmente, são gratuitos ou quase gratuitos no momento do acesso. A propriedade das unidades prestadoras é normalmente pública e o financiamento é assegurado por um organismo público que recebe do Orçamento do Estado as verbas de que necessita.

3 Nos países europeus, quer tenham eles um seguro social ou um serviço nacional de saúde, os seguros privados tendem a ser complementares face ao seguro público. O financiamento da saúde por seguro privado assenta no nível de risco, individual ou de grupo, em que os prémios são fixados em função desses pressupostos. Sendo o seguro público (um seguro social ou serviço nacional de saúde) uma fonte de financiamento dominante nos vários países, os pagamentos diretos das famílias têm, ainda assim, um peso significativo nas despesas com a saúde (Simões, J. 2009). Com base nos modelos de seguro social ou serviço nacional de saúde, podem identificar-se, nos países da OCDE, três tipos de financiamento. Sistemas de financiamento: Sistema de seguro privado. Sistema de seguro social. Financiamento por imposto. Sistema de seguro privado: - Cobre indivíduos ou grupos, sendo os prémios fixados em função das características do risco. - na maioria dos países da OCDE, os dispositivos privados completam as respostas públicas: a população pode subscrever um seguro privado complementar para cobrir o copagamento exigido pelo sistema público, para beneficiar de melhores condições de hospitalização, para poder beneficiar de tratamento privado ou para encontrar resposta para riscos não cobertos pelo seguro público. Sistema de seguro social: - Funciona no âmbito de caixas de seguro-doença, estas seguradoras sociais realizam uma mutualização dos riscos e os prémios são normalmente fixados em função dos rendimentos.

4 governos. - A disparidade de cobertura de riscos é por vezes compensada com a intervenção dos Financiamento por imposto: - No modelo de seguro social, o financiamento e a prestação são assegurados por um só organismo público que recebe do Orçamento do Estado as verbas que necessita. - No modelo de SNS a prestação de cuidados é realizada por serviços estatais ou por entidades privadas contratadas pelos fundos públicos autónomos. SNS PORTUGUÊS Portugal, tal como outros países que tiveram uma industrialização tardia, tem um sistema de saúde mais recente. O direito à saúde, o compromisso no sentido de uma maior oferta pública de cuidados de saúde e de universalidade na cobertura de cuidados foi consagrado em legislação aprovada em Em 1974 após a revolução, a política de saúde sofreu um processo de reestruturação dos serviços de saúde, o qual culminou com a criação do SNS em 1979 o qual implica: Direito dos cidadãos à proteção da saúde. Garantia de usufruto gratuito aos cuidados de saúde através do SNS. Acesso a todos os cidadãos. Independentemente da sua vida económica e contexto social. Vigilância e prevenção. Cuidados de saúde integrados incluindo promoção da saúde. Sistema de cobertura financiado, sob a forma do SNS. (Barros et al., 2007) Nos anos noventa, iniciou-se uma discussão relativamente à reforma do sistema de saúde, sendo forte o sector de opinião que defendeu um papel mais ativo do sector privado, uma maior

5 responsabilização individual pelo financiamento e uma orientação empresarial para o SNS. (Simões et al., 2007) Abriu-se a possibilidade de privatização de sectores do financiamento e de cuidados, com a concessão de incentivos à opção por seguros privados de saúde e à possibilidade de um seguro alternativo de saúde. Século XX, o SNS continua a enfrentar graves problemas como: Serviços públicos de ambulatório inadequados; Listas de espera longas, para procedimentos cirúrgicos; Distinção confusa acerca da satisfação dos consumidores e dos profissionais com serviços públicos; Aumento das despesas de saúde e dificuldades no controle dos custos; Aumento na procura de cuidados de saúde nos grupos vulneráveis. (Simões et al., 2007) Século XXI, o SNS ainda enfrenta graves problemas como: Despesa privada familiar, corresponde à despesa direta das famílias portuguesas (cuidados de saúde em ambulatório, medicamentos); Impostos (Principal financiamento via OE, em que a contribuição para impostos é feita de acordo com o rendimento, dos indivíduos e das empresas, e de acordo com a despesa); Seguros privados (São apenas válidos por um ano, as companhias têm o poder de anular ou renovar o contrato. As apólices tendem a ser selectivas com falta de abrangência); Seguro Social. (Simões et al., 2007) Financiamento do SNS Português Orçamentos e Gastos: Os gastos relacionados com a saúde têm crescido a um ritmo superior ao crescimento económico, assumindo uma importância crescente face ao PIB, sendo um crescimento variável

6 comparativamente aos vários países da Europa. Alguns aspectos que contribuem para o aumento das despesas da saúde: Demografia / Envelhecimento; Aumento da cobertura do seguro, a presença de seguro diminui o preço pago pelo consumidor no momento do consumo e como tal tende a aumentar a procura de cuidados médicos; Indução da procura, entende-se que a existência de um maior número de profissionais de saúde leva a um aumento da procura de serviços médicos; Crescimento económico / Subida do PIB (no período de 1990 a 2004); Recursos de cuidados de saúde; Novas tecnologias e desenvolvimentos médicos; Sistemas de cuidados de saúde. (Simões et al., 2007) REFORMAS NOS SISTEMAS DE SAÚDE Com início nos anos oitenta, desenvolveram-se, em muitos países da Europa, processos de reforma dos sistemas de saúde, tendo em consideração diversos problemas que se foram agudizando ao longo dos últimos anos. Envelhecimento da população -» Gastos na saúde; Expectativas crescentes dos cidadãos; Alteração dos padrões de doenças; Desigualdades no acesso e na qualidade dos cuidados da saúde; Crescimento dos gastos globais e a eficiência micro-económica constituem algumas das principais preocupações dos financiadores do sistema de saúde e dos decisores políticos. De um modo geral, os vários sistemas têm sido confrontados com uma constante insuficiência de fundos, pelo que têm sido criadas novas formas complementares de financiamento, mas sem colocar em causa, nos seus princípios gerais, o modelo e racionalizando a utilização dos recursos disponíveis. (Simões, 2009)

7 Os objetivos centrais nas políticas de saúde nos países da OCDE: A equidade em que os cidadãos devem ter acesso a um conjunto mínimo de cuidados de saúde e a qualidade do tratamento não deve ser prestado em função dos rendimentos mas, em especial, das necessidades efetivas de cuidados. A eficiência técnica em que se procura maximizar o resultado dos cuidados e a satisfação dos consumidores ao custo mínimo, através da combinação de formas de organização que promovam a melhoria da produtividade dos meios disponíveis. A eficiência económica ou distributiva em que os sistemas de saúde só poderão consumir uma parte adequada ou necessária do PIB, pelo que deverão ser utilizados mecanismos apropriados para limitar a despesa, quer a decorrente de políticas públicas, quer a que é fruto da oferta excessiva do mercado privado ou procura de cuidados de saúde. (Simões, 2009) No que concerne ao futuro das despesas de saúde, este deve ter em consideração algumas especificidades dos cuidados de saúde de forma a ser possível prever tendências no setor da saúde, comparativamente a outros setores da despesa pública: O sistema de cuidados e de regulação e a subsequente tomada de decisão é muito complexo, envolvendo um grande número de diferentes agentes como: governo, segurados/pacientes, terceiros contribuintes e os prestadores de cuidados. A quantidade e o tipo de serviços prestados, é determinado pela interação complexa de fatores de procura e oferta. Taxas de morbilidade, estrutura populacional, níveis de rendimento e fatores sociais e comportamentais influenciam a procura.

8 Referências Bibliográficas Barros, Pedro Pita; Gomes, Jean-Pierre Os sistemas nacionais da União Europeia, principais modelos de gestão hospitalar português Barros, Pedro Pita; Simões, Jorge Health Systems in Transition, European Observatory on Health Systems and Policies. Vol 9 N.º Branco, António; Ramos, Vitor Cuidados de saúde primários em Portugal. Revista Portuguesa de Saúde Pública Campos, António Correia Reformas da Saúde, o fio condutor. Almedina Simões, Jorge Tendências internacionais nas políticas públicas de saúde Simões, Jorge et al., - Comissão para a sustentabilidade e financiamento do serviço nacional de saúde Relatório Final Ramos, Vitor Regulação na Saúde e a pandemia de reformas nos sistemas de saúde. Observatório Português Sistemas de Saúde

9 CURSOS Terminou em 7 de Junho último o Curso de Socorrismo para FND s contando com a presença de 18 formandos sob a Direção do SMOR José Charro Decorreu de 17 a 26 de Junho o 6º Curso de Tripulantes de Ambulância de Transporte (TAT) cujo Director foi o SAJ Vitor Camocho Continua a decorrer o 4º Curso de Socorrismo de 2013, com a duração de 6 semanas. Decorreu nesta Escola no período de 24 a 28 de Junho a parte específica do Curso de Promoção a Capitão do Serviço de Saúde 2013 contando com a presença de 13 Oficiais sob a Direção do MAJ MED VET Paulo José Ribeiro..

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