Trabalho em Turnos e Impactos na Saúde

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1 Avaliação dos impactos do trabalho em turnos noturnos na produção de citocinas inflamatórias salivares e na secreção dos hormônios rítmicos melatonina e cortisol Érica Lui Reinhardt

2 Trabalho em Turnos e Impactos na Saúde Turnos alternantes x turnos fixos Principais mecanismos dos efeitos negativos à saúde perturbações nos ritmos biológicos perturbação do sono, especialmente a privação parcial supressão da melatonina pela exposição à luz durante a noite alterações na alimentação

3 Trabalho em Turnos e Impactos na Saúde Curto prazo: problemas para dormir, distúrbios gastrointestinais, incluindo úlcera péptica, ansiedade e irritabilidade Doenças cardiovasculares Câncer: mama e próstata Diabetes e síndrome metabólica Mortalidade em mulheres: tumores

4 Alterações no Processo Inflamatório e nas Citocinas Desenvolvimento de doenças crônicas diabetes doenças cardiovasculares aterotrombóticas doenças auto-imunes depressão Calcagni e Elenkov, 2006; Volp et al, 2008

5 Processo Inflamatório Adaptado de Rosenberg e Gallin, Inflammation. In: Fundamental Immunology, 5th edition.

6 Trabalho em Turnos e Inflamação Crônica Mudanças da alimentação e dieta, com maior risco de obesidade privação do sono perturbação do sistema circadiano Maiores níveis de estresse psicológico Privação do sono

7 Trabalho em Turnos e Produção de Citocinas Nove estudos publicados 3: trabalho em turnos não associado a aumentos em citocinas 6: trabalho em turnos associado a aumentos em citocinas dois estudos com turnos noturnos fixos um estudo com turnos matutinos fixos um estudo com plantões noturnos três estudos com trabalho em turnos alternantes

8 Objetivos do Estudo Investigar possíveis efeitos do trabalho em turnos fixos noturnos sobre o sono e biomarcadores hormonais e inflamatórios selecionados Avaliar o ciclo vigília/sono em trabalhadores noturnos e possíveis associações com o cortisol e a melatonina Avaliar cortisol e melatonina em trabalhadores noturnos Avaliar a associação entre IL-1β, IL-6 e TNF salivares e o cortisol ou a melatonina em trabalhadores noturnos Avaliar a associação entre IL-1β, IL-6 e TNF salivares e o ciclo vigília/sono em trabalhadores noturnos

9 Métodos Estudo transversal: 17 trabalhadores noturnos (turno: 21h às 6h) x 21 trabalhadores diurnos (turno: 7h às 17h) homens entre 20 e 45 anos com pelo menos 4 meses de trabalho no turno específico da empresa não incluídos sujeitos com alguma restrição à participação e que não aceitaram participar Ciclo de turnos: cinco dias de trabalho (de segunda a sexta) e dois dias de folga (sábado e domingo) Metalúrgica de metais não-ferrosos: principalmente metais sanitários

10 Métodos Questionário sobre dados sociodemográficos, de saúde e de condições de vida e trabalho Escalas: fadiga relacionada ao trabalho, sonolência de Epworth, estresse percebido, matutinidade-vespertinidade Avaliação do ciclo vigília/sono por actimetria e protocolo de atividades por 10 dias seguidos ELISA dos cinco biomarcadores: amostras de saliva coletadas em momentos diferentes durante três dias de trabalho Análises matemáticas e estatísticas

11 Secreção de Melatonina

12 Secreção de Cortisol

13 Produção de IL-6

14 Produção de TNF

15 Produção de IL-1β

16 IL-6 e Privação do Sono

17 Sono Estudo I Sono em dias de trabalho Trabalhadores noturnos: tempo médio na cama de 6h50m e duração média de 5h30m Trabalhadores diurnos: tempo médio na cama de 6h10m e duração média de 4h50m Quantidades inferiores à estimada para a população de São Paulo em 1995 (pouco mais de 7 horas) Encurtamento de 2 a 4 horas nos dois grupos Noturnos: despertar prematuro espontâneo devido à dessincronização crônica Diurnos: despertar prematuro por despertador; dificuldade de adiantar o horário de dormir devido ao sistema circadiano

18 Melatonina em NA e PA Estudo 1 NA: ritmo mais parecido ao dos diurnos; ritmo sem significância estatística PA: maior secreção diária pela manhã; ritmo estatisticamente significante

19 Sono de NA e PA Estudo 1 Trabalhadores PA: mais tempo na cama e maior duração do sono em dias de trabalho Comparados aos trabalhadores NA Tempo na cama: 90 minutos a mais / 67 minutos a mais Duração do sono: 120 minutos a mais / 98 minutos a mais Comparados aos trabalhadores diurnos Tempo na cama: 60 minutos a mais / 80 minutos a mais Duração do sono: 90 minutos a mais / 95 minutos a mais Sem diferenças entre trabalhadores noturnos NA e trabalhadores diurnos

20 Cortisol em NA e PA Estudo 1 NA: secreção constante ao longo do dia; ritmo sem significância estatística PA: maior secreção diária ao acordar; ritmo estatisticamente significante, arrastado para o novo ciclo atividade/repouso

21 IL-1β em NA e PA Estudo 1 NA: sugestão de menor produção ao longo do dia; perda da significância do padrão de variação PA: sugestão de maior produção salivar de IL-1β; padrão de variação estatisticamente significante

22 Conclusões Prejuízos ao sono semelhantes em trabalhadores diurnos e noturnos Menor tempo de sono devido a um encurtamento do episódio Trabalhadores diurnos: motivo ocupacional levantar cedo para o trabalho; secundariamente incapacidade de ajuste dos ritmos para ir dormir mais cedo Trabalhadores noturnos: dessincronização circadiana provavelmente levando a que acordassem espontaneamente antes

23 Conclusões Trabalho noturno associado a alterações Ritmo de melatonina e cortisol Perda do ritmo de melatonina; concentrações muito menores Perda do ritmo de cortisol; concentração ao acordar menor Padrões de variação salivar de TNF, IL-1β e IL-6 TNF e IL-1β: ajuste parcial ao novo ciclo vigília/sono, mas em desacordo com outras funções fisiológicas IL-6: perda do padrão de variação

24 Conclusões Privação parcial do sono associada a elevações nas concentrações da IL-6 salivar Variações no ritmo da melatonina em trabalhadores noturnos indicando diferentes graus de dessincronização crônica Maior dessincronização associada a maior encurtamento do sono em dias de trabalho, grande variabilidade no ritmo de secreção do cortisol e maior variabilidade no padrão de variação da IL-1β salivar

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