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4 DEUS,, E OURO A expansão marítimo- comercial compreende o período das grandes viagens empreendidas pelos países europeus nos séculos XV e XVI em busca de riquezas além-mar. mar. Inseridas no contexto do desenvolvimento do mercantilismo, elas resultaram numa importante revolução comerciale e na formação de vastos impérios coloniais.

5 A principal motivação das grandes navegações foi a necessidade de quebrar o monopólio árabe--italiano no comércio de especiarias árabe especiarias.. Até então, os mercadores de cidades como Gênova e Veneza controlavam a entrada de todos os produtos vindos do Oriente. Era preciso encontrar outra rota que evitasse o mar Mediterrâneo. Além disso, a Europa vivia um momento de esgotamento das minas de metais preciosos, o que bloqueava o comércio e provocava uma verdadeira sede de ouro.

6 Principais rotas do comércio europeu no século XIII

7 Mas, para empreender tamanha aventura, era necessário mais que vontade. Apenas um Estado centralizado e forte poderia juntar os recursos indispensáveis e comandar com sucesso projetos a tão longo prazo. Além disso, era fundamental ter a tecnologia apropriada: navios, mapas, instrumentos de navegação etc. Os dois países que primeiro reuniram essas características foram Portugal e Espanha. Esquadra de Cabral

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9 Com a unificação como monarquia nacional desde 1385, quando João I venceu a disputa com o reino de Castela e assumiu o trono do país na Revolução de Avis, Portugal foi a primeira nação européia a lançar-se ao oceano Atlântico. Além do governo forte, outros fatores que explicam a primazia portuguesa são a posição geográfica favorável, a situação de paz interna (ao contrário da França e da Inglaterra, envolvidas na Guerra dos Cem Anos), a determinação de disseminar a fé cristã e a avançada náutica, cujos estudos -que resultaram na invenção da caravela -se concentravam na célebre Escola de Sagres.

10 A conquista de Ceuta, na costa do Marrocos, marcou o início da expansão ultramarina portuguesa, em O segundo grande passo foi dado pelo navegador Bartolomeu Dias,, que, em 1488, contornou o cabo da Boa Esperança (batizado primeiramente de cabo das Tormentas). Dez anos depois, Vasco da Gama chegou à Índia. Em 1500, a expedição de Pedro Álvares Cabral aportou no Brasil. Lisboa no século XVI

11 Os portugueses criaram diversos pontos de comércio nos locais em que paravam. Com isso, puderam criar seu império marítimo- comercial, que, a princípio, só tinha objetivos de exploração, não de povoamento. Porto de Lisboa, em gravura de Theodore de Bry

12 Castelo em Guimarães Fundada pelo infante D. Henrique, em 1417, a mítica "Escola de Sagres" era, na verdade, um local de reunião de navegantes e cientistas onde, reunindo a prática e a ciência, se desenvolveram novos métodos de navegar, desenharam cartas marítimas e adaptaram navios. Segundo cronistas da época, largavam todos os anos dois ou três navios para exploração.

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14 Ocupados com a unificação dos reinos locais de Aragão e Castela, que ocorreu em 1469, e com a expulsão dos árabes, na Guerra da Reconquista, que só se concluiria em 1492, os espanhóis começaram sua expansão marítima um pouco mais tarde.

15 Em 1492, os reis Fernando de Aragão e Isabel de Castela aprovaram o audacioso plano de Cristóvão Colombo de chegar ao Oriente indo rumo ao Ocidente. No meio do caminho, no entanto, o navegador deparou com a ilha de Guanaani, atualmente parte das Bahamas. Mais tarde, o episódio ficaria conhecido como o descobrimento da América. Porém, até então, pensava-se se que as terras faziam parte da Ásia. Sendo assim, Portugal reivindicou direitos sobre as áreas descobertas, e, em 1494, as duas potências assinaram o Tratado de Tordesilhas, dividindo entre si as terras já conhecidas e as que ainda seriam descobertas por meio de uma linha imaginária localizada a 370 léguas do arquipélago de Cabo Verde.

16 Somente nos primeiros anos do século seguinte a existência do novo continente seria confirmada, pelo navegador florentino a serviço da Espanha Américo Vespúcio,, em cuja homenagem se escolheu o nome América.

17 Além de resultar na formação de enormes impérios coloniais, principalmente na América, a descoberta de novas terras e rotas comerciais provocou alterações profundas na sociedade européia. O Velho Mundo se tornou o centro e o principal beneficiado de um comércio mundial que interligava quatro continentes. Por causa disso, a diversificação dos produtos e o aumento dos valores negociados proporcionaram um enriquecimento maciço das burguesias. Essas mudanças, conhecidas como Revolução Comercial, estabeleceriam as condições financeiras necessárias para uma transformação ainda maior: a Revolução Industrial.

18 Os impérios coloniais europeus

19 O Por todo o século XV Portugal e Espanha disputam as novas terras. Roma intervém com dúzias de bulas papais, confusas, contraditórias e até adulteradas, sempre excluindo outros países da partilha. Após a viagem de Colombo, a magnitude dos interesses em jogo leva à Capitulação da Partição do Mar ou Tratado de Tordesilhas(1494): o mundo é dividido de póloa pólo por um meridiano a 370 léguas das Ilhas de Cabo Verde: as terras a leste ficam com Lisboa, a oeste com Madri

20 A ratificação pontifícia deste tratado só veio a ocorrer em 1506, ano da morte de Colombo, pelo Papa Júlio II. O Tratado de Tordesilhas impediu um conflito entre as duas nações ibéricas mas seria duramente contestado pelas demais nações européias... Gostaria que os espanhóis e os portugueses mostrassem onde está o testamento de Adão que dividiu o mundo apenas entre os reinos ibéricos. (Francisco I, rei da França) Cópia do Tratado de Tordesilhas

21 O custo humano das grande navegações foi sintetizado no poema de Fernando Pessoa, Mar Portuguez Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quere passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu. Áudio: Mar Portuguez, André Luiz Oliveira

22 Em R_sumo... Monopólio da rota mediterrânea das especiarias pelas cidades italianas Esgotamento das minas de metais preciosos (ouro e prata) no continente europeu Espírito cruzadista evangelização dos bárbaros Formação dos Estados centralizados Interesses da burguesia Desenvolvimento de novas tecnologias náuticas MERCANTILISMO EXPANSÃO MARÍTIMA [séc. XV -XVI] Conquista e colonização da América Montagem do Sistema Colonial Deslocamento do eixo comercial do Mediterrâneo para o Atlântico Fortalecimento dos Estados europeus Enriquecimento da burguesia Aumento da escravidão Tráfico de escravos africanos Destruição de povos e culturas Evangelização, Europeização Início da globalização

23 Interesses dos grupos sociais e da Coroa na Expansão Nobreza + Apoderar-se de novas terras e cargos Clero + Expandir a fé cristã [espírito de Cruzada] Burguesia + Novos mercados e fontes de matérias-primas Camadas populares + Melhores condições de vida [marinheiros, colonos] Coroa + Resolver problemas econômicos [falta de cereais e de metais preciosos] + Combater e converter os muçulmanos à religião cristã [ serviço de Deus ] + Reforçar o prestígio do reino

24 As Condições do Pioneirismo Português No início do século XV, as condições para que se desse início à Expansão estavam reunidas apenas em Portugal. Vejamos: Portugal atravessava um período de paz desde Possui uma longa costa atlântica e bons portos naturais o que, aliado à proximidade do Mediterrâneo, possibilitou a existência de marinheiros experientes. A presença de outras culturas na Península, sobretudo a muçulmana, permitiu o domínio da navegação astronômica, possível através de conhecimentos de astronomia e cálculo matemático, assim como do contacto com diversos instrumentos náuticos (a bússola, o astrolábio, o quadrante). O avanço da construção naval portuguesa, que pode exemplificar-se com o aperfeiçoamento do principal navio das Descobertas: a Caravela. Estado centralizado (segunda metade do século XIV)

25 Dia-a-dia os traficantes estão raptando nosso povo crianças deste país, filhos de nobres e vassalos, até mesmo pessoas de nossa própria família. (...) Essa forma de corrupção e vício está tão difundida que nossa terra acha-se completamente despovoada. (...) Neste nosso reino, só precisamos de padres e professores, nada de mercadorias, a menos que sejam vinho e farinha para a Missa. (...) É nosso desejo que este reino não seja um lugar de tráfico ou transporte de escravos. (Carta de Affonso I, Manikongo [governante do reino do Congo, 1526] ao rei de Portugal, em Adam Hochschild, O fantasma do rei Leopoldo.) As esperanças do Manikongo foram frustradas, pois a presença portuguesa na África, no século XVI, estava subordinada aos princípios a) liberais. b) imperialistas. c) mercantilistas. d) socialistas. e) fisiocratas.

26 O tempo das descobertas foi, ainda, o tempo de Lutero, Calvino, Erasmo, Thomas Morus, Maquiavel,... Leonardo da Vinci, Michelangelo, Van Eyek, da Companhia de Jesus (Adauto Novaes, Experiência e destino.) O período e os nomes citados no texto correspondem a: a) cultura do Renascimento científico e artístico italiano, política Iluminista e Humanista e Contra-Reforma religiosa. b) cultura Iluminista e Renascentista, política do Absolutismo Real e Reforma Presbiteriana. c) cultura do Renascimento e Humanismo, política Absolutista, Reforma e Contra- Reforma. d) cultura do Renascimento e do Iluminismo, reformas da política Absolutista e difusão do paganismo. e) cultura do Renascimento artístico e científico, Despotismo Esclarecido e políticas de liberdade religiosa.

27 No expansionismo europeu dos séculos XVI e XVIII, Mercantilismo e Absolutismo devem ser vistos como ingredientes básicos, tendo em vista que. a) A aliança do Estado com a burguesia comercial tornou possível a concentração dos recursos necessários à realização das empresas marítimas. b) A formação dos Estados Nacionais na Europa se completara no século XV com o apoio da nobreza enriquecida com as navegações. c) As descobertas marítimas foram, em sua maioria, financiadas por nobres feudais enriquecidos com os lucros das Cruzadas. d) Os planos de navegação e descobertas de novos territórios eram sempre de propriedade do rei. e) O fechamento do Mediterrâneo à navegação européia obrigou os navios irlandeses e holandeses a se aventurarem rumo ao Atlântico.

28 "Gostaria de ver o testamento de Adão para saber de que forma este dividira o mundo". (Francisco I, rei da França, em 1540) O famoso Testamento de Adão, ao qual o soberano francês se referia para reivindicar para o seu país a participação no processo expansionista ultramarino europeu, tem origem: a) na superioridade da marinha francesa, no século dezesseis, sobre a frota naval dos países atlânticos da Europa. b) na concessão feita, pelo Papa Alexandre VI, de terras na África e na Ásia para a exploração da Espanha. c) na assinatura do Tratado de Tordesilhas, entre Portugal e Espanha, que dividia o mundo entre os países da Península Ibérica. d) na participação da França, junto aos demais países católicos europeus, na expulsão dos muçulmanos da bacia do Mediterrâneo, na época das Cruzadas. e) na existência de um pretenso documento que dava às nações da Europa o direito de dominar e explorar as áreas subdesenvolvidas da África e da América.

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