Avaliação e proposição de melhorias no estoque baseado em técnicas do sistema Just in Time na empresa Premium Imports

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1 TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Avaliação e proposição de melhorias no estoque baseado em técnicas do sistema Just in Time na empresa Premium Imports Everaldo Bier Rodrigues Felipe Keller Gamba Jeferson Rodrigo Feuser Brusque 2010

2 EVERALDO BIER RODRIGUES FELLIPE KELLER GAMBA JEFERSON RODRIGO FEUSER Avaliação e proposição de melhorias no estoque baseado em técnicas do sistema Just in Time na empresa Premium Imports Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à disciplina de Estágio Supervisionado como requisito parcial à conclusão do curso de Tecnologia em Logística da Faculdade de Tecnologia de Santa Catarina. Brusque 2010

3 TERMO DE APROVAÇÃO Everaldo Bier Rodrigues Felipe Keller Gamba Jeferson Rodrigo Feuser Avaliação e proposição de melhorias no estoque baseado em técnicas do sistema Just in Time na empresa Premium Imports Trabalho de Conclusão de Curso aprovado com requisito parcial para obtenção do grau tecnólogo em Logística do curso de Tecnologia em Logística da Faculdade de Tecnologia de Santa Catarina, pela seguinte banca examinadora: Professor: Maristela Kuneski Mônica Parreira Coimbra Jacobsen Vilmar Dittrich Brusque, 29 de junho de 2010

4 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA a) Razão social: Premium Imports b) Endereço: Rua Adriano Schaefer, 37 c) Setor de desenvolvimento do estágio: Setor de Estoque d) Nome e cargo do supervisor de campo: Juliano José Mafra Sócio proprietário e) Visto da empresa:

5 RESUMO O Just in time é uma técnica usada pelos praticantes da logística, que exige um alto nível de precisão. Esse é um dos motivos que assustam administradores, pois ter que mudar toda uma cadeia de suprimentos é uma tarefa árdua e longa, mas o JIT tem a capacidade de trazer bons resultados em redução de custos. Com o intuito de estar no caminho mais aberto para chegar ao pulmão da logística, surgiu a oportunidade de realizar um projeto com base na logística e a aplicação do JIT, que foi aplicado na empresa Premium Imports partindo de uma avaliação do estoque atual e proposição de melhorias com base no sistema JIT. Foi desenvolvida uma pesquisa quantitativa de caráter diagnóstico, fundamentada teoricamente nos conceitos que envolvem logística e JIT. Esta pesquisa, tanto bibliográfica, quanto de campo está descrita neste Trabalho de Conclusão de Curso. Palavras-Chave: Logística. Just in time. Estoque.

6 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO HISTÓRICO DA EMPRESA FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA LOGÍSTICA Evolução da logística Logística nas empresas ESTOQUE Características básicas de um controle de estoque Objetivos do estoque Previsões de incertezas GESTÃO DE ESTOQUES Giro de estoque Lote econômico de compra JUST IN TIME Benefícios do JIT Implantação Desvantagens LOGÍSTICA NO VAREJO JUST IN TIME COMO ELEMENTO REGULADOR DE ESTOQUE VAREJISTA PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS CARACTERIZAÇÃO DA PESQUISA DELIMITAÇÃO DA PESQUISA INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS ANALISE DE DADOS Integração dos dados com proposição de melhorias DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DO ESTÁGIO CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS ANEXOS... 34

7 1. INTRODUÇÃO Estoques geram despesas desnecessárias, por isso é indispensável um controle de estoque planejado e detalhado. Cada ação de uma empresa deve ser altamente estudada. Os estoques geralmente são esquecidos, pois não geram lucros diretos, mas a conseqüência que gera um estoque sem planejamento e controle é desastrosa para a empresa. Segundo Ballou (2006, p.397) A estocagem e o manuseio de materiais são essas atividades suplementares, que assumem consideráveis importâncias pelo fato de terem influencia sobre o tempo necessário para o processamento de pedidos. O controle de estoque é de suma importância para a empresa que preza pela qualidade de serviço oferecido e também por que o estoque, sendo de matéria prima ou produto acabado, está voltado diretamente a custos de manutenção de ambos. Just In Time (JIT) é um sistema de administração da produção que determina que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora exata. Pode ser aplicado em qualquer organização para reduzir estoques e os custos decorrentes. Com este sistema, o produto ou matéria-prima chega ao local de utilização somente no momento em que for necessário. Os produtos somente são fabricados ou entregues a tempo de serem vendidos ou montados. O conceito está relacionado ao de produção por demanda, onde primeiramente vende-se o produto para depois comprar a matéria- prima e posteriormente fabricá-lo ou montá-lo. A aplicação do JIT na empresa Premiun Imports será a base deste estudo. Para isso foi traçado objetivo de avaliar o sistema de estoque da empresa e propor melhorias com base no sistema JIT. O JIT tem vantagens que são prováveis através de seu uso, pois reflete diretamente na redução dos custos da empresa. Neste sentido, alguns objetivos específicos foram propostos: compreender a importância do gerenciamento de estoques para a otimização da empresa; apresentar o sistema Just in Time, apontando suas características, vantagens e desvantagens; observar o estoque da empresa verificando a organização e movimentação de materiais; verificar se o espaço físico é adequado para atender a demanda; identificar gargalos no controle de estoque, para possíveis melhorias; propor algumas técnicas de controle de estoque baseadas no sistema Just in Time para melhorar as operações do estoque. A metodologia adotada para alcançar os objetivos propostos foi de caráter

8 quantitativo, avaliando os resultados observados e propondo melhorias para a empresa. A pesquisa realizada, na empresa Premium Imports, tem como foco a redução de custos no estoque utilizando técnicas do JIT. Técnicas que possivelmente possibilitarão uma redução considerável dos estoques da empresa. Custos de manutenção e avarias são os principais motivos da empresa estar cedendo o espaço para uma possível melhoria trazida por este projeto. A organização do trabalho segue primeiramente apresentando o histórico da empresa Premium Imports. A logística e sua evolução iniciam a fundamentação teórica, pois a base do projeto é justamente a logística. O estudo na área de estoque, que completa a teoria busca entender qual será a melhor aplicação para as técnicas do JIT. O elemento seguinte apresenta a metodologia que explica o porquê da pesquisa ser quantitativa e também quais métodos usados para o levantamento dos dados necessários para pesquisa e a análise desses dados. Finalizando com as considerações finais que sintetizam os principais aspectos da pesquisa. 2. HISTÓRICO DA EMPRESA A empresa Premium Imports foi fundada em Janeiro de 2009 e está localizada na Rua Adriano Schaefer nº 37 - Brusque SC. Tem como objetivo se destacar no mercado do comércio de bebidas e alimentos importados. A empresa procura estar sempre inovando e atendendo os clientes da melhor forma possível com os melhores produtos do Brasil e do mundo. A Premium trabalha com dois gêneros de produtos, sendo bebidas e alimentos. Aproximadamente 90% dos produtos são importados, contando com a vantagem de serem produtos com pouca concorrência local, o que proporciona uma grande vantagem comercial. Por ser uma empresa que está iniciando no mercado, seu estoque tem deficiências bastante consideráveis. O foco inicial da empresa é atingir um faturamento para obter um lucro considerável, assim esquecendo-se das despesas desnecessárias causadas por um estoque mal administrado. As principais deficiências do estoque da empresa são causadas por avarias e estoques em quantidades desnecessárias. Deficiências que terão possíveis soluções trazidas com a aplicação das técnicas do JIT.

9 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 3.1 LOGÍSTICA A logística é uma técnica empresarial reconhecida há pouco tempo. Com o crescimento de custos desnecessários e avarias as empresas começaram a valorizar quem se preocupa com seus estoques. A principal tarefa da logística é administrar e manter um estoque de materiais que supra as necessidades da empresa, na hora oportuna, na qualidade esperada pelo seu cliente e em quantidades proporcionais à linha produtiva. Bowersox (2007, p.20) conceitua logística como: o processo de planejamento, implantação e controle eficiente e eficaz do fluxo e armazenagem de mercadorias, serviços e informações relacionadas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender às necessidades do cliente". Segundo Moura et al. (2003), em um primeiro momento, a logística enfatizava somente a área de transporte, movimentação e armazenamento de materiais. A sua evolução ocorreu no momento em que as empresas compreenderam e passaram a dar maior importância ao serviço prestado ao cliente. Num segundo momento era considerada uma integração dos setores de planejamento, implementação e controle eficiente do fluxo de matérias-primas, estoque em processo e produtos acabados desde seu ponto de origem até o ponto de destino. Atualmente ela incorpora toda a parte de fluxo de informações, fluxo de recursos e está atenta as crescentes necessidades exigidas pelos clientes. Ainda conforme Moura et al. (2003), a logística também pode impactar sobre a capacidade das empresas em penetrar em novos mercados. Instalações que oferecem custos mais baixos e maior eficácia em relação ao atendimento dos clientes são fatores que demonstram quanto é importante à logística para a localização geográfica do negócio. Ter um bom mecanismo para o recebimento de materiais, despacho, são atitudes que mudam a empresa para melhor. A logística tem seu impacto voltado para a redução de custos, mas sem deixar de prezar pela qualidade de serviço que a empresa fornece, com isso percebe-se que as empresas cada vez mais estão optando por um setor de profissionais deste ramo que vão programar suas atitudes

10 logísticas, que até então eram muito primárias para o porte de sua empresa. Lembrando que a arte da logística esta voltada para qualquer porte de empresa. Moura (2003, p.14), apresenta ainda o conceito de logística integrada: A necessidade de gerenciamento destes três fluxos de recursos (materiais, informações e financeiros) de forma integrada, dentro e fora das organizações, direcionou as empresas para a adequação de suas estruturas organizacionais, integrando sobre um mesmo processo logístico funções diversas como: suprimentos, processamento de pedidos, produção e controle de estoques, distribuição física e transporte, caracterizando, desta forma, o conceito de logística integrada. A administração integrada dos três fluxos viabiliza a redução dos custos logísticos. Cada um dos três fluxos cuida de partes diferentes do processo, mas atuam de forma integrada facilitando o processo logístico Evolução da logística Antes da década de 1950, as atividades chaves da logística eram divididas sob a responsabilidade de várias áreas diferentes. Geralmente transporte estava no comando do gerente de produção, o estoque era responsabilidade de marketing, finanças ou produção e o processamento de pedidos era controlado por finanças ou produção. Podia-se ver que a visão sobre a importância da logística em ganho de tempo, espaço e custo era nula. Era considerada apenas uma mera atividade do cotidiano. Além de que, havia inúmeros conflitos de objetivos e responsabilidades para estas atividades. Em meados de 1945, começaram as mudanças. Algumas empresas realocaram o setor de transporte à armazenagem sobre a direção de um único gerente, argumentando que nem o ambiente econômico e nem a teoria estavam preparados para criar mudanças de atitudes. A economia dos EUA estava em processo de crescimento rápido, a visão era produzir e vender, não importava a maneira, isto gerava altos lucros, fazendo com que certa ineficiência na distribuição fosse tolerada. As indústrias alimentícias foram às pioneiras neste aspecto. Ballou (1993, p. 29) afirma que: O período entre o início dos anos 50 até a década de 60 representa a época de decolagem para a teoria e prática da logística. O ambiente era propício para novidades no pensamento administrativo. Outros pontos fundamentais para a evolução da logística em si foram às alterações dos padrões e atitudes da demanda dos consumidores, a pressão por

11 redução de custos nas indústrias, os avanços da tecnologia de computação e as experiências militares, pois dez anos antes das empresas se interessarem pelo assunto os militares já haviam executado aquela que foi a mais sofisticada e mais bem planejada operação logística da história, a invasão da Europa. Segundo Ballou (1993, p.30): Posteriormente, reconheceu-se que um evento chave para o desenvolvimento da logística empresarial como disciplina foi um estudo conduzido para determinar o papel que o transporte aéreo poderia desempenhar na distribuição física. Esse estudo mostrou que o alto custo do transporte aéreo não necessariamente deteria o uso deste serviço, mas que a chave para a aceitação deveria ser o menor custo total, decorrente das somas das taxas de frete aéreo e do menor custo devido à diminuição de estoques, conseguido pela maior velocidade de movimentação por via aérea. Esta compensação de um tipo de custo por outro ficou conhecida como o conceito do custo total. Ele tornou-se importante argumento para o reagrupamento lógico de atividades dentro das firmas e também auxiliou a explicar a reorganização das atividades de distribuição que estava ocorrendo em algumas poucas empresas pioneiras. Ballou (1993) ressalta que na década de 1970 os princípios básicos estavam estabelecidos e algumas empresas estavam começando a colher os benefícios de seu uso. A aceitação deste novo conceito de administração era lenta, pois as empresas estavam mais preocupadas com a geração de lucros do que com o controle de custos. Alguns fatores foram fundamentais para a mudança da visão logística das empresas da época. Ballou (1993, p. 34) relata ainda que: O embargo petrolífero e a súbita elevação do preço do petróleo realizado pelos países da OPEP em À medida que os preços de petróleo quadruplicaram nos setes anos seguintes e o crescimento de mercado começou a diminuir, a inflação começou a aumentar ao mesmo tempo em que a produtividade crescia mais devagar [...]. A filosofia econômica passou de estímulo de demanda para melhor administração dos suprimentos. Controle de custos, produtividade e controle de qualidade passou a ser áreas de interesse, à medida que as empresas tentavam enfrentar o fluxo de mercadorias importadas. Com isto os principais conceitos desenvolvidos na época passaram a ser utilizados com grande sucesso, aumentando o interesse sobre o assunto e levando a futura formação da logística integrada atual. De acordo com Ching (2007) na década de 1970, iniciou-se também a flexibilidade dos sistemas de produção, onde foram realizados trabalhos de melhoramento dos tempos de set up das máquinas. Permitindo um ganho em tempo

12 e atendimento para uma maior diversidade de produtos. Lembrando que a aceleração do sistema de informatização contribuiu muito para o aperfeiçoamento do sistema logístico. Na década de 1980, a logística tornou-se revolucionária devido à explosão da tecnologia e alterações estruturais surgidas nos negócios e na economia de países emergentes, gerando a formação de blocos econômicos e o fenômeno da globalização. Após a década de 1990 a logística passou a ser entendida como a junção da administração de materiais com a distribuição física, levando a crer que no futuro produção e logística estarão cada vez mais juntas, não só na teoria, mas também na prática Logística nas empresas Segundo Ching (2007, p.16): para que uma empresa possa sobreviver em um ambiente turbulento, precisa oferecer resultados - em quantidade, variedade, qualidade, preços e prazos compatíveis com as necessidades e expectativas dos clientes. A logística é composta por dois setores, o de atividades primárias e o de atividades secundárias. Conforme Ching (2007) as atividades primárias contribuem com a maior parte do custo total de logística, são elas: -transporte: são os métodos de movimentar os produtos aos clientes, via rodovia, ferrovia, mar ou aéreo. Grande importância devido aos impactos que ele ocasiona sobre os custos; -gestão de estoques: o nível mínimo de estoque vai variar dependendo do setor que a empresa trabalha e da demanda sazonal temporal; - processamentos de pedidos: determina o tempo necessário de entrega de bens ou serviços aos clientes; As atividades secundárias, de acordo com Ching (2007), servem de apoio as primárias na obtenção dos níveis de bens e serviços requisitados pelos clientes e são elas: - armazenagem: é todo o fluxo de materiais que acontece dentro do armazém; -manuseio de materiais: é a movimentação dos produtos no local de armazenagem;

13 -embalagem de proteção: sua finalidade é proteger o produto; -programação de produtos: é a programação da necessidade de produção e seus respectivos itens na lista de materiais; -manutenção de informação: a base de dados é essencial para o planejamento e o controle da logística. É pela coordenação dessas atividades relacionadas com o fluxo de produtos e serviços que a empresa poderá obter ganhos significativos, como redução de estoques e de tempo médio de entrega, produtividade, etc. Através da gestão adequada destas atividades, será possível proporcionar aos clientes, bens e serviços para sua satisfação. Para Ching (2007, p.26): A logística é um assunto vital para a competitividade das empresas nos dias atuais, podendo ser um fator determinante do sucesso ou fracasso das empresas. A logística nos mostra que, se for bem aplicada através de estudos e um planejamento criterioso, dará vantagens lucrativas á empresa. Mas como tudo tem seu risco o que era para ser a arma secreta da empresa pode ser o seu maior causador de prejuízos. Pois a logística também tem seu custo para entrar em prática, profissionais qualificados da área é a grande sacada para uma boa logística. 3.2 ESTOQUE O estoque de uma empresa pode ser seu principal aliado para um bom atendimento ao cliente, mas também existe uma grande possibilidade de ser seu principal gargalo. O estoque tem como objetivo estocar matéria-prima ou produto acabado para ter como suprimento para linha de produção e certamente atender o cliente final. Ballou (2006, p. 271) conceitua estoque como: Estoques são acumulações de matérias-primas, suprimentos, componentes, materiais em processo e produtos acabados que surgem em números pontos do canal de produção. O estoque serve como um pulmão para a empresa e ele possui alguns objetivos como amortecer os impactos causados pelas altas de demanda onde se pode aproveitar a oportunidade que o mercado está oferecendo Ele também está relacionado ao nível de serviço que a empresa está interessada em disponibilizar aos seus clientes, é a partir desta meta traçada que o

14 estoque terá que ir se adequando para atender a política desejada pela empresa. Cita Moura (2004, p.01) que: O estoque tem efeito impactante no êxito das empresas. Um dos motivos é o alto volume de dinheiro empregado. O estoque previne incertezas, como pedidos extras e atrasos no lead time gerados por problemas no decorrer do processo Características básicas de um controle de estoque Para melhor administrar os estoques, é necessário compreender alguns pontos chaves nesta etapa. São eles: os custos associados, os objetivos do inventário e a previsão de incertezas. Custos de estoque, conforme Ching (2007) são divididos em custos de manutenção, custos de aquisição e custos de falta: - Os custos de manutenção são todos os custos para manter uma quantidade de mercadoria por um período de tempo, ele é representado por uma série de custos diferentes: os custos de armazenagem são relacionados com a quantidade de estoque mantido, quando o sistema de estocagem é terceirizado estes custos são cotados através da quantidade de tonelada/mês, refletindo assim no total armazenado. Para depósitos próprios o rateio do custo deve ser definido por cada nível do estoque. Os custos associados ao risco de manter estoque ocorrem devido aos custos com perda, deterioração, obsolescência, dano e furto. - Os custos de aquisição são associados ao processo de aquisição das quantidades requeridas para a reposição do estoque. Incluem os custos com preencher pedidos de compra, processar o serviço burocrático na contabilidade e no almoxarifado, receber o pedido e fazer a conferência nota versus quantidade física. São definidos em termos monetários por pedido. - Os custos de falta ocorrem quando há demanda por um item em falta no estoque. Eles podem ser por vendas perdidas ou por custos de atraso de pedido. Ballou (2006, p. 280) ressalta que: O custo é o lucro que deixa de ser concretizado nessa determinada venda e pode incluir um adicional decorrente do efeito que essa venha a acarretar sobre vendas futuras. O custo total é definido através da somatória do custo de aquisição com o custo de manutenção e o custo da falta. Este custo é muito importante devido à formulação de dados para a verificação do lote econômico de compra.

15 3.2.2 Objetivos do estoque Ballou (2006, p.277) observa que: Gerenciar estoques é também equilibrar a disponibilidade dos produtos, ou serviço ao consumidor, por um lado, com os custos de abastecimento que, por outro lado são necessários para um determinado grau dessa disponibilidade. Pode-se destacar dois objetivos do estoque: -objetivo de custo; -objetivo de nível de serviço; Ching (2007) ressalta que os objetivos de custo estabelecem os níveis de estoque, em um sentido mais amplo ele balanceia os custos de manter e de pedir estoque, pois no decorrer do pedido esses custos têm comportamento oposto. No início do pedido só aparecem os custos de aquisição, no decorrer os custos com aquisição se tornam quase nulos e os custos de manutenção com o passar do tempo só crescem. A função do custo total mostra a função de um U, o que significa que existe um valor mínimo para essa curva, que é o ponto onde os custos de manter e pedir são mais baixos, encontrando ai o lote econômico de compra (CHING, 2007). Ballou (2006) explica que perante os clientes o estoque proporciona um nível de disponibilidade de produtos e um bom nível de serviços. Calcular o custo com a falta de estoque é muito difícil. Porém o nível de serviço disponibilizado nunca atinge 100 % da capacidade da empresa. Ching (2007) observa ainda que: Ao fixar a disponibilidade conforme a política de que, por exemplo, 98% dos pedidos de um item qualquer devem ser atendidos em 48 horas, devem ajustar-se os custos de manter e de pedir de modo que sua soma seja minimizada. Repare que, ao fixar-se a disponibilidade-alvo, os custos de falta de estoque são considerados indiretos. Deve-se ter uma grande cautela em fixar o nível de serviço dessa forma. Aumentar a disponibilidade em apenas alguns pontos percentuais, por causa da pressão da área de vendas tem um aumento dramático no capital investido em estoque. Uma vez que o nível de estoque cresce com disponibilidade elevada, o nível de serviço na maioria das vezes é menor que 100%. Deve-se obter o maior equilíbrio possível entre a produção e o custo total de estoque, de um lado, e o nível de serviço prestado aos clientes, de outro lado.

16 O estoque tem meta principal, abrigar os suprimentos necessários para a empresa atender as vendas e também sua linha de produção Previsões de incertezas Ching (2007) explica que, nunca se tem certeza da quantidade a ser solicitada pelo cliente e da quantidade a ser enviada para armazenagem. Uma das primeiras situações que devem ser consideradas no controle de estoque é a previsão de vendas futuras, da demanda e a estimativa do tempo de ressuprimento, o chamado lead time, que é o tempo gasto desde a colocação do pedido no fornecedor, sua produção até a chegada do material em nossas instalações. Para todo planejamento empresarial o ponto crítico é a previsão de demanda, onde pesquisas realizadas pelo telefone, correio e contatos pessoais podem ser utilizadas e traduzidas em informações para a previsão de vendas. Observa Ching (2007), que a existência de compradores em diversas regiões necessita de uma amostragem maior acarretando num custo de pesquisa e, muitas das vezes, o cliente não está disposto a cooperar e a exatidão da informação fornecida pode ser questionável. No caso de controle de estoque o método mais comum, porém não o mais correto, é a utilização do histórico de vendas para verificar a previsão de demanda. Com a ajuda de softwares e um grande horizonte de histórico, maior será a exatidão da previsão. A imagem que a sua empresa passa para seu cliente é muito importante para o surgimento de um grande negócio. O cliente espera de sua empresa, produtos de qualidade, com preço de mercado e entregas bem sucedidas dentro do prazo e sem avarias. Também é de muita importância a obtenção dos dados de seu cliente para serem utilizados quando forem precisos. Segundo Ching (2007), a empresa deve mapear com exatidão cada um dos fornecedores, para obter informações precisas sobre o tempo que necessitam para processar o pedido, programar a produção e, se necessário, em qual situação produzir, além do tempo requerido para a entrega GESTÃO DE ESTOQUES A competitividade influenciou nos últimos tempos o rumo que as empresas

17 tomaram no mercado de atuação. Bowersox (2007, p. 254) afirma que: A gestão de estoque é o processo integrado pelo qual são obedecidas as políticas da empresa e da cadeia de valor com relação aos estoques. A abordagem reativa ou provocada usa a demanda dos clientes para deslocar os produtos por meio dos canais de distribuição. Uma filosofia alternativa é a abordagem de planejamento, que projeta a movimentação e o destino dos produtos por meio dos canais de distribuição, de conformidade com a demanda projetada e com disponibilidade dos produtos. Segundo Ching (2007), no inicio a gestão de estoque era vista apenas como um meio de reduzir os custos totais associados à aquisição e gestão de materiais. Porém com o tempo ela mostrou que essa gestão (controle) envolve diversos elos da cadeia produtiva e ambos devem estar integrados. Cada elo dessa cadeia é gerenciada e controlada de forma independente e deve estar ciente apenas da demanda do próximo elo. Devido a globalização as empresas agora exigem estratégias mais proativas, por que passaram a se basear nas necessidades dos clientes, fator este que leva a compreensão do papel do estoque dentro da gestão logística. Cada negócio deve ser analisado para ver a real necessidade de estoque Giro de estoque No giro de estoque é necessário ter uma visão financeira sobre estoque, Moura (2004, p.33) relata que: O estoque inclui matéria-prima, trabalhos em andamento e produtos acabados. O que interessa aqui é quanto dinheiro parado está associado a cada item, pois quanto mais matéria-prima houver, mais tempo se levará para transformá-la em dinheiro, com custo incidindo ao longo do percurso. Mercadorias acabadas são mais seguras (possuem maior liquidez). O estoque é o ativo circulante de menor liquidez. Moura (2004, p.33) afirma ainda que: Embora o giro de estoque seja calculado para a elaboração do balanço, pelo departamento contábil, o gestor de estoque deve conhecer os cálculos para poder eliminar os excessos e entender esses cálculos. É importante ressaltar que dentro da mesma empresa existem diversos giros

18 de estoques, há giros de materiais e de produtos, os materiais giram pela aplicação no produto e os produtos giram através das vendas. Há custos de materiais aplicados e custos de produtos vendidos, a fórmula para calcular é extraída com base na anterior (MOURA 2004). No comercio divide-se: o custo de mercadorias vendidas pela média dos inventários das mercadorias. Nas indústrias divide-se o custo dos materiais aplicados pela média dos inventários dos materiais ou então o custo dos produtos vendidos pela média dos inventários dos produtos (MOURA 2004) Lote econômico de compra Segundo Moura (2004, p. 43) o lote econômico de compra (LEC) serve: Para nortear as quantidades ótimas a pedir, fazendo uma reflexão sobre o momento global da compra, seja visando uma reposição normal dos estoques, ou prevendo momentos sazonais, seja em reposição programada ou em compras promocionais, seu objetivo é minimizar os custos anuais das variáveis dos pedidos. Moura (2004) observa ainda que o LEC identifica através da demanda e dos custos de manutenção e de pedir estoque, o lote ideal a ser pedido que vá minimizar os custos tanto de pedir como de manter. Para a utilização deste sistema é necessário que o lead time do produto não seja variável, tenha conhecimento sobre a demanda anual e que ela seja estável, que o pedido seja recebido de uma única vez, que tenha um único produto envolvido e que não exista desconto em função da quantidade. Moura (2004) apresenta alguns custos necessários para manutenção de estoque: se refere aos gastos para manter os produtos estocados como seguros pagos, o desgaste dos móveis, embalagens, transporte, espaço físico, limpeza, mãode-obra e dependendo do produto refrigeração ou customização necessária. Ele tem uma relação linear com o tamanho do pedido, quanto maior o lote, maior será o custo. Estes custos se analisados e minimizados podem impactar expressivamente na margem de contribuição da empresa. Para calcular o custo de manter estoque, segundo Moura (2004), multiplica-se a quantidade média do estoque disponível pelo custo para se manter uma unidade durante um ano. O estoque médio é obtido através da divisão da quantidade de

19 pedido por dois. Custo anual de pedir estoque: refere-se aos gastos obtidos ao efetuar um pedido, como custo de hora/telefone; hora/homem; digitação; fax; ; impressos; seguro de entrega, etc. Nesse momento, conforme Moura (2004), também tem que ser levado em conta o tempo gasto com avaliação de fornecedores, autorização de faturamento, determinação de quanto pedir e as atividades secundárias citadas acima. Os custos de pedido diminuem conforme aumenta a quantidade pedida. O conhecimento do ciclo de pedido para Moura (2004, p. 49): [...] facilita a programação da entrega de materiais. A fórmula é fácil-quantidade ótima dividindo a demanda. O ciclo do pedido dá a conhecer o intervalo entre um pedido e outro. O custo total é a soma dos custos de manutenção mais os custos de encomenda de estoque. De acordo com Moura (2004), é necessário que todas as variáveis destes cálculos estejam expressas na mesma unidade como, por exemplo, quinzena, mês, ano, etc. 3.4 JUST IN TIME Ching (2007) explica que just in time é um controle derivado do sistema japonês kamban, visa atender a demanda instantaneamente, com qualidade, sem desperdício e com o mínimo de recursos disponíveis. Ele promove o fornecimento da quantidade correta, no local e momento certo. Já para Hutchins (1993, p.17): O JIT é parte de uma abordagem gerencial totalmente diferente que, quando totalmente desenvolvida, ajudará a criar uma cultura industrial totalmente nova. Ching (2007, p.40) observa também que: O JIT é uma atividade que agrega valor a organização á medida que identifica e ataca os problemas fundamentais e os gargalos, elimina perdas e desperdícios, elimina processos complexos e programa os sistemas e procedimentos. Já Hutchins (1993) observa que o Just In Time não é um conceito e sim uma meta. O desejo de contínua redução de recursos materiais sempre esteve nas mentes dos administradores conscientes. A filosofia JIT é a combinação da cultura japonesa com a intervenção americana pós-guerra. A cultura japonesa foi influenciada pelos conceitos de círculos de qualidade e controles estatísticos de processo. Neste período várias tentativas de implantação desta filosofia

20 fracassaram, devido um não estudo detalhado sobre esta filosofia, além do ceticismo da época. Hutchins (1993, p.20), relata que na época a principal meta do JIT era o atingimento de estoque zero, confirmada não apenas dentro de uma só empresa, mas através de toda uma cadeia de suprimentos. Mesmo para atingir sucesso parcial, é necessário pensar longe. Porém nesta visão de estoque zero algumas considerações devem ser levadas em conta. Uma delas é o estoque de matéria-prima que deve ser mantido devido à imprevisibilidade da qualidade dos fornecedores. Levando em consideração também que as entregas podem ser irregulares ou as quantidades entregues podem apresentar variações do solicitado. Estes problemas ainda fazem parte da nossa realidade de hoje e contribuíram para a evolução da visão JIT (Hutchins, 1993). Bowersox (2007, p.224) já possui uma visão mais moderna e atualizada sobre o JIT e relata que: JIT é uma modalidade de suprimentos em que fornecedores entregam materiais à medida que são consumidos na produção, proporcionando um investimento tendente á zero em estoque. A velocidade é essencial, pois os clientes estão ligados a produção e não mais ao estoque. Segundo Ching (2007) a confiabilidade é pré-requisito fundamental para se ter um fluxo rápido na produção. A flexibilidade é fundamental para que se consiga produzir lotes pequenos, led times curtos, dando agilidade à cadeia. Fica claro que o JIT não é fácil de ser atingido. Obvio é a redução do capital empregado que da-se através da redução de estoque. Hutchins (1993) observa que, através da aplicação das técnicas e conceitos nota-se que no final do processo há uma redução em torno de 20 a 60% dos custos percebidos em longo prazo e a resposta é em torno de três a cinco anos. Empresas onde as máquinas são ultrapassadas e não confiáveis, onde existam gargalos, lead times longos e qualidade insatisfatória, não são indicadas a trabalhar com este método, pois as quebras de contratos levarão os prejuízos e até falência das mesmas.

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