COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO LAGO VERDE, MUNICÍPIO DE LAGOA DA CONFUSÃO, TO.

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1 COMPARTIMENTAÇÃO GEOMORFOLÓGICA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO LAGO VERDE, MUNICÍPIO DE LAGOA DA CONFUSÃO, TO. Daniel Araújo Ramos dos Santos¹, Fernando de Morais² ¹Aluno do curso de Geografia; Campus de Porto Nacional. Bolsista; PIBIC/CNPQ. ² Orientador(a) do Curso de Geografia; Campus de Porto Nacional; RESUMO O presente trabalho teve como objetivo, a realização da compartimentação geomorfológica da bacia hidrográfica do rio Lago Verde, localizada na região da Lagoa da Confusão TO, fazendo a caracterização morfométrica, fisiográfica, morfológica e topográfica dos modelados e formas do relevo. Para tal, fez-se uso do Geoprocessamento, onde foi construído um banco de dados com planos de informações abrigando dados como imagens de satélites e MDEs (Modelos Digitais de Elevação), dando base à construção de dados vetoriais, originando produtos como mapas temáticos, tabelas e diagramas. Os resultados mostraram que a bacia é de 4 ordem, desenvolvendo sobre rochas sedimentares pretéritas e coberturas quaternárias, apresentando padrão de drenagem dendrítico, com baixa declividade, propicia a inundações periódicas. A compartimentação geomorfológica revela que a gênese do relevo da bacia se dá em grande parte no Mesozóico, ocasionada por processos morfoesculturais (forças exógenas) por parte da rede de drenagem na esculturação e aplainamento da superfície. PALAVRAS CHAVES: Análise geomorfológica; Bacia hidrográfica; Geoprocessamento. INTRODUÇÃO O relevo é, segundo alguns autores, O palco da história onde se desencadeiam as mais variadas atividades dinâmicas dos sistemas naturais, estabelecendo sobre ele, relações hidrológicas, geológicas e biológicas, além das questões sociais do conjunto humano (CASSETI, 1994). As diversas formas e modelados do relevo são frutos das relações antagônicas desempenhadas pelas forças endógenas (interior) e exógenas (exterior) sobre a litosfera (ALVES; CASTRO, 2003). Neste contexto se destaca a importância da compartimentação das formas e modelados do relevo para o estudo pleno da evolução e dinâmica da paisagem, com a possibilidade de uma análise

2 integrada dos elementos constituintes do relevo, através do uso de produtos de geotecnologias (FLORENZANO, 2008). MATERIAL E MÉTODOS A metodologia aplicada na compartimentação geomorfológica da bacia hidrográfica do rio Lago Verde foi concebida em forma de hierarquia, para uma melhor organização no momento da interpretação das informações levantadas. Para a realização do trabalho, optou-se em parte, pelo método de averiguação geomorfológica proposto por Abreu (1976), que considera uma correlação entre os dados quantitativos e qualitativos. Também a proposta dos procedimentos metodológicos do IBGE (2009), que foram desenvolvidos para estudos integrados com uso de produtos de Geotecnologias, visando a classificação e cartografação dos fatos geomorfológicos. Desta forma, o presente trabalho ponderou as duas propostas, consolidando-se em 4 fases, a saber: 1) Obtenção dos dados e revisão bibliográfica; 2) Processamento e armazenamento dos dados; 3) Trabalho de campo e 4) Validação e considerações. RESULTADOS E DISCUSSÃO A bacia hidrográfica do rio Lago Verde está localizada entre os paralelos: s e s e os meridianos w e w O alto curso da bacia está inserido nos domínios do Supergrupo Baixo Araguaia, no Grupo Tocantins, que na área é representado por arenitos, metaarenitos e calcários da Formação Couto Magalhães (CPRM, 2004). O baixo e uma porção do médio curso da bacia são caracterizados por coberturas sedimentares do período Quaternário, produzidas pelas deposições periódicas das inundações fluviais da bacia hidrográfica do Araguaia. Os sedimentos são areno-argilosos inconsolidados de origem arenítica em processo de laterização (GORAYEB, 2011). A bacia hidrográfica do rio Lago Verde apresenta um padrão de drenagem do tipo dendrítico, tendo seu canal principal alinhado na direção SE-NW, com 62 km de comprimento, assentado em vale fluvial suavizado. A bacia possui uma área de km², tendo uma rede de drenagem equivalente a km. A bacia demonstrou ser de 4 ordem Conforme o modelo aplicado proposto por Strahler (1952 apud CHRISTOFOLETTI, 1980).

3 A análise morfoestrutural revela que a bacia se estabelece em dois domínios morfoestruturais de grande relevância regional identificados pela análise dos dados litológicos do CPRM (2004), sendo os Cinturões Moveis Neoproterozóicos e as Coberturas Quaternárias da Bacia Sedimentar do Bananal, caracterizados em um contexto regional por IBGE (2009) e Gorayeb (2011). Foram aplicados parâmetros destinados a analisar a relação da rede de drenagem com o arcabouço geológico, podendo apontar controles estruturais e anomalias de drenagem. A análise demonstra que o sistema hidrográfico do rio Lago Verde não sofre influência de grande relevância da ação endógena, que estruturou a região em períodos pretéritos (Dobramentos Neoproterozóicos). Os poucos indícios de controle tectônico como as anomalias de drenagem, não dão segurança na afirmação de um controle endógeno na bacia. Com o software SPRING foram delimitadas as unidades do relevo no contexto regional da Lagoa da Confusão na qual a bacia do rio Lago Verde está inserida. Com a técnica de segmentação da imagem de altimetria do TOPODATA, se obteve as linhas de quebra de relevo (FLORENZANO, 2008). Foram identificadas as unidades de Planície, Planalto e Áreas Aplainadas (Depressão). A Planície do Bananal está entre as cotas de 100 a 200 m de altitude, caracterizada por coberturas quaternárias de gênese fluvial (CPRM, 2004), que ocupa 50% de área da bacia. As superfícies de aplainamento da Depressão do Araguaia são limitadas pelos planaltos sedimentares dos dobramentos Neoproterozóicos do médio Araguaia a leste, e a oeste pela Planície do Bananal. Essa unidade de relevo aplainado equivale a 1/3 da área da bacia, estabelecendo no médio curso do rio Lago Verde. Os Planaltos da bacia hidrográfica estão entre as cotas de 250 a 280 m, com declividade média de 20 a 25 % do terreno, que equivale a 19% da área da bacia. Para mapear os modelados do relevo, foram utilizados os produtos de Altimetria, Curvatura Horizontal e Curvatura Vertical (VALERIANO, 2008). Foi produzida uma carta geomorfológica contendo 3 modelados do relevo que foram identificados no mapeamento, contendo as formas geomorfológicas dos modelados de Acumulação, Aplainamento e Superfícies Dissecação. As formas de Acumulação foram as de Planície fluvial (Apf), Planos de Inundação (Ai), Áreas Fúlviolacustre (Apfl). O modelado de Aplainamento apresentou a forma Pediplano Retocado desnudado (Pru). O modelado de Superfície de Dissecação apresentou a forma de Superfície tabular dissecada (Dt).

4 Os Planos de inundação (Ai) são as formas de relevo mais expressivas com 208 km² (30% da área da bacia) com uma declividade de 0 a 3% e altitude média de 180 m. Nesse modelado ao detrimento da morfogênese sendo áreas de baixa energia e o estabelecimento da pedogênese, porém com solos influenciados pelo horizonte laterítico. A forma de relevo de Planície fluvial (Apf) mapeada ocupa 7% de área. O modelado é resultante da ação periódica dos processos de transporte e acumulação dos sedimentos advindos da montante da bacia de drenagem. Esses processos geomorfológicos são influenciados pelos períodos de chuva e estiagem bem definidos. A área mapeada Fluviolacustre (Apfl) é originada da combinação dos processos morfogenéticos fluvial e lacustre em porções restritas na bacia, onde a forma do relevo está sujeita a inundações periódicas, com a formação de lagos permanentes e intermitentes, que são paralelos aos canais fluviais. O modelado ocupa 3% de área da bacia. O modelado de Aplainamento mapeado na área da bacia é a superfície de relevo Pediplano Retocado desnudado (Pru) que foi elaborada por processos erosivos de pediplanação pleistocênica, que ocorreram em intercalações de períodos úmidos com períodos secos (BIGARELLA, 2003), apresentando morfogênese úmida na fase atual (RADAMBRASIL, 1981). O modelado ocupa 1/3 da área total da bacia (208 km²), se concentrando em grande parte no médio curso, tendo as áreas mais elevadas recobertas por cangas lateríticas. É a área mais estável da bacia com relevos planos e suaves com declividade média de 3 a 12%, apresentando concavidades em partes da bacia. A superfície de dissecação identificada na bacia é a homogênea, com a área Superfície tabular dissecada (Dt), que foi trabalhada em um contexto regional pelas forças exógenas sem a intervenção direta de processos endógenos. Os vales fluviais nesse modelado da bacia possuem uma amplitude média de 30 m e uma distância interfluvial de m, apresentando formas de relevos em colinas, morros baixos e médios com rampas entre 240 a 280 m. A compartimentação do relevo demostra que a bacia hidrográfica do rio Lago Verde tem dificuldade na renovação de sua rede de drenagem mesmo com boa área de evolução, tendo um favorecimento a ação da variável morfológica perpendicular (infiltração) em detrimento da paralela (escoamento superficial). Desta forma os

5 processos de sedimentação superam os de erosão dos compartimentos, favorecendo a pedogênese se comparados a morfogênese do relevo. LITERATURA CITADA ABREU, A. A. Quantificação e sensoriamento remoto na investigação geográfica. Boletim Paulista de Geografia. São Paulo. N.51 p.89-93, ALVES, J. M. P.; CASTRO, P. T. A. Influência de Feições Geológicas na Morfologia da Bacia do Rio Tanque (MG) baseada no Estudo de Parâmetros Morfométricos e Análise de Padrões de Lineamento. Revista Brasileira de Geociências, v.33, n.2. p BIGARELLA, João José. Estrutura e origem das paisagens tropicais e subtropicais. Contribuição de Erveton Passos. [Et. all.]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, V CASSETI, Valter. O relevo no Contexto ideológico da Natureza: Uma Nota. Boletim Goiano de geografia. Jan/dez CHRISTOFOLETTI, Antônio. Geomorfologia. 2ª edição. São Paulo: Edgar Blücher Ltda CPRM, Serviço Geológico do Brasil. Carta geológica do Brasil ao milionésimo. Folha SC 22, Tocantins FLORENZANO, Tereza Gallotti. Cartografia. In: FLORENZANO, Tereza Gallotti. (org.) Geomorfologia: conceitos e tecnologias atuais. São Paulo: Oficina de Textos, IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Manual técnico de Geomorfologia / IBGE, Coordenação de Recursos naturais e Estudos Ambientais. 2. ed. - Rio de Janeiro : IBGE, GORAYEB, Paulo Sérgio de Sousa. Geologia do Estado do Tocantins: Aspectos Gerais e Conhecimento Atual. In: MORAIS, Fernando de (organizador). Contribuições a Geografia Física do Estado do Tocantins. Goiânia: Kelps, VALERIANO, Márcio de Morisson. TOPODATA: Guia para Utilização de Dados Geomorfométricos Locais Acesso em: 17 de outubro de Disponível em: < AGRADECIMENTOS "O presente trabalho foi realizado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq Brasil"

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