A S S I S T Ê N C I A A D M I N I S T R A T I V A M Ú T U A I N T E R N A C I O N A L E M M A T É R I A F I S C A L

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1 i N. 3 8 / 1 4 A S S I S T Ê N C I A A D M I N I S T R A T I V A M Ú T U A I N T E R N A C I O N A L E M M A T É R I A F I S C A L INTRODUÇÃO TAX & BUSINESS This Tax Information is intended for general distribution to clients and colleagues and the information contained herein is provided as a general and abstract overview. It should not be used as a basis on which to make decisions and professional legal advice should be sought for specific cases. The contents of this Tax Information may not be reproduced, in whole or in part, without the express consent of the author. If you should require further information on this topic, please contact. *** This Tax Information is sent in compliance with articles 22 and 23 of Decree-Law no 7/2004, of 7 January, regarding unsolicited s. If you wish to be removed from our mailing list and avoid similar future communications, please send an with "Remove" to the address Com as medidas adoptadas na Convenção relativa à Assistência Administrativa Mútua em Matéria Fiscal (de ora em diante denominada unicamente como Convenção ), aprovada no passado dia 8 de Julho, por meio da Resolução da Assembleia da República n.º 80/2014, publicada em Diário da República, no dia 16 de Setembro de 2014, pretende-se definir as formas possíveis de cooperação administrativa, unicamente em matéria fiscal, entre os países signatários e promover o combate à evasão e fraude fiscais, que, com a facilitação recente da mobilidade internacional de pessoas, bens, capitais e serviços, tem vindo a aumentar. Assim, as autoridades fiscais dos países que adoptem a Convenção assumem o compromisso de coordenar esforços no sentido de combater a evasão e fraude fiscais, adoptando medidas de assistência administrativa entre elas, relativamente a todo o tipo de impostos. Nesse sentido, foi necessário definir as regras a adoptar no processo de assistência administrativa a desenvolver pelos Estados signatários da Convenção, do qual resultou a presente Convenção de que fazem parte vários países membros quer do Conselho da Europa, quer da OCDE. 01 Best Lawyers - "Tax Lawyer of the Year" 2014 Legal 500 Band 1 Tax Portuguese Law Firm 2013 International Tax Review "Best European Newcomer" (shortlisted) 2013 Chambers & Partners Band 1 RFF Leading Individual 2013 Who s Who Legal RFF Corporate Tax Adviser of the Year 2013 IBFD Tax Correspondents Portugal, Angola and Mozambique

2 FORMAS DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA A assistência administrativa em matéria fiscal a prestar entre as Partes na Convenção pode ser realizada através dos seguintes mecanismos: troca de informação, assistência na cobrança e notificação de documentos. O objectivo a atingir é o de abranger todos os tipos relevantes de medidas susceptíveis de serem tomadas pelas autoridades administrativas de um país a fim de colaborar com as autoridades administrativas de outro país. Todas as medidas aí previstas podem ser aplicadas em qualquer fase do procedimento tributário, desde a determinação do imposto à sua cobrança. A TROCA DE INFORMAÇÃO As Partes, se assim entenderem mais adequado, poderão trocar informações que sejam previsivelmente relevantes e necessárias para o desenvolvimento da actividade realizada pelas autoridades competentes. Esta é a forma mais comum de assistência administrativa entre autoridades tributárias. A alusão a informações previsivelmente relevantes pretende evitar que as autoridades tributárias façam um pedido genérico e indiscriminado de informações, ou seja, pretende-se que definam o mais concretamente possível quais as informações que procuram. Este mecanismo pode ser utilizado de uma das seguintes formas: i. Troca a pedido de um país (chamado de país requerente) a outro país (chamado de país requerido); ii. Troca automática, com envio sistemático de informações relativas a certos elementos do rendimento de certos contribuintes, mediante acordo prévio entre os países requerente e requerido; iii. Troca espontânea, ou seja, sem pedido prévio, um país providencia uma certa informação a outro; iv. Verificação fiscal simultânea, isto é, dois ou mais países comunicam informações obtidas com o controlo efectuado em simultâneo pelos países em causa, mediante acordo, sobre a situação fiscal de certos contribuintes. v. Verificação fiscal no estrangeiro, isto é, a obtenção de informações mediante a presença de representantes da autoridade tributário de um país durante a verificação fiscal em curso no país requerido. A troca de informações a pedido visa, essencialmente, que o país que as requer obtenha informações adicionais, a fim de verificar que as informações prestadas pelo contribuinte na sua declaração de imposto, relativamente a rendimentos obtidos no país requerido, estão correctas. Com a troca automática de informações pretende-se que o país que as requer obtenha 02

3 informações específicas sobre pagamentos e impostos retidos na fonte provenientes do país que as fornece. Já na troca espontânea de informações, as informações prestadas não carecem de qualquer pedido prévio. O mais comum será um funcionário da autoridade fiscal de um país, no decurso de uma inspecção, transmitir informações que possam ser úteis a outro país. A ASSISTÊNCIA NA COBRANÇA Verifica-se que um dos desafios inerantes à globalização é a determinação concreta, quer da localização do contribuinte, quer da localização dos seus bens, que possam responder pelas suas dívidas fiscais, bem como, as dificuldades com que as autoridades fiscais se podem deparar perante a necessidade de actuar fora das suas fronteiras, para cobrança de dívidas fiscais. As verificações fiscais simultâneas visam a colaboração coordenada de dois ou mais países, no controlo da situação fiscal de uma ou mais pessoas, nas quais os países envolvidos na operação tenham interesse comum na verificação da regularidade de situação fiscal. Por fim, as verificações fiscais no estrangeiro visam colmatar as demoras que se verificam na assistência mútua realizada por escrito. Assim, quando se mostre necessária a presença física de representantes das autoridades fiscais de um país no decurso de verificações fiscais a ser realizadas noutro país, estas podem ser feitas, mediante a aprovação do país onde se realizará a operação em causa. Este mecanismo acarreta constrangimentos que se prendem com violação da soberania do país onde se realiza a operação ou a conformidade com a sua legislação. Assim, consagrou-se na Convenção a possibilidade de, após pedido dirigido pelo país requerente ao país requerido, este poder adoptar as medidas que estiverem ao seu alcance para cobrança de dívidas tributárias. Apenas as dívidas que sejam objecto de um título executivo no país requerente e que não tenham sido impugnadas podem ser alvo de assistência por um país estrangeiro. Contudo, se o devedor não for residente no país que formula o pedido, este apenas pode requerer a assistência caso a dívida já não seja passível de impugnação. A Convenção também previu a possibilidade de serem adoptadas providências cautelares pelo país que presta assistência para cobrança de um montante de imposto devido. Esta medida visa acautelar a demora que se pode verificar na cobrança de créditos fiscais, que pode ter tendência a agravar-se por se estar perante uma situação transnacional. 03

4 Note-se que estas medidas cautelares podem ser aplicadas independentemente de o país requerente ainda não esteja em situação de requerer a assistência na cobrança e mesmo que a dívida tenha sido ou venha a ser alvo de impugnação ou oposição. Quanto ao pagamento pelo devedor, a Convenção atribui ao país requerido que autorize o pagamento diferido ou em prestações, conforme as regras previstas na sua legislação e mediante informação ao país requerente. A NOTIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS Para além das duas formas de assistência administrativa acima referidas, existe ainda a possibilidade de um certo país fazer a notificação de documentos ao contribuinte, através do envio desses documentos à entidade administrativa do país onde se encontre esse contribuinte. O objectivo primordial desta forma de assistência é aplicar-se na fase da liquidação do imposto, no qual se pretende assegurar que o contribuinte recebe todos os documentos, avisos e notificações necessários para o conhecimento do imposto a liquidar e, posteriormente, a pagar, evitando medidas executórias. A notificação de documentos feita, no âmbito desta Convenção, pelo país requerido deve ser feita como se se tratasse dos seus próprios documentos, ou seja, de acordo com o procedimento previsto na sua própria legislação. Pode, contudo, o país que requer a notificação manifestar a sua preferência por um método de notificação diferente daquele que é normalmente utilizado pelo país requerido, devendo o país requerido proceder à notificação pelo meio solicitado, se ele for compatível com as suas regras internas ou, caso não o seja, por um meio semelhante. OS IMPOSTOS ABRANGIDOS Um dos objectivos da Convenção é ser abrangente, quanto aos impostos a que se aplica. Assim, pretende-se abranger todas as formas de contribuições obrigatórias das administrações públicas, ou seja, impostos nacionais, locais e de segurança social. Excluise, contudo, os direitos aduaneiros, de importação, de exportação e certas taxas. Porém, Portugal decidiu limitar os impostos portugueses a que se aplica esta Convenção. Ficaram, assim, abrangidos, o Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS), o Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC), a derrama estadual, a derrama municipal, o Imposto do Selo (apenas no caso de transmissões gratuitas de bens), o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), o Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), os Impostos Especiais sobre o Consumo (IEC), o Imposto Único de Circulação (IUC) e o Imposto sobre Veículos (IV). 04

5 Por outro lado, ficou expressamente referido que Portugal não prestará qualquer forma de assistência às contribuições obrigatórias para a segurança social, o que abrange, inclusive, a execução de créditos e a notificação de documentos. A INFORMAÇÃO A SOLICITAR Pretende-se que o país que requer informações o faça de forma mais detalhada possível, de modo não só a restringir a informação oferecida ao necessário, mas também tornando-a mais útil e concisa. Assim, o pedido de assistência deve conter a indicação do serviço que requer a informação, dada complexidade de alguns sistemas fiscais, bem como, os dados, nomeadamente, nome e morada ou quaisquer outros elementos úteis, da pessoa relativamente à qual se pede assistência administrativa. também ser especificados os elementos do crédito, nomeadamente, a existência de juros de mora, juros compensatórios, coimas e eventuais despesas a reembolsar. Esta informação é igualmente útil ao contribuinte visado pela assistência. Bem assim, deve o país requerente especificar os bens conhecidos sobre os quais a cobrança da dívida poderá ser efectuada. Caso o país requerente faça um pedido de notificação de documentos, deve especificar a natureza e o objecto do documento a notificar ao contribuinte. Outra regra importante é a de o país requerente indicar, no pedido de assistência, se o mesmo é compatível com o seu direito interno e se esgotou todos os meios disponíveis no seu próprio território para a obtenção da informação ou cobrança das dívidas. O pedido de assistência também deve especificar qual a forma pela qual o país requerente pretende que a informação seja prestada, de acordo com as suas necessidades. No caso de ser feito um pedido de assistência à cobrança ou um pedido de medidas cautelares, é obrigatório que se precise a natureza do imposto e o montante do crédito. Esta informação é muito importante, pois desta forma o país requerido pode definir as regras e práticas concretamente aplicáveis. Para além da natureza e montante, devem OS LIMITES À ASSISTÊNCIA A assistência administrativa mútua em matéria fiscal não pode, em caso algum, ultrapassar certos limites, nomeadamente, não pode violar os direitos fundamentais dos contribuintes, princípio presente em praticamente todos os países signatários da Convenção. Assim, foi necessário criar um equilíbrio entre a necessidade de assegurar a efectiva assistência mútua em matéria fiscal e as garantias dos contribuintes. Nesse sentido, a 05

6 Convenção oferece um rol de proibições de actuação impostas aos países que a ela aderiram. Estes limites estão ligados à proibição de adoptar medidas de prestação de assistência que não possam ser adoptadas à luz da legislação ou prática administrativa, tanto do país requerente como do país requerido, ou que viole a ordem pública. Assim, o país requerido apenas é obrigado a executar as medidas comuns a ambos os países, ou seja, aquelas que ambas as legislações internas permitem. Previne-se, ainda, que não se possa prestar informações relacionadas com o segredo comercial, empresarial, industrial ou profissional. A intenção de proteger a confidencialidade nestas situações prende-se com o facto de algumas situações se revestirem de uma considerável importância económica, susceptíveis de serem exploradas na prática e cuja utilização não autorizada pode causar graves prejuízos. Por outro lado, se o país requerido verificar que o país requerente pretende a assistência administrativa para fins de tributação contrários aos princípios tributários geralmente aceites, pode recusar a prestação da assistência. Pretende-se, também, que a aplicação da Convenção não leve a uma discriminação entre os nacionais do país requerido e os nacionais do país requerente que se encontrem em situação idêntica. Se o país requerente não utilizou adequadamente todos os meios ao seu dispor no seu próprio território para a efectivação correcta da tributação, tendo recorrido à assistência mútua, o país requerido pode recusar a assistência. Honrando um princípio de proporcionalidade, o país requerido pode recusar a assistência quando verificar que as medidas concretas a adoptar são desproporcionais face ao objectivo pretendido pelo estado requerente. Por exemplo, no caso de os custos que implicariam a cobrança de um crédito fiscal do país requerente excedesse o montante da dívida em cobrança coerciva. Cumpre, ainda, referir que as partes signatárias concordam em manter as informações, obtidas em virtude da cooperação, confidenciais. Desta forma, pretende assegurar-se o cumprimento do direito à privacidade dos contribuintes. Desta forma, restringiu-se a comunicação de informações ou documentos apenas às pessoas ou autoridades encarregues pela liquidação ou cobrança de impostos das partes envolvidas na cooperação, pelos procedimentos ou processos declarativos e executivos. 06

7 ENTRADA EM VIGOR Tal como é comum em Convenções Internacionais, também esta Convenção entra em vigor, nos países que a ela adiram, no primeiro dia do mês seguinte ao termo de um período de três meses após a data do depósito do instrumento de ratificação, aceitação ou aprovação. Contudo, as disposições previstas nesta Convenção apenas poderão produzir efeitos no início dos exercícios fiscais respectivos das partes signatárias, após a aprovação da Convenção. Face a estas duas regras, não tendo ainda sido depositado o instrumento de aprovação da Convenção por Portugal, prevê-se que esta Convenção apenas comece a produzir efeitos em 1 de Janeiro de Lisboa, 19 de Novembro de Rogério M. Fernandes Ferreira Francisco de Carvalho Furtado Francisca de Landerset Gomes 07

U M O L H A R S O B R E... A R E A L I D A D E S O C I E T Á R I A P O R T U G U E S A

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