BALNEABILIDADE DAS PRAIAS DO LITORAL DE FORTALEZA, NORDESTE BRASILEIRO

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1 BALNEABILIDADE DAS PRAIAS DO LITORAL DE FORTALEZA, NORDESTE BRASILEIRO Magda Maria Marinho Almeida - Química Industrial- UFC/CE- Mestre em Tecnologia de Alimentos- UFC/CE. Divisão de Análises e Pesquisa da Superintendência Estadual do Meio Ambiente-SEMACE. Fernando José Araujo da Silva - Engenheiro Civil - UNIFOR. Mestre em Engenharia Civil, área de Engenharia Sanitária e Ambiental-UFPB. Bolsista do CNPq Rosa de Lisieux Urano de Carvalho Ferreira - Bióloga-UFC/CE.Especialização em Saúde, Trabalho e Meio Ambiente. Endereço: Rua Jaime Benévolo, B. de Fátima. Fortaleza - CE. CEP Fone: FAX: PALAVRA CHAVE: balneabilidade, praias, qualidade de água, Ceará, Brasil

2 INTRODUÇÃO A monitorização das praias de Fortaleza (3 43 Sul; Oeste) é realizada desde 1978, inicialmente em 31 pontos de coleta, distribuídos ao longo do litoral, numa extensão de 25km, entre os rios Cocó e Ceará. A cidade conta com uma população em torno de 2 milhões de habitantes. O crescente processo de urbanização da cidade, gerou grande deficiência de infra-estrutura de saneamento básico, apresentando uma cobertura de apenas 17% de esgotos coletados, promovendo deterioração da qualidade da água das praias. Com o objetivo de ampliar o atendimento à população, bem como melhorar o padrão sanitário e a qualidade do meio ambiente, foi concebido o Programa de Infra - Estrutura Básica de Saneamento para Fortaleza, que inclui obras de drenagem urbana, esgotamento sanitário e limpeza pública, em execução desde O Sub - Programa de Esgotamento Sanitário, compreende a execução de km de redes coletoras, coletores troncos, emissários e interceptores, 16 estações elevatórias, 01 estação de pré - tratamento e ligações prediais de esgotos, elevando para 57% o atendimento, beneficiando uma população de habitantes. A área em estudo foi dividida em três setores, SETOR LESTE, compreendido entre o rio Cocó e a Praia do Farol, SETOR CENTRO, compreendido entre a Praia do Iate e a Ponte Metálica e o SETOR OESTE, compreendido entre a Praia da Leste Oeste e o rio Ceará. A avaliação dos dados obtidos durante 19 anos, possibilitou a diminuição da freqüência das coletas e a redução no número de pontos de amostragem para 22, sendo os pontos removidos localizados no SETOR LESTE, uma vez que os resultados não mostraram qualquer alteração que indicasse deterioração na qualidade da água. O programa de balneabilidade das praias está estruturado para atender os padrões da Resolução n o. 20 do CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente, que define critérios para a classificação das águas destinadas à recreação de contato primário. Um boletim contendo a classificação das praias nas categorias PRÓPRIAS E IMPRÓPRIAS é emitido semanalmente para divulgação pela imprensa. Este trabalho apresenta uma avaliação dos dados obtidos no período de 1978 a 1997, incluindo a representação gráfica com a mediana dos pontos ao longo dos anos. METODOLOGIA A coleta de amostras foi realizada semanalmente nas segundas - feiras, após o fluxo de banhista durante o final de semana. As amostras coletadas em frascos de vidro esterilizados, foram analisadas para a determinação de coliformes fecais de acordo com APHA (1992), pela técnica dos tubos múltiplos, conforme recomendações do CONAMA (1986) e CETESB (1988). A seleção dos pontos considerou a proximidade de rios, riachos, galerias pluviais e freqüência de banhistas. A Figura 1 ilustra as áreas consideradas. A avaliação do grau de poluição das águas é feita pela determinação quantitativa da presença de coliformes, considerando os limites máximos estabelecidos pela Resolução n o. 20 do CONAMA para as categorias PRÓPRIA (NMP de coliformes fecais, máximo de 1000/ 100 ml em 80% das amostras, durante cinco semanas consecutivas) e IMPRÓPRIAS (acima de 1000).

3 OCEANO ATLÂNTICO Figura 1 - Setorização da costa de Fortaleza com 25 Km de extensão. RESULTADOS E DISCUSSÃO As Tabelas 1 e 2 apresentam os resultados do programa de monitorização ao longo de 20 anos. Tabela 1 - Resultado das medianas de CF no primeiro decênio ( ) Praia/Ano Setor Leste Caça e Pesca Barraca do Hawai Praça 31 de março Hotel Praia Sol Clube de Engenharia Praia do Futuro Farol Setor Centro Iate Estátua de Iracema Volta da Jurema Imperial Othon Palace Praia dos Diários Ideal Clube Vista Del Mare Setor Oeste Leste Oeste Kartódromo Secai Início da Av. Pasteur Praia do Arpoador Praia da Colônia Praia das Goiabeiras Barra do Ceará

4 Tabela 2 - Resultado das medianas de CF no segundo decênio ( ) Praia/Ano Setor Leste Caça e Pesca Barraca do Hawai Praça 31 de março Hotel Praia Sol Clube de Engenharia Praia do Futuro Farol Setor Centro Iate Estátua de Iracema Volta da Jurema Imperial Othon Palace Praia dos Diários Ideal Clube Vista Del Mare Setor Oeste Leste Oeste Kartódromo Secai Início da Av. Pasteur Praia do Arpoador Praia da Colônia Praia das Goiabeiras Barra do Ceará De uma maneira geral, as praias que apresentaram qualidade comprometida estão localizadas nas áreas de maior densidade populacional (SETOR CENTRO), e/ou naquelas de renda mais baixa (SETOR OESTE). SETOR LESTE - Durante o primeiro decênio ( ), quase todas as praias do setor leste apresentaram excelente qualidade (CF 250/100mL), sendo próprias ao banho, de acordo com a Resolução CONAMA n o. 20/86. No entanto, as praias do Farol, Praia do Futuro e Caça e Pesca tiveram resultados de medianas um pouco maiores ( 430 CF/100mL), nos anos de 1985 e 1986, correspondentes a estes pontos de coleta. Mesmo assim, atenderam ao padrão máximo recomendado para banho (1000 CF/100 ml). No segundo decênio ( ), excetuando-se a praia do Farol, as praias deste setor foram próprias à balneabilidade. Durante este período, mais de 50% das amostras coletadas na praia do Farol apresentaram valores de CF superiores aos padrões estabelecidos. O aumento da contaminação fecal na área do Farol pode ser atribuído ao processo de favelização. Segundo dados do IBGE (1981) e IPLANCE (1997) a população favelada quase triplicou num período de dez anos (6.865 para habitantes). As praias do Setor Leste que apresentaram as maiores variações ao longo do período estudado estão representadas na Figura 2.

5 CF/ 100 ml Praia do Futuro Farol Ano Figura 2 - Evolução das medianas de CF durante 20 anos nas praias do Farol e do Futuro SETOR CENTRO - As praias do Setor Centro, assim como as do Setor Oeste, são caracterizadas por grande ocupação urbana. Neste setor está localizada a maior parte dos serviços de hotelaria e turismo da cidade. Durante o primeiro decênio, praticamente todas as praias foram próprias ao banho, mas com resultados maiores que os verificados nas praias do Setor Leste. Foram observados ainda, valores de medianas superiores ao recomendável para o banho nas praias da Estátua de Iracema, do Imperial Othon Palace e do Ideal nos anos de 1985 a 1987, porém com resultados iguais ou inferiores a 2300 CF/100 ml. Neste setor, apesar de existir estrutura de saneamento, algumas edificações despejam clandestinamente esgoto bruto nas galerias de drenagem pluvial. Outro fato a considerar é a proximidade de riachos poluídos, que desaguando nas praias contribuem significativamente para a contaminação fecal. Durante o segundo decênio houve aumento na presença de CF nas praias da Estátua de Iracema, Ideal e Imperial Othon Palace. Nesta última, a partir de 1991, houve melhoria em razão de remoção de algumas ligações clandestinas da rede de drenagem. As praias do Setor Centro que apresentaram as maiores variações ao longo do período estudado estão representadas na Figura CF/100 ml Praia dos Diários Ideal Clube Ano Figura 3 - Evolução das medianas de CF durante 20 anos nas praias dos Diários e Ideal

6 SETOR OESTE - as praias deste setor são as mais poluídas devido à alta densidade ocupacional, inexistência de rede de esgotos até 1996, riachos poluídos e presença de lixo nas galerias pluviais ou mesmo em vias públicas próximas ao mar. As praias das Goiabeiras e Leste Oeste foram as de melhor qualidade e as demais mostraram-se impróprias ao banho. Um retrato claro da influência da ocupação urbana é evidenciado por um crescimento considerável da contaminação fecal em quase todas as praias, durante o segundo decênio. Atualmente, com o sistema de esgotamento sanitário em implantação, espera-se que a qualidade das praias melhorem. No entanto, algumas dificuldades são observadas tais como: muitos domicílios ainda não se interligaram à rede, devido ao baixo poder aquisitivo dos proprietários, necessidade de educação sanitária e ambiental da comunidade, visando orientar quanto ao uso da infra - estrutura instalada e a preservação dos recursos hídricos existentes na área. As praias do Setor Oeste que apresentaram as maiores variações ao longo do período estudado estão representadas na Figura 4. CF/ 100 ml Praia das Goiabeiras Barra do Ceará Ano Figura 4 - Evolução das medianas de CF durante 20 anos nas praias Goiabeiras e Barra do Ceará. CONCLUSÕES As praias do Setor Leste continuam próprias, havendo porém, uma tendência de queda na qualidade da água, em virtude do aumento populacional e a instalação desordenada de barracas de praias. Urge portanto, a necessidade de um plano de ocupação do solo nas áreas de marinha. No entanto, a execução do sistema de esgotamento sanitário nesta área, poderá manter a qualidade da água das praias atendendo aos padrões de balneabilidade. O Setor Centro manteve o mesmo perfil durante os dois decênios, no entanto com expectativa de melhora, já que não é esperado crescimento populacional considerável e implantação de melhor suporte de lixo e esgoto. As praias do Setor Oeste não apresentaram qualquer melhoria. Na verdade, ocorreu aumento na contaminação fecal. Este setor concentra populações de baixa renda, estando praticamente excluída da zona turisticamente atrativa. Também, está sendo implantado neste setor, um sistema de esgotamento sanitário, sendo ainda cedo para se obter avaliação precisa dos impactos positivos do Programa em conseqüência dos problemas citados anteriormente. AGRADECIMENTO Os autores agradecem o suporte financeiro das seguintes instituições: Superintendência Estadual do Meio Ambiente - SEMACE, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq, Universidade de Fortaleza - UNIFOR.

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APHA (1992). Standard Method for the Examination of Water and Wastewater. 18 edition. American Public Health Association. Washington, DC. CETESB (1988). Relatório de balneabilidade das praias paulistas. Série Relatórios. Secretaria do Meio Ambiente. Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental. São Paulo. Conselho Nacional do Meio Ambiente (1988). Resoluções CONAMA. Secretaria Especial de Meio Ambiente. Brasília. IBGE (1981). Sinopse Preliminar do Censo Demográfico. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Rio de Janeiro. IPLANCE (1987). Anuário Estatístico do Ceará. Fundação Instituto de Planejamento do Ceará. Fortaleza.

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