Tensões, perspectivas e desafios do ensino médio no brasil: entre a obrigatoriedade e a evasão escolar.

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1 Tensões, perspectivas e desafios do ensino médio no brasil: entre a obrigatoriedade e a evasão escolar. Andréia Melanda Chirinéa Universidade Sagrado Coração Mayara Cristina Veronez da Silva Universidade Sagrado Coração Lívia Maria dos Santos Universidade Sagrado Coração Comunicação Oral Pesquisa em andamento. Eixo 2- Formação de professores, políticas educacionais e práticas educativas Introdução: O objetivo deste trabalho é discutir as principais causas da evasão escolar no ensino médio brasileiro, procurando entender o princípio da obrigatoriedade escolar frente ao desafio da implementação da lei /13, que alterou a LDB 9.394/96 e que institui obrigatoriedade dos quatro aos dezessete anos, ou seja, da pré-escola até o final do ensino médio. A pesquisa realizada tem cunho bibliográfico e tomou como base os dados apresentados pelo Anuário Brasileiro de Educação de 2014, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Além dessas fontes foram utilizados artigos, livros e capítulos de livros que tratam do tema estudado.

2 O trabalho é relevante, uma vez que contribui para o debate sobre a obrigatoriedade escolar no ensino médio, discute as principais causas da evasão dos alunos matriculados nesta etapa de ensino e as tensões geradas pelo sentido de obrigatoriedade da lei 9.394/96. Embora este trabalho não traga dados empíricos coletados, a autora Maria Marly de Oliveira (2007), lembra que a pesquisa bibliográfica se constitui no estudo e na análise de documentos de domínio científico tais como livros, periódicos, enciclopédias, ensaios críticos, dicionários e artigos científicos, sendo a principal finalidade, proporcionar aos pesquisadores o contato direto com obras, artigos ou documentos que tratem do tema em estudo. Nesta pesquisa, os dados coletados demonstram as causas e os principais embates sociais e políticas que provocam o abandono e a evasão dos alunos no ensino médio brasileiro. A concepção que se tem atualmente sobre a educação incorpora ideais democráticos e obrigatoriedade ao cenário educacional brasileiro. A Constituição expressa: Art A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988). Como se observa, a educação é vista como processo formador que conclama a participação coletiva e colaborativa para que esta se desenvolva de maneira mais completa possível, visando os fins educacionais últimos, que dela se esperam. Assim, partilha responsabilidades entre Estado e família, contando com apoio e incentivo de toda a sociedade. A promoção da educação no contexto atual requer novos posicionamentos. Não há como se pensar em qualquer esfera de promoção de seu desenvolvimento que seja hermeticamente fechada aos anseios e percepções coletivas. No Estado despótico, os indivíduos singulares só têm deveres e não direitos. No Estado absoluto, os indivíduos possuem, em relação ao soberano, direitos privados. No Estado de Direito, o indivíduo tem, em face do Estado, não só direitos privados, mas também direitos públicos. O Estado de Direito é o Estado dos cidadãos (BOBBIO, 1992, p. 61). Portanto cabe ao Estado oferecer Educação gratuita e obrigatória a toda a educação básica, de acordo com a constituição federal de 88 e a LDB 9.394/96, a começar pela pré-escola (4 e 5 anos) e terminar no último ano do ensino médio.

3 Considerado a etapa final da educação básica, e inserido como nível de ensino obrigatório através da lei de 2013, lei que altera a atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº /96, o Ensino Médio constitui hoje a última etapa da educação básica e tem por finalidade, segundo o Art. 22 da LDB 9.394/96: desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores São muitos os motivos que conduzem o estudante a abandonar seus estudos. Dentre eles, destacam-se os fatores internos, associados ao desenvolvimento psíquico do aluno, bem como os fatores externos de natureza socioeconômica como demonstra o gráfico abaixo. Jovens se veem obrigados a optar por trabalhar ao invés de estudar, devido à necessidade de contribuição para o sustento familiar. A tabela abaixo mostra o total de abandono no Ensino Médio no período compreendido entre 2007 e Período Total de Abandono no Ensino Médio ,2 %

4 ,8 % ,5 % ,3 % Fonte: IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Séries Históricas e Estatísticas. O total de abandono pode ser explicado, questões relacionadas a aspectos socioeconômicos, relação do aluno com o ambiente escolar, com os professores, causas relativas às práticas pedagógicas e institucionais, como o currículo e a própria gestão da escola. Além dos aspectos socioeconômicos, o desinteresse dos jovens pelo ensino médio também se materializa nos problemas disciplinares e na violência nas relações escolares. Tais fatores aliam-se ainda: às condições precárias de oferta do ensino, contribuindo para o acirramento dos problemas enfrentados: escolas mal equipadas, professores despreparados, mal remunerados e, muitas vezes, cansados, sem tempo e espaço para desenvolverem uma educação mais apropriada ao público demandante (OLIVEIRA, 2010, p.275) Segundo Oliveira (2010) o acesso ao ensino médio é profundamente desigual entre as camadas da população: apenas 24,9% de jovens de 15 a 17 anos dos 20% mais pobres da população estudam no ensino médio, enquanto para os correspondentes 20% mais ricos o percentual se eleva para 76,3%. O fracasso escolar, para Snyders (2005), é o fracasso escolar da política vigente. Apesar dessa política vigente, o campo educacional tem muito ainda que fazer pela educação. Transformações que saiam do papel e se harmonizem com a realidade. Corrobora com esta perspectiva os dizeres de Krawczyk (2009, p.9): a evasão, que se mantém nos últimos anos, após uma política de aumento significativo da matrícula no ensino médio, nos revela uma crise de legitimidade da escola que resulta não apenas da crise econômica ou do declínio da utilidade social dos diplomas, mas também da falta de outras motivações para os alunos continuarem seus estudos. Segundo o INEP, em 2012 a oferta no ensino médio totalizou matrículas, 0,3% menor que em Assim como em anos anteriores, a rede estadual continua a ser a maior responsável pela oferta de ensino médio, com 85% das matrículas. A rede privada atende 12,7% e as redes federal e municipal atendem juntas pouco mais que 2%. Dados revelam que, em 2007, o número de

5 matriculados no ensino médio era de alunos, e a que a população entre 15 e 17 anos era de jovens, já em 2011 esse de alunos era de , e a população era de jovens. Esses dados revelam que apesar da expansão dessa etapa de ensino, o número de matriculados é baixo, que a procura ainda é pequena. Considerações finais. A construção de uma sociedade mais justa, igualitária em que as relações que nelas se estabeleçam sejam realmente humanas, perpassa pela consolidação dos princípios de uma sociedade de direitos. Os textos legais oferecem direitos e deveres em relação à educação; esta expressão possibilita à sociedade civil requerer sua efetivação em todos os aspectos que isto implica, principalmente, quanto aos parâmetros de qualidade. Portanto, não basta consolidar legalmente a obrigatoriedade escolar, é preciso dar condições efetivas de permanência do aluno no ensino médio. Isso pode ser feito por meio de políticas públicas específicas para o atendimento, a valorização e para o currículo do ensino médio. E ainda pelo comprometimento não só da universalização mas da qualidade da educação básica brasileira. Palavras-chave: Políticas Públicas; Evasão Escolar; Ensino Médio. REFERÊNCIAS BOBBIO, N. A Era dos Direitos. Rio de Janeiro: Campus, BRASIL. Presidência da República. Lei nº de 20 de dezembro de Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, Disponível em < Acesso em: 21 out INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE) Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Disponível em:< Acesso em: 21 out KRAWCZYK N. O ensino Médio no Brasil. São Paulo: Ação Educativa, 2009.

6 OLIVEIRA, D, A. O ensino médio diante da obrigatoriedade ampliada: que lições podemos tirar de experiências observadas? Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, v. 91, nº 228, OLIVEIRA, M. M. Como fazer pesquisa qualitativa. Petrópolis: Vozes, SNYDERS, Georges. Escola, classe e luta de classes. São Paulo: Centauro, 2005.

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