A PROPOSTA NACIONAL DO PMDB: UM CAMINHO PARA O BRASIL

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1 A PROPOSTA NACIONAL DO PMDB: UM CAMINHO PARA O BRASIL 1

2 UM CAMINHO PARA O BRASIL: MEDIDAS EXEMPLARES 4 INTRODUÇÃO 5 Oportunidade para aprender: educação 6 Oportunidade para produzir: agricultura 8 Oportunidade para produzir: indústria 8 O Brasil na vanguarda tecnológica: os setores estratégicos 9 Oportunidade para trabalhar: relações entre o capital e o trabalho 9 A base humana do crescimento includente: resguardo contra a miséria 10 A base humana do crescimento includente: saúde 11 A base humana do crescimento includente: segurança 11 Política econômica que abra espaço para a democratização de oportunidades 12 A organização do país para o crescimento includente: reforma tributária 13 A organização do país para o crescimento includente: reforma previdenciária 13 Evitar que as falhas da infraestrutura estrangulem nosso desenvolvimento: energia limpa e transporte multimodal 14 A construção do Brasil e as políticas regionais 14 A reconstrução do Estado: o verdadeiro choque de gestão 16 O escudo da defesa nacional 17 O conserto da política: tirar a política da sombra corruptora do dinheiro 17 UM CAMINHO PARA O BRASIL: PROPOSTA SISTEMÁTICA 18 INTRODUÇÃO 19 O PMDB e o Brasil 19 O eixo da proposta: novo modelo de desenvolvimento, baseado em democratização de oportunidades e de capacitações 19 Os progressos do governo Lula e o próximo passo 20 Base social para o avanço 21 Natureza e âmbito desta proposta 21 NOVO MODELO DE DESENVOLVIMENTO: A DEMOCRATIZAÇÃO DAS OPORTUNIDADES ECONÔMICAS 23 O Brasil na economia mundial: escalada de produtividade 23 2

3 O financiamento interno de nosso desenvolvimento 23 A política macroeconômica 25 A reforma tributária: eficiência e justiça sem ilusões 26 O nó da infra-estrutura: energia limpa e transporte multimodal 27 Desenvolvimento sustentável e includente: o Brasil na liderança da defesa do meio-ambiente 29 O reordenamento da mineração 31 Política agrícola: a agricultura como ponta avançada do modelo de desenvolvimento 32 Política industrial: o soerguimento das pequenas e médias empresas 33 Relações entre o trabalho e o capital: a inclusão dos excluídos e a qualificação do trabalhador 34 O vanguardismo tecnológico e os setores estratégicos 36 A CAPACITAÇÃO DOS BRASILEIROS E O RESGATE SOCIAL: EDUCAÇÃO, SAÚDE, SOLIDARIEDADE, SEGURANÇA 37 O sentido prático da prioridade dada à educação 37 A saúde: a superação do apartheid na saúde como questão de consciência 39 O futuro dos programas de transferência: a superação da pobreza extrema e o caminha da capacitação 41 A política das grandes cidades: saneamento, habitação, transporte 42 A política da segurança: crime organizado e criminalidade episódica 44 Justiça para as minorias e para as mulheres 45 A RECONSTRUÇÃO DO ESTADO E DA POLÍTICA 47 A reconstrução do Estado: o verdadeiro choque de gestão 47 A institucionalização da cultura republicana: a política fora da sombra corruptora do dinheiro 50 A conscientização e a defesa dos direitos 51 O escudo da defesa nacional 51 O BRASIL NÃO RESOLVIDO: AS POLÍTICAS REGIONAIS COMO VANGUARDA DO NOVO PROJETO NACIONAL 53 O sentido nacional das políticas de superação das desigualdades regionais 53 O Nordeste 53 A Amazônia 56 O Centro-Oeste 59 CONCLUSÃO 61 3

4 HÁ MUITO BRASIL PELA FRENTE UM CAMINHO PARA O BRASIL: MEDIDAS EXEMPLARES 4

5 INTRODUÇÃO O PMDB propõe caminho para o Brasil. Este documento começa com uma parte preliminar que resume o pensamento que orienta nossa proposta e que traduz este pensamento num conjunto de medidas práticas. Estas medidas representam primeiros passos para trilhar o caminho que defendemos. O resumo é seguido por uma proposta abrangente e sistemática que aprofunda nosso pensamento e desdobra nossa proposta em cada setor das políticas públicas. O Brasil fervilha de energia humana. Dar braços, asas e olhos a esta energia é hoje a maior tarefa da nação. O povo brasileiro não quer caridade; quer oportunidade e capacitação. Nas últimas décadas o Brasil avançou em muito. Estes avanços permitiram construir um mercado de consumo em massa. Uma segunda classe média, vinda de baixo, passou a liderar a construção de uma cultura de autoajuda e de iniciativa. A maior parte do povo brasileira quer segui-la neste rumo. Para isto, precisa ter instrumentos. O foco do país precisa, agora, mudar. Não basta consumir mais; é preciso poder produzir e inovar mais e melhor e assegurar a cada cidadão os meios para ficar de pé. Aproveitar o dinamismo, muitas vezes, frustrado, dos brasileiros. Para isto, é preciso ter instrumentos. Os mais importantes são oportunidade educativa e oportunidade econômica para todo nosso povo. Para que se criem tais instrumentos, o Brasil necessita de Estado capaz, não de Estado balofo. E exige uma renovação de sua vida política que tire a política da sombra corruptora do dinheiro. Se não aumentarmos nossa capacidade de produzir e de inovar, a expansão do consumo resultará em pressão inflacionária e desequilíbrio de nossas contas externas. O crescimento econômico ficará estrangulado. Se não insistirmos na capacitação de nosso povo, ficaremos dependentes da produção e da exportação de produtos primários. Negaremos ao povo brasileiro os meios para afirmar, vigorosamente, nossa originalidade coletiva e a cada brasileiro uma chance para ascender e brilhar. 5

6 O PMDB entende que este nova estratégia nacional tem no Nordeste, na Amazônia e no Centro-Oeste juntos mais de 80% de território e quase metade da população do país terrenos privilegiados. Nesse Brasil ainda não resolvido, joga-se o futuro da nação. Propomos para cada uma destas regiões uma política que sirva como vanguarda deste projeto de país. Chegou o momento do Brasil. A única maneira de aproveitar o momento é dar condição educativa e econômica aos brasileiros comuns. E construir um Estado que ajude em vez de inibir e uma vida pública que permita arbitrar, longe dos efeitos corruptores do dinheiro na política, os conflitos de interesses e de idéias. Esta é a essência do caminho que o PMDB propõe para o Brasil. Caminho a ser iniciado por um conjunto de primeiros passos: medidas exemplares e definidoras do rumo proposto. Tais medidas prefiguram nossa proposta de construção nacional, sistematicamente desdobrada na segunda parte deste documento. Oportunidade para aprender: educação 1. Completar, dentro de quatro anos, a universalização do ensino médio no Brasil. 2. Adotar, como principal modelo de escola média, uma escola que combine ensino geral com ensino técnico. Ensino geral de sentido capacitador e analítico. Ensino técnico que priorize as capacitações práticas flexíveis e genéricas em vez de priorizar ofícios rígidos. Usar os Ifets (Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia) como exemplo dessa nova escola média. 3. Fazer, a partir da transformação do ensino médio, uma revolução na qualidade do ensino público em todos os níveis. Adotar um ensino capacitador, com foco no básico análise verbal e análise numérica. Rejeitar o decoreba (o enciclopedismo informativo superficial). 4. A serviço dessa revolução na qualidade do ensino, aproveitar o potencial das novas tecnologias de comunicação para combinar, em todo o país, o ensino presencial com o ensino ministrado à distância. 5, Organizar, por meio de colaboração entre o governo federal e os governos estaduais, carreira nacional de professor e programas de qualificação periódica do professorado. 6

7 6. Permitir que os mestres e doutores ensinem no ensino básico sem diploma de licenciatura, desde que cursem os mesmos programas de qualificação pedagógica periódica, exigidos na carreira nacional de professor de ensino básico. 7. Instituir o turno único, de tempo integral, por passos sucessivos, no prazo de oito anos. 8. Definir meios para reconciliar, em todo o país, a gestão das escolas pelos Estados e os Municípios com padrões nacionais de investimento e de qualidade. Associar o governo federal e os governos estaduais e municipais em órgãos conjuntos que assumam responsabilidade pela qualificação de redes escolares locais defeituosas que caiam repetidamente abaixo do patamar mínimo aceitável de qualidade. 9. Trabalhar com os Municípios para generalizar em todo o país, a começar pelas áreas mais pobres, a pré-escola, com atendimento médico e dentário e complementação alimentar. 10. Instituir, em nome de cada criança cuja família faça jus aos benefícios do Programa Bolsa Família, um pequeno pecúlio, que aumentará a cada ano. Será administrado pela Caixa Econômica Federal em regime semelhante ao das cadernetas de poupança e será disponibilizado para o aluno quando ele completar a escola média. 11. Instalar escolas federais de referência em todos os níveis do ensino. Identificar por provas especiais os maiores talentos dentro da massa de alunos pobres, atraí-los para essas escolas e oferecer-lhes estímulos econômicos e oportunidades acadêmicas extraordinários. 12. Consolidar a substituição do exame vestibular por uma prova final e única no ciclo secundário, tal qual o ENEM, cujos resultados serão disponibilizados a todas as universidades a que o aluno pleitear admissão. 13. Instituir progressivamente a cobrança de mensalidades nas universidades públicas federais a todos os alunos cuja renda familiar anual seja superior a 150 salários mínimos. 14. Desenvolver, por iniciativa federal, uma série de programas de recrutamento e de preparo de estudantes pobres para pleitear admissão às universidades federais, desconsiderando qualquer critério racial. 15. Propiciar estímulos e orientações diferençadas nas universidades federais, tanto no nível de graduação como nível de pó-graduação, e instituir um programa de bolsas federais, também para o nível de 7

8 graduação, distribuídas por merecimento, para facilitar o ingresso em universidades localizadas em cidades diferentes da origem do estudante. 16. Instituir uma nova Academia de Ciência, organizada em forma de uma rede de instituições temática, definida cada uma delas pela transgressão de barreiras disciplinares e metodológicas. Admitir a essa academia a elite científica nacional, escolhida por processo competitivo e liberada por um semestre em cada ano de qualquer atividade docente para poder dedicar-se, em tempo integral, à pesquisa em uma das instituições dessa rede. Oportunidade para produzir: agricultura 1. Iniciar conjunto de ações que comece a superar o contraste ideológico entre agricultura empresarial e agricultura familiar, com o objetivo de duplicar a área sob cultivo e triplicar nosso produto agrícola nos próximos 30 anos sem desmatamento. 2. Do lado físico, priorizar um grande projeto nacional de recuperação das pastagens degradadas, que hoje representam grande parte do território nacional. Mobilizar o dinheiro dos fundos constitucionais. Promover as mudanças tributárias e regulatórias que imponham maior custo à degradação e ofereçam benefícios para a recuperação. E tirar o Brasil das mãos do cartel mundial de fertilizantes, desenvolvendo à produção de fertilizantes a base de potássio e fosfato. 4. Do lado institucional, reerguer o sistema de extensionismo agrícola, por meio da cooperação federativa. E usar os bancos públicos para disponibilizar aos pequenos e médios produtores os novos produtos e serviços financeiros (opções) que resguardam a agricultura contra o risco de preço e o risco de clima. 5. Usar o poder do governo para fortalecer os produtores rurais contra os oligopólios de compradores de seus produtos e de vendedores de seus insumos, inclusive por meio de procedimentos compulsórios de arbitragem que aumentem a participação dos produtores, sobretudo pequenos e médios, nos ganhos da agricultura. Oportunidade para produzir: indústria 1. Reorientar a política industrial do Brasil para dar prioridade ao soerguimento das pequenas e médias empresas, onde se gera a maior parte do produto e onde está a vasta maioria dos empregos. Unir os 8

9 bancos públicos, o Sebrae e todos os órgãos relevantes na tarefa de lhes abrir o acesso ao crédito, à tecnologia, ao conhecimentos, às práticas avançadas de produção e aos mercados nacionais e globais. Trazer, ainda que pequena parte, parcela dessas empresas para mais perto da vanguarda produtiva seria fomentar escalada de produtividade na economia brasileira. 2. Simplificar drasticamente as regras e as exigências, tributárias e regulatórias para a formalização dos pequenos empreendimentos, aprofundando o regime atual do SIMPES, e criar mecanismo proporcionalmente análogo às médias empresas. 3. Insistir na propagação das experiências locais que deram certo, em matéria de inovação industrial, em vez de pretender escolher, a partir de preconceitos e previsões, os setores portadores do futuro. O Brasil na vanguarda tecnológica: os setores estratégicos 1. Afirmar a determinação nacional de caminhar na vanguarda da ciência, da tecnologia e da produção em três setores de interesse estratégico para o país: energia nuclear, atividade espacial e domínio da nanotecnologia e da cibernética. O comando político desses setores deve ficar diretamente sob a responsabilidade do Presidente da República. 2. Ponto crucial é uma grande iniciativa pública para assegurar nossa independência em matéria de veículos lançadores de satélites e de seus respectivos combustíveis, quer para uso de comunicação quer para efeito de monitoramento. Oportunidade para trabalhar: relações entre o capital e o trabalho. 1. Desonerar radicalmente a folha de salários de todos os encargos para poder resgatar da informalidade a quase metade da população economicamente ativa do país que continua presa na economia informal. Os direitos legítimos devem ser financiados pelos impostos gerais. 2. Construir, ao lado da CLT, um segundo estatuto jurídico para proteger, organizar e representar a parte crescente dos trabalhadores na economia formal que se encontra em situações de trabalho precarizado: temporário, terceirizado ou autônomo. Quando se junta a quase metade que está na economia informal aos empregados precarizados da economia formal, observa-se que é a maioria dos trabalhadores brasileiros que carecem da proteção da lei. 9

10 3. Remunerar a conta do trabalhador no FGTS, nos moldes da renumeração da Caderneta de Poupança para desestimular o saque da conta, que ajuda a fazer da rotatividade do trabalho no Brasil uma das mais altas do mundo. 4. Dar eficácia ao preceito constitucional da participação dos trabalhadores nos lucros e resultados das empresas para ajudar a reverter a queda de muitas décadas da participação dos salários na renda nacional. A base humana do crescimento includente: resguardo contra a miséria 1. Reafirmar os programas sociais, como o Bolsa Família, como resgate de cidadania. E caminhar rumo à garantia de um mínimo universal para todos os cidadãos. 2. Unificar os programas sociais, consolidando o cadastro único das famílias usuárias, com o histórico de uso registrado em cartão eletrônico único para cada família. 3. Propor Lei de Responsabilidade Social, por analogia à Lei de Responsabilidade Fiscal, para obrigar os governos em todos os níveis da Federação a participar da execução dos programas sociais e do atendimento dos mínimos sociais, sob pena de sofrerem sanções semelhantes às sançoes previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal e limitações no repasse de recursos voluntários da União. 4. Direcionar programas de capacitação e de integração aos batalhadores : os beneficiários dos programas sociais que já tenham demonstrado disposição e capacidade para superar os múltiplos entraves sociais e culturais característicos da situação da pobreza. 5. No trato com o núcleo duro da miséria constituído em grande parte de famílias desestruturadas conduzidas por uma mãe solteira que tem que preservar os filhos enquanto luta para trabalhar anteceder os esforços de capacitação por iniciativas sociais destinadas a apoiar tais famílias, sempre por meio da cooperação federativa. 6. Constituir corpo de agentes sociais, por analogia aos agentes comunitários da saúde, para abordar cada família beneficiária e encaminhá-la ora aos programas de capacitação ora aos programas de apoio social, de acordo com sua situação. 10

11 A base humana do crescimento includente: saúde 1. Enfrentar, e começar a superar, o contraste brutal entre os dois universos da saúde no Brasil: o do SUS (Sistema Único de Saúde), exemplar em seu compromisso universalizante e em seu emprego do federalismo cooperativo, porém frágil em sua base de financiamento, e o dos planos privados, subsidiados direta e indiretamente pelo Estado brasileiro. Convoca o país a rejeitar apartheid que resulta num gasto per capita em saúde para os 20% de brasileiros que estão no mundo dos planos, que é quatro ou cinco vezes maior do que o gasto per capita para os 80% que estão no mundo do SUS. Não se deve permitir à minoria que lave as mãos do destino da maioria e que o faça com o dinheiro da maioria. Enfrentar o problema da justiça é criar condições para resolver o problema do financiar. 2. Abrir vasos comunicantes entre os dois mundos da saúde. O perdão fiscal para os segurados dos planos privados deve ser diminuído progressivamente e o dinheiro poupado pelo Tesouro usado para fortalecer o financiar do SUS. As empresas seguradoras devem reembolsar o SUS integralmente pelos serviços que ele prestar a seus segurados. As instituições filantrópicas e os hospitais universitários devem fazer jus aos benefícios tributários que recebem ao dedicar parte substancial de seu tempo ao tratamento gratuito de usuários do SUS. 3. Ao SUS deve-se assegurar parte fixa do novo imposto nacional sobre o valor agregado suficiente para produzir ampliação de pelo menos 30% de sua receita atual. A base humana do crescimento includente: segurança 1. Completar a federalização de todos os crimes típicos das organizações criminosas. E conduzir a luta contra o crime organizado, a partir da liderança da Polícia Federal, em todo o território nacional, com os instrumentos tecnológicos e científicos mais avançados disponíveis no mundo. 2. Combater o crime comum, ainda que violento, por meio de colaboração federativa, focada na cooperação entre as polícias estaduais e as comunidades organizadas. Facultar a contratação em massa de vigilantes comunitários, desarmados, porém equipados com instrumental de comunicação e integrados em suas comunidades. 11

12 Política econômica que abra espaço para a democratização de oportunidades 1. O PMDB defende a manutenção da política de metas de inflação, do regime de câmbio flutuante e, sobretudo, do compromisso com a responsabilidade e o realismo fiscais. 2. Ao mesmo tempo, porém, o PMDB afirma que a estratégia de desenvolvimento nacional que ele propõe requer financiamento interno forte. É preciso elevar a poupança, privada e pública, se possível substancialmente acima de 20% do PIB. Nenhum país enriquece com o dinheiro dos outros. Mas a elevação da poupança não será proveitosa se não se abrirmos canais capazes de mobilizar a poupança de longo prazo para o investimento produtivo de longo prazo. 3. Para elevar a poupança pública, o PMDB propõe que o governo federal se comprometa a manter a elevação dos gastos públicos sempre em menos de 2% do crescimento do PIB. 4. Para elevar a poupança privada, conceder incentivo tributário, inversamente proporcional à renda do cidadão, para toda a poupança, seja ou não dentro do regime das Cadernetas de Poupança. 5. Para canalizar, de maneira mais eficaz, a poupança de longo prazo ao investimento produtivo de longo prazo, organizar a previdência complementar. Estabelecer um regime próprio para o investimento em empreendimentos emergentes ( venture capital ). E desenvolver atividade semelhante nos bancos públicos. 6. Acirrar a concorrência no setor bancário para diminuir o juro cobrado na ponta, sobretudo ao pequeno e médio produtor. Para isto, facilitar a entrada de novas instituições financeiras, com os resguardos regulatórios adequados. E estimular a formação de cooperativas de crédito. 7. Preparar o caminho para superar gradativamente o dualismo no mercado de crédito: a divisão entre o crédito subsidiado para poucos e o crédito consequentemente mais caro para outros. Os bancos públicos se devem concentrar em organizar o crédito e o investimento de longo prazo, sobretudo para os pequenos e médios empreendedores que tenham dificuldade em acessá-lo. 12

13 A organização do país para o crescimento includente: reforma tributária 1. Prosseguir no caminho, já iniciado, de simplificar a estrutura tributária brasileira em torno de um imposto abrangente sobre o valor agregado que minimize as distorções de preços relativos na economia e os impactos negativos sobre os incentivos para trabalhar, para poupar e para investir, Como no mundo em geral, o imposto será cobrado no final de uma cadeia produtiva no lugar de destino ou de consumo. Entretanto, todos os estados e municípios que participarem da cadeia devem ser proporcionalmente beneficiados na hora da partilha da receita. 2. Renegociar o pacto federativo que assegure os interesses dos estados e dos municípios e evite que a simplificação tributária resulte em prejuízo para os entes federados. 3. Contrabalançar o efeito regressivo do imposto sobre o valor agregado e aprofundar o estímulo à poupança pela tributação, em escala altamente progressiva do consumo individual. Pode começar simplesmente com o imposto de renda da pessoa física com isenção tributária da poupança, a ser concedida em escala inversamente proporcional à renda do contribuinte. E evoluir depois para um imposto progressivo sobre o consumo individual, em substituição ao imposto sobre a renda da pessoa física, com isenção para o padrão básico de vida. 4. Dentro da lógica de igualdade de oportunidades que preside a toda esta proposta, tributar substancialmente as grandes heranças, inclusive a antecipação dessas heranças pro doações inter vivos. A organização do país para o crescimento includente: reforma previdenciária O PMDB entende que os imperativos de justiça e o compromisso com o desenvolvimento exigem o enfrentamento corajoso dos problemas da previdência, por mais controvertidos que sejam. E reconhece que esses problemas se tornarão prementes à medida que mudar o perfil demográfico do país. E vê duas mudanças como fundamentais para a organização do crescimento socialmente includente. 13

14 1. A idade da aposentadoria deve aumentar, lenta e progressivamente, de maneira a acompanhar a ampliação da expectativa de vida. E deve ser igualada para homens e mulheres. 2. A aposentadoria dos funcionários públicos e da população em geral deve ser progressivamente unificada, de forma que respeite os direitos adquiridos. Evitar que as falhas da infraestrutura estrangulem nosso desenvolvimento: energia limpa e transporte multimodal 1. Aproveitar nosso potencial hidrelétrico, o menos aproveitado dos grandes países hidrelétricos do mundo, como energia limpa e barata e esteio de nossa matriz energética na atual fase histórica. 2. Suprir a instabilidade da energia hidrelétrica com outras fontes de energia limpa, inclusive nuclear e eólica. 3. Preparar o caminho futuro para o uso direto da energia solar (em longo prazo) e seu uso indireto (em médio prazo), com base na biomassa. 4. Orientar o país para construção de um sistema multimodal de transporte que integre rodovia com ferrovia e hidrovia. 5. Assegurar que os ganhos futuros do pré-sal financiam os interesses estratégicos do país, sobretudo em matéria de capacitação humana e de infraestrutura de transporte multimodal e de energia limpa, em vez de dissipar-se em gastos correntes e de favorecer a desindustrialização do país. 6. Desenvolver, a partir da Ferrovia Norte-Sul, uma malha ferroviária no sentido Leste-Oeste, a começar pelo Nordeste. 7. Priorizar a construção das hidrovias do Paraná-Parguai e do Telespires-Tapajós. E lançar um programa nacional de medidas modestas, porém cumulativas, que aumentem a navegabilidade de nossos rios. A construção do Brasil e as políticas regionais 1. Voltar as atenções do país para o Nordeste, a Amazônia e o Centro-Oeste mais de 80% da território e mais de 40% do Brasil. Este Brasil aberto oferece terreno privilegiado para a consolidação da estratégia de desenvolvimento nacional que o PMDB propõe. 14

15 2. No Nordeste, insistir no desenvolvimento do semiárido, não apenas da zona da mata e do cerrado. Construir uma política industrial que qualifique redes de pequenas e médias empresas. Transformar as Zonas de Processamento de Exportações em instrumentos desta política. Conceber e executar os grandes projetos industriais de maneira que evite vê-los reduzidos a enclaves isolados da sociedade e da economia em sua volta. Enfrentar, na organização da agricultura irrigada, o modelo institucional que organiza a relação entre os agentes públicos e privados bem como entre os entes federados. Fazer da agricultura de sequeiro uma agricultura tecnificada. Focar a qualidade do ensino fundamental e introduzir, a partir dos Ifets, o novo modelo de ensino médio que aqui se propõe. Dar um choque de ciência e de tecnologia, mobilizando o dinheiro dos fundos setoriais e confiando, em cada Estado nordestino, a iniciativa a uma instituição central. Resgatar do isolamento os muitos municípios nordestinos que continuam isolados, sem acesso rodoviário. E tornar a Sudene a coordenadora de todo este projeto nordestino. 3. Na Amazônia, reconhecer a primazia da regularização fundiária e da regularização ambiental, calcada no zoneamento ecológico e econômico abrangente. Na Amazônia da floresta, focar o soerguimento do extrativismo madeireiro e não madeireiro. Na Amazônia do cerrado, dos campos naturais e dos lavrados, tomar como ponto de partida a recuperação de pastagens degradadas por uma combinação de lavouras perenes, pecuária intensificada, produção para o biodiesel e piscicultura e manejo florestal sustentável. Em ambas as Amazônias, priorizar, em matéria de transporte, os extremos da cadeia logística: as estradas vicinais, de um lado, e a aviação regional, de outro. 4, No Centro-Oeste, hoje uma das partes mais dinâmicas do Brasil e extensão natural da Amazônia do cerrado, insistir no vínculo entre diversificação da produção e a democratização de oportunidades. Desenvolver as indústrias de transformação dos produtos agropecuários. Resolver o problema do escoamento dos grãos rumo ao Norte, por hidrovia e rodovia, e rumo ao Sul, por ferrovia e rodovia. Construir um paradigma de manejo sustentável do cerrado. E estimular o desenvolvimento das cidades médias, assegurando a presença nelas de serviços de alta qualidade, sobretudo de educação e de saúde. 15

16 A reconstrução do Estado: o verdadeiro choque de gestão. 1. Organizar as carreiras de Estado em todo o serviço público. Desenvolver, dentro do serviço público, os quadros transversais, como é hoje a carreira de gestor público. Fazer da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP) o manancial mais importante de uma doutrina comum da Administração Pública. 2. Desenvolver as práticas de avaliação, de cobrança e de incentivo da qualidade do desempenho do Estado. Organizar dentro da Secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento a avaliação sistemática e permanente da qualidade de gestão em cada setor das políticas públicas. E desenvolver os procedimentos de consulta aos usuários dos serviços públicos a respeito da qualidade dos serviços. 3. Disponibilizar, pela internet ao público em geral, todas as informações com respeito às atividades e aos negócios do Estado, com exceção daquelas que sejam estritamente confidenciais. Em cada caso, justificar publicamente o recurso à confidencialidade e definir com precisão seus limites. 4. Promover revisão profunda do processo e do Direito Administrativo. Nem a camisa-de-força, que se inspira na desconfiança e que resulta no imobilismo, nem a delegação de poderes discricionários irrestritos aos administradores. Um direito e um processo que comprometam o administrador com os objetivos, mas que o assegure margem para gerir e inovar. Envolver os órgãos de controle na concepção e na execução da reforma. 5. Em todos os setores das políticas públicas estimular e organizar o federalismo cooperativo as iniciativas compartilhadas dos três níveis da Federação. Regular em lei os artigos da Constituição que tratam das competências concorrentes e comuns da União, dos estados e dos municípios. 6. Começar a experimentar novas maneiras de prover os serviços públicos, inclusive de educação e de saúde, para qualificá-los. Não é preciso escolher entre a prestação de serviços padronizados, tipicamente de baixa qualidade, pela burocracia do Estado e a privatização dos serviços a favor de empresas com objetivo de lucro. Organizar, preparar, financiar, coordenar e monitorar grupos da sociedade civil por exemplo, cooperativas de educadores e de médicos para participar da provisão competitiva e experimental dos serviços. 16

17 7. Fazer do orçamento plurianual a ponte entre o fluxo orçamentário e o planejamento estratégico de longo prazo. O escudo da defesa nacional 1. O PMDB entende que um projeto rebelde de desenvolvimento necessita de um escudo de defesa. Apoia a pronta execução das medidas previstas na Estratégia Nacional de Defesa: entre elas, medidas que asseguram, por meio da construção do Ministério da Defesa, a primazia civil, que unificam as Forças Armadas em torno do novo Estado Maior de Defesa Conjunto, que privilegiam uma cultura militar pautada pelos imperativos de mobilidade, flexibilidade e monitoramente, que desenvolvam o complexo industrial de defesa, e que reafirmam o princípio do serviço militar obrigatório, a ser complementado, no futuro, por um serviço civil que aproveite, na construção e na integração do país, a juventude dispensada do serviço militar. 2. Todas as parcerias e transações com países estrangeiros em matéria de tecnologias de defesa devem ter por critério superior sua contribuição ao desenvolvimento de nossas capacitações tecnológicas independentes. Transferência convencional de tecnologia não basta. Aprenderemos fazendo quando necessário, ao lado de parceiros estrangeiros. O conserto da política: tirar a política da sombra corruptora do dinheiro 1. Assegurar o financiamento público das campanhas eleitorais. Disciplinar, de forma transparente e restritiva, as contribuições de pessoas físicas, limitando seu vulto. Proibir as contribuições de empresas. 2. Obrigar a simplicidade da propaganda eleitoral em televisão. E com isso suprimir uma das principais situações de gastos altos nas campanhas. 3. Substituir a grande maioria dos cargos de confiança, de indicação política, por carreiras de Estado, Reafirmar, porém, o princípio do comando político da administração pública. 4. Reformar o processo orçamentário para distinguir o que pode e deve ser impositivo da parte discricionária correspondente à parte variável da receita pública. 17

18 UM CAMINHO PARA O BRASIL: PROPOSTA SISTEMÁTICA 18

19 INTRODUÇÃO O PMDB e o Brasil O PMDB não é apenas o maior partido do Brasil; é também o principal construtor da democracia que se desenhou nos anos da resistência democrática, que se organizou a partir da Constituição de 1988 e que avançou por meio dos governos eleitos desde então. O PMDB não será mero destinatário ou coadjuvante das propostas de outras forças políticas. O PMDB tem proposta ao mesmo tempo moderada e audaciosa. Esta proposta deita raízes nos três compromissos que sempre o nortearam: o democrático, o nacional e o produtivo. E propõe como equipar o atributo mais importante do Brasil: sua vitalidade. O caminho político do PMDB seu projeto de poder, hoje e amanhã, será aquele que melhor servir este programa. Não se faz política real sem levar em conta as ambições, os interesses e as forças existentes. Mas não se faz política grande, fecunda e transformadora, sem visão de futuro. O partido mais presente no país, e o que goza de maior intimidade com o dia-a-dia dos brasileiros, é também o que melhor pode interpretar a vontade preponderante da nação. Esta proposta resulta de muitos meses de discussão nas bases do partido em todos os estados brasileiros. Retrata um momento na execução de uma obra coletiva: demarcar, em nome da mais importante organização política do país, rumo para o Brasil. O eixo da proposta: novo modelo de desenvolvimento, baseado em democratização de oportunidades e de capacitações O PMDB propõe novo modelo de desenvolvimento nacional. Este modelo primará pela ampliação de oportunidades para aprender, para trabalhar e para produzir. Transformará a democratização das oportunidades e das capacitações no motor do crescimento econômico. 19

20 Com isso, ancorará o social na maneira de organizar a produção. Terá por alvos a capacitação e o produtivismo democratizantes. Não há país no mundo contemporâneo que supere o Brasil em criatividade empreendedora ou cultural. Nosso país fervilha de energia humana. Nossa tragédia tem sido que grande parte deste dinamismo continua a ser frustrado e desequipado; dissipa-se por falta de meios e de ocasiões. A instrumentalização desta vitalidade exige inovações na maneira de organizar cada departamento da vida brasileira. Não se democratiza a economia sem aprofundar a democracia. E não se democratiza a economia nem se aprofunda a democracia sem fazer o que raramente fizemos em nossa vida nacional: reconstruir as instituições em vez de importar o formulário institucional a ser executado no Brasil. Se, de um lado, o eixo desta proposta é a construção de estratégia de desenvolvimento dedicada à ampliação de oportunidades e de capacitações, de outro lado é insistir na idéia da construção nacional. As grandes regiões não resolvidas do país, a Amazônia, o Nordeste e o Centro-Oeste oferecem terreno privilegiado para a definição do rumo a tomar. Reconstruir nossa forma de desenvolvimento para poder construir o Brasil: é isso o que propõe o PMDB. Os progressos do governo Lula e o próximo passo Situa-se esta proposta em hora alvissareira. Os grandes progressos conseguidos, com a participação do PMDB, pelo governo Lula criam condições para que se viabilize nova etapa na vida do Brasil. O governo Lula consolidou a estabilidade econômica, barrando o regresso à hiperinflação. Livrou milhões de brasileiros da pobreza extrema. Abriu para milhões de jovens as portas da universidade e da escola técnica. Promoveu obras de energia e transporte indispensáveis ao desenvolvimento do país. Começou a construir escudo de defesa, consubstanciado na Estratégia de Defesa Nacional. Trouxe o Brasil para o concerto das grandes nações. Acima de tudo isto, paira um avanço no terreno do imaginário, talvez ainda mais importante do que todas estas realizações. Ao se identificar com o Presidente Lula, o povo brasileiro aceitou-se a si mesmo. É um quadro que oferece condições favoráveis à execução da 20

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