SETOR EXTERNO EM MAIO DE 2002

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1 SETOR EXTERNO EM MAIO DE 22 O PESO DA CONTA DE SERVIÇOS E RENDA Em maio de 22, o balanço de pagamentos mostrou um déficit em transações correntes abaixo daquele registrado em maio do ano passado. O resultado acumulado dos cinco primeiros meses do ano em curso foi inferior em US$ 5 bilhões em relação a período do equivalente do ano passado. Em termos da relação com o PIB, o resultado acumulado em 12 meses findos em maio/22, de 3,7%, significa um declínio contínuo desde setembro de 21. O quadro revela, portanto, uma melhora inequívoca. Tal desempenho está bastante atrelado ao comportamento da balança comercial, bem como a algumas rubricas de serviços, a exemplo dos transportes, viagens e dos chamados outros serviços. Por trás dessa performance encontram-se dois fatores: taxa de câmbio e nível de atividade. Balanço de Pagamentos - Saldos Selecionados (US$ milhões correntes) Discriminação Mês Acumulado - até maio abr/1 mai/1 abr/2 mai/ Transações Correntes Balança Comercial Serviços e Rendas Transportes Viagens Royalties e Licenças Outros Serviços Juros Lucros e Dividendos Conta Capital e Financeira Investimento Direto Líquido Investimento em Carteira Derivativos Outros Investimentos (1) Erros e Omissões Resultado Global Fonte: Banco Central do Brasil. (1) Registra créditos comerciais, empréstimos, moeda e depósitos, outros ativos e passivos e operações de regularização. O gráfico a seguir mostra com clareza que o déficit em transações correntes brasileiro vem caindo em estreita associação com as melhoras do saldo comercial. Observe-se que o resultado em serviços e rendas também vem colaborando para a queda do déficit global, porém com defasagem e em menor escala relativamente ao resultado comercial. Setor Externo em Maio de 22 - O Peso da Conta de Serviços e Renda 1

2 6 Transações Correntes - Saldos Acumulados em 12 meses (% PIB) dez/9 abr/91 ago/91 dez/91 abr/92 ago/92 dez/92 abr/93 ago/93 dez/93 abr/94 ago/94 dez/94 abr/95 ago/95 dez/95 abr/96 ago/96 dez/96 abr/97 ago/97 dez/97 abr/98 ago/98 dez/98 abr/99 ago/99 dez/99 abr/ ago/ dez/ abr/1 ago/1 dez/1 abr/2 Serviços e Rendas - Líquido Saldo Comercial Transações Correntes Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Banco Central do Brasil. Há de se enfatizar o fato do bom desempenho comercial estar vinculado ao baixo nível da massa de rendimentos da população, desestimulando as importações. Cabe ao Brasil não apenas consolidar, mas também ampliar a melhora do resultado do comércio exterior mediante a expansão das exportações, buscando conciliar ao máximo os objetivos de crescimento econômico e de geração de empregos com o de redução da vulnerabilidade externa. O IEDI tem insistido na tese de que é necessária uma agressiva política de exportação (além de esforços para a substituição competitiva de importações) para que o país logre vencer esse desafio. Achamos que a política industrial concebida e executada com competência e em bases atuais é imprescindível para esse esforço de ajuste do setor externo brasileiro. Há um outro ângulo em torno à questão externa do Brasil que torna o tema da política de exportação ainda mais relevante. Diz respeito à participação do déficit em serviços (transportes, seguros, royalties e patentes, viagens internacionais etc) e rendas (juros, lucros e dividendos etc) que no caso brasileiro é excessivamente elevado comparativamente à maioria das economias desenvolvidas e emergentes. Os gráficos seguintes mostram que, desde fins de 1994, a posição brasileira ficou e ainda se encontra entre as mais desfavoráveis, em termos seja do déficit de serviços, seja do déficit em rendas, encontrando-se nesse último o problema maior devido à inflexibilidade da conta de juros da dívida externa. Isso significa dizer que o resultado global brasileiro em transações correntes tem que carregar um excessivo desequilíbrio das contas de serviços e rendas. Significa também que o comércio exterior (vale dizer, o saldo comercial) é a principal alternativa capaz de neutralizar tamanha distorção em um prazo relativamente curto. Setor Externo em Maio de 22 - O Peso da Conta de Serviços e Renda 2

3 Brasil e Economias Selecionadas - Transações Correntes / Exportações (acum. 12 meses - %) Q1 2Q2 2Q3 2Q4 21Q1 21Q2 21Q3 21Q4 22Q1 16 Brasil e Economias Selecionadas - Serviços / Exportações (acum. 12 meses - %) Q1 2Q2 2Q3 2Q4 21Q1 21Q2 21Q3 21Q4 22Q1 Setor Externo em Maio de 22 - O Peso da Conta de Serviços e Renda 3

4 25 Brasil e Economias Selecionadas - Renda / Exportações (acum. 12 meses - %) Q1 2Q2 2Q3 2Q4 21Q1 21Q2 21Q3 21Q4 22Q1 2 Brasil e Economias Selecionadas - Serviços e Rendas / Exportações (acum. 12 meses - %) Q1 2Q2 2Q3 2Q4 21Q1 21Q2 21Q3 21Q4 22Q1 Setor Externo em Maio de 22 - O Peso da Conta de Serviços e Renda 4

5 Em parte, os níveis de risco atribuídos ao Brasil são reflexos dessa configuração, cujos resultados de serviços e rendas vêm exigindo um desempenho exportador mais dinâmico. São reflexos também da elevada relação entre a dívida externa líquida do país e suas exportações. Dessa forma a acumulação de saldos comerciais por longo período se torna premente. Porém a consecução de tais saldos deve partir da ampliação de nossas vendas para o exterior, não da retração das importações, tal como se tem assistido nos anos recentes. 5 Dívida Externa Líquida Total em % Exportações de Bens e em % Exportações de Bens e Serviços (acumulado em 12 meses) , 4 364,8 387,1 369, ,6 31,8 326,6 3 28, ,8 234,1 253,1 199, ,4 179,7 154,5 147,8 122,2 131,7 12,2 111,1 17, 151, Exportações de Bens - acumulado em 12 meses Exportações de Bens e Serviços - acumulado em 12 meses Fonte: Elaboração própria a partir de dados do BCB. Setor Externo em Maio de 22 - O Peso da Conta de Serviços e Renda 5

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