INVESTIGAÇÃO DE SURTO

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1 INVESTIGAÇÃO DE SURTO DE ORIGEM HOSPITALAR Dra Dominique Thielmann Infectologista Coordenação da CCIH do Hospital Pró Cardíaco RJ Serviço de Doenças Infectoparasitárias HUPE / UERJ Laboratório DASA RJ

2 DEFINIÇÃO DE SURTO Aumento de incidência acima do esperado / habitual Dados prévios Ocorrências raras x comuns Impacto: atenção, tempo, custo, publicidade adversa, comprometimento da segurança do paciente / desfecho

3 IDENTIFICAÇÃO DO SURTO POTENCIAL Vigilância ativa Taxas e tendências Taxas padronizadas comparador histórico e externo Ex de denominador e numerador a ser utilizado: VAP: imunodeprimidos / tempo de VM Setores e eventos não vigiados: participação efetiva do corpo clínico na identificação, recuperação de dados para comparar incidência: ex: ITU-CV na unidade de internação

4 EXEMPLO 2,5 2,0 BGN - USI 1 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 0,0 0,0 nov-11 dez-11 jan-12 BGN - USI 1 3,0 2,5 2,0 2,1 2,1 2,1 2,1 2,0 2,0 2,2 2,7 2,5 1,5 1,0 USI 1 0,5 0,0 0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 mar-11 abr-11 mai-11 jun-11 jul-11 ago-11 set-11 out-11 nov-11 dez-11 jan-12 fev-12 mar-12 abr-12 mai-12 jun-12

5 jan/11 fev/11 mar/11 abr/11 mai/11 jun/11 jul/11 ago/11 set/11 out/11 nov/11 dez/11 jan/12 fev/12 mar/12 abr/12 mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 set/12 out/12 Acinetobacter - CTI Incidência / 100 pct-dia EXEMPLO 3,0% 2,0% 1,2% 1,0% 0,3% 0,3% mai/12 jun/12 jul/12 3,0% Acinetobacter - CTI Incidência / 100 pct-dia 2,0% 1,2% 1,0% 0,3% 0,6% 0,3% 0,3% 0,3% 0,3% 0,3% 0,3% 0,6%

6 MOTIVOS PARA INVESTIGAÇÃO DE SURTO POTENCIAL Objetivo inicial: interromper transmissão prevenir novos casos Considerar investigação de agrupamento de casos em: Uma mesma unidade ou perfil de paciente; Uso de dispositivos invasivos; Profissionais de saúde e pacientes com mesma infecção (ex: diarréia); Patógenos típicos de IRAS (ex: MDR; MO frequentes)

7 MOTIVOS PARA INVESTIGAÇÃO DE SURTO POTENCIAL Determinar fatores de risco para os casos (dispositivos, ambiente, comorbidades, etc) Etiologia, fontes e modos de transmissão e grupos expostos de maior risco Instituir as medidas de controle antes mesmo de concluir a investigação: experiências anteriores, medidas simples a complexas. Ajustar medidas após análise.

8 INVESTIGAÇÃO DE SURTO Etapas da Investigação Definição de Caso Confirmar se realmente ocorreram casos Confirmar se existe surto / epidemia Definir o objetivo da investigação Analisar os dados segundo as características de Tempo, Espaço, Pessoa Testar hipóteses Avaliar medidas de prevenção e controle Divulgar os resultados

9 COMO COMEÇAR Comunicar e envolver toda equipe afetada (CCIH, Chefia médica e de enfermagem do setor, direção, Micro, etc) Definir lab de Micro: considerar testes moleculares, guardar cepas, avaliar melhores espécimes e meios para coleta Definir recursos necessários Definir investigador e responsável pela análise estatística

10 A INVESTIGAÇÃO 1) Definição de caso: incluir PESSOA, TEMPO e LUGAR (QUEM, QUANDO E ONDE), associados às demais características do surto. Iniciar com definição sensível específica 2) Identificação e contagem dos casos: CID10, relatório de micro, dados da CCIH, etc 3) Confirmação do surto: taxa de ataque durante período epidêmico / taxa de ataque durante período anterior Observar eventos sazonais (

11 EXEMPLO 2,5 2,0 BGN - USI 1 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 0,0 0,0 nov-11 dez-11 jan-12 BGN - USI 1 3,0 2,5 2,0 2,1 2,1 2,1 2,1 2,0 2,0 2,2 2,7 2,5 1,5 1,0 USI 1 0,5 0,0 0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 mar-11 abr-11 mai-11 jun-11 jul-11 ago-11 set-11 out-11 nov-11 dez-11 jan-12 fev-12 mar-12 abr-12 mai-12 jun-12 6,2 / 4,2 = 1,47

12 jan/11 fev/11 mar/11 abr/11 mai/11 jun/11 jul/11 ago/11 set/11 out/11 nov/11 dez/11 jan/12 fev/12 mar/12 abr/12 mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 set/12 out/12 Acinetobacter - CTI Incidência / 100 pct-dia EXEMPLO 3,0% 2,0% 1,2% 1,0% 0,3% 0,3% mai/12 jun/12 jul/12 3,0% Acinetobacter - CTI Incidência / 100 pct-dia 2,0% 1,2% 1,0% 0,3% 0,6% 0,3% 0,3% 0,3% 0,3% 0,3% 0,3% 0,6% 2,4/ 0,3 = 8

13 A INVESTIGAÇÃO 4) Coleta de dados: definir formulário de características demográficas, epidemiológicas e clínicas 5) Descrição epidemiológica do surto. Transmissão pessoa-pessoa Transmissão fonte-comum Mayhall, 2012

14 DESENVOLVER E TESTAR HIPÓTESES Análise retrospectiva: Caso-controle: casos são a definição do surto e controles não preenchem definição, são selecionados proporcionalmente, importante equiparar fatores de risco e exposição. Mais prático. Coorte: seleção pelo fator de exposição (não-casos), em seguida avalia o desfecho definido. Melhor para estabelecer RR e associação temporal. Atenção para surtos com pequeno número de casos: falsas conclusões

15 EXEMPLO: SURTO DE MEDIASTINITE POR S.AUREUS PÓS-RVM ENTRE JAN E MAR/2013 RELACIONADA A EQUIPE X Pacientes com mediastinite por S.aureus pós- RVM entre jan e mar/2013 x Pacientes sem mediastinite por S.aureus pós-rvm entre jan e mar/2013 parear exposição Pacientes submetidos a RVM entre jan e mar/2013 analisar evolução para mediastinite por S.aureus ou não nos pacientes expostos e não expostos a equipe X

16 Estudo de Caso-Controle: EXPOSTOS a DOENTES NÃO-EXPOSTOS b POPULAÇÃO EXPOSTOS c NÃO-DOENTES NÃO-EXPOSTOS d

17 Estudo de Coorte Retrospectiva DOENTES a EXPOSTOS NÃO-DOENTES b POPULAÇÃO DOENTES c NÃO-EXPOSTOS NÃO-DOENTES d

18 ANÁLISE ESTATÍSTICA Estabelecer variáveis Análise univariada / multivariada OR, RR Intervalo de confiança e p valor da associação Tecnologia da Informação: fundamental!

19 PSEUDO-SURTOS Culturas positivas na ausência de clínica Implementação de melhores testes diagnósticos Início de vigilância de novos processos / indicadores Mayhall, 2012

20 CONCLUSÃO Relatório Ajuste das medidas de controle Manter vigilância

21 ENDEREÇOS ELETRÔNICOS <Divisão de Infecção Hospitalar> <Serviços de Saúde> <Controle de Infecção>

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