São Paulo, 25 de abril de 2013.

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1 São Paulo, 25 de abril de Discurso do diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania, Luiz Edson Feltrim, na SME Banking Conference

2 Dirijo saudação especial a Sra. Ghada Teima, IFC Manager Acess to Finance Latin America & Caribbean. Cumprimento aos senhores representantes da IFC, das instituições financeiras, empresários, acadêmicos, representantes do governo e da sociedade civil e também os profissionais da imprensa, que aqui se encontra. Senhoras e senhores, Agradeço o convite da IFC para participar da abertura desta conferência, a qual tratará durante de tema tão importante e tão caro ao Banco Central do Brasil, o provimento de serviços financeiros voltados para micro e pequenas empresas. Nesse evento, teremos a oportunidade de discutir vários aspectos das finanças para o segmento, contribuindo para disseminar e até gerar novas soluções de negócios que sirvam de impulso ao desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas no Brasil e na América Latina. Os temas de microfinanças e inclusão financeira têm alcançado cada vez mais destaque no cenário internacional. A partir do reconhecimento pelo G20 do fato de que milhões de micro e pequenas empresas ao redor do mundo encontram dificuldades de acesso a serviços financeiros, os esforços conjuntos para solução da questão têm se intensificado. Prova disso é que, no Encontro do G20, na Coréia, em 2010, foi criada a Parceria Global para Inclusão Financeira, com o objetivo de ajudar os países no desenvolvimento e implementação de políticas de inclusão financeira. Outra organização muito importante nesse cenário, fomentadora de políticas financeiramente inclusivas, é a AFI - Aliança para Inclusão Financeira, que congrega 100 instituições de mais de 80 países em desenvolvimento. Por meio da Declaração Maia, assinada em 2011, por 17 países durante o Global Policy Forum, no México, bancos centrais e autoridades de regulação, entre eles o Banco Central do Brasil, comprometeram-se a implementar uma série de medidas que tornem os serviços financeiros acessíveis a bilhões de pessoas ao redor do mundo que vivem hoje à margem do sistema financeiro. 2

3 Fazem parte desse compromisso (Declaração Maia): 1. A introdução de uma política de inclusão financeira que crie ambiente propício ao acesso eficaz a serviços financeiros, fazendo pleno uso de tecnologia inovadora adequada e reduzindo substancialmente o custo unitário dos serviços financeiros; 2. A implementação de um quadro regulatório sólido e proporcional, que atinja os objetivos complementares de inclusão financeira, estabilidade financeira e integridade financeira; 3. O reconhecimento da defesa do consumidor e sua capacitação como principais pilares dos esforços de inclusão financeira para garantir que todas as pessoas sejam incluídas no sistema financeiro; 4. A produção de indicadores, a partir da coleta e análise de dados detalhados, acompanhando a mudança do perfil da inclusão financeira. No Brasil, o histórico das iniciativas relacionadas à inclusão financeira é longo. Há mais de uma década que o tema microfinanças, conceito que engloba a promoção de serviços financeiros, em especial o provimento de crédito a micro e pequenos empreendedores, tem alcançado importância no Banco Central. Entre os anos de 2002 e 2008, realizamos nove seminários nacionais e dois internacionais, que contribuem para disseminar o tema e fazer com que a atenção dos agentes públicos e da iniciativa privada se voltasse para o assunto. Com isso, foi possível congregar importantes atores, com papel relevante no desenho de novas estratégias para o campo das microfinanças. A partir de 2009, o Banco Central passou a discutir as microfinanças em outro patamar, com foco no diagnóstico de entraves e desafios, e na construção conjunta de soluções. Nesse novo contexto, atuamos firmemente na promoção do efetivo acesso e uso pela população tanto as pessoas como os pequenos negócios de serviços financeiros adequados às suas necessidades. Desde então, foram realizados quatro Fóruns de 3

4 Inclusão Financeira, o que levou ao aprofundamento das ações e da estratégia do Banco Central. Com isso, a promoção da inclusão financeira da população passou a figurar como um dos objetivos estratégicos da instituição, capaz de, em muito, contribuir para a eficiência do sistema financeiro nacional. Durante todo esse período de envolvimento do Banco Central com a temática, vários foram os aprimoramentos na regulação no sentido de melhor promover a inclusão financeira das pessoas e dos pequenos negócios. Destaco a criação de novos tipos de cooperativas de crédito instituição financeira com potencial para incluir e se adequar às necessidades locais. Já em 2002, por meio da Resolução 3058, das cooperativas de pequenos empresários, microempresários e microeempreendores, atendendo a anseio há muito demonstrado pelo segmento. Essa iniciativa foi importante para aproximar o microcrédito produtivo do cooperativismo, dando acesso a serviços financeiros a um público que não despertava interesse das instituições financeiras tradicionais. Destaco também como aprimoramento normativo fundamental para a inclusão financeira a possibilidade de criação de cooperativas de livre admissão, que neste ano de 2013 completa 10 anos, tendo tido considerável impacto no segmento de cooperativas. Outro resultado dos Fóruns de Inclusão Financeira foi a criação, em 2011, da Parceria Nacional para Inclusão Financeira, uma rede de atores públicos e privados que possuem agenda em comum no que se refere a políticas e programas voltados à adequada inclusão financeira da população. Para o fortalecimento do ambiente institucional, de modo a torná-lo mais profícuo à promoção da adequada inclusão financeira, em maio de 2012, o Banco Central lançou o Plano de Ação para Fortalecimento do Ambiente Institucional, que identificou as ações necessárias à consecução dos objetivos dessa Parceria Nacional, as quais vem sendo adotadas gradativamente. Dentre as oito ações concretas que fazem parte do referido Plano de ação, gostaria de me ater a algumas que considero de especial importância para os objetivos deste evento. 4

5 A primeira delas está relacionada ao aprimoramento do arcabouço regulatório do microcrédito e das instituições especializadas em microfinanças. Concretizada por meio da Resolução 4.152, de outubro de 2012, do Conselho Monetário, esta ação inova em relação às normas brasileiras sobre o microcrédito, harmonizando sua definição em sintonia com princípios internacionalmente reconhecidos no que tange à regulação de microfinanças. Essa abordagem regulamentar pavimenta um caminho sólido para o adequado tratamento dessas operações do ponto de vista prudencial, bem como sob a ótica da transparência. A segunda ação para a qual chamo a atenção dos senhores trata do fortalecimento da rede de canais de atendimento ao usuário de serviços financeiros, destacando-se, neste sentido, a edição da Resolução 4.072, de abril de 2012, também do Conselho Monetário, que altera e consolida as normas sobre a instalação, no País, de dependências de instituições financeiras. Essa resolução tem por objetivo racionalizar o processo de constituição e funcionamento de agências e postos das instituições, contribuindo para um ambiente regulamentar mais conveniente ao crescimento de uma rede de atendimento eficiente e adaptada às necessidades atuais da população em relação a serviços financeiros. Essa nova regulamentação já apresenta resultados concretos na estratégia de expansão das redes de atendimento dos bancos, tendo em vista a possibilidade da instalação de postos de atendimento com estrutura mais flexível e adaptada às necessidades locais. Dessa forma, a nova regulamentação tornou possível, para as instituições financeiras, o oferecimento de ampla gama de serviços com baixo custo de instalação e de manutenção, dado que as maiores despesas de uma dependência própria estão associadas à segurança e à logística que envolve a movimentação de dinheiro físico. É uma motivação para nós ver sinais de que nossos esforços em várias frentes estão surtindo efeitos. Na última semana, durante a entrega do Prêmio Mérito Lojista 2012, a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas, importante entidade ligada ao varejo, destacou o trabalho do Banco Central em prol dos micro e pequeno empresários e da bancarização da população. 5

6 No tocante às ações do plano que tratam da promoção da educação financeira e da intensificação da divulgação sobre os direitos e deveres do usuário de produtos e serviços financeiros, destaco a criação, em setembro do ano passado, na estrutura organizacional do Banco Central, da Área de Relacionamento Institucional e Cidadania. Esta nova diretoria está organizada em três unidades: o Departamento de Atendimento Institucional (Deati), o Departamento de Comunicação (Comun) e o Departamento de Educação Financeira (Depef). Essa reorganização tem o propósito de fortalecer o relacionamento do Banco Central com a Comunidade. Entre suas atribuições está o fortalecimento dos processos de educação financeira e inclusão financeira, com o objetivo de promover o acesso a serviços financeiros de alta qualidade, o seu uso de maneira responsável, e a redução da assimetria de informações entre provedores e a sociedade O processo de inclusão financeira requer análises precisas para fins de subsídio à elaboração de políticas públicas. O acesso da população e das micro e pequenas empresas aos mercados financeiros destaca-se como um dos principais resultados esperados das políticas de inclusão financeira e de desenvolvimento socioeconômico. Nesse sentido, pela relevância do segmento das 4,4 milhões de micro e pequenas empresas, é necessário, além de formular políticas adequadas, acompanhar e, eventualmente, ajustar instrumentos e condições para que a expansão a serviços e produtos ocorra de forma sustentável. Em relação às ações que tratam do diagnóstico da inclusão financeira no País, destaco parcerias desenvolvidas por este Banco Central no intuito de aprofundar o conhecimento sobre o tema, subsidiando a adoção de políticas públicas específicas para micro e pequenas empresas. A título de exemplo, cito a participação do BCB como integrante do Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, presidido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que é um espaço de debates e de conjugação de esforços entre o governo e o setor privado, para a elaboração de propostas e ações de políticas públicas orientadas a este setor. Destaco também o aprofundamento de nossa parceria com o SEBRAE, estabelecida desde No âmbito desta parceria serão produzidos estudos 6

7 relacionados à quantidade e qualidade do crédito hoje disponível aos micro e pequenos negócios. Por fim, desejo a todos vocês uma conferência inspiradora e rica em debates, que culmine num melhor atendimento desse público, aprofundando sua atuação, mitigando riscos, diversificando produtos e serviços, e desenvolvendo soluções inovadoras e socialmente responsáveis. Muito obrigado! 7

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