SEMINÁRIO Reforma Política: Sistema Eleitoral em Debate. LOCAL: Auditório Prof. Oswaldo Fadigas Fontes - USP DATA: 30 de maio de 2011 RELATÓRIO

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1 SEMINÁRIO Reforma Política: Sistema Eleitoral em Debate LOCAL: Auditório Prof. Oswaldo Fadigas Fontes - USP DATA: 30 de maio de 2011 RELATÓRIO O seminário teve a duração de um dia e contou com a participação de 130 pessoas, que debateram o tema da Reforma Eleitoral no Brasil. Entre os três eixos temáticos principais, a ênfase foi dada no sistema distrital, no sistema misto (alemão) e no sistema de lista fechada. Entre os convidados como palestrantes havia cientistas políticos especialistas na temática e Deputados Federais membros da Comissão de Reforma Política da Câmara dos Deputados. Já o público foi bastante heterogêneo, tendo em vista a importância deste tema na atual agenda política do país: assessores parlamentares, vereadores, professores, especialistas, juristas, jornalistas, lideranças de organizações da sociedade civil, estudantes, militantes partidários e políticos. Na primeira mesa, intitulada Voto Distrital e a Democracia, o professor Amaury de Souza apresentou um amplo quadro geral sobre a atual regra eleitoral brasileira e as linhas principais das propostas em debate. Criticou vigorosamente o sistema brasileiro e, focando no tema da mesa,

2 defendeu um sistema distrital com dois turnos e uninominal, similar ao sistema utilizado na França. Em sua opinião, este modelo mantém a proporcionalidade em comparação com o sistema distrital majoritário. Terminou sua palestra criticando a interiorização do voto no Brasil e advogou um peso maior para as regiões metropolitanas na representação parlamentar. O Deputado Federal Edinho Araújo (PMDB/SP) foi comentarista da mesa e apresentou uma visão mais política da reforma em questão. Como integrante da comissão de reforma política da Câmara dos Deputados, partilhou suas experiências e citou as várias opiniões ouvidas de políticos, acadêmicos e da sociedade civil em audiências públicas. Advertiu sobre as dificuldades da realização do modelo de voto distrital em estados como Amazonas e Pará, de grandes extensões e pouco povoados, e as desvantagens da lista fechada para o Nordeste, local que correria o risco de ter consolidada uma forte estrutura coronelista, como a que é encontrada no estado do Maranhão. O deputado acredita ser pouco provável a alteração significativa do atual sistema eleitoral brasileiro. O Deputado Federal Paulo Teixeira (PT/SP), após apresentar seu discurso afirmando as limitações de uma possível reforma, articulou a posição do Partido dos Trabalhadores na questão da reforma eleitoral. O PT apóia um financiamento público de campanha, voto de lista fechada, fim das coligações partidárias, disciplina partidária mais rigorosa e ampliação da participação feminina nas Executivas dos partidos e nas listas, entre outros pontos. Ele enfatizou a presença de grupos que possuem empatia pelo sistema eleitoral alemão dentro do PT.

3 A mesa Sistema Relativo e Personalizado Misto teve como palestrante o Representante da Fundação Konrad Adenauer no Brasil, Dr. Peter Fischer-Bollin, que apresentou o sistema eleitoral alemão. O objetivo era apresentar aos políticos e ao público outra alternativa para o debate sobre reforma eleitoral. Assim como os políticos brasileiros estão sofrendo pressão e encontrando dificuldades para definir as melhores opções para o país através de uma reforma política, na Alemanha o debate está bastante semelhante. O país está passado por dificuldades semelhantes, cujas propostas objetivas tem sido enfraquecidas por interesses particulares e partidários.

4 Os comentários do Deputado Federal e Presidente Nacional do PPS, Sr. Roberto Freire foram voltados para a estabilidade do sistema eleitoral alemão. Todavia, ele criticou o alto custo da representatividade naquele país, devido à cláusula de barreira existente na Alemanha, contra as minorias e os partidos pequenos. Para ele, estes grupos não são problema ao sistema político brasileiro. Ele apóia o voto eleitoral com lista pré-ordenada como solução para oferecer mais estabilidade e ao mesmo tempo manter a representatividade do sistema político brasileiro. Antonio Carlos Mendes Thame, Deputado Federal do PSDB/SP, apresentou os três principais problemas do sistema eleitoral do Brasil. Ele identificou um divórcio entre os eleitos e os eleitores, devido à falta de proporcionalidade nos votos, os custos astronômicos das campanhas eleitorais e a baixa qualidade da qualificação dos representantes. O problema de proporcionalidade afeta especialmente as áreas metropolitanas como São Paulo, local onde um deputado precisa ganhar milhões de votos para ser eleito. Como antídoto para esses problemas, o Deputado propôs o modelo de voto distrital proporcional e facultativo para cada estado, de maneira a reunir todas as vantagens de um voto distrital com lista fechada sem suas desvantagens. Segundo Mendes Thame, essa combinação tornaria a votação mais representativa em cada estado e, concomitantemente, aprofundaria o debate e diminuiria os custos das campanhas eleitorais. Entre as contribuições do público, foi defendida a proposta de cláusula de barreira variável para municípios, estados e união. Menos rígida nos níveis municipal e estadual, com espaço para a militância e a estruturação de partidos políticos menores, e mais rígida no nível federal,

5 com possibilidade de representar a solução da problemática brasileira, que possui eleitorado altamente fragmentado. O Professor da UFMG, Dr. Bruno Reis, apresentou seus argumentos na mesa Lista Fechada e Financiamento Público de Campanha. Ele defendeu o sistema eleitoral de lista fechada, além do modelo de financiamento público das campanhas eleitorais, por considerar ser esta a estratégia de equilíbrio para o sistema político brasileiro. Sua apresentação foi seguida pelos comentários do Deputado Federal Augusto Coutinho (DEM/PE), que defendeu a lista fechada com financiamento público como a melhor maneira de se promover a transparência das campanhas eleitorais no Brasil.

6 O Deputado Federal Ricardo Berzoini (PT/SP) apresentou em suas considerações a grande disparidade presente no sistema federativo brasileiro, já que o Senado Federal atualmente possui mais prerrogativas que a Câmara dos Deputados. Isso gera grande desigualdade, visto que a Câmara é a maior instituição representativa da população. O Deputado criticou com veemência as regras do atual sistema eleitoral, e argumentou que, se o novo sistema eleitoral escolhido no Brasil for o modelo de financiamento público de campanha, os orçamentos das campanhas eleitorais devem ter baixo custo e sofrer grande fiscalização dos órgãos públicos. Para garantir que os atuais políticos não tentem moldar a nova lei pensando apenas nas eleições do próximo ano, foi sugerido que a reforma seja válida a partir de O objetivo do evento de apresentar alternativas e fomentar o debate na temática de reforma eleitoral entre acadêmicos, Deputados Federais membros da Comissão de Reforma Política da Câmara dos Deputados e a população foi atingido. O público ficou bastante satisfeito com as defesas apresentadas, embora reconheça os grandes desafios que a jovem democracia brasileira terá que enfrentar. A parceria entre as instituições presentes e o ambiente de acolhimento às várias opiniões propiciaram um ambiente rico de troca de informações e experiências. Neste contexto, é possível afirmar que o Seminário Reforma Política atuou na promoção da democracia no Brasil.

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