CARTILHA DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL

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1 CARTILHA DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL 2ª Edição, Brasília Trabalho elaborado com a colaboração do Istituto Brasileiro do Meio Ambiete e dos Recursos Naturais Reováveis

2 Negócio Cotrole Extero da Admiistração Pública e da gestão dos recursos públicos federais. Missão Assegurar a efetiva e regular gestão dos recursos públicos em beefício da sociedade. Visão Ser istituição de excelêcia o cotrole e cotribuir para o aperfeiçoameto da Admiistração Pública. Copyright 2007, Tribual de Cotas da Uião SAFS, Quadra 4, Lote 01 CEP Brasília/DF Coteúdo dispoível em: É permitida a reprodução desta publicação, em parte ou o todo, sem alteração do coteúdo, desde que citada a fote e sem fis comerciais. Brasil. Tribual de Cotas da Uião. Cartilha de liceciameto ambietal / Tribual de Cotas da Uião; com colaboração do Istituto Brasileiro do Meio Ambiete e dos Recursos Naturais Reováveis ed. -- Brasília : TCU, 4ª Secretaria de Cotrole Extero, p. : il. color. Images: acervo do Ibama. Coteúdo também dispoível em e 1. Desevolvimeto sustetável. 2. Impacto ambietal. 3. Liceciameto ambietal. I. Istituto Brasileiro do Meio Ambiete e dos Recursos Naturais Reováveis (Ibama). II. Título. Catalogação a fote: Biblioteca Miistro Rube Rosa

3 APRESENTAÇÃO O meio ambiete permeia diretamete a vida humaa e ão há como dissociá-los. No etato, as forças de mercado em sempre atigem o poto de equilíbrio ideal para ateder às ecessidades de todos os elemetos evolvidos. Nesse mometo, cabe a atuação do Estado, de forma a determiar limites e a preservar o bem comum. A Costituição Federal alçou a direito fudametal do povo tato o meio ambiete equilibrado como o desevolvimeto ecoômico e social. Esses três elemetos formam o tripé do chamado desevolvimeto sustetável. O equilíbrio desses iteresses resultará a prosperidade almejada. O liceciameto ambietal é istrumeto fudametal a busca do desevolvimeto sustetável. Sua cotribuição é direta e visa a ecotrar o covívio equilibrado etre a ação ecoômica do homem e o meio ambiete ode se isere. Busca-se a compatibilidade do desevolvimeto ecoômico e da livre iiciativa com o meio ambiete, detro de sua capacidade de regeeração e permaêcia. A presete cartilha de liceciameto ambietal tem por objetivo cotribuir com a divulgação desse importate istrumeto da Política Nacioal de Meio Ambiete. A seguda edição traz ova legislação e jurisprudêcia do Tribual de Cotas da Uião e amplia a discussão de coceitos e procedimetos. Neste trabalho, realizado em cojuto com o Istituto Brasileiro do Meio Ambiete e dos Recursos Naturais Reováveis Ibama, busca-se difudir cada vez mais orietações e iformações sobre o liceciameto, visado ao correto trato das questões ambietais e à preservação do meio ambiete para as presetes e futuras gerações. Esta publicação, cujo coteúdo está dispoível para toda a sociedade os edereços eletrôicos e destia-se a prefeituras, goveros estaduais, órgãos e etidades públicas e a iteressados que lidam com questões relativas ao meio ambiete. Miistro Walto Alecar Rodrigues Presidete do TCU

4 PREFÁCIO É com satisfação que o Miistério do Meio Ambiete apóia a iiciativa do Tribual de Cotas da Uião TCU, em cojuto com o Istituto Brasileiro do Meio Ambiete e dos Recursos Naturais Reováveis IBAMA, de laçar a presete cartilha. Primeiramete, porque ambos os órgãos cumprem uma missão de extrema relevâcia, cada um em sua competêcia legal. O IBAMA, que o ao em curso completa 19 aos, é uma autarquia recohecida por toda a sociedade, dada a sua preseça o território acioal e o seu papel de pricipal agêcia do govero federal o cumprimeto da legislação ambietal brasileira, em especial o que cocere ao liceciameto. O TCU, por sua vez, exerce uma fução muito além de simplesmete acompahar e fiscalizar o gasto dos recursos públicos: vem se torado fudametal para traçar camihos que garatam trasparêcia e racioalidade à destiação do recurso do povo e, com isso, apoiar a sociedade, e mesmo o govero, a idetificar meios mais eficietes e eficazes de gestão. Em segudo lugar, porque teho a impressão de que a presete cartilha será útil a vários setores da sociedade, em especial aos empreededores, sejam esses públicos ou privados, e aos próprios órgãos ambietais resposáveis por esse istrumeto estabelecido pela Política Nacioal do Meio Ambiete, istituída pela Lei 6.938/1981. O Liceciameto Ambietal, de utilização compartilhada etre a Uião e os estados da federação, o Distrito Federal e os muicípios, em coformidade com as respectivas competêcias, tem o objetivo de regular as atividades e os empreedimetos que utilizam os recursos aturais e podem causar degradação ambietal. Por meio dele, os órgãos ambietais adquirem a estatura legal para avaliar os evetuais impactos ao meio ambiete de uma determiada atividade. Trata-se de um importate mecaismo de ossa sociedade e proporcioa gahos de qualidade ao meio ambiete e à vida das comuidades uma melhor perspectiva de desevolvimeto. A qualidade do liceciameto ambietal depede, em grade parte, da dispoibilidade e da produção de iformação básica acerca dos recursos aturais (solos, mierais, faua, flora, ecossistemas etc) de uma determiada região. Ivestir a produção de cohecimeto é fudametal, portato. Tarefa que cabe a todas as istituições, em especial às de pesquisa e às uiversidades. Depede, também, do cohecimeto pela maioria dos iteressados quato aos procedimetos e trâmites requeridos para a sua cocessão. E, sob esse aspecto, a presete iiciativa do TCU com o apoio do IBAMA irá suprir essa lacua, a medida em que orieta os iteressados e garate maior publicidade ao processo de liceciameto, por meio da divulgação de seu coceito, etapas e requerimetos. Além disso, a cartilha é louvável porque divulga cohecimetos e compartilha experiêcias sobre as especificidades sócio-ecoômicas ieretes ao liceciameto ambietal. Espero que os leitores ecotrem aqui os subsídios ecessários para a correta aplicação desse istrumeto de gestão ambietal que visa, em última istâcia, a melhoria de qualidade de vida de todos ós e dos que estão por vir. Uma boa leitura, portato. Maria Silva Miistra do Meio Ambiete

5 SUMÁRIO Itrodução 7 Capítulo I Coceito de liceciameto ambietal 8 Capítulo II Características dos empreedimetos que ecessitam de liceciameto ambietal 12 Capítulo III Tipos de liceça ambietal 16 Liceça Prévia LP 17 Liceça de Istalação LI 18 Liceça de Operação LO 18 Capítulo IV Procedimetos para a obteção da liceça ambietal 20 1ª Etapa - Idetificação do órgão ambietal competete para liceciar 21 2ª Etapa - Liceça Prévia 23 3ª Etapa - Elaboração do Projeto Básico 26 4ª Etapa - Liceça de Istalação 26 5ª Etapa - Liceça de Operação 27 Regularização de empreedimeto ão liceciado devidamete 28 Capítulo V Estudos ambietais 30 Estudo de Impacto Ambietal 33 Relatório de Impacto Ambietal Rima 34

6 Capítulo VI Coseqüêcias da ausêcia ou falha o liceciameto 36 Capítulo VII Custo do liceciameto ambietal 40 Aexo I Pricipais acórdãos do Tribual de Cotas da Uião sobre liceciameto ambietal 45 Aexo II Relação dos empreedimetos e atividades que ecessitam de liceciameto ambietal (Aexo I da Resolução Coama 237/97) 46 Aexo III Relação dos empreedimetos que podem vir a ecessitar de EIA/Rima para o liceciameto ambietal (Resolução Coama 01/86 e 11/86) 51 Aexo IV Exemplos de defiição de competêcia para liceciar 52 Aexo V Tribual de Cotas da Uião o Distrito Federal e os estados 53 Aexo VI Órgãos Ambietais Estaduais 57 Aexo VII Legislação ambietal federal e acioal referete a liceciameto ambietal, por tema 62 Referêcias Bibliográficas 83

7 INTRODUÇÃO O liceciameto ambietal cofigura um relevate istrumeto da Política Nacioal de Meio Ambiete. O trabalho ora apresetado em sete capítulos tem como objetivos forecer iformações úteis à elaboração dos pedidos de liceças ambietais e orietar sobre os respectivos processos de liceciameto, além de relacioar os pricipais coceitos iseridos os ormativos aplicáveis à matéria. O cuidado que se deve dedicar à questão do liceciameto resulta em beefícios para o empreededor. Espera-se, com esta edição, ampliar o cohecimeto sobre o assuto, cotribuido para que uma quatidade maior de empreededores atete para a ecessidade e importâcia do cumprimeto da legislação a respeito. Nesta seguda edição foram icluídas atualizações de legislação e jurisprudêcia do Tribual de Cotas da Uião, além de ter sido ampliada a aálise de coceitos importates. A cartilha ão tem a pretesão de esgotar o tema mas sim trazer orietações sobre os assutos mais relevates acerca do liceciameto ambietal. Os Capítulos I, II e III apresetam aspectos teóricos das liceças ambietais, tais como coceito, atureza, tipos e as características dos empreedimetos que ecessitam de liceciameto ambietal. O Capítulo IV forece iformações para a solicitação e a obteção das liceças ambietais, iclusive com orietações para a defiição do órgão ambietal para o qual deve ser destiada a solicitação. O Capítulo V aborda os estudos ambietais, com maior destaque ao Estudo de Impacto Ambietal e ao Relatório de Impacto Ambietal.

8 CAPÍTULO I CONCEITO DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL

9 9 A Costituição Federal previu, em seu art. 225, que todos têm direito ao meio ambiete ecologicamete equilibrado, bem de uso comum do povo e essecial à sadia qualidade de vida, impodo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defedê-lo e preservá-lo para as presetes e futuras gerações. Com isso, o meio ambiete torou-se direito fudametal do cidadão, cabedo tato ao govero quato a cada idivíduo o dever de resguardá-lo. A defesa do meio ambiete apreseta-se também como pricípio orteador e iseparável da atividade ecoômica a Costituição Federal 1. Desse modo, ão são admissíveis atividades da iiciativa privada e pública que violem a proteção do meio ambiete. O liceciameto é também um dos istrumetos da Política Nacioal do Meio Ambiete (PNMA) 2, cujo objetivo é agir prevetivamete sobre a proteção do bem comum do povo - o meio ambiete e compatibilizar sua preservação com o desevolvimeto ecoômico-social. Ambos, esseciais para a sociedade, são direitos costitucioais. A meta é cuidar para que o exercício de um direito ão comprometa outro igualmete importate. A previsão do liceciameto a legislação ordiária surgiu com a edição da Lei 6.938/81, que em seu art. 10 estabelece: A costrução, istalação, ampliação e fucioameto de estabelecimetos e atividades utilizadoras de recursos ambietais, cosiderados efetiva ou potecialmete poluidores, bem como os capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambietal, depederão de prévio liceciameto por órgão estadual competete, itegrate do Sistema Nacioal do Meio Ambiete - SISNAMA, e do Istituto Brasileiro do Meio Ambiete e Recursos Naturais Reováveis - Ibama, em caráter supletivo, sem prejuízo de outras liceças exigíveis.

10 10 Tribual de Cotas da Uião A Resolução Coama 237/97 traz o seguite coceito de liceciameto ambietal: Procedimeto admiistrativo pelo qual o órgão ambietal competete licecia a localização, istalação, ampliação e a operação de empreedimetos e atividades utilizadoras de recursos ambietais, cosideradas efetiva ou potecialmete poluidoras; ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambietal, cosiderado as disposições legais e regulametares e as ormas técicas aplicáveis ao caso. Por procedimeto etede-se um ecadeameto de atos que visam a um fim a cocessão da liceça ambietal. Esse procedimeto é coduzido o âmbito do Poder Executivo, a figura de seus órgãos ambietais as várias esferas, e advém do regular exercício de seu poder de polícia admiistrativa. A liceça ambietal é defiida pela Resolução Coama 237/97 como: precauções requeridas, a fim de resguardar o direito coletivo ao meio ambiete ecologicamete equilibrado. Importate otar que, devido à atureza autorizativa da liceça ambietal, essa possui caráter precário. Exemplo disso é a possibilidade legal de a liceça ser cassada caso as codições estabelecidas pelo órgão ambietal ão sejam cumpridas 3. O liceciameto é composto por três tipos de liceça: prévia, de istalação e de operação. Cada uma refere-se a uma fase distita do empreedimeto e segue uma seqüêcia lógica de ecadeameto. Essas liceças, o etato, ão eximem o empreededor da obteção de outras autorizações ambietais específicas juto aos órgãos competetes, a depeder da atureza do empreedimeto e dos recursos ambietais evolvidos 4. Atividades que se utilizam de recursos hídricos, por exemplo, também ecessitarão da outorga de direito de uso desses, coforme os preceitos costates da Lei 9.433/97, que istitui a Política Nacioal de Recursos Hídricos. Outros exemplos de autorizações e liceças específicas são apresetados a seguir: Ato admiistrativo pelo qual o órgão ambietal competete estabelece as codições, restrições e medidas de cotrole ambietal que deverão ser obedecidas pelo empreededor, pessoa física ou jurídica, para localizar, istalar, ampliar e operar empreedimetos ou atividades utilizadoras dos recursos ambietais cosideradas efetiva ou potecialmete poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambietal. A liceça ambietal é, portato, uma autorização emitida pelo órgão público competete. Ela é cocedida ao empreededor para que exerça seu direito à livre iiciativa, desde que atedidas as cocessão de liceça de istalação para atividades que icluam desmatameto depede também de autorização específica do órgão ambietal (Código Florestal, Lei 4.771/65, art. 19 e Resolução Coama 378/06); autorização para supressão de área de preservação permaete para a execução de obras, plaos, atividades ou projetos de utilidade pública ou iteresse social (Código Florestal, Lei 4.771/65, art. 3º, 1º e art. 4º); liceça para trasportar e comercializar produtos florestais (Lei 4.771/65, art. 26, alíeas h e i, Portaria MMA 253/06 e Istrução Normativa Ibama 112/06, que dispõem sobre o Documeto de Origem Florestal - DOF);

11 Cartilha de Liceciameto Ambietal 11 liceça para costrução e autorização para operação de istalações ucleares e trasferêcia da propriedade ou da posse de istalações ucleares e comércio de materiais ucleares (Lei 6.189/74, art. 7º a 11); autorização para queimada cotrolada em práticas agropastoris e florestais (Lei 4.771/65, art. 27 e Decreto 2.661/98); cocessões das agêcias reguladoras, como por exemplo autorização para exploração de cetrais hidrelétricas até 30MW (Resolução ANEEL 395/98) e autorização para implatação, ampliação ou repoteciação de cetrais geradoras termelétricas, eólicas e de outras fotes alterativas de eergia (Resolução ANEEL 112/99). Para cohecimeto da legislação federal específica que rege o liceciameto de cada tipo de empreedimeto, está dispoibilizada o Aexo VII a relação de diplomas ambietais da esfera federal Costituição Federal, art. 170, VI. 2. Lei 6.938/81, art. 9º, IV. 3. Resolução Coama 237/97, art Resolução Coama 237/97, art. 9º. 5 O Aexo VII lista apeas a legislação federal. Cada Uidade da Federação pode dispor de legislação ambietal própria. Essa legislação deve ser cosultada o órgão ambietal de cada estado ou a Secretaria de Meio Ambiete dos Muicípios. Evetuais atualizações devem ser cosultadas o edereço liceciameto.

12 CAPÍTULO II CARACTERÍSTICAS DOS EMPREENDIMENTOS QUE NECESSITAM DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL

13 13 As liceças ão são exigidas para todo e qualquer empreedimeto. A Lei 6.938/81 determia a ecessidade de liceciameto para as atividades utilizadoras de recursos ambietais 6, cosideradas efetiva e potecialmete poluidoras, bem como as capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambietal. Os coceitos de poluição e degradação trazem termos abstratos que deixam abertura para a determiação da ecessidade, ou ão, de liceciameto. A defiição legal 7 do termo poluição é a degradação da qualidade ambietal resultate de atividades humaas. O termo degradação é traduzido pela legislação como a alteração adversa das características do meio ambiete. Cosiderado que ão há como fixar, de forma defiitiva, as atividades que causam degradação ou mesmo o grau de alteração adversa ocasioado, caberá cosulta ao órgão ambietal para determiar se o empreedimeto ecessita de liceciameto. Há, porém, atividades que, coforme a legislação vigete, já se sabe que devem ser ecessariamete liceciadas. A Resolução Coama 237/97 traz, em seu Aexo I, um rol de atividades sujeitas ao liceciameto ambietal 8. Para as atividades lá listadas, o liceciameto é essecial. No etato, essa relação é exemplificativa e ão pretede esgotar todas as possibilidades, o que seria impossível, mas fucioa como orteador para os empreededores. Atividades comparáveis ou com impactos de magitude semelhate têm grade probabilidade de também ecessitarem de liceciameto. Novamete, a cosulta ao órgão ambietal elucidará essa dúvida.

14 14 Tribual de Cotas da Uião Muitas vezes, o empreededor acaba também procurado o órgão ambietal por exigêcia de outros órgãos da admiistração pública resposáveis por autorizações de atividades em geral, tais como 9 : Prefeituras, para loteametos urbaos e costrução civil em geral; Icra, para atividades rurais; DNER e DER, para costrução de rodovias; DNPM, para atividade de lavra e/ou beeficiameto mieral; Ibama ou órgão ambietal estadual, para desmatameto. Um fator que aumetou o iteresse dos empreededores em verificar a ecessidade de liceciameto foi a possibilidade de icorrer as pealidades previstas a Lei de Crimes Ambietais (Lei 9.605/98). Art. 60. Costruir, reformar, ampliar, istalar ou fazer fucioar, em qualquer parte do território acioal, estabelecimetos, obras ou serviços potecialmete poluidores sem liceça ou autorização dos órgãos ambietais competetes, ou cotrariado as ormas legais e regulametares pertietes: Pea - deteção, de um a seis meses, ou multa, ou ambas as peas cumulativamete. 6. São recursos ambietais a atmosfera, as águas iteriores, superficiais e subterrâeas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elemetos da biosfera, a faua e a flora (Lei 6.938/81, art. 3º, V). 7. Lei 6.938/81, art. 3º, II e III. 8. Essa relação ecotra-se reproduzida o Aexo II desta Cartilha. 9. Cuha, S. B.; Guerra, A. J. T. (org). Avaliação e perícia ambietal. Rio de Jaeiro. Ed. Bertrad Brasil, p. 103/104.

15 Cartilha de Liceciameto Ambietal 15

16 CAPÍTULO III TIPOS DE LICENÇA AMBIENTAL

17 17 Para cada etapa do processo de liceciameto ambietal, é ecessária a liceça adequada: o plaejameto de um empreedimeto ou de uma atividade, a liceça prévia (LP); a costrução da obra, a liceça de istalação (LI) e a operação ou fucioameto, a liceça de operação (LO). LICENÇA PRÉVIA LP A LP deve ser solicitada a fase prelimiar do plaejameto da atividade. É ela que atestará a viabilidade ambietal do empreedimeto, aprovará sua localização e cocepção e defiirá as medidas mitigadoras e compesatórias dos impactos egativos do projeto. Sua fialidade é defiir as codições com as quais o projeto tora-se compatível com a preservação do meio ambiete que afetará. É também um compromisso assumido pelo empreededor de que seguirá o projeto de acordo com os requisitos determiados pelo órgão ambietal. Para as atividades cosideradas efetiva ou potecialmete causadoras de sigificativa degradação ambietal, a cocessão da liceça prévia depederá de aprovação de estudo prévio de impacto ambietal e respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiete (EIA/Rima). Esses istrumetos também são esseciais para solicitação de fiaciametos e obteção de icetivos fiscais 10. A liceça prévia possui extrema importâcia o atedimeto ao pricípio da preveção 11. Esse pricípio se deseha quado, diate da ieficácia ou pouca valia em se reparar um dao e da impossibilidade de se recompor uma situação aterior idêtica, a ação prevetiva é a melhor solução. Nesse coceito se ecaixam os daos ambietais, cujo impacto egativo muitas vezes é irreversível e irreparável. Durate o processo de obteção da liceça prévia, são aalisados diversos fatores que defiirão a viabilidade ou ão do empreedimeto que se pleiteia. É essa fase que: são levatados os impactos ambietais e sociais prováveis do empreedimeto; são avaliadas a magitude e a abragêcia de tais impactos; são formuladas medidas que, uma vez implemetadas, serão capazes de elimiar ou ateuar os impactos; são ouvidos os órgãos ambietais das esferas competetes;

18 18 Tribual de Cotas da Uião são ouvidos órgãos e etidades setoriais, em cuja área de atuação se situa o empreedimeto; são discutidos com a comuidade, caso haja audiêcia pública, os impactos ambietais e respectivas medidas mitigadoras e compesatórias; e é tomada a decisão a respeito da viabilidade ambietal do empreedimeto, levado-se em cota sua localização e seus prováveis impactos, em cofroto com as medidas mitigadoras dos impactos ambietais e sociais. O prazo de validade da Liceça Prévia deverá ser, o míimo, igual ao estabelecido pelo croograma de elaboração dos plaos, programas e projetos relativos ao empreedimeto ou atividade, ou seja, ao tempo ecessário para a realização do plaejameto, ão podedo ser superior a cico aos 12. Para covêios celebrados com a Admiistração Pública Federal, o liceciameto está previsto as ormas que regem a matéria como pré-requisito para sua celebração. O iteressado deverá expor proposta de covêio ao Miistério pertiete, mediate a apresetação de plao de trabalho que coterá, detre outros potos, a liceça prévia ambietal, quado o covêio evolver obras, istalações ou serviços que exijam estudos ambietais EIA/ Rima. Além disso, o projeto básico que itegrará o plao de trabalho já deverá cotemplar a implatação das medidas sugeridas os estudos ambietais. Aida, a liberação de recursos para covêios em que haja codicioates ambietais também está codicioada à existêcia da liceça prévia 13. LICENÇA DE INSTALAÇÃO LI Após a obteção da liceça prévia, iicia-se etão o detalhameto do projeto de costrução do empreedimeto, icluido esse as medidas de cotrole ambietal determiadas. Ates do iício das obras, deverá ser solicitada a liceça de istalação juto ao órgão ambietal, que verificará se o projeto é compatível com o meio ambiete afetado. Essa liceça dá validade à estratégia proposta para o trato das questões ambietais durate a fase de costrução. Ao coceder a liceça de istalação, o órgão gestor de meio ambiete terá: autorizado o empreededor a iiciar as obras; cocordado com as especificações costates dos plaos, programas e projetos ambietais, seus detalhametos e respectivos croogramas de implemetação; verificado o atedimeto das codicioates determiadas a liceça prévia; estabelecido medidas de cotrole ambietal, com vistas a garatir que a fase de implatação do empreedimeto obedecerá aos padrões de qualidade ambietal estabelecidos em lei ou regulametos; fixado as codicioates da liceça de istalação (medidas mitigadoras e/ou compesatórias). O órgão ambietal realizará o moitorameto das codicioates determiadas a cocessão da liceça. O acompahameto é feito ao logo do processo de istalação e será determiado coforme cada empreedimeto. O prazo de validade da liceça de istalação será, o míimo, igual ao estabelecido pelo croograma de istalação do empreedimeto ou atividade, ão podedo ser superior a seis aos 14. LICENÇA DE OPERAÇÃO LO A liceça de operação autoriza o iteressado a iiciar suas atividades. Tem por fialidade aprovar a forma proposta de

19 Cartilha de Liceciameto Ambietal 19 covívio do empreedimeto com o meio ambiete e estabelecer codicioates para a cotiuidade da operação. Sua cocessão é por tempo fiito. A liceça ão tem caráter defiitivo e, portato, sujeita o empreededor à reovação, com codicioates superveietes. O prazo de validade da liceça de operação deverá cosiderar os plaos de cotrole ambietal e será, em regra, de, o míimo, quatro aos e, o máximo, dez aos 15. Cada ete da federação determiará, detro desse limite, seus prazos. O ideal é que esse prazo termie quado termiarem os programas de cotrole ambietal, o que possibilitará uma melhor avaliação dos resultados bem como a cosideração desses resultados o mérito da reovação da liceça. No etato, o órgão ambietal poderá estabelecer prazos de validade específicos para a liceça de operação de empreedimetos que, por sua atureza e peculiaridades, estejam sujeitos a ecerrameto ou modificação em prazos iferiores 16. A reovação da LO deverá ser requerida pelo empreededor com atecedêcia míima de 120 dias do prazo de sua expiração. O pedido de reovação deverá ser publicado o joral oficial do estado e em um periódico regioal ou local de grade circulação 17. Caso o órgão ambietal ão coclua a aálise esse prazo, a liceça ficará automaticamete reovada até sua maifestação defiitiva 18. Na reovação da liceça de operação, é facultado ao órgão ambietal, mediate justificativa, aumetar ou reduzir seu prazo de validade, matedo os limites míimo e máximo de quatro e dez aos. A decisão será tomada com base a avaliação do desempeho ambietal da atividade o período aterior 19. A liceça de operação possui três características básicas: 1. é cocedida após a verificação, pelo órgão ambietal, do efetivo cumprimeto das codicioates estabelecidas as liceças ateriores (prévia e de istalação); 2. cotém as medidas de cotrole ambietal (padrões ambietais) que servirão de limite para o fucioameto do empreedimeto ou atividade; e 3. especifica as codicioates determiadas para a operação do empreedimeto, cujo cumprimeto é obrigatório, sob pea de suspesão ou cacelameto da operação. O liceciameto é um compromisso, assumido pelo empreededor juto ao órgão ambietal, de atuar coforme o projeto aprovado. Portato, modificações posteriores, como, por exemplo, redeseho de seu processo produtivo ou ampliação da área de ifluêcia, deverão ser levadas ovamete ao crivo do órgão ambietal. Além disso, o órgão ambietal moitorará, ao logo do tempo, o trato das questões ambietais e das codicioates determiadas ao empreedimeto. 10. Lei 6.938/81, art Pricípio previsto a Costituição Federal, artigo 225, IV:...icumbe ao Poder Público exigir... estudo prévio de impacto ambietal. 12. Resolução Coama 237/97, art. 18, I. 13. Istrução Normativa STN 01/97, art. 2º, III-A e art. 18, 3º. 14. Resolução Coama 237/97, art. 18, II. 15. Resolução Coama 237/97, art. 18, III. 16. Resolução Coama 237/97, art. 18, 2º. 17. Lei 6.938/81, art. 10, 1º. 18. Resolução Coama 237/97, art. 18, 4º. 19. Resolução Coama 237/97, art. 18, 3º.

20 CAPÍTULO IV PROCEDIMENTOS PARA A OBTENÇÃO DA LICENÇA AMBIENTAL

21 21 Para obteção do liceciameto de empreedimeto ou atividade potecialmete poluidores, o iteressado deverá dirigir sua solicitação ao órgão ambietal competete para emitir a liceça, podedo esse ser o Istituto Brasileiro do Meio Ambiete e dos Recursos Naturais Reováveis (Ibama), os órgãos de meio ambiete dos estados e do Distrito Federal (Oemas) ou os órgãos muicipais de meio ambiete (Ommas). O órgão ambietal poderá estabelecer prazos de aálise difereciados para cada modalidade de liceça, em fução das peculiaridades da atividade ou empreedimeto, bem como para a formulação de exigêcias complemetares, desde que observado o prazo máximo de seis meses a cotar do ato de protocolar o requerimeto até seu deferimeto ou ideferimeto, ressalvados os casos em que houver Estudo de Impacto Ambietal EIA e Relatório de Impacto Ambietal - Rima e/ou audiêcia pública, quado o prazo será de até doze meses 20. O EIA/Rima está tratado em maiores detalhes o capítulo V. 1ª ETAPA - IDENTIFICAÇÃO DO ÓRGÃO AMBIENTAL COMPETENTE PARA LICENCIAR De acordo com o art. 23, icisos III, VI e VII da Costituição Federal, é competêcia comum da Uião, dos estados, do Distrito Federal e dos muicípios proteger o meio ambiete, combater a poluição em qualquer de suas formas e preservar as florestas, a faua e a flora. No âmbito do liceciameto, essa competêcia comum foi delimitada pela Lei 6.938/81. Esse ormativo determiou que a tarefa de liceciar é, em regra, dos estados, cabedo ao Ibama uma atuação supletiva, ou seja, substituir o órgão estadual em sua

22 22 Tribual de Cotas da Uião ausêcia ou omissão. Portato, ão cabe ao órgão federal rever ou suplemetar a liceça ambietal cocedida pelos estados 21. Ao Ibama também foi dada pelo dispositivo legal competêcia origiária para liceciar. Coube a esse órgão a resposabilidade pelo liceciameto de atividades e obras com sigificativo impacto ambietal, de âmbito acioal ou regioal. A Resolução Coama 237/97 equadra essa situação os empreedimetos: localizados ou desevolvidos cojutamete o Brasil e em país limítrofe; o mar territorial; a plataforma cotietal; a zoa ecoômica exclusiva; em terras idígeas ou em uidades de coservação do domíio da Uião; localizados ou desevolvidos em dois ou mais estados; cujos impactos ambietais diretos ultrapassem os limites territoriais do País ou de um ou mais estados; destiados a pesquisar, lavrar, produzir, beeficiar, trasportar ou armazear material radioativo ou dele dispor, em qualquer estágio, ou que utilizem eergia uclear em qualquer de suas formas e aplicações, mediate parecer da Comissão Nacioal de Eergia Nuclear (CNEN); bases ou empreedimetos militares, quado couber, observada a legislação específica. A Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei /06) icluiu ovas competêcias origiárias de liceciameto 22. A exploração de florestas e formações sucessoras, tato de domíio público como de domíio privado, depederá de prévio liceciameto, em regra, dos órgãos ambietais estaduais. Mas será de resposabilidade do Ibama quado se tratar especificamete de: florestas públicas de domíio da Uião; uidades de coservação criadas pela Uião; exploração de florestas e formações sucessoras que evolvam maejo ou supressão de espécies equadradas o Aexo II da Coveção sobre Comércio Iteracioal das Espécies da Flora e Faua Selvages em Perigo de Extição-CITES, promulgada pelo Decreto /75, com texto aprovado pelo Decreto Legislativo 54/75; exploração de florestas e formações sucessoras que evolvam maejo ou supressão de florestas e formações sucessoras em imóveis rurais que abrajam dois ou mais estados; supressão de florestas e outras formas de vegetação ativa em área maior que: a) dois mil hectares em imóveis rurais localizados a Amazôia Legal; b) mil hectares em imóveis rurais localizados as demais regiões do país; supressão de florestas e formações sucessoras em obras ou atividades potecialmete poluidoras liceciadas pelo Ibama; maejo florestal em área superior a ciqüeta mil hectares. A Resolução Coama 237/97 relacioa também as situações em que a competêcia pelo liceciameto recai sobre os órgãos estaduais e distrital. São de sua resposabilidade os empreedimetos e atividades: localizados ou desevolvidos em mais de um muicípio ou em uidades de coservação de domíio estadual ou do Distrito Federal; localizados ou desevolvidos as florestas e demais formas de vegetação atural de preservação permaete relacioadas o art. 2º da Lei 4.771/65 e em todas as que assim forem cosideradas por ormas federais, estaduais ou muicipais; cujos impactos ambietais diretos ultrapassem os limites territoriais de um ou mais muicípios;

23 Cartilha de Liceciameto Ambietal 23 delegados pela Uião aos estados ou ao Distrito Federal por istrumeto legal ou covêio. Aos órgãos ambietais muicipais compete o liceciameto ambietal de empreedimetos e atividades de impacto ambietal local e daqueles sobre os quais houve delegação pelo estado por istrumeto legal ou covêio 23. Recete alteração a competêcia legal muicipal para liceciar também foi itroduzida pela Lei de Gestão de Florestas Públicas, que modificou a Lei do Código Florestal 24. Na exploração de florestas e formações sucessoras, tato de domíio público como de domíio privado, será competêcia dos muicípios liceciar quado se referir a: florestas públicas de domíio do muicípio; uidades de coservação criadas pelo muicípio; casos que lhe forem delegados por covêio ou outro istrumeto admissível, ouvidos, quado couber, os órgãos competetes da Uião, dos estados e do Distrito Federal. A distribuição de competêcias realizada pelos ormativos é matéria que, por vezes, gera dúvidas e discussões acerca de qual esfera é resposável pelo liceciameto frete a situações cocretas. No Parecer 312/CONJUR/MMA/2004, a cosultoria jurídica do Miistério do Meio Ambiete examia um caso cocreto de coflito de competêcia etre o Ibama e o órgão estadual e traz esclarecimetos sobre o tema. A coclusão do parecer afirma que o fudameto para repartição da competêcia para liceciameto etre os etes da federação é o impacto ambietal do empreedimeto. Não é relevate para essa repartição se o bem é de domíio da Uião, dos estados ou dos muicípios. O que se cosidera é a predomiâcia do iteresse, com base o alcace dos impactos ambietais diretos (e ão idiretos) da atividade 25. Essa distribuição de competêcias, o etato, aida gera dúvidas e somete será pleamete esclarecida quado houver a regulametação das competêcias comus da Uião, dos estados e dos muicípios, previstas o art. 23 da Costituição Federal. No Aexo IV são apresetados algus exemplos ilustrativos de empreedimetos para os quais se especifica o órgão competete para o liceciameto, de acordo com etedimeto exposto o parecer do Miistério do Meio Ambiete, acima destacado. 2ª ETAPA - LICENÇA PRÉVIA 26 Para a obteção da liceça prévia de um empreedimeto, o iteressado deverá procurar o órgão ambietal competete aida a fase prelimiar de plaejameto do projeto. Iicialmete, o órgão ambietal defiirá, com a participação do empreededor, os documetos, projetos e estudos ambietais ecessários ao iício do processo de liceciameto. Em seguida, o empreededor cotratará a elaboração dos estudos ambietais, que deverão cotemplar todas as exigêcias determiadas pelo órgão liceciador. O Tribual de Cotas da Uião já firmou etedimeto de que o órgão ambietal ão poderá admitir a postergação de estudos de diagóstico próprios da fase prévia para as fases posteriores sob a forma de codicioates do liceciameto (Acórdão 1.869/2006-Pleário-TCU, item 2.2.2). O empreededor deverá requerer formalmete a liceça e apresetar os estudos, documetos e projetos defiidos iicialmete. Nessa fase aida ão é apresetado o projeto básico, que somete será elaborado após expedida a liceça prévia. O pedido de liceciameto deverá ser publicado em joral oficial do ete federativo e em periódico regioal ou local de grade circulação 27.

24 24 Tribual de Cotas da Uião No procedimeto de liceciameto ambietal deverá costar, obrigatoriamete, a certidão da Prefeitura Muicipal, declarado que o local e o tipo de empreedimeto ou atividade estão em coformidade com a legislação aplicável ao uso e ocupação do solo e, quado for o caso, a autorização para supressão de vegetação e a outorga para o uso da água, emitidas pelos órgãos competetes 28. Após receber a solicitação de liceça e a documetação pertiete, o órgão ambietal aalisará o processo e realizará, se ecessário, vistoria técica o local ode será implatado o empreedimeto. O órgão ambietal poderá solicitar esclarecimetos e complemetações das iformações prestadas uma úica vez, cabedo reiteração do pedido, caso aqueles ão teham sido satisfatórios. O empreededor deverá ateder à solicitação de esclarecimetos e complemetações formuladas pelo órgão ambietal, detro do prazo máximo de quatro meses, a cotar do recebimeto da respectiva otificação. Esse prazo poderá ser prorrogado, desde que justificado e com a cocordâcia do empreededor e do órgão ambietal. Caso as iformações ão sejam prestadas o prazo legal, o empreededor poderá ter seu pedido de liceça arquivado. Isso ocasioará a ecessidade de iiciar outro processo de liceciameto, com ovos custos de aálise, se for do iteresse do particular 29. Poderá haver, em algumas situações, audiêcia pública essa etapa, quado a comuidade é chamada a avaliar os impactos ambietais e sociais do empreedimeto e as medidas mitigadoras de cada um deles. As aludidas audiêcias estão discipliadas pela Resolução Coama 09/87 e têm por objetivo expor aos iteressados o coteúdo do Estudo de Impacto Ambietal EIA e do Relatório de Impactos sobre o Meio Ambiete Rima, esclarecedo dúvidas e recolhedo críticas e sugestões a respeito. Se ocorrer audiêcia, abre-se ovo prazo para esclarecimetos e complemetações decorretes dos debates e questões levatadas pelo público. A defiição da ecessidade de audiêcia pública, o caso cocreto, é feita: a) a critério do órgão ambietal; b) por solicitação de etidade civil; c) por solicitação do Miistério Público; ou d) por abaixo-assiado de pelo meos 50 cidadãos. De qualquer forma, o órgão ambietal deve abrir prazo de 45 dias para a solicitação de audiêcia pública, a partir da data do recebimeto do Rima. No caso de haver solicitação a forma regimetal e o órgão ambietal egar a realização, a liceça prévia cocedida será cosiderada ula. Fializada a aálise, o órgão liceciador emite parecer técico coclusivo e, quado couber, parecer jurídico, decidido pelo deferimeto ou ideferimeto do pedido de liceça, dado-se a devida publicidade. Coforme etedimeto firmado pelo Tribual de Cotas da Uião o Acórdão 1.869/2006-Pleário-TCU, o órgão ambietal deverá emitir parecer técico coclusivo que exprima de forma clara suas coclusões e propostas de ecamihameto bem como sua opiião sobre a viabilidade ambietal do empreedimeto. Ao expedir a liceça prévia, o órgão ambietal estabelecerá as medidas mitigadoras que devem ser cotempladas o projeto de implatação. O cumprimeto dessas medidas é codição para se solicitar e obter a liceça de istalação. Após pagameto e retirada da liceça prévia, o empreededor deve publicar iformativo comuicado a cocessão o diário oficial da esfera de govero que liceciou e em joral de grade circulação.

25 Cartilha de Liceciameto Ambietal 25

26 26 Tribual de Cotas da Uião Nos casos de liceciameto ambietal de empreedimetos com sigificativo impacto ambietal - assim cosiderado pelo órgão ambietal, com fudameto em estudo de impacto ambietal e respectivo relatório (EIA/Rima) -, o empreededor é obrigado a apoiar fiaceiramete a implatação e mauteção de uidade de coservação do Grupo de Proteção Itegral 30. Para tato, o órgão liceciador estabelecerá esse motate com base em percetual sobre os custos totais previstos do empreedimeto, de acordo com o grau de impacto ambietal. Este percetual será de, o míimo, 0,5% 31. Mais detalhes sobre o assuto estão tratados o capítulo VII. 3ª ETAPA - ELABORAÇÃO DO PROJETO BÁSICO De posse da LP, o próximo passo do empreededor é elaborar o projeto básico do empreedimeto (projeto de egeharia). O projeto básico é o cojuto de elemetos ecessários e suficietes, com ível de precisão adequado para caracterizar a obra, o serviço, o complexo de obras ou o complexo de serviços objeto da licitação. Ele é elaborado com base as idicações dos estudos técicos prelimiares, de forma a assegurar a viabilidade técica e o adequado tratameto do impacto ambietal do empreedimeto. O projeto deve possibilitar a avaliação do custo da obra e a defiição dos métodos e do prazo de execução 32. O adequado tratameto da questão ambietal o projeto básico sigifica adotar, a sua elaboração, a localização e a solução técica aprovadas a liceça prévia e icluir as medidas mitigadoras e compesatórias defiidas como codicioates a liceça prévia o item idetificação dos tipos de serviços a executar e de materiais e equipametos a icorporar à obra 33. A elaboração do projeto básico ates da cocessão da liceça prévia ão deve ser adotada. Ao solicitar essa liceça, o empreededor ão tem garatia de que ela será outorgada. Também é possível que, para ser autorizada, o projeto teha que sofrer modificações em ites como localização e solução técica. Por isso, ão faz setido gastarem-se recursos com a elaboração de projeto básico que pode ão ser autorizado ou possivelmete teha de ser modificado a sua essêcia. Recomeda-se assim que ele seja elaborado após a cocessão da liceça prévia, quado estará atestada a viabilidade ambietal o que cocere à localização e à cocepção do empreedimeto. Recohecedo a ecessidade da existêcia de liceça prévia aterior ao projeto básico, o TCU proferiu o Acórdão 516/2003-TCU- Pleário, qualificado como idício de irregularidade grave, para efeitos de suspesão de repasses de recursos federais, a juízo do Cogresso Nacioal, a cotratação de obras com base em projeto básico elaborado sem a existêcia de liceça ambietal prévia (subitem ). 4ª ETAPA - LICENÇA DE INSTALAÇÃO A solicitação da liceça de istalação deverá ser dirigida ao mesmo órgão ambietal que emitiu a liceça prévia. Quado da solicitação da liceça de istalação, o empreededor deve: comprovar o cumprimeto das codicioates estabelecidas a liceça prévia; apresetar os plaos, programas e projetos ambietais detalhados e respectivos croogramas de implemetação;

27 Cartilha de Liceciameto Ambietal 27 apresetar o detalhameto das partes dos projetos de egeharia que teham relação com questões ambietais. Os plaos, programas e projetos ambietais detalhados serão objeto de aálise técica o órgão ambietal, com maifestação, se for o caso, de órgãos ambietais de outras esferas de govero 34. Após essa aálise, é elaborado parecer técico com posicioameto a favor ou cotra a cocessão da liceça de istalação. Cocluída a aálise, o empreededor efetua o pagameto do valor cobrado pela liceça, recebe-a e publica aúcio de sua cocessão o diário oficial da esfera de govero que cocedeu a liceça e em periódico de grade circulação a região ode se istalará o empreedimeto. Durate a vigêcia da liceça de istalação, o empreededor deve implemetar as codicioates determiadas, com o objetivo de preveir ou remediar impactos sociais e ambietais que possam ocorrer durate a fase de costrução da obra, por meio de medidas que devem ser tomadas ates do iício de operação. O cumprimeto das codicioates é idispesável para a solicitação e obteção da liceça de operação. O iício das obras sem a devida liceça de istalação é cosiderado idício de grave irregularidade, coforme Acórdão 516/2003-TCU- Pleário (subitem ), esejado a iterrupção do repasse de recursos fiaceiros federais. As licitações de obras, istalações e serviços que demadem liceça ambietal somete devem ocorrer após a obteção da liceça de istalação, coforme Acórdão 26/2002-Pleário-TCU, item 8.2, subitem e. Nesse mometo, o empreedimeto já tem sua viabilidade ambietal atestada pelo órgão competete bem como sua cocepção, localização e projeto de istalação devidamete aprovados. 5ª ETAPA - LICENÇA DE OPERAÇÃO Ao requerer a liceça de operação, o empreededor deve comprovar juto ao mesmo órgão ambietal que cocedeu as liceças prévia e de istalação: a implatação de todos os programas ambietais que deveriam ter sido executados durate a vigêcia da liceça de istalação; a execução do croograma físico-fiaceiro do projeto de compesação ambietal; o cumprimeto de todas as codicioates estabelecidas quado da cocessão da liceça de istalação. Caso esteja pedete alguma codicioate da liceça prévia, sua implemetação também deverá ser comprovada essa oportuidade. Após requerer a liceça de operação, e ates da sua obteção, o iteressado poderá realizar testes pré-operacioais exclusivamete após autorização do órgão ambietal. Com base os documetos, projetos e estudos solicitados ao empreededor, em pareceres de outros órgãos ambietais porvetura cosultados e em vistoria técica o local do empreedimeto, o órgão elabora parecer técico sobre a possibilidade da cocessão da liceça de operação. Em caso favorável, o iteressado deve efetuar o pagameto da liceça e provideciar a publicação de comuicado a respeito do fato o diário oficial da esfera de govero que liceciou e em joral regioal ou local de grade circulação.

28 28 Tribual de Cotas da Uião Cocedida a liceça de operação, fica o empreededor obrigado a implemetar as medidas de cotrole ambietal e as demais codicioates estabelecidas, sob pea de ter a LO suspesa ou cacelada pelo órgão outorgate. Normalmete as codicioates visam à implemetação correta dos programas de moitorameto e acompahameto ambietal do empreedimeto. Também objetivam preveir riscos à saúde e ao meio ambiete. A importâcia do correto liceciameto igualmete é reafirmada pelo Tribual de Cotas da Uião. Para essa Corte, o iício das operações do empreedimeto sem a devida liceça de operação é cosiderado idício de grave irregularidade, coforme Acórdão 516/2003- TCU-Pleário (subitem ), acarretado a suspesão de repasse de recursos federais. No que se refere à reovação da LO, esta deve ser requerida com atecedêcia míima de 120 dias da expiração do prazo de validade da liceça aterior, mediate publicação do pedido em diário oficial e joral de grade circulação 35. REGULARIZAÇÃO DE EMPREENDIMENTO NÃO LICENCIADO DEVIDAMENTE Caso as obras se iiciem sem a competete liceça de istalação ou as operações comecem ates da liceça de operação, o empreededor icorre em crime ambietal, coforme previsto o art. 60 da Lei de Crimes Ambietais (Lei 9.605/98), sujeitado-se às pealidades listadas o Capítulo VI. Para permitir a regularização de empreedimetos, foi estabelecido pelo art. 79-A da Lei de Crimes Ambietais (itroduzido pela MP , de 23 de agosto de 2001) o istrumeto deomiado Termo de Compromisso. É importate observar que o Termo de Compromisso ão tem por fialidade aceitar o empreedimeto irregular. Ao cotrário, serve exclusivamete para permitir que as pessoas físicas ou jurídicas resposáveis por empreedimetos irregulares promovam as ecessárias correções de suas atividades, mediate o atedimeto das exigêcias impostas pelas autoridades ambietais competetes. No caso de obras já iiciadas, o órgão ambietal, ao cosiderar o caso particular, levado em cota o croograma da obra, os impactos ambietais e os ecessários programas de cotrole ambietal, celebrará Termo de Compromisso com o empreededor. Nesse caso,

29 Cartilha de Liceciameto Ambietal 29 será emitida a liceça de istalação, sem a ecessidade de recorrer ao liceciameto prévio 36. Ao celebrar o Termo, o empreededor beeficia-se da suspesão da multa porvetura aplicada em decorrêcia da ausêcia de liceciameto. Ficam também suspesas as sações admiistrativas impostas ao empreededor que tiverem como causas fatos cotemplados o acordo firmado Resolução Coama 237/97, art Oliveira, A. I. A. Itrodução à legislação ambietal brasileira e liceciameto ambietal. Rio de jaeiro, ed. Lume Juris, p. 318/ A Resolução Coama 378/06 defie os empreedimetos potecialmete causadores de impacto ambietal acioal ou regioal, para fis do disposto o iciso III do 1º do art. 19 da Lei 4.771/65, modificada pela Lei / Resolução Coama 237/97, art. 6º. 24. Lei do Código Florestal 4.771/65, art. 19, 2º, modificada pela Lei / Parecer 312/CONJUR/MMA/2004 dispoível o edereço eletrôico: modulos/arquivo.php?cod_arqweb=par Resolução Coama 237/97, art Lei 6.938/81, art. 10, 1º. 28. Resolução Coama 237/97, art. 10, 1º. 29. Resolução Coama 237/97, art. 15 e Uidade de coservação: espaço territorial e seus recursos ambietais, icluido as águas jurisdicioais, com características aturais relevates, legalmete istituído pelo Poder Público, com objetivos de coservação e limites defiidos, sob regime especial de admiistração, ao qual se aplicam garatias adequadas de proteção. Proteção itegral: mauteção dos ecossistemas livres de alterações causadas por iterferêcia humaa, admitido apeas o uso idireto dos seus atributos aturais. (Lei 9.985/00, art. 2º, I e VI) 31. Lei 9.985/00, art Lei 8.666/93, art. 6º, IX. 33. Lei 8.666/93, art.6º, IX, c. 34. Resolução Coama 237/97, artigos 4º, 1º, e 5º, parágrafo úico. 35. Resolução Coama 237/97, art. 18, 4ºe Lei 6.938/81, art. 10, 1º. 36. Apesar de os estudos ambietais servirem para embasar a avaliação de impactos ambietais para a cocessão da liceça prévia, esses casos, excepcioalmete, esses documetos servirão para fudametar a cocessão da liceça de istalação ou de operação. 37. Lei de Crimes Ambietais (itroduzido pela MP , de 23 de agosto de 2001), art. 79-A, 3º.

30 CAPÍTULO V ESTUDOS AMBIENTAIS

31 31 A Política Nacioal do Meio Ambiete - PNMA efatizou a ecessidade de compatibilizar o desevolvimeto socioecoômico com a qualidade ambietal, tedo como objetivo precípuo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambietal propícia à vida, visado assegurar as codições ao desevolvimeto socioecoômico, aos iteresses da seguraça acioal e à proteção da digidade da vida humaa 38. Para garatir esse objetivo, o art. 9º da Lei 6.938/81 relacioou os istrumetos da PNMA, etre os quais se destacam o liceciameto ambietal e a avaliação de impacto ambietal (AIA). Por AIA etedese um cojuto de procedimetos capaz de assegurar, desde o iício do processo, que se faça um exame sistêmico dos impactos ambietais de uma ação proposta e de suas alterativas, e que os resultados sejam apresetados de forma adequada ao público e aos resposáveis pela tomada de decisão, e por eles cosiderados. Além disso, os procedimetos devem garatir a adoção das medidas de proteção ao meio ambiete determiadas, o caso de decisão sobre a implatação do projeto 39. Destaca-se que a Lei 6.938/81 ão relacioa esses dois istrumetos da PNMA. Somete a partir da Resolução Coama 01/86 que a AIA vicula-se ao liceciameto ambietal de atividades potecialmete poluidoras 40. Essa resolução cosagrou o Estudo de Impacto Ambietal (EIA) como o pricipal documeto de avaliação de impactos de empreedimetos sujeitos ao liceciameto, determiado que o EIA deve trazer a defiição das medidas mitigadoras dos impactos egativos, etre elas os equipametos de cotrole e os sistemas de tratameto de despejos, avaliado a eficiêcia de cada uma delas 41. Dessa forma, defiições, resposabilidades, critérios básicos e diretrizes gerais para o uso e implemetação da AIA só foram estabelecidas a partir da Resolução Coama 01/86. A ecessidade de EIA para o liceciameto é reforçada pela Costituição Federal de 1988 que icumbiu ao Poder Público exigir, a forma da lei, para istalação de obra ou de atividade potecialmete causadora de sigificativa degradação do meio ambiete, estudo prévio de impacto ambietal, a que se dará publicidade 42.

32 32 Tribual de Cotas da Uião Além disso, segudo o art. 3º da Resolução Coama 237/97, todas as atividades e empreedimetos cosiderados, efetiva ou potecialmete, causadores de sigificativa degradação do meio ambiete depederão de estudo de impacto ambietal (EIA) e de respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiete (Rima). Para idetificar atividades e empreedimetos que demadam o EIA, a Resolução Coama 01/86 apresetou uma lista com algus deles cosiderados potecialmete causadores de sigificativo impacto ambietal 43. Destaca-se que essa lista é apeas exemplificativa e que, por isso, poderá ser ampliada, mas ão reduzida. Cabe destacar que o iciso IV, 1º do art. 225 da Costituição Federal de 1988 ão torou o EIA exigível em todos os casos, permitido àqueles relacioados a empreedimeto ou atividade ão potecialmete causadora de sigificativa degradação ambietal a possibilidade de dispesa da realização desse estudo. O que ão sigifica que a Carta Maga teha dispesado o órgão liceciador competete de proceder à avaliação do impacto ambietal (AIA) do empreedimeto a ser liceciado por meio de outros estudos ambietais. Nesses casos, quado o impacto ambietal de determiada atividade for cosiderado ão-sigificativo, o órgão ambietal competete poderá demadar, como subsídio ao processo decisório, outros estudos ambietais que ão o EIA, tais como relatório ambietal, plao e projeto de cotrole ambietal, relatório ambietal prelimiar, diagóstico ambietal, plao de maejo, plao de recuperação de área degradada e aálise prelimiar de risco 44. Assim, a Resolução Coama 237/97, o parágrafo úico de seu art. 3º, assevera que o órgão ambietal competete, verificado que a atividade ou empreedimeto ão é potecialmete causador de sigificativa degradação do meio ambiete, defiirá os estudos ambietais pertietes ao respectivo processo de liceciameto. Dessa forma, quado da solicitação de liceça prévia, ou da regularização de empreedimeto em fase de istalação ou de operação que ão dispoha da correspodete liceça, o órgão ambietal especifica os estudos ambietais que devem ser apresetados como codição para a cocessão de liceça. Por estudos ambietais etede-se aqueles que avaliam os aspectos ambietais relacioados a localização, istalação, operação e ampliação de uma atividade ou empreedimeto, apresetado como subsídio para a aálise da liceça requerida 45. A defiição da ecessidade desses estudos é feita pela legislação ou de acordo com critérios do próprio órgão ambietal, ao aalisar o caso cocreto. Destaca-se que, o âmbito federal, ao Istituto Brasileiro do Meio Ambiete e dos Recursos Reováveis (Ibama) cabe apeas determiar a feitura e realizar a aálise de estudos de impacto ambietal (EIA) e de relatórios de impacto ambietal (Rima) 46. Cotudo, ates de apresetar a seção seguite, é importate destacar que os estudos ambietais supracitados compõem a avaliação de impactos ambietais (AIA) e ão se cofudem com a avaliação ambietal estratégica (AAE). A pricipal difereça etre a AIA e a AAE é que, o Brasil, a AIA é empregada usualmete a avaliação ambietal de projetos de obras e atividades, e a AAE, a avaliação ambietal de políticas, plaos e programas. Assim, apesar de o liceciameto de empreedimetos e atividades potecialmete poluidores, que utilizam a AIA em suas aálises, ser um istrumeto importate para iserir a variável ambietal o processo de tomada de decisão, esse possui uma ação limitada, pois subsidia apeas as decisões de aprovação de projetos idividuais.

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