II Seminário Nacional da Rede de Monitoramento e Controle da Resistência Microbiana em Serviços de Saúde RELATÓRIO FINAL

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1 II Seminário Nacional da Rede de Monitoramento e Controle da Resistência Microbiana em Serviços de Saúde RELATÓRIO FINAL 1

2 ÍNDICE I - INTRODUÇÃO... 3 II - NOTIFICAÇÃO Vigilância / Requerimentos Patógenos prioritários e marcadores de resistência Sistema de notificação dos dados de perfil de susceptibilidade... 5 III - COMPOSIÇÃO DA REDE RM Componentes Participação dos componenets da Rede RM Definição de critérios de inclusão e exclusão de hospitais na Rede RM...7 IV - RETRO ALIMENTAÇÃO DE DADOS AOS NOTIFICANTES Dados de resistência microbiana Dados de controle de qualidade Dados sobre uso racional de ATM e medidas de prevenção/controle... 8 V - CONTROLE DA QUALIDADE / LABORATÓRIOS DE MICROBIOLOGIA E LACEN Controle Interno da Qualidade (CIQ) Programa de Avalição Externa da Qualidade (AEQ) ANEXO

3 I - INTRODUÇÃO O II Seminário Nacional da Rede de Monitoramento e Controle da Resistência Microbiana em Serviços de Saúde foi realizado no período de 22 a 24 de outubro de 2007, em Foz do Iguaçu, em paralelo ao Simpósio Brasil Argentina de Resistência Microbiana. Este relatório tem como objetivo consolidar e divulgar os encaminhamentos resultantes das discussões entre os participantes da Rede RM e aprovados durante a plenária final, abrangendo os temas: notificação, composição da rede, retro-alimentação dos dados e controle de qualidade dos Laboratórios de Microbiologia dos Hospitais Sentinelas e Colaboradores e Laboratórios Centrais de Saúde Pública - LACEN. II NOTIFICAÇÃO DOS DADOS DE PERFIL DE SUSCEPTIBILIDADE A notificação dos dados de perfil de susceptibilidade foi iniciada em julho de 2006, seguindo os critérios definidos nos Seminários de Gerenciamento de Informações realizados em abril e junho de Segundo estes critérios, as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar CCIH devem notificar os patógenos prioritários (e seu perfil de susceptibilidade) relacionados a infecção primária da corrente sanguínea (infecção hospitalar) em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva. Os critérios de notificação, patógenos prioritários e marcadores de resistência foram revistos, com a seguinte redação final: 1. Vigilância / Requerimentos Infecção primária da corrente sanguínea confirmada laboratorialmente (infecção hospitalar) segundo critérios NISS (anexo 1); Local de internação: Unidades de Terapia Intensiva (UTI pediátrica, neonatal, adultos) Notificar separadamente os dados das diversas UTIs do hospital. 2.3 Amostra: sangue periférico 2.4 Exame: hemocultura e determinação do perfil de susceptibilidade. Observações Importantes: - Considerar os critérios NISS na definição de infecção primária de corrente sanguínea; - Não notificar contaminação; 3

4 - Não notificar infecção comunitária; - A CCIH deve enviar todos os patógenos isolados que se enquadram nos critérios acima, independente de serem sensíveis ou resistentes aos antimicrobianos testados. 2. Patógenos prioritários e marcadores de resistência Os patógenos prioritários e marcadores de resistência definidos pela Rede RM para notificação são: Enterococcus faecium e E. faecalis; - Marcadores de resistência: Susceptibilidade a penicilina, ampicilina, vancomicina, linezolida, teicoplanina, aminoglicosídeos em níveis elevados (gentamicina e estreptomicina); Escherichia coli - Marcadores de resistência: Susceptibilidade a cefalosporina de 3º geração (cefotaxima ou ceftriaxona e ceftazidima), ciprofloxacina, imipenem, meropenem, ertapenem e detecção de ESBL. Klebsiella pneumoniae - Marcadores de resistência: Susceptibilidade a cefalosporina de 3º geração (cefotaxima ou ceftriaxona e ceftazidima), ciprofloxacina, imipenem, meropenem, ertapenem e detecção de ESBL. Staphylococcus coagulase negativo - Marcadores de resistência: Susceptibilidade a oxacilina. Acinetobacter baumannii e Acinetobacter spp -Marcadores de resistência: Susceptibilidade a piperacilina tazobactam; ampicilina/sulbactam; ceftazidima, cefepime; carbapenêmicos (imipenem e meropenem); fluoroquinolonas (ciprofloxacina e/ou levofloxacina); aminoglicosídeos (gentamicina e amicacina). 4

5 Pseudomonas aeruginosa - Marcadores de resistência: Susceptibilidade a piperacilina e/ou piperacilina tazobactam; ceftazidima, cefepime; carbapenêmicos (imipenem e meropenem); fluoroquinolonas (ciprofloxacina e/ou levofloxacina); aminoglicosídeos (gentamicina e amicacina) e polimixina. Staphylococcus aureus - Marcadores de resistência: Susceptibilidade a oxacilina e vancomicina. Candida albicans ou não albicans - Marcadores de resistência: Susceptibilidade a fluconazol. Enterobacter spp - Marcadores de resistência: Susceptibilidade a cefalosporina de 3ª geração (cefotaxima ou ceftriaxona e ceftazidima), cefalosporina de 4ª geração (cefepime), ciprofloxacina, imipenem, meropenem e ertapenem. Observação importante: Os marcadores de resistência se referem ao que é relatado pela CCIH, e não ao que é testado pelo laboratório de microbiologia. No caso do Staphylococcus aureus e Staphylococcus coagulase negativo, por exemplo, o laboratório deve continuar testando cefoxitina, conforme recomendações do CLSI, e relatando oxacilina. 3.Sistema de notificação dos dados de perfil de susceptibilidade Como o Sistema SINAIS ainda apresenta limitações em seu módulo de transmissão, a Rede RM encerra o período de validação e considera as seguintes formas válidas para transmissão: A CCIH realizará a notificação dos dados de perfil de susceptibilidade via mensalmente, até o dia 15 do mês subseqüente ao mês de vigilância, utilizando uma das seguintes formas de documento anexado: - relatórios emitidos pelo SINAIS ou; planilha em excel padronizada pela Rede RM. 5

6 Relembramos que a emissão dos relatórios no SINAIS deve seguir os seguintes passos (modificados devido à notificação de dados separados por tipo de UTI): a. Entrar no SINAIS, utilizando CFP e senha do usuário; b. Entrar em Relatórios ; c. Entrar em Relatórios Gerais ; d. Na pasta Período, selecionar período inicial, período final e infecção hospitalar; e. Na pasta Unidades, selecionar uma unidade de terapia intensiva; f. Na pasta Sítio, selecionar BSI-LCBI ; g. Na pasta Espécime, selecionar sangue periférico ; h. Na pasta Microorganismo selecionar o microorganismo prioritário, conforme lista de patógenos prioritários descrita neste relatório; h. Na pasta Antimicrobianos selecionar os antimicrobianos definidos como marcadores de resistência para o microrganismo em questão, conforme descrito neste relatório; i. Na parte inferior da tela, selecionar Microbiológico e em seguida Perfil de susceptibilidade ; j. Na parte inferior da tela, selecionar Exportar Word ; l. Este procedimento deve ser repetido para cada um dos nove patógenos e para cada uma das UTIs do hospital; m. Encaminhar o arquivo em word (.doc) com as tabelas de perfil de susceptibilidade para o da Rede RM Observações importantes: - Não selecionar procedimento associado; - Não selecionar mais de um mês por relatório. O período inicial deve ser sempre o mesmo do final, por exemplo de setembro 2007 a setembro 2007; - Toda notificação recebe um de confirmação de recebimento. Caso a CCIH não receba a confirmação no prazo de 5 dias, deve entrar em contato pelo telefone , para que possíveis problemas de comunicação sejam solucionados. - Será disponibilizado no site da Anvisa no endereço eletrônico a nova planilha excel com extratificação por UTI. 6

7 III COMPOSIÇÃO DA REDE RM 1. Componentes da Rede RM As informações detalhadas sobre os componentes da Rede RM e suas atribuições encontram-se no documento Propostas dos I e II Seminário de Gerenciamento de Informação sobre Resistência Microbiana. Este relatório, bem como as listas dos hospitais participantes da Rede RM e dos LACEN, encontram-se disponíveis no endereço eletrônico 2. Participação dos componentes da Rede RM A Coordenação Nacional da Rede RM encaminhará mensalmente (por meio de informe eletrônico) os consolidados das notificações dos hospitais, relacionados aos dados de perfil de susceptibilidade (CCIH) e às planilhas de controle interno da qualidade (laboratório de microbiologia). 3. Definição de critérios de inclusão e exclusão de hospitais na Rede RM Inclusão - todos os critérios abaixo: Termo de adesão assinado pelo diretor ou responsável pela instituição de saúde (com indicação do coordenador do projeto, representante da CCIH e representante do laboratório de microbiologia no hospital); Possuir leitos de UTI; Possuir CCIH formalmente composta e com Programa de Controle de Infecção Hospitalar; Acesso a laboratório de microbiologia (próprio ou não) com CIQ implantado. No caso de laboratório terceirizado, a participação do hospital e as atribuições do laboratório na Rede RM devem constar no contrato de prestação de serviço; Observação importante: A entrada de novos hospitais na Rede RM será realizada por meio de processo de seleção a ser realizado no primeiro semestre de 2008 (20 novos hospitais por ano). Os profissionais responsáveis da CCIH e do laboratório de microbiologia das novas instituições serão capacitados para utilização das padronizações adotadas pela Rede (CLSI / NISS / SINAIS). 7

8 Exclusão - pelo menos um dos critérios abaixo: Ter notificado menos de 60% dos meses (< 8 meses), no período de um ano após julho de 2007, sem justificativas. Não participar de 02 (dois) eventos nacionais da Rede RM consecutivos, sem justificativa. Não seguir os critérios de notificação e ferramentas de notificação estabelecidos pela Rede RM. Deixar de preencher os critérios de inclusão. IV - RETRO ALIMENTAÇAO DE DADOS AOS NOTIFICANTES 1. Dados de Resistência Microbiana Os dados de perfil de susceptibilidade serão publicados (dados globais e estratificados por região/estado) em informes (Boletim Resistência Microbiana em Foco) e enviados para os participantes da Rede RM a cada 6 meses (abril e outubro) e estarão disponíveis na pagina da ANVISA: 2. Dados de Controle de Qualidade Os dados de controle da qualidade dos LACEN e laboratórios de microbiologia dos hospitais participantes serão publicados (dados globais) em informes (Boletim Resistência Microbiana em Foco) e enviados para os participantes da Rede RM a cada 6 meses (abril e outubro) e estarão disponíveis na página da ANVISA: 3. Dados sobre Uso Racional de Antimicrobianos e Medidas de Prevenção e Controle Informações sobre uso racional de antimicrobianos, resultados de campanhas para prevenção e controle da resistência microbiana e publicações de pesquisas nacionais sobre o tema serão publicados em informes (Boletim Resistência Microbiana em Foco) e enviados para os participantes da Rede RM a cada 6 meses (janeiro e julho) e estarão disponíveis na página da ANVISA: 8

9 V - CONTROLE DA QUALIDADE DOS LABORATÓRIOS DE MICROBIOLOGIA 1. Controle Interno da Qualidade (CIQ) Apresentamos abaixo o novo fluxo de envio das cepas de referência: INCQS Disponibilizará as cepas de referência liofilizadas aos 27 LACEN (número de kits correspondente ao número de hospitais da Rede no Estado****) 3x ano LACEN* Receber as cepas ATCC liofilizadas Controlar a qualidade*** (pureza) Encaminhar cepas liofilizadas para os Hospitais da Rede Laboratórios Microbiologia Hospitais** Receber as cepas (ágar nutriente) Repicar para CIQ*** e manutenção (6 meses) Encaminhar aos LACEN relatório do CIQ * O responsável do LACEN pelo recebimento e envio das cepas será definido em cada estado. ** O responsável pelo recebimento das cepas no laboratório de microbiologia do hospital será definido por cada laboratório. *** A cepa deverá ser validada, isto é, deverá ser confirmado se a cepa corresponde às informações enviadas. **** Nos estados em que for necessário, o LACEN também receberá novo kit de cepas. Periodicidade: Anual Nova remessa: Novembro / 2007 Sobre o recebimento das cepas de referência e envio dos relatórios de CIQ: LACEN 1. Tempo de notificação da qualidade das cepas ao INCQS (e ao CGLAB) = 10 dias 2. Tempo de entrega para os laboratórios de microbiologia = 30 dias 9

10 3. Envio do CIQ mensalmente (planilha padronizada Rede RM) até dia 15 do mês subseqüente para e 4. Envio bimestral do consolidado do CIQ dos hospitais do estado até dia 30 do mês subseqüente para e Laboratório de microbiologia 1- Tempo de notificação da qualidade das cepas ao INCQS = 10 dias (e ao CGLAB) 2- Envio do CQI mensalmente (planilha padronizada Rede RM) até dia 15 do mês subseqüente para o LACEN por meio eletrônico, com cópia para e 2. Programa de Avaliação Externa da Qualidade (AEQ) O Programa de Avaliação Externa da Qualidade será iniciado no primeiro trimestre de 2008, conforme definições abaixo: Provedor INCQS; Primeiro trimestre de 2008 periodicidade: anual (envio de convite aos laboratórios da Rede RM para participação em fevereiro de 2008); Participação voluntária e confidencial; Amostras para identificação e determinação do perfil de susceptibilidade aos antimicrobianos; Análise dos dados por comitê de experts; Divulgação dos dados individual (sigiloso) e geral. 10

11 ANEXO 1 Critérios NNIS para diagnóstico de infecção primária da corrente sanguínea confirmada laboratorialmente (From: Horan TC, Gaynes RP. Surveillance of nosocomialinfections. In:Hospital Epidemiology and Infection Control, 3rd ed., Mayhall CG, editor. Philadelphia:Lippincott Williams & Wilkins, 2004: ) - Infecções Primárias da Corrente Sanguínea Infecção da Corrente Sanguínea Confirmada Laboratorialmente (1) (BSI - LCBI) Pelo menos um dos seguintes critérios: Critério 1 Isolamento, em uma ou mais hemoculturas, de patógeno não relacionado a infecção em outro sítio. Critério 2 Presença de pelo menos um dos seguintes sinais ou sintomas não relacionado a infecção em outro sítio: febre (>38º C), calafrios ou hipotensão e Pelo menos um dos seguintes exames não relacionado a infecção em outro sítio: a. Contaminante comum de pele (ex: difteróides, Bacillus sp., Propionibacterium sp., estafilococos coagulase negativo ou micrococos) isolados de duas ou mais hemoculturas obtidas em momentos deferentes b. Contaminante comum de pele (ex: difteróides, Bacillus sp., Propionibacterium sp., estafilococos coagulase negativo ou micrococos) isolado de pelo menos uma hemocultura de paciente com cateter intravascular e o médico inicia terapia antimicrobiana apropriada. c. Teste de antígeno positivo no sangue (ex: Haemophilus influenzae, Streptococcus pneumoniae, Neisseria meningitidis ou Streptococcus do grupo B) Critério 3 Paciente com idade 1 ano com pelo menos um dos seguintes sinais ou sintomas não relacionado a infecção em outro sítio: febre (>38ºC), hipotermia (<37ºC), apnéia ou bradicardia. e pelo menos um dos seguintes: Idem ao critério 2 (1) INSTRUÇÕES DE NOTIFICAÇÃO Notifique flebite purulenta confirmada com cultura semi-quantitativa positiva de ponta de catéter, mas com hemocultura negativa ou não realizada, como CVS-VASC. Notifique microrganismos isolados de hemoculturas, quando não há outro sítio evidente de infecção, como BSI-LCBI. Pseudobacteremias não são infecções nosocomias. 11

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