Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL. Em 10 de julho de Processo: /

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1 Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL Em 10 de julho de Processo: / Assunto: Alteração dos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão CUST, de Prestação de Serviços de Transmissão CPST e de Conexão às Instalações de Transmissão CCT com vistas a tornar sem efeito a responsabilidade das concessionárias de transmissão e usuários com CUST por indenizar as concessionárias/permissionárias de distribuição dos valores pagos a título de ressarcimento de danos elétricos em unidades consumidoras realizado nos termos da Resolução Normativa nº 414, de 9 de setembro de I DO OBJETIVO Esta Nota Técnica tem por objetivo apresentar a análise das Superintendências de Regulação dos Serviços de Transmissão SRT e de Distribuição SRD acerca do Capítulo de Responsabilidade Civil presente nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão CUST, atendendo ao disposto na 36ª Reunião Pública Ordinária da Diretoria de 2011, realizada em 27 de setembro de 2011, e na Agenda Regulatória Indicativa da ANEEL para o biênio , aprovada por meio da Portaria nº 2.082, de 31 de janeiro de II DOS FATOS 2. Na Memória da 36ª Reunião Pública Ordinária da Diretoria de 2011, realizada em 27 de setembro de 2011, consta a seguinte decisão para o Processo nº / : 12. Processo nº: / Assunto: Recurso Administrativo interposto pela Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia ABIAPE em face da cobrança enviada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS aos Agentes do Setor Elétrico que objetiva ressarcir as concessionárias de distribuição de energia pelos danos materiais causados aos consumidores finais decorrentes da perturbação do dia 10 de novembro de 2009 às 22h13min. Área Responsável: Diretoria DIR. Relator: Diretor Romeu Donizete Rufino.

2 Fl. 2 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/2012. A Diretoria, por unanimidade, decidiu: (ii) determinar à Superintendência de Regulação dos Serviços de Transmissão SRT e à Superintendência de Regulação dos Serviços de Distribuição SRD, sob coordenação da primeira, que, no prazo de 10 (dez) meses, elaborem e submetam à Diretoria proposta de regulamentação acerca do disposto no Capítulo de Responsabilidade Civil presente nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão CUST. 3. Adicionalmente, a atividade Avaliar o capítulo sobre responsabilidade civil do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão CUST consta da Agenda Regulatória Indicativa da ANEEL para o biênio , aprovada por meio da Portaria nº 2.082, de 31 de janeiro de 2012, com previsão para abertura de audiência pública durante o 1º semestre do ano corrente. 4. O Capítulo de Responsabilidade Civil presente nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão CUST, reproduzido a seguir (conforme modelo do CUST disposto no ANEXO 3 do Edital do Leilão nº 02/2012-ANEEL), trata da indenização a consumidores finais por danos diretos causados por perturbações nos sistemas de geração, transmissão ou distribuição. T Í T U L O V Das Responsabilidades das PARTES Capítulo I - Responsabilidade Civil Cláusula 24ª Indenizações por danos diretos causados a consumidores finais, que se fizerem devidas, nos termos da legislação em vigor, causadas por perturbações nos sistemas de geração, transmissão ou de distribuição, cuja responsabilidade possa ser exclusiva e comprovadamente atribuída a MEMBRO(S) ASSOCIADO(S) DO ONS ou a um USUÁRIO com CONTRATO DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO, serão de responsabilidade e custeadas pelo(s) mesmo(s). Parágrafo Único A contabilização dos valores a serem ressarcidos às CONCESSIONÁRIAS DE DISTRIBUIÇÃO será definida pelo ONS, devendo o respectivo pagamento ser efetuado num prazo máximo de 60 (sessenta) dias contados da data da ocorrência. Cláusula 25ª As indenizações por danos diretos causados a consumidores finais, que se fizerem devidas, nos termos da legislação em vigor, causadas por perturbações com origem nos sistemas de geração, transmissão ou de distribuição, cuja responsabilidade não possa ser exclusiva e comprovadamente atribuída a um MEMBRO ASSOCIADO DO ONS, ou a um USUÁRIO com CONTRATO DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO, ou aquelas que o ONS tenha dado causa, passarão a ser caracterizadas como de responsabilidade sistêmica, e assim, o processo de ressarcimento deverá ser conduzido pelo ONS e as respectivas indenizações custeadas de acordo com o disposto nos parágrafos a seguir:

3 Fl. 3 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/2012. Parágrafo 1º Parágrafo 2º O ONS contabilizará os valores a serem ressarcidos às CONCESSIONÁRIAS DE DISTRIBUIÇÃO, devendo o respectivo pagamento ser efetuado por cada um dos agentes num prazo máximo de 60 (sessenta) dias contados da data da ocorrência. O rateio das indenizações referidas nesta Cláusula será proporcional ao número de votos da cada categoria de agentes na Assembléia Geral do ONS, conforme estabelecido em seu Estatuto aprovado pela ANEEL, assumindo os Agentes de Distribuição, os Agentes de Geração e os Agentes de Transmissão a parte correspondente à Categoria Consumo, à Categoria Produção e à Categoria Transporte, respectivamente. Cláusula 26ª As PARTES acordam que a responsabilidade por danos diretos a consumidores finais será estabelecida e comprovada através de um processo de ANÁLISE DE PERTURBAÇÃO, coordenado pelo ONS e com a participação dos agentes envolvidos, conforme processos e prazos estabelecidos nos PROCEDIMENTOS DE REDE. Parágrafo 1º Parágrafo 2º Parágrafo 3º Parágrafo 4º Parágrafo 5º Caso não haja consenso no resultado da ANÁLISE DE PERTURBAÇÃO, deverão ser contratados pelo ONS 3 (três) especialistas de notório saber, que funcionarão como árbitros para as questões dissentâneas. A escolha dos especialistas deverá ser realizada por eleição, pelos agentes envolvidos a partir de uma lista preparada pelo ONS contendo a indicação de pelo menos 5 (cinco) nomes de especialistas que não tenham vínculo direto ou indireto com os agentes envolvidos ou com o ONS. Cada agente deverá escolher 3 (três) deles e os mais votados serão eleitos. Em caso de empate na escolha dos nomes, o ONS deverá decidir. Os três especialistas supracitados terão 30 (trinta) dias para elaborar o parecer contendo os pertinentes subsídios para a resolução das questões dissentâneas, cabendo, aos agentes que discordarem deste parecer, recurso junto à ANEEL. Se os especialistas concluírem pela adequação dos resultados já apontados, as despesas decorrentes da aplicação do Parágrafo 1 o serão de responsabilidade do(s) agente(s) que discordar(em) do resultado da ANÁLISE DE PERTURBAÇÃO. Caso contrário, as despesas decorrentes serão rateadas igualmente entre os agentes envolvidos. O ONS se compromete a colocar à disposição desses especialistas todas as informações e dados necessários. Caso o processo de ANÁLISE DE PERTURBAÇÃO tratado nesta Cláusula, não seja concluído no prazo de 60 (sessenta) dias da data da ocorrência, os pagamentos deverão ser efetuados com base no disposto na Cláusula 25ª deste CONTRATO, fazendo-se a devida compensação ao final do referido processo. 5. A definição dos termos em destaque (em letras maiúsculas) no Capítulo de Responsabilidade Civil consta da Cláusula 1ª dos CUST (conforme modelo do CUST disposto no ANEXO 3

4 Fl. 4 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/2012. do Edital do Leilão nº 02/2012-ANEEL). Cabe aqui reproduzir a definição dos termos ANÁLISE DE PERTURBAÇÃO, MEMBRO ASSOCIADO DO ONS, PARTE e USUÁRIO : Cláusula 1ª Para o efeito de permitir o entendimento e precisão da terminologia técnica empregada neste CONTRATO e em seu Anexo, fica, desde já, acordado entre as PARTES o conceito dos seguintes vocábulos e expressões: a) ANÁLISE DE PERTURBAÇÃO : Processo que corresponde à investigação das causas e dos responsáveis pelos distúrbios experimentados no SISTEMA DE ENERGIA ELÉTRICA, englobando as etapas de detecção do defeito, interrupção e recomposição do sistema, envolvendo a ação coordenada das equipes de Operação em Tempo Real, Estudos Elétricos e Proteção e Controle dos agentes envolvidos; n) MEMBRO ASSOCIADO DO ONS : Agente de Geração com usinas despachadas centralizadamente, Agente de Transmissão, Agente Importador, Agente Exportador, Agente de Distribuição e os CONSUMIDORES LIVRES conectados à REDE BÁSICA; r) PARTE : A USUÁRIA, o ONS, e as CONCESSIONÁRIAS DE TRANSMISSÃO representadas pelo ONS, que são referidas em conjunto como PARTES ; cc) USUÁRIO : Agente conectado ao SISTEMA DE TRANSMISSÃO, ou que venha a fazer uso da REDE BÁSICA. 6. Cabe ressaltar que o Capítulo de Responsabilidade Civil presente nos CUST também está disposto nos Contratos de Prestação de Serviços de Transmissão CPST e nos Contratos de Conexão às Instalações de Transmissão CCT (vide modelos dos contratos dispostos nos ANEXO 2 e ANEXO 4 do Edital do Leilão nº 02/2012-ANEEL). 7. A responsabilidade pelos eventuais danos decorrentes da exploração do serviço de geração, transmissão ou distribuição de energia elétrica está disposta nos respectivos contratos de concessão ou permissão, ou ainda na Resolução Normativa nº 389, de 15 de dezembro de 2009, para o caso dos detentores de autorização. No caso de consumidores livres conectados à rede básica, a responsabilidade pelos eventuais danos que suas instalações causem a terceiros está disposta nas respectivas autorizações de acesso. 8. No contrato de concessão para prestação do serviço público de geração de energia elétrica, a responsabilidade pelos eventuais danos decorrentes da exploração do serviço está disposta nos seguintes termos (vide CONTRATO DE CONCESSÃO DE GERAÇÃO Nº 005/2011-ANEEL): CLÁUSULA SEXTA - ENCARGOS DA CONCESSIONÁRIA E CONDIÇÕES DE EXPLORAÇÃO DAS USINAS HIDRELÉTRICAS

5 Fl. 5 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/2012. Além de outras obrigações decorrentes de leis e de normas regulamentares específicas, constituem encargos da Concessionária, inerentes às concessões reguladas por este Contrato: I - cumprir todas as exigências do presente Contrato, da legislação atual e superveniente que disciplina a exploração de energia hidráulica, respondendo, perante o Poder Concedente e a ANEEL, usuários e terceiros, pelas eventuais conseqüências danosas da exploração da Usina Hidrelétrica, ressalvados os danos decorrentes de deficiências técnicas nas instalações de terceiros ou da má utilização das mesmas; 9. No caso dos agentes detentores de autorização para geração de energia elétrica, a responsabilidade pelos eventuais danos decorrentes da exploração da central geradora está disposta na Resolução Normativa nº 389/2009, nos seguintes termos: Art. 2º Constituem obrigações gerais do Autorizado: II - cumprir e fazer cumprir todas as exigências desta Resolução Normativa, da legislação atual e superveniente que disciplina a exploração de centrais geradoras autorizadas, respondendo solidariamente com o grupo econômico de fato ou de direito a que faz parte perante à ANEEL, usuários e terceiros, por eventuais conseqüências danosas decorrentes da exploração das atividades autorizadas; 10. Na minuta do contrato de concessão para prestação do serviço público de transmissão de energia elétrica apresentada nos Editais de Leilão de Transmissão, essa responsabilidade está disposta nos seguintes termos (vide ANEXO 1A do Edital do Leilão nº 02/2012-ANEEL): CLÁUSULA QUARTA - OBRIGAÇÕES E ENCARGOS DA TRANSMISSORA Será de inteira responsabilidade da TRANSMISSORA a prestação do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO de acordo com regras e critérios estabelecidos pela ANEEL, sendo de sua competência captar, aplicar e gerir os recursos financeiros necessários à adequada prestação do serviço regulado neste CONTRATO. Décima Segunda Subcláusula - São, ainda, obrigações e encargos da TRANSMISSORA: I - Com o PODER CONCEDENTE: d - cumprir e fazer cumprir as normas legais e regulamentares do serviço, respondendo, perante o PODER CONCEDENTE, a ANEEL, usuários e terceiros pelos eventuais danos e prejuízos causados em decorrência da exploração do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO concedido e regulado no presente CONTRATO, comprovadamente de sua responsabilidade; 11. No caso de consumidores livres conectados à rede básica, a responsabilidade por eventuais danos que suas instalações de transmissão causem a terceiros está disposta nas respectivas autorizações

6 Fl. 6 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/2012. de acesso, nos seguintes termos (vide, p. ex., RESOLUÇÃO AUTORIZATIVA Nº 3.260, DE 13 DE DEZEMBRO DE 2011): Art. 4º A Vale S.A. é a responsável por eventuais danos que as instalações de transmissão de energia elétrica causarem a terceiros em decorrência de sua construção, inspeção, manutenção e operação. 12. Nos contratos de concessão para prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica, a responsabilidade por danos e ainda pelo ressarcimento dos eventuais danos e prejuízos decorrentes da prestação do serviço está disposta nos seguintes termos (vide, p. ex., CONTRATO DE CONCESSÃO Nº 145/2002-ANEEL): CLÁUSULA SÉGUNDA CONDIÇÕES DE PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Na prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica, referido neste Contrato, a CONCESSIONÁRIA terá ampla liberdade na direção de seus negócios, investimentos, pessoal, material e tecnologia, observadas as prescrições deste Contrato, da legislação específica, das normas regulamentares e das instruções e determinações do PODER CONCEDENTE e da ANEEL. Subcláusula Décima Quinta - Sem prejuízo do disposto na Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), na prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica, objeto deste Contrato, a CONCESSIONÁRIA assegurará aos consumidores, dentre outros, os seguintes direitos: IV - receber o ressarcimento dos danos e prejuízos decorrentes que, porventura, lhe sejam causados em função do serviço concedido, ressalvados os danos provocados por deficiências técnicas nas instalações internas da unidade consumidora ou da má utilização das instalações CLÁUSULA QUINTA - OBRIGAÇÕES E ENCARGOS DA CONCESSIONÁRIA Além de outras obrigações decorrentes da lei e das normas regulamentares específicas, constituem encargos da CONCESSIONÁRIA, inerentes à concessão regulada por este Contrato: VI - cumprir e fazer cumprir as normas legais e regulamentares do serviço, respondendo, perante o PODER CONCEDENTE, a ANEEL, os usuários e terceiros, pelos eventuais danos e prejuízos causados em decorrência da exploração dos serviços, ressalvados os danos decorrentes de deficiências técnicas nas instalações internas da unidade consumidora ou da má utilização das instalações; 13. Nos contratos de permissão para prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica, essa responsabilidade está disposta de forma semelhante ao disposto nos contratos de concessão (vide, p. ex., CONTRATO DE PERMISSÃO Nº 041/2010-ANEEL):

7 Fl. 7 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/2012. CLÁUSULA SÉTIMA - OBRIGAÇÕES E ENCARGOS DA PERMISSIONÁRIA Sem prejuízo da observância às disposições contidas na legislação que disciplina a prestação do serviço público de energia elétrica, constituem encargos ou obrigações da PERMISSIONÁRIA inerentes à permissão regulada neste Contrato: XV - responder pelos eventuais danos e prejuízos causados em decorrência da exploração dos serviços, ressalvados os danos decorrentes de deficiências técnicas nas instalações internas da unidade consumidora ou da má utilização destas instalações, em conformidade com o previsto nas normas e regulamentos da ANEEL; Subcláusula Quinta - Sem prejuízo do disposto no Código de Defesa do Consumidor, na prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica, objeto deste Contrato, a PERMISSIONÁRIA assegurará aos consumidores, dentre outros, os seguintes direitos: VI - receber o ressarcimento dos danos e prejuízos decorrentes que, porventura, lhe sejam causados em função do serviço concedido, ressalvados os danos provocados por deficiências técnicas nas instalações internas da unidade consumidora ou da má utilização das instalações; e 14. Destaca-se que a redação disposta nos contratos de concessão/permissão supracitados, apresentados como exemplo, pode diferir dos contratos de outras concessionárias/permissionárias. Entretanto, todos os contratos apresentam indicativos semelhantes aos aqui elencados. III DA ANÁLISE III.1 Ressarcimento de danos causados a consumidores 15. No que concerne ao ressarcimento dos danos e prejuízos causados aos consumidores em função do serviço concedido, essa obrigatoriedade é atribuída às distribuidoras por meio dos contratos de concessão ou permissão. 16. Nesses termos, a Resolução Normativa nº 414, de 9 de setembro de 2010, que estabelece as condições gerais de fornecimento de energia elétrica, com alterações dadas pela Resolução Normativa nº 418, de 23 de novembro de 2010, dispõe no Capítulo XVI (DO RESSARCIMENTO DE DANOS ELÉTRICOS) sobre o ressarcimento, pela distribuidora, de danos elétricos em equipamentos de unidades consumidoras causados em decorrência de perturbação ocorrida no sistema elétrico. Cabe aqui reproduzir os arts. 203, 205 e 210: CAPÍTULO XVI DO RESSARCIMENTO DE DANOS ELÉTRICOS Seção I Da Abrangência

8 Fl. 8 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/2012. Art As disposições deste Capítulo se aplicam, exclusivamente, aos casos de dano elétrico causado a equipamento instalado na unidade consumidora atendida em tensão igual ou inferior a 2,3 kv. Seção III Dos Procedimentos Art No processo de ressarcimento, a distribuidora deve investigar a existência do nexo de causalidade, considerando inclusive os registros de ocorrências na sua rede. Parágrafo único. O uso de transformador entre o equipamento e a rede secundária de distribuição não descaracteriza o nexo de causalidade, nem a obrigação de ressarcir o dano reclamado. Seção IV Das Responsabilidades Art A distribuidora responde, independente da existência de culpa, pelos danos elétricos causados a equipamentos elétricos instalados em unidades consumidoras, nos termos do art Dessa forma, a Resolução Normativa nº 414/2010 disciplina o ressarcimento ao consumidor, pela distribuidora, de danos elétricos em equipamentos de unidades consumidoras atendidas em tensão igual ou inferior a 2,3 kv. Nesses termos, cabe salientar que a responsabilidade pelos danos elétricos causados aos consumidores independe de culpa. Ou seja, ainda que a culpa pela perturbação não seja da distribuidora, esta é a responsável pelos danos ainda que se possa identificar o culpado. 18. Ressalta-se que a Resolução Normativa nº 61, de 29 de abril de 2004, já estabelecia o ressarcimento de danos elétricos causados por perturbação ocorrida no sistema elétrico e que a Resolução Normativa nº 414/2010 incorporou tais disposições, visando consolidar em único regulamento as condições gerais de fornecimento de energia elétrica, conforme Nota Técnica nº 047/2009-SRC/ANEEL, de 11 de dezembro de Durante a vigência da Resolução Normativa nº 61/2004, em decorrência de solicitações de ressarcimento de danos elétricos por consumidores atendidos em tensão superior a 2,3 kv, foi criada a Súmula ANEEL nº 004 por meio da Portaria n 639, de 12 de junho de 2007, onde consta: Art. 1 Aprovar a criação da Súmula ANEEL nº 004, que trata do direito de indenização devido a danos causados por perturbação na rede elétrica de distribuição para consumidores atendidos em tensão superior a 2,3 kv, nos seguintes termos: O 1º do art. 3º da Resolução nº 061, de 29 de abril de 2004, não confere responsabilidade às concessionárias de distribuição de indenizar os aparelhos eletroeletrônicos danificados por perturbação da rede elétrica de distribuição naquelas unidades consumidoras atendidas em tensão superior a 2,3 kv. 20. Cabe destacar que, apesar de a Súmula ANEEL nº 004 ter perdido seu objeto, uma vez que a Resolução Normativa nº 61/2004 fora revogada, seus preceitos continuam a ser aplicados.

9 Fl. 9 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/ Ressalta-se que as Notas Técnicas nº 004/2007-SRD/ANEEL, de 29 de janeiro de 2007 e nº 023/2007-SRD/ANEEL, de 23 de maio de 2007, que trataram da criação da Súmula ANEEL nº 004, e a Nota Técnica nº 0104/2007-SRD/ANEEL, de 26 de novembro de 2007, que tratou da revisão da Resolução Normativa nº 61/2004, fundamentam o disposto no art. 3º, 1º, que se transformou no art. 203 da Resolução Normativa nº 414/2010, com base nos seguintes argumentos: 48. os dispositivos de proteção de tensão só têm eficácia no nível de tensão onde são colocados, impossibilitando que um dispositivo de proteção de tensão instalado no lado primário de um transformador proteja também o lado secundário do mesmo. Deste modo, em cada nível de tensão deverá haver dispositivos apropriados para proteção contra surtos de tensão. 49. Assim, não há como a concessionária de distribuição proteger o nível de tensão secundário daquele consumidor que realiza a transformação própria de tensão, cabendo a este último proteger suas instalações seguindo as normas técnicas brasileiras aplicáveis. III.2 Análise do Capítulo de Responsabilidade Civil dos CUST 22. No âmbito de atuação da ANEEL, tendo em vista o disposto nos contratos e atos autorizativos exemplificados no item II desta Nota Técnica, a responsabilidade pelo ressarcimento dos eventuais danos e prejuízos causados a consumidores está regulamentada por meio da Resolução Normativa nº 414/2010 e do Capítulo de Responsabilidade Civil presente nos CUST. 23. Enquanto a Resolução Normativa nº 414/2010 trata do ressarcimento, pelas distribuidoras, dos danos causados aos consumidores atendidos em nível de tensão igual ou inferior a 2,3 kv, o Capítulo de Responsabilidade Civil presente nos CUST trata da indenização às distribuidoras, pelos agentes conectados ao sistema de transmissão, dos valores decorrentes desse ressarcimento. 24. Conforme consta das cláusulas 24ª e 25ª dos CUST, nos termos apresentados no item II desta Nota Técnica, essa indenização é devida quando a responsabilidade pela perturbação puder ser atribuída a membro(s) associado(s) do ONS ou a um usuário com CUST, ou não puder ser exclusivamente atribuída a um membro associado do ONS ou a um usuário com CUST, ou ainda quando o ONS tenha dado causa. 25. Entretanto, em decorrência do disposto na Resolução Normativa nº 414/2010 e na Súmula ANEEL nº 004, a existência de transformação de tensão entre o equipamento danificado e o ponto de conexão da unidade consumidora com o sistema de distribuição, em nível de tensão superior a 2,3 kv, exime a distribuidora de responsabilidade por ressarcir o dano ocorrido na unidade consumidora. Isso porque atribui-se ao consumidor a responsabilidade pela proteção de suas instalações, especialmente o secundário do transformador. 26. Dessa forma, não sendo possível atribuir responsabilidade às distribuidoras pelo ressarcimento de danos em unidades consumidoras que realizam transformação própria de tensão, justificada pela impossibilidade de proteger o nível de tensão secundário das unidades consumidoras, também não se deve responsabilizar as transmissoras e os usuários com CUST pela proteção do nível de tensão secundário das distribuidoras. Isso ocorre porque as distribuidoras também realizam transformação própria de tensão, não sendo, portanto, possível atribuir às transmissoras a proteção dos secundários dos transformadores das distribuidoras.

10 Fl. 10 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/ Em suma, o mesmo princípio que isenta as distribuidoras de responsabilidade em relação às unidades consumidoras atendidas em tensão superior a 2,3 kv também deve isentar as transmissoras e os usuários com CUST em relação às distribuidoras. 28. Dessa forma, a existência de transformação de tensão entre a rede básica (ou de forma mais abrangente, entre as instalações de transmissão) e as unidades consumidoras, atendidas em nível de tensão igual ou inferior a 2,3 kv, deve eximir as concessionárias de transmissão e os usuários com CUST de responsabilidade por indenizar as concessionárias/permissionárias de distribuição dos valores relativos ao ressarcimento pelos danos nessas unidades consumidoras. 29. Com base no exposto, faz-se necessário tornar sem efeito nos CUST a responsabilidade das concessionárias de transmissão e dos usuários com CUST por indenizar as distribuidoras pelos valores pagos a título de ressarcimento de danos elétricos em unidades consumidoras realizado nos termos da Resolução Normativa nº 414/2010, que restringe o ressarcimento às unidades consumidoras atendidas em nível de tensão igual ou inferior a 2,3 kv. 30. Cabe destacar que essa alteração nos CUST não exime as concessionárias de transmissão e os usuários com CUST de suas responsabilidades pelos eventuais danos decorrentes da prestação ou exploração do serviço e uso dessas instalações. Isso decorre de que essa responsabilidade está disposta nos respectivos contratos de concessão/permissão e atos autorizativos de acesso à rede básica ou ao sistema de transmissão. III. 3 Análise dos CPST e CCT 31. Dado o disposto no item II. 2 Análise do Capítulo de Responsabilidade Civil dos CUST, é possível estender a análise apresentada aos Contratos de Prestação de Serviços de Transmissão CPST e de Conexão às Instalações de Transmissão CCT. 32. Nesses termos, também se faz necessário tornar sem efeito nos CPST e CCT a responsabilidade das concessionárias de transmissão e usuários com CUST por indenizar as concessionárias/permissionárias de distribuição pelos valores pagos a título de ressarcimento de danos elétricos em unidades consumidoras realizado nos termos da Resolução Normativa nº 414/2010. III. 4 Alterações em Regulamentos Vigentes 33. O processo de ANÁLISE DE PERTURBAÇÃO citado na cláusula 26ª do CUST, apresentado no item II desta Nota Técnica, consta do Submódulo Rotinas Operacionais do Módulo 10 Manual de Procedimentos da Operação MPO dos Procedimentos de Rede, cuja revisão vigente, 1.1, foi aprovada pela ANEEL por meio do Despacho nº 2.744, de 15 de setembro de O Submódulo Rotinas Operacionais contém as rotinas operacionais que estabelecem as atividades e os produtos das áreas de normatização, pré-operação e pós-operação, como também rotinas operacionais de caráter geral. Apesar de parte integrante dos Procedimentos de Rede, o Submódulo é elaborado pelo ONS, com a participação dos agentes da operação, mas não é submetido para aprovação da ANEEL, conforme observa-se dos itens 1.2 e 1.3 do Módulo 10, reproduzido a seguir: 1 INTRODUÇÃO

11 Fl. 11 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/ O MPO está estruturado de tal forma que as premissas, os conceitos básicos, as diretrizes, os critérios, as regras e as responsabilidades estejam contidos nos Submódulos de 10.1 a dos Procedimentos de Rede. As edições e revisões desses submódulos são elaboradas pelo ONS, com participação dos agentes da operação e submetidas à aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. 1.3 Os Submódulos de a do MPO contêm os procedimentos aplicados às atividades de tempo real e às atividades específicas de normatização, pré-operação, pós-operação, bem como às atividades de caráter geral. As edições e revisões desses submódulos são elaboradas e aprovadas pelo ONS, com a participação dos agentes da operação envolvidos e em estrita observância ao conteúdo dos Submódulos de 10.1 a Por meio da Rotina Operacional RO-AN.BR.05, intitulada SISTEMÁTICA DE ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO DE ANÁLISE DE PERTURBAÇÃO PARA FINS DE RESPONSABILIDADE CIVIL RAR (disponível em acesso em 04/04/2012), o ONS atende ao disposto no Capítulo de Responsabilidade Civil dos CUST e nos CPST e CCT, no que se refere a atribuição de responsabilidades por indenizar, ou não, as distribuidoras pelos valores relativos ao ressarcimento estabelecido na Resolução Normativa nº 414/ Nesses termos, faz-se necessário determinar ao ONS a revisão dos Procedimentos de Rede, no que concerne à remoção de obrigatoriedade das concessionárias de transmissão e dos usuários com CUST de indenizar as concessionárias/permissionárias de distribuição pelos valores pagos a título de ressarcimento de danos elétricos realizado nos termos da Resolução Normativa nº 414/2010. IV DO FUNDAMENTO LEGAL 37. Esta Nota Técnica está fundamentada no art. 29 da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, nos arts. 15, 16 e 17 da Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, no art. 9º da Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998, no art. 7º do Decreto n 2.655, de 2 de julho de 1998, na Resolução nº 247, de 13 de agosto de 1999, na Resolução nº 281, de 1º de outubro de 1999, na Portaria n 639, de 12 de junho de 2007; na Resolução Normativa nº 389, de 15 de dezembro de 2009, na Resolução Normativa nº 399, de 13 de abril de 2010, na Resolução Normativa nº 414, de 9 de setembro de 2010, no Despacho nº 2.744, de 15 de setembro de 2010, na Resolução Normativa nº 418, de 23 de novembro de 2010, na Portaria nº 2.082, de 31 de janeiro de 2012, nos Contratos de Concessão e de Permissão para prestação do serviço público de energia elétrica, nas Resoluções Autorizativas para acesso de Consumidores Livres à rede básica, nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão CUST, nos Contratos de Prestação de Serviços de Transmissão CPST e nos Contratos de Conexão às Instalações de Transmissão CCT. V DA CONCLUSÃO 38. Diante do exposto, conclui-se que não se deve imputar às concessionárias de transmissão e aos usuários com CUST a responsabilidade por indenizar as concessionárias/permissionárias de distribuição pelos valores pagos a título de ressarcimento de danos elétricos em unidades consumidoras atendidas em nível de tensão igual ou inferior a 2,3 kv, realizado nos termos da Resolução Normativa nº 414/2010.

12 Fl. 12 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/ Assim, é necessário alterar os CUST, CPST e CCT com vistas a tornar sem efeito tal responsabilidade e determinar ao ONS a revisão dos Procedimentos de Rede, no que concerne a isentar de responsabilidade as concessionárias de transmissão e os usuários com CUST por tal indenização. 40. Cabe destacar que a alteração proposta nos CUST, CPST e CCT não exime as concessionárias de transmissão e os usuários com CUST de suas responsabilidades pelos eventuais danos decorrentes da prestação ou exploração do serviço e uso dessas instalações. Isso decorre de que essa responsabilidade está disposta nos respectivos contratos de concessão/permissão e atos autorizativos de acesso à rede básica ou ao sistema de transmissão. 41. Com base na análise e conclusões apresentadas, a minuta de Resolução Normativa, apresentada no ANEXO desta Nota Técnica, está adequada para apreciação da Diretoria Colegiada da ANEEL, visando a abertura de Audiência Pública com vistas a colher subsídios da sociedade para aprimoramento de ato regulamentar. VI DA RECOMENDAÇÃO 42. Recomenda-se o encaminhamento à Diretoria Colegiada da ANEEL dos autos motivados por esta Nota Técnica e de minuta de Resolução Normativa anexa, visando tornar sem efeito, nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão CUST, de Prestação de Serviços de Transmissão CPST e de Conexão às Instalações de Transmissão CCT, a responsabilidade das concessionárias de transmissão e dos usuários com CUST por indenizar as concessionárias/permissionárias de distribuição pelos valores pagos à título de ressarcimento de danos elétricos em unidades consumidoras atendidas em nível de tensão igual ou inferior a 2,3 kv, realizado nos termos da Resolução Normativa nº 414, de 9 de setembro de ANDRÉ MEISTER Especialista em Regulação ALBERTO RODRIGUES FERNANDES Especialista em Regulação ALESSANDRO RUIZ BASSO Especialista em Regulação ALEXANDRA LÚCIO SALES Especialista em Regulação LUCIANA REGINALDO SOARES Especialista em Regulação DAVI RABELO VIANA LEITE Especialista em Regulação De acordo: IVO SECHI NAZARENO Superintendente de Regulação dos Serviços de Transmissão Substituto CARLOS ALBERTO CALIXTO MATTAR Superintendente de Regulação dos Serviços de Distribuição

13 Fl. 13 da Nota Técnica nº 115/2012-SRT-SRD/ANEEL, de 10/07/2012. ANEXO Minuta de Resolução Normativa (Minuta 1). AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA ANEEL RESOLUÇÃO NORMATIVA N, DE DE DE Torna sem efeito, nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão CUST, de Prestação de Serviços de Transmissão CPST e de Conexão às Instalações de Transmissão CCT, a responsabilidade das concessionárias de transmissão e dos usuários com CUST por indenizar as concessionárias/permissionárias de distribuição pelos valores pagos a título de ressarcimento de danos elétricos em unidades consumidoras realizado nos termos da Resolução Normativa nº 414, de 9 de setembro de 2010, e dá outras providências. O DIRETOR-GERAL DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA ANEEL, no uso de suas atribuições regimentais, de acordo com deliberação da Diretoria, tendo em vista o disposto no art. 29 da Lei nº 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, nos arts. 15, 16 e 17 da Lei nº 9.074, de 7 de julho de 1995, nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, no art. 9º da Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998, no art. 7º do Decreto n 2.655, de 2 de julho de 1998, o que consta do Processo nº / , e considerando: as contribuições da Audiência Pública nº /2012 para o aperfeiçoamento deste ato regulamentar, resolve: Art. 1º Tornar sem efeito, nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão CUST, de Prestação de Serviços de Transmissão CPST e de Conexão às Instalações de Transmissão CCT, a responsabilidade das concessionárias de transmissão e dos usuários com CUST por indenizar as concessionárias/permissionárias de distribuição pelos valores pagos a título de ressarcimento de danos elétricos em unidades consumidoras realizado nos termos da Resolução Normativa nº 414, de 9 de setembro de Art. 2º Determinar ao ONS que encaminhe para aprovação da ANEEL, em prazo de 180 (cento e oitenta) dias, proposta de alteração dos Procedimentos de Rede em função do exposto no art. 1º desta Resolução. Art. 3º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. NELSON JOSÉ HÜBNER MOREIRA

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