BOLETIM ENERGIAS RENOVÁVEIS. a 29 de fevereiro 2016

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2 ELETRICIDADE DE ORIGEM RENOVÁVEL EM PORTUGAL CONTINENTAL O mês de fevereiro, à semelhança do anterior, continua a evidenciar o forte potencial das fontes de energia renovável (FER) para um abastecimento fiável das necessidades energéticas nacionais. Efetivamente, em fevereiro a produção FER, GWh, representou uma percentagem histórica de 95 % face ao consumo 1 de energia elétrica em Portugal Continental, GWh. Este valor mensal é o 2º maior do século, tendo só sido ultrapassado no período homólogo de 2014, onde a produção FER representou 97 % do consumo de eletricidade do Continente. Destaca-se ainda positivamente por um novo recorde de exportação de energia elétrica, tendo sido atingido o valor de GWh, que equivale a cerca de 20 % da produção nacional de eletricidade. As principais razões deste desfecho devem-se principalmente a condições atmosféricas favoráveis à produção de eletricidade de origem hídrica e eólica. O valor médio de pluviosidade de 150 mm contribuiu para um índice mensal de produtibilidade hidroelétrico de 1,53. A elevada eolicidade originou um índice mensal de produtibilidade eólica de 1,30. A Figura 1 ilustra o valor acumulado, desde o início do ano, da repartição das fontes de produção de eletricidade no Continente que foram responsáveis pelo abastecimento do consumo nacional e também por um saldo exportador GWh. Verifica-se que a produção hídrica teve a maior contribuição para a produção de eletricidade (42 %), seguida da eólica (27 %). 1% 3% 19% 27% 26,4 % Fóssil Térmica Fóssil Biomassa 73,6 % Renovável 42% 7% Figura 1: Repartição das fontes na produção de eletricidade em Portugal Continental. Fonte: REN, janeiro a fevereiro de 2016; Análise APREN 1 Consumo referido à emissão das centrais para consumo, incluindo ainda as perdas nas redes e os consumos em bombagem hidroelétrica. APREN 2

3 [TWh] As restantes tecnologias FER contribuíram com 4 % repartidos entre biomassa (3 %) e solar (1 %). No mix energético acumulado da produção nacional no Continente, responsável pelo abastecimento do consumo nacional e pela exportação, a parcela de origem renovável correspondeu a 73,6 % da produção total. A produção térmica fóssil representou 26,4 %, repartida em térmica convencional (19 %) e cogeração fóssil (7 %). Este desempenho assinalável só foi possível graças à existência de uma rede de interligações bem planeada e estruturada, que se mostra essencial para a gestão eficaz do sistema electroprodutor, tanto em situações de importação quando é necessário importar para garantir a adequação e segurança do SEN, como para facilitar o funcionamento do mercado em que é preciso realizar trocas significativas de energia que reduzem os custos globais de funcionamento do MIBEL. A Figura 2 ilustra o balanço elétrico global repartido pela produção e pelas trocas com Espanha. 9,00 7,00 5,00 3,00 Biomassa Carvão Gás Natural Importação Exportação 1,00-1,00-3,00 Renovável Fóssil Trocas Figura 2: Balanço da produção de eletricidade e de trocas internacionais de Portugal Continental. Fonte: REN; Análise APREN Analisando em detalhe o balanço de trocas energéticas verifica-se que as importações acumuladas até final de fevereiro foram de 167 GWh enquanto as exportações atingiram GWh. Destaca-se a forte contribuição da energia eólica, em contraponto com uma ainda muito baixa contribuição da energia solar. Contudo, verifica-se que esta última tecnologia, que produz principalmente nas horas diurnas de maior consumo, se adequa APREN 3

4 [GWh] ao perfil do diagrama de carga português, pelo que um aumento da sua potência instalada se afigura como muito promissor e custo-eficiente, quando se pretende que o sistema elétrico nacional atinja 60 % de RES no consumo total de eletricidade em 2020 e, pelo menos, 80 % em Na Figura 3 compara-se a produção de eletricidade acumulada até ao fim de fevereiro por fonte, nos últimos três anos, bem como os valores de importação e de exportação registados. Nesta figura, verifica-se a existência de uma correlação, nos períodos homólogos, entre exportação e produção hidroelétrica. Observa-se que em 2014, à semelhança de 2016, quando a produção hidroelétrica foi elevada (ano hidrologicamente húmido) a exportação também aumentou Carvão Gás Natural Importação Exportação Figura 3: Evolução da produção de eletricidade por fonte. Fonte: REN; Análise: APREN A Figura 4 centra a sua análise exclusivamente no mês de fevereiro de 2016, fazendo uma comparação com os períodos homólogos dos últimos 2 anos. Fevereiro de 2016 teve níveis de produção renovável muito próximos dos valores do período homólogo de 2014, o qual também tinha sido muito favorável em termos de produção renovável, com o valor máximo absoluto mensal de GWh. APREN 4

5 [GWh] fev-14 fev-15 fev-16 Figura 4: Evolução da produção renovável e térmica e de trocas em Portugal Continental em fevereiro. Fonte: REN; Análise: APREN A produção total de eletricidade no mês de fevereiro findo atingiu o maior valor dos anos últimos três, GWh, superior em 17 % ao ano anterior. Relembra-se que 2015 foi um ano hidrologicamente seco, pelo que em fevereiro a componente hídrica no mix energético tinha sido muito menor (32 %), com reflexos negativos no nível da importação que foi maior. À semelhança do mês anterior, fevereiro regista um preço médio do mercado spot diário relativamente baixo, de 27,35 /MWh, evidenciando a influência direta da eletricidade renovável na redução dos preços do mercado, graças à sua expressiva representatividade, que ascendeu a 95% do consumo. Além da contribuição da produção FER para o consumo, a análise da produção de energia elétrica em fevereiro mostra que as tecnologias renováveis contribuem para a autonomia energética nacional, e que as elevadas trocas de energia entre Portugal e Espanha só foram possíveis graças a uma rede de interligações bem estruturada e que se revela essencial para uma gestão adequada do SEN. Informação disponível em: APREN Departamento Técnico e Comunicação Av. Sidónio Pais, nº 18 R/C Esq Lisboa, Portugal Tel. (+351) APREN 5

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