múltiplas lucimares de lugar algum

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1 múltiplas lucimares de lugar algum A trajetória entre Arte & Cidades & Subjetivações vem de longe... Arte & Subjetivações Cerradianas de Minas, 1981 a Reali 50 desenhos de 1,00m x 0,70 m a partir de posters-encartes da Revista "Ele & Ela". As imagens eram transferidas por frottage para papéis brancos e, posteriormente trabalhadas com aerógrafo, nanquins e lápis de cores aquarelados e secos. As Cerradianas viajaram pelo país uma Exposição Itinerante: Recife, Galeria Aluízio Magalhães; Salvador, Capela do Solar do Unhão; Belo Horizonte, Galeria do IAB; Curitiba, Museu Metropolitano de Artes; Porto Alegre, MARGS. Ganhei vários prêmios em Salões Nacionais. Algumas desenhos foram expostas no Japão, em Tóquio, Atami e Quioto; na Espanha, em Barcelona. Raoni & Sapaim, 1981 a Pinturas com pistola e tinta esmalte sobre telas. Temática trabalhada a partir da Pajelança de Raoni & Sapaim, para Augusto Ruschi (estudioso de beija-flores contaminado por sapos amarelos na Floresta Amazônica). Houve, na época, um grande respeito da medicina "tradicional, internacional e instituída", pela sabedoria medicinal dos índios brasileiros. Fiz uma série de 10 óleos de 1,40 m x 1,40 m; 50 óleos de 0,70m x 0,70m e uma Instalação com estacas de escoramento (eucaliptos) pintadas como cintas e braçadeiras de índios e as devolvi para a Mata do Parque do Sabiá, em Uberlândia. Toda a série, Raoni & Sapaim, foi uma homenagem às sabedorias, resistências e invenções dos índios brasileiros, quer nas suas maneiras de ser, quer nas suas imagens criadoras. Civilidades da Selva; mitos e iconografias indígenas, Exposição Coletiva no MAC-Ibirapuera, São Paulo. Instalação feita com tecidos resinados, plumárias indígenas, madeiras em formato de pêndulos e pigmentos no chão. Estes penteados com as mãos, como garras e minhas marcas inter-iculturais. Leves linhas interligavam os

2 materiais que se deslocavam com muita delicadeza, pelos mínimos movimentos dos passantes que passavam a ser constituintes da dinâmica indígena ali exposta. Peles-estranhas-entranhas, Tecidos resinados e pintados (os tratamentos plásticos ssemelhantes a carnes frescas ), pendurados entre cipós, na galeria em meu atelier, em Uberlândia, MG. Arte & Cidades Em 1989 realizei 03 Instalações em Canteiros de Obras, na cidade de Uberlândia. Trabalhamos entre os profissionais-operários da construção: pedreiros, serventes, ajudantes, marceneiros, encanadores, assistentes... Os canteiros de obras foram tomados como grandes papéis e as pontas de lápis se constituíam de tintas feitas com cola e pó xadrez marcando e fazendo ver formas, sombras, luzes, ambientes por nós percebidos e escolhidos entre madeiras de escoramento, telhas empilhadas, montes de areia. Participaram como desenhadores: alunos dos Cursos de Plásticas e do Curso de Decoração da UFU, dos cursos nos quais atuava como professora; decoradoras convidadas e arquitetas. Esperávamos que os profissionais-operários se juntassem a nós, mas isto não aconteceu... apenas nos observaram... Fazia parte da proposta, fotografar os desmanchamentos dos desenhos-ambientes, acompanhando as mudanças, percursos e outras apropriações novos desenhamentos 1. As etapas subseqüentes foram interrompidas na época, apenas por dificuldades financeiras. Em morei em Liverpool, Inglaterra. Freqüentando um atelier coletivo na Tate Gallery, ao procurar um material para desenhar no chão, uma linha preta e espessa, encontrei câmaras de ar e saibros as achei e elas me acharam. Com eles, câmaras e saibros, deixava as minhas marcas com as pontas dos dedos minhas pegadas interculturais. Fiz uma série no chão do atelier-galeria e, de volta ao Brasil, debrucei sobre as relações estéticas, visuais e conceituais de câmaras de ar usadas, explorando a 1 Desenhamento quer dizer uma condição de uma pessoa em estado de desenho, ou seja, em sua condição de fazer e de se mostrar como pessoa singular, por imagens-desenhadas.

3 sedução pela cor preta, a resistência e densidades negras, e ao mesmo tempo, um certo adoçamento dado pelos talcos nas partes suas internas. Aprofundei um diálogo entre matérias e materiais de maneira que a borracha mole ficasse aparentemente endurecida, enrijecida, e os outros materiais como o couro ou o talco a fizessem parecer vulneráveis e molengas. A partir de algumas experimentações, encaminhei uma proposta de Pesquisa em Arte para a Fundação VITAE, SP. Ganhei a Bolsa de Pesquisa em Arte da Fundação VITAE (1994), com o projeto Cidades utópicas, desenhos contemporâneos, que culminou com sete exposições: São Paulo, Campinas, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Blumenau e Uberlândia. Os desenhos foram realizados com câmaras de ar e néons, ou couros, ou ainda, pigmentos azuis turquesa (não mais os saibros das pesquisas na Inglaterra). Realizei uma série de Desenhos de Vestir, visivelmente bebidos nos Parangolés de Oiticica: câmaras vestíveis - extensões e expansões de corpos - Corpus outros Metacorpus. Dias Desenhantes. Entre 1993 e 1995, realizei desenhos em lugares da cidade de Uberlândia, tomando sempre o chão como o papel e outros materiais como as pontas de lápis. As pessoas eram convidadas a desenhar comigo, caso quisessem, é claro. Os Domingos Desenhantes aconteceram em cinco espaços públicos. Os materiais eram inusuais para desenhos tradicionais (vegetais mortos da natureza, restos e sobras industriais coletados pela cidade, antes dos lixeiros). As Quintas Feiras Desenhantes se deram em espaços da Universidade Federal de Uberlândia. Os materiais eram tiras de papéis brancos ou em cores, que dialogavam com os diversificados espaços. Além dos Dias Desenhantes em Uberlândia, os realizei em diversas outras situações, lugares e cidades, São João del Rei, Belém do Pará, Campinas. Uma Semana Desenhante, 6 o Inverno Cultural, FUNREI em São João Del Rei,1993. O tema dos desenhos eram as igrejas e os casarões

4 antigos re-desenhados no chão (logo à frente deles), em espaços-colados às situações. Os materiais eram retalhos de tecidos (vindos de costureiras), britas (sobras de construções catadas em ruas da cidade) e retalhos de estanho (sobras de pequenas indústrias, uma especificidade local). Desenhos & Domingos Desenhantes - Cidades Utopias, exposições-intervenções. Desenhos realizados em espaços públicos de Uberlândia: Estação Rodoviária, Praça Tubal Vilela, Parque do Sabiá, Cachoeira de Sucupira, Praia Clube. Em cada uma destas experimentações, os passantes eram convidados a desenhar, grudando nas propostas, as crianças, os idosos, os cheiradores de cola, os andarilhos da cidade. Realizei fotos, registrei conversas e inquietações dos participantes, presenças desenhantes. Desenhos & Quintas Feiras Desenhantes: Cidades Utopias Rodo-Vias, Biblioteca do Campus Santa Mônica, UFU, Uberlândia; Cidades em Metros, Escola de Educação Básica, da UFU; Cidades Mandálicas, numa das Reitorias da UFU, na Av. Engenheiro Diniz. Espaço no qual trabalhava como diretora de culturas, além de professora de artes visuais. Cidades Século Vinteanas, na outra Reitoria, a da Rua Duque de Caxias e Cidades Utopias Tupiniquins, Biblioteca do Campus Umuarana. Manhãs Desenhantes, Voltei a três espaços públicos de Uberlândia, nos quais havia realizado no ano anterior, Dias Desenhantes. Os desenhos eram temáticos e realizados por quem quisesse desenhar, em papel sulfite branco com canetas pretas. Os espaços de retorno: Escola de Educação Básica, UFU, a partir do tema: "A minha cara"; Terminal Rodoviário, tema: "Uma cadeira" e Biblioteca do Campus

5 Umuarama, tema: "O desenho que gosto de fazer". Os desenhos foram inúmeros e muitos, dados a mim e os guardo com extremo carinho, pois são pessoas desenhantes ali marcadas. No decorrer de 2001 e 2002, gestamos, concebemos e realizamos a Oficina de Desenho Urbano. As Crianças, os Jovens e a Cidade no Cerrado, coordenada por mim e pelo professor Falcão Vasconcelos e uma equipe ampliada: alunos, funcionários, professores da UFU e membros de 10 Secretarias Municipais, da Prefeitura de Uberlândia. A partir do tema: "A Cidade em que você vive e a Cidade que gostaria de construir", foram realizados 3800 desenhos em 26 praças e nos 4 distritos da cidade, envolvendo 348 oficineiros-colaboradores de diversificadas profissões. Desta proposta há um livro publicado, constando de conversas de participantes que escolheram 60 desenhos, para com eles, dialogar. Os capítulos foram realizados em equipes de autores. Circularam na época, uma série de 10 postais com desenhos dos desenhadores contendo seus nomes e idades; um CD com a síntese verbal das proposições; um Encarte Especial no Jornal Correio de Uberlândia, no Caderno Cidade (de domingo); 03 cartelas chamadas de Conversas de Desenhos com Desenhos, com imagens de desenhadores. Entre 1998 e 2001 foram realizadas as Instalações Brancos sobre Brancos, constando de 180 livros usados (meus, da família ou de sebos), amarrados fortemente com barbantes, pintados de branco e depois recobertos com leves películas transparentes de parafina incolor. Foram afixados na parede (encostados com delicadeza e de modo que o prego não ficasse visível). A iluminação do espaço era cruzada, de forma que ao longe, os livros pareciam abertos. As instalações foram realizadas no MUnA - Museu Universitário de Arte, em Uberlândia; na Galeria de Arte da UNAMA - Universidade da Amazônia, em Belém do Pará e na Escolinha de Arte do Recife, em Recife, após o Colóquio: Inventariando Noemia Varela. As pessoas puderam escolher e levar os livros que queriam. Levaram todos, num momento de grande fascínio por um ato de dádiva. Tanto esta Instalação quanto o Colóquio foram partes de meu primeiro Pós-Doutoramento,

6 constando ainda de um livro: Noemia Varela e a arte ; concepção e realização de um vídeo, Noemia Varela, de barro de vidro e de barro. Em 2001 realizei os Cidades Leiturizáveis Capitalizadas, "Sete pecados capitais" ou ainda, sete vezes quantos? constando de sete livros grossos, densamente amarrados, pintados de brancos e revestidos por camadas grotescas de parafinas avermelhadas lembrando carnes-não-frescas, podres. Os livros fizeram parte da Exposição: Carmim; imagens da violência na arte contemporânea, realizada na Biblioteca Campus Santa Mônica, UFU pelo IAB - Instituto de Arquitetos do Brasil, Núcleo Uberlândia. lucimarbello Bibliografia AUGÉ, Marc. Não-lugares, introdução a uma antropologia da supermodernidade. Campinas: Papirus, CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. Trad. Diogo Mainard. São Paulo: Companhia das Letras, Palomar. Trad. Ivo Barroso. São Paulo: Companhia das Letras, CLARK, Lygia. Barcelona, Fundació Antoni Tàpies, 1997 (catálogo de exposição). DELEUZE, Gilles & PARNET, Claire. Diálogos. Trad. Eloísa Araújo Ribeiro. São Paulo: Escuta, DELEUZE, Gilles. Espinosa; filosofia prática. São Paulo: Escuta, Conversações. Trad. Peter Pál Pelbart. São Paulo: ed. 34, DELEUZE, Gilles e GUATTARI, Felix. O que é a filosofia. Trad. Bento Prado Jr e Alberto Alonso Muñoz. São Paulo: ed. 34, Mil platôs, capitalismo e esquizofrenia. Trad. Aurélio Guerra Neto e Célia Pinto Costa. São Paulo: ed. 34, 1995 (v. 1 a 5). DIDI-HUBERMAN, Georges. O que vemos, o que nos olha. Trad. Paulo Neves. São Paulo: ed. 34, FABRINI, Ricardo Nascimento. O espaço de Lygia Clark. São Paulo: Atlas, FAVARETTO, Celso. A invenção de Hélio Oiticica. São Paulo: EDUSP/FAPESP, 1992.

7 FIGUEIREDO, Luciano (org.). Lygia Clark, Hélio Oiticica. Cartas, Rio de Janeiro: UFRJ, GIL, José. Metamorfoses do corpo. Lisboa: Relógio D'Água Editores, GUATTARI, Felix. Caosmose, um novo paradigma estético. Trad. Ana Lúcia de Oliveira e Lúcia Cláudia Leão. São Paulo: ed. 34, Hélio Oiticica. Rotterdam. Witte de With, Center for Contemporary Art, 1992 (catálogo de exposição). Hélio Oiticica: cor, imagem, poética. Rio de Janeiro: Centro de Arte Hélio Oiticica, JACQUES, Paola Berenstein. Estética da ginga, a arquitetura das favelas através da obra de Hélio Oiticica. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, KASTRUP, Virgínia. A invenção de si e do mundo, uma introdução do tempo e do coletivo no estudo da cognição. Campinas: Papirus, LIMA, Maynei Souza. A cidade e a criança. São Paulo: Nobel, MORAES, Angélica. Regina Silveira; cartografias da sombra. São Paulo: EDUSP, MILLIET, Maria Alice. Lygia Clark: obra, trajeto. São Paulo: EDUSP, OITICICA, Hélio. Aspiro ao grande labirinto. Rio de Janeiro: Rocco, PALLAMIN, Vera M. Arte urbana. São Paulo: região central ( ), obras de caráter temporário e permanente. São Paulo: Anna Blume/FAPESP, PÉLBART, Peter Pal. A vertigem por um fio; políticas de subjetividade contemporânea. São Paulo: Iluminuras/FAPESP.. O tempo não reconciliável; imagens de tempo em Deleuze. São Paulo: Perspectiva, FAPESP, PESSANHA, Juliano Garcia. Certeza do agora. São Paulo: Atelier Editorial, ROLNIK, Suely. Cartografia sentimental, transformações contemporâneas do desejo. São Paulo: Liberdade, "O corpo vibrátil de Lygia Clark". Caderno Mais! In: Folha de São Paulo: São Paulo, 30 abril, 2000, p "Fale com ele" ou como tratar o corpo vibrátil em coma. Conferência proferida in Corpo, Arte e Clínica. UFRGS. Instituto de Psicologia. Programa de Pós Graduação em Psicologia Social e Institucional - Mestrado. Porto Alegre, 11 de abril de Alteridade a céu aberto. O laboratório poético-político de Maurício Dias & Walter Riedweg, ROSE, Bernice. Allegories of modernism; contemporary drawings. New York: The Museum of Modern Art/Abrams Inc., 1992.

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