O GOVERNADOR DO ESTADO DE SANTA CATARINA, usando da competência

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1 FEDERAÇÃO NACIONAL DE EDUCAÇÃO E INTEGRAÇÃO DE SURDOS Escritório Regional de Santa Catarina Rua Padre Roma, 288 Centro Cep Florianópolis/SC Telefax: (48) PROPOSTA DO ANTEPROJETO DE DECRETO LEI PARA REGULAMENTAR A LEI DE LIBRAS EM SANTA CATARINA Regulamenta a Lei n , de 06 de setembro de 2001, que reconhece oficialmente, no Estado de Santa Catarina a linguagem gestual codificada na Língua Brasileira de Sinais LIBRAS e outros recursos de expressão a ela associados, como meio de comunicação objetiva e de uso corrente. O GOVERNADOR DO ESTADO DE SANTA CATARINA, usando da competência privativa que lhe confere o art. 71, incisos I e III, da Constituição do Estado, e com base na Lei nº , de 24 de janeiro de 1997, e no Decreto nº 2.919, de 01 de junho de 1998, alterado pelo Decreto nº 3527, de 15 de dezembro de 1998, DECRETA: CAPÍTULO I DA INCLUSÃO DA LIBRAS COMO COMPONENTE CURRICULAR

2 Art. 1º A Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS será um componente curricular obrigatório nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, nos cursos da área de saúde, de instituições de ensino públicas e privadas, do sistema estadual de ensino. 1º Todos os cursos de licenciatura, o curso normal superior, o curso de pedagogia e o curso de educação especial serão considerados cursos de formação de professores e profissionais da educação para o exercício do magistério. 2º A LIBRAS poderá constituir componente curricular optativo nos demais cursos superiores. Art. 2º Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, caso não haja professor com título, em nível de graduação, para o ensino de LIBRAS em cursos da educação superior, esse componente curricular poderá ser ministrado por Professor ou, extraordinariamente, por Instrutor que apresentar o seguinte perfil: I - Professor de LIBRAS - usuário nativo dessa língua, que possua certificado de curso superior e certificado de proficiência em LIBRAS obtido por meio de exame promovido por Instituições de Ensino; e II - Instrutor de LIBRAS - usuário nativo dessa língua, que possua certificado de curso de nível médio e certificado obtido por meio exame de proficiência em LIBRAS promovido por Instituições de Ensino. 1º O exame de proficiência em LIBRAS deverá avaliar a fluência no uso e a competência para o ensino dessa língua, no prazo definido no caput. 2º A certificação de proficiência em LIBRAS habilitará o instrutor ou o professor para a função docente. Art. 3º As instituições de ensino médio, que oferecem cursos de formação para o magistério na modalidade normal, e as de ensino superior que oferecem cursos de formação de professores ou na área de saúde deverão incluir LIBRAS, como componente curricular, nos seguintes prazos e percentuais mínimos: I até três anos, em vinte por cento dos seus cursos; II até cinco anos, em sessenta por cento dos seus cursos; III até sete anos, em oitenta por cento dos seus cursos; e IV dez anos, em cem por cento dos seus cursos.

3 Parágrafo único. O processo de inclusão da LIBRAS como componente curricular deverá se iniciar nos cursos de educação especial, pedagogia e, ampliando progressivamente para as demais licenciaturas e cursos da área de saúde. Art. 4º As instituições de ensino deverão incluir LIBRAS como objeto de ensino, pesquisa e extensão, nos cursos de formação de professores para a educação básica. Art. 5º As instituições de ensino superior poderão solicitar a Secretaria de Educação a autorização de cursos de: I - licenciatura em LIBRAS; e II - especialização em Tradução e Interpretação de LIBRAS e Língua Portuguesa. Art. 6º O ensino da modalidade escrita da Língua Portuguesa para surdos deverá ser um componente curricular nos cursos de formação de professores para a educação infantil e para os anos iniciais do ensino fundamental, de nível médio e superior, bem como nos cursos de licenciatura em Letras com habilitação em Língua Portuguesa. Art. 7º Durante o prazo definido no Artigo 2º deste Decreto, a formação de professores para o ensino de LIBRAS e a formação de Tradutor e Intérprete de LIBRAS e Língua Portuguesa poderão ocorrer, em instituições de ensino superior, para profissionais que já possuam curso superior, por meio de cursos de especialização. CAPÍTULO II DA POLÍTICA PARA EDUCAÇÃO DE SURDOS NO ESTADO DE SANTA CATARINA Art.8º A Política para Educação de Surdos em Santa Catarina nas unidades escolares deve garantir a utilização da LIBRAS, de modo a respeitar a experiência visual e lingüística do surdo no seu processo de aprendizagem, assegurando ao aluno o acesso e a permanência no sistema de ensino. 1º A Política para Educação de Surdos no Estado de Santa Catarina deve ser desenvolvida nas unidades escolares selecionadas pela equipe pedagógica da Diretoria de Educação Básica, Fundação Catarinense de Educação Especial, Gerências da Educação e Inovação e a Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos Regional de Santa Catarina.

4 Art.9º O processo de ensino/aprendizagem desenvolvido nessa Política deve utilizar a LIBRAS, como instrumento essencial, proporcionando condições didáticas e pedagógicas, para a apropriação do conhecimento sistematizado. Art.10º Da organização da unidade escolar, para a implementação, da Política para Educação de Surdos em Santa Catarina. I turmas com ensino em LIBRAS são turmas constituídas no ensino regular onde os conceitos/conteúdos das disciplinas do currículo devem ser ministradas pelo professor bilíngüe (surdo ou ouvinte), através da Língua Brasileira de Sinais; II turmas mistas com professor intérprete são turmas constituídas no ensino regular, por alunos surdos e ouvintes, onde os conceitos/conteúdos das disciplinas do currículo, devem ser ministradas pelo professor da disciplina e deve contar com um professor intérprete, que fará a interpretação em LIBRAS dos conteúdos ministrados. Art.11º Da constituição das turmas, nas unidades escolares: I turmas com ensino em LIBRAS: a) na educação infantil com o mínimo de 4 (quatro) crianças e o máximo de 15 (quinze) crianças; b) séries iniciais do ensino fundamental com o mínimo de 4 (quatro) alunos e o máximo de 15 (quinze) alunos. II turmas mistas com professor intérprete: a) Séries Finais do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação Profissional com o máximo de 15 (quinze), alunos. Art. 12º Da organização da Educação de Jovens e Adultos: I educação de jovens e adultos com turmas com ensino em LIBRAS e com turmas mistas com professor intérprete: a) alfabetização e nivelamento com o professor bilíngüe ou com um professor e o intérprete; b) ensino por módulos e tele-sala com o professor da disciplina e com um intérprete em sala de aula; c) exames supletivos adequado a especificidade do surdo (recursos visuais imagens, gráficos, tabelas, etc.) com um intérprete no local de realização da prova. II Constituição das turmas:

5 a) turmas com ensino em LIBRAS alfabetização e nivelamento com o mínimo de 5 (cinco) e o máximo de 15 (quinze) alunos; b) turmas mistas com professor intérprete alfabetização e nivelamento, com o máximo de 15 (quinze) alunos; c) ensino por módulos e tele-sala com o máximo de (quinze) alunos; Parágrafo único a constituição das turmas, referidas nos Artigos 11º e 12º, deve ser implantadas nas Gerências da Educação e Inovação, elegidas como pólos da política. Art.13º A unidade escolar que constituir turma com ensino em LIBRAS, deve contar em seu quadro funcional professor surdo, instrutor e intérprete. Art. 14º Da avaliação do processo de aprendizagem dos alunos surdos: I Utilizar critérios de avaliação, na correção das provas escritas, valorizando o aspecto semântico e reconhecendo a singularidade lingüística manifestada no aspecto formal da Língua Portuguesa; II - adotar mecanismos alternativos para a avaliação de conhecimentos expressos em LIBRAS. Art. 15º Da formação dos profissionais: I professor bilíngüe (surdo ou ouvinte) curso superior na área de pedagogia preferencialmente com habilitação em educação infantil e séries iniciais e licenciaturas. II professor intérprete ensino médio ou superior e capacitação específica para intérprete de língua de sinais. III instrutor surdo ensino médio ou superior, capacitação específica para instrutor surdo. Art. 16º Dos profissionais: I O regime de trabalho dos profissionais: professor bilíngüe (surdo ou ouvinte), intérprete de Língua Brasileira de Sinais e instrutor surdo, será de 20 ou 40 horas semanais. II O professor efetivo com 20 horas semanais, poderá alterar temporariamente a carga horária para 40 horas semanais. Art. 17º Durante o ano letivo a Secretaria de Estado da Educação e Inovação, através da Diretoria de Educação Básica, Gerência de Educação e Inovação e Fundação Catarinense de Educação Especial, farão o acompanhamento, a assessoria e avaliação da Política de Educação do Surdo em Santa Catarina. Art. 18º Os casos omissos serão resolvidos pela Secretaria de Estado da Educação e

6 Inovação, juntamente com a Fundação Catarinense de Educação Especial e as Associações de Surdos. CAPÍTULO III DO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS E LÍNGUA PORTUGUESA Art. 19 A formação de tradutor e intérprete de LIBRAS e Língua Portuguesa efetivar-se-á por meio de curso superior ou pós-graduação. Art. 20 Nos próximos dez anos a partir da publicação deste Decreto, caso não haja pessoas com a titulação exigida para o exercício da tradução e interpretação de LIBRAS e Língua Portuguesa, as instituições de ensino médio e superior, públicas ou privadas, poderão incluir, em seus quadros, profissionais com o seguinte perfil: I profissional de nível superior, com competência para realizar a interpretação das duas línguas de maneira simultânea ou consecutiva, e proficiência em Tradução e Interpretação de LIBRAS e Língua Portuguesa, certificada por meio de exame promovido por Instituições de Ensino; ou II profissional de nível médio, com competência para realizar a interpretação das duas línguas de maneira simultânea ou consecutiva, e proficiência em Tradução e Interpretação de LIBRAS e Língua Portuguesa, certificada por meio de exame promovido por Instituições de Ensino. Parágrafo único. Durante os próximos dez anos, a Secretaria de Educação promoverá, anualmente, exame de proficiência em tradução e interpretação em LIBRAS e Língua Portuguesa em parceria com a Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos Regional de Santa Catarina. Art. 21 A partir do ano subseqüente à publicação deste Decreto, as instituições de ensino, públicas e privadas, deverão incluir, em seu quadro técnico-administrativo, em todos os níveis, etapas e modalidades, o profissional Tradutor e Intérprete de LIBRAS e Língua Portuguesa para atender alunos surdos. Parágrafo único. O profissional a que se refere o caput atuará: I - nos processos seletivos para cursos na instituição;

7 II - nas salas bilíngüe onde a atuação desse profissional ajude a viabilizar o acesso aos conceitos/conteúdos curriculares, em todas as atividades didático-pedagógicas; e III - no apoio a acessibilidade aos serviços e às atividades da instituição de ensino. Art. 22 Durante os próximos dois anos, após a aprovação deste decreto, a Casa Civil deverá criar uma Central de Intérpretes para atender os surdos na área da saúde, jurídica e segurança pública. CAPÍTULO IV DO ATENDIMENTO AO SURDO Art. 22 O atendimento na área da saúde, jurídica e segurança pública deve ser realizado por profissionais bilíngües (ouvintes ou surdos) ou por profissionais acompanhados de intérprete de LIBRAS. I Oferecer cursos de libras e formação quanto a concepção sócio-antropológica da surdez para os profissionais da área da saúde, jurídica e segurança pública. Art. 23 O Tribunal da Justiça Eleitoral deverá garantir nas campanhas políticas, educacionais e de saúde pública a janela de intérprete. Art. 24 As Emissoras de TV deverão ter a janela de Intérprete e/ou legenda oculta (Closed Caption), em todos os programas e noticiários. CAPÍTULO VI DO PAPEL DO PODER PÚBLICO E DAS EMPRESAS CONCESSIONÁRIAS DE SERVIÇOS PÚBLICOS NO APOIO AO USO E DIFUSÃO DA LIBRAS Art. 25 Os estabelecimentos prestadores de serviços públicos, as instituições financeiras e os órgãos da administração pública direta, indireta e fundacional deverão viabilizar o tratamento diferenciado aos surdos por meio do uso e difusão de LIBRAS e da tradução e interpretação de LIBRAS e Língua Portuguesa, realizados por servidores e empregados capacitados para essa função.

8 Art. 26 No âmbito da administração pública federal direta, indireta e fundacional, bem como das empresas concessionárias ou permissionárias de serviços públicos estaduais, os serviços prestados por servidores e empregados capacitados para utilizar LIBRAS e realizar a tradução e interpretação de LIBRAS e Língua Portuguesa estarão sujeitos a padrões de controle de atendimento e a avaliação da satisfação do usuário dos serviços públicos. Art. 27 Os órgãos da administração pública estadual direta, indireta e fundacional deverão incluir em seus orçamentos anuais e plurianuais dotações destinadas a viabilizar ações relativas à formação e capacitação de servidores para o uso e difusão da LIBRAS e à realização da tradução e interpretação de LIBRAS e Língua Portuguesa, a partir do ano subseqüente ao da publicação deste Decreto. DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS Art. 28 Os Municípios, no âmbito de suas competências, poderão criar instrumentos para a efetiva implantação e o controle do uso e difusão de LIBRAS e de sua tradução e interpretação, referidos no nos dispositivos deste Decreto. Art. 29 Os Municípios, no âmbito de suas competências, poderão incluir em seus orçamentos dotações para os fins previstos no art. 27 deste Decreto. Art. 30 Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

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