ABORDAGEM CIRÚRGICA DO SISTEMA DIGESTIVO EM RUMINANTES

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1 ABORDAGEM CIRÚRGICA DO SISTEMA DIGESTIVO EM RUMINANTES Prof. Valentim A. Gheller Escola de Veterinária da UFMG INTRODUÇÃO Abordar todas as afecções passíveis de resolução cirúrgica no sistema digestivo de ruminantes seria uma tarefa árdua e difícil de alcançar êxito, devido à diversidade de patologias encontradas. Neste resumo serão abordadas as afecções cirúrgicas mais freqüentes, como as que acometem os pré-estômagos e o abomaso dos bovinos. ABORDAGEM CLÍNICO-CIRÚRGICA Distúrbios digestivos são relevantes na espécie pela importância da digestão nos préestômagos ao fornecer ao ruminante energia, equilíbrio de aminoácidos essenciais e a maior parte de suas necessidades vitamínicas. Clinicamente a disfunção dos pré-estômagos pode apresentar sinais clínicos como inapetência, redução de motilidade rumenal, distensão abdominal, alteração no aspecto das fezes, caracterizando de uma forma genérica uma indigestão. Clinicamente deve-se classificar e identificar as indigestões para estabelecimento da melhor terapêutica para cada caso. As indigestões primárias, originárias de distúrbios retículorrumenais motores de maior incidência são: reticuloperitonite traumática, timpanismo espumoso, retículorumenite, indigestão vagal, obstrução do cárdia e obstrução retículo omasal. Indigestões primárias devido a distúrbios fermentativos ocorrem por inatividade da microbiota rumenal, acidose láctica, acidose e alcalose rumenal. Pode-se, em conseqüência de outras enfermidades sistêmicas ocorrer uma deficiente motilidade reticulorrumenal, refluxo abomasal e inatividade da microbiota rumenal. Em casos onde a abordagem clínica não seja conclusiva as suspeitas devem buscar subsídios em procedimentos cirúrgicos, com a laparorumentomia exploratória. Laparotomia pelo flanco esquerdo e rumenotomia Manter o animal em estação, em tronco de contenção, preservando a anatomia topográfica. O flanco esquerdo deve ser preparado para um procedimento asséptico, e um procedimento para anestesia local deve ser efetuado. A incisão de pele deve ser de aproximadamente 25 a 30 centímetros, paralela a última costela e distal aos processos tranversos por seis a oito

2 centímetros. Os músculos devem ser divulsionados de maneira romba, acompanhando o sentido das fibras. Após a incisão do peritônio, devem-se avaliar as características do líquido peritoneal presente, o aspecto do peritônio parietal e visceral visualizável e as estruturas passíveis de palpação devem ser examinadas. Se os achados não forem conclusivos e houver a necessidade da exploração das estruturas internas dos pré-estômagos, alguns procedimentos cirúrgicos devem ser tomados para evitar contaminação na cavidade peritoneal pela ingesta rumenal. 1- Sutura temporária seromuscular do rúmen aos músculos incisados. 2- Sutura temporária seromuscular do rúmen à pele. 3- Exteriorização e manutenção do rúmen por quatro pontos de sustentação. 4- Uso do aparelho de Weingart.

3 Exploração interna dos pré-estômagos Após a incisão do saco dorsal do rúmen, procede-se ao exame da ingesta, do aspecto da mucosa rumenal, palpa-se detalhadamente o retículo, o cárdia e o óstio retículo-omasal. Durante esta exploração, várias alterações podem ser detectadas como corpos estranhos no rúmen, objetos metálicos perfurando a mucosa do retículo, abscessos perireticulares, flacidez excessiva do óstio retículo-omasal.

4 A rumenotomia pode auxiliar e tratar várias afecções como a Indigestão vagal, que é uma síndrome freqüente em bovinos, causada pela disfunção do nervo vago devido a traumas provocados por reticulite traumática, leucose e tuberculose. As indigestões são classificadas em três tipos: Tipo I Distensão rumenal com hipomotilidade ou atonia rumenal Tipo II Distensão rumenal com hipermotilidade Tipo III Estenose funcional pilórica DESLOCAMENTOS DE ABOMASO (DA) É freqüente a observação desta afecção no período inicial da lactação, em vacas de alta produção. Muitos fatores predispõem ao deslocamento abomasal, como parto, afecções concomitantes como metrites e mastites, redução de motilidade no sistema digestivo e acúmulo de gases.

5 O abomaso pode deslocar para a esquerda (DAE), ou para a direita (DAD), sendo que pode ocorrer vólvulo abomasal quando o deslocamento ocorre para o lado direito. O tratamento cirúrgico do DA pode ser por quatro técnicas: 1 - Omentopexia pelo flanco direito 2 - Abomasopexia pelo flanco esquerdo 3 - Abomasopexia paramediana ventral direita 4 Abomasopexia percutânea DILATAÇÃO E TORÇÃO DO CECO Ocorre associada à hipomotilidade, íleo adinâmico e transtornos nos marcapassos localizados próximos ao íleo e ceco. Com freqüência, a afecção está associada a mastites ou metrites. Pode ser tratada clinicamente ou cirurgicamente em casos mais graves. VÓLVULO DA RAIZ DO MESENTÉRIO A rotação do intestino delgado sobre seu próprio eixo causa um quadro clínico caracterizado com dor abdominal intensa e distúrbios hidroeletrolíticos graves, indicando uma laparotomia exploratória emergencial.

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