DISCUTINDO CURRÍCULO NA ESCOLA CONTEMPORANEA: OLHARES E PERSPECTIVAS CRÍTICAS

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1 DISCUTINDO CURRÍCULO NA ESCOLA CONTEMPORANEA: OLHARES E PERSPECTIVAS CRÍTICAS Resumo Esse relato surgiu a partir de uma pesquisa exploratória realizada por 12 professores participantes envolvidos em 15 encontros da disciplina de Tópicos Especiais de Currículo num curso de Doutorado em Educação. Nesse processo de pesquisa ensino Durante um semestre o tema foi abordado de maneira clara e objetiva, trabalhando alguns teóricos e suas colaborações para a temática. Percebe se que o tema currículo faz parte de um campo de intensa discussão, por refletir ideologias e concepções que serão colocadas em prática na escola. As ponderações geradas em sala de aula, a partir da apresentação de seminários e leitura de textos levou a todos uma inquietação acerca da temática, pois demonstrou a importância e o destaque que o currículo possui na esfera política nacional. É profundo o debate acerca da cultura que deve ser trabalhada nos sistemas educacionais, e a sua importância se estabelece e se legitima no espaço escolar. O que deve ser transmitido, ensinado e aprendido nas escolas na contemporaneidade. As instituições educativas realizam a sua finalidade maior por meio dos conteúdos culturais historicamente acumulados. Contudo, a questão que se faz é: O que a escola deve ensinar aos jovens na contemporaneidade? Dessa forma, tentaremos discutir algumas ideias que suscitam interesse ao se debater o currículo na atualidade. Palavras chave: Currículo, Contemporaneidade, Ensino DISCUTINDO CURRÍCULO, OLHARES E PERPECTIVAS Falar sobre currículo escolar é compreender que se trata de um termo com vários significados e ampla abrangência. Analisado sob diferentes olhares e perspectivas que irão refletir num contexto: a escola com seus diversos atores. O campo de pesquisa do currículo torna se cada vez mais uma área complexa submetida a diferentes análises diante da diversidade cultural que nos encontramos. Gimeno Sacristán (2000), neste contexto, ressalta esse aspecto ao citar Grundy (1987) quando diz: O currículo não é um conceito, mas uma construção cultural. Isto é, não se trata de um conceito abstrato que tenha algum tipo de existência fora e previamente à experiência humana. É, antes, um modo de organzar uma série de práticas educativas (GIMENO SACRISTÁN apud GRUNDY, 2000, p. 14). Pesquisar currículo na contemporaneidade é submetê lo a questões de conhecimento e de identidade. Perguntas sobre: o que é? Para que serve? A quem se dirige? estão presentes nas diversas análises de autores, tais como Michael Apple, Henry Giroux, Peter Mc Laren, Gimeno Sacristán, Miguel Arroyo entre outros. Isso 01859

2 torna a discussão curricular não somente uma área técnica, mas voltada também a questões sociológicas, políticas e epistemológica. Para Gimeno Sacristán (2000), o estudo acerca do currículo na contemporaneidade deve ser tratado sob diversos aspectos: que objetivo se pretende atingir, o que ensinar, por que ensinar, para quem são os objetivos, quem possui o melhor acesso às formas legítimas de conhecimento, que processos incidem e modificam as decisões até que se chegue à prática, como se transmite a cultura escolar, como os conteúdos podem ser inter relacionados, com quais recursos/materiais metodológicos, como organizar os grupos de trabalho, o tempo e o espaço, como saber o sucesso ou não e as consequências sobre esse sucesso da avaliação dominante, e de que maneira é possível modificar a prática escolar relacionada aos temas. Essas questões permeiam o contexto escolar o tempo todo, trazendo indagações sobre a construção do currículo para a escola de hoje. Os caminhos a serem seguidos são complexos, pois complexa é a sociedade atual. Reconhecer quais conhecimentos são importantes no processo de escolarização é um trabalho árduo e nada simples, pois muitos são os conflitos acerca do que deve ser ensinado na escola. Desta forma, Apple (2011) destaca que a questão não é meramente educacional, mas possui um caráter ideológico e político e que as questões do currículo estão atreladas à história de conflitos da humanidade. Assim, esta concepção de currículo está voltada a uma práxis que compreende que a sua construção ocorre em um mundo de interações sociais e culturais, além de sofrer influências de quem tem o poder para constituí lo, por isso as práticas políticas e administrativas influenciam na sua formação e transformação. É preciso ressaltar também que a essa concepção de currículo subjaz uma concepção de desenvolvimento humano, e cabe a escola promover esse desenvolvimento num determinado tempo e espaço fazendo uso dos instrumentos culturais existentes nas práticas sociais. Diante desse contexto as discussões anteriores sobre currículo, que abordavam a sua relação com o conhecimento escolar perdem força. Atualmente o foco se deslocou para as relações entre o currículo, a cultura e a construção do conhecimento escolar. Nessa perspectiva configura se uma nova forma de docência, pois o conhecimento construído leva em conta o saber do aluno e as suas experiências, além de considerar a diversidade cultural existente nos seus espaços e a diferentes experiências de vida presente

3 Isso faz com que o professor tome consciências do seu papel diante do desenvolvimento e construção do currículo e reflita acerca das questões : o que, como, para que, para quem, a favor de quem o ensino está organizado, dessa forma, como Freire (2007, p.26) destaca, constitui se condições de verdadeira aprendizagem em que, Os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo. Só assim podemos falar realmente de saber ensinado, em que o objeto ensinado é aprendido na sua razão de ser, e portanto, aprendido pelos educandos. Nesse novo olhar de currículo escolar, leva se em consideração o jovem que frequenta a escola, pois o seu saber faz parte da produção cultural do conhecimento, o qual também constitui o currículo. Freire (2007) destaca que ensinar exige respeito aos saberes do educando e reconhecimento e assunção da identidade cultural, a qual faz parte da dimensão individual e da classe dos educandos e é fundamental na prática educativa, para que não se tenha uma visão pragmática do processo. Nesse arcabouço constitui se a formação do currículo na contemporaneidade, compreendendo que as relações são fluídas, horizontais, criativas e coletivas, diante disso o conhecimento científico cede espaço para saberes que estão ligados à ação cotidiana (LOPES; MACEDO, 2011). A produção do conhecimento é constituída a partir de uma inter relação complexa de diferentes contextos. O acontecimento que se passa na escola, não se produz apenas na escola e não é restrito a ela somente. Nesse sentido, o currículo é formado por contextos trazidos para a escola pelos diferentes sujeitos que a constituem e passa a fazer parte de outros contextos desses mesmos sujeitos. Dessa forma, o currículo passa a ser o que é praticado pelos sujeitos nos diversos contextos dos quais fazem parte, bem como nos diferentes espaços e tempos. A escola não é mais um local de saber científico, mas agregado a esses saberes se encontram as crenças e saberes que os seus sujeitos constitutivos trazem consigo. Isso remete ao cerne da questão: O que a escola deve ensinar aos jovens na contemporaneidade? Muito se falou sobre as concepções de currículo atualmente, valorizando os sujeitos que participam do processo, sua cultura e seus saberes. O currículo escolar não pode estar desvinculado da vida dos sujeitos para o qual está direcionado. É preciso compreender que o currículo é formado também ao captar o cotidiano dos sujeitos que o constituem, dentro da sua própria especificidade, para se 01861

4 compreender como se formam seres autônomos e auxiliar na produção de práticas emancipatórias. Arroyo (2013) lembra que é necessário reconhecer os educandos como sujeitos ativos afirmativos. Ao se conceber uma proposta curricular devemos reconhecer a singularidade dos sujeitos, o que leva a escola a pensar a sua prática e reinventar as suas ações. É reconhecer a voz dos estudantes e não tratá los como meros objetos. Além disso, dentro desse contexto, o papel do professor se altera, deixando de ser apenas um transmissor de informação, nas palavras de Gimeno Sacristán ( 1998, p. 121) Mais do que uma fonte de conteúdo da aprendizagem, com seu ensino teria que ser o mediador da comunicação cultural, dando mais importância às suas condições pedagógicas do que à sua capacitação cultural, para participar na mediação entre alunos/as e cultura externa. Dessa forma, é de fundamental importância destacar também a formação do professor para que possa atuar nessa esfera, tendo compreensão de todas as dimensões do currículo e como ele se institui na escola. É necessário, também, compreender que a esfera escolar é um sistema conflituoso, local de contestação e de lutas de poder. E que o currículo, visto como uma política cultural deve, segundo Giroux e Mac Laren (2011, p. 157) criar condições para o fortalecimento do poder individual e a autoformação dos alunos como sujeitos políticos. Diante desse contexto busca se um currículo que melhore a prática educativa, que reflita valores culturais de uma sociedade e que possibilite e expresse a aprendizagem na escola, por meio do domínio da cultura e da experimentação de novas possibilidades. CONSIDERAÇÕES FINAIS Percebeu se que na contemporaneidade, novos desafios se apresentam à escola, a partir do momento que seu papel não mais se restringe à transmissão de um conhecimento formal, numa visão pragmática; mas passa a ser um agente responsável pela tessitura de várias formas de conhecimento, tanto formal como informal. Diante da diversidade que se impõe à escola, o currículo passa a ser um instrumento que pode ser utilizado para aproximar e dialogar os diferentes atores do contexto escolar, de forma a fortalecer as diversas identidades que o compõe

5 Compreende se então, que o currículo escolar é produzido a partir da realidade que está inserido, diferentes sujeitos, diferentes discursos sociais e culturais, que pode reproduzir determinadas práticas ou levar à reflexão e mudança. É uma prática discursiva e de poder com diferentes significados e sentidos. É um meio para analisar a comunicação entre as ideias e os valores. Contudo sua concretização perpassa pela prática do contexto real no qual se insere, sendo uma expressão da relação teoria prática no aspecto social e cultural. O currículo se torna um campo de discussão e de significação, a partir da visão que se tem de sociedade, justiça social, igualdade, emancipação, moldando a prática educativa e afetado pela mesma, sendo o instrumento de luta na esfera escolar, de forma a vislumbrar uma sociedade mais justa e igualitária ao viabilizar a esperança para a sociedade contemporânea. REFERÊNCIAS APPLE, M,. Repensando Ideologia e Currículo In: MOREIRA, A. F.; TADEU, T (Org.). Currículo, cultura e sociedade. 12ed. São Paulo: Cortez, 2011 ARROYO, M. Currículo, território em disputa. 5ed. Petrópolis: Vozes,2013. CHIZZOTI, A. PONCE, B. J. O currículo e os sistemas de ensino no Brasil. Currículo sem Fronteira. v. 12, n. 3, p , Set/Dez FREIRE, P. Pedagogia da autonomía: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, GIMENO SACRISTÁN, J. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Porto Alegre: Artmed, GIMENO SACRISTÁN, J. O currículo: os conteúdos do ensino ou uma análise prática? In: GIMENO SACRISTÁN, J; PÉREZ GOMÉZ, A. I. Compreender e transformar o ensino. Porto Alegre: Artmed, GIROUX, H. A. ; MCLAREN, P. Formação do profesor como uma contraesfera pública: a pedagogía radical como uma forma de política cultural. In: MOREIRA, A. F.; TADEU, T (Org.). Currículo, cultura e sociedade. 12ed. São Paulo: Cortez, 2011 LOPES, A. C.; MACEDO, E. Teorias de currículo. São Paulo: Cortez, MOREIRA, A. F.; TADEU, T (Org.). Currículo, cultura e sociedade. 12ed. São Paulo: Cortez,

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