EFEITOS DO RUÍDO AMBIENTAL NO ORGANISMO HUMANO E SUAS MANIFESTAÇÕES AUDITIVAS

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "EFEITOS DO RUÍDO AMBIENTAL NO ORGANISMO HUMANO E SUAS MANIFESTAÇÕES AUDITIVAS"

Transcrição

1 CEFAC CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA AUDIOLOGIA CLÍNICA EFEITOS DO RUÍDO AMBIENTAL NO ORGANISMO HUMANO E SUAS MANIFESTAÇÕES AUDITIVAS LÍVIA ISMÁLIA CARNEIRO DO CARMO GOIÂNIA 1999

2 CEFAC CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA AUDIOLOGIA CLÍNICA EFEITOS DO RUÍDO AMBIENTAL NO ORGANISMO HUMANO E SUAS MANIFESTAÇÕES AUDITIVAS Monografia de conclusão do Curso de Especialização em Audiologia Clínica. Orientadora: Mirian Goldenberg LÍVIA ISMÁLIA CARNEIRO DO CARMO GOIÂNIA 1999

3 Toda a vida (ainda das coisas que não têm vida) não é mais que uma união. Um união de pedras é edifício; uma união de tábuas é navio; uma união; uma união de homens é exército. E sem esta união tudo perde o nome e mais o ser. O edifício sem união, é ruína; o navio sem união é naufrágio; o exército sem união é despojo. Até o homem (cuja vida consiste na união de alma e corpo) com união é homem, sem união é um cadáver. Padre Antônio Vieira ( )

4 Dedicatória Aos homens de minha vida, Ricardo e aos filhos, Leonardo, Marcelo e Ricardo Filho. Aos meus pais, Otelino e Orelina. Com carinho a Maione Maria Miléo.

5 Agradecimento Aos colegas do Curso de Especialização do CEFAC; ressalto o apoio das grandes companheiras: Viviane Pacheco e Mara Núbia, que nos momentos mais importantes estiveram presentes. Sou particularmente grata, à Coordenação do CEFAC, na pessoa de Christiane Tanigutti e a todos os profissionais que muito contribuíram com suas experiências e conhecimentos em suas respectivas áreas. Manifesto o meu reconhecimento ao valioso auxílio dos ex-professores e eternos amigos, Maione Maria Miléo, Sumaya Leão Tavares, Luciana Zulliani, Bertín Sanches, pelo profissionalismo, incentivo e preciosos conselhos. Deixo um agradecimento especial à todos os meus familiares.

6 SUMÁRIO SUMMARY (ABSTRACT)...7 RESUMO INTRODUÇÃO DISCUSSÃO TEÓRICA AUDIOLOGIA ASPECTOS CONCEITUAIS O Som: Aspectos Acústicos e Psicoacústicos Ondas Sonoras Faixa de Audição Humana Ruído Anatomofisiologia e Acústica da Audição EFEITOS DO RUÍDO NO ORGANISMO EFEITOS AUDITIVOS Trauma Acústico Mudança Temporária no Limiar (TTS - Temporary Threshold Shift ) ou Fadiga Auditiva Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR) ou Mudança Permanente no Limiar (PTS - Permanent Threshold Shift ) EFEITOS NÃO-AUDITIVOS RUÍDO AMBIENTAL POLUIÇÃO SONORA Efeitos no Organismo Efeitos Sincronizadores e Perturbadores do Ruído no Sono Ruído e Lazer CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 43

7 SUMMARY (ABSTRACT) Human ear is extremely sensitive to noise. Through bibliographical revision this research has the main objective to report the harmful effects of environmental noise on human organism and its hearing display. Continued exposure to noise can cause physical fatigue and chemical, metabolic and mechanical modifications of hearing, therefore it will cause stress of biological chances that can affect the sleep and health, such as: breathing and behavior, endocrine and neurological problems; it will become the cause of many diseases. According to many authors the effects of environmental noise affect the human organism direct or indirectly depending on frequency, intensity, duration and personal susceptibility to which the human being is exposed. We understand in this study the urgency to inform everybody, professionals the harmful effects due to noise exposure. Such effects may be decreased through educational programs and environmental noise inspection. We suppose that this research will also help the investigation of new alternatives to control harmful noise since this topic refers to public health.

8 RESUMO A orelha humana é extremamente sensível e vulnerável ao ruído. Através de revisão bibliográfica, esta pesquisa, teve como objetivo principal relacionar os efeitos nocivos do ruído ambiental sobre o organismo humano, e suas manifestações auditivas. A exposição prolongada do ruído pode levar ao esgotamento físico e às alterações químicas, metabólicas e mecânicas do órgão sensorial auditivo. Consequentemente, ocorrendo estresse e/ou perturbação no rumo biológico, resultando em distúrbios do sono e da saúde (transtornos respiratórios, comportamentais, endocrinológicos, neurológicos, entre outros), passando a ser um agente provedor de doenças. De acordo com diversos autores, os efeitos do ruído ambiental afetam o oganismo humano de forma direta ou indireta, considerando-se a freqüência, intensidade, duração e susceptibilidade individual, nas quais o ser humano encontra-se exposto. Percebe-se neste estudo a urgência em alertar a sociedade, especialmente os profissionais da saúde e áreas afins, sobre os efeitos prejudiciais decorrentes do ruído. Tais efeitos podem ser atenuados com elaboração de programas educativos e de medidas preventivas para a fiscalização dos níveis de ruído ambiental. Acredita-se que esta pesquisa também auxiliará na busca de novas alternativas para o controle do ruído, já que este tema assume uma dimensão maior, por se referir à saúde pública.

9 1. INTRODUÇÃO Por constituir uma preocupação há cerca de anos, confirmada por relatos históricos de vários pesquisadores e tendo em vista o crescente aumento de agentes desencadeadores, o ruído assume um interesse significativo na área científica, na elaboração de estudos e propostas para o controle desse inimigo silencioso e sorrateiro. Definido como o som capaz de provocar dano ao Sistema Auditivo, interferindo no equilíbrio bioquímico do organismo, comprovado especialmente na indústria, o ruído representa um problema sério, causando danos auditivos em milhares de trabalhadores, influenciando na capacidade de atenção e reduzindo o desempenho de suas atividades, tanto intelectuais como físicas. O desenvolvimento tecnológico das indústrias e o crescimento dos grandes centros urbanos submetem o indivíduo ao convívio permanente do ruído, não respeitando convenções e nem classes sociais. Pesquisas recentes revelam que a poluição sonora ocupa a terceira posição entre as doenças ocupacionais, motivo pelo qual conduziu o interesse pelo tema proposto. O presente trabalho objetivará mostrar as influências e manifestações auditivas e não-auditivas do ruído ambiental no organismo humano. Para a realização deste estudo será utilizado um referencial teórico sobre o ruído e seus efeitos. Para tanto, procurará estabelecer alguns conceitos e elucidações quanto às áreas de abrangência da audiologia e seu campo de atuação enquanto ciência fonoaudiológica. Buscar-se-á analisar, através da literatura especializada, os aspectos relativos à anatomofisiologia e fisiopatologia da audição, a relação audição, som e ruído, bem como caracterizar o ruído ocupacional e suas respectivas patologias e por último o ruído ambiental e seus efeitos no organismo em geral. Será dada ênfase à Poluição Sonora como agente provedor de doenças e insalubridade ao ruído estressante aos quais os indivíduos estão

10 expostos e, por último, relatar sobre estudos que hoje destinam-se ao ruído e ao lazer. Os assuntos serão apresentados progressivamente, e de forma sucinta, com o objetivo de facilitar a compreensão deste tema tão envolvente. 10

11 2. DISCUSSÃO TEÓRICA Para a realização deste trabalho, utilizamos de um referencial teórico, sobre o ruído e seus efeitos. Há neste trabalho como proposta para a discussão teórica, a organização em capítulos, com a intenção de oferecer uma melhor compreensão do assunto em questão. Para tanto, os capítulos serão apresentados, progressivamente, e de forma sucinta, com o propósito de convidar o leitor a uma reflexão acerca deste assunto envolvente e motivador. No primeiro através da literatura especializada, serão apresentados os aspectos conceituais da audiologia, os aspectos acústicos, psicoacústicos do som, o ruído e sua classificação e a anatomofisiologia da audição. Além de caracterizar o ruído ocupacional, o segundo destinar-se-á aos efeitos auditivos do ruído, manifestações clínicas e suas respectivas patologias. O terceiro abordará sobre os efeitos não-auditivos decorrentes do ruído no organismo humano em geral, dando ênfase à poluição sonora como agente provedor de doenças e insalubridades, o ruído estressante e estudos sobre o ruído e lazer. 1. Audiologia - Aspectos Conceituais Tendo como objeto de estudo o ruído e sendo ele importante agente físico causador de perdas auditivas e distúrbios neuro/fisio/ psicológicos, o exercício desse campo é feito principalmente pela audiologia e áreas afins como a psicofísica, neurologia, fisiologia, psicologia, ou seja, por pesquisadores que investigam os aspectos que desencadeiam tal problema e o empenho científico de cada área. LACERDA (1976) relata que a palavra audiologia possui uma etiologia composta (do latim audio e do grego logos) que se refere ao estudo da audição como também os desvios ou desordens da função auditiva. RUSSO (1993) a define como a ciência da avaliação da audição e tem sua base científica na Psicoacústica, relacionada com aquilo que se ouve,

12 descrevendo as relações existentes entre as sensações auditivas e as propriedades físicas de um estímulo sonoro. Aliada ainda a estes conceitos, a audiologia direciona suas pesquisas para tudo que possa auxiliar ou prejudicar a audição, podendo ser estudada sob os aspectos psicofísicos, anatomofisiológicos, neurofisiológicos e fisiopatológicos. No campo da Psicofísica, a audiologia estabelece relações entre as respostas do organismo e os estímulos acústicos. Na área da Anatomia e Neurofisiologia volta seu estudo para a transmissão dos sons por intermédio do Sistema Auditivo Periférico e a Recepção Neurossensorial dos estímulos sonoros direcionados ao córtex cerebral. Na Psicologia seu estudo volta-se para a percepção auditiva a nível de área temporal do córtex, juntamente com as operações de análise e síntese dos estímulos auditivos e a complexidade das funções sensomotoras e intelectuais do córtex cerebral. Na Fisiopatologia são avaliadas as lesões que acometem os sistemas de transmissão e recepção coclear e retrococlear, os distúrbios de audição periféricos e centrais, como também as perdas auditivas O Som: Aspectos Acústicos e Psicoacústicos A acústica é uma área de relevância de estudo, principalmente por caracterizar o ruído quanto o nível de pressão sonora, em determinar a faixa de freqüência percebida pela orelha humana, classificação dos tipos de ruído, permitindo conhecimentos úteis relativos aos efeitos dos fenômenos sonoros sobre a audição. Do ponto de vista audiológico, a acústica pode ser estudada em dois aspectos: acústica física e acústica fisiológica ou psicoacústica. MENEGOTTO & COUTO (1998) definem a acústica física como sendo a geração, transmissão e recepção de uma energia na forma de ondas vibracionais na matéria. O fenômeno mais familiar é a sensação do som, sendo este considerado como uma vibração que se propaga pelo ar em forma de ondas e que é percebida pela orelha humana. Um distúrbio vibracional é interpretado como som quando sua freqüência atinge uma faixa de 20 a Hz em uma intensidade capaz de produzir uma sensação auditiva. Em RUSSO (1993) vê-se que a Psicoacústica ou Acústica Fisiológica diz respeito aos atributos da sensação do indivíduo para freqüência ( pitch ), para intensidade ( loudness ) e, ainda, com os julgamentos ou impressões individuais, em relação a ruído, sons musicais, vozes humanas, entre outros. Portanto, está relacionada com a habilidade dos ouvintes em distinguir diferenças entre os estímulos e não diretamente com os mecanismos 12

13 fisiológicos dos sons. Sendo assim, a diferença básica entre Audiologia e Psicoacústica encontra-se na metodologia empregada. A primeira está empenhada em pequenas diferenças e efeitos sutis, e a segunda dirige-se para a aplicação de testes simples e rápidos a fim de determinar a natureza do distúrbio e local da lesão. Porém, não se pode dissociá-las, pois em conjunto fornecem informações preciosas para a integridade do Sistema Auditivo. Os testes audiométricos subjetivos utilizados na audiologia para medir a acuidade auditiva do indivíduo são chamados de testes psicométricos ou psicoacústicos, os quais, além de outros aspectos, determinam a área de sensibilidade do ouvido humano, constituindo-se, como dito, uma a base da outra Ondas Sonoras São considerados os estímulos da audição. A forma como o som é percebido é extremamente importante para a audiologia, facilitando os seus procedimentos e a melhor compreensão da relação entre som e audição. As ondas sonoras transportam energia de um ponto para outro no espaço, através de oscilações de vibrações que se propagam em um meio elástico, seja, líquido, gasoso ou sólido, sem contudo haver transporte simultâneo de matéria. Suas dimensões físicas estão associadas à altura e intensidade, sendo que, na altura os sons são classificados em graves ou agudos, ou seja, relacionam-se com a freqüência. Quanto a intensidade, a classificação se faz em forte ou fraco e encontram-se relacionados com a amplitude, portanto, maior amplitude, energia e pressão, mais forte é o som. Para MENEGOTTO & COUTO (1998) a intensidade do som pode ser analisada sob o ponto de vista da intensidade sonora (fluxo de energia) ou da pressão (pressão que as moléculas exercem). A audiologia utiliza uma escala logarítmica para descrever os níveis sonoros da percepção humana, frente aos eventos físicos, relativos ao nível de intensidade sonora (NIS) e o nível de pressão sonora (NPS), que é o decibel. CLIFFORD (1973) observa que essa escala é útil não somente para a engenharia do som como para compreender mecanismos de audição. Uma escala logarítmica, naturalmente, é constituída de acordo com os expoentes de um número básico, que é, em geral, 10. Por conseguinte, um som, que é 10 vezes, teria um valor 2; um que fosse vezes, o valor 3, e assim por diante. A unidade da escala logarítmica da intensidade do som chama-se bel. O bel é o logaritmo de uma razão de 10, sendo dividido em dez partes chamadas decibels. O decibel é um décimo do bel. 13

14 RUSSO (1998) relata que a unidade denominada Bel foi concedida em homenagem a Alexandre Graham Bell, inventor do telefone. Foi usada para medições de perdas nas linhas telefônicas, nos EUA, como medida relativa de intensidade, a qual amplia uma ampla variação de escala linear de intensidade pelas transformações desta em uma escala logarítmica. MENEGOTTO & COUTTO (1998) acrescentam que há outros tipos de escalas de decibels, como dbna, dba, dbns, dbc e outros. Os exames audiológicos são normalmente relacionados numa escala chamada de dbna Faixa de Audição Humana Vários experimentos psicoacústicos foram utilizados para esclarecer as relações existentes entre as alterações nas propriedades físicas das vibrações sonoras e as correspondentes alterações subjetivas na sensação auditiva, determinando a faixa de audição humana, que compreende a área de freqüências de 20 a Hz, incluindo o limiar mínimo de detecção ou audibilidade. Os ossos da cabeça também transmitem som, sendo que a orelha é muito sensível aos sons transmitidos por condução aérea do que condução óssea. Considera-se por audição a percepção dos sons que os indivíduos têm, através do mecanismo da orelha. Os estímulos sonoros atingem a orelha e, no cérebro, a área correspondente interpreta esses estímulos, os quais tornamse conscientes pela percepção Ruído Grande parte dos sons são complexos, com diferentes ondas superpostas como a fala, a música e os ruídos. Não existe diferença, em termos físicos, entre som e ruído. A preocupação com os níveis de ruído em relação ao meio ambiente e à saúde, data desde os primórdios do tempo, constituindo um problema de anos atrás. Os primeiros relatos com relação à surdez dos moradores que viviam próximos às cataratas do rio Nilo, no Egito, estabelecendo uma relação causal entre ruído e a perda da audição. Foram descritos por Hipócrates e Plínio, o Velho. CRUZ & COSTA (1994) confirmam que a clássica descrição de que o interesse dos sons ambientais sobre as pessoas existe desde a antiga Roma, quando veículos puxados por animais andando pelas primeiras vias pavimentadas, incomodavam as pessoas dentro de suas casas durante 14

15 conversas informais e o sono. No Brasil atualmente já existem estudos direcionados ao ruído e seus efeitos, como por exemplo, pesquisadores de Belo Horizonte confirmam que o ruído pode afetar de forma direta ou indireta, através de estresse ou perturbações no ritmo biológico, gerando distúrbio do sono e da saúde, em geral, no cidadão urbano. Conforme CLARK (1992), o ruído é um incômodo e COSTA & CRUZ (1994) completam que, em grande quantidade e de forma constante, torna-se mais que um incômodo, passando a ser agente causador de doenças. RUSSO (1993), considera o termo ruído, para descrever um sinal acústico aperiódico, originado da superposição de vários movimentos de vibração com diferentes freqüências, as quais não apresentam relação entre si. LACERDA (1976) aponta que no ruído podem-se distinguir dois fatores principais. O primeiro diz respeito à freqüência, que consiste no número de vibrações por segundo emitidas pela fonte sonora, medida em Hz, atribuindo aos ruídos a seguinte classificação: de baixa freqüência (graves) entre 20 a 300 Hz; freqüências médias de 30 a Hz; altas freqüências (agudas) os de a Hz. Os sons abaixo de 20 Hz são denominados de infra-sons e acima de Hz, de ultra-sons. Os sons de alta freqüência são mais nocivos à orelha humana e os ruídos de baixa freqüência, mesmo sendo suportáveis pela orelha, produzem efeitos orgânicos mais acentuados. O segundo fator ligado ao ruído é a intensidade, medida em decibel (db), considerando que os ruídos inferiores a 40 db são apenas desagradáveis, enquanto os ruídos entre db são capazes de favorecer distúrbios nervosos, e, os superiores a 90 db agem de forma traumatizante na orelha. De acordo com a Norma - ISO 2204/1973 (INTERNATIONAL STANDARD ORGANIZATION), os ruídos podem ser classificados segundo a variação de seu nível de intensidade com o tempo, como: contínuo, cujas variações de nível são desprezíveis (aproximadamente 3 db), apresentando maior duração durante o período de observação; intermitente, que apresenta uma variação contínua de um valor aplicável (aproximadamente 3 db) no período de observação e de impacto ou impulso, seus picos de energia acústica de duração são inferiores a um segundo. FEIDMAN & GRIMES (1985), citados por RUSSO (1993), caracterizam-no como um fenômeno acústico associado a explosões e é considerado um dos ruídos mais nocivos à audição, com intensidades que variam de 100 db ruído de impacto e acima de 140 db ruído impulsivo. A exposição contínua a ruídos acima de 85 dba pode provocar perdas auditivas permanentes e, com aumento de apenas 5 db, representa uma 15

16 redução do tempo de exposição ao ruído pela metade. (Tabela 1) Tabela 1. Limites de Tolerância para Ruído Contínuo ou Intermitente Nível de Ruído db (A) pela Máxima Exposição Diária Permissível Db DB DB DB DB DB DB DB DB 8 horas 7 horas 6 horas 5 horas 4 horas e 30 minutos 4 horas 3 horas e 30 minutos 3 horas 2 horas e 40 minutos DB DB DB DB DB DB DB DB DB DB DB DB DB DB 2 horas e 15 minutos 2 horas 1 hora e 45 minutos 1 hora e 15 minutos 1 hora 45 minutos 35 minutos 30 minutos 25 minutos 20 minutos 15 minutos 10 minutos 8 minutos 7 minutos Fonte: PIMENTEL SOUZA (1992) Ruído Estressante O barulho inesperado ou de fonte desconhecida pode provocar várias formas de reações reflexas. Em exposição temporária, o organismo retorna ao normal, correspondendo à reação primária. Se a fonte geradora de ruído é mantida ou alternada podem ocorrer mudanças persistentes. SELYE (1954), citado por PIMENTEL-SOUZA (1992), observa que o ruído é um estímulo potente para estabelecer conexão com o arco-reflexo vegetativo do Sistema Nervoso Autônomo (SNA) na manutenção do estresse crônico. WHO (1980) refere que são observadas diferentes reações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, incluindo o aumento de liberação de ACTH e de 16

17 corticosteróides. BERGAMINI et al. (1976) dizem que os órgãos alvos incluem vísceras, como: glândulas endócrinas ou exócrinas, órgãos sexuais, sistemas hormonais, etc. Em seus estudos PIMENTEL-SOUZA (1992) cita SELYE (1965) que atribui ao ruído estressante três fases, que promovem efeitos psicofisiológicos e fisiológicos decorrentes da atividade simpática e hipotálamo-hipofisária. A primeira fase (estresse agudo) caracteriza-se por resposta do SNA simpático com liberação de norodrenalina no sangue. A segunda fase (estresse crônico) representa o período de resistência, quando o organismo adapta-se ao agente agressor, permanece defendendo-se e passa a liberar mais adrenalina que, em conjunto com a anterior, constituem os hormônios do medo, raiva e da ansiedade. A terceira fase (estresse de exaustão) corresponde ao período préagônico, com permanência das secreções destes hormônios e queda das gonadrotrofinas e oxitocinas, afetando a persistência, comportamentos sociais e sexuais, levando à depressão psicológica, à deficiência imunológica, à desintegração orgânica, óssea, muscular etc Características dos Sons Lesivos (RUÍDO) Os sons lesivos são mais intensos que da conversação, variam de db SPL. O som lesivo tem por volta de 85 db, com exposição de 8 horas por dia. Nos últimos 25 anos o nível crítico dos sons lesivos teve vários significados e, devido a este fato, devem-se utilizar alguns referenciais para estabelecê-lo. SPOENDLIN (1976) atribui 120 db SPL com o estímulo NOISE BURST; HANDERSON et al., ( ), em mais ou menos 125 db SPL; DANIELSON et al. (1991) e OLIVEIRA (1997) afirmam que o impulso de vários milissegundos revelariam o nível crítico entre 135 a 155 db Fatores de Risco Alguns fatores de risco em relação a sensitividade à perda auditiva por ruído foram observados durante este levantamento. SUN et al., (1991) citados por OLIVEIRA (1997), afirmam que a deficiência de ferro no organismo facilitava as lesões cocleares. Em seus estudos, OLIVEIRA (1997) cita diversos autores como CODY & JOHNSTONE (1982) o ouvido esquerdo seria mais suscetível a lesão por ruído, devido ao fator de lateralidade, consideram que as perdas auditivas monoaurais podem ser reduzidas por estímulos acústicos simultâneos. AXELSSON et al. (1981) verificaram que o ouvido esquerdo seria 17

18 mais suscetível à lesão por ruído fator lateralidade. OLIVEIRA (1989) atribui aos antibióticos aminoglicosídeos como potencializadores de lesões auditivas por ruído. Outros fatores observados: a prematuridade, em que verifica-se que as crianças imaturas são suscetíveis a lesões auditivas por ruído (barulho da incubadora). Em idade avançada existe uma relação inversa: quanto maior a idade, menor a susceptibilidade, sendo considerado que, em idade avançada, a mulher é mais sensível às perdas auditivas por ruído. Não se pode deixar de ressaltar que outros fatores são importantes, como: a duração, a influência e a continuidade e discontinuidade do ruído. A duração diz respeito ao tempo em que o indivíduo encontra-se exposto ao ruído. A influência está relacionada à susceptibilidade, que é muito variável entre os indivíduos e aos ruídos que causam alterações auditivas. A continuidade e descontinuidade, encontra-se na freqüência do ruído e a sensibilidade do som audível Anatomofisiologia e Acústica da Audição A audição é um órgão sensorial importante à vida; constitui a base da comunicação humana. Além dos aspectos acústicos, é imprescindível conhecer a anatomia e a fisiologia da audição para a compreensão dos efeitos auditivos decorrentes da exposição ao ruído. ZORZETTO (1994) descreve a orelha como órgão vestibulococlear, formada por um complexo morfofuncional responsável pela sensibilidade ao som, aos efeitos gravitacionais e do movimento. MORATA & SANTOS (1994) afirmam que a orelha está contida no osso temporal e tem como funções principais o equilíbrio e a audição. Do ponto de vista didático, pode-se dividir a orelha em três partes: orelha externa, orelha média e orelha interna Orelha Externa Constituída pelo pavilhão auricular, conduto auditivo externo (CAE) e membrana timpânica (MT), localizada na porção final do CAE, separando orelha externa da média. OLIVEIRA (1985) coloca que a finalidade do pavilhão auricular é coletar as ondas sonoras e dirigi-las para o CAE. MORATA & SANTOS (1994) completam, dependendo da posição do ouvinte em relação à fonte sonora, pode também ser responsável por um acréscimo de 01 a 10 db na faixa de freqüência de a Hz. Contribuindo, ainda, para a localização da fonte sonora e proteção para a orelha média e interna. 18

19 O CAE tem 2,5 cm de comprimento e conduz as ondas sonoras à MT. Possui duas porções: a primeira cartilaginosa e segunda óssea, que é mais estreita. É recoberto por pele, possui pêlos e glândulas que produzem cera, com função de proteger a MT contra a ação de corpos estranhos. O seu formato também contribui na amplificação e ressonância, destacando a sensitividade para determinados sons. Contudo, a freqüência ressonante é variável entre os indivíduos, de acordo com a extensão e características físicas do pavilhão auricular e CAE. Pode-se dizer que essa amplificação varia de 10 a 20 db para freqüências entre e Hz. MENEGOTTO & COUTO (1998) ressaltam que a ressonância própria do CAE parece ser invariável, mas a ressonância do pavilhão auricular é extremamente dependente da direção do som. Assim, o som que chega a MT apresenta variações características conforme a posição da fonte sonora, o que fornece pistas para a sua localização Orelha Média Conhecida também por cavidade timpânica ou caixa do tímpano. É uma cavidade preenchida de ar, escavada no osso temporal e tem de 1 a 2 cm 3 de volume. Possui três recessos: Epitimpânico ou Ático, contendo a cabeça do martelo, corpo e ramo curto da bigorna, o Mesotimpânico, área coberta pela membrana timpânica e o recesso Hipotimpânico ou Hipotímpano, situado na parte anterior. MENEGOTTO & COUTO (1998) registram que a função da orelha média é fazer uma ponte entre a orelha externa e a orelha interna, ou precisamente, entre o meio aéreo da orelha externa e o meio líquido da orelha interna. Esta ponte inicia-se na MT, passa pela cadeia ossicular e termina na janela oval. A MT ou membrana do tímpano é uma estrutura da orelha média, transparente, com aparência circular, com pequena concavidade e apresenta 80 mm 2 de superfície, 10 mm de diâmetro e 0,1 mm de espessura. No adulto, apresenta-se em posição oblíqua, voltada ântero-lateralmente. É constituída por três camadas de tecido de origem diversa: a primeira, a mais externa, de natureza epitelial, de origem ectodérmica, a segunda, intermediária fibrosa, de origem mesodérmica a terceira, e profunda (interna) mucosa, de origem endodérmica. Esta membrana é dividida em quadrantes: póstero-superior, póstero-inferior, ântero-superior e ântero-inferior. Apresenta duas porções: a primeira PARS Flácida ou membrana de SHRAPNELL é uma porção fina e frouxa; corresponde à parte da membrana que é formada por epiderme e mucosa, situada acima das pregas malares. 19

20 BONALDI et al. (1998) consideram que a PARS TENSA ou lâmina própria, a segunda, e responsável pela compliância da MT e transmissão de vibração para a orelha média devido o arranjo de fibras que contém. O cabo do martelo situa-se firmemente aderido às fibras da camada média, sendo o ossículo constantemente tracionado para dentro por ligamentos e pelo músculo tensor do tímpano, o que mantém a membrana tensa e permite a transmissão das vibrações sonoras. Do ponto de vista funcional a MT pode ser dividida em três zonas; que se diferenciam pela composição de suas fibras e o modo de vibração: zona central, zona intermediária e zona periférica. Os autores acima citados, acrescentam que, de modo geral, a vibração é transferida das zonas central e periférica para a intermediária, no entanto podem ser diferenciados movimentos vibratórios com relação à freqüência de estimulação. De acordo com STINSON (1985), citado por MENEGOTTO & COUTO (1998), até 2 ou 3 Khz aproximadamente a MT vibra como um todo, em movimentos de vaivém. Acima disso, vibra por partes, com suas porções respondendo de forma diferenciada às diversas freqüências. ZORZETTO (1994) diz que a cadeia ossicular é composta por três ossículos: martelo, bigorna e estribo, articulados entre si, situados no interior da cavidade timpânica. Encontram-se suspensos por ligamentos e músculos que em conjunto e o formato característico dos ossículos lhes permite um padrão próprio de movimentação. O martelo tem uma das suas extremidades ligada à porção mais central da MT e a outra ligada à outra bigorna que, por sua vez, articula-se com o estribo, que tem sua base inserida na janela oval. MORATA & SANTOS (1994) assinalam que, como a transmissão do som de um meio aéreo (orelha média) para um meio líquido (orelha interna), é extremamente ineficiente (há uma perda de energia correspondente a 30 db) devido a grande diferença de mobilidade entre os dois meios, a cadeia ossicular atua como um transformador mecânico que equaliza as impedâncias. RUSSO (1993) diz que a posição que o conjunto tímpano-ossicular oferece à passagem da onda sonora que penetra no CAE é denominada da impedância mecânica da orelha média, parte da energia acústica que incide na MT é refletida para fora, e a outra parte é transmitida para a orelha média pela vibração da MT. A orelha média tem como função principal facilitar a transmissão das ondas sonoras do ar para os fluídos da orelha interna; considerando que o ar tem baixa impedância, enquanto os fluídos cocleares apresentam uma alta impedância, portanto é necessário o casamento entre as impedâncias por meio 20

O Ouvido Humano e a Audição

O Ouvido Humano e a Audição 36 Capítulo 4 O Ouvido Humano e a Audição Neste capítulo faremos um estudo sobre o ouvido humano, a fisiologia da audição e a sensibilidade do nosso sistema auditivo. 1. Conceitos básicos sobre a anatomia

Leia mais

Audição. Audição. Audição e equilíbrio. Capta e direcciona as ondas sonoras para o canal auditivo externo.

Audição. Audição. Audição e equilíbrio. Capta e direcciona as ondas sonoras para o canal auditivo externo. Sistema auditivo Audição Audição Audição e equilíbrio Capta e direcciona as ondas sonoras para o canal auditivo externo. Possui glândulas sebáceas e glândulas sudoríparas apócrinas modificadas glândulas

Leia mais

Engenharia Biomédica - UFABC

Engenharia Biomédica - UFABC Engenharia de Reabilitação e Biofeedback Deficiência Auditiva Professor: Pai Chi Nan 1 2 1 Ouvido externo Orelha Canal auditivo externo Função Coleta de sons 3 Ouvido médio Tímpano Ossículos Martelo Bigorna

Leia mais

Anatomia e Fisiologia Humana OUVIDO: SENTIDO DA AUDIÇÃO E DO EQUILÍBRIO. DEMONSTRAÇÃO (páginas iniciais)

Anatomia e Fisiologia Humana OUVIDO: SENTIDO DA AUDIÇÃO E DO EQUILÍBRIO. DEMONSTRAÇÃO (páginas iniciais) Anatomia e Fisiologia Humana OUVIDO: SENTIDO DA AUDIÇÃO E DO EQUILÍBRIO DEMONSTRAÇÃO (páginas iniciais) 1ª edição novembro/2006 OUVIDO: SENTIDO DA AUDIÇÃO E DO EQUILÍBRIO SUMÁRIO Sobre a Bio Aulas... 03

Leia mais

Ouvido Externo. Ouvido Médio. Bigorna. Martelo. Canal. Estribo. Tímpano. Figura 1 - Ouvido Humano

Ouvido Externo. Ouvido Médio. Bigorna. Martelo. Canal. Estribo. Tímpano. Figura 1 - Ouvido Humano O Ouvido Humano Eng. Adriano Luiz Spada Attack do Brasil 1- Introdução Neste artigo abordaremos as principais características do ouvido humano, uma das principais ferramentas para quem trabalha com áudio.

Leia mais

SOM. Ruído. Frequência. Ruído. Amplitude da vibração. Ruído. Isabel Lopes Nunes FCT/UNL. Som - produz vibrações (ondas) que entram no ouvido interno

SOM. Ruído. Frequência. Ruído. Amplitude da vibração. Ruído. Isabel Lopes Nunes FCT/UNL. Som - produz vibrações (ondas) que entram no ouvido interno SOM Isabel Lopes Nunes FCT/UNL toda a vibração mecânica que se propaga num meio elástico (ar, metais, líquidos ), desde que as frequências que a compõem se encontrem dentro de uma determinada faixa audível

Leia mais

Resumo sobre o Sistema Auditivo Humano

Resumo sobre o Sistema Auditivo Humano Universidade Federal de Minas Gerais Pampulha Ciências da Computação Resumo sobre o Sistema Auditivo Humano Trabalho apresentado à disciplina Processamento Digital de Som e Vídeo Leonel Fonseca Ivo 2007041418

Leia mais

O Nosso Corpo Volume XXIV O Ouvido Parte 2

O Nosso Corpo Volume XXIV O Ouvido Parte 2 O Nosso Corpo Volume XXIV um Guia de O Portal Saúde Outubro de 2010 O Portal Saúde Rua Braancamp, 52-4º 1250-051 Lisboa Tel. 212476500 geral@oportalsaude.com Copyright O Portal Saúde, todos os direitos

Leia mais

Sistema Vestíbulo-Coclear. Matheus Lordelo Camila Paula Graduandos em Medicina pela EBMSP

Sistema Vestíbulo-Coclear. Matheus Lordelo Camila Paula Graduandos em Medicina pela EBMSP Sistema Vestíbulo-Coclear Matheus Lordelo Camila Paula Graduandos em Medicina pela EBMSP Salvador BA 27 de março de 2012 Componentes Orelha Externa Pavilhão Auditivo Meato Acústico Externo até a membrana

Leia mais

FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO

FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO Profa. Geanne Matos de Andrade Depto de Fisiologia e Farmacologia AUDIÇÃO Modalidade sensorial que permite aos animais eaohomenpercebersons Som é a pertubação vibratória do ambiente

Leia mais

Perda Auditiva Induzida pelo Ruído - PAIR

Perda Auditiva Induzida pelo Ruído - PAIR Perda Auditiva Induzida Disciplina Medicina Social e do Trabalho MLS 0412 Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo Graduação 3º Ano Grupo A1 Trata-se de uma perda auditiva do tipo neuro-sensorial,

Leia mais

META Compreender o mecanismo sensorial responsável pela formação da audição humana, assim como, algumas patologias que afetam este processo.

META Compreender o mecanismo sensorial responsável pela formação da audição humana, assim como, algumas patologias que afetam este processo. BIOFÍSICA DA AUDIÇÃO META Compreender o mecanismo sensorial responsável pela formação da audição humana, assim como, algumas patologias que afetam este processo. OBJETIVOS Ao final desta aula, o aluno

Leia mais

Ouvir melhor é viver melhor. Descobrindo sua audição

Ouvir melhor é viver melhor. Descobrindo sua audição Ouvir melhor é viver melhor Descobrindo sua audição O mundo o está chamando A capacidade de ouvir é uma parte tão importante da nossa vida e a maioria das pessoas nem se dá conta disso. Ouvir é um dom,

Leia mais

Treinamento de Prot. Auditiva. Treinamento aos usuários de protetores auriculares

Treinamento de Prot. Auditiva. Treinamento aos usuários de protetores auriculares Treinamento de Prot. Auditiva Treinamento aos usuários de protetores auriculares 1 Objetivo Reconhecer o agente físico ruído Conhecer os efeitos à saúde causado por exposição ao ruído Conhecer os tipos

Leia mais

Sistema Sensorial. Biofísica da Audição

Sistema Sensorial. Biofísica da Audição Sistema Sensorial Biofísica da Audição Falar pelos cotovelos... Ouvir pelos joelhos... SENTIDO DA AUDIÇÃO - FINALIDADE Detectar predadores, presas e perigo Comunicação acústica intra - específica Som propagação

Leia mais

Ruído. 1) Introdução. 2) Principais grandezas e parâmetros definidores do som

Ruído. 1) Introdução. 2) Principais grandezas e parâmetros definidores do som 1) Introdução A movimentação mecânica de cargas pode ser definida como o conjunto de ações, de materiais e de meios que permitem, de um modo planeado e seguro, movimentar cargas de um determinado local

Leia mais

INTRODUÇÃO À ACÚSTICA

INTRODUÇÃO À ACÚSTICA INTRODUÇÃO À ACÚSTICA 1. Introdução As sociedades industriais com o seu desenvolvimento tecnológico têm contribuído para o aumento dos níveis de ruído, sendo um dos principais factores de risco para a

Leia mais

AUDIÇÃO SISTEMA NERVOSO SENSORIAL. O valor da comunicação verbal faz com que a audição, em alguns momentos, seja ainda mais importante que a visão.

AUDIÇÃO SISTEMA NERVOSO SENSORIAL. O valor da comunicação verbal faz com que a audição, em alguns momentos, seja ainda mais importante que a visão. SISTEMA NERVOSO SENSORIAL Sunol Alvar O valor da comunicação verbal faz com que a audição, em alguns momentos, seja ainda mais importante que a visão. 1 CONSIDERAÇÕES ANATÔMICAS CONSIDERAÇÕES ANATÔMICAS

Leia mais

ÓRGÃOS DOS SENTIDOS (2)

ÓRGÃOS DOS SENTIDOS (2) Disciplina: Biologia Série: 6ª série - 1º TRIM Professora: Ivone Azevedo da Fonseca Assunto: Órgãos dos sentidos (2) ÓRGÃOS DOS SENTIDOS (2) A Audição O ouvido é o órgão coletor dos estímulos externos,

Leia mais

Audição e Trabalho. Marcelo Madureira

Audição e Trabalho. Marcelo Madureira Audição e Trabalho Marcelo Madureira Som Qualquer perturbação vibratória em meio elástico, a qual produz uma sensação auditiva Energia transmitida por vibrações no ar (ou outros materiais) e que causa

Leia mais

Fisiologia Sentidos Especiais

Fisiologia Sentidos Especiais O Olho Fisiologia Sentidos Especiais Profa. Ana Maria Curado Lins, M.Sc Anatomia do Olho Esclerótica: membrana mais externa do olho, é branca, fibrosa e resistente; mantém a forma do globo ocular e protege-o;

Leia mais

Esse barulho me deixa surda!

Esse barulho me deixa surda! Esse barulho me deixa surda! A UU L AL A Você já reparou na quantidade de ruídos ao seu redor? Basta ficar dez segundos prestando atenção aos sons para notar o som da TV, um carro passando, um cachorro

Leia mais

Um pouco sobre nós. Tecnologia e modernas instalações

Um pouco sobre nós. Tecnologia e modernas instalações Um pouco sobre nós. Referência em Medicina Ocupacional, Saúde do Trabalhador em Uberlândia e Região. Nosso objetivo é solucionar os problemas ligados à preservação da saúde e segurança do trabalhador,

Leia mais

CONDUÇÃO da INFORMAÇÃO na MEDULA

CONDUÇÃO da INFORMAÇÃO na MEDULA FACULDADE de MOTRICIDADE HUMANA ANATOMOFISIOLOGIA 2008 2002/2003-2009 Prof. Prof. SISTEMA NERVOSO SISTEMA NERVOSO Receptores RECEPTORES E VIAS DA Vias SENSIBILIDADE da Sensibilidade Vias da Motricidade

Leia mais

Disciplina Corpo Humano e Saúde: Uma Visão Integrada - Módulo 1

Disciplina Corpo Humano e Saúde: Uma Visão Integrada - Módulo 1 8. Audição e linguagem Introdução Os sons são vibrações periódicas do ar capazes de excitar nossos receptores auditivos (ondas sonoras), provocando uma percepção. As espécies têm diferentes capacidades

Leia mais

Sistema Nervoso Professor: Fernando Stuchi

Sistema Nervoso Professor: Fernando Stuchi Fisiologia Animal Sistema Nervoso Sistema Nervoso Exclusivo dos animais, vale-se de mensagens elétricas que caminham pelos nervos mais rapidamente que os hormônios pelo sangue. Mantido vivo pela eletricidade,

Leia mais

GUIA DA AUDIÇÃO LÍDER MUNDIAL EM APARELHOS AUDITIVOS

GUIA DA AUDIÇÃO LÍDER MUNDIAL EM APARELHOS AUDITIVOS GUIA DA AUDIÇÃO LÍDER MUNDIAL EM APARELHOS AUDITIVOS A WIDEX É WINDMADE WindMade é o primeiro rótulo global de consumo, identificando empresas que utilizam energia eólica; A Widex é a primeira empresa

Leia mais

O Sentido da Audição Capítulo10 (pág. 186)

O Sentido da Audição Capítulo10 (pág. 186) O Sentido da Audição Capítulo10 (pág. 186) - Possibilita a percepção de sons diversos (fala, canto dos pássaros, barulho das ondas do mar, chacoalhar das folhas ao vento); - Os sons são transmitidos por

Leia mais

Profa Silvia Mitiko Nishida Depto de Fisiologia SENTIDO VESTIBULAR

Profa Silvia Mitiko Nishida Depto de Fisiologia SENTIDO VESTIBULAR Profa Silvia Mitiko Nishida Depto de Fisiologia SENTIDO VESTIBULAR Orelha Interna -Sistema Vestibular Movimentos rotacionais (aceleração angular) As células sensoriais são ciliadas mas são estimuladas

Leia mais

Sistema Auditivo Periférico Noções de Psicoacútica. Roteiro

Sistema Auditivo Periférico Noções de Psicoacútica. Roteiro Seminário 0 Sistema Auditivo Periférico Noções de Psicoacútica Maurílio Nunes Vieira Depto. Física/ICEx/UFMG Roteiro Ouvido. Ouvido externo, médio e interno: anátomo-fisiologia e aspectos acústicos básicos.

Leia mais

O som é produzido pela propagação de vibrações mecânicas em meio elástico (ar) capaz de excitar o aparelho auditivo. SOM

O som é produzido pela propagação de vibrações mecânicas em meio elástico (ar) capaz de excitar o aparelho auditivo. SOM POLUIÇÃO SONORA O som é produzido pela propagação de vibrações mecânicas em meio elástico (ar) capaz de excitar o aparelho auditivo. SOM SOM É o resultado de movimentos de flutuação de partículas de ar

Leia mais

Introdução ao Sistema Nervoso - O Encéfalo

Introdução ao Sistema Nervoso - O Encéfalo Introdução ao Sistema Nervoso - O Encéfalo Profa Juliana Normando Pinheiro Morfofuncional V juliana.pinheiro@kroton.com.br O sistema nervoso é um sistema complexo de comunicação e controle no corpo animal.

Leia mais

Sistema Nervoso Professor: Fernando Stuchi

Sistema Nervoso Professor: Fernando Stuchi Fisiologia Animal Sistema Nervoso Sistema Nervoso Exclusivo dos animais, vale-se de mensagens elétricas que caminham pelos nervos mais rapidamente que os hormônios pelo sangue. Mantido vivo pela eletricidade,

Leia mais

1) (Osec-SP) Na espécie humana, a cor dos olhos se deve à pigmentação da(o): a) Retina; b) Córnea; c) Íris; d) Pupila; e) Cristalino.

1) (Osec-SP) Na espécie humana, a cor dos olhos se deve à pigmentação da(o): a) Retina; b) Córnea; c) Íris; d) Pupila; e) Cristalino. Lista de Exercícios Pré Universitário Uni-Anhanguera Aluno(a): Nº. Professor: Mário Neto Série: 2 Ano Disciplina: Biologia 1) (Osec-SP) Na espécie humana, a cor dos olhos se deve à pigmentação da(o): a)

Leia mais

A surdez é uma deficiência que fisicamente não é visível, e atinge uma pequena parte da anatomia do indivíduo.

A surdez é uma deficiência que fisicamente não é visível, e atinge uma pequena parte da anatomia do indivíduo. A surdez é uma deficiência que fisicamente não é visível, e atinge uma pequena parte da anatomia do indivíduo. Porém, traz para o surdo consequências sociais, educacionais e emocionais amplas e intangíveis.

Leia mais

SENTIDO DA AUDIÇÃO E DO EQUILÍBRIO

SENTIDO DA AUDIÇÃO E DO EQUILÍBRIO 75 SENTIDO DA AUDIÇÃO E DO EQUILÍBRIO O ouvido interno ou labirinto é constituído pelos sistemas coclear e vestibular. A cóclea é o órgão sensorial responsável pela decodificação dos sons e evoca o sentido

Leia mais

COLÉGIO ESTADUAL BARÃO DO RIO BRANCO CURSO TÉCNICO EM SEGURANÇA DO TRABALHO SISTEMA SENSORIAL

COLÉGIO ESTADUAL BARÃO DO RIO BRANCO CURSO TÉCNICO EM SEGURANÇA DO TRABALHO SISTEMA SENSORIAL COLÉGIO ESTADUAL BARÃO DO RIO BRANCO CURSO TÉCNICO EM SEGURANÇA DO TRABALHO SISTEMA SENSORIAL MICHEL FELIPE PRASNIEVSKI ROSIMAR RODRIGUES VINICIUS ARAUJO 2013 Sistemas Sensoriais É o sistema constituído

Leia mais

Sistema Nervoso. Função: ajustar o organismo animal ao ambiente.

Sistema Nervoso. Função: ajustar o organismo animal ao ambiente. Sistema Nervoso Função: ajustar o organismo animal ao ambiente. Perceber e identificar as condições ambientais externas e as condições internas do organismo 1 LOCALIZAÇÃO: SISTEMA NERVOSO - CORPOS CELULARES:

Leia mais

Perda Auditiva Induzida Pelo Ruído

Perda Auditiva Induzida Pelo Ruído Anatomia do Ouvido O ouvido consiste em três partes básicas o ouvido externo, o ouvido médio, e ouvido interno. Perda da audição, por lesão do ouvido interno, provocada pela exposição ao ruído ou à vibração

Leia mais

PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUIDO PAIR. Ana Cláudia F. B. Moreira

PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUIDO PAIR. Ana Cláudia F. B. Moreira PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUIDO PAIR Ana Cláudia F. B. Moreira O QUE É? A Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR), relacionada ao trabalho, é uma diminuição gradual da acuidade auditiva decorrente da

Leia mais

SISTEMA NERVOSO. Disciplina: Biologia Série: 2ª série EM - 1º TRIM Professora: Ivone Azevedo da Fonseca Assunto: Sistema Nervoso

SISTEMA NERVOSO. Disciplina: Biologia Série: 2ª série EM - 1º TRIM Professora: Ivone Azevedo da Fonseca Assunto: Sistema Nervoso Disciplina: Biologia Série: 2ª série EM - 1º TRIM Professora: Ivone Azevedo da Fonseca Assunto: Sistema Nervoso SISTEMA NERVOSO Nos organismos menos complexos as funções de comunicação entre as várias

Leia mais

A relação com o ambiente e a coordenação do corpo

A relação com o ambiente e a coordenação do corpo Daltonismo Algumas pessoas nascem com um ou mais tipos de cone em número reduzido ou ausente e, consequentemente, têm dificuldade de distinguir certas cores. Conjuntivite ANNABELLA BLUESKY / SCIENCE PHOTO

Leia mais

FISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO HUMANO

FISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO HUMANO FISIOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO HUMANO Controle do funcionamento do ser humano através de impulsos elétricos Prof. César Lima 1 Sistema Nervoso Função: ajustar o organismo animal ao ambiente. Perceber e

Leia mais

ANATOMIA HUMANA. Faculdade Anísio Teixeira Curso de Férias Prof. João Ronaldo Tavares de Vasconcellos Neto

ANATOMIA HUMANA. Faculdade Anísio Teixeira Curso de Férias Prof. João Ronaldo Tavares de Vasconcellos Neto ANATOMIA HUMANA Faculdade Anísio Teixeira Curso de Férias Prof. João Ronaldo Tavares de Vasconcellos Neto Tecido Nervoso Compreende basicamente dois tipos celulares Neurônios unidade estrutural e funcional

Leia mais

RUÍDO. Higiene e Segurança no Trabalho B 2005/2006 Professora Isabel Lopes Nunes

RUÍDO. Higiene e Segurança no Trabalho B 2005/2006 Professora Isabel Lopes Nunes RUÍDO Trabalho Elaborado por: Bruno Pereira nº 13791 Engenharia Mecânica Fábio Oliveira nº 15434 Engenharia Química Filipe Ataíde nº 15909 Engenharia Química Higiene e Segurança no Trabalho B 2005/2006

Leia mais

Regulação nervosa e hormonal Sistema nervoso Sistema hormonal Natureza das mensagens nervosas e hormonais Desequilíbrios e doenças

Regulação nervosa e hormonal Sistema nervoso Sistema hormonal Natureza das mensagens nervosas e hormonais Desequilíbrios e doenças Funcionamento e coordenação nervosa Regulação nervosa e hormonal Sistema nervoso Sistema hormonal Natureza das mensagens nervosas e hormonais Desequilíbrios e doenças No Sistema Nervoso as mensagens são

Leia mais

Sistema Nervoso. Aula Programada Biologia. Tema: Sistema Nervoso

Sistema Nervoso. Aula Programada Biologia. Tema: Sistema Nervoso Aula Programada Biologia Tema: Sistema Nervoso 1) Introdução O sistema nervoso é responsável pelo ajustamento do organismo ao ambiente. Sua função é perceber e identificar as condições ambientais externas,

Leia mais

Perda Auditiva Induzida Por Ruído Ocupacional (PAIR-O)

Perda Auditiva Induzida Por Ruído Ocupacional (PAIR-O) Perda Auditiva Induzida Por Ruído Ocupacional (PAIR-O) Objetivos da Aula Saber Reconhecer: Características do som e do ruído ocupacional Noções de fisiologia auditiva e de audiometria clínicas Tipos de

Leia mais

Sistema nervoso Sistema Nervoso Central (SNC) Sistema Nervoso Periférico

Sistema nervoso Sistema Nervoso Central (SNC) Sistema Nervoso Periférico SISTEMA NERVOSO Sistema nervoso Funções: Coordena o funcionamento dos outros sistemas. Controla os movimentos (voluntários e involuntários). É responsável pela recepção de estímulos externos e pela resposta

Leia mais

O RUÍDO LABORAL E A SUA PREVENÇÃO

O RUÍDO LABORAL E A SUA PREVENÇÃO O RUÍDO LABORAL E A SUA PREVENÇÃO Humberto J. P. Guerreiro Engenheiro de Minas INTRODUÇÃO O ruído é um dos agentes físicos que gera mais incomodidade. É responsável por conflitos entre pessoas, entre pessoas

Leia mais

Matéria: biologia Assunto: fisiologia humana Sistema NERVOSO Prof. Enrico blota

Matéria: biologia Assunto: fisiologia humana Sistema NERVOSO Prof. Enrico blota Matéria: biologia Assunto: fisiologia humana Sistema NERVOSO Prof. Enrico blota Biologia FISIOLOGIA HUMANA SISTEMA NERVOSO Tem por função receber, associar, armazenar ou emitir informações garantindo assim

Leia mais

PATOLOGIAS DO APARELHO AUDITIVO ANDERSON CELSO LUANA MUNIQUE PRISCILA PAMELA

PATOLOGIAS DO APARELHO AUDITIVO ANDERSON CELSO LUANA MUNIQUE PRISCILA PAMELA PATOLOGIAS DO APARELHO AUDITIVO ANDERSON CELSO LUANA MUNIQUE PRISCILA PAMELA 1 INTRODUÇÃO A audição possibilita a aquisição da linguagem e a conseqüente integração do homem com o mundo sonoro e social.

Leia mais

Fonte: Ruído e a Cidade Instituto do Ambiente

Fonte: Ruído e a Cidade Instituto do Ambiente Ruído Como se define Define-se ruído, como sendo um som sem interesse ou desagradável para o auditor. O ruído (som) pode ser mais ou menos intenso, composto por uma só tonalidade ou composto por várias

Leia mais

O que caracteriza um som?

O que caracteriza um som? O que caracteriza um som? As características de uma onda sonora são conectadas com os conceitos físicos originários da observação de Fenômenos Periódicos, tal como o Movimento Circular Uniforme (MCU) e

Leia mais

1. CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

1. CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA GRUPO 5.2 MÓDULO 6 Índice 1. Crianças com Deficiência Auditiva...3 1.1. Os Ouvidos... 3 1.2. Mecanismo da Audição... 3 2. Saúde Auditiva...4 3. Definição de Deficiência Auditiva...5 3.1. Classificação...

Leia mais

POTENCIAIS EVOCADOS AUDITIVOS DE TRONCO ENCEFÁLICO PEATE

POTENCIAIS EVOCADOS AUDITIVOS DE TRONCO ENCEFÁLICO PEATE POTENCIAIS EVOCADOS AUDITIVOS DE TRONCO ENCEFÁLICO PEATE Os Potenciais Evocados Auditivos (PEA) são extraídos computadorizadamente da atividade biolétrica a partir da superfície do couro cabeludo e dos

Leia mais

PAIRO. Carla Marineli

PAIRO. Carla Marineli PAIRO Carla Marineli Fonoaudióloga / Psicopedagogia Especialista em Audiologia Mestranda em Ciências Médicas - UNIFOR Coordenadora e Docente da Especialização em Audiologia da UNIFOR Coordenadora dos Cursos

Leia mais

PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUIDO PAIR. Ana Cláudia F.B. Moreira Fonoaudióloga

PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUIDO PAIR. Ana Cláudia F.B. Moreira Fonoaudióloga PERDA AUDITIVA INDUZIDA POR RUIDO PAIR Ana Cláudia F.B. Moreira Fonoaudióloga O QUE É? A Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR), relacionada ao trabalho, é uma diminuição gradual da acuidade auditiva

Leia mais

Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo

Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo ESTADO DO ESPÍRITO SANTO ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA PROJETO DE LEI Nº 451/2009 "Estabelece políticas públicas para garantir a saúde auditiva da população Capixaba, através de medidas e políticas para a redução

Leia mais

OS SENTIDOS AUDIÇÃO E VISÃO

OS SENTIDOS AUDIÇÃO E VISÃO OS SENTIDOS AUDIÇÃO E VISÃO Profª Ana Cláudia Reis Pedroso AUDIÇÃO O ÓRGÃO DA AUDIÇÃO: A ORELHA O órgão responsável pela audição é a orelha (antigamente denominado ouvido), também chamada órgão vestíbulo-coclear

Leia mais

Ruído. Acção de Formação. Associação de Municípios do Oeste. Outubro de 2008

Ruído. Acção de Formação. Associação de Municípios do Oeste. Outubro de 2008 Ruído Acção de Formação Associação de Municípios do Oeste Outubro de 2008 Objectivos Impacte do Ruído no Ser Humano; Introdução à Acústica; Quantificação do Ruído; Legislação Aplicável (D.L. n.º 9/2007

Leia mais

A NATUREZA DO SOM. Diogo Maia

A NATUREZA DO SOM. Diogo Maia A NATUREZA DO SOM Diogo Maia "SE UMA ÁRVORE CAÍSSE NA FLORESTA E NÃO HOUVESSE NINGUÉM LÁ PARA OUVIR, ELA FARIA BARULHO...? "SE UMA ÁRVORE CAÍSSE NA FLORESTA E NÃO HOUVESSE NINGUÉM LÁ PARA OUVIR, ELA FARIA

Leia mais

RUÍDOS EM AVIAÇÃO CONTEÚDO

RUÍDOS EM AVIAÇÃO CONTEÚDO 1 / 14 RUÍDOS EM AVIAÇÃO CONTEÚDO Introdução Generalidades sobre o Som Generalidades sobre a Audição Generalidades sobre o Trauma Sonoro Programa de Conservação da Audição 2 / 14 I - INTRODUÇÃO O ruído

Leia mais

SISTEMA NERVOSO. Professora: Daniela Carrogi Vianna

SISTEMA NERVOSO. Professora: Daniela Carrogi Vianna SISTEMA NERVOSO Professora: Daniela Carrogi Vianna SISTEMA NERVOSO O sistema Nervoso é um todo. Sua divisão em partes tem um significado exclusivamente didático, pois as várias partes estão intimamente

Leia mais

QUANDO O RUÍDO ATINGE A AUDIÇÃO

QUANDO O RUÍDO ATINGE A AUDIÇÃO CEFAC CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA AUDIOLOGIA CLÍNICA QUANDO O RUÍDO ATINGE A AUDIÇÃO DÓRIS C. PALMA PORTO ALEGRE 1999 CEFAC CENTRO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FONOAUDIOLOGIA CLÍNICA AUDIOLOGIA

Leia mais

Propriedades Físicas do Som

Propriedades Físicas do Som 12 Capítulo 2 Propriedades Físicas do Som 1. - Introdução O som é um fenômeno vibratório resultante de variações da pressão no ar. Essas variações de pressão se dão em torno da pressão atmosférica e se

Leia mais

Deficiência Auditiva. Definição. Definição, Classificação, Características e Causas

Deficiência Auditiva. Definição. Definição, Classificação, Características e Causas Deficiência Auditiva Definição, Classificação, Características e Causas Definição Impossibilidade total ou parcial de ouvir, e possui níveis de graduação que vão do leve ao profundo. Diferença existente

Leia mais

OSCILAÇÕES E ONDAS E. E. Maestro Fabiano Lozano

OSCILAÇÕES E ONDAS E. E. Maestro Fabiano Lozano OSCILAÇÕES E ONDAS E. E. Maestro Fabiano Lozano Professor Mário Conceição Oliveira índice Oscilações e ondas...1 Tipos de Ondas...2 Tipo de deslocamento das ondas...2 Movimento ondulatório...2 Ondas Mecânicas...3

Leia mais

PROTOCOLO DE ADAPTAÇÃO DE APARELHOS DE AMPLIFICAÇÃO SONORA INDIVIDUAIS AASI- EM ADULTOS

PROTOCOLO DE ADAPTAÇÃO DE APARELHOS DE AMPLIFICAÇÃO SONORA INDIVIDUAIS AASI- EM ADULTOS PROTOCOLO DE ADAPTAÇÃO DE APARELHOS DE AMPLIFICAÇÃO SONORA INDIVIDUAIS AASI- EM ADULTOS 1 Introdução: Dentre as diversas áreas de atuação do profissional fonoaudiólogo, a audiologia compreende desde o

Leia mais

Elementos Estruturais e Funcionais do Sistema Nervoso

Elementos Estruturais e Funcionais do Sistema Nervoso CÉREBRO Cérebro O ser humano define-se por uma multiplicidade de caraterísticas que o distinguem dos outros animais. O seu organismo é constituído por um conjunto de orgãos e sistemas que se relacionam

Leia mais

ABORDAGEM MORFOFUNCIONAL DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS DA AUDIÇÃO E VISÃO

ABORDAGEM MORFOFUNCIONAL DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS DA AUDIÇÃO E VISÃO ABORDAGEM MORFOFUNCIONAL DOS ÓRGÃOS SENSORIAIS DA AUDIÇÃO E VISÃO Djanira Aparecida da Luz Veronez 1 ABORDAGEM MORFOFUNCIONAL DA ORELHA INTRODUÇÃO A orelha é o órgão responsável por detectar ondas sonoras.

Leia mais

SISTEMA NERVOSO. Juntamente com o sistema endócrino, capacitam o organismo a:

SISTEMA NERVOSO. Juntamente com o sistema endócrino, capacitam o organismo a: SISTEMA NERVOSO Juntamente com o sistema endócrino, capacitam o organismo a: perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir as modificações que essas variações produzem executar as respostas

Leia mais

OSSOS TEMPORAIS(OUVIDO)

OSSOS TEMPORAIS(OUVIDO) OSSOS TEMPORAIS(OUVIDO) A avaliação de perda auditiva ou tiníto quase sempre inclui a investigação do osso temporal através de imagens. Há uma grande variedade de processos de doenças congênitas e adquiridas

Leia mais

Disciplina: Ciências do Ambiente Professora: Andréa Carla Lima Rodrigues

Disciplina: Ciências do Ambiente Professora: Andréa Carla Lima Rodrigues Disciplina: Ciências do Ambiente Professora: Andréa Carla Lima Rodrigues Conceito Poluição sonora é qualquer alteração nas características do som ambiente provocada por ruídos. Som e Ruído SOM É o resultado

Leia mais

Escola Secundária Emídio Navarro. Fisica e Quimica 11ºano CT3

Escola Secundária Emídio Navarro. Fisica e Quimica 11ºano CT3 Escola Secundária Emídio Navarro Fisica e Quimica 11ºano CT3 Ana Catarina Rato, nº2. Daniel Costa, nº9. Herlander Barreto, nº13. Professora Manuela Teixeira Fevereiro de 2010 0 Índice Introdução 1 Som:

Leia mais

Texto apresentado para consulta pública. PROTOCOLO DE ADAPTAÇÃO DE AASI EM ADULTOS (com adendo para idosos)

Texto apresentado para consulta pública. PROTOCOLO DE ADAPTAÇÃO DE AASI EM ADULTOS (com adendo para idosos) Fórum: AASI / Protocolo de Adaptação de AASI em Adultos Data: 15 de abril de 2012 EIA Bauru 10h30 as 12h00 Coordenadores: Maria Cecilia Bevilacqua, Thelma Costa, Sonia Bortoluzzi Convidados: Deborah Ferrari,

Leia mais

32. Um sistema termodinâmico realiza um ciclo conforme representado na figura abaixo:

32. Um sistema termodinâmico realiza um ciclo conforme representado na figura abaixo: 0 GABARITO O DIA o PROCESSO SELETIVO/005 FÍSICA QUESTÕES DE 3 A 45 3. Uma fonte de luz monocromática está imersa em um meio líquido de índice de refração igual a,0. Os raios de luz atingem a superfície

Leia mais

Sensores Ultrasônicos

Sensores Ultrasônicos Sensores Ultrasônicos Introdução A maioria dos transdutores de ultra-som utiliza materiais piezelétricos para converter energia elétrica em mecânica e vice-versa. Um transdutor de Ultra-som é basicamente

Leia mais

AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA

AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA Laboratório de Psicofísica e Percepção AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA Fga. Joseane dos Santos Piola Doutoranda do Programa de Pós graduação em Psicobiologia 2009 AVALIAÇÃO AUDIOLÓGICA CLÍNICA: sentimentos-k-sinto-no-coraxao.blogspot.com

Leia mais

OS S ENTIDOS Profe f sso s ra: a Edilene

OS S ENTIDOS Profe f sso s ra: a Edilene OS SENTIDOS Professora: Edilene OS SENTIDOS DO CORPO HUMANO O Paladar identificamos os sabores; OOlfato sentimosodoroucheiro; O Tato sentimos o frio, o calor, a pressão atmosférica, etc; AAudição captamosossons;

Leia mais

Introdução à perda auditiva

Introdução à perda auditiva Introdução à perda auditiva A importância da audição Ser capaz de ouvir é uma parte importante para uma vida ativa e agradável. A audição normal nos permite conectar-se com o mundo ao nosso redor, para

Leia mais

Curso Técnico Segurança do Trabalho. Higiene, Análise de Riscos e Condições de Trabalho MÄdulo 8 Programa de ConservaÇÉo Auditiva

Curso Técnico Segurança do Trabalho. Higiene, Análise de Riscos e Condições de Trabalho MÄdulo 8 Programa de ConservaÇÉo Auditiva Curso Técnico Segurança do Trabalho Higiene, Análise de Riscos e Condições de Trabalho MÄdulo 8 Programa de ConservaÇÉo Auditiva O ouvido humano pode ser separado em três grandes partes, de acordo com

Leia mais

Fisiologia do Sistema Nervoso

Fisiologia do Sistema Nervoso Fisiologia do Sistema Nervoso 1. Sistema Nervoso Sensorial 2. Sistema Nervoso Motor 3. Sistema Nervoso Autônomo 4. Ritmos Biológicos Visão Geral do Sistema Nervoso Central O Sistema Nervoso Central - SNC

Leia mais

O SOM. 2. Um fenómeno vibratório que produz essa sensação;

O SOM. 2. Um fenómeno vibratório que produz essa sensação; O SOM Segundo a Diciopédia, o som pode ser: 1. Física: sensação auditiva produzida por vibrações mecânicas de frequência compreendida entre determinados valores (20 e 20 000 vibrações por segundo, em média);

Leia mais

Ondas sonoras: Experimentos de Interferência e Ondas em Tubos

Ondas sonoras: Experimentos de Interferência e Ondas em Tubos Ondas sonoras: Experimentos de Interferência e Ondas em Tubos Relatório Final de Atividades apresentado à disciplina de F-809. Aluna: Cris Adriano Orientador: Prof. Mauro de Carvalho Resumo Este trabalho

Leia mais

Estudos sobre a Deficiência. Brasília-DF.

Estudos sobre a Deficiência. Brasília-DF. Estudos sobre a Deficiência Auditiva e Surdez Brasília-DF. Elaboração Maria Aparecida Cormedi Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração SUMÁRIO APRESENTAÇÃO... 4 ORGANIZAÇÃO

Leia mais

Sistema neuro-hormonal. EPL Hélder Giroto Paiva

Sistema neuro-hormonal. EPL Hélder Giroto Paiva Sistema neuro-hormonal EPL Hélder Giroto Paiva O que é o sistema neuro-hormonal? + Sistema nervoso Sistema hormonal O que é o sistema neuro-hormonal? Qualquer alteração no exterior ou no interior do corpo

Leia mais

EMISSÕES OTOACÚSTICAS EVOCADAS TRANSIENTES (EOET):

EMISSÕES OTOACÚSTICAS EVOCADAS TRANSIENTES (EOET): EMISSÕES OTOACÚSTICAS EVOCADAS É a energia mecânica produzida vibração de células ciliadas externas na cóclea que voltará de forma reversa pela orelha média e será captada no condutivo auditivo externo.

Leia mais

Qualificação dos Profissionais da Administração Pública Local RISCOS FÍSICOS RUÍDO. Formadora - Magda Sousa

Qualificação dos Profissionais da Administração Pública Local RISCOS FÍSICOS RUÍDO. Formadora - Magda Sousa Qualificação dos Profissionais da Administração Pública Local RISCOS FÍSICOS RUÍDO Formadora - Magda Sousa O Ruído no Meio Ambiente O problema do Ruído no meio ambiente tem-se tornado, cada vez mais, numa

Leia mais

SISTEMA VESTIBULAR E MANUTENÇÃO DO EQUILÍBRIO

SISTEMA VESTIBULAR E MANUTENÇÃO DO EQUILÍBRIO SISTEMA VESTIBULAR E MANUTENÇÃO DO EQUILÍBRIO Prof. Hélder Mauad APARELHO VESTIBULAR Órgão sensorial que detecta as sensações de equilíbrio. Constituído por labirinto ósseo e por dentro dele há o labirinto

Leia mais

Guia do sistema de implante coclear Nucleus para educadores

Guia do sistema de implante coclear Nucleus para educadores Guia do sistema de implante coclear Nucleus para educadores GUIA PARA EDUCADORES 3 Índice Capítulo 1: Introdução aos implantes cocleares...4 Capítulo 2: Histórico dos implantes cocleares...8 Capítulo

Leia mais

C E E S V O. Centro Estadual de Educação Supletiva de Votorantim. Biologia Ensino Médio 3ª série

C E E S V O. Centro Estadual de Educação Supletiva de Votorantim. Biologia Ensino Médio 3ª série C E E S V O Centro Estadual de Educação Supletiva de Votorantim Biologia Ensino Médio 3ª série Principais assuntos abordados: Órgãos do sentido. Tecido epitelial. Tecido conjuntivo. Tecido conectivo. Tecido

Leia mais

21-12-2015. Sumário. Comunicações. O som uma onda mecânica longitudinal

21-12-2015. Sumário. Comunicações. O som uma onda mecânica longitudinal 24/11/2015 Sumário UNIDADE TEMÁTICA 2. 1.2 - O som uma onda mecânica longitudinal. - Produção e propagação de um sinal sonoro. - Som como onda mecânica. - Propagação de um som harmónico. - Propriedades

Leia mais

APLICAÇÃO DE EXAME DE RESPOSTA AUDITIVA DE ESTADO ESTÁVEL PARA AVALIAÇÃO DA ATENUAÇÃO DE PROTETORES AURICULARES

APLICAÇÃO DE EXAME DE RESPOSTA AUDITIVA DE ESTADO ESTÁVEL PARA AVALIAÇÃO DA ATENUAÇÃO DE PROTETORES AURICULARES XXX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Maturidade e desafios da Engenharia de Produção: competitividade das empresas, condições de trabalho, meio ambiente. São Carlos, SP, Brasil, 12 a15 de outubro

Leia mais

Introdução ao Ruído. Vibrações e Ruído (10375) 2014 Pedro V. Gamboa. Departamento de Ciências Aeroespaciais

Introdução ao Ruído. Vibrações e Ruído (10375) 2014 Pedro V. Gamboa. Departamento de Ciências Aeroespaciais Introdução ao Ruído Vibrações e Ruído (10375) 2014 Tópicos Som. Pressão Sonora e Potência Sonora. Níveis Sonoros. 2 1. Som O som pode ser definido como uma manifestação positiva resultante da variação

Leia mais

ESPECIALIZAÇAO EM CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO ACÚSTICA

ESPECIALIZAÇAO EM CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO ACÚSTICA ESPECIALIZAÇAO EM CIÊNCIAS E TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO ACÚSTICA INTRODUÇÃO É o segmento da Física que interpreta o comportamento das ondas sonoras audíveis frente aos diversos fenômenos ondulatórios. Acústica

Leia mais

O sistema nervoso esta dividido em duas partes:

O sistema nervoso esta dividido em duas partes: 1 FISIOLOGIA HUMANA I Neuromuscular Prof. MsC. Fernando Policarpo 2 Conteúdo: Estrutura do Sistema Nervoso Central (SNC) e Periférico (SNP). Elementos do Tecido Nervoso. Mecanismos de Controle Muscular.

Leia mais

Fisiologia do Sistema Nervoso. 1. Sistema Nervoso Sensorial 2. Sistema Nervoso Motor 3. Sistema Nervoso Autônomo 4.

Fisiologia do Sistema Nervoso. 1. Sistema Nervoso Sensorial 2. Sistema Nervoso Motor 3. Sistema Nervoso Autônomo 4. Fisiologia do Sistema Nervoso 1. Sistema Nervoso Sensorial 2. Sistema Nervoso Motor 3. Sistema Nervoso Autônomo 4. Ritmos Biológicos Sistema Nervoso Motor a) Organização Hierárquica do Movimento Movimentos

Leia mais

RECEPTORES QUÍMICOS E OLFATÓRIOS

RECEPTORES QUÍMICOS E OLFATÓRIOS SISTEMA SENSORIAL PEIXES A visão dos vertebrados terrestres depende de lentes planas e flexíveis; Os vertebrados aquáticos dependem de lentes esféricas, menos flexíveis, com um alto poder de refração.

Leia mais