Correlações presentes entre danos bucomaxilofaciais e lesões corporais em mulheres: uma revisão de literatura

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Correlações presentes entre danos bucomaxilofaciais e lesões corporais em mulheres: uma revisão de literatura"

Transcrição

1 Correlações presentes entre danos bucomaxilofaciais e lesões corporais em mulheres: uma revisão de literatura Correlations present in maxillofacial and physical injuries in women: a literature review Alini Chiaperini 1, André Luiz Bérgamo 1, Lívia Aguiar Bregagnolo 1, Janete Cinira Bregagnolo 2, Marlívia Gonçalves De Carvalho Watanabe 2, Ricardo Henrique Alves Da Silva 3 Chiaperini A, Bérgamo AL, Bregagnolo LA, Bregagnolo JC, Watanabe MGC, Silva RHA. Correlações presentes entre danos bucomaxilofaciais e lesões corporais em mulheres: uma revisão de literatura. Saúde, Ética & Justiça. 2008;13(2):72-8. Resumo: A violência contra a mulher é um fenômeno social de alta complexidade e graves paradoxos, seja no aspecto ético, no cultural, no político, no religioso, como também nas tentativas de explicação pelas mais variadas correntes e tendências. É algo que a sociedade e a comunidade científica não podem desconsiderar. A presença da Odontologia Legal, no que tange às lesões do complexo maxilo-mandibular em mulheres, torna-se indispensável na constatação e reparação dos danos. O presente trabalho objetiva demonstrar, através de uma revisão da literatura, as diversas correlações existentes entre as lesões corporais, mais especificamente as relacionadas aos danos bucomaxilofaciais, em mulheres, dando embasamento teórico aos profissionais que atuam na prática pericial em Traumatologia Forense. Descritores: Odontologia legal. Violência contra a mulher. Prova pericial. Traumatismos maxilofaciais. Traumatismos mandibulares. Introdução A violência contra a mulher é um fenômeno social de alta complexidade e graves paradoxos, seja no aspecto ético, no cultural, no político, no religioso, como também nas tentativas de explicação pelas mais variadas correntes e tendências. Souza 1 explica que, apesar da violência contra a mulher ser de grande abrangência coletiva, tornase difícil a intervenção em vista da dificuldade de explicação e de sua visibilidade. Apesar da percepção de atos violentos por parte das mulheres e do aumento progressivo de queixas na Delegacia da Mulher, esse número não representa sua magnitude, pois muitas mulheres não denunciam seus agressores. Segundo Minayo 2, a violência não faz parte da 1 Cirurgiões-Dentistas graduados pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto/USP. 2 Professoras Associadas Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto/USP. 3 Professor Doutor Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto/USP. Endereço para correspondência: Profª. Drª. Janete Cinira Bregagnolo. Avenida do Café, s/n, Bairro Monte Alegre, Ribeirão Preto, SP. CEP

2 natureza humana e não tem raízes biológicas, pois se trata de um complexo e dinâmico fenômeno biopsicossocial, mas seu espaço de criação e desenvolvimento é a vida em sociedade. A partir da década de 1990, a violência contra a mulher passa a ser considerada sob uma nova ótica, quando a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) reconhece que a violência, pelo número de vítimas e a magnitude de seqüelas orgânicas e emocionais que produz, adquire um caráter endêmico e se converte num problema de saúde pública 3. A violência contra a mulher, além de ser um problema político-social, é algo que a sociedade e a comunidade científica não podem desconsiderar. Desse modo, a presença da Odontologia Legal, no que tange às lesões do complexo maxilomandibular em mulheres, torna-se indispensável, na constatação e reparação dos danos. Desta forma, o presente trabalho objetiva demonstrar as diversas correlações existentes entre as lesões corporais, mais especificamente relacionadas aos danos bucomaxilofaciais, em mulheres, dando embasamento teórico aos profissionais que atuam na prática pericial em Traumatologia Forense. Correlação entre trauma e gênero Em 1990, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 4 trouxe dados que possibilitam entender o fenômeno da violência doméstica, que ocorre com muito mais intensidade entre as mulheres (63%) do que entre os homens (37%). Isso mostra que a mulher é a grande vítima desse tipo de violência, e que o espaço doméstico constitui-se em um ambiente de risco 5. Segundo Tajden e Thoennes 6, embora alguns homens sejam agredidos por suas parceiras mulheres, a maior parte da violência é contra as mulheres. Nos serviços de emergência, as ocorrências encontradas indicam que de 22% a 35% das mulheres sofrem algum tipo de violência 7. Heise et al. 8 verificaram que a violência física na vida adulta, vinda de um parceiro, atinge entre 20% e 50% das mulheres ao redor do mundo ao menos uma vez na vida. E estudos populacionais e em serviços indicam maior risco de agressão às mulheres por parte de pessoas próximas como parceiros e familiares, do que por estranhos 6,8. E, ao contrário do que pensa o senso comum, o abuso acontece em mulheres de todas as idades, raças, religiões, independente do nível de instrução 6,9-10. Segundo Suarez e Bandira 11, todos os tipos de barbaridades foram cometidos contra as mulheres, em virtude da desigualdade de gêneros. Nessa reflexão, Costa e Moura 12, seguindo a mesma linha de pensamento, referem que o patriarcado institui e legitima a violência contra a mulher, não apenas no aspecto material e físico, mas também e, principalmente, na dimensão psicológica e subjetiva. Nesse sentido, o abuso pelo esposo, também determinado como violência pelo parceiro íntimo (IPV), é um comportamento violento que ocorre entre parceiros em um relacionamento íntimo, independentemente do estado civil. Injúrias e traumas não-acidentais são um importante risco para saúde, com significante morbidade e mortalidade associadas a estas injúrias intencionais, sendo que dados americanos indicam mais de um milhão de mulheres e homens vítimas de IPV todo ano 13. Agressões a mulheres são tão freqüentes e presentes que as seqüelas associadas estão presentes nas providências de cuidados associados à saúde que têm se expressado como uma síndrome. A síndrome da mulher agredida foi definida como um complexo sintoma ocorrendo como um resultado de ações abusivas direcionadas à mulher por seu parceiro homem 13. Quanto aos agressores, na maioria dos casos é o próprio marido ou parceiro ou ainda o ex. O local de ocorrência é o espaço doméstico, pois 40 a 80% dos espancamentos de mulheres ocorrem no domicílio 5. Mais recentemente, a partir da década de 90, essa forma de violência vem sendo concebida como baseada nas relações de gênero e, também, como uma questão de saúde e de direitos humanos 8. Correlação entre faixa etária e trauma De acordo com o Relatório Geral sobre a Mulher na Sociedade Brasileira 14, nas faixas etárias em que a mulher está geralmente casada, o espancamento é demasiado freqüente, sobretudo entre os 18 e os 29 anos de idade, recaindo, constantemente, sobre as mesmas vítimas, demonstrando um grande risco de rotinização da violência para a mulher. Estudos internacionais mostram alta prevalência do problema nos serviços de saúde. Pesquisa 73

3 em atenção primária apresenta uma freqüência de 21,4% das mulheres relatando violência doméstica a partir dos 18 anos 15. Segundo o estudo de Le et al. 16, em 236 casos de emergência por violência doméstica, atendidos entre os anos de 1992 e 1996 no Legacy Emanuel Hospital, EUA, a média de idade foi 31,4 anos. Já em trabalho de Schraiber et al. 17, com uma população de 322 mulheres no município de São Paulo, verificou-se que a idade média foi de 28 anos. No estudo de Moura e Oliveira 18, que trata da análise das percepções das mulheres vítimas de lesão corporal dolosa em relação à violência vivenciada, o campo da pesquisa teve como cenário a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher, na região Oeste do município do Rio de Janeiro, onde a idade das mulheres variou entre 22 e 34 anos. De acordo com os estudos de Ogundare et al. 19, no Columbia General Hospital, Washington (EUA), foi realizado um levantamento entre os anos de 1990 e 1999, a faixa etária mais afetada foi a de anos (37,9%), seguida de anos (32,2%), e a população menos afetada foi a de 65 anos ou mais. Correlação entre trauma e etnia Scherer et al. 20 afirmam que o maior número de traumatismos faciais ocorrem em indivíduos da raça negra, seguidos por brancos. Em um estudo de Schraiber et al. 17, realizado com uma população de 322 mulheres, no município de São Paulo, entre as usuárias de uma Unidade Básica de Saúde, a maioria das mulheres entrevistadas, vítimas de agressão física, considerava-se de cor branca (47,8%) e morava com o companheiro na época da pesquisa (59,0%). Demograficamente, o estudo populacional de Ogundare et al. 19 mostrou que 92,78% dos pacientes diagnosticados com fratura de mandíbula eram negros, e o grupo menos afetado foi de hispânicos, entre os anos de 1990 e 1999, no Columbia General Hospital, Washington (EUA). Correlação entre trauma e classificação do tipo de dano Os atos de violência física foram classificados conforme sua gravidade segundo estudo da Organização Panamericana de la Salud 3 em: a) Ato moderado: ameaças, desde que não relativas a abuso sexual e sem uso de armas; agressões contra animais ou objetos pessoais e violência física na forma de empurrões, tapas, beliscões, sem uso de quaisquer instrumentos perfurantes, cortantes ou que gerem contusões; b) Ato severo: agressões físicas com lesões temporárias; ameaças com uso de arma, agressões físicas com cicatrizes, lesões permanentes, queimaduras e uso de arma. Segundo Schraiber et al. 17, no município de São Paulo, entre usuárias de uma Unidade Básica de Saúde, verificou que em 63,3% dos casos as agressões físicas foram consideradas severas e, 36,7% foram classificadas como moderadas. Lesões corporais simples ou de natureza leve são aquelas comprometidas na fórmula genérica do artigo 129 do Código Penal Brasileiro 21, não acarretando qualquer dos resultados previstos nos parágrafos 1º, 2º e 3º, no entanto, o crime exige um mínimo indispensável a constituir verdadeiramente um dano à integridade corporal ou à saúde. Sob o aspecto odontológico, nas lesões corporais de natureza leve concentram-se a grande maioria dos ferimentos: lesões nos tecidos moles, como gengiva e mucosas, as ligeiras luxações dentárias, as fraturas coronárias de pequena extensão, uma leve periodontite traumática 22, ou seja, as lesões de menor monta, que não comprometam as funções mastigatórias em caráter permanente e que não acarretem maiores riscos ou recuperação demorada 23. As lesões consideradas graves, alinhadas no parágrafo 1º do artigo 129 do Código Penal Brasileiro 21, são aquelas que resultam em: incapacidade para ocupações habituais por mais de 30 dias; perigo de vida; debilidade permanente de membro, sentido ou função; aceleração de parto; já as lesões corporais de natureza gravíssima estão dispostas no parágrafo 2º do mesmo artigo, sendo assim consideradas se resultarem em: incapacidade permanente para o trabalho; enfermidade incurável; perda ou inutilização de membro, sentido ou função; deformidade permanente; aborto. Correlação entre trauma e agente etiológico do dano A violência pode ser definida como violação dos Direitos Humanos, pelo constrangimento da vontade. Do ponto de vista legal, encontramos a seguinte classificação de ato violento: de ordem física (infanticídio, homicídio, espancamento, se- 74

4 qüestro e rapto); de ordem psicológica (chantagem, ameaça, humilhação e desprezo); de ordem moral (calúnia, difamação e injúria); de ordem sexual (estupro e ato libidinoso), sendo os últimos capazes de envolver todos os demais: físico, psicológico e moral 24. A quantidade de mulheres que denunciam o agressor é pequena com relação à extensão do problema, e isso ocorre, segundo Saffioti 25, pelas mais diversas razões: uma delas é o fato de que a mulher geralmente tem uma relação de afeto com o agressor, outra é econômica e consiste no fato de que ao terminar o casamento, mesmo uma mulher que possua uma profissão, estará defasada com relação ao mercado de trabalho, inclusive no que se refere a salário, afinal, terá passado anos isolada do espaço público. No Brasil, dados referentes à violência contra a mulher demonstram que 70% dos incidentes acontecem dentro de casa, onde o criminoso é o próprio marido ou companheiro da vítima. Mais de 40% dos abusos envolvem lesões corporais graves causadas por socos, tapas, chutes, armamentos e espancamentos, queimaduras dos seios e genitália, e estrangulamento 26. Segundo dados do Núcleo de Odontologia Legal (NOL) do Instituto Médico-Legal de São Paulo, no período entre 1993 e 1998, do total de casos de lesões corporais, a natureza do agente etiológico da agressão mais freqüente foram socos, pontapés e projéteis de arma de fogo 27. Le et al. 16 verificaram em seu estudo que as injúrias foram causadas por meio de força brusca ou penetrante ou a combinação de ambas, sendo presente o uso de arma em 15% dos casos, sendo a maioria destas armas objetos rombos (garrafas, paus, canos) ou faca. Schraiber et al. 17 observaram que o agressor mais identificado pelas mulheres entrevistadas foi o companheiro, seguido por familiares. Dos casos de agressão física perpetrada pelo companheiro, 78,0% envolviam agressões severas. Kruger 28 (1984) cita uma pesquisa realizada no Hospital Geral do Distrito de Colúmbia (EUA), com 540 casos de fratura de mandíbula, em que a violência física foi responsável por 69% das fraturas, os acidentes por 27% (incluindo os acidentes automobilísticos), a prática de esportes por 2% e processos patológicos por 4%. Segundo Ochs et al. 29, 23% dos traumas de cabeça e pescoço que não foram causados por acidente automobilístico foram resultado de violência doméstica e 94% das vítimas de violência doméstica tinham cabeça ou pescoço traumatizados ou ambos. Correlação entre trauma e descrição das lesões Tipicamente, os traumas faciais são compostos por lesões de tecidos moles e fraturas ósseas. A mais significante prioridade no paciente com fratura facial é o descobrimento ou o parecer da ameaça de vida nas injúrias associadas 30. No estudo de Le et al. 16, no qual as informações foram obtidas de todas as mulheres que relataram uma história positiva de lesões por seus esposos ou parceiros sexuais durante este período, as lesões foram reportadas de acordo com a localização anatômica da cabeça, maxilofacial, pescoço, seio, tórax, abdômen, costas, nádegas, e extremidades. As lesões foram também classificadas como lacerações, abrasões, fraturas e deslocamentos. As lesões faciais foram classificadas de acordo com localização, tipo, lado (direito ou esquerdo), e terço facial, e como resultado o autor encontrou um total de 257 contusões e abrasões, 70 lacerações, 93 fraturas e 93 fraturas com deslocamentos. Correlação entre trauma e região da face afetada Para Fávero 31, a cabeça é a região do corpo mais freqüentemente comprometida pelos traumas. O acometimento freqüente da face nos casos de agressão ocorre porque esta é uma porção integrante da cabeça, uma região pouco protegida e usualmente exposta. Berrios e Grady 32 mostraram que 68% das mulheres que foram agredidas por seus parceiros íntimos sofreram lesões de cabeça e pescoço, incluindo lacerações, contusão e fraturas. E, de acordo com o estudo realizado por Schraiber et al. 17, as regiões do corpo mais atingidas foram: face (28,0%); cabeça e pescoço (26,6%); seguidos pelos membros superiores anteriores (25,2%); membros inferiores anteriores (16,8%); costas (16,8%); barriga (14,0%); tronco (8,4%); membros superiores posteriores (8,4%); seios (8,4%); nádegas (6,3%); e outras regiões (9,8%). Já no estudo realizado por Le et al. 16 foi verificado que a maior parte das lesões foi localizada na face, sendo que 81% das vítimas tiveram presença de lesões maxilofaciais, 50% tiveram uma lesão maxilofacial isolada com somente a presença de 75

5 trauma, demonstrando, ainda, que muitas mulheres vítimas de violência doméstica sofrem um alto número de traumas maxilofaciais. Motamedi 33 observou, entre os anos de 1996 e 2001, em um centro médico com 237 pacientes: 173 fraturas mandibulares (72,9%), 33 maxilares (13,9%), 32 zigomática (13,5%), 57 zigomáticoorbital (24,0%), 5 cranial (2,1%), 5 nasal (2,1%) e 4 injúrias frontais (1,6%). E Ramos 23 constatou dentre os tipos de danos detectados nos exames de corpo de delito a existência de fraturas da porção coronária e/ou radicular de dentes, fraturas ósseas de mandíbula e maxila, perdas dentárias, luxações dentárias ou da articulação temporomandibular (ATM), desordens da ATM, anquilose da ATM e ferimentos em tecidos moles. Entre os dados, as fraturas de porção coronária e as perdas dentárias constituíram os danos mais freqüentes. Correlação entre trauma e local de registro da ocorrência Goldberg 34, em relação ao funcionamento da Delegacia de Defesa da Mulher, diz que: (...) o funcionamento faria transparecer, de forma explosiva, a violência ensurdecida contra a mulher. De acordo com o Decreto número a essa delegacia, assim como às demais instaladas no Estado e demais regiões do país, caberia a investigação e apuração dos delitos ocorridos contra a pessoa do sexo feminino, relativos às lesões corporais e crimes contra os costumes, assim como a hierarquização de delitos e penas. O descrito anteriormente tornou-se fato de relevância quando foram analisados os primeiros cinco meses de atuação desta primeira delegacia, registrando casos de violência, um número considerável de ocorrências, situação preocupante 18. Soares 35 verificou que, no Brasil, os estudos de casos são, basicamente, os denunciados nas Delegacias de Defesa da Mulher e apresentam um padrão centrado na violência doméstica. Na análise dos casos de maior incidência de violência contra mulheres, registrados na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM), na região Oeste (Rio-Oeste) do Estado do Rio de Janeiro, foi observado que quando a mulher chega a prestar queixa na DEAM e o inquérito é instaurado, em alguns casos ela continua recebendo ameaças do marido ou do companheiro. Verificou-se nesse estudo que, dentre as mulheres que procuraram a delegacia e foram entrevistadas, apenas três chegaram a prestar queixa na DEAM Rio-Oeste, enquanto as demais não o fizeram, por manterem um laço de afetividade com o agressor que se sobrepõe à violência 18. Considerações finais Desta forma, verifica-se a abrangência da atuação da Traumatologia Forense, no âmbito da Odontologia Legal e da Medicina Legal, no que se refere ao diagnóstico e à classificação das lesões em danos bucomaxilofaciais, tendo em vista a prevenção e o combate a tais agressões, e o conhecimento das informações teóricas a fim de que se realize um bom trabalho na prática pericial. Chiaperini A, Bérgamo AL, Bregagnolo LA, Bregagnolo JC, Watanabe MGC, Silva RHA. Correlations present in maxillofacial and physical injuries in women: a literature review. Abstract: Violence against women is a highly complex social phenomenon with severe paradoxes, in ethical, political, or religious aspects, as well as regarding the attempts of explaining it through the most varied chains and tendencies. It is something that should not be disregarded by the society and scientific community. Legal Dentistry, in terms of the maxillo-mandibular complex injuries in women, becomes indispensable in identifying and repairing any harm. The purpose of this study is to show, by means of a literature review, the several existing correlations between physical injuries, more specifically regarding maxillofacial injuries, in women, thus providing a theoretical basis for professionals working with Forensic Traumatology. Keywords: Forensic dentistry. Violence against women. Expert testimony. Maxilofacial injuries. Mandibular injuries. 76

6 Referências 1. Souza VLC. A violência conjugal e sua influência na decisão da mulher pelo aborto [dissertação]. Salvador: Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia; Minayo MCS. A violência social sob a perspectiva da saúde pública. Cad Saúde Públ. 1994;10(1): OPAS Organizacion Panamericana de la Salud. Primeira Conferencia Interamericana sobre sociedad, violencia y salud. Bol Epidemiol IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Justiça e vitimização: participação política-social. Rio de Janeiro: FIBGE; Diniz SG. A violência de gênero como questão de saúde. Rede Saúde. 1997;(14): Tjaden P, Thoennes N. Prevalence, incidence, and consequences of violence against women: findings from the national violence against women survey: research brief [Cited 2008 July 2]. Available from: 7. American Medical Association. Diagnostic and treatment Guidelines on Domestic Violence. Arch Fam Med. 1992;1(1): Heise L, Pitanguy J, Germain A. Violence against women. The hidden health burden. Washington: World Bank; Jones RF, Horan DL. The American College of Obstetricians and Gynecologists: a decade of responding to violence against women. Int J Gynecol Obstet. 1997;58(1): Frugoli UO. Avaliação dos danos do complexo maxilomandibular provocados por violência interpessoal: análise comparativa entre os pareceres odontológicos e os laudos médicos obtidos pelo Instituto Médico Legal de São Paulo nos anos de 1993 e 1998 [dissertação]. São Paulo: Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo; Suárez M, Bandira L. Violência, gênero e crime no Distrito Federal. Brasília: Paralelo 15; Costa AM, Moura MAV. Aborto legal. Brasília: NESP/ CEAM/UNB; U.S.C. Title 42- the Public Health and Welfare, Chapter 132 Victims of Child abuse, Subchapter IV- Reporting Requirements, Child abuse reporting, 6 January, Available from: gov/download/pls/42c132.txt. [Cited 2008 Aug 4]. 14. IV Conferência Mundial sobre a Mulher. Relatório geral sobre a mulher na sociedade brasileira. Brasília; McCauley J, Kern DE, Kolodner K, Dill L, Schrouder AF, DeChant HK, et al. The battering syndrome : prevalence and clinical characteristics of domestic violence in primary care internal medicine practices. Ann Intern Med. 1995;123(10): Le BT, Dierks EJ, Ueeck BA, Homer LD, Potter BF. Maxillofacial injuries associated with domestic violence. J Oral Maxillofac Surg. 2001;59(11): Schraiber LB, D Oliveira AFPL, França-Júnior IF, Pinho AA. Violência contra a mulher: estudo em uma unidade de atenção primária à saúde. Rev Saúde Públ. 2002;36(4): Moura MAV, Oliveira PRF. A percepção das mulheres vítimas de lesão corporal dolosa. Escola Anna Nery Rev Enf. 2000; 4(2/3): Ogundare BO, Bonnick A, Bayley N. Pattern of mandibular fractures in an urban major trauma center. J Oral Maxillofac Surg. 2003;61(6): Scherer M, Sullivan WG, Smith-Jr DJ, Phillips LG, Robson MC. An analysis of 1423 facial fractures in 788 patients at an Urban Trauma Center. J Trauma. 1988;29(3): Brasil. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940: Código Penal Brasileiro. [Acesso em: 02 jul. 2008] Disponível em: CCIVIL/Decreto-Lei/Del2848compilado.htm. 22. Cardozo HF, Penna JB. Avaliação das lesões dentárias em âmbito penal. Tribuna Advogado. 1997;2(19): Ramos DG. Contribuição para o estudo jurídico das lesões corporais que incidem sobre o complexo maxilo-mandibular [dissertação]. São Paulo: Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo; Aquino E, Franco I, Marinho L. Saúde, sexualidade e direitos reprodutivos: a situação das mulheres na Bahia. In: II Conferência Mundial da Mulher, 1995, Salvador. 25. Saffioti HIB. Violência doméstica ou a lógica do galinheiro In: Kupstas M. Violência em debate. São Paulo: Moderna; p Thomas DQ. Injustiça criminal: a violência contra a mulher no Brasil: um relatório do Americas Watch e do projeto dos Direitos das Mulheres. Nova York: 77

7 Americas Watch; NEV/USP. Núcleo de Estudos da Violência. 1 Relatório nacional de direitos humanos. São Paulo: NEV/USP; Kruger GO. Fraturas dos maxilares. In: Kruger GO. Cirurgia bucal e maxilofacial. 5a ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan; p Ochs HA, Neuenschwander MC, Dodson TB. Are head neck and facial injuries markers of domestic violence? J Am Dent Assoc. 1991;127(6): Melo REVA, Freitas CM, Abreu TC. Trauma facial: Uma análise de 1316 pacientes. Rev Odontol Ciênc. 1996;11(21): Fávero F. Medicina legal. 9a ed. São Paulo: Martins; Berrios DC, Grady D. Domestic violence: risk factors and outcomes. West J Med. 1991;155: Motamedi MHK. An assessment of maxillofacial fractures: a 5-year study of 237 patients. J Oral Maxillofac Surg. 2003;61(1): Goldenberg P, Medrado MA, Pasternostro MA. A violência contra a mulher: uma questão de saúde. In: Labra ME. Mulher saúde e sociedade no Brasil. Rio de Janeiro: Vozes; Soares BM. Mulheres invisíveis: violência conjugal e novas políticas de segurança. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; Artigo recebido em 24/06/2008. Aprovado em 03/09/

Violência contra a mulher: estudo em uma unidade de atenção primária à saúde Violence against women: a study in a primary healthcare unit

Violência contra a mulher: estudo em uma unidade de atenção primária à saúde Violence against women: a study in a primary healthcare unit 470 Rev Saúde Pública 2002;36(4):470-7 Violência contra a mulher: estudo em uma unidade de atenção primária à saúde Violence against women: a study in a primary healthcare unit Lilia Blima Schraiber a,

Leia mais

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER A Organização Mundial de Saúde (OMS) define violência como o uso intencional da força física ou do poder, real ou em ameaça, contra si próprio, contra outra pessoa, ou contra

Leia mais

Formas de Violência Doméstica (contra crianças, adolescentes e mulheres)

Formas de Violência Doméstica (contra crianças, adolescentes e mulheres) VIOLÊNCIA DOMÉSTICA A violência é uma questão social que afeta a todas as pessoas, mulheres e homens, sejam elas crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos. Ela acontece em todas as classes sociais,

Leia mais

HOMICÍDIOS DE MULHERES NO BRASIL EM 2013

HOMICÍDIOS DE MULHERES NO BRASIL EM 2013 HOMICÍDIOS DE MULHERES NO BRASIL EM 2013 INSTITUTO AVANTE BRASIL Diretor- Presidente: Luiz Flávio Gomes Pesquisadora: Flávia Mestriner Botelho VIOLÊNCIA GLOBAL CONTRA DAS MULHERES - (ONU) De acordo com

Leia mais

Doutoranda: Vera Lúcia de Azevedo Lima (UFPA) Orientadora: Dra. Maria de Lourdes de Souza (UFSC)

Doutoranda: Vera Lúcia de Azevedo Lima (UFPA) Orientadora: Dra. Maria de Lourdes de Souza (UFSC) UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ PROGRAMA DE DOUTORADO INTERINSTITUCIONAL EM ENFERMAGEM - UFSC/UFPA/CAPES ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: FILOSOFIA, SAÚDE E SOCIEDADE Doutoranda:

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº de de 2015.

PROJETO DE LEI Nº de de 2015. PROJETO DE LEI Nº de de 2015. INSTITUI A POLÍTICA ESTADUAL PARA O SISTEMA INTEGRADO DE INFORMAÇÕES DE VIOLÊNCIA CONTRA O IDOSO NO ESTADO DE GOIÁS, DENOMINADO OBSERVATÓRIO ESTADUAL DA VIOLÊNCIA CONTRA O

Leia mais

MITOS E REALIDADES A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA

MITOS E REALIDADES A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA MITOS E REALIDADES A QUESTÃO DA VIOLÊNCIA Mitos e Realidades Algumas considerações O álcool e as drogas são as causas reais da violência. O consumo de álcool pode favorecer a emergência de condutas violentas,

Leia mais

Direitos Humanos: As múltiplas faces da violência

Direitos Humanos: As múltiplas faces da violência Direitos Humanos: As múltiplas faces da violência Material didático destinado à sistematização do conteúdo da disciplina Direitos Humanos Publicação no semestre 2015.1 do curso de Direito. Autor: Jean

Leia mais

Perfil da mulher vítima de violência doméstica no Brasil, Rio Grande Sul e Caxias do Sul

Perfil da mulher vítima de violência doméstica no Brasil, Rio Grande Sul e Caxias do Sul Perfil da mulher vítima de violência doméstica no Brasil, Rio Grande Sul e Caxias do Sul Adalberto Ayjara Dornelles Filho Ramone Mincato Paula Cervelin Grazzi Resumo: Uma breve revisão de estudos sobre

Leia mais

Mulher e Violência. Simpósio de Bioética e Violência contra a mulher CREMESP- Centro de Bioética 23 de outubro 2015 São Paulo

Mulher e Violência. Simpósio de Bioética e Violência contra a mulher CREMESP- Centro de Bioética 23 de outubro 2015 São Paulo Simpósio de Bioética e Violência contra a mulher CREMESP- Centro de Bioética 23 de outubro 2015 São Paulo Mulher e Violência Lilia Blima Schraiber Profa Medicina USP-MPR TÓPICOS: 1. Quando pensamos a relação

Leia mais

PERFIL DAS MULHERES PARTICIPANTES DO PROJETO ACOLHER 2012.

PERFIL DAS MULHERES PARTICIPANTES DO PROJETO ACOLHER 2012. PERFIL DAS MULHERES PARTICIPANTES DO PROJETO ACOLHER 2012. O banco de dados desenvolvido para a execução do Projeto Acolher também atendia ao objetivo de produção de estatísticas. Deste modo, foi desenhado

Leia mais

Os números da violência contra a

Os números da violência contra a Mensagem à Mulher Os números da violência contra a mulher são alarmantes. São vários os tipos de violência. Para se ter uma ideia, a cada ano 50 mil mulheres sofrem violência, sendo dez delas assassinadas.

Leia mais

Instituição: Universidade do Vale do Paraíba Av. Shishima Hifumi, 2911, Urbanova Fone: +55 (12) 39471000

Instituição: Universidade do Vale do Paraíba Av. Shishima Hifumi, 2911, Urbanova Fone: +55 (12) 39471000 PRINCIPAIS TIPOS DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM UMA INSTITUIÇÃO DE ACOLHIMENTO NO VALE DO PARAÍBA Cruz RASC 1, Galvão RDS 2, Lancia MCF 3 Instituição: Universidade do Vale do Paraíba Av. Shishima Hifumi,

Leia mais

Palavras-chaves: denuncia, consumo de álcool, consumo de drogas.

Palavras-chaves: denuncia, consumo de álcool, consumo de drogas. VIOLENCIA CONTRA A MULHER E A DEPENDENCIA FINACEIRA. UM ESTUDO DE CASO NO MUNICIPIO DE PITANGA. MARLY APARECIDA MAZUR MACHADO/UNICENTRO E-MAIL: maymazur@outlook.com SIMÃO TERNOSKI (ORIENTADOR)/UNICENTRO

Leia mais

Indicadores de Violência e Segurança Pública

Indicadores de Violência e Segurança Pública Indicadores de Violência e Segurança Pública 1 2 3 Indicadores de Violência e Segurança Pública Proposta: criação e implementação do Sistema Estadual de Informações de Violência e Segurança Pública Parcerias

Leia mais

25 de novembro - Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres. Carta de Brasília

25 de novembro - Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres. Carta de Brasília Anexo VI 25 de novembro - Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres Carta de Brasília Na véspera do Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres nós, trabalhadoras dos

Leia mais

Violência contra a mulher, um problema de saúde pública

Violência contra a mulher, um problema de saúde pública relações de gênero Violência contra a mulher, um problema de saúde pública Andréa Fachel Leal Carta Maior / Blog Controvérsia, texto 4811 Um grande empecilho, por muito tempo, para a formulação e execução

Leia mais

A MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR EM PONTA GROSSA: SUBSÍDIOS PARA O DEBATE

A MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR EM PONTA GROSSA: SUBSÍDIOS PARA O DEBATE 11. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 1 ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( X ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA A MULHER

Leia mais

VIOLÊNCIA CONTRA PROFISSIONAIS DE SAÚDE. NOTIFICAÇÃO ON-LINE 2014.

VIOLÊNCIA CONTRA PROFISSIONAIS DE SAÚDE. NOTIFICAÇÃO ON-LINE 2014. VIOLÊNCIA CONTRA PROFISSIONAIS DE SAÚDE. NOTIFICAÇÃO ON-LINE 2014. Departamento da Qualidade na Saúde Março 2015 Índice Introdução... 3 Notificação de Violência contra Profissionais de Saúde... 6 Conclusão...

Leia mais

INCIDÊNCIA DE FRATURAS FACIAIS NO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS-SP

INCIDÊNCIA DE FRATURAS FACIAIS NO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS-SP INCIDÊNCIA DE FRATURAS FACIAIS NO MUNICÍPIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS-SP Paulo Villela SANTOS JUNIOR* RESUMO: Foi realizada uma análise da incidência de fraturas faciais, considerando-se o sexo, idade e estruturas

Leia mais

VIolênCIA. VoCê. saber. contra a mulher. PrECIsA. Coordenação Associação das Trabalhadoras Domésticas e Centro de Ação Cultural - Centrac

VIolênCIA. VoCê. saber. contra a mulher. PrECIsA. Coordenação Associação das Trabalhadoras Domésticas e Centro de Ação Cultural - Centrac VoCê PrECIsA saber Coordenação Associação das Trabalhadoras Domésticas e Centro de Ação Cultural - Centrac Texto Maria Madalena de Medeiros / Ana Patrícia Sampaio de Almeida Projeto Gráfico Áurea Olimpia

Leia mais

ESTUDO VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

ESTUDO VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ESTUDO VIOLÊNCIA DOMÉSTICA Luiz Fernando Botelho de Carvalho Consultor Legislativo da Área II Direito Civil e Processual Civil, Direito Penal e Processual Penal, de Família, do Autor, de Sucessões, Internacional

Leia mais

OCORRÊNCIA E ETIOLOGIA DO TRAUMATISMO DENTAL EM ALUNOS DO CURSO DE ODONTOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL/RS

OCORRÊNCIA E ETIOLOGIA DO TRAUMATISMO DENTAL EM ALUNOS DO CURSO DE ODONTOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO SUL/RS Revista de Endodontia Pesquisa e Ensino On Line - Ano 4, Número 7, Janeiro/Junho, 2008. 1 OCORRÊNCIA E ETIOLOGIA DO TRAUMATISMO DENTAL EM ALUNOS DO CURSO DE ODONTOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE SANTA CRUZ DO

Leia mais

Lei Maria da Penha. Pelo fim da violência. ulher. contra a

Lei Maria da Penha. Pelo fim da violência. ulher. contra a Lei Maria da Penha Pelo fim da violência ulher contra a Ligação gratuita, 24 horas, para informações sobre a Lei Maria da Penha e os serviços para o atendimento às mulheres em situação de violência. Lei

Leia mais

PERSPECTIVAS DE ANÁLISE DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHER: MAPEAMENTO DAS DENÚNCIAS ENTRE OS ANOS DE 2010 E 2011 NA CIDADE DE CAMPINA GRANDE-PB

PERSPECTIVAS DE ANÁLISE DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHER: MAPEAMENTO DAS DENÚNCIAS ENTRE OS ANOS DE 2010 E 2011 NA CIDADE DE CAMPINA GRANDE-PB PERSPECTIVAS DE ANÁLISE DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHER: MAPEAMENTO DAS DENÚNCIAS ENTRE OS ANOS DE 2010 E 2011 NA CIDADE DE CAMPINA GRANDE-PB Autoria: Antonio Pereira Cardoso da Silva Filho Universidade

Leia mais

Violência Doméstica e Familiar Contra à Mulher

Violência Doméstica e Familiar Contra à Mulher Violência Doméstica e Familiar Contra à Mulher 1 Relações de gênero: são relações de poder que criam desigualdades, subordinações, posições e valores diferenciados para mulheres e homens. Tais relações

Leia mais

Violência contra a Mulher e Consequências à Saúde Bucal

Violência contra a Mulher e Consequências à Saúde Bucal Violência contra a Mulher e Consequências à Saúde Bucal Violence against Women and its Consequences to Women s Oral Health Violencia contra la Mujer y Consecuencias a la Salud Bucal Liliane Silva do Nascimento

Leia mais

FACULDADE DE IMPERATRIZ FACIMP

FACULDADE DE IMPERATRIZ FACIMP PROGRAMA DE DISCIPLINA Curso DIREITO Disciplina MEDICINA LEGAL Área: Ciências Sociais Ano: 2013.1 Período: 7º Sétimo Carga horaria: 36 horas créditos 02 Pré-Requisito Turno: MATUTINO/NOTURNO Ementa DIREITO

Leia mais

Violência contra as Mulheres em Pernambuco

Violência contra as Mulheres em Pernambuco Violência contra as Mulheres em Pernambuco Recife, 25 de novembro de 2015 FICHA TÉCNICA Coordenação: Equipe do SOS Corpo Instituto Feminista para Democracia Pesquisadora: Ana Paula Melo (pesquisadora convidada)

Leia mais

ATENDIMENTO ÀS MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: ANÁLISE DE UMA CASA ABRIGO

ATENDIMENTO ÀS MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: ANÁLISE DE UMA CASA ABRIGO ATENDIMENTO ÀS MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: ANÁLISE DE UMA CASA ABRIGO Juliana Medeiros da Silva 1 A violência doméstica praticada pelo parceiro íntimo é uma das formas mais comuns de violência

Leia mais

Violência doméstica: análise das lesões em mulheres. Domestic violence: an analysis of injuries in female victims. Abstract.

Violência doméstica: análise das lesões em mulheres. Domestic violence: an analysis of injuries in female victims. Abstract. ARTIGO ARTICLE 2567 Violência doméstica: análise das lesões em mulheres Domestic violence: an analysis of injuries in female victims Cléa Adas Saliba Garbin 1 Artênio José Isper Garbin 1 Ana Paula Dossi

Leia mais

DIREITOS HUMANOS, FEMINISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE GÊNERO: APLICABILIDADE DA LEI Nº 11.340/06 EM CAMPINA GRANDE/PB

DIREITOS HUMANOS, FEMINISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE GÊNERO: APLICABILIDADE DA LEI Nº 11.340/06 EM CAMPINA GRANDE/PB DIREITOS HUMANOS, FEMINISMO E POLÍTICAS PÚBLICAS DE GÊNERO: APLICABILIDADE DA LEI Nº 11.340/06 EM CAMPINA GRANDE/PB (ASFORA, R. V. S.) - Raphaella Viana Silva Asfora/Autora ¹ Escola Superior da Magistratura

Leia mais

O TROTE NA PERSPECTIVA DOS DIREITOS HUMANOS

O TROTE NA PERSPECTIVA DOS DIREITOS HUMANOS 1. Introdução O TROTE NA PERSPECTIVA DOS DIREITOS HUMANOS Mônica Alves Costa Ribeiro* Na definição da profª Maria Helena Diniz, trote é: b) troça que os estudantes veteranos impõem aos calouros. 1 Ou seja,

Leia mais

Lei Maria da Penha Lei 11.340/06

Lei Maria da Penha Lei 11.340/06 Legislação Penal Especial Aula 02 Professor Sandro Caldeira Lei Maria da Penha Lei 11.340/06 Art. 1 o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos

Leia mais

Informações práticas para denunciar crimes raciais

Informações práticas para denunciar crimes raciais Informações práticas para denunciar crimes raciais O que é racismo? Racismo é tratar alguém de forma diferente (e inferior) por causa de sua cor, raça, etnia, religião ou procedência nacional. Para se

Leia mais

25 NOVEMBRO DIA INTERNACIONAL PARA A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES

25 NOVEMBRO DIA INTERNACIONAL PARA A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES 25 NOVEMBRO DIA INTERNACIONAL PARA A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES Porquê a VIOLÊNCIA DOMÉSTICA? A violência doméstica não é, infelizmente, um problema dos nossos dias,

Leia mais

Violência Contra a Mulher no Brasil e em todo o Mundo

Violência Contra a Mulher no Brasil e em todo o Mundo Violência Contra a Mulher no Brasil e em todo o Mundo Joseana Macêdo Fechine Campina Grande outubro, 2010 Violência Contra a Mulher no Brasil e em todo o Mundo (FECHINE, J. M.) 1 Sumário Considerações

Leia mais

PROGRAMA DE DISCIPLINA. Curso DIREITO. Disciplina MEDICINA LEGAL. Área: Ciências Sociais Período: 7º PERÍODO Turno: MATUTINO/NOTURNO.

PROGRAMA DE DISCIPLINA. Curso DIREITO. Disciplina MEDICINA LEGAL. Área: Ciências Sociais Período: 7º PERÍODO Turno: MATUTINO/NOTURNO. PROGRAMA DE DISCIPLINA Curso DIREITO Disciplina MEDICINA LEGAL Área: Ciências Sociais Período: 7º PERÍODO Turno: MATUTINO/NOTURNO Pré-Requisito DIREITO PENAL III D- 26 Ementa Medicina Legal. Estudo dos

Leia mais

1. Em relação aos crimes contra a violência doméstica, analise as afirmações e em seguida assinale a alternativa correta.

1. Em relação aos crimes contra a violência doméstica, analise as afirmações e em seguida assinale a alternativa correta. 1. Em relação aos crimes contra a violência doméstica, analise as afirmações e em seguida assinale a alternativa correta. I. Por expressa determinação legal não se aplicam aos crimes praticados com violência

Leia mais

Feminicídios: a violência fatal contra a mulher

Feminicídios: a violência fatal contra a mulher Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil Leila Posenato Garcia*, Lúcia Rolim Santana de Freitas, Gabriela Drummond Marques da Silva, Doroteia Aparecida Höfelmann * Instituto de Pesquisa Econômica

Leia mais

QUERIDO(A) ALUNO(A),

QUERIDO(A) ALUNO(A), LANÇADA EM 15 MAIO DE 2008, A CAMPANHA PROTEJA NOSSAS CRIANÇAS É UMA DAS MAIORES MOBILIZAÇÕES PERMANENTES JÁ REALIZADAS NO PAÍS, COM FOCO NO COMBATE À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E À EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS

Leia mais

APOIO E PARTICIPAÇÃO NAS AÇÕES DE CRIAÇÃO DO NÚCLEO DE ESTUDOS EM GÊNERO, RAÇA E ETNIA NEGRE/UEMS. RESUMO

APOIO E PARTICIPAÇÃO NAS AÇÕES DE CRIAÇÃO DO NÚCLEO DE ESTUDOS EM GÊNERO, RAÇA E ETNIA NEGRE/UEMS. RESUMO APOIO E PARTICIPAÇÃO NAS AÇÕES DE CRIAÇÃO DO NÚCLEO DE ESTUDOS EM GÊNERO, RAÇA E ETNIA NEGRE/UEMS. ¹Gislaine De Oliveira Correia; ²Maria José de Jesus Alves Cordeiro. ¹Bolsista de Iniciação Científica

Leia mais

Lei MARIA DA PENHA 3 anos depois

Lei MARIA DA PENHA 3 anos depois Lei MARIA DA PENHA 3 anos depois Três anos depois, lei Maria da Penha diversifica perfil de mulheres que procuram ajuda contra violência doméstica. Quais são os resultados trazidos pela lei Maria da Penha?

Leia mais

VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA ou ADOLESCENTE

VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA ou ADOLESCENTE VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA ou ADOLESCENTE Equipe LENAD: Ronaldo Laranjeira Clarice Sandi Madruga IlanaPinsky Maria Carmen Viana Divulgação: Maio de 2014. 1. Porque esse estudo é relevante? Segundo a Subsecretaria

Leia mais

Gabinetes de Atendimento da Mulher e da Criança: a análise dos casos registados. Margarita Mejia, Conceição Osório, Maria José Arthur

Gabinetes de Atendimento da Mulher e da Criança: a análise dos casos registados. Margarita Mejia, Conceição Osório, Maria José Arthur Gabinetes de Atendimento da Mulher e da Criança: análise dos casos registados Margarita Mejia, Conceição Osório, Maria José Arthur Publicado em Outras Vozes, nº 7, Maio de 2004 A WLSA Moçambique concluiu

Leia mais

www.senado.leg.br/datasenado

www.senado.leg.br/datasenado www.senado.leg.br/datasenado Lei Maria da Penha completa 9 Promulgada em 2006, a Lei Maria da Penha busca garantir direitos da mulher, além da prevenção e punição de casos de violência doméstica e familiar.

Leia mais

Universidade do Estado do Rio de Janeiro Vice-Reitoria Curso de Abordagem da Violência na Atenção Domiciliar Unidade 2 Violência de gênero

Universidade do Estado do Rio de Janeiro Vice-Reitoria Curso de Abordagem da Violência na Atenção Domiciliar Unidade 2 Violência de gênero Universidade do Estado do Rio de Janeiro Vice-Reitoria Curso de Abordagem da Violência na Atenção Domiciliar Unidade 2 Violência de gênero Nesta unidade, analisaremos os aspectos específicos referentes

Leia mais

Palestra Depois do Abuso Sexual Como encaminhar e lidar com criança vítima de abuso sexual

Palestra Depois do Abuso Sexual Como encaminhar e lidar com criança vítima de abuso sexual Palestra Depois do Abuso Sexual Como encaminhar e lidar com criança vítima de abuso sexual Guilherme Schelb, Promotor de Justiça da Infância em Brasília (1992-1995), especialista em temas da infância e

Leia mais

VERITAE TRABALHO - PREVIDÊNCIA SOCIAL - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO LEX TRABALHO

VERITAE TRABALHO - PREVIDÊNCIA SOCIAL - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO LEX TRABALHO VERITAE TRABALHO - PREVIDÊNCIA SOCIAL - SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO LEX TRABALHO Orientador Empresarial Dentistas-Consolidação das Normas para Procedimentos nos Conselhos de Odontologia-Alteração RESOLUÇÃO

Leia mais

A Lei Maria da Penha Lei nº 11.340 de 7 de agosto de 2006

A Lei Maria da Penha Lei nº 11.340 de 7 de agosto de 2006 Apresentação A Lei Maria da Penha Lei nº 11.340 de 7 de agosto de 2006 A violência contra a mulher é um dos fenômenos sociais que mais ganhou visibilidade nos últimos anos devido ao seu efeito devastador

Leia mais

INFORMAÇÕES SOBRE O MUNICÍPIO DE ARARAQUARA RELATÓRIO CENTRO DE REFERÊNCIA DA MULHER

INFORMAÇÕES SOBRE O MUNICÍPIO DE ARARAQUARA RELATÓRIO CENTRO DE REFERÊNCIA DA MULHER INFORMAÇÕES SOBRE O MUNICÍPIO DE ARARAQUARA O Município de Araraquara está localizado no centro do Estado de São Paulo, possuindo uma área total 1.312 Km2 com 77,37 Km2 ocupados pela área urbana. Sua posição

Leia mais

Autor: Marcos Espínola Advogado Criminalista

Autor: Marcos Espínola Advogado Criminalista Autor: Marcos Espínola Advogado Criminalista 1 SUMÁRIO DEDICATÓRIAS E AGRADECIMENTOS 02 CARTA DE APRESENTAÇÃO 03 O QUE SERIA O SOFRIMENTO FÍSICO? 04 E O SOFRIMENTO MENTAL? 04 TORTURA-PROVA 05 TORTURA

Leia mais

TRAUMA RAQUIMEDULAR (TRM)

TRAUMA RAQUIMEDULAR (TRM) Protocolo: Nº 63 Elaborado por: Manoel Emiliano Última revisão: 30/08/2011 Revisores: Samantha Vieira Maria Clara Mayrink TRAUMA RAQUIMEDULAR (TRM) DEFINIÇÃO: O Trauma Raquimedular (TRM) constitui o conjunto

Leia mais

Re s p o n s a b i l i z a ç ã o e

Re s p o n s a b i l i z a ç ã o e Anexo II Di r e t r i z e s Ge r a i s d o s Se rv i ç o s d e Re s p o n s a b i l i z a ç ã o e Educação do Agressor SERVIÇO DE RESPONSABILIZAÇÃO E EDUCAÇÃO DO AGRESSOR Ap r e s e n ta ç ã o A presente

Leia mais

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR NASCIMENTO, Edinalva Neves Docente do Curso de Formação de Psicologia da ACEG/FASU-Garça/SP ediquata@gmail.com OLIVEIRA, Linda Marques Pedagoga e acadêmica do Curso de Formação

Leia mais

Quando suspeitar de abuso sexual Mesa-redonda Infanto-puberal. Dr Tarcísio Crócomo

Quando suspeitar de abuso sexual Mesa-redonda Infanto-puberal. Dr Tarcísio Crócomo Tarcísio Crócomo Declaração de conflito de interesse Não recebi qualquer forma de pagamento ou auxílio financeiro de entidade pública ou privada para pesquisa ou desenvolvimento de método diagnóstico ou

Leia mais

Internações por Hipertensão Essencial em homens idosos no Brasil: estudo comparativo entre as regiões nordeste e sudeste no período de 2008 a 2012.

Internações por Hipertensão Essencial em homens idosos no Brasil: estudo comparativo entre as regiões nordeste e sudeste no período de 2008 a 2012. Internações por Hipertensão Essencial em homens idosos no Brasil: estudo comparativo entre as regiões nordeste e sudeste no período de 2008 a 2012. Layz Dantas de Alencar 1 - layzalencar@gmail.com Rosimery

Leia mais

FACULDADE ADVENTISTA DA BAHIA CURSO DE PÓS -GRADUAÇÃO LATO SENSU ESPECIALI ZAÇÃO EM SAÚDE PÚBLICA

FACULDADE ADVENTISTA DA BAHIA CURSO DE PÓS -GRADUAÇÃO LATO SENSU ESPECIALI ZAÇÃO EM SAÚDE PÚBLICA FACULDADE ADVENTISTA DA BAHIA CURSO DE PÓS -GRADUAÇÃO LATO SENSU ESPECIALI ZAÇÃO EM SAÚDE PÚBLICA JOSENAI SENA SANTOS VIOLÊNCIA POR PARCEIRO ÍNTIMO EM MULHERES NA CIDADE DE SALVADOR: repercussões físicas

Leia mais

10/7/2012. EXAME DE DNA Núcleo das células = cromossomos ( 46 ), sendo: 23 do pai e 23 da mãe 1 cromossomo possui cerca de 100 000 genes Gen = DNA

10/7/2012. EXAME DE DNA Núcleo das células = cromossomos ( 46 ), sendo: 23 do pai e 23 da mãe 1 cromossomo possui cerca de 100 000 genes Gen = DNA EXAME DE DNA Núcleo das células = cromossomos ( 46 ), sendo: 23 do pai e 23 da mãe 1 cromossomo possui cerca de 100 000 genes Gen = DNA DNA é composto por polímeros (fileira dupla de unidades básicas,

Leia mais

A violência, e em particular a violência doméstica, constitui um desses velhos / novos problemas para o qual urge encontrar novas soluções.

A violência, e em particular a violência doméstica, constitui um desses velhos / novos problemas para o qual urge encontrar novas soluções. A justiça restaurativa no combate à violência doméstica O final de uma legislatura é, certamente, um tempo propício para a realização de um balanço de actividades. Pode constituir-se como convite à avaliação

Leia mais

LEI DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR Lei n. 11.340/06

LEI DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR Lei n. 11.340/06 LEI DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR Lei n. 11.340/06 PREVISÃO CONSTITUCIONAL 1) O art. 226, 8º CF, dispões que: O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando

Leia mais

Palavras-chave: Lei Maria da Penha. Violência doméstica e familiar entre militares. Justiça Militar. Crime militar. Polícia judiciária militar.

Palavras-chave: Lei Maria da Penha. Violência doméstica e familiar entre militares. Justiça Militar. Crime militar. Polícia judiciária militar. DA EVENTUAL APLICAÇÃO DE MEDIDAS PROTETIVAS PREVISTAS NA LEI MARIA DA PENHA NOS CASOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER MILITAR Abelardo Julio da Rocha 1 RESUMO Em 1969, quando surgiram o Código Penal

Leia mais

Documento apresentado para discussão. II Encontro Nacional de Produtores e Usuários de Informações Sociais, Econômicas e Territoriais

Documento apresentado para discussão. II Encontro Nacional de Produtores e Usuários de Informações Sociais, Econômicas e Territoriais Documento apresentado para discussão II Encontro Nacional de Produtores e Usuários de Informações Sociais, Econômicas e Territoriais Rio de Janeiro, 21 a 25 de agosto de 2006 A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E AS

Leia mais

Relatório da Pessoa Idosa

Relatório da Pessoa Idosa Relatório da Pessoa Idosa 2012 O Relatório da Pessoa Idosa 2012, com base nos dados de 2011, se destina à divulgação dos dados de criminalidade contra a pessoa idosa (idade igual ou superior a 60 anos),

Leia mais

Papel e estratégias do Ministério Público na defesa dos direitos das mulheres e principais limitações na aplicação da Lei Sobre Violência Doméstica

Papel e estratégias do Ministério Público na defesa dos direitos das mulheres e principais limitações na aplicação da Lei Sobre Violência Doméstica Papel e estratégias do Ministério Público na defesa dos direitos das mulheres e principais limitações na aplicação da Lei Sobre Violência Doméstica (Síntese a partir dos slides) Por Lúcia Maximiano (Procuradoria

Leia mais

A VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES: DEMANDAS ESPONTÂNEAS E BUSCA ATIVA EM UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE

A VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES: DEMANDAS ESPONTÂNEAS E BUSCA ATIVA EM UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE ARTIGO A VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES: DEMANDAS ESPONTÂNEAS E BUSCA ATIVA EM UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE Lilia B. Schraiber* Ana Flávia P. L. d'oliveira* Ivan França Junior** Silvia S. Strake* Elaine A. de Oliveira*

Leia mais

Organização Paulo Augusto Souza Teixeira Andréia Soares Pinto

Organização Paulo Augusto Souza Teixeira Andréia Soares Pinto dossiê Mulher 2014 Organização Paulo Augusto Souza Teixeira Andréia Soares Pinto dossiêmulher 2014 Organização Paulo Augusto Souza Teixeira Andréia Soares Pinto I59d Instituto de Segurança Pública (RJ).

Leia mais

PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIAS E PROMOÇÃO DA CULTURA DE PAZ

PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIAS E PROMOÇÃO DA CULTURA DE PAZ MINISTÉRIO DA SAÚDE IMPACTO DA VIOLÊNCIA NA SAÚDE DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIAS E PROMOÇÃO DA CULTURA DE PAZ VOCÊ É A PEÇA PRINCIPAL PARA ENFRENTAR ESTE PROBLEMA Brasília - DF 2008

Leia mais

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS PACIENTES TRATADOS NA CLÍNICA ESCOLA DE FISIOTERAPIA DA UEG

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS PACIENTES TRATADOS NA CLÍNICA ESCOLA DE FISIOTERAPIA DA UEG Anais do IX Seminário de Iniciação Científica, VI Jornada de Pesquisa e Pós-Graduação e Semana Nacional de Ciência e Tecnologia UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS 19 a 21 de outubro de 2011 PERFIL EPIDEMIOLÓGICO

Leia mais

O PAPEL DO SERVIÇO DE EPIDEMIOLOGIA NA REDE DE PROTEÇÃO A CRIANÇA E AO ADOLESCENTE EM SITUACAO DE RISCO PARA A VIOLENCIA NO HOSPITAL DE CLÍNICAS.

O PAPEL DO SERVIÇO DE EPIDEMIOLOGIA NA REDE DE PROTEÇÃO A CRIANÇA E AO ADOLESCENTE EM SITUACAO DE RISCO PARA A VIOLENCIA NO HOSPITAL DE CLÍNICAS. O PAPEL DO SERVIÇO DE EPIDEMIOLOGIA NA REDE DE PROTEÇÃO A CRIANÇA E AO ADOLESCENTE EM SITUACAO DE RISCO PARA A VIOLENCIA NO HOSPITAL DE CLÍNICAS. AREA TEMÁTICA: Saúde. COORDENADORA: Prof.ª Dr.ª Denise

Leia mais

TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR TRM. Prof. Fernando Ramos Gonçalves-Msc

TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR TRM. Prof. Fernando Ramos Gonçalves-Msc TRAUMATISMO RAQUIMEDULAR TRM Prof. Fernando Ramos Gonçalves-Msc 1 TRM Traumatismo Raqui- Medular Lesão Traumática da raqui(coluna) e medula espinal resultando algum grau de comprometimento temporário ou

Leia mais

PESQUISA DE OPINIÃO PÚBLICA NACIONAL

PESQUISA DE OPINIÃO PÚBLICA NACIONAL Relatório Analítico PESQUISA DE OPINIÃO PÚBLICA NACIONAL PESQUISA SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER DATASENADO SECS PESQUISA SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER Há dois anos, o DataSenado

Leia mais

Resumo A violência contra a mulher ocorre em todo o mundo. Tem chamado a

Resumo A violência contra a mulher ocorre em todo o mundo. Tem chamado a REVISÃO A violência contra a mulher provocada por parceiro íntimo Violence against women caused by intimate partner Doriana Ozólio Alves Rosa 1 Renata Cristina de Souza Ramos 1 Elza Machado de Melo 2 Victor

Leia mais

A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente.

A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente. A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente. Trata-se de um problema que acontece em ambos os sexos e

Leia mais

Espelho Penal Peça. Endereçamento correto da interposição 1ª Vara Criminal do Município X 0 / 0,25

Espelho Penal Peça. Endereçamento correto da interposição 1ª Vara Criminal do Município X 0 / 0,25 Espelho Penal Peça O examinando deve redigir uma apelação, com fundamento no artigo 593, I, do Código de Processo Penal. A petição de interposição deve ser endereçada ao juiz de direito da 1ª vara criminal

Leia mais

VIOLÊNCIA CONTRA IDOSOS: produção científica em periódicos online RESUMO

VIOLÊNCIA CONTRA IDOSOS: produção científica em periódicos online RESUMO VIOLÊNCIA CONTRA IDOSOS: produção científica em periódicos online Natalia Leite Pedrosa (ufpb) Débora Cristina Alves Barros (ufpb) Kelma Rayanne Santos Moura (ufpb) Leila de Cássia Tavares da Fonsêca (ufpb)

Leia mais

Violência letal e gênero: decifrando números obscenos?

Violência letal e gênero: decifrando números obscenos? Violência letal e gênero: decifrando números obscenos? José Eustáquio Diniz Alves1 Sonia Corrêa2 No Brasil, a cada ano, os homicídios matam o equivalente ao número de americanos mortos em toda a Guerra

Leia mais

VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR CONTRA A MULHER E AS REDES DE ATENDIMENTO

VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR CONTRA A MULHER E AS REDES DE ATENDIMENTO CONGRESSO INTERNACIONAL INTERDISCIPLINAR EM SOCIAIS E HUMANIDADES Niterói RJ: ANINTER-SH/ PPGSD-UFF, 03 a 06 de Setembro de 2012, ISSN 2316-266X VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR CONTRA A MULHER E AS REDES DE ATENDIMENTO

Leia mais

Lei Maria da Penha: uma evolução histórica

Lei Maria da Penha: uma evolução histórica Lei Maria da Penha: uma evolução histórica Karina Balduino Leite e Rivadavio Anadão de Oliveira Guassú Maria da Penha foi uma entre as incontáveis vítimas de violência doméstica espalhadas pelo planeta.

Leia mais

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR: SITUAÇÃO DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO RONDÔNIA APÓS A VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.340/2006.

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR: SITUAÇÃO DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO RONDÔNIA APÓS A VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.340/2006. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR: SITUAÇÃO DO MUNICÍPIO DE PORTO VELHO RONDÔNIA APÓS A VIGÊNCIA DA LEI Nº 11.340/2006. Raimundo Oliveira Filho 1, Monica Franchi Carniello 2, Moacir José dos Santos 3 1,2,3

Leia mais

CRIMES CONTRA A INTEGRIDADE FÍSICA

CRIMES CONTRA A INTEGRIDADE FÍSICA LESÕES CORPORAIS Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Lesão corporal de natureza grave 1º Se resulta: I - Incapacidade para as ocupações

Leia mais

Curso de. Direito. Núcleo de Prática Jurídica. Lei Maria da Penha. Lei n.º 11.340, de 7 de agosto de 2006. www.faesa.br

Curso de. Direito. Núcleo de Prática Jurídica. Lei Maria da Penha. Lei n.º 11.340, de 7 de agosto de 2006. www.faesa.br Curso de Direito Núcleo de Prática Jurídica Lei Maria da Penha Lei n.º 11.340, de 7 de agosto de 2006 www.faesa.br mportante: Onde Procurar Atendimento na Grande Vitória Disque-Denúncia: 180 Delegacias

Leia mais

Combate e prevenção à violência contra a mulher

Combate e prevenção à violência contra a mulher Combate e prevenção à violência contra a mulher O CIM - Centro Integrado de Atendimento à Mulher Vítima de Violência Doméstica e Familiar - tem por objetivo fazer valer a Lei n.º 11.340/06, Lei Maria da

Leia mais

Violência de gênero contra mulher: uma demanda à justiça restaurativa?

Violência de gênero contra mulher: uma demanda à justiça restaurativa? Violência de gênero contra mulher: uma demanda à justiça restaurativa? Paola Stuker Cientista Social pela Universidade Federal de Santa Maria. Mestranda em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande

Leia mais

BALANÇO. 1º Semestre 2015

BALANÇO. 1º Semestre 2015 BALANÇO 1º Semestre 2015 Dilma Rousseff Presidenta da República Eleonora Menicucci Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres Linda Goulart Secretária-Executiva Aparecida Gonçalves

Leia mais

O Paraná Está Ligado!

O Paraná Está Ligado! VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER O Paraná Está Ligado! Lançamento de rede estadual marca o enfrentamento à violência contra a mulher no Paraná O lançamento simbólico de uma rede de atenção à mulher em situação

Leia mais

Maus-tratos na infância e seu impacto sobre a epidemiologia do desenvolvimento psicossocial

Maus-tratos na infância e seu impacto sobre a epidemiologia do desenvolvimento psicossocial Maus-tratos na infância e seu impacto sobre a epidemiologia do desenvolvimento psicossocial NICO TROCMÉ, PhD Centre of Excellence for Child Welfare, CANADÁ (Publicado on-line, em inglês, em 2 de fevereiro

Leia mais

Dossiê Violência Doméstica contra as Mulheres

Dossiê Violência Doméstica contra as Mulheres Dossiê Violência Doméstica contra as Mulheres Dossier Violencia Doméstica contra las Mujeres Dossier Domestic Violence against Women Maria Luzia Miranda Álvares Os estudos sobre a questão de gênero têm

Leia mais

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - 2009

Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - 2009 Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios - 2009 1 1 Rio de Janeiro, 15/12/2010 1 PNAD 2009 Segurança Alimentar Vitimização e Educação Trabalho Rendimento Fecundidade Tecnologia da Informação etc 2 153

Leia mais

Prováveis causas para agressividade canina e os ataques de cães nas Cidades Brasileiras

Prováveis causas para agressividade canina e os ataques de cães nas Cidades Brasileiras Prováveis causas para agressividade canina e os ataques de cães nas Cidades Brasileiras Stefany Pinho Palma e Milton Passipiéri Palma, S. P. 1,* ; Passipiéri, M. 1 stefanypp@gmail.com; milton@bio.feis.unesp.br

Leia mais

Porque a violência e o trauma tornaram-se um problema de Saúde Pública e o que fazer para diminuir sua incidência?

Porque a violência e o trauma tornaram-se um problema de Saúde Pública e o que fazer para diminuir sua incidência? Porque a violência e o trauma tornaram-se um problema de Saúde Pública e o que fazer para diminuir sua incidência? Dados preliminares do sistema de informações de mortalidade do Ministério da Saúde de

Leia mais

Especialidades Odontológicas

Especialidades Odontológicas Especialidades Odontológicas Urubatan Medeiros Doutor (USP) - Professor Titular do Departamento de Odontologia Preventiva e Comunitária (UERJ/UFRJ) - Consultor do Ministério da Saúde I - Introdução A Odontologia

Leia mais

O OLHAR DAS UNIVERITÁRIAS ESTUDANTES DO CURSO DE GRADUAÇÃO DE ECONOMIA DOMÉSTICA SOBRE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER RESUMO

O OLHAR DAS UNIVERITÁRIAS ESTUDANTES DO CURSO DE GRADUAÇÃO DE ECONOMIA DOMÉSTICA SOBRE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER RESUMO O OLHAR DAS UNIVERITÁRIAS ESTUDANTES DO CURSO DE GRADUAÇÃO DE ECONOMIA DOMÉSTICA SOBRE A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER Lívia Rodrigues 1 Ana Beatriz de Melo Holanda, 2 Natiane Muliterno da Cunha

Leia mais

LESÕES CORPORAIS NO ESPORTE

LESÕES CORPORAIS NO ESPORTE LESÕES CORPORAIS NO ESPORTE ROGÉRIO TADEU ROMANO Procurador Regional da República aposentado O dano à integridade corporal é a alteração anatômica prejudicial ao corpo humano, revelando-se por ferimentos,

Leia mais

ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS DAS PERÍCAS ODONTOLÓGICAS

ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS DAS PERÍCAS ODONTOLÓGICAS ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS DAS PERÍCAS ODONTOLÓGICAS Prof. Dr. Eduardo Daruge Titular de Odontologia Legal e Deontologia da FOP-UNICAMP Prof. Medicina Legal da Faculdade de Direito da UNIMEP DEFINIÇÃO: PERÍCIAS

Leia mais

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: PANDEMIA ATUAL

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: PANDEMIA ATUAL VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: PANDEMIA ATUAL INTRODUÇÃO A cada hora, dez mulheres foram vítimas de violência no Brasil em 2012 Violência é: 1 É o uso intencional da força física ou poder, real ou em ameaça contra

Leia mais

Roteiro de Diretrizes para Pré-Conferências Regionais de Políticas para as Mulheres. 1. Autonomia econômica, Trabalho e Desenvolvimento;

Roteiro de Diretrizes para Pré-Conferências Regionais de Políticas para as Mulheres. 1. Autonomia econômica, Trabalho e Desenvolvimento; Roteiro de Diretrizes para Pré-Conferências Regionais de Políticas para as Mulheres 1. Autonomia econômica, Trabalho e Desenvolvimento; Objetivo geral Promover a igualdade no mundo do trabalho e a autonomia

Leia mais

Secretaria de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres 1º Fórum de Violência contra a Mulher: Múltiplos olhares

Secretaria de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres 1º Fórum de Violência contra a Mulher: Múltiplos olhares Secretaria de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres 1º Fórum de Violência contra a Mulher: Múltiplos olhares Campinas, Abril de 2014 Violência contra as Mulheres: dados Internacional: 1 de cada

Leia mais

NÚCLEO DE ESTUDOS DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER NA CIDADE DE PONTA GROSSA

NÚCLEO DE ESTUDOS DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER NA CIDADE DE PONTA GROSSA 9. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 1 ÁREA TEMÁTICA: (marque uma das opções) ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( X ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( ) SAÚDE ( ) TRABALHO (

Leia mais