EFEITOS DE UM BLOQUEIO ATMOSFÉRICO NO CAMPO DE PRECIPITAÇÃO E TEMPERATURA NO RIO GRANDE DO SUL

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1 EFEITOS DE UM BLOQUEIO ATMOSFÉRICO NO CAMPO DE PRECIPITAÇÃO E TEMPERATURA NO RIO GRANDE DO SUL Allan de Oliveira de Oliveira e- mail: Jaci M. B. Saraiva e- mail: Laboratório de Meteorologia FURG Caixa Postal 474, Rio Grande RS ABSTRACT This work aims to demonstrate in which areas of the Rio Grande do Sul state the atmospheric blockade acted in the precipitation field for the winter of Data of 14 stations located in the region were used for the study. The winter period was analyzed (June, July and August). It was observed that the positive anomalies happened in the southeast area of Rio Grande do Sul and that the blockade stayed longer over the region in July, blocking the progress of frontal systems over the Brazilian territory. INTRODUÇÃO A condição para a formação de um bloqueio, é a presença de um Anticiclone quase estacionário de grande amplitude que interrompe a progressão normal dos sistemas no Hemisfério Sul. As baixas migratórias ao se aproximarem de uma alta de bloqueio ficam estacionárias ou deslocam-se na periferia da Alta Subtropical, podendo causar condições duradouras sobre grandes áreas, ou de chuvas intensas ou de seca. Durante todo ano, vários sistemas frontais entram e ou formam-se no Sul do Brasil, causando na maioria das vezes anomalias no campo de precipitação. De acordo com Britto (1999) em estudo feito para analisar os totais de precipitação associados a sistemas frontais, foi observado que para o período de inverno da série temporal de , o ano de 1995 teve a maior taxa de precipitação para aquela estação. Os autores concluíram foi devido De acordo com os Climanálises de julho e agosto de 1995, estes meses apresentaram condições consideradas atípicas em relação ao regime de inverno, particularmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro- Oeste. Apenas algumas regiões do Rio Grande do Sul apresentaram desvios positivos de precipitação, enquanto que no restante das regiões ocorreram desvios negativos de precipitação, causados pela atuação de Bloqueio Atmosférico no Este trabalho tem por objetivo identificar em quais regiões do Rio Grande do Sul efetivamente ocorreram anomalias de precipitação no inverno de 1995, causadas pela atuação do bloqueio atmosférico. Para o presente estudo foram utilizadas as taxas de precipitação de 14 estações localizadas no Rio Grande do Sul. O período estudado correspondeu a 32 anos de dados ( ). As estações utilizadas são apresentadas no mapa1. A partir desse dados, foram utilizados os totais pluviométricos da estação de inverno, tentando identificar, em outras estações a mesma anomalia positiva de precipitação encontrada por Britto (1999) para a estação de Rio grande. A classificação dos meses chuvosos foi feita conforme Diniz (1998), o qual classifica os dados em ordem crescente e os divide em três partes: primeiro terço (período seco), segundo terço (período normal) e terceiro terço (Período anômalo positivamente). Nesta etapa do estudo a estação de Rio Grande não foi utilizada devido a sua série de dados ser muito curta. Para tentar identificar o sistema responsável pela alta taxa de precipitação no inverno de 1995, procurou-se identificar o que ocorreu com as temperaturas neste período. Para isso, foram utilizados dados diários e mensais de temperatura e precipitação da estação de Rio Grande e Pelotas. Para as temperaturas de Pelotas e Rio Grande, identificou-se o padrão de inverno para estas estações, calculando-se Para os dados de precipitação, mesmo a série temporal de Rio Grande ser menor, utilizou-se o mesmo método de Diniz (1998), devido a taxa de precipitação do mês de julho ser a maior da série. 3436

2 RESULTADOS E DISCUSSÃO Mapa2 Mostra a localização das 14 estações no rio Grande do Sul ANÁLISE PARA AS 14 ESTAÇÕES COM 32 ANOS DE DADOS Os gráficos a seguir mostraram a partir da metodologia de Diniz, que apenas cinco estações obtiveram em 1995 valores de precipitação para o período de inverno acima do normal (Bagé, Caxias do Sul, Pelotas, Porto Alegre e (1) Estação de Bagé (2) Estação de Caxias do Sul (3)Estação de Pelotas (4)Estação de Porto Alegre 3437

3 (5)Santa Vitória do Palmar Gráficos que mostram as estações que apresentaram anomalias no inverno de 1995 para o RS De acordo com Climanálise, o bloqueio atmosférico, atuou nos meses de julho e agosto, entretanto para o Rio Grande do Sul, as anomalias positivas de precipitação ficaram mais evidentes no mês de julho. Ao se analisar com maior detalhe julho e agosto, das 14 estações, apenas cinco permaneceram na normalidade (Cruz Alta, Santana do Livramento, Santa Maria, Torres e Uruguaiana), entretanto, as maiores anomalias de precipitação continuaram sendo observadas na mesma região descrita para o período que compreende os três meses de inverno (Bagé, Caxias do Sul, Pelotas, Porto Alegre e Santa Vitória do Palmar). O mapa2 mostra qual foi a conseqüência espacial do bloqueio atmosférico para o Rio Grande do Sul. Como já foi discutido nos gráficos, o bloqueio atuou na região sudeste do estado e nas cidades de Caxias do Sul e Porto Alegre Mapa2 Mostra a conseqüência espacial do bloqueio no Rio Grande do Sul. 3438

4 ANÁLISE DA ESTAÇÃO DE RIO GRANDE E PELOTAS PARA AS VARIÁVEIS DE PRECIPITAÇÃO E TEMPERATURAS NO PERÍODO DE 1990 A Na comparação feita entre as estações de Rio Grande e Pelotas, no inverno de 1995, as duas estações apresentaram em julho uma alta taxa de precipitação, isso devido ao favorecimento na entrada de sistemas frontais no território brasileiro (Ambrizzi, 1998). As temperaturas neste mês se encontraram em elevação, se comparadas ao mesmo período no restante da série temporal destas estações. Entretanto o que se viu foi uma anomalia mais expressiva nas temperaturas mínimas, onde a média foi de 12,12, quase 4 acima da série Temporal, enquanto que a máxima ficou a 1 acima da Série Temporal, isso na estação de Rio Grande. Para este mesmo período, a precipitação tanto para Rio Grande como para Pelotas estiveram muito acima do padrão (485,2 mm para a estação de Rio Grande e 510,0 mm para Pelotas). Pode-se observar a partir dos dados diários que antes dos maiores eventos chuvosos no mês de julho, sempre dois dias antes as temperaturas começavam a entrar em gradativo aumento. O dia 28 de julho apresentou uma das maiores taxas de precipitação deste mês, um dia antes a temperatura mínima ficou em 17.4 e a máxima em Neste período, ocorreu um padrão de bloqueio em latitudes médias, que pode ter sido a causa destas anomalias. 3439

5 CONCLUSÃO Neste trabalho, realizou-se uma avaliação da influência do padrão do bloqueio atmosférico no estado do Rio Grande do Sul para o período de inverno de 1995.Concluiu-se que não foi em todo estado que se sentiu os efeitos causados pelo bloqueio. Para o inverno, apenas o sudeste e as cidades de Caxias do Sul e Porto Alegre é que sofreram com sua atuação, e o mês de julho foi o maior responsável pelas anomalias no campo de precipitação. Da tentativa de buscar uma relação para as variáveis de precipitação e temperaturas, para os dados da estação de Rio Grande, concluiu-se que ocorreram anomalias nas temperaturas mínimas e máximas diárias do mês de julho, antes dos eventos chuvosos desse mês. Para as temperaturas mínimas houve uma elevação e para as temperaturas máximas um decréscimo, sempre começando dois a três dias antes do evento chuvoso. As temperaturas mínimas em relação a média mensal, isto provavelmente seja devido a alta nebulosidade neste período o que dificultaria a perda radiativa noturna. BIBLIOGRAFIA AMBRIZZI, T. e BERNARDES, A. Um Estudo das Flutuações de Temperatura para o Período de Inverno na América do Sul, Correlacionando a Patagônia com o Sul do Brasil. Revista Brasileira de Meteorologia, v. 14, n. 1, págs ,1999 BRITTO, F. P. e SARAIVA, J. M. B.. Estudo da Influência dos Sistemas Frontais na Taxa de Precipitação em Anos com e sem El Niño na cidade de Rio Grande - Brasil. In: Congresso Latino- Americano sobre Ciencias del Mar, VIII, 1999, Trujillo, Peru. Anais...,Trujillo, Perú, 1999, págs Climanálise - Boletim de Monitoramento e Análise Climática. Volume 10, números 7 e 8, NASCIMENTO, E. L. e AMBRIZZI, T.. Aspectos Dinâmico- Sinóticos Associados à Ocorrência de Bloqueios Próximos à América do Sul no inverno de In: Congresso Brasileiro de Meteorologia, IX, 1996, Anais..., Campos do Jordão, 1996, págs (ou CD-ROM). DINIZ, G. B., SALDANHA, R. e SANSIGOLO, C.. Influência do Evento El Niño no Regime de Precipitação de Pelotas, RS. In: Congresso Brasileiro de Meteorologia, X, 1998, Brasília. Anais..., Brasília, 1998, CD- ROM. 3440

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