INFLUÊNCIA DO ESTÁDIO DE MATURAÇÃO DA SEMENTE E DA PROFUNDIDADE DE SEMEADURA III: FITOMASSA DA MAMONEIRA

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1 INFLUÊNCIA DO ESTÁDIO DE MATURAÇÃO DA SEMENTE E DA PROFUNDIDADE DE SEMEADURA III: FITOMASSA DA MAMONEIRA Amanda Micheline Amador de Lucena 1, Liv Soares Severino 2, Valdinei Sofiatti 2, Maria Aline de O. Freire 1, Ligia Rodrigues Sampaio 1, Fabiana Xavier Costa 3, Márcia Maria Bezerra Guimarães 3, Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão 2 1Estágiaria Embrapa Algodão, 2 Pesquisador da Embrapa Algodão, 3UFCG RESUMO - Com objetivo de verificar a influência do estádio de maturação da semente de mamona (Ricinus communis L.) e da profundidade de semeadura sobre o acúmulo de fitomassa das plantas no estádio inicial de crescimento, um experimento foi conduzido em casa de vegetação. Adotou-se delineamento em blocos ao acaso com quatro repetições. Os tratamentos consistiram de uma combinação fatorial de duas cultivares de mamona (BRS Nordestina e BRS Paraguaçu), quatro classes de sementes provenientes de racemos colhidos em diferentes estádios de maturação e separadas pela cor do tegumento (pretas, bronzeadas, avermelhadas e amareladas) e quatro profundidades de semeadura (2; 4; 6 e 8 cm) em material de solo arenoso. Aos 60 dias após a emergência, avaliou-se: fitomassa das folhas, do caule, das raízes e a relação raiz/parte aérea. Para obtenção da fitomassa, as partes vegetais foram separadas e colocadas para secar em estufa de circulação de ar a 70 ºC até atingir massa constante. Nenhuma das características de crescimento foi influenciada pela cultivar, grau de maturação da semente ou profundidade de semeadura, exceto a fitomassa do caule das plantas originadas de sementes amareladas, a qual foi inferior. Palavras-chave: Ricinus communis L., cor do tegumento, massa seca. INTRODUÇÃO A semente é o principal insumo no sistema de produção de grandes culturas e sua qualidade está diretamente relacionada ao stand e vigor das plantas. Para que a semente possa expressar todo seu potencial é imprescindível que está tenha alcançado a maturidade (CARVALHO; NAKAGAWA, 2000). Em geral, no Brasil, os agricultores não atribuem grande valor ao processo de seleção das sementes destinadas ao plantio. Assim muitas variedades de baixa capacidade produtiva e que

2 apresentam outras características indesejáveis continuam a ser utilizadas (QUEIROGA; BELTRÃO, 2007). Uma das maneiras de garantir o stand e promover a elevação da produtividade é fazer uso de sementes selecionadas (MARCOS FILHO, 2005). A retirada de materiais indesejáveis em um lote de sementes, a exemplo de sementes chochas poderá ser uma alternativa viável, no entanto, não é uma atividade rotineira para grande maioria de produtores de sementes de mamona. Para Martins et al. (2005), citados por Santos Neto et al. (2006), a identificação de características físicas correlacionadas com a qualidade fisiológica, permite a eliminação de sementes indesejáveis, o que faz aprimorar a qualidade de um lote. Diante do fato de que sementes de baixa qualidade poderão influenciar decisivamente no estande inicial, vigor das plantas e conseqüentemente na produtividade de uma lavoura, objetivou-se, com este trabalho, avaliar o acúmulo de fitomassa das plântulas de mamoneira produzidas por sementes em diferentes estádios de maturação e semeadas em diferentes profundidades. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em casa de vegetação da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB, no período compreendido entre novembro de 2006 e fevereiro de Adotou-se delineamento em blocos ao acaso com quatro repetições. O experimento consistiu de uma combinação fatorial de duas cultivares de mamona (BRS Nordestina e BRS Paraguaçu), quatro classes de sementes provenientes de racemos colhidos em diferentes estádios de maturação e separadas pela cor do tegumento (pretas, bronzeadas, avermelhadas e amareladas) e quatro profundidades de semeadura (2; 4; 6 e 8 cm). A cor do tegumento está associada ao grau de maturação e Severino et al. (2007) comprovaram que as sementes de mamoneira das cultivares BRS Nordestina e BRS Paraguaçu de coloração mais claras, são sementes imaturas (Figura 1). Em baldes de polietileno de cor preta, foi depositado solo de textura arenosa acrescido de 5% de esterco bovino e colocadas 6 sementes dispostas nas profundidades desejadas. Aos 15 dias após a emergência procedeu-se o desbaste, deixando apenas uma planta por vaso. As profundidades de semeadura foram obtidas perfurando-se o solo com um bastão previamente marcado aos 2, 4,6 e 8 cm. Aos 60 dias após a emergência avaliou-se: fitomassa das folhas, fitomassa do caule, fitomassa das raízes e relação raiz/parte aérea. Para obtenção da fitomassa das folhas e do caule, as partes vegetais foram separadas e colocadas para secar em estufa de circulação de ar a 70º C até atingir peso constante. Antes de colocar as raízes na estufa, procedeu-se a lavagem para o desprendimento das partículas de solo.

3 Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e para as variáveis que apresentaram valores de F significativos em nível de 5% de probabilidade foi aplicado o teste de Tukey. RESULTADOS E DISCUSSÃO Houve interação entre os fatores cultivar, classe de sementes e profundidade de semeadura para as variáveis fitomassa da raiz e a relação raiz parte aérea (Tabela 1). Sabendo-se que para estas variáveis os fatores atuaram em conjunto e por ser uma interação de segunda ordem, fica evidente a complexa interpretação biológica, optando-se pelo não desdobramento dos fatores. Não houve efeito isolado para as variáveis fitomassa das folhas, fitomassa da raiz e para a relação raiz/parte aérea, apenas a fitomassa do caule sofreu a influência da classe de semente. Constata-se na Tabela 2, que as plantas produzidas pela classe de sementes amareladas se diferenciou das demais ocasionando menor acúmulo de massa seca do caule, representando um decréscimo de 25% em relação às plantas produzidas por sementes que atingiram a maturidade (sementes pretas). De acordo com Lopes et al. (2005) a fitomassa seca da planta é um importante parâmetro na avaliação do crescimento, pois sua determinação adequada durante o ciclo da cultura possibilita estimar o crescimento e desenvolvimento das plantas. Embora o acúmulo de fitomassa do caule obtido nas classes de sementes pretas, bronzeadas e avermelhadas não tenham apresentado diferença entre si, é observada uma tendência a redução destes valores nas sementes com menor grau de maturação. Silva et al. (2007) citam que ao utilizar sementes de baixa qualidade fisiológica pode-se afetar a produtividade de três maneiras: com a redução do número de plantas; obtendo-se plantas pouco vigorosas e plantas de baixa produção. CONCLUSÃO As plantas produzidas por sementes com tegumento de coloração amarelada podem ocasionar decréscimo de até 25% no acúmulo de fitomassa, quando comparadas àquelas produzidas por sementes que atingiram a maturidade fisiológica, sementes com tegumento de coloração preta. Em material do solo de natureza arenosa, independente da profundidade de plantio (2,0 a 8,0 cm), cultivar e do tipo de semente (cor do tegumento), não houve efeitos significativos no crescimento inicial da mamoneira.

4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARVALHO, N. M. de.; NAKAGAWA, J. Sementes: ciência, tecnologia e produção. 4. ed., Jaboticabal: Funep, LOPES, J. S.; DOURADO NETO, D.; MANFRON, P. A.; MEDEIROS, S. L. P.; BRUM, B.; COUTO, M. R. M. Ajuste de modelos para descrever a fitomassa seca da parte aérea da cultura do milho em função de graus-dia. Revista Brasileira de Agrometeorologia, Santa Maria v. 13, n. 1, p , MARCOS FILHO, J. Fisiologia de sementes de plantas cultivadas, Piracicaba: Fealq, Biblioteca de Ciências Agrárias Luiz de Queiroz, p. QUEIROGA, V. de P.; BELTRÃO, N. E. de M. Produção e Armazenamento de sementes. In: AZEVEDO, D. M. P. de; BELTRÃO, N. E. de M. (Ed.).O agronegócio da mamona no Brasil, 2. ed, Campina Grande: Embrapa Algodão, Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, cap 16, p SANTOS NETO, A. L. dos.; SANTOS, D. C. dos.; VILELA, F. de L.; OLIVEIRA, L. M. de.; CARVALHO, M. L. M. de. Avaliação da qualidade de sementes de mamona classificadas em mesa densimétrica. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE MAMONA 2, 2006 Aracaju-SE. Anais...Campina Grande: Embrapa Algodão, CD-ROM. SEVERINO, L. S.; BELTRÃO, N. E. de.; LUCENA, A. M. A. de.; FREIRE, M. A. de O.; SAMPAIO, L. R. Como definir o ponto de colheita da mamona. Campina Grande: Embrapa Algodão, Folder.

5 Tabela 1. Resumo das análises de variância da fitomassa das folhas, do caule, da raiz e relação Raiz/Parte aérea em função dos tratamentos. Campina Grande-PB, Quadrado médio Fitomassa Fitomassa do Fitomassa da Raiz/Parte GL F.V. folhas caule raiz aérea Bloco ns ns ns ns Cultivar (Cv) ns ns ns ns Profundidade (P) ns ns ns ns Classe (Cl) ns * ns ns Cv x P ns ns ns ns Cl x P ns ns ns ns Cv x Cl ns ns ns ns Cv x P x Cl ns ns * * Resíduo CV% 24,58 27,58 30, * significativo em 5% de probabilidade; ns não significativo Tabela 2. Fitomassa do caule (g) em função da classe de semente. Campina Grande-PB, Classe de semente Fitomassa do caule Preta 7,31 A Bronzeada 7,06 A Avermelhada 6,72 A Amarelada 5,52 B Médias seguidas pela mesma letra não diferem estatisticamente. Figura 1. Sementes de mamona (Cultivares BRS Nordestina e BRS Paraguaçu) separadas pela cor do tegumento.

6 Figura 2. Mamoneira (BRS Nordestina e BRS Paraguaçu) originadas de sementes em diferentes estádios de maturação. Plantas aos 20 dias após o semeio. Campina Grande, PB

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