A Rotina de Atualização na TV Uol: Produção, Participação e Colaboração 1. Thais CASELLI 2. Iluska COUTINHO 3

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1 A Rotina de Atualização na TV Uol: Produção, Participação e Colaboração 1 RESUMO Thais CASELLI 2 Iluska COUTINHO 3 Universidade Federal de Juiz De Fora, Juiz de Fora, MG Este trabalho verifica como é a rotina de publicações da TV Uol, abastecida por vídeos provenientes de participação popular, colaboração de outros veículos e produção própria.o objetivo do estudo é iniciar uma aproximação empírica, funcionando como pré-teste de uma pesquisa mais ampla que propõe-se a investigar a construção de formatos específicos de material audiovisual jornalístico para as chamadas CiberWebTVs, mídia originada a partir da convergência entre televisão e internet. PALAVRAS-CHAVE Webjornalismo audiovisual, jornalismo online, TV Uol. INTRODUÇÃO O advento da internet modificou a relação entre público, mídia e conteúdo, expandindo as práticas jornalísticas e, dessa forma, proporcionando aos meios de comunicação a chance de pensarem além de suas antigas limitações físicas e/ou estruturais. No que compete ao jornalismo online, a convergência midiática, entendida como o ponto de encontro entre diferentes formas de comunicação, exigiu a criação de novos formatos que levassem em consideração as características e potencialidades da web. E, assim como o texto e fotografia jornalística sofreram transformações quando 1 Trabalho apresentado no GT de Jornalismo no XVII X Encontro Regional de Comunicação realizado de 12 a 14 de dezembro de Estudante de graduação do 8º período de Comunicação Social da UFJF. 3 Orientadora do artigo. Jornalista diplomada, doutora em comunicação, professora do curso de jornalismo da FACOM UFJF e coordenadora do programa de pós-graduação em comunicação da UFJF,

2 ingressaram no universo online, os recursos audiovisuais passaram por adaptações a fim de atender as necessidades do webjornalismo. Propostas por Marcos Palácios (2002), a partir de autores como Deuze, Canavilhas e Elias Machado, as características diferenciais do jornalismo online são: convergência midiática, interatividade, hipertextualidade, personalização de conteúdo, memória e armazenamento de informações e atualização contínua das informações. Muitos jornais impressos, portais, emissoras de rádio e de televisão passaram a oferecer o que vem sendo conceituado como webjornalismo audiovisual. A partir da criação de páginas especiais para vídeos ou das popularmente chamadas WebTVs, as empresas de comunicação produzem material noticioso em vídeo, baseados em produtos do telejornalismo. Para Oswaldo Ribeiro (2006, p.30), todo este cenário propicia o aparecimento do telejornalismo online, ou seja, com estruturas de televisão montadas num novo suporte, a Web. Mas, por ainda ser visto como uma forma complementar de conteúdo, o webjornalismo audivisual ainda não recebe o investimento técnico, e teórico, necessário para seu pleno desenvolvimento. Por isso, os veículos utilizam colaboradores para garantir uma oferta de vídeos mais densa e diversificada. Essa colaboração é feita por agências de notícias, veículos de comunicação e público. Para as mídias online, essa participação aumenta e ganha destaque no cenário jornalístico. Partindo dessas perspectivas e tendências, o presente trabalho se propõe a analisar como é a rotina de publicações da TV Uol 4. Para tanto, monitoramos os vídeos postados pela TVUol durante o dia 12 de novembro de 2012, segunda-feira, de 8h às 22h. Estabelecemos esse recorte por entender que se fez necessário acompanhar a programação do veículo em tempo real. 4

3 Esta pesquisa integra um estudo maior sobre a construção de formatos específicos de material audiovisual jornalístico para as chamadas CiberWebTVs, mídia originada a partir da convergência entre televisão e internet. Dessa forma, os dados e considerações gerados por este trabalho servem como ponto de partida para o aprofundamento do tema. WEBJORNALISMO AUDIOVISUAL: CONCEITO EM DESENVOLVIMENTO Por ser um formato ainda em desenvolvimento, ainda não é consenso no mundo acadêmico qual a forma mais adequada para nomear o que entende-se por televisão na internet. De maneira geral, o chamado webjornalismo audiovisual, que compreende todo o material audiovisual produzido e /ou exibido na internet, tem sido o mais convencional. Mas o novo formato ainda não possui padrões bem delineados, como argumenta Antônio Brasil (2002): (...) se tudo vai ser diferente, e já que esse novo meio não é rádio na rede, também não é televisão na internet, mas um meio e uma linguagem totalmente novos, como vamos chamá-lo? Seria talvez o inicio de uma tetecom, telenet ou uma Web TV? (BRASIL, 2002, p.55) O termo telejornalismo on-line gera discussão porque a palavra telejornalismo compreende o que é transmitido pelo aparelho de TV. Mielniczuk (2001)recupera os trabalhos de Murad (1999) e Canavilhas (2001) para quem a nomenclatura encontra-se relacionada com o suporte técnico: para designar o jornalismo desenvolvido para a televisão, utilizamos telejornalismo; o jornalismo desenvolvido para o rádio, chamamos de radiojornalismo; e chamamos de jornalismo impresso àquele que é feito para os jornais impressos em papel. Porém o termo poderia ser adequado, de acordo com Leila Nogueira (2004, p.3)

4 se considerássemos que o prefixo tele está associado à idéia de distância presente na sua origem grega e consolidada a partir da popularização das telecomunicações. Mesmo assim, a autora considera que não haveria como diferenciar de imediato o material noticioso audiovisual dos outros conteúdos informativos existentes nas redes telemáticas. Por isso, ela adota a terminologia jornalismo audiovisual on-line e define-o como aquele que utiliza formatos de notícia com imagem em movimento e som como elementos constitutivos do produto disponibilizado nos bancos de dados da web ou veiculado através deste suporte de abrangência mundial (NOGUEIRA, 2004, p.3). O fato de os próprios veículos se referirem como TV e a semelhança de formato entre os vídeos feitos para esse suporte e aqueles exibidos pelas emissoras de televisão torna a questão mais específica quanto ao que está sendo analisado. Para Amaral (2007) a utilização do vídeo na Web marca o início da migração das redes e emissoras de televisão para o espaço virtual, dando origem às WebTV se CiberWebTV se ao Webtelejornalismo: Classificamos como WebTVs as emissoras de TV convencionais que disponibilizam seus sinais também via Web; e como CiberWebTVs canais de televisão que existem somente no universo virtual, ou seja, são concebidos, produzidos e transmitidos apenas pela Web. (AMARAL, 2007, p.2) Levando em consideração a semelhança entre o formato do material audiovisual jornalístico utilizado na web e na televisão e a nomenclatura adotada pelos próprios veículos, utilizaremos o conceito de CiberWebTvs. CARACTERÍSTICAS DO JORNALISMO ONLINE

5 Por produzirem conteúdo exclusivamente para a Internet, as CiberWebTVs podem explorar melhor as possibilidades do meio e aumentar sua produção de conteúdo. A Interatividade é a primeira das características do jornalismo online. Neste aspecto, Bardoel e Deuze (2000) consideram que a notícia online possui a capacidade de fazer com que o leitor/usuário sinta-se parte do processo, através de, por exemplo, troca de s entre leitores e jornalistas, disponibilização da opinião dos leitores - como é feito em sites que abrigam fóruns de discussões-, ou por meio de chats com repórteres. Para Brasil, o telejornalismo online é um jornalismo alternativo que expande as possibilidades interativas. Trata-se de uma linguagem experimental que procura oferecer uma alternativa aos meios existentes. (...) Buscamos na Internet uma interatividade e uma participação do público que jamais encontramos na velha TV. (BRASIL, 2002, p.10) Outra característica é a Customização do conteúdo/personalização. Ela consiste na existência de produtos jornalísticos configurados de acordo com os interesses individuais do usuário. Já a Hipertextualidade, apontada como específica da natureza do jornalismo online, traz a possibilidade de interconectar textos através de links. Bardoel e Deuze (2000) chamam a atenção para a possibilidade de, a partir do texto noticioso, apontar para outros textos como originais de releases, outros sites relacionados ao assunto, material de arquivo dos jornais, textos que possam levantar os prós e os contras do assunto em questão, entre outros. A Multimidialidade/Convergência trata da convergência dos formatos das mídias tradicionais (imagem, texto e som) na narração do fato jornalístico. O quesito

6 Memória, estudada por Palácios (1999), aponta para o fato do acúmulo das informações ser mais viável técnica e economicamente do que em outras mídias. Por último, a Instantaneidade/Atualização Contínua. Palácios (2000), afirma que a rapidez do acesso, combinada com a facilidade de produção e de disponibilização, propiciadas pela digitalização da informação e pelas tecnologias telemáticas, permitem uma extrema agilidade de atualização do material nos jornais da Web. TV UOL A TV Uol está no ar desde o dia 04 de junho de 1997 e é o primeiro canal feito e veiculado exclusivamente pela Internet. O veículo pertence ao Universo Online, portal lançado em abril de 1996 e que até 2003 funcionou como resultado de uma associação entre o Grupo Folha e o Grupo Abril. Em 2004 a TVUol começou a investir na cobertura esportiva, principalmente futebol. O conteúdo é disponibilizado ondemand 5. Nos termos desse texto é relevante abordar a origem do conteúdo disponível em vídeo e, nele, a possibilidade de participação do público. A TVUol publicou, entre no dia 12 de novembro, no período de 8h às 22h, 303 vídeos. Para esta análise, foram classificadas três formas de origem do conteúdo veiculado. A primeira, diz respeito ao conteúdo que carregam a logomarca da Uol, compreendendo todos os vídeos produzidos, gravados e editados pela empresa. Em seguida, há a categoria Público, que reúne os vídeos enviados por assinantes da Uol, livremente, sobre qualquer assunto. 5 No formato ondemand, todo material audiovisual - programas, vídeos, notícias, trailers, etc fica arquivado no site, disponível para ser visto no momento em que for mais oportuno para o internauta. Neste caso, poderíamos falar de um novo formato. Palacios (2003) cita a distinção de Dominique Wolton (WOLTON, 1999a:85), segundo o qual os meios tradicionais (rádio, TV, impresso) funcionam através de uma lógica da oferta seguindo modelo de emissão de mensagens (Um Todos) e uma lógica de demanda, que caracteriza as Novas Tecnologias de Comunicação (NTC) e funcionam por disponibilização e acesso (modelo Todos-Todos).

7 Por último, há os vídeos dos colaboradores. Nesta categoria, há diversos canais de televisão, agências de notícias e portais que disponibilizam seu conteúdo na homepage da TvUol. Tabela 1 Origem dos vídeos Origem Quantidade Porcentagem Uol 30 10,23% Colaboradores ,64% Público 64 21,12% Total % A TvUol divide seu conteúdo por canais, utilizados como editorias para organizar a publicação dos vídeos. No dia analisado, o Uol Esporte foi o que mais registrou postagens, seguido por Uol Jogos e Uol Notícias, conforme tabela abaixo: Tabela 2 Distribuição de vídeos nos canais da TV Uol Canal Quantidade de vídeos Uol Esporte 13 Uol Jogos 8 Uol Noticias 7 Uol Música 1 Uol Host 1 Por meio das tabelas é possível visualizar algumas realidades da TV Uol. A primeira diz respeito ao peso da contribuição dos colaboradores para a atualização constante do canal, feita praticamente a cada minuto. Tal situação oferece agilidade e instantaneidade ao internauta. Porém, não podemos dizer que o volume de publicações garante que o navegante esteja, de fato, se informando. Há diversos colaboradores postando vídeos dos mais variados assuntos em uma mesma hora. Dessa forma, o excesso de atualização pode contribuir para o consumo rápido de notícias sem aprofundamento e reflexão do usuário da web.

8 Outra realidade verificada é que a participação popular também se destaca e contribui para a atualização do site. A interatividade, neste caso, faz do internauta um efetivo produtor de conteúdo do canal. Mais uma vez, deve-se ponderar que o número não mostra que conteúdo é este. Por semana, a Uol publicou, em média, seis vídeos por dia. Se levarmos em consideração que a Uol é um portal de notícias online e seu material de trabalho principal não é o vídeo, observaremos que a produção desde recurso no veículo pode ser considerado alta. Os números indicam ainda que o veículo analisado concentra sua produção, principalmente, nos canais de esporte e jogos. Essas duas modalidades podem ser consideradas editorias próximas ao campo de entretenimento, tornando necessárias análises futuras mais aprofundadas. CONSIDERAÇÕES A produção de conteúdo audiovisual para web encontra o ambiente propício para sua expansão. O crescimento ao acesso à internet banda larga, o barateamento de recursos tecnológicos e a criação de espaços virtuais específicos para abrigar vídeos estimula o webjornalismo audiovisual. Pelos dados apresentados nesta pesquisa, podemos perceber que este tipo de produção é relevante entre os internautas. Os números demonstram que uma parcela considerável do conteúdo é feita pelo público, potencializando o recurso da interatividade. Em um dia, mais de trezentos vídeos foram postados, atualizando o veículo praticamente de um em um minuto. Deve-se ponderar, no entanto, que grande parte deste conteúdo não é feito pela Uol, mas por colaboradores que disponibilizam o

9 mesmo conteúdo para diversas mídias. Isso mostra que as webtvs configuram mais como um lugar para reunir conteúdo, do que um veículo pronto para ser independente. Dessa forma, o webjornalismo audiovisual encontra dificuldades para desenvolver sua linguagem própria. As CiberWebTVs podem estar iniciando um novo processo de praticar, entender e consumir Jornalismo audiovisual e internet. Entre o formato jornalístico de um e as características do outro, observamos que ainda é preciso evoluir determinados pontos no que diz respeito à organização e demanda de produção para que essa "nova mídia" encontre seu caminho. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARAL, Neusa Maria. Televisão e Telejornalismo: modelos virtuais. Trabalho apresentado em XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, em Santos, 29 de agosto a 2 de setembro de AMARAL, Neusa Maria. Televisão e Telejornalismo Do analógico ao Virtual. Tese de Doutorado da Universidade de São Paulo, BRASIL. Antônio Carlos. Convergência Midiática: A TV e os telejornais se encontram na internet. BRASIL, AntônioCarlos. Telejornalismo on-line em debate. Rio de Janeiro: E-Papers, MIELNICZUK, Luciana. Características e implicações do jornalismo na Web. Trabalho apresentado no II Congresso da SOPCOM, Lisboa, em NOGUEIRA, Leila. Reflexões preliminares sobre o uso do vídeo na produção jornalística da web. Trabalho apresentado no VI Encontro de pesquisadores em jornalismo - SBPJor USP, novembro/2009. NOGUEIRA, Leila. O jornalismo audiovisual online e suas fases na web. V CongresoIberoamericano de Periodismo en Internet UFBA, 24 e 25 de novembro de NOGUEIRA, Leila. O webjornalismo audiovisual: uma análise de notícias no UOL News e na TV UERJ Online. Dissertação de Mestrado em Comunicação e Culturas Contemporâneas, 2005.

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