Educação, revoluções e seus direitos

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1 Educação, revoluções e seus direitos

2 ISBN Índios isolados do estado de Acre, apontando flechas ao verem helicóptero, Foto de Gleison Miranda.

3 2011 Instituto de Tecnologia Social ITS BRASIL SESC SP Douglas F. Barros Silvio Carneiro Revoluções e Direitos Humanos: Educação, revoluções e seus direitos páginas seguintes: As formas severas. Me. Poirier de Dunkerque, French Political Cartoon Collection/Library of Congress

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5 Desde o momento em que nascemos, temos direitos: saúde, moradia, educação, uma alimentação adequada, trabalho, ter uma renda suficiente, entre outros requisitos básicos para viver com dignidade. Eles fazem parte da nossa legislação e são inegociáveis. As pessoas e comunidades, historicamente, têm se organizado em movimentos, fóruns, associações, sindicatos etc. para lutar e fazer com que esses direitos aconteçam na prática, não fiquem só no papel. Às vezes pode parecer que, nessa luta, os direitos de diferentes grupos entram em conflito. De fato, a convivência humana é cheia de conflitos e, muitas vezes, eles podem levar a atos de desespero, intolerância, violência e uma sensação de incapacidade para solucionar os problemas que afetam as pessoas naquilo que é mais fundamental a elas. Conhecer os direitos humanos e estar preparado para buscar soluções para os conflitos que podem ser mediados, com base no diálogo, respeito, tolerância e solidariedade, são ferramentas poderosas de cidadania. * Douglas F. Barros Silvio Carneiro Revoluções e Direitos Humanos: Educação, revoluções e seus direitos Caderno de apoio para o curso * Disponível em: Acessado em: 10/02/2011.

6 Revoluções Danilo Santos de Miranda Diretor Regional do SESC São Paulo Se, à exceção das ditaduras, a política não inspira mais a mobilização popular, à qual revolução aspiramos no século XXI? O que levaria a um engajamento contra a descrença e o ceticismo com as instituições e a coisa pública? No Brasil, onde a democracia tem garantido eleições livres há pouco mais de duas décadas, ainda nos falta fazer a revolução do conhecimento contra a ignorância. Aquela que transformaria radicalmente as perspectivas de desenvolvimento de nosso país e a vida de cada cidadão, em particular, descartando, por exemplo, o analfabetismo funcional que assola 20,3% de nossa população. Cabe-nos realizar a revolução da cultura, com ações voltadas diretamente à valorização e ao acesso aos bens culturais, sejam eles produzidos no Brasil, tenham sido eles acumulados pela humanidade. Uma revolução cultural em que a estratégia fosse Protesto de mulheres, Petrogrado, Foto de Mark Steinberg.

7 livrar, tanto de preconceitos quanto de estereótipos, as culturas popular e erudita, material e imaterial, fazendo-as chegar às pessoas, de modo que estas pudessem apreciar, criar sobre e fruir bens que lhes pertencem. A revolução da ética, da qual igualmente necessitamos, nos livraria de intermediários, atravessadores, dubiedades e qualquer ordem de relações escusas, garantindo-nos maior seriedade, auto-estima e certeza de que o esforço cotidiano no sentido de fazer o que é certo, honestamente, não é uma batalha perdida, uma tentativa vã. Juntas, essas revoluções nos assegurariam a liberdade. Ultrapassaríamos o impasse existente entre o individualismo vil e a tirania do coletivismo. Abandonaríamos a prisão dos autoritarismos de esquerda e de direita. Deixaríamos de consentir com a unanimidade, que tantas vezes nos ilude e conduz ao erro. Voltaríamos, pois, a pensar na política, libertos da apatia. O projeto Revoluções, realizado em parceira pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, pelo Instituto de Tecnologia Social (ITS BRASIL), Boitempo Editorial e pelo SESC São Paulo coloca em xeque a relação entre alguns movimentos que uniram pessoas e transformaram realidades ao longo da história e a luta pelos direitos humanos, tendo como panorama a representação desses processos no cinema e na fotografia. Para o SESC São Paulo, trata-se da oportunidade de refletir sobre o passado e, sobretudo, sobre o quanto nos engajaremos em um futuro mais próspero e digno para todos. Projeto Revoluções Coordenação do projeto Qual o significado da palavra revolução? Se acrescentarmos o adjetivo social, o que a expressão revolução social, hoje, pode significar para nós? Passado o bicentenário de comemoração da Revolução Francesa e passado o breve século das revoluções marxistas, o que nos resta desses eventos históricos? Lembremos como Rússia, Hungria, México, China e tantas outras revoluções tiveram seus dias contados. E mesmo Cuba parece anunciar o final de uma era. Ainda assim, a palavra revolução não deixa de povoar o imaginário contemporâneo, sendo evocada para provocar e trazer à tona questões cruciais de uma sociedade em conflito e transformação. Contudo, o projeto não visa à simples propagação das posições revolucionárias de outra hora, mas procura pensar uma questão essencial para os nossos dias: Viver e educar para qual sociedade?

8 É com essa perspectiva que o projeto Revoluções: Educação, História, Direitos Humanos, Cinema e Fotografia será desdobrado, de março a julho de 2011, em um curso, um seminário, oficinas, apresentação teatral, exibição de filmes, exposição de fotos e um site. O conjunto de nossas atividades está pensado a partir de dois temas: os direitos humanos e o embate entre arte e política. Duas frentes que estão intimamente ligadas à ideia de uma revolução que não se reduz a um ato de transformação política, social, filosófica ou formal, mas sim produz uma revolução humana. A promessa da construção de novas formas de estar no mundo e de expressá-lo, uma nova vida para indivíduos e para a comunidade em uma revolução vivida que se torna uma arte de viver. Revoluções, Resistência e Reinvenção Instituto de Tecnologia Social Its Brasil As crises costumam ser a manifestação de momentos de desequilíbrio, quando se faz necessário apontar novos caminhos. No que diz respeito à democracia, dois fenômenos contraditórios marcam o início do século XXI. As instituições encarregadas da representação parecem esvaziadas. Embora continue havendo diferenças importantes entre governos e partidos, o leque de políticas consideradas possíveis aparece-nos como estreitado. Não havendo escolhas reais, os cidadãos parecem não se sentir representados. Ao mesmo tempo, outra cultura política emerge. Multiplicam-se as iniciativas de cidadãos que se articulam para alcançar, por meio de sua própria mobilização, objetivos comuns. A preservação da natureza (ou de uma espécie particularmente ameaçada); a garantia dos direitos humanos vistos em sua acepção mais ampla (ou, por exemplo, os direitos ameaçados

9 de um grupo muito específico); a promoção de formas alternativas de produzir, circular e trocar riquezas. É como se, desencantados com o antigo padrão de democracia que implicava uma transferência das decisões para os eleitos, os seres humanos procurassem alcançar, eles mesmos, os objetivos que julgam justos e relevantes. Coloca-se então a questão: onde se encontram hoje, em nossa sociedade, as forças e estruturas capazes de dar sentido e legitimar o espaço de construção política, quando o sentimento de desencanto e de esgotamento das formas tradicionais de produção e exercício do poder parece imperar? Como reencantar a política? Por que a discussão sobre a coisa pública parece esvaziada, reduzindo-se a questões administrativas, e encontrando imensa dificuldade em mobilizar para a construção coletiva de um destino comum? Tomar essa discussão a partir do tema revoluções tem uma grande vantagem, que vai além de uma questão meramente histórica. Os momentos de revolução caracterizam-se, sem dúvida, por mudanças rápidas e profundas de certo estado de coisas. Isso, numa visão de conjunto. Se nos aproximarmos das pessoas, veremos que são momentos em que um profundo arrebatamento por uma vontade de liberdade, um entusiasmo e um sentimento de que as ações participam da construção da história são evidentes. Quer dizer, são momentos de grande encantamento pelas grandes causas públicas, quando cada ato se vê embebido em um sentido pleno. Assim, compreendemos que a mais importante conquista das revoluções está no direito das sociedades de não ser espectadoras de seu destino; mas a participar, ativamente, de sua construção. Sob este escopo, nos colocamos algumas questões: Como pensar os valores fundantes da ordem social contemporânea? Que lugar têm os Direitos Humanos hoje na construção de um projeto coletivo de liberdade universal e de um viver em comum digno e justo, desde o âmbito local até o planetário, quando se completam 222 anos da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (e após 62 anos da Declaração dos Direitos Humanos Universais pela ONU)? Quais os meios para se reinventar e ressignificar as estruturas políticas institucionalizadas, de modo que o Estado possa de fato ser o representante de um projeto de nação? Como pensar hoje a relação entre sociedade civil e Estado? Como ampliar os espaços de participação política para que as pessoas sintam estes espaços como legítimos para os seus anseios de realização enquanto seres humanos? Esperamos que o Projeto Revoluções, que o Instituto de Tecnologia Social ITS Brasil, em parceria com a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República; o Serviço Social do Comércio do Estado de São Paulo e a Boitempo Editorial trazem ao público, possa ser um momento importante de contribuição para pensarmos os desafios políticos que estão postos nesta que parece ser uma questão política essencial: o que desejamos construir em comum? Enfim, como viver junto? Bom trabalho a todos!

10 Pela memória coletiva dos povos Boitempo Editorial As revoluções nunca se repetem, cada qual é uma invenção, uma criação do povo oprimido que se revolta. Por mais que se possa aprender, se inspirar com as anteriores, sempre há um processo de inovação que é imprevisível. Michael Löwy, em entrevista para a revista Caros Amigos, dezembro de 2007 Criada em 1995, a Boitempo se firmou no mercado editorial brasileiro produzindo obras de qualidade, com um catálogo consistente e opções editoriais claras. Preocupada com a reflexão política e a difusão cultural para além das ações restritas ao mundo dos livros, a editora consolidou ao longo de seus 16 anos de existência uma tradição em promover eventos condizentes com o espírito crítico de suas publicações. Desde o lançamento da edição brasileira de Revoluções (2009), coletânea de ensaios e documentos fotográficos de inestimável valor, organizada por Michael Löwy, a Boitempo vem buscando formas de intensificar o debate acerca das revoluções socialistas que impulsionaram nossa história, suas conquistas e derrotas. Por esse e outros motivos, a editora abraçou com entusiasmo esse grande projeto, em parceria com ITS e SESC. Assembleia na Vila Euclides, São Bernardo do Campo. 1 de maio de Foto de Ricardo Alves.

11 As revoluções determinam mudanças fundamentais na política, na economia e na cultura, perpetuando um legado de esperança entre os mais diversos povos. Diante disso, nada é mais necessário para destruir os mitos sobre formas naturais e absolutas da sociedade do que revisitar os precedentes históricos que marcaram os séculos passados e o início do atual, como a recente convulsão árabe. Adentrar na memória coletiva dos oprimidos, dos explorados e dos trabalhadores é se fazer inteiro no mundo em que vivemos, um dever de cada um e de todos que almejam mudanças. Ambicioso, o Projeto Revoluções contribui para o fortalecimento das discussões acerca da importância dos levantes populares ao abordar o tema em multimídias, com a exibição de fotografias, filmes, videoconferências com renomados especialistas, cursos, lançamentos de livros e palestras sobre a história e os desafios de nosso tempo. Esperamos que os registros aqui apresentados iluminem a reflexão em torno dos rumos tomados pela humanidade e inspirem a transformação social. Pai e filho na Rocinha, Rio de Janeiro. Foto André Cypriano.

12 Sumário 01 O curso Revoluções e Direitos Humanos: Educação, revoluções e seus direitos no Projeto Revoluções 07 Os palestrantes 09 Direitos Humanos e Atualidade 23 Revoluções e Seus Direitos 41 Direitos e desejos 57 Direitos Humanos, Instituições e Educação 69 Imaginário, Futuro e Utopia 83 Bibliografia geral do curso 87 Ficha de avaliação Revoluções

13 O curso Revoluções e Direitos Humanos: Educação, revoluções e seus direitos no Projeto Revoluções Comissão Organizadora Prezados, O curso Revoluções e Direitos Humanos: Educação, revoluções e seus direitos pretende realizar uma investigação crítica sobre a nossa compreensão deste tema na atualidade. Seu objetivo é justamente apontar os limites que envolvem a ideia de que os princípios dos direitos humanos, por defenderem as mais nobres causas em favor da vida humana, são uma força de contenção suficiente contra a opressão, em seus mais diversos níveis e modalidades. O marco a partir do qual pensamos os direitos humanos se pauta por sua relação com as revoluções. Desde seu surgimento na Revolução Francesa, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Cidadão, os direitos humanos sempre estão misturados com estes momentos históricos que levaram a humanidade às transformações econômicas, Assembleia na Vila Euclides, São Bernardo do Campo. 1 de maio de Foto de Ricardo Alves. 1

14 jurídicas ou culturais. Seriam as revoluções modernas porta-vozes dos direitos humanos ou o contrário? Dúvidas como esta justificam este curso no coração do Projeto Revoluções, que busca redefinir este termo um pouco usurpado com tantos anos de ideologias anticíclicas, que não tinham mais a oferecer do que a dura retórica de que a história chegava a seu fim. Contrariando este pensamento, a associação proposta entre Revoluções e Direitos Humanos busca lembrar os diversos paradoxos que herdamos até então. Uma posição que nos exige uma profunda reflexão para pontuarmos as dimensões reais destes termos aparentemente desgastados. O curso vai aprofundar o tema tanto em uma perspectiva histórica quanto para entender as implicações filosóficas, antropológicas e jurídicas que o envolvem. Para tanto, se divide em quatro unidades. A primeira delas vai embrenhar-se na relação entre os direitos humanos e as revoluções. Investigaremos em que sentido as grandes transformações sociais trazem em seu bojo demandas por justiça e alteração nas relações dos homens entre si e destes com as instituições sociais em geral. A segunda unidade tratará da relação entre Desejos e Direitos. Acima mencionamos que a versão moderna dos direitos humanos estava relacionada com a historicização das leis e dos princípios fundadores do direito. Isto quer dizer que em vez de pensarmos que os direitos humanos são a expressão de princípios atemporais, imutáveis, devemos pressupor que eles expressam nossos mais profundos desejos de realização da autonomia. Nesse sentido, os direitos humanos não podem ser pensados em separado da noção de sujeito e da perspectiva de que este é construído e reconstruído historicamente, e que a expressão da subjetividade nos direitos envolve uma dimensão da experiência humana além da materialidade, isto é, a linguagem, os universos simbólico e dos sonhos. Ao trabalharmos os Mecanismos dos Direitos Humanos, na terceira unidade, investigaremos o que pode tornar esses direitos concretizados. O principal objetivo aqui é mostrar que sem instituições e programas dedicados a essa causa e dispostos a se empenhar para realizar os princípios mencionados acima, toda a retórica em favor dos direitos humanos corre o risco de se tornar vazia e sem sentido para os indivíduos que realmente sofrem as consequências da opressão. Nesta parte daremos especial atenção para a educação. Na quarta unidade, o objetivo é pensar os direitos humanos sob a relação entre Imaginário, Futuro e Utopia. Que horizonte a defesa e o pensamento sobre os direitos humanos nos reservam? A incorporação de práticas de violência contra seres humanos como instrumento de manutenção do poder político por democracias supostamente impermeáveis aos dispositivos de governos autoritários torna cada vez mais sombria a perspectiva de realização dos direitos humanos. Além disso, notamos um desenvolvimento científico e tecnológico que fornece novos patamares para se repensar o que é afinal de contas o humano e seus direitos. Novas crises, novas demandas, qual seria o horizonte utópico que os direitos humanos têm a nos oferecer? Com a intenção de aprofundarmos o debate, preparamos esta sequência de textos. Pequena série de Revoluções 3

15 ensaios provocativos que não pretendem esgotar o debate, mas fornecer elementos para este, munindo o aluno com Declarações, Leis e Ensaios, próximos aos temas do curso. Elementos que também estarão disponíveis no site Por fim, gostaríamos de agradecer a presença de vocês e, na esperança de conduzir um bom processo, obter o retorno de suas expectativas através do questionário, pelo qual avaliaremos as potencialidades de nosso curso. Bem-vindos e bom curso! Os palestrantes Prof. Costas Douzinas Professor de Direito e diretor do Instituto de Ciências Humanas de Birkbeck na London University; professor visitante nas Universidades de Atenas, Paris, Tessalonica e Praga. Em 1998, foi professor visitante na Universidade de Princeton e na Escola de Direito de Cardozo. Em 2002, foi pesquisador visitante nas Universidades de Griffith, Pequim e Nanquim. Conhecido por seu trabalho em direitos humanos, estética, jurídica pós-moderna, teoria e filosofia política, fez parte da equipe que criou a Escola de Direito de Birkbeck. Em 1997 foi premiado com a bolsa Jean Monnet pelo Instituto Europeu de Florença. Prof. Alysson Leandro Barbate Mascaro Professor da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e dos cursos de Mestrado e Doutorado em Direito Político e Econômico e da Graduação em Revoluções 5

16 Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É Professor Livre-Docente em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo, com a tese Da ontologia jurídica da utopia: Ernst Bloch, esperança e direito. Membro do Conselho Pedagógico da Escola de Governo USP. Publicou Utopia e Direito Ernest Bloch e a Ontologia Jurídica da Utopia, Crítica da Legalidade Jurídica e do Direito Brasileiro. Profa. Olgária Matos Bacharel em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1970), mestre em Filosofia Université Paris 1 (Panthéon-Sorbonne) (1974) e doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo (1985). Atualmente é professora titular da Universidade de São Paulo e professora visitante do curso de Filosofia da Universidade Federal de São Paulo. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente nos seguintes temas: tempo, filosofia, razão, democracia e história. Publicou Benjaminianas: Cultura Capitalista e Fetichismo contemporâneo, Contemporaneidades, Discretas Esperanças: reflexões filosóficas sobre o mundo contemporâneo, Os arcanos do inteiramente outro: A Escola de Frankfurt, a melancolia, a revolução (vencedor do Prêmio Jabuti). Avançados (IEA-USP); atua ainda na área de formação de professores em direitos humanos, com projeto vinculado à Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH); desenvolve projeto de pesquisa sobre Hannah Arendt, modernidade e educação, com financiamento do CNPq. Deputado Federal Paulo Teixeira Deputado Federal reeleito pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e atual líder da bancada de seu partido, Paulo Teixeira foi membro titular da Constituição de Justiça e de Cidadania (2007) e integrou a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de São Paulo (2005/2006). Enquanto Deputado Estadual foi membro da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa ( ). Em 2006, defendeu a dissertação de mestrado em Direito Constitucional pela Faculdade de Direito (USP), com o título O Direito à Moradia na Constituição Brasileira, o Sistema de Garantia na Legislação e a Experiência de São Paulo. Prof. José Sérgio F. Carvalho Pesquisador e professor em programas de graduação e pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP); membro da cátedra USP/Unesco de educação para os direitos humanos e do grupo de estudos em temas atuais de educação, ambos sediados no Instituto de Estudos Revoluções 7

17 I Direitos Humanos e atualidade Revoluções 9

18 Por que os direitos humanos são importantes hoje? O que poderá haver de comum entre os seguintes acontecimentos: a criação das Delegacias da Mulher no Brasil (1986) e o empenho do movimento feminista para fazer valer a lei da violência doméstica contra a mulher a lei Maria da Penha (2006); o movimento da população egípcia para derrubar o ditador Hosni Mubarak (2011); o movimento contra a carestia que, em 1972, conseguiu reunir mais de 1 milhão de assinaturas em pleno período militar no Brasil, contrapondo-se ao desemprego, ao arrocho salarial, e exigindo a realização da reforma agrária; a condenação dos políticos sérvios (a partir de 1996), no Tribunal Penal Internacional, pelos crimes contra a humanidade, ocorridos na guerra da Bósnia ( )? Não importa que sejam eventos ocorridos em países diferentes, épocas distintas, motivações absolutamente diversas. O que há de comum entre eles é que todos diziam respeito à luta de seres humanos oprimidos ou em nome deles, no caso do Tribunal, contra a opressão e a eliminação dos direitos fundamentais de proteção ao indivíduo. Nos eventos citados acima há o esforço de deter e reverter a dominação que mira a eliminação desses direitos e extermínio da própria vida humana. Essas lutas de resistência contra a opressão sem medidas, em todas as suas formas, lugares, matrizes ideológicas e históricas são a causa fundamental da ação de grupos, instituições, Estados e indivíduos a favor dos direitos humanos. Não são poucos os fatos que amparam o historiador Eric Hobsbawm em sua avaliação de que o século XX é a era dos extremos (HOBSBAWM, 1995). A Revoluções 11

19 eficácia das inovações vistas nesse período, se comparadas às de outros do passado, surpreende principalmente se levarmos em conta que foi entrecortado por guerras e revoluções, que provocaram um grau de destruição e de transformações jamais experimentado pela, assim chamada, civilização. Há quem considere que as invenções tecnológicas mais decisivas do século não teriam vingado sem as guerras; muitas sequer teriam sido criadas e/ou aperfeiçoadas o avião, o telefone, a eletricidade etc. Há quem afirme, todavia, que nesse período a tal civilização experimentou os piores horrores da barbárie, causados pelos homens contra os seus próprios semelhantes. O Holocausto, campos de extermínio humano em massa, campos de concentração e trabalho forçado, exploração do trabalho humano, violência contra mulheres e crianças, fome, são os eventos que marcaram a primeira metade do século, mas que foram revividos em outra dimensão em inúmeras guerras, ou fora delas, também na segunda metade. Por isso, um dos extremos que fixaram a identidade do século XX foi o quanto indivíduos foram oprimidos e explorados mundo afora, tanto por governos quanto por organizações políticas estatais ou não estatais, religiosas e até empresariais. De um lado, observam-se nesse período da história maravilhas da criação que elevaram a nossa condição humana e tornaram a vida mais fácil. Por outro, vê-se a exploração humana causada por próprias mãos, engenho e esforço humanos. Se esses eventos são complementares ou contraditórios entre si não podemos responder neste momento. Mas, como afirma Costas Douzinas, o reconhecimento de que o século XX é o século do massacre, do genocídio, da faxina étnica... pode nos levar a entender por que é também a era dos direitos humanos (DOUZINAS, 2009). Por mais que nos pareça paradoxal essa conclusão, é no momento em que constatamos que enormes contingentes de população experimentaram as mais inimagináveis privações, que mais se ouviram falar pomposamente nos direitos do homem, na integridade inviolável da pessoa humana, no direito à vida digna e saudável, no direito à liberdade de pensamento, crença e expressão, entre outros tantos belos temas. O triunfo dos direitos humanos, na acepção de Douzinas, deve-se em parte à emergência destas catástrofes cuja autoria se deve aos próprios homens. Mas por quê? a. Direitos Humanos como punição e freio à barbárie Como definir e pensar os direitos humanos, tomando por base justamente aquilo a que se contrapõe? Em certo sentido, os direitos humanos são desde sempre a experiência política da liberdade, a expressão da luta para libertar os indivíduos da repressão externa e permitir sua autorrealização (DOUZINAS, 2009). Não por outro motivo, a luta pelos direitos humanos esteve, desde o século XVIII, diretamente relacionada às revoluções, embora não somente a estas. Sempre que homens se insurgiram contra governos fundados na opressão, na exploração, na violação de justiças, na prática da violência como instrumento de justificação e manutenção do Revoluções 13

20 poder, em qualquer lugar onde tais movimentos se deram, pode-se dizer que em alguma medida os direitos humanos estavam entre o conjunto das demandas por parte dos insurgentes. Nas revoluções modernas, desde a Revolução Francesa, as causas são também econômicas, sociais, mas, em todas elas, a contestação da exploração e da opressão pelo poder a ser convulsionado está presente. b. Do Direito Natural aos Direitos Humanos Que origem terão os direitos humanos? O que chamamos hoje de modernidade, tanto em relação ao pensamento quanto ao período histórico, acarretou uma mudança radical na concepção do próprio fundamento do direito, cujas consequências possibilitaram, entre outras coisas, a atual formulação dos direitos humanos. Desde a invenção dos códigos jurídicos que influenciaram as leis dos países ocidentais, nas civilizações grega e romana, o direito natural esteve na base da concepção das leis. Filósofos como Cícero, Tomás de Aquino, Hugo Grócio sustentaram, cada um a sua maneira, que os princípios do direito e das leis não deveriam estar em desacordo ao que a natureza nos ensina. Nenhuma lei humana poderia ter valor caso contradissesse o que é natural. Por isso, observamos em Aristóteles o argumento de que o homicídio é ato contra a natureza. Civilizações posteriores aos gregos e influenciadas por sua concepção do direito entenderam que matar um cidadão é ato juridicamente inaceitável. A reviravolta sobre a concepção do direito, causada pela filosofia moderna, a partir de Thomas Hobbes, se baseou em que o direito natural não era suficiente para sustentar os princípios ordenadores da vida civil, que se organiza no Estado. Assim, os direitos civis deveriam ser criados pelos homens em acordo com o que prescrevia o direito natural, mas nunca restritos a ele. Posteriormente, a partir do século XVIII, filósofos defenderam que o direito e as leis só poderiam ser concebidos a partir da experiência histórica humana e não com base em princípios como a natureza cuja vaidade era atemporal. Essa historicização dos princípios do direito possibilitou a incorporação ao campo das leis e do direito, em sentido amplo, uma série de reivindicações históricas, calçadas em movimentos e ideias forjados pelos homens e mulheres que experimentaram condições muito específicas. Por exemplo, as reivindicações que fundamentaram a Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade. É nesse contexto que, do ponto de vista do direito, se passa a falar naqueles direitos que diziam respeito à conservação dos homens contra a opressão, a exploração e a dominação, contra, enfim, o que os impedia de ser indivíduos autônomos e senhores de suas próprias vidas, de direitos humanos. Estes passaram a ser expressos até mesmo em documentos e declarações. O objetivo destes foi, desde o início, nortear os governos e as instituições políticas ou não, assim como aquelas em que se inseriram os cidadãos para acusarem como inaceitável qualquer situação de opressão e de violação da dignidade da vida humana. Revoluções 15

21 c. As Declarações e a universalidade dos Direitos Humanos Mas que documentos são esses? Princípios Universais dos Direitos Humanos Um dos resultados que melhor expressaram a radicalidade das mudanças ensejadas pela Revolução Francesa foi a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Publicada em 1789, ela representa a inauguração simbólica da moderna acepção dos direitos humanos. Os princípios que deram origem a essa declaração, assim como aqueles que ela congrega, são por si mesmos revolucionários, se compararmos o ideário que funda esse texto com aquele que sustenta as bases do Antigo Regime francês. Contra a ideia de que por natureza há homens aptos a mandar e outros a obedecer, uns nascidos para o ócio e outros para o trabalho, uns para o comando e outros para a escravidão, os revolucionários, em assembleia, declararam no artigo 1 que: Os homens nascem e vivem livres e iguais em direitos. As diferenças sociais só podem ser fundamentadas no interesse comum. Veja-se que as diferenças sociais, quando existirem, se prestam à realização de interesses dos cidadãos. E para consumar o princípio dos direitos humanos em acordo com os interesses comuns dos cidadãos, o artigo 2 da Declaração estabelece primeiro que: O fim de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem. E define que tais direitos são: a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão. Este último direito constitui nada mais do que o fundamento de toda e qualquer reivindicação em nome dos direitos humanos. É a resistência à opressão que sustenta ser incondicional a defesa da inviolabilidade da dignidade humana, em quaisquer situações sociais e políticas e circunstâncias históricas. Após a experiência de horrores e de barbárie que nos propiciaram os domínios imperiais de países europeus sobre a África, na segunda metade do século XIX, e, principalmente, as duas Guerras Mundiais, na primeira metade do século XX, outra Declaração veio firmar o caráter insubstituível e incondicional dos direitos humanos. É a Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada em 1948 pelo conjunto de países que subscreveu a criação da Organização das Nações Unidas (ONU). Esta nos possibilitou confirmar o século passado como aquele em que triunfou o discurso em defesa dos direitos humanos. Se de fato essa Declaração orientou e forçou os países a aplicarem os seus princípios é algo que deve ser posto em questão. Qual a intenção destas declarações? A superação de fronteiras territoriais e ideológicas pelos direitos humanos As suas intenções envolvem o desejo de reconhecimento de que são inalienáveis a dignidade e a igualdade humanas. É claríssima aqui a oposição aos princípios fundadores da ideologia da supremacia racial e social, que constituíram a gênese do regime nazista e do fascista na Europa e do, então, seu apoiador na Ásia. Também essa Declaração procurou reafirmar especificamente o que constituem as Revoluções 17

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