UMA CONSTRUÇÃO DE GESTÃO DEMOCRÁTICA/PARTICIPATIVA NO ÂMBITO ESCOLAR

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1 UMA CONSTRUÇÃO DE GESTÃO DEMOCRÁTICA/PARTICIPATIVA NO ÂMBITO ESCOLAR Neiva Maestro 1 A participação, sem dúvida, é o principal meio de se assegurar a gestão da escola que se quer democrática. Deve possibilitar o envolvimento dos profissionais e dos usuários no processo de tomada de decisões e no funcionamento da organização escolar. Deve ter como objetivo uma educação com sólida base científica, formação crítica de cidadania e solidariedade de classe social, garantindo que as crianças, jovens e adultos tenham acesso ao conhecimento universal acumulado e que possam dele se apropriar. Para a analisarmos a qualidade de uma gestão participativa na construção de uma educação que venha cumprir seu objetivo social, contemplando uma formação que crie condições de transformação social faz-se necessário situarmos o panorama educacional através das seguintes perspectivas teórico-políticas, que possam dar respostas à complexidade do campo educacional: função social da escola, gestão democrática / participativa e papel do gestor escolar. O conceito de participação se fundamenta no de autonomia, que se opõe às formas autoritárias de tomada de decisão e significa capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si próprios. É necessário o trabalho em equipe. Equipe que trabalha junto, de forma colaborativa e solidária, visando à formação e a aprendizagem dos educandos. Muito se fala em gestão participativa, porém ainda temos muito que refletir sobre essa modalidade de gestão para que possamos validar de fato essa prática com o objetivo de contribuir para a transformação social: (...)todos os países que estão sedando bem fizeram um grande esforço para aperfeiçoar a educação, em todos os níveis e, em particular, resolveram o desafio de oferecer uma educação básica de qualidade a praticamente, todos os seus cidadãos". (Moura Castro, 1992, p. 21) Como bem define a citação anterior será necessário um esforço conjunto para alcançarmos tal objetivo. 1 Professora na EE José de Alencar, em Lucas do Rio Verde MT. Graduada em História pela UNIJUÍ-Ijuí-RS e Especialista em História do Brasil pela Universidade Integrada Simonsem, do RJ. Trabalha com História no CEJA ( Centro de Educação de Jovens e Adultos).

2 Há muito vem se discutindo esse tipo de gestão, pois as inúmeras mudanças sociais nos impõem a chamada era do conhecimento, num mundo cada vez mais globalizado. A gestão autoritária é uma prática que não cabe mais, pois não satisfaz as exigências de uma sociedade que se deseja igualitária e justa. A própria Constituição Federal de 1988, em seu artigo 205, prevê que a educação seja promovida e incentivada com a colaboração da sociedade. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação no trabalho. E reafirma no artigo 206 o princípio da gestão democrática como orientador do ensino público. O processo de uma gestão democrática exige a participação dos diferentes segmentos da comunidade escolar nas decisões políticas de caráter pedagógico. Assim, o Plano Nacional de Educação, de 2001, coloca como objetivo principal a criação de Conselhos nas escolas de ensino básico. Tais Conselhos são formados por representantes dos seguintes segmentos: pais, alunos, professores e funcionários, incluindo a Direção. A exigência da participação dos pais na organização e gestão da escola corresponde a novas formas de relações entre escola, sociedade e trabalho, que repercutem na escola nas práticas de descentralização, autonomia e co-responsabilidade. Segundo Bastos (2002): Os primeiros movimentos de participação na gestão da escola pública que se tem notícia, foram dos estudantes secundaristas no antigo Distrito Federal, durante a gestão de Anísio Teixeira como Secretário de Educação, nos anos de [sic] Como se pode conferir, algumas medidas têm sido tomadas com o intuito de provocar mudanças no tipo de gestão escolar praticada até pouco tempo. Mas ainda serão necessárias outras medidas e investimentos para que a prática democrática seja realidade brasileira. Por outro lado, será necessário que a escola seja conscientizada de que precisa estar sujeita a mecanismos de controle e fiscalização pela própria sociedade, pois democracia não pode ser confundida com falta de responsabilidade e de autoridade. Faz-se necessário reestruturar o papel da escola, que vai além da mera transmissão de conhecimento, a fim de formar pessoas para um mundo mais justo e solidário. Para que isso aconteça necessitamos ter uma prática educacional pautada na justiça e na solidariedade humana.

3 Esta nova perspectiva de educação nos remete a necessidade de novos profissionais, com posturas diferenciadas. Hoje, vivemos a transição para uma sociedade baseada na informação. O acesso e o domínio desse conhecimento são um direito de todos os indivíduos e cabe à escola realizar essa tarefa. Todo este processo exige uma outra postura da figura diretor- gestor, mais antenado com a rapidez com que o conhecimento vem sendo produzido. Além do gestor aparecer no processo ensino-aprendizagem como representante legal da instituição escolar ele exerce papel fundamental no sucesso do processo de ensino. Observar, conhecer, avaliar e colaborar são ações constantes deste que também é um professor, mas que conduz o barco rumo à imensidão de aprendizado, desafios e conquista. Além de cumprir com o papel de administrador, o gestor possui como incumbência maior, elevar o nível da qualidade de ensino da instituição a qual dirige. O sucesso da educação depende do empenho de toda a comunidade escolar, tanto por parte dos alunos, pois sem eles não haveria razão para existir escola; dos professores, agentes mediadores de aprendizagens; e do diretor, dinamizador, criador de instrumentos e de práticas de avaliação e aperfeiçoamento do ensino. O gestor deverá fomentar a realização de práticas dentro da escola que influenciará positivamente na qualidade do ensino, identificando e auxiliando os profissionais que dependem de maior assistência, avaliando-os e propondo soluções para a sua melhoria contínua, assim como, reconhecer os profissionais com melhor desempenho, incentivando-as a reforçar o seu trabalho. A conquista da cidadania requer um esforço dos educadores em estimular as instâncias e práticas de participação popular. Todos os segmentos da comunidade podem compreender melhor o funcionamento da escola, a participação significa a atuação dos profissionais da educação e dos usuários na gestão desta escola. Freire (1995) também faz uma definição importante sobe o que é esta participação, já entendendo que não se muda a cara da escola por portaria, ele relata que: Para nós, a participação não pode ser reduzida a uma pura colaboração que setores populacionais devessem e pudessem dar à administração pública. Participação ou colaboração, por exemplo, através dos chamados mutirões por meio dos quais se reparam escolas, creches, ou se limpam ruas ou praças. A participação para nós, sem negar este tipo de colaboração, vai mais além. Implica, por parte das classes populares, um "estar presente na História e não simplesmente nela estar representadas". Implica a participação política das classes populares através de suas representações ao nível das opções, das decisões e não só do fazer já o programado.[sic]

4 Através dessa postura acredita-se que os profissionais da escola se sentirão mais confiantes e verão na figura do gestor alguém que norteia a caminhada, não no sentido de distribuição de responsabilidades, mas de compartilhamento, pautando-se na transparência, moralidade e legalidade. Portanto, a democratização da educação passa pela democratização do conhecimento produzido e isso só será possível através da construção de um novo tipo de gestão onde se busca a transformação da sociedade e da escola por meio da participação de todos. Não se pode ser ingênuo e acreditar que esta proposta signifique estabelecer uma autonomia baseada na a idéia de liberdade total ou de independência, pois se sabe que considerar os diferentes agentes sociais que fazem parte da organização educacional é de vital importância. Se eles não forem considerados, haverá grandes dificuldades para a implementação real da proposta, que deve ser muito bem trabalhada para que as decisões não sejam manipuladas, nem se tenha um determinado grupo com o domínio da situação. A fala sobre gestão democrática está presente em quase todos os discursos sobre educação. Na prática sabe-se que não é fácil romper paradigmas e transformar, do dia para a noite, o tipo de gestão tradicional que sobrevive há séculos. Porém já encontramos alguns indícios dessa prática no cotidiano escolar e aí entra a figura do diretor-gestor. Atualmente, não se aborda mais o conceito de administrador; fala-se em gestor. Nessa perspectiva, a direção da escola deve ser entendida como um trabalho que se desenvolve no coletivo, com ampla participação de toda comunidade escolar. Logo, o papel do gestor escolar, conhecido como Diretor de escola, em uma visão democrática de gestão, está diretamente ligado ao conhecimento/interação deste com a comunidade na qual "sua" escola está inserida. CONSIDERAÇÕES FINAIS Talvez, após a leitura desse texto, possa parecer que o gestor tem de ser um super-herói. Em primeiro lugar, este deve ter consciência de que não possui todas as características que abarquem a complexidade da escola. Então, é necessário que o gestor saiba equilibrar a falta de algumas competências administrativas com a ajuda de colaboradores que tenham outras competências que vão complementar o trabalho coletivo.

5 Delegar poderes é um ponto-chave de todo trabalho coletivo, pois capacitar, mediar e orientar são (ou deveria ser!) a "essência da função" gestora. O gestor deve dedicar grande parte de seu tempo na interação com sua equipe. E na busca por realizar o sonho de uma sociedade verdadeiramente democrática e sustentável, a escola e seus profissionais desempenham tarefa fundamental. Neste contexto o gestor é peça primordial, pois ele irá definir com sua equipe as metas que desejam alcançar, estabelecendo acordos com os professores e destes com seus alunos e com a comunidade, objetivando sempre o sucesso discente. Com a nova exigência social para o ambiente escolar, surgem também novas teorias para auxiliar na prática pedagógica que pretende trabalhar com indivíduos das diferentes camadas sociais, o que significa lidar com uma enorme diversidade dentro do âmbito escolar. A escola precisa de muito mais do que "boa vontade" para atender a tais exigências de uma sociedade em mudança, mas se os primeiros passos não forem dados, corremos o risco de ficarmos apenas na reflexão! REFERÊNCIAS BIBLOGRÁFICAS ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação. São Paulo: Moderna, BUENO, S. Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: FTD, DAVIS, Claudia, et alli. In: VIEIRA, Sofia Lerche (Org.). Gestão da Escola: desafios a enfrentar. Rio de Janeiro: DP&A, FERREIRA, N. (org.). Gestão democrática da educação: atuais tendências, novos desafios. 2ª ed. São Paulo: Cortez, FREIRE P. A educação na Cidade. 2. ed. São Paulo: Cortez, p. LUCK, Heloísa. Perspectivas da Gestão Escolar e Implicações quanto a Formação de seus Gestores. In: Em Aberto, Brasília, v. 17, n 72, fevereiro-junho 2000.

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