O AUTISMO E O PROFESSOR: UM SABER QUE

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1 UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO Faculdade de Ciências Campus de Bauru VIVIANE CINTRA FELICIO O AUTISMO E O PROFESSOR: UM SABER QUE PODE AJUDAR BAURU 2007

2 1 UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA JÚLIO DE MESQUITA FILHO Faculdade de Ciências Campus de Bauru VIVIANE CINTRA FELICIO O AUTISMO E O PROFESSOR: UM SABER QUE PODE AJUDAR Trabalho apresentado como exigência parcial para a Conclusão do Curso de Pedagogia da Faculdade de Ciências UNESP campus de Bauru sob a orientação da Professora Dr(a) Eliana Zanata Marques. BAURU

3 Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise[...] [...]Pedras no caminho?guardo todas, um dia vou construir um

4 3 castelo. (Fernando Pessoa)

5 4 DEDICATÓRIA Este trabalho é dedicado especialmente a todas as crianças autistas que, de forma silenciosa e, até muitas vezes geniais, nos mostram um lado inexplorado do ser humano.

6 5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus pela oportunidade da vida. Agradeço à Ele pelo Seu imenso amor, misericórdia, graça e pela Sua fidelidade dispensada à nós a cada dia. Agradeço à minha família que de uma forma muito especial me conduziu até aqui, dando-me as bases necessárias para alcançar felicidade e sucesso durante a vida. A nossa união permanecerá inabalável por toda a vida. Amo muito vocês. Ao meu noivo, um agradecimento todo especial por estar sempre ao meu lado, me proporcionando carinho e amor, irrestritos. Obrigada por ser quem és meu amigo e fiel companheiro. Que Deus nos abençoe nesta caminhada que juntos trilharemos por toda vida. Te amo muito! Às minhas amigas inseparáveis: Jack, Marina, Ed, Michela e Larissa, que de uma forma muito ativa deram um toque especial aos nossos quatro anos de faculdade. Saudades e lembranças inesquecíveis ficarão de uma amizade verdadeira. Salve as batatas! A minha orientadora, Eliana, que me auxiliou com a realização e finalização desta etapa. Aos professores e a todos, que de forma indireta colaboraram para a conclusão de mais uma etapa de minha vida!muito obrigada!

7 6 RESUMO O trabalho com autistas tem sido pouco explorado na sociedade e carece de informações para o auxílio dos professores em âmbito escolar. Os autistas fazem parte do grupo de pessoas portadoras de deficiências, exigindo assim uma educação especial e inclusiva para a promoção de seu desenvolvimento. Sabe-se que atualmente, os autistas não têm recebido a atenção necessária e devida e por isso, o seu desenvolvimento e inserção na sociedade se mostram tão longe do ideal e esperado. Tendo em vista tais aspectos, o enfoque principal deste trabalho é proporcionar informações claras e objetivas acerca do autismo, visando também, por meio da pesquisa investigativa, reconhecer o nível de conhecimento dos professores, vistos como educadores, em relação ao tema e suas capacitações para permearem tal educação. Para isso, foram enviados questionários para professores de 19 escolas, das séries iniciais do ensino fundamental, retornando 38 questionários respondidos. Mediante os resultados, observa-se que a maioria dos professores não possui conhecimento suficiente e adequado para lidar com autistas em sala de aula, não tendo bases para desenvolver um trabalho eficaz com esses alunos. Também nos parece claro que é de competência do professor e dos órgãos responsáveis pela educação a busca e a oferta por cursos de formação continuada em serviço, uma vez que ainda em quantidade pequena, estes alunos já se fazem presentes nas salas de aula. Palavras chave: autismo; distúrbio do desenvolvimento.

8 7 SUMÁRIO Introdução Definições de Autismo Aspectos Clínicos Aspectos Psicossociais Aspectos Educacionais Programa de Reabilitação para Autistas - TEACCH O Professor na Educação Inclusiva e Especial Metodologia Apresentação e Análise dos Resultados Considerações Finais REFERÊNCIAS ANEXOS

9 8 INTRODUÇÃO Entende-se por autismo uma inadequação no desenvolvimento que se apresenta de maneira grave durante toda a vida. Costuma aparecer nos três primeiros anos de vida e desde já traz certa incapacidade para o indivíduo que a possui. É um distúrbio que acomete mais homens que mulheres e até hoje não se tem causas específicas para seu aparecimento. Seus sintomas são na maioria dos casos muito graves e se apresentam tal como: gestos repetitivos, autodestruição, e às vezes até comportamentos agressivos, a fala e linguagem podem se apresentar de formas atrasadas ou até ausentes, habilidades físicas reduzidas e um relacionamento anormal frente a objetos, eventos ou pessoas (GAUDERER, 1985). Por estes motivos, criar e educar um autista representa um grande desafio para pais, familiares, educadores e pessoas à sua volta, principalmente porque há uma grande necessidade de uma abordagem adequada e eficiente para que estes possam se desenvolver, mesmo que de forma lenta (MANTOAN, 1997). Assim sendo, a escolha deste tema se caracteriza pela necessidade de uma transmissão de conhecimento e informações a respeito do autismo e suas particularidades, a fim de auxiliar o educador em suas relações com os autistas. Este trabalho terá por objetivos: explicitar as características principais do autismo, em seus aspectos clínico, psicológico e educacional, dando noções sobre o problema a ser enfrentado e trabalhado pelos professores, no que compete à sua atividade no âmbito escolar; promover o conhecimento de métodos de tratamento para autistas, explorando neste trabalho o método TEACCH; abordar a educação inclusiva e a realidade dos cursos de formação de professores no que diz respeito ao desenvolvimento de uma educação especial nos dias atuais e por fim, obter dados a respeito da maneira como os professores têm reagido frente a esse

10 9 alunado, observando seus conhecimentos prático e teórico em relação aos autistas em sala de aula. Logo, o presente trabalho é válido, pois, embora haja inúmeras propostas de inclusão dos autistas, não há hoje um resultado educacional eficaz e preciso para esse alunado. Os professores, vistos como mediadores da transmissão do conhecimento, necessitam de maiores informações a respeito destes alunos, que, apesar de apresentarem distúrbios severos, podem desenvolver muitas habilidades se deparados com uma intervenção adequada. É importante enfatizar que há uma forte necessidade de estudos mais aprofundados nesta área e de aprimoramento por parte dos profissionais em se tratar de necessidades especiais como o Autismo, de forma a se preocupar com a possível inclusão das crianças na escola e na sociedade. Sabe-se que a educação de pessoas autistas não tem recebido até então a atenção necessária. Profissionais competentes que se deparam com esses alunos, que parecem não compreender a vida, sentem sua segurança e até mesmo competência abaladas, e acabam desistindo. Diante disso, a necessidade de planejamentos e estruturas adequadas se torna cada dia mais emergente, a fim de que, com isso, possa se proporcionar espaço aos autistas na sociedade e para que eles exerçam seus direitos como cidadãos. Assim, a organização proposta neste trabalho implica que no capítulo 1 foram abordadas as características principais dos autistas, ou seja, seus aspectos clínicos. Neste capítulo buscou-se explicitar o histórico do Autismo, pontuando alguns estudiosos e suas teorias, e os principais sintomas e definições para o tema escolhido. Também neste primeiro capítulo, foram abordados os aspectos psicossociais, visando ao esclarecimento das principais manifestações do autismo nas pessoas com relação aos aspectos psicológicos, a fim de elucidar algumas das deficiências existentes nesse aspecto, dos autistas. Ainda neste capítulo,

11 10 os aspectos educacionais foram estudados, tendo como finalidade a descrição das principais dificuldades encontradas nesse aspecto, buscando relacionar como deve ser a educação dos autistas nas escolas e como eles se apresentam frente à esta educação. No capítulo 2, nos reportamos ao Programa de Reabilitação TEACCH, a fim de descrever, de forma objetiva, como se dá este método de tratamento e suas particularidades. E por fim, no capítulo 3, buscou-se analisar a Educação Especial e Inclusiva existente em nossa sociedade, procurando estabelecer relações entre a situação dos autistas nas escolas atualmente e a formação dos professores visando tal realidade. As considerações finais do trabalho buscam uma síntese dos achados mediante o desenvolvimento da metodologia qualitativa adotada e de aproximações dos pressupostos teóricos abordados.

12 11 1. DEFINIÇÕES DE AUTISMO 1.1 ASPECTOS CLÍNICOS Autismo. São muitos os estudiosos que procuram explicações para as causas e conseqüências do O autismo é definido pela Organização Mundial de Saúde como um distúrbio do desenvolvimento, sem cura e severamente incapacitante. Sua incidência é de cinco casos em cada nascimentos caso se adote um critério de classificação rigoroso, e três vezes maior se considerarmos casos correlatados, isto é, que necessitem do mesmo tipo de atendimento (MANTOAN, 1997, p. 13). Uma das primeiras áreas do desenvolvimento a trazer preocupação nas pessoas que cuidam e observam as crianças diagnosticadas como autistas é a de comunicação e interação social, ainda nos dois primeiros anos de vida da criança (LORD, STOROSCHUK, RUTTER & PICKLES, 1993 apud BOSA, 2001) 1. Os estudos a respeito do autismo começaram, com Leo Kanner, um psiquiatra americano que, em 1942, descreveu por meio de um artigo, a condição de 11 crianças consideradas especiais, abordando o autismo sob o nome "distúrbios autísticos do contacto afetivo". Assim, ele parte do pressuposto de que este quadro se caracteriza por um autismo extremo, obsessividade, estereotipias e ecolalia. Kanner também observou que os sintomas surgiram muito precocemente (desde o nascimento), sugerindo até que as crianças autistas poderiam ter um bom potencial cognitivo e até mesmo certas habilidades especiais, como uma memória mecânica (BOSA, 2000). É interessante ressaltar que Kanner (COLL et al, 1995) utilizou o termo autista da psiquiatria adulta: 1 LORD, C., STOROSCHUK, S., RUTTER, M. & PICKLES, A. Using the ADI-R to diagnose autism in preschool children. Journal of Infant Mental Health, 1993, 14(3), p

13 12 [...]havia sido empregado por um psiquiatra, Beutler, para definir a tendência de certos pacientes esquizofrênicos a centrarem, em si mesmos, todo seu mundo imaginativo, encerrando-se em imagens auto-referidas. Kanner sugeria uma relação (que foi questionada) entre o distúrbio profundo do desenvolvimento dos seus casos e a esquizofrenia adulta, estimulando uma tendência perigosa a acreditar que nas crianças autistas, também, existe um rico mundo imaginativo, auto-referido e no qual se fecham. (p. 274). Porém, apesar deste artigo desenvolvido por Kanner ter sido decisivo para a definição do autismo como uma síndrome independente, este não foi o primeiro a descrever crianças com essas características. Já na antiguidade, sabe-se de acontecimentos, não só de crianças, mas também de adultos que apresentavam comportamentos estranhos, podendo tais comportamentos terem relação com o autismo (COLL, 1995). Sendo assim, a tese inicial de Kanner de que crianças autistas sofreriam de uma incapacidade inata de se relacionarem emocionalmente com outras pessoas, foi retomada e estudada também por Hobson (1993a, 1993b apud BOSA, 2000) 2. [...]a teoria afetiva sugere que o autismo se origina de uma disfunção primária do sistema afetivo, qual seja, uma inabilidade inata básica para interagir emocionalmente com os outros, o que levaria a uma falha no reconhecimento de estados mentais e a um prejuízo na habilidade para abstrair e simbolizar (p. 6). Dessa forma, o retraimento apresentado pelos autistas tem sido explicado em termos de um estado crônico de excitação (HUTT & HUTT, 1968 apud BOSA, 2000) 3 ou até oscilações nesse estado que conduzem à evitação do olhar, reações negativas e retraimento da interação social, como mecanismos para controlar o excesso de estimulação. Com o passar do tempo, outros pesquisadores também foram desenvolvendo seus estudos partindo da concepção de Kanner com algumas alterações, como por exemplo, relacionando o autismo a um déficit cognitivo, considerando-o não uma psicose e sim um 2 HOBSON, P. Understanding persons: The role of affect. Em S. Baron-Cohen, H. Tager-Flusberg, & D. J. Cohen (Orgs.), 1993a, Understanding other minds: Perspectives from autism (pp ). Oxford: Oxford Medical Publications. HOBSON, P..Autism and the development of mind. UK: Lawrence Erlbaum, 1993b. 3 HUTT, C. & HUTT, S. J. Stereotypy, arousal and autism. Human Development, 11, , 1968.

14 13 distúrbio do desenvolvimento. Essa idéia do déficit cognitivo vem sendo reforçada por muitos estudiosos até os dias atuais. Alguns pesquisadores chegaram a fazer um experimento no qual, crianças com autismo, eram comparadas a outras, relacionadas como grupos de controle, enquanto desenvolviam certa atividade e, como resultados, as crianças autistas apresentaram dificuldades e deficiências no aprendizado correto para chegar ao fim desejado, demonstrando assim maior insistência na estratégia incorreta e demonstrando um déficit maior na capacidade de planejamento para atingir uma meta (BOSA, 2000). Com relação às causas do autismo, há uma teoria interessante, denominada lobo frontal, que sugere que: [...] muitas das características dessa síndrome, como por exemplo, inflexibilidade (expressa através de atividades ritualizadas e repetitivas), perseveração, foco no detalhe em detrimento de um todo, dificuldade em gerar novos tópicos durante o brinquedo de faz-de-conta e dificuldades no relacionamento interpessoal, podem ser explicadas por comprometimento no funcionamento do lobo cerebral frontal (DUNCAN, 1986 apud BOSA, 2001, p. 2) 4. A explicação dessa teoria se dá, pois foram comprovadas as semelhanças entre os autistas e aquelas com lesão frontal, por meio de resultados do desempenho e desenvolvimento dos autistas analisados, com objetivo principal de obter noções sobre suas funções executivas (HUGHES & RUSSEL, 1993; OZONOFF e cols., 1991 apud BOSA, 2000) 5. A partir dos anos sessenta, as investigações sobre o autismo demonstraram uma forte característica na deficiência no desenvolvimento dos mundos simbólico e imaginativo, que em sua maioria é acompanhada de uma deficiência também mental. Neste momento, partindo 4 DUNCAN, J. Disorganization of behavior after frontal lobe damage. Cognitive Neuropsychology, 3, , HUGHES, C. & RUSSELL, J. Autistic children's difficulty with disengagement from an object: Its implications for theories of autism. Developmental Psychology, 29, , OZONOFFf, S., Pennington, B. & Rogers, S. Executive function deficits in high-functioning autistic individuals: Relations to the theory of mind. Journal of Child Psychology and Psychiatry, 32, , 1991.

15 14 da idéia inicial de Kanner de um bom potencial cognitivo, o autismo começou a ser compreendido não como uma psicose semelhante à esquizofrenia adulta, mas sim como um distúrbio profundo do desenvolvimento (COLL et al, 1995). Tais considerações são mais úteis, sob o aspecto educacional e refletem o resultado obtido do grande número de investigações acerca do assunto, estabelecendo as relações entre o desenvolvimento normal e o autista. Assim também, caracteriza-se por uma tentativa de estabelecer definições mais precisas e aceitáveis universalmente que as defendidas após Kanner. Entre as várias definições do autismo mais atuais, é interessante ressaltar a do DSM-III (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION, 1980) que define o autismo e seus distúrbios de desenvolvimento tais quais Kanner. No entanto, nesta nova definição admite-se que o quadro pode ocorrer depois de um desenvolvimento normal até os 30 primeiros meses, ou seja, não é necessariamente inato. QUADRO 1 Sinopse da definição de autismo do DSM-III Incapacidade de estabelecer relações Falta de resposta e interesse pelas pessoas. Fracasso na vinculação com pessoas. Problemas de contato visual. Respostas faciais expressivas pobres. Indiferença ou aversão ao afeto e contato físico. Fracasso no desenvolvimento de amizades. Deterioração da comunicação Possível falta de linguagem. Estrutura lingüística imatura (caso haja linguagem). Inversão de pronomes. Afasia nominal. Falta de termos abstratos. Linguagem metafórica. Ecolalia imediata ou demorada. Entonação anormal. Comunicação não verbal inapropriada. Respostas estranhas ao meio Resistência a pequenas mudanças ambientais. Vinculação excessiva a certos objetos. Comportamentos rituais. Fascinação por objetos giratórios. Interesse anormal por certos objetos. Fonte: Cool et al. Desenvolvimento Psicológico e educação - Necessidades Educativas especiais e aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 1995.

16 15 Porém, até hoje se buscam explicações para o aparecimento e desenvolvimento do Autismo. Alguns autores tentaram relacionar a frieza e o distanciamento das mães e pais com o aparecimento do autismo. Gauderer (1985) também descreve em seus estudos algumas das possíveis causas: Já é comprovado o fato de que o autismo está associado a doenças viróticas, visto que tem sido descrito em pacientes portadores de rubéola congênita, encefalite, sarampo e infecção pelo vírus de inclusão citomegálica (a última envolve estruturas cerebrais profundas, como as dos gânglios de base). Distúrbio cardiorrespiratório perinatal é outra causa possível. A hipoxia pode ocasionar dano a áreas cerebrais específicas (incluindo os gânglios basais), sendo as áreas atingidas diferentes das afetadas em conseqüência de anoxia. É possível que, em certas circunstâncias, o dano seja menos grave que o encontrado na paralisia cerebral. Ele pode afetar estruturas nervosas tanto macro quanto microscópicas, diferentes das envolvidas na paralisia cerebral e, em seu lugar, determinar a síndrome do autismo. A perfusão insuficiente do cérebro também é uma causa a ser considerada (GAUDERER, 1985, p. 88). Mas, muito dos problemas para dar uma definição tecnicamente aceitável e universalmente aceita do autismo devem-se à dificuldade de descrever verbalmente e compreender psicologicamente as profundas alterações apresentadas pelas pessoas que sofrem do mesmo (COOL et al, 1995). Tem sido evidente, no entanto que, embora seja muito importante no desenvolvimento do autismo à dinâmica emocional familiar, esse elemento não é suficiente em si mesmo para justificar o seu aparecimento. Portanto, o autismo não parece ser, em sua essência, um transtorno adquirido e, atualmente, o autismo tem sido definido como uma síndrome comportamental resultante de um quadro orgânico. Sendo assim, apesar de uma dificuldade em se ter essa etiologia específica sobre a síndrome, têm-se hoje propostas recentes da literatura médica a respeito de uma associação com fatores biológicos como sendo um dado marcante e indiscutível. Observa-se também que, enquanto grupo, pessoas autistas apresentam altos níveis periféricos de serotonina em quase um terço dos casos e uma maior freqüência de alterações eletroencefalográficas com quadros convulsivos associados.

17 16 Existem, portanto, várias teorias que tentam explicar a causa do autismo, porém, nenhuma delas foi realmente comprovada. Por isso, nos parece ser importante descrever seus principais sintomas, a fim de que o professor tenha condições de identificar qualquer alteração ou tendência em seus alunos para este distúrbio no desenvolvimento e então encaminha-los para profissionais que possam dar o diagnóstico. Baron-Cohen (1992 apud BOSA, 2002) 6 afirma que a idade média para que se possa detectar o quadro do autismo é em torno dos 3 anos, embora o autor sugira que o diagnóstico já possa ser estabelecido ao redor dos 18 meses de idade. São raros os diagnósticos de autismo em bebês menores de 12 meses. O que se observa em primeiro lugar é que a criança é muito passiva, ou seja, demonstra pouca sensibilidade às pessoas e aos objetos que estão à sua volta, permanecendo isolada e alheia ao meio em que está inserida (COLL et al, 1995). Muitas vezes os pais podem interpretar tal comportamento como uma característica do temperamento da criança, ou até chegam a temer que a criança seja surda. No entanto, várias características que elas apresentam como a falta de criatividade frente aos objetos, a ausência de uma chamada pela mãe como quem pede algo, e até mesmo as ações limitadas destas crianças são vários dos sintomas que devem ser levados em consideração quando comparados à conduta de crianças normais. Assim, a respeito dos sintomas do autismo pode-se dizer que o principal observado é o grave déficit cognitivo, sendo assim caracterizado por uma das maiores desvantagens que os autistas apresentam em relação às outras crianças. Além disso, há a grande dificuldade que os autistas têm em relação à expressão de suas emoções. 6 BARON-COHEN S, Allen J, Gillberg C. Can autism be detected at 18 months? British J Psychiatr;161:839-43, 1992.

18 17 É importante ressaltar também que, diversas condutas funcionais para o desenvolvimento, como os modelos de jogos, imitação e uso de gestos e vocabulário, não chegam a ser adquiridos ou mesmo se perdem de forma progressiva. Além disso, quase sempre esses sintomas iniciais trazem consigo também outras deficiências para os autistas, tais como: [...] problemas persistentes de alimentação, falta de sono, excitabilidade inexplicável e difícil de controlar, medo anormal de pessoas e lugares estranhos, condutas de pânico sem causa aparente, tendência progressiva a evitar e ignorar as pessoas, etc. (COLL et al, 1995, p. 278). Com freqüência, a etapa que se apresenta mais alterada na criança autista é a idade do desenvolvimento da linguagem. Algumas crianças autistas têm um desenvolvimento normal em grande parte da primeira infância adquirindo inclusive, uma linguagem funcional. Porém, com o agravamento do quadro de autismo, esta linguagem vai ficando perturbada ou até mesmo é perdida. Diante das falhas no seu desenvolvimento, a criança autista vai se fechando cada vez mais em seu mundo interno, estereotipado e ritualista, mostrando-se cada vez mais isolada e incomunicável. Em muitos casos, esta criança não desenvolve nenhuma linguagem (COOL et al, 1995). Esses problemas na compreensão da linguagem afetam a comunicação verbal e, por conseguinte, o cotidiano dessas crianças quando estas necessitam de interpretação das situações sociais e dos sinais sociais e emoções alheias. Assim, o que se pode observar também na maioria dos autistas, além dos distúrbios na interação social que aparecem desde o início da vida, é que para alguns deles, o contato olho a olho não se apresenta normal desde seu primeiro ano de vida. Essa questão do olhar é muito importante, pois, é por meio dele que os autistas demonstram de certa forma, o seu grau de interesse pelos objetos e pessoas ao redor.

19 18 Outros estudiosos chamaram a atenção para vários fatores que podem afetar esta interação social dos autistas, tais como nível global de desenvolvimento e o tipo de contexto no qual a interação está inserida. Essa observação foi também confirmada por um outro estudo que procurou descobrir e pesquisar por meio de experimentos a influência desses e outros fatores no comportamento social e comunicativo dos autistas pré-escolares (BOSA, 1998). A imagem de uma criança alheia aos estímulos externos pode causar estranhamento ao observador que está acostumado com uma aparência saudável e normal. A criança autista parece estar sempre só mesmo que esteja rodeada de pessoas e algumas delas permanecem por horas, balançando-se, ou paralisadas frente a estímulos aparentemente insignificantes. Assim, foram delineadas também algumas características importantes que reforçam o comportamento autista: Incapacidade para vincular-se de maneira ordinária com pessoas e situações; Incapacidade para adotar uma postura antecipatória frente às pessoas; Nenhuma linguagem ou incapacidade de empregar a linguagem de maneira significativa para os demais; Excelente memória mecânica; Repetição de pronomes pessoais do jeito que são ouvidos; Repetição não só das palavras como também a entonação da pessoa com quem fala; Recusa de comida; Reagem com horror a ruídos fortes e objetos em movimento; Atitudes monotonamente repetitivas e necessidade de manter as coisas sempre iguais; Boa reação com objetos que lhe interessam, podendo jogar com eles durante horas; Boas potencialidades cognitivas e fisionomias inteligentes; Fisicamente, essencialmente normais; Provêm de famílias bastante inteligentes. (STEFAN, 1991 apud SÃO PAULO, 2003, p. 1). Além disso, os autistas usam as pessoas como ferramentas, protestam mudanças de rotina, não demonstram medo de situações nem objetos perigosos e algumas vezes são agressivos e até destrutivos.

20 19 É necessário ressaltar que, o diagnóstico diferencial dos quadros autísticos inclui outros distúrbios invasivos do desenvolvimento, como a síndrome de Asperger, a síndrome de Rett, transtornos desintegrativos e os quadros não especificados, diagnóstico esse que será dado pelo médico responsável auxiliado por uma equipe de especialistas terapêuticos, como psicólogos e fonoaudiólogos. [...]os sintomas de autismo não se manifestam por igual, nem têm o mesmo significado em diferentes fases da vida das pessoas autistas.ao considerar um distúrbio profundo do desenvolvimento, que além disso tem um caráter crônico, é necessário recorrer a uma descrição cuidadosa desse desenvolvimento.naturalmente, existem importantes diferenças relacionadas ao QI, ao nível lingüístico e simbólico, ao temperamento, à gravidade dos sintomas entre uns autistas e outros, no que diz respeito às características da síndrome e às peculiaridades do desenvolvimento[...](cool et al, 1995, p. 278). Portanto, para um diagnóstico clínico preciso do Autismo, a criança deve ser muito bem examinada, tanto fisicamente quanto psico-neurolinguisticamente. A avaliação deve incluir entrevistas com os pais e outros parentes interessados, observação, exame psicomental e linguístico, algumas vezes, de exames complementares para doenças genéticas e ou hereditárias.

21 ASPECTOS PSICOSSOCIAIS Uma das maiores dificuldades para a compreensão psicológica do autismo infantil se caracteriza pelo fato de que a grande maioria das pessoas autistas não é capaz de contar ou descrever suas experiências de vida (COOL et al, 1995). Sabemos que os autistas apresentam um desenvolvimento anormal e não padronizado quando comparados às crianças normais. Apresentam também um forte distúrbio no desenvolvimento, principalmente como já dito, nas áreas de comunicação e interação social. Porém, eles também possuem muitas outras habilidades, que podem muito bem superar as suas dificuldades e deficiências, tais como habilidades artísticas, uma super memória, raciocínio lógico e complexo, etc. [...] o preto cego Tom tem se apresentado aqui com casa cheia. É sem dúvida um milagre. Parece com qualquer garoto preto de 13 anos e é completamente idiota em tudo, menos no que diz respeito à música, linguagem, imitação e talvez memória. Nunca estudou música ou recebu qualquer tipo de educação. Aprendeu a tocar piano ouvindo os outros, aprende letras e melodias de ouvido e é capaz de tocar qualquer coisa na primeira tentativa tão bem quanto o melhor dos instrumentistas OBSERVER(1862 apud GALILEU, 2007, p. 78) 7. Quando bebê percebe-se que o desenvolvimento psicossocial, em geral, se desenvolve de forma diferente. Os autistas reagem de modo distinto das outras crianças, não respondendo a uma variedade de estímulos internos e nem externos e demonstrando uma passividade e indiferença aos sinais sociais do meio em que vivem. Como vivem em um mundo muito confuso, é compreensível que crianças autistas tentem se apegar às poucas coisas que conseguem entender. Elas gostam de manter as mesmas rotinas, uma leve mudança pode provocar gritos e acessos de raiva. Também se tornam bastante apegadas a objetos, que podem ser brinquedos comuns ou coisas aparentemente sem atrativos [...] (GAUDERER, 1985, p. 119). Além do apego inadequado a determinados objetos e rotinas, percebe-se também que eles apresentam uma grande dificuldade de interpretação das emoções das outras pessoas e na 7 Observer. Fayetteville. EUA, 1862.

22 21 demonstração de suas próprias; carecem de demonstrar empatia com o outro e manifestar o desejo por algo. A capacidade de ter a mesma experiência emocional, de ter empatia com as emoções de outros, de colocar-se emocionalmente em seu lugar, [...] é muito deficiente nas pessoas com autismo que 1) discriminam pior que outras pessoas os sinais emocionais, 2) percebem-nos com um nível menor de pregnância (ou seja, são menos chamativos ou salientes para os autistas) e, sobretudo 3) não os revivem em si mesmos com a mesma facilidade que outras pessoas[...] (COOL et al, 1995, p. 283). Outro ponto importante a se ressaltar, é que a inadequação na abordagem e a incapacidade de responder aos interesses, emoções e sentimentos das pessoas com as quais convivem, são grandes entraves no desenvolvimento de amizades e até de relacionamentos amorosos. Apesar de alguns desenvolverem sentimentos sexuais, existe falha na capacidade e habilidade social, o que evita a possibilidade de um relacionamento sexual. É extremamente raro ocorrer relacionamentos amorosos ou até mesmo um casamento, tal a dificuldade enfrentada pelos autistas (GAUDERER, 1985). A falta de habilidade na compreensão das expressões emocionais demonstradas por outras pessoas parece ter relação também com suas limitações, ou até mesmo com a ausência da capacidade de imaginação associada ao uso quase que nulo dos significados em suas memórias e processos de pensamento. A habilidade de imaginar algo que possa acontecer como conseqüência de uma ação a curto ou longo prazo, parece totalmente fora do alcance dos autistas. Com isso também, se torna muito difícil conseguir estabelecer e compreender contingências. Em algum momento, ações impulsivas ou uma forma rígida e imprevisível, mesmo ritualística, de organizar as próprias ações, aparecem (GAUDERER, 1985). Outra conseqüência das deficiências da criança autista é que ela está sujeita a se assustar com coisas totalmente inofensivas, talvez devido a um pequeno incidente anterior. [...] Por outro lado, sua falta de compreensão faz com que ignorem perigos reais. Elas podem atravessar a rua na frente do tráfego, ou se equilibrar perigosamente em bordas estreitas de um muro alto, sem medo algum. Às vezes riem de coisas que lhe dão prazer, como uma luz piscando ou a sensação macia de algo que estejam segurando. Outras vezes, sem razão aparente, choram lágrimas de profunda tristeza como se o mundo fosse demais para eles e parecem perdidos, desnorteados e assustados. Podem, porém, ser confortados com o carinho e o contato físico de sua mãe ou alguém que conheçam e confiem (GAUDERER, 1985, p. 120).

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