Ricardo Resende Direito do Trabalho Capítulo 27 do Curso Completo (resumo)

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1 Ricardo Resende Direito do Trabalho Capítulo 27 do Curso Completo (resumo) Seguro-Desemprego Conceito O seguro-desemprego é benefício previdenciário que tem por finalidade garantir o sustento do trabalhador durante o período de desemprego involuntário Beneficiários a) empregados urbanos e rurais b) empregados domésticos, desde que inseridos no sistema do FGTS (que, como vimos, é facultativo para o doméstico) c) pescadores artesanais d) empregados encontrados em condições análogas à de escravo, resgatados pelos grupos de fiscalização do MTE Base legal Art. 201, III, da CRFB/88: Art A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) III - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; Lei nº 7.998/1990: Art. 2º O Programa de Seguro-Desemprego tem por finalidade: 1

2 I - prover assistência financeira temporária ao trabalhador desempregado em virtude de dispensa sem justa causa, inclusive a indireta, e ao trabalhador comprovadamente resgatado de regime de trabalho forçado ou da condição análoga à de escravo; II - auxiliar os trabalhadores na busca ou preservação do emprego, promovendo, para tanto, ações integradas de orientação, recolocação e qualificação profissional. Lei nº /2003 (pescador profissional artesanal): Art. 1º O pescador profissional que exerça sua atividade de forma artesanal, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de parceiros, fará jus ao benefício de seguro-desemprego, no valor de um salário-mínimo mensal, durante o período de defeso de atividade pesqueira para a preservação da espécie. Lei nº 8.900/1994 (número de parcelas) Art. 2º A determinação do período máximo mencionado no caput deste artigo observará a seguinte relação entre o número de parcelas mensais do benefício do seguro-desemprego e o tempo de serviço do trabalhador nos trinta e seis meses que antecederam a data de dispensa que deu origem ao requerimento do segurodesemprego: I - três parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada, de no mínimo seis meses e no máximo onze meses, no período de referência; II - quatro parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada, de no mínimo doze meses e no máximo vinte e três meses, no período de referência; III - cinco parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada, de no mínimo vinte e quatro meses, no período de referência. 3º A fração igual ou superior a quinze dias de trabalho será havida como mês integral, para os efeitos do parágrafo anterior. 2

3 Resolução CODEFAT nº 467/2005 (procedimentos relativos à concessão do SD para o empregado em geral demitido sem justa causa) Resolução CODEFAT nº 253/2000 (procedimentos relativos à concessão do SD para o empregado doméstico) Resolução CODEFAT nº 306/2002 (procedimentos relativos à concessão do SD para trabalhadores resgatados da condição análoga à de escravo) Resolução CODEFAT nº 468/2005 (procedimentos relativos à concessão do SD para pescadores artesanais) Observação: as Resoluções do CODEFAT mencionadas acima estão disponíveis no site do Ministério do Trabalho ( Regras gerais aplicáveis Condições para concessão a) Trabalhadores urbanos e rurais (regra geral) Resolução CODEFAT 467/2005: Art. 3º Terá direito a perceber o Seguro-Desemprego o trabalhador dispensado sem justa causa, inclusive a indireta, que comprove: I ter recebido salários consecutivos no período de 6 (seis) meses imediatamente anteriores à data da dispensa, de uma ou mais pessoas jurídicas ou físicas equiparadas às jurídicas; II ter sido empregado de pessoa jurídica ou pessoa física equiparada à jurídica durante, pelo menos, 06 (seis) meses nos últimos 36 (trinta e seis) meses que antecederam a data de dispensa que deu origem ao requerimento do Seguro- Desemprego; III não estar em gozo de qualquer benefício previdenciário de prestação continuada, previsto no Regulamento de Benefícios da Previdência Social, excetuando o auxílio-acidente e a pensão por morte; e IV não possuir renda própria de qualquer natureza suficiente a sua manutenção e de sua família. 3

4 b) Doméstico Resolução CODEFAT nº 253/2000: Art. 3º Terá direito a perceber o Seguro-Desemprego o empregado doméstico, dispensado sem justa causa, que comprove: I - ter sido empregado doméstico, por pelo menos quinze meses nos últimos vinte e quatro meses que antecedem à data da dispensa que deu origem ao requerimento do Seguro-Desemprego; II - não estar em gozo de qualquer benefício previdenciário de prestação continuada, previsto no Regulamento de Benefícios da Previdência Social, excetuados auxílioacidente e pensão por morte; III - não possuir renda própria de qualquer natureza suficiente à sua manutenção e de sua família. 1º Para efeito de contagem do tempo de serviço de que trata o inciso I, deste artigo, serão considerados os meses dos depósitos feitos no FGTS, em nome do empregado doméstico, por um ou mais empregadores. c) Pescador artesanal Resolução CODEFAT nº 468/2005: Art. 2º Terá direito ao Seguro-Desemprego o pescador que preencher as seguintes condições (Habilitação): I - Ter registro como Pescador Profissional devidamente atualizado no Registro Geral da Pesca RGP como pescador profissional, classificado na categoria artesanal, emitido pela Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República SEAP/PR, com antecedência mínima de 1 (um) ano da data do início do defeso; II - Possuir inscrição no Instituto Nacional do Seguro Social INSS como segurado especial; III - Possuir comprovação de venda do pescado a adquirente pessoa jurídica ou cooperativa, no período correspondente aos últimos doze meses que antecederam ao início do defeso; 4

5 IV - Na hipótese de não atender ao inciso III e ter vendido sua produção à pessoa física, possuir comprovante de, pelo menos, dois recolhimentos ao Instituto Nacional do Seguro Social - INSS em sua própria matrícula no Cadastro Específico - CEI, no período correspondente aos últimos doze meses que antecederam ao início do defeso; V - Não estar em gozo de nenhum benefício de prestação continuada da Previdência Social, ou da Assistência Social exceto auxílio-acidente e pensão por morte; VI - Comprovar o exercício profissional da atividade de pesca artesanal objeto do defeso e que se dedicou à pesca, em caráter ininterrupto, durante o período compreendido entre o defeso anterior e o em curso; e VII - Não ter vínculo de emprego ou outra relação de trabalho, tampouco outra fonte de renda diversa da decorrente da atividade pesqueira. d) Trabalhador resgatado Resolução CODEFAT nº 306/2002: Art. 2º Terá direito a perceber o Seguro-Desemprego o trabalhador que comprove: I - Ter sido comprovadamente resgatado de regime de trabalho forçado ou da condição análoga à de escravo; II - Não estar em gozo de qualquer benefício previdenciário de prestação continuada, previsto no Regulamento de Benefícios da Previdência Social, excetuando o auxílioacidente e a pensão por morte; III - Não possuir renda própria de qualquer natureza suficiente à sua manutenção e de sua família. No caso, a comprovação da circunstância de ter sido resgatado de regime de trabalho forçado ou da condição análoga à de escravo se faz mediante a apresentação de documento emitido pela fiscalização do trabalho Duração do benefício a) Trabalhadores urbanos e rurais (regra geral) Resolução CODEFAT nº 467/2005: 5

6 Art. 5º O Seguro-Desemprego será concedido ao trabalhador desempregado, por um período máximo variável de 03 (três) a 05 (cinco) meses, de forma contínua ou alternada, a cada período aquisitivo de 16 (dezesseis) meses, observando-se a seguinte relação: I 03 (três) parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada de no mínimo 06 (seis) meses e no máximo 11 (onze) meses, nos últimos 36 (trinta e seis) meses; II 04 (quatro) parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada de no mínimo 12 (doze) meses e no máximo 23 (vinte e três) meses no período de referência; III 05 (cinco) parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada, de no mínimo 24 (vinte e quatro) meses no período de referência. 1º O período aquisitivo de que trata este artigo será contado da data de dispensa que deu origem à última habilitação, não podendo ser interrompido quando a concessão do benefício estiver em curso. 2º A primeira dispensa que habilitar o trabalhador determinará o número de parcelas a que este terá direito no período aquisitivo. b) Doméstico Resolução CODEFAT nº 253/2000: Art. 7º O valor do benefício do Seguro-Desemprego do empregado doméstico corresponderá a um salário-mínimo e será concedido por um período máximo de três meses, de forma contínua ou alternada, a cada período aquisitivo de dezesseis meses. c) Pescador artesanal Lei nº /2003: Art. 1º O pescador profissional que exerça sua atividade de forma artesanal, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de parceiros, fará jus ao benefício de seguro-desemprego, no valor de um salário-mínimo mensal, durante o período de defeso de atividade pesqueira para a preservação da espécie. 6

7 d) Trabalhador resgatado Resolução CODEFAT nº 306/2002: Art. 5º O valor do benefício do Seguro-Desemprego do trabalhador resgatado corresponderá a um salário-mínimo e será concedido por um período máximo de três meses, a cada período aquisitivo de doze meses a contar da última parcela recebida, desde que satisfeitas as condições estabelecidas no art. 3º Valor do benefício a) Trabalhadores urbanos e rurais (regra geral) Faixas de Salário Médio Até R$ R$ 841,88 De R$ 841,89 até R$ 1.403,28 Acima de R$ 1.403,28 Valor da Parcela Multiplica-se salário médio por 0.8 (80%) O que exceder a 767,60 multiplica-se por 0.5 (50%) e soma-se a 673,51. O valor da parcela será de R$ 954,21 invariavelmente. O salário médio é obtido pela média aritmética dos três últimos salários recebidos pelo empregado, conforme art. 9º da Resolução 467/2005. Observação: valores atuais, considerado o salário mínimo de R$510,00, válido a partir de janeiro/2010. b) Doméstico; pescador artesanal; trabalhador resgatado Um salário mínimo Prazo para requerimento a) Trabalhadores urbanos e rurais (regra geral) 7

8 Resolução CODEFAT nº 467/2005: Art. 14. Os documentos de que trata o artigo anterior deverão ser encaminhados pelo trabalhador a partir do 7º (sétimo) e até o 120º (centésimo vigésimo) dias subseqüentes à data da sua dispensa ao Ministério do Trabalho e Emprego por intermédio dos postos credenciados das suas Delegacias, do Sistema Nacional de Emprego SINE e Entidades Parceiras. b) Doméstico Resolução CODEFAT nº 253/2000: Art. 9º O empregado doméstico terá do sétimo ao nonagésimo dia subseqüente à data de sua dispensa, para requerer o Seguro-Desemprego junto aos órgãos autorizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego. c) Pescador artesanal Resolução CODEFAT nº 468/2005: Art. 4º O benefício de que trata o caput do artigo 3º será requerido a partir do trigésimo dia que anteceder o início do defeso, até o seu final, não podendo ultrapassar o prazo de 180 (cento e oitenta) dias. d) Trabalhador resgatado Resolução CODEFAT nº 306/2002: Art. 7º O trabalhador poderá requerer o benefício do Seguro-Desemprego até o nonagésimo dia subseqüente à data do resgate Não fornecimento da Comunicação de Dispensa CD pelo empregador É obrigação do empregador, quando da dispensa do empregado sem justa causa, fornecer ao mesmo documento denominado Comunicação de Dispensa CD, mais conhecido como guia do seguro-desemprego. Tal documento será indispensável para instrução do requerimento do benefício. 8

9 Caso o empregador não forneça tal documento ao empregado, arcará ele com a indenização equivalente ao valor a que teria direito o trabalhador, ou seja, deverá lhe pagar indenização compensatória referente ao valor das parcelas de seguro-desemprego a que teria direito. Neste sentido, a Súmula nº 389 do TST: SUM-389 SEGURO-DESEMPREGO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. DIREITO À INDENIZAÇÃO POR NÃO LIBERAÇÃO DE GUIAS (conversão das Orientações Jurisprudenciais nºs 210 e 211 da SBDI-1) - Res. 129/2005, DJ 20, 22 e I - Inscreve-se na competência material da Justiça do Trabalho a lide entre empregado e empregador tendo por objeto indenização pelo não-fornecimento das guias do seguro-desemprego. (ex-oj nº 210 da SBDI-1 - inserida em ) II - O não-fornecimento pelo empregador da guia necessária para o recebimento do seguro-desemprego dá origem ao direito à indenização. (ex-oj nº 211 da SB-DI-1 - inserida em ) Intransferibilidade do benefício Dispõe o art. 6º da Lei nº 7.998/1990 que o benefício é pessoal e intransferível: Art. 6º O seguro-desemprego é direito pessoal e intransferível do trabalhador, podendo ser requerido a partir do sétimo dia subseqüente à rescisão do contrato de trabalho. A Resolução CODEFAT nº 467/2005, por sua vez, esclarece que: Art. 11. O Seguro-Desemprego é pessoal e intransferível, salvo nos casos de: I morte do segurado, para efeito de recebimento das parcelas vencidas, quando será pago aos dependentes mediante apresentação de alvará judicial; e II grave moléstia do segurado, comprovada pela perícia médica do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, quando serão pagas as parcelas vencidas ao seu curador, ou ao seu representante legal, na forma admitida pela Previdência Social Observação importante Vimos acima apenas o básico sobre a regulamentação do seguro-desemprego. Uma vez mais, trata-se de escolher uma estratégia de estudo. Se você acha que este ponto no programa para 9

10 AFT merece maior investimento de tempo, há muito mais informação disponível na legislação mencionada acima, notadamente nas Resoluções do CODEFAT. Se for este o caso, baixe-as a partir do link indicado e treine memorização. No nosso Curso Completo não acredito seja importante aprofundar demais neste tema, sinceramente Questão de concurso (AFT 2006 ESAF) O benefício do seguro-desemprego a) também tem por finalidade prover a assistência financeira temporária ao trabalhador comprovadamente resgatado de regime de trabalho forçado ou da condição análoga à de escravo, sendo que tal previsão legal não constava no texto originário que regula tal programa. Correta, conforme art. 2º da Lei nº 7.998/1990, com redação dada pela Lei nº /2002. b) será equivalente, considerando o mínimo e o máximo de três a seis parcelas, respectivamente, ao salário mínimo vigente, quando visar a prover a assistência financeira ao trabalhador que vier a ser identificado como submetido a regime de trabalho forçado ou reduzido à condição análoga à de escravo, em decorrência de ação de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego. Errada. Para o trabalhador resgatado o benefício é de um salário mínimo, por três meses, no máximo. c) não é devido aos que percebam qualquer benefício previdenciário, porquanto não deve servir de plus remuneratório. Errada. A regra é a impossibilidade de cumulação do seguro-desemprego com benefícios previdenciários, porém há exceções, como, por exemplo, o auxílio-acidente (art. 3º da Lei nº 7.998/1990). d) poderá ser convertido em indenização do equivalente em dinheiro, cujo recurso deverá provir do Fundo de Amparo ao Trabalhador, caso o empregador não forneça as guias necessárias e o trabalhador comprove perante o órgão competente sua situação de desemprego, além do preenchimento dos demais requisitos legais. Errada. O documento denominado Comunicação de Dispensa CD, que deve ser entregue pelo empregador ao empregado, no ato da rescisão imotivada, constitui documento indispensável para instrução do requerimento do benefício. Caso o empregador não forneça tal documento, mais 10

11 conhecido como guia do seguro-desemprego, o empregado faz jus a indenização pelas parcelas perdidas, mas obviamente os recursos para tal partirão do empregador relapso, e não do FAT. e) poderá ser usufruído pelos herdeiros ou sucessores do segurado, caso a morte deste último sobrevenha quando em curso o recebimento das parcelas reconhecidas como devidas. Errada. O benefício em questão é intransferível aos herdeiros, salvo quanto às parcelas já vencidas até a data do óbito, não sendo devido em relação às parcelas vincendas. 11

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