A política pesqueira atual no Brasil: a escolha pelo crescimento produtivo em detrimento da pesca artesanal

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "A política pesqueira atual no Brasil: a escolha pelo crescimento produtivo em detrimento da pesca artesanal"

Transcrição

1 A política pesqueira atual no Brasil: a escolha pelo crescimento produtivo em detrimento da pesca artesanal 1 Natália Tavares de Azevedo 2 Naína Pierri 3 Com a eleição do Presidente Luis Inácio Lula da Silva -candidato do Partido dos Trabalhadores- no Brasil, em 2003, criou-se expectativas de desenvolvimento de políticas que favorecessem substancialmente às classes populares, o que, no âmbito do setor pesqueiro, representaria o favorecimento à pesca artesanal. Nos oito anos posteriores, incluindo o segundo mandato do Presidente Lula, muitos programas e ações foram concebidos e instrumentados pelo governo, mas, uma análise rigorosa dos mesmos permite afirmar que a pesca artesanal, ainda que tenha sido atendida como nunca antes, não foi o sub-setor pesqueiro mais beneficiado, e que ações dirigidas aos outros sub-setores, somadas a certas omissões, tem prejudicado aos pescadores artesanais. Nos últimos anos, ao que tudo indica, o governo da Presidenta Dilma Rousseff, que responde ao mesmo partido que o Presidente Lula, mostra continuidade e aprofundamento dessa política, incrementando a fragilidade da pesca artesanal. Os vaivéns das políticas pesqueiras prévias ( ) Antes do governo Lula, a política pesqueira no Brasil teve três momentos institucionais com perfis de atuação distintos, que são importantes de ser lembrados para compreender melhor a política atual. Assim, o primeiro período, entre 1964 e 1989, esteve caracterizado por um desenvolvimentismo modernizante e ambientalmente irresponsável. No segundo período, entre 1989 e 1998, o governo reage ao anterior e define uma política fundamentalmente conservacionista. E o terceiro período, entre 1998 e 2003, esteve caracterizado por uma disputa institucional onde a tentativa de retomar o desenvolvimento setorial resultou travada pelas disposições ambientais. 1 Este artigo foi publicado pelo Coletivo Internacional de Apoio aos Pescadores Artesanais (CIAPA, em inglês ICSF- International Collective in Support of Fishworkers) na revista Samudra Report, N o 64, p , de março de 2013, nas suas versões em inglês, em francês e em espanhol, disponíveis no site Autoriza-se a sua reprodução e divulgação com a devida menção do anterior. 2 Pesquisadora da Universidade Federal do Paraná (UFPR). 3 Professora da UFPR e membro do Coletivo Internacional de Apoio aos Pescadores Artesanais (CIAPA).

2 Entre 1964 e 1989, período que inclui o governo militar ( ), o órgão responsável pelas políticas para o setor foi a Superintendência de Desenvolvimento da Pesca (SUDEPE), que implementou uma política desenvolvimentista, focada especialmente na pesca industrial, fazendo uso de incentivos fiscais e tributários amparados, entre outros, na Lei da Pesca de Nesse período efetivaram-se também algumas medidas modernizantes para a pesca artesanal particularmente o financiamento de motores-, ainda que estas tenham ocupado um espaço muito pequeno no total das ações empreendidas. No conjunto, essa política gerou, do ponto de vista econômico, o maior crescimento histórico contínuo da pesca extrativa, mas, do ponto de vista ambiental, gerou a sobrepesca dos principais recursos, com destaque para o colapso da pesca da sardinha verdadeira (Sardinella Brasiliensis). A crise dos recursos pesqueiros, somada às várias denúncias de malversação de fundos públicos e de corrupção, levaram à extinção da SUDEPE. Em 1989, já após a reabertura democrática e a promulgação da nova Constituição, as funções da SUDEPE foram atribuídas a uma instituição ambiental, o então recém-criado Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que depois veio a ser o principal braço executor do Ministério de Meio Ambiente, criado em Nesse período, que vai até 1998, essa alocação da política pesqueira no órgão ambiental federal, somada à adoção geral de medidas neoliberais que inibiram certos investimentos públicos, conduziu o foco para políticas conservacionistas. Assim, se cortou qualquer incentivo para o desenvolvimento da atividade, considerando toda a pesca depredadora, e se criaram diversos instrumentos de gestão pesqueira, visando limitar o esforço de pesca e proteger certas espécies. O terceiro período se inicia em 1998 com a criação do Departamento de Pesca e Aquicultura (DPA) no interior do Ministério da Agricultura, que foi uma tentativa de retirar a tutela ambiental do setor e retomar a política desenvolvimentista. Abriu-se então um período de fortes conflitos institucionais entre o Ministério de Agricultura e o IBAMA, motivados pela divisão de competências na gestão e ordenamento dos recursos pesqueiros e pela retomada, ainda que incipiente, dos investimentos no setor pesqueiro, que, agora, além de se dirigir principalmente à pesca industrial, também privilegiaram a aquicultura empresarial, que dava seus primeiros passos. A pesca artesanal, pois, ao longo desses três períodos, não foi alvo de praticamente nenhuma ação por parte dos governos, que se centraram ora no desenvolvimento industrial do setor, ora na conservação e preservação dos recursos. Desta forma, a condição social dos pescadores artesanais, sua contribuição econômica e à produção de alimento, e a diversidade de suas formas culturais de vida estiveram fundamentalmente à margem das preocupações governamentais. Mais do que isso, o resultado das políticas desenvolvimentistas e conservacionistas, somados ao vazio de políticas 2

3 substantivas para a pesca artesanal, determinaram que a maioria dos pescadores artesanais e suas comunidades ficassem em condições muito precárias de vida. Assim, eles se constituíram nas principais vítimas da crise dos recursos pesqueiros, sem ter sido os principais responsáveis de causá-la, ficando condenados ao empobrecimento e a enfrentar a concorrência desigual com a pesca industrial e a aquicultura empresarial e os conflitos derivados. A reorganização institucional para reconduzir a política pesqueira Quando o Presidente Lula começou o seu primeiro governo, em 2003, esperava-se, então, que atuasse favorecendo prioritariamente à pesca artesanal, que é responsável por mais da metade da produção pesqueira do país, ocupa diretamente 700 mil pessoas, e ao redor de 2 milhões de pessoas dependem dela. As principais ações do governo Lula para instrumentar a nova política pesqueira foram: a criação de um órgão setorial específico e hierarquizado e, anos depois, de uma nova lei de pesca; a criação de novas formas e espaços de interlocução entre a sociedade civil e o governo; e a incorporação, nesse órgão setorial de fomento, da primazia nas funções de ordenamento e gestão ambiental que antes estava era exercida pelos órgãos ambientais. Assim, o Presidente Lula, já no início do seu governo, em 2003, criou a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca (SEAP) com status ministerial. Em 2009, a SEAP foi transformada em Ministério de Pesca e Aqüicultura-MPA, o que supôs um aumento de recursos humanos e financeiros, ampliando e fortalecendo a capacidade institucional. No que diz respeito aos espaços de interlocução com a sociedade civil envolvida no setor, o governo criou duas instâncias principais: o Conselho Nacional de Pesca (CONAPE), que é um órgão colegiado de caráter consultivo, criado em 2003, como parte da estrutura da SEAP, e as chamadas Conferências Nacionais, precedidas por conferências estaduais, que são um mecanismo para aferir as demandas de diferentes setores da sociedade civil, neste, como em outros setores. O CONAPE está formado por 54 membros, com 27 representantes da sociedade civil nomeados a cada dois anos pelas suas assembleias (15 representantes dos movimentos sociais e trabalhadores, 10 representantes da área empresarial, e 02 da área acadêmica e de pesquisa), e com os outros 27 representantes de órgãos governamentais envolvidos no tema. No período analisado, o CONAPE se reuniu de 2 a 3 vezes por ano, e houve 3 Conferências Nacionais de Pesca e Aquicultura (2003, 3

4 2006 e 2009), e uma Conferência das Trabalhadoras da Pesca e da Aquicultura (2004), reunindo estas de 600 a 1500 pessoas. Embora a criação desses espaços de participação represente um importante avanço democrático porque neles se podem expressar as demandas populares, por si só não garantem a incorporação dessas demandas às políticas públicas. Mais ainda, a participação nesses espaços, sobretudo quando é numerosa, pode ser usada pelo governo como demonstração de força a favor de alguma intenção própria ou com fins eleitorais visando cativar votos, e em todos os casos pode se constituir em legitimação de políticas que não beneficiem às classes populares ou até as prejudiquem. De fato, as quatro conferências organizadas contiveram todos esses aspectos, em diferentes graus. Também em 2009, concomitante com a criação do Ministério, aprovou-se o novo marco legal para a pesca no país, por meio da Lei N o que instituiu a Política Nacional para o Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca. Uma das principais mudanças derivadas desse reordenamento jurídico foi a primazia outorgada ao MPA nas funções de administração pesqueira e ordenamento aquícola. Até esse momento essas competências estavam repartidas entre a SEAP, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e o IBAMA, mas quem tinha maior peso eram os órgãos ambientais. Mas, a SEAP percebia a ação dos órgãos ambientais como um forte entrave para o impulso que queria dar à pesca industrial e especialmente à aquicultura. Então, depois de anos de tensão e conflitos, a nova lei de pesca impôs o MPA como o órgão coordenador do processo de gestão e ordenamento da pesca, e os órgãos ambientais foram mantidos apenas como colaboradores no então criado Sistema de Gestão Compartilhada dos Recursos Pesqueiros, que também prevê a participação de cientistas e usuários dos recursos. Esta reorganização institucional constituiu, pois, um movimento político pelo qual o governo federal, respaldado e legitimado pela participação dos pescadores artesanais e demais setores da pesca e da aquicultura, conseguiu uma acumulação de forças que lhe permitiu liberar o caminho para avançar no fomento da produção pesqueira, mediante a criação de um ministério, a aprovação de uma nova legislação e, principalmente, o enfraquecimento dos entraves ambientais. O foco no crescimento econômico privilegia a aquicultura e a pesca industrial oceânica Os objetivos da política pesqueira foram reconduzidos pelo governo de forma que o crescimento da produção foi consolidado como principal meta, tal como anuncia o primeiro Projeto Político da 4

5 SEAP, apresentado após a 1ª Conferência Nacional de 2003, e se consagra em 2008, no primeiro plano sistemático para o setor pesqueiro intitulado Mais Pesca e Aquicultura. Adicionalmente, figuram entre os objetivos a modernização do setor, tanto da captura quanto do beneficiamento e da comercialização, e, secundariamente, a ampliação dos direitos sociais e da renda do pescador artesanal. Reconhecendo que a maior parte dos estoques pesqueiros das áreas costeiras está sobre-explotada, e sem pôr os devidos esforços em revertê-lo, o governo definiu incentivar a produção da pesca industrial oceânica sob o suposto de que nas águas profundas ainda haveria margem para incrementar a produção. Desta forma, dentro da pesca extrativa, o governo estabeleceu como principais atores para protagonizar o pretendido crescimento aos empreendedores da pesca industrial, e não aos pescadores artesanais. Para gerar esse crescimento, o governo desenvolveu vários programas de ação. Um deles é o Programa Profrota, que consistia em uma política de crédito para fabricar barcos visando constituir uma frota nacional para atuar na Zona Econômica Exclusiva (ZEE) brasileira, com expectativas de incrementar a pesca de espécies como os grandes atuns e similares. Essa frota nacional iria substituir as embarcações estrangeiras que estavam sendo arrendadas e traria para o país recursos que também estavam sendo apropriados por frotas estrangeiras. Vale ressaltar que, além disso, o Profrota providenciou fundos para a substituição de embarcações de pesca industrial que operam sobre os estoques costeiros de camarão, pargo (Lutjanus Purpureus Poey) e piramituba (Branchplatystoma Vaillant), condicionado a que as embarcações mais antigas fossem inabilitadas. O programa, contudo, não obteve o sucesso desejado: apenas 8 embarcações das 130 planejadas foram financiadas. Além disso, a pesca industrial foi beneficiada com o incremento paulatino do Programa de Subvenção ao Óleo Diesel, o combustível usado pelas embarcações, que, mais adiante, o governo pretendeu estender aos pescadores artesanais, mas que foi limitado por dificuldades operacionais. Pode-se dizer, assim, que este programa atende fundamentalmente à pesca industrial, contribuindo a tornar economicamente viáveis pescarias que não o são do ponto de vista ambiental, e, por outro lado, contribuindo a aumentar os conflitos entre a pesca industrial e a pesca artesanal. A expansão do crédito para o setor pesqueiro também tem sido uma ação prioritária do governo, e se consolidou com o lançamento do 1º Plano Safra das Águas, em Criaram-se novas linhas de crédito e ampliaram-se os limites para a pesca industrial e para a aquicultura. Por outro lado, ampliou-se a inclusão de pescadores artesanais no Programa Nacional da Agricultura Familiar (PRONAF), que é um sistema de crédito específico para esses produtores, mas que tem muitos limites e problemas na execução. 5

6 Os dados sobre o crédito disponibilizados pelo MPA apontam um montante de R$ ,00 (em torno de US$ , a valores de 2010, onde US$ 1,00 custava R$1,83) aplicados entre os anos de 2003 e 2010, num total de contratos. Mas esses dados não diferenciam os beneficiários de forma que não se sabe quanto foi destinado a cada sub-setor pesqueiro nem o que foi destinado à aquisição de petrechos de pesca, embarcações e/ou motores. Já em relação à aquicultura, o governo lhe foi atribuindo cada vez mais importância, de forma que quando o MPA venceu os entraves dos órgãos ambientais e trouxe para si a atribuição do ordenamento aquícola, passou a realizar a demarcação de Parques Aquícolas, bem como o desenvolvimento de Planos Locais de Desenvolvimento da Maricultura. A partir de então, a aquicultura passou a ser o sub-setor principal para o fim do crescimento produtivo, e, portanto, o mais privilegiado pela política governamental. Assim, o MPA vem fazendo cessões onerosas e nãoonerosas de áreas aquícolas, isto é, vendendo ou doando espaços aquáticos públicos para cultivos de particulares. Por outro lado, se propõe a integração vertical da cadeia produtiva, por meio do desenvolvimento e adoção de pacotes tecnológicos. Apesar da porção de espaços aquícolas cedida de forma não onerosa, cujo público alvo seria composto pelos pequenos produtores ou pescadores artesanais, esta política implica o início de um processo de privatização das águas continentais e marinhas que, sem dúvida, conflita, principalmente, com a pesca artesanal, pois dispõe dos espaços onde ela normalmente acontece. Quando questionado, o governo não admite esse conflito, e o esconde sob o discurso de que os pescadores artesanais, graças a sua ajuda, virarão aquicultores, e assim resolverão os limites impostos pela crise de recursos e melhorarão definitivamente sua renda e suas condições de vida. A aquicultura é, pois, o projeto principal de desenvolvimento pesqueiro deste governo, e o futuro programado para o pescador artesanal é que deixe de pescar, isto é, que deixe de ser pescador. É importante destacar que, apesar do anterior, desde o início da atuação da SEAP existe, no discurso governamental, a proposição de atender prioritariamente a pesca artesanal. Os dados da distribuição orçamentária da SEAP entre os anos 2003 e 2009, a primeira vista parecem confirmar essa intenção. 6

7 QUADRO 1. DISTRIBUIÇÃO DO ORÇAMENTO DA SEAP ( ) SETOR INVESTIMENTO (R$) Pesca artesanal R$ ,00 36 Pesca industrial (inclui Profrota e subvenção ao óleo diesel) % R$ ,00 26 Aquicultura R$ ,00 14 Outros: Publicidade e Administrativo R$ ,00 24 TOTAL GERAL R$ , Fonte: elaboração própria com base em MINISTÉRIO DE TRABALHO E EMPREGO (MTE), Políticas públicas de emprego no Brasil: avaliação externa do Programa Seguro-desemprego. Brasília, 2010 e MINISTÉRIO DA PESCA E AQUICULTURA (MPA), Relatório de Ações Executadas no período de 2003 a Brasília, Observando o Quadro 1, os números absolutos mostram que a pesca artesanal recebeu a maior quantidade dos gastos/investimentos (36%), seguida pelo setor industrial, que recebeu 26% do total, e que a aquicultura recebeu apenas 14%, sendo o 24% restante dos gastos destinados a administração e publicidade. Porém, se se considera a quantidade de pessoas de cada setor, que são as reais beneficiárias desses gastos, o sentido da distribuição se inverte, mostrando que os pescadores artesanais do país receberam relativamente muito menos que os empresários industriais, que são uns poucos milhares, considerando que há aproximadamente 5000 embarcações neste subsetor. Por sua vez, relembrando que, nesse período, a SEAP ainda não tinha vencido os entraves ambientais para poder promover massivamente a aquicultura, o montante destinado a esta também tem um peso relativo maior. Mas, aos efeitos de nossa questão, o relevante é que esses números ratificam que, apesar do discurso, os pescadores artesanais não são os beneficiários principais do apoio do governo ao setor pesqueiro. As ações dirigidas à pesca artesanal visam mais o alívio imediato da pobreza e não sua supervivência e fortalecimento de longo prazo Mas, qual é a política do governo atual para a pesca artesanal em si? Começando com as ações voltadas para a atividade pesqueira, a principal medida do governo orientada à fase de produção da pesca artesanal foi a ampliação já referida do acesso dos pescadores artesanais ao crédito oriundo do PRONAF. Mas, os montantes dos empréstimos e certos condicionamentos e medidas 7

8 complementares orientavam esses recursos para serem usados para repor equipamentos de pesca e não para somar novos, na intenção do governo de não ampliar a capacidade de captura deste subsetor. Outras ações referidas à fase produtiva foram dirigidas a diminuir custos de insumos, tais como a distribuição de fábricas de gelo, e o acesso à subvenção ao óleo diesel, sendo ambos pouco eficazes por dificuldades de implementação. Outras medidas foram orientadas a otimizar as fases pós-captura da cadeia produtiva da pesca, isto é o processamento e a comercialização, tais como a distribuição de kits para beneficiamento inicial (limpeza e filetamento) e comercialização direta do pescado, e de caminhões frigoríficos para facilitar o transporte para centros comerciais, visando diminuir os custos e a dependência da intermediação. Por último, na fase do consumo, o governo incluiu o pescado na alimentação das crianças nas escolas, como meio de ampliar e garantir um mercado consumidor regular, assim como certos preços. Complementarmente, em 2008, foi lançado o Plano Nacional de Assistência Técnica e Extensão Pesqueira, que, junto com o estímulo ao associativismo e ao cooperativismo, seriam outros meios de favorecer o aumento de eficácia na cadeia produtiva e a diminuição de custos. Por outro lado, o governo teve outras iniciativas em matéria educativa, tais como um programa de alfabetização (Pescando Letras) e cursos técnicos em pesca e em aquicultura, com conteúdos e formas pedagógicas desenhadas especificamente para pescadores. Mas, o mais destacado das ações voltadas à melhoria de renda, é a política do chamado Seguro Defeso para a Pesca Artesanal que consiste no pagamento de um salário mínimo mensal (US$ 340,00, aproximadamente, em valores de março de 2013) aos pescadores artesanais envolvidos na pesca de determinadas espécies, durante os períodos em que esta é proibida (de 2 a 4 meses por ano) com o fim de favorecer a reprodução e manutenção dos estoques. Surgida em 1991 como uma ferramenta de gestão pesqueira, esta política foi exponencialmente ampliada durante o governo do Presidente Lula. A SEAP facilitou o acesso e não fez os devidos controles, estimulando que recebam esse benefício muitos pescadores que não pescam as espécies em questão, e inclusive muitas pessoas que não são pescadores profissionais, frequentemente próximas destes, e que ilicitamente se registram como tais. Desta forma, essa ferramenta de gestão ambiental, se voltou, pela via dos fatos, uma política social distributiva muito forte, concebida e facilitada pelo Ministério de Pesca, mas financiada pelo Ministério de Trabalho e Emprego, por esse benefício ter sido formulado como um seguro de desemprego. A figura 01 é eloquente em mostrar o crescimento das pessoas registradas como pescadores profissionais e o crescimento, ainda maior, da quantidade de dinheiro pago como seguro-defeso no período Este crescimento relativo maior do 8

9 monto pago se deve ao incremento do salário mínimo nacional registrado nesse período (US$ 77,00 em 2003; US$ 291,00, em 2010). FIGURA 01 - EVOLUÇÃO DOS MONTANTES APLICADOS (R$) E TOTAL DE BENEFICIÁRIOS DO SEGURO-DEFESO Fonte: Elaboração própria com base em MTE, 2010, op cit.(op.cit.). Os dados indicam, então, que o objetivo principal da política do governo dirigida para a pesca artesanal busca a redução da pobreza mediante o incremento da renda dos pescadores artesanais e de suas comunidades, em primeira instância, por meio da melhoria da cadeia produtiva e a diminuição da dependência de intermediários. Mas, sendo ambas positivas e necessárias, são limitadas pelo fato de nenhuma dessas medidas terem caráter universal e/ou sistemático. Pelo contrário, se trata de ações fragmentadas, dispersas e pontuais, que são incapazes de transformar significativamente a realidade das comunidades pesqueiras. Considerando isso, e o volume de dinheiro público distribuído como pagamento do seguro-defeso a grande parte da categoria, esta medida distributiva se constitui na mais significativa realizada pelo governo com respeito à pesca artesanal no período considerado. Mas, também é limitada, pois se trata de um mecanismo não universal e, pior ainda, com vícios de procedimento que questionam sua legalidade e, portanto, sua continuidade. No conjunto, o que predomina como política específica para a pesca artesanal, então, é uma política de corte distributivo, que, apesar de, no imediato, servir para a diminuição da pobreza e a melhora de qualidade de vida das comunidades pesqueiras, resulta totalmente insuficiente para atender a situação de fragilidade estrutural da pesca artesanal a médio e longo prazo, como seria necessário. 9

10 A política neodesenvolvimentista para o setor pesqueiro representa o aumento da vulnerabilidade da pesca artesanal Essas características da política pesqueira atual são condizentes com o modelo de desenvolvimento construído pelo governo federal nos últimos anos, que tem sido denominado de neodesenvolvimentista. Este se caracteriza por combinar uma forte atuação governamental para impulsionar o crescimento econômico, principalmente através de grandes obras públicas de infraestrutura e de crédito público outorgado aos agentes econômicos considerados capazes de protagonizá-lo, somada a uma política de distribuição de renda, em grande parte viabilizada mediante benefícios sociais não universais nem permanentes, mais que, no imediato, estimulam o consumo, fortalecem o mercado interno, e criam conformismo nos setores populares. No caso do setor pesqueiro, esse modelo se expressa na prioridade dada à pesca industrial e, crescentemente, à aquicultura, e no caráter predominantemente social e distributivo da política voltada à pesca artesanal. Grandes projetos de infraestrutura, como hidrelétricas, portos e estradas, grandes empreendimentos públicos e privados, como a exploração de petróleo, fazendas de carcinicultura, hotéis resorts, e complexos industriais, pressionam cada vez mais aos pescadores artesanais, que não contam com nenhuma proteção especial que lhes garanta a permanência nos seus territórios e seus modos de vida. A política para o setor pesqueiro não somente não escolhe aos pescadores artesanais como destinatários privilegiados do apoio do governo, senão que, pior ainda, a prioridade dada à pesca industrial e à aquicultura implica, por um lado, o incremento da escassez de recursos pesqueiros, e, por outro, a privatização das águas, que já começou, processos que, se não forem detidos, acabarão inviabilizando a pesca artesanal. No conjunto, a atuação governamental dos últimos anos, por trás de um discurso de suposta sensibilidade social e responsabilidade ambiental, e a pesar da diminuição imediata da pobreza, tem contribuído para aumentar a vulnerabilidade e a situação de injustiça ambiental sofrida pelas comunidades pesqueiras artesanais. Frente a esta situação, parte significativa dos pescadores artesanais organizados tem adotado uma posição crítica ao governo. Em 2010, isto cristalizou na criação de um novo movimento nacional e autônomo da categoria, denominado Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais do Brasil (MPP). Em 2012, o MPP lançou a Campanha Nacional pela Regularização dos Territórios das Comunidades Tradicionais Pesqueiras, que tem como objetivo principal a aprovação de uma Lei de Iniciativa Popular que reconheça e disponha a demarcação das áreas de terra e água das quais 10

11 dependem as comunidades pesqueiras. O reconhecimento do direito coletivo a esses territórios e aos recursos neles presentes é considerado a condição fundamental para garantir a sustentabilidade da pesca artesanal e garantir a reprodução dos modos de vida e práticas tradicionais de suas comunidades. A luta por conquistá-lo constitui uma exemplar resistência dos pescadores artesanais brasileiros frente ao modelo de desenvolvimento excludente impulsionado pelo governo nos últimos anos. Mais informação: AZEVEDO, N. T. Política Nacional para o Setor Pesqueiro no Brasil ( ), Tese de Doutorado. Programa de Pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento. UFPR. Curitiba Disponível em: Campanha Nacional pela Regularização do Território das Comunidades Tradicionais Pesqueiras 11

Políticas do MPA para o Desenvolvimento da Aquicultura, com Ênfase na Carcinicultura Brasileira. Ministro Marcelo Crivella

Políticas do MPA para o Desenvolvimento da Aquicultura, com Ênfase na Carcinicultura Brasileira. Ministro Marcelo Crivella Ministério da Pesca e Aquicultura Políticas do MPA para o Desenvolvimento da Aquicultura, com Ênfase na Carcinicultura Brasileira Ministro Marcelo Crivella SEMINÁRIO PESCA, AQUICULTURA e CARCINICULTURA

Leia mais

PLANO SAFRA DA PESCA E AQUICULTURA 2015/2016

PLANO SAFRA DA PESCA E AQUICULTURA 2015/2016 PLANO SAFRA DA PESCA E AQUICULTURA 2015/2016 PLANO SAFRA DA PESCA E AQUICULTURA 2015/2016 Pilares do PSPA CRÉDITO PROMOÇÃO PROMOÇÃO DO DO CONSUMO PESQUEIRO PSPA INFRAESTRUTURA ASSISTÊNCIA TÉCNICA COMERCIALI

Leia mais

Programa BB Aqüicultura e Pesca

Programa BB Aqüicultura e Pesca Programa BB Aqüicultura e Pesca O Banco do Brasil é o maior parceiro dos empreendedores brasileiros, sejam grandes ou pequenos produtores. Isso vale, também, para a aqüicultura e pesca. Assim, com o objetivo

Leia mais

PLANO SAFRA DAS ÁGUAS 2010-2011

PLANO SAFRA DAS ÁGUAS 2010-2011 PLANO SAFRA DAS ÁGUAS 2010-2011 1 PLANO SAFRA DAS ÁGUAS - PESCA E AQUICULTURA BRASÍLIA-DF 2010 SUMÁRIO Pag. Apresentação...4 Novidades...5 Linhas de Crédito - Pronaf Pesca e Aquicultura...6 Linhas de Crédito

Leia mais

Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca

Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca Desenvolvimento Sustentável da Aqüicultura Desenvolvimento Sustentável da Pesca Gestão da Política Pesqueira Sumário Executivo Em 2005, do total previsto para

Leia mais

POR UMA POLÍTICA PÚBLICA NACIONAL DE FORMAÇÃO EM ECONOMIA SOLIDÁRIA PPNFES

POR UMA POLÍTICA PÚBLICA NACIONAL DE FORMAÇÃO EM ECONOMIA SOLIDÁRIA PPNFES SECRETARIA NACIONAL DE ECONOMIA SOLIDÁRIA MTE/SENAES FÓRUM BRASILEIRO DE ECONOMIA SOLIDÁRIA ENCONTRO NACIONAL DE FORMAÇÃO/EDUCAÇÃO EM ECONOMIA SOLIDÁRIA POR UMA POLÍTICA PÚBLICA NACIONAL DE FORMAÇÃO EM

Leia mais

DECRETO Nº 4.895, DE 25 DE NOVEMBRO DE 2003. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e

DECRETO Nº 4.895, DE 25 DE NOVEMBRO DE 2003. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e DECRETO Nº 4.895, DE 25 DE NOVEMBRO DE 2003 Dispõe sobre a autorização de uso de espaços físicos de corpos d água de domínio da União para fins de aquicultura, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA

Leia mais

Pesca Sustentável e Responsável. Antônio Olinto Ávila da Silva Pesquisador Científico Centro APTA Pescado Marinho

Pesca Sustentável e Responsável. Antônio Olinto Ávila da Silva Pesquisador Científico Centro APTA Pescado Marinho Pesca Sustentável e Responsável Antônio Olinto Ávila da Silva Pesquisador Científico Centro APTA Pescado Marinho O que é Sustentabilidade? Capacidade de persistir no longo prazo. Característica, p.ex.,

Leia mais

Deputado Estadual Neodi Saretta Julho de 2015

Deputado Estadual Neodi Saretta Julho de 2015 Deputado Estadual Neodi Saretta Julho de 2015 O País é banhado por uma costa marítima de 8,5 mil quilômetros e possui 12% da água doce do planeta; O pescado é a proteína animal mais saudável e consumida

Leia mais

REQUERIMENTO. (Do Sr. Flávio Bezerra)

REQUERIMENTO. (Do Sr. Flávio Bezerra) REQUERIMENTO (Do Sr. Flávio Bezerra) Requer o envio dessa Indicação ao Poder Executivo, por intermédio do Ministério do Trabalho que conceda carteira de licença de pesca da lagosta aos pescadores já inscritos

Leia mais

Plano Safra da Pesca e Aquicultura 2012/2013/2014. Você investe no pescado. O Brasil investe em você.

Plano Safra da Pesca e Aquicultura 2012/2013/2014. Você investe no pescado. O Brasil investe em você. Plano Safra da Pesca e Aquicultura 2012/2013/2014 Você investe no pescado. O Brasil investe em você. Plano Safra da Pesca e Aquicultura. 4,1 bilhões em crédito e investimentos. Mais crédito e investimentos.

Leia mais

CONFERÊNCIA TEMÁTICA DE COOPERATIVISMO SOLIDÁRIO

CONFERÊNCIA TEMÁTICA DE COOPERATIVISMO SOLIDÁRIO CONFERÊNCIA TEMÁTICA DE COOPERATIVISMO SOLIDÁRIO DOCUMENTO PROPOSITIVO Página 1 1. IMPORTÂNCIA DO TEMA PARA A II CONFERÊNCIA NACIONAL 1.1. A construção de um novo Brasil pautado na justiça, equidade e

Leia mais

RELATORA: Senadora KÁTIA ABREU

RELATORA: Senadora KÁTIA ABREU PARECER N o, DE 2009 Da COMISSÃO DE AGRICULTURA E REFORMA AGRÁRIA, sobre o Projeto de Lei do Senado n o 246, de 2007, que regula o Programa de Seguro- Desemprego Rural, o Abono Salarial Rural, o Programa

Leia mais

Coordenação Geral de Crédito

Coordenação Geral de Crédito Presidência da República Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca Subsecretaria de Planejamento de Aqüicultura e Pesca Coordenação Geral de Crédito Panorâmica de Crédito em CRÉDITO 05/05/08 - Linhas

Leia mais

CÂMARA DOS DEPUTADOS Gabinete do Deputado ODAIR CUNHA PT/MG

CÂMARA DOS DEPUTADOS Gabinete do Deputado ODAIR CUNHA PT/MG PROGRAMAS ABERTOS MINISTÉRIO DA PESCA Código do Programa 5800020130061 Administração Pública Estadual ou do Distrito Federal Programa 20.122.2113.2000.0001.0001 - Adminstração da Unidade - Nacional A atividade

Leia mais

Abordagem territorial e o Desenvolvimento da aqüicultura e pesca no. Seap/pr 2008/2011

Abordagem territorial e o Desenvolvimento da aqüicultura e pesca no. Seap/pr 2008/2011 Abordagem territorial e o Desenvolvimento da aqüicultura e pesca no Brasil Seap/pr 2008/2011 BRASÍLIA, JUNHO DE 2008 ABORDAGEM TERRITORIAL E AS POLÍTICAS PARA A AQÜICULTURA E PESCA MOMENTOS DA APRESENTAÇÃO

Leia mais

Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica PNAPO BRASIL AGROECOLÓGICO

Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica PNAPO BRASIL AGROECOLÓGICO Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica PNAPO BRASIL AGROECOLÓGICO Sumário Contexto Processo de construção Estrutura do Decreto Objetivos e Interfaces Diretrizes Eixos e objetivos Medidas

Leia mais

Situação da Armazenagem no Brasil 2006

Situação da Armazenagem no Brasil 2006 Situação da Armazenagem no Brasil 2006 1. Estática de Armazenagem A capacidade estática das estruturas armazenadoras existentes no Brasil, registrada em dezembro de 2006 é de até o mês de novembro de 2006

Leia mais

POLITICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS

POLITICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS MARCO LEGAL Diálogo do Governo Federal com Sociedade Civil (Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis MNCR). Código Brasileiro de Ocupações - 2002 Reconhecimento a Categoria profissional

Leia mais

ESPELHO DE EMENDAS DE ACRÉSCIMO DE META

ESPELHO DE EMENDAS DE ACRÉSCIMO DE META SISTEMA DE ELABORAÇÃO DE S ÀS LEIS ORÇAMENTÁRIAS Página: 2504 de 2619 ESPELHO DE S DE 1 Apoio à pesquisa e preservação de recursos genéticos e biotecnologia Custos financeiros: Despesas de custeio - 3

Leia mais

FINANCIAMENTO PÚBLICO OU PRIVADO PARA AS CAMPANHAS

FINANCIAMENTO PÚBLICO OU PRIVADO PARA AS CAMPANHAS FINANCIAMENTO PÚBLICO OU PRIVADO PARA AS CAMPANHAS ELEITORAIS? ADRIANA CUOCO PORTUGAL 1 (30/01/2012) A interferência do poder econômico nos rumos políticos de um país tem sido uma fonte de constante preocupação

Leia mais

O Brasil Sem Miséria é um Plano de metas para viabilizar o compromisso ético ousado do Governo da presidenta

O Brasil Sem Miséria é um Plano de metas para viabilizar o compromisso ético ousado do Governo da presidenta O Brasil Sem Miséria é um Plano de metas para viabilizar o compromisso ético ousado do Governo da presidenta Dilma Rousseff. É também um desafio administrativo e de gestão ao impor ao setor público metas

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos DECRETO Nº 7.272, DE 25 DE AGOSTO DE 2010. Regulamenta a Lei n o 11.346, de 15 de setembro de 2006, que cria o Sistema Nacional de

Leia mais

Assessoria de Assuntos Estratégicos e Relações institucionais ASAE Gabinete do Ministro

Assessoria de Assuntos Estratégicos e Relações institucionais ASAE Gabinete do Ministro Assessoria de Assuntos Estratégicos e Relações institucionais ASAE Gabinete do Ministro Roteiro Plano Amazônia de Pesca e Aquicultura Amazônia Legal Pesca e Aquicultura na Amazônia Legal Plano Amazônia

Leia mais

Articulação da Participação Social e Processos Formativos Voltados ao Desenvolvimento Rural

Articulação da Participação Social e Processos Formativos Voltados ao Desenvolvimento Rural Universidade Federal da Paraíba - UFPB / Centro de Ciências Agrárias - CCA / Campus II Areia, Paraíba - 27 a 30 de outubro de 2014. Articulação da Participação Social e Processos Formativos Voltados ao

Leia mais

TRATRADO DE ÁGUA DOCE O CENÁRIO INTERNACIONAL E A PROBLEMÁTICA DA ÁGUA, MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO

TRATRADO DE ÁGUA DOCE O CENÁRIO INTERNACIONAL E A PROBLEMÁTICA DA ÁGUA, MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO [27] TRATRADO DE ÁGUA DOCE O CENÁRIO INTERNACIONAL E A PROBLEMÁTICA DA ÁGUA, MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO 1. Nos últimos anos a maioria dos países enfrentou grave crise econômica, que gerou um grande

Leia mais

1. A comunicação é atividade institucional e deve ser regida pelo princípio da

1. A comunicação é atividade institucional e deve ser regida pelo princípio da 1 SUGESTÕES PARA UMA POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO COMITÊ DE POLÍTICAS DE COMUNICAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO (CPCOM), REUNIÃO DE 30 DE MARÇO DE 2011 Redesenhado a partir da Constituição

Leia mais

Em defesa de uma Secretaria Nacional de Igualdade de Oportunidades

Em defesa de uma Secretaria Nacional de Igualdade de Oportunidades 1 Em defesa de uma Secretaria Nacional de Igualdade de Oportunidades A Comissão Nacional da Questão da Mulher Trabalhadora da CUT existe desde 1986. Neste período houve muitos avanços na organização das

Leia mais

ESTUDOS AVANÇADOS reproduz a seguir entrevista do economista José Juliano

ESTUDOS AVANÇADOS reproduz a seguir entrevista do economista José Juliano Reforma Agrária A proposta é uma coisa, o plano do governo é outra ENTREVISTA ESTUDOS AVANÇADOS reproduz a seguir entrevista do economista José Juliano de Carvalho Filho, professor da Faculdade de Economia

Leia mais

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS

CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO CAPÍTULO 3 COMBATE À POBREZA ÁREA DE PROGRAMAS Capacitação dos pobres para a obtenção de meios de subsistência sustentáveis Base para

Leia mais

Faz sentido o BNDES financiar investimentos em infraestrutura em outros países?

Faz sentido o BNDES financiar investimentos em infraestrutura em outros países? Faz sentido o BNDES financiar investimentos em infraestrutura em outros países? Marcos Mendes 1 O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem financiado a construção de infraestrutura

Leia mais

Curso de Especialização de Gestão Pública e Meio Ambiente. Disciplina de Legislação Ambiental. Professora Cibele Rosa Gracioli

Curso de Especialização de Gestão Pública e Meio Ambiente. Disciplina de Legislação Ambiental. Professora Cibele Rosa Gracioli Curso de Especialização de Gestão Pública e Meio Ambiente Disciplina de Legislação Ambiental Professora Cibele Rosa Gracioli LEI 11.284/2006 LEI DA CONCESSÃO DE FLORESTAS SUMÁRIO 1 Introdução 2 Serviço

Leia mais

Incentivo. à Aquicultura e à Pesca

Incentivo. à Aquicultura e à Pesca Incentivo à Aquicultura e à Pesca 9. Incentivo à Aquicultura e à Pesca 170 INTRODUÇÃO O setor pesqueiro foi historicamente pautado por políticas descontinuadas. A edição de instrumentos legais, a abertura

Leia mais

RESOLUÇÕES DA 3ª PLENÁRIA DO CONAPE Brasília, 28 e 29 de setembro de 2005. CTP 2: LEGISLAÇÃO, ORDENAMENTO E GESTÃO PESQUEIRA

RESOLUÇÕES DA 3ª PLENÁRIA DO CONAPE Brasília, 28 e 29 de setembro de 2005. CTP 2: LEGISLAÇÃO, ORDENAMENTO E GESTÃO PESQUEIRA RESOLUÇÕES DA 3ª PLENÁRIA DO CONAPE Brasília, 28 e 29 de setembro de 2005. CTP 2: LEGISLAÇÃO, ORDENAMENTO E GESTÃO PESQUEIRA 1. CONSELHEIROS PRESENTES: Coordenador: Wagner Camis - ABRACOA Relator: Raimundo

Leia mais

Nota técnica sobre a minuta de Decreto para Instituir a Política Nacional de Manejo Florestal Comunitário e Familiar

Nota técnica sobre a minuta de Decreto para Instituir a Política Nacional de Manejo Florestal Comunitário e Familiar Nota técnica sobre a minuta de Decreto para Instituir a Política Nacional de Manejo Florestal Comunitário e Familiar Jeff - Floresta Viva 04 de outubro de 2008 1. Comentários... 1 2. Recomendações... 2

Leia mais

Art. 1º - Criar o Estatuto dos Núcleos de Pesquisa Aplicada a Pesca e Aqüicultura.

Art. 1º - Criar o Estatuto dos Núcleos de Pesquisa Aplicada a Pesca e Aqüicultura. PORTARIA Nº DE DE NOVEMBRO DE 2010 O SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, nomeado pela Portaria nº 824, de 29 de agosto de 2005, publicada no Diário Oficial da União

Leia mais

As Interfaces entre os Processos de Licenciamento Ambiental e de Outorga pelo Uso da Água. Campo Grande - MS

As Interfaces entre os Processos de Licenciamento Ambiental e de Outorga pelo Uso da Água. Campo Grande - MS As Interfaces entre os Processos de Licenciamento Ambiental e de Outorga pelo Uso da Água Maria de Fátima Chagas 23 de novembro de 2009 23 de novembro de 2009 Campo Grande - MS A Água e Meio Ambiente -

Leia mais

2007 PRODOC BRA 05/028 MDS/PNUD

2007 PRODOC BRA 05/028 MDS/PNUD Instrumento de Solicitação de Manifestação de Interesse- Qualificação de Parceiros para a Implementação de Projetos de Inclusão Produtiva 2007 PRODOC BRA 05/028 MDS/PNUD 1. OBJETO DO INSTRUMENTO CONVOCATÓRIO

Leia mais

Banco do Nordeste Apoio à Agricultura Familiar

Banco do Nordeste Apoio à Agricultura Familiar Banco do Nordeste Apoio à Agricultura Familiar Programa Nacional de Fortalecimento Da Agricultura Familiar OBJETIVO Fortalecer a agricultura familiar, mediante o financiamento da infra-estrutura de produção

Leia mais

Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis

Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis Construção das Políticas Públicas processos, atores e papéis Agnaldo dos Santos Pesquisador do Observatório dos Direitos do Cidadão/Equipe de Participação Cidadã Apresentação O Observatório dos Direitos

Leia mais

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO SECRETARIA DO DESENVOLVIMENTO, TRABALHO E SOLIDARIEDADE

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO SECRETARIA DO DESENVOLVIMENTO, TRABALHO E SOLIDARIEDADE LEI nº, de de (Projeto de Lei nº 00/04, do Executivo) Institui o Programa Oportunidade Solidária, estabelece princípios fundamentais e objetivos da Política de Fomento à Economia Popular Solidária do Município

Leia mais

PROJETO MAIS PEIXES EM NOSSAS ÁGUAS

PROJETO MAIS PEIXES EM NOSSAS ÁGUAS PROJETO MAIS PEIXES EM NOSSAS ÁGUAS Promover o desenvolvimento socioambiental e econômico na região de influência do reservatório da EMPRESA por meio de ações de inclusão social e produtiva e melhoria

Leia mais

LEGISLAÇÃO DO CRÉDITO RURAL

LEGISLAÇÃO DO CRÉDITO RURAL *PRONAF* Legislação LEGISLAÇÃO DO CRÉDITO RURAL Art. 187. A política agrícola será planejada e executada na forma da lei, com a participação efetiva do setor de produção, envolvendo produtores e trabalhadores

Leia mais

A QUESTÃO FEDERATIVA NA DEFINIÇÃO DA POLITICA PÚBLICAS URBANAS NO BRASIL

A QUESTÃO FEDERATIVA NA DEFINIÇÃO DA POLITICA PÚBLICAS URBANAS NO BRASIL A QUESTÃO FEDERATIVA NA DEFINIÇÃO DA POLITICA PÚBLICAS URBANAS NO BRASIL 1 O PACTO FEDERATIVO E A QUESTÃO FISCAL As dificuldades oriundas do federalismo brasileiro vêm ganhando cada vez mais espaço na

Leia mais

INCLUSÃO PRODUTIVA. 3 - O governo estadual desenvolve ações, programas ou projetos de inclusão produtiva para a geração de trabalho e renda?

INCLUSÃO PRODUTIVA. 3 - O governo estadual desenvolve ações, programas ou projetos de inclusão produtiva para a geração de trabalho e renda? 1 - Existe algum tipo de estudo setorial e/ou diagnóstico socioeconômico do estado que tenha sido realizado no período entre 2010 e 2014? 1 Sim 1.1 - Ano do diagnóstico: Não (passe para 2 o quesito 3)

Leia mais

Tabelas Resumo das Diretrizes e Critérios para Aplicação do Fundo Amazônia Consolidação: 26.03.2010

Tabelas Resumo das Diretrizes e Critérios para Aplicação do Fundo Amazônia Consolidação: 26.03.2010 Tabelas Resumo das Diretrizes e Critérios para Aplicação do Fundo Amazônia Consolidação: 26.03.2010 Distribuição dos Recursos entre Áreas de Aplicação Área de Aplicação Limite de ção do total dos recursos

Leia mais

Objetivos Consolidar uma política garantidora de direitos Reduzir ainda mais a desigualdade social

Objetivos Consolidar uma política garantidora de direitos Reduzir ainda mais a desigualdade social AGENDA SOCIAL AGENDA SOCIAL Estamos lutando por um Brasil sem pobreza, sem privilégios, sem discriminações. Um país de oportunidades para todos. A melhor forma para um país crescer é fazer que cada vez

Leia mais

ENTREVISTA COM O SECRETÁRIO DE ESTADO AGOSTINHO PATRUS FILHO

ENTREVISTA COM O SECRETÁRIO DE ESTADO AGOSTINHO PATRUS FILHO ENTREVISTA COM O SECRETÁRIO DE ESTADO AGOSTINHO PATRUS FILHO Entrevista realizada em junho/2009 O atual Secretário de Estado do Desenvolvimento Social (SEDESE), Agostinho Patrus Filho, natural de Belo

Leia mais

LEI Nº 12.188, DE 11 DE JANEIRO DE 2010.

LEI Nº 12.188, DE 11 DE JANEIRO DE 2010. Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 12.188, DE 11 DE JANEIRO DE 2010. Vigência Institui a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura

Leia mais

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome MDS Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional SESAN

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome MDS Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional SESAN Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome MDS Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional SESAN Fórum de debates sobre a pobreza e a segurança alimentar Campinas, 13 de outubro

Leia mais

Desempenho da piscicultura de água doce

Desempenho da piscicultura de água doce Desempenho da piscicultura de água doce Epagri/Cedap: Fernando Soares Silveira, oceanógrafo, fernando@epagri.sc.gov.br; Fabiano Müller Silva, engenheiro-agrônomo, fabiano@epagri.sc.gov.br; Alex Alves dos

Leia mais

MEDIDA PROVISÓRIA Nº 323, DE 2006

MEDIDA PROVISÓRIA Nº 323, DE 2006 MEDIDA PROVISÓRIA Nº 323, DE 2006 NOTA DESCRITIVA OUTUBRO/2006 Nota Descritiva 2 2006 Câmara dos Deputados. Todos os direitos reservados. Este trabalho poderá ser reproduzido ou transmitido na íntegra,

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos Page 1 of 7 Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 11.958, DE 26 DE JUNHO DE 2009. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono

Leia mais

ENGENHARIA CONSULTIVA FOMENTAR O PARQUE CONSULTIVO NACIONAL

ENGENHARIA CONSULTIVA FOMENTAR O PARQUE CONSULTIVO NACIONAL ENGENHARIA CONSULTIVA FOMENTAR O PARQUE CONSULTIVO NACIONAL A Engenharia Consultiva Nacional e a Construção da Infraestrutura Um breve diagnóstico O setor de infraestrutura apresenta aspectos distintos

Leia mais

Por que defender o Sistema Único de Saúde?

Por que defender o Sistema Único de Saúde? Por que defender o Sistema Único de Saúde? Diferenças entre Direito Universal e Cobertura Universal de Saúde Cebes 1 Direito universal à saúde diz respeito à possibilidade de todos os brasileiros homens

Leia mais

Governo altera regras do Trabalho e da Previdência Social

Governo altera regras do Trabalho e da Previdência Social CONFEDERAÇÃO NACIONAL DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO RECONHECIDA NOS TERMOS DA LEGISLAÇÃO VIGENTE EM 16 DE SETEMBRO DE 2010 Estudo técnico Edição nº 23 janeiro de 2015 Organização:

Leia mais

POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO DA CEMIG COM A COMUNIDADE Substitui a NO-02.15 de 23/06/2009

POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO DA CEMIG COM A COMUNIDADE Substitui a NO-02.15 de 23/06/2009 03/08/2010 Pág.01 POLÍTICA DE COMUNICAÇÃO DA CEMIG COM A COMUNIDADE Substitui a NO-02.15 de 23/06/2009 1. INTRODUÇÃO 1.1 A Política de Comunicação da CEMIG com a Comunidade explicita as diretrizes que

Leia mais

MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL ROTAS DE INTEGRAÇÃO NACIONAL

MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL ROTAS DE INTEGRAÇÃO NACIONAL MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL SECRETARIA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL ORIENTAÇÕES PARA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE INCLUSÃO PRODUTIVA ROTAS DE INTEGRAÇÃO NACIONAL O presente documento tem por objetivo

Leia mais

Acesso ao Crédito para a Pesca e Aquicultura

Acesso ao Crédito para a Pesca e Aquicultura Ministério da Pesca e Aquicultura Esplanada dos Ministérios- Bloco D- Brasília DF Telefones: (61) 3218-3812 - FAX: (61) 3218-3816 comunicacao@mpa.gov.br www.mpa.gov.br Acesso ao Crédito para a Pesca e

Leia mais

O Prefeito Municipal de Pedro II, faz saber que o Poder Legislativo aprovou e este Poder sanciona a seguinte Lei:

O Prefeito Municipal de Pedro II, faz saber que o Poder Legislativo aprovou e este Poder sanciona a seguinte Lei: Projeto de Lei- 978 de 13 novembro de 2007, Política Municipal de Fomento à Economia Popular Solidária e a criação do conselho municipal de fomento á economia solidária de Pedro II, com a sigla ( CMPES

Leia mais

Síntese da POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DO BRASIL RURAL

Síntese da POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DO BRASIL RURAL Síntese da POLÍTICA DE DESENVOLVIMENTO DO BRASIL RURAL Apresenta à sociedade brasileira um conjunto de estratégias e ações capazes de contribuir para a afirmação de um novo papel para o rural na estratégia

Leia mais

RESOLUÇÕES DA 3ª PLENÁRIA DO CONAPE PARA O CTP.5 Brasília, 28 e 29 de setembro de 2005 COMITÊ TEMÁTICO PERMANENTE Nº 5 POLÍTICA DE CRÉDITO

RESOLUÇÕES DA 3ª PLENÁRIA DO CONAPE PARA O CTP.5 Brasília, 28 e 29 de setembro de 2005 COMITÊ TEMÁTICO PERMANENTE Nº 5 POLÍTICA DE CRÉDITO RESOLUÇÕES DA 3ª PLENÁRIA DO CONAPE PARA O CTP.5 Brasília, 28 e 29 de setembro de 2005 COMITÊ TEMÁTICO PERMANENTE Nº 5 POLÍTICA DE CRÉDITO 1. CONSELHEIROS PRESENTES: Coordenador: José Maria Pugas CNPA

Leia mais

Compromissos com o Meio Ambiente e a Qualidade de Vida Agenda Socioambiental para o Desenvolvimento Sustentável do Amapá

Compromissos com o Meio Ambiente e a Qualidade de Vida Agenda Socioambiental para o Desenvolvimento Sustentável do Amapá Compromissos com o Meio Ambiente e a Qualidade de Vida Agenda Socioambiental para o Desenvolvimento Sustentável do Amapá Eu, ( ) (sigla do partido) me comprometo a promover os itens selecionados abaixo

Leia mais

Princípios ref. texto nº de votos N

Princípios ref. texto nº de votos N Princípios N G A E Estimular os processos de articulação de políticas públicas nos territórios, garantindo canais de diálogo entre os entes federativos, suas instituições e a sociedade civil. Desenvolvimento

Leia mais

9.9. Plano de Compensação da Atividade Pesqueira (PCAP)... 1/9. 9.9.1. Sumário Executivo... 1/9. 9.9.2. Recorte Espacial... 2/9

9.9. Plano de Compensação da Atividade Pesqueira (PCAP)... 1/9. 9.9.1. Sumário Executivo... 1/9. 9.9.2. Recorte Espacial... 2/9 SUMÁRIO 9.9. Plano de Compensação da Atividade Pesqueira (PCAP)... 1/9 9.9.1. Sumário Executivo... 1/9 9.9.2. Recorte Espacial... 2/9 9.9.3. Público Previsto... 3/9 9.9.4. Objetivos... 4/9 9.9.5. Metodologia...

Leia mais

Dados Gerais da Experiência. Projeto Empreendedor Solidário

Dados Gerais da Experiência. Projeto Empreendedor Solidário Nome da experiência candidata Organização candidata Nome postulante Dados Gerais da Experiência Projeto Empreendedor Solidário Instituto Holcim Tatiana Brasil Nogueira Telefone 11 180867 E-mail País Município

Leia mais

Centro de Formação de Pescadores

Centro de Formação de Pescadores Aquicultura Projeto Piloto: Centro de Formação de Pescadores Por: Eloy de Sousa Centro de Formação de Pescadores Objetivo do Projeto: Estruturar um CENTRO DE REFERÊNCIA na formação de recursos-humanos

Leia mais

Proposta de 20 Metas Brasileiras de Biodiversidade para 2020

Proposta de 20 Metas Brasileiras de Biodiversidade para 2020 Proposta de 20 Metas Brasileiras de Biodiversidade para 2020 Propostas encaminhadas pela sociedade brasileira após consulta envolvendo cerca de 280 instituições dos setores: privado, ONGs, academia, governos

Leia mais

RENOVAR PARA INOVAR! Plano de Gestão. Proposta de plano de gestão do candidato Érico S. Costa ao cargo de Diretor do Campus

RENOVAR PARA INOVAR! Plano de Gestão. Proposta de plano de gestão do candidato Érico S. Costa ao cargo de Diretor do Campus RENOVAR PARA INOVAR! Plano de Gestão Proposta de plano de gestão do candidato Érico S. Costa ao cargo de Diretor do Campus 2013-2016 0 1 Sumário Apresentação... 2 Análise Situacional... 2 Programas Estruturantes...

Leia mais

Política e Sistema de Promoção e Proteção do Emprego PROPOSTA DAS CENTRAIS SINDICAIS

Política e Sistema de Promoção e Proteção do Emprego PROPOSTA DAS CENTRAIS SINDICAIS Política e Sistema de Promoção e Proteção do Emprego PROPOSTA DAS CENTRAIS SINDICAIS Novembro, 2013 1 Política e Sistema de Promoção e Proteção do Emprego PROPOSTA DAS CENTRAIS SINDICAIS Novembro, 2013

Leia mais

ipea Políticas Públicas de Economia Solidária: novas práticas, novas metodologias

ipea Políticas Públicas de Economia Solidária: novas práticas, novas metodologias Políticas Públicas de Economia Solidária: novas práticas, novas metodologias Sandra Faé Praxedes* Este artigo tem como objetivo oferecer ao leitor um breve balanço acerca do momento atual, das trajetórias

Leia mais

Fundo de Catástrofe do Seguro Rural

Fundo de Catástrofe do Seguro Rural Fundo de Catástrofe do Seguro Rural O Presidente da República submete hoje à apreciação do Congresso Nacional Projeto de Lei Complementar autorizando a constituição do Fundo de Catástrofe do Seguro Rural.

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos DECRETO Nº 5.813, DE 22 DE JUNHO DE 2006. Aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos e dá outras providências.

Leia mais

LEI COMPLEMENTAR Nº 141, DE 03 DE SETEMBRO DE 2009.

LEI COMPLEMENTAR Nº 141, DE 03 DE SETEMBRO DE 2009. LEI COMPLEMENTAR Nº 141, DE 03 DE SETEMBRO DE 2009. O GOVERNADOR DO ESTADO DE PERNAMBUCO: Dispõe sobre o Modelo Integrado de Gestão do Poder Executivo do Estado de Pernambuco. Faço saber que a Assembléia

Leia mais

2 Lei 13.134/2015. 2.3 Alterações no Abono Salarial: 2.3.1 Quanto ao período de tempo e valor

2 Lei 13.134/2015. 2.3 Alterações no Abono Salarial: 2.3.1 Quanto ao período de tempo e valor 2 Lei 13.134/2015 2.2 Conteúdo da Lei 13.134/2015: Altera as Leis no 7.998, de 11 de janeiro de 1990, que regula o Programa do Seguro-Desemprego e o Abono Salarial e institui o Fundo de Amparo ao Trabalhador

Leia mais

FOME ZERO. O papel do Brasil na luta global contra a fome e a pobreza

FOME ZERO. O papel do Brasil na luta global contra a fome e a pobreza FOME ZERO O papel do Brasil na luta global contra a fome e a pobreza Seminário Internacional sobre Seguro de Emergência e Seguro Agrícola Porto Alegre, RS -- Brasil 29 de junho a 2 de julho de 2005 Alguns

Leia mais

Seminário: As Compras Institucionais a Serviço dos Agricultores Familiares. CSA, Bruxelas 23 de Abril de 2014.

Seminário: As Compras Institucionais a Serviço dos Agricultores Familiares. CSA, Bruxelas 23 de Abril de 2014. Seminário: As Compras Institucionais a Serviço dos Agricultores Familiares CSA, Bruxelas 23 de Abril de 2014. ESTRATÉGIA: SEGURANÇA E SOBERANIA ALIMENTAR X FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR Fortalecimento

Leia mais

AGRÍCOLA NO BRASIL. Prefácio. resultados do biotecnologia: Benefícios econômicos da. Considerações finais... 7 L: 1996/97 2011/12 2021/22...

AGRÍCOLA NO BRASIL. Prefácio. resultados do biotecnologia: Benefícios econômicos da. Considerações finais... 7 L: 1996/97 2011/12 2021/22... O OS BENEFÍCIOS ECONÔMICOS DA BIOTECNOLOGIA AGRÍCOLA NO BRASIL L: 1996/97 2011/12 O caso do algodão geneticamente modificado O caso do milho geneticamente modificado O caso da soja tolerante a herbicida

Leia mais

I - Cenário Macroeconômico

I - Cenário Macroeconômico I - Cenário Macroeconômico Introdução Análise da Conjuntura Econômica do País Cenário Macroeconômico e Proposta Orçamentária para 2006 Projeto de Lei Orçamentária Mensagem Presidencial Introdução Em atendimento

Leia mais

TERMO DE REFERÊNCIA PARA CONTRATAÇAO DE PESSOA FÍSICA

TERMO DE REFERÊNCIA PARA CONTRATAÇAO DE PESSOA FÍSICA MINISTÉRIO DA PESCA E AQÜICULTURA TERMO DE REFERÊNCIA PARA CONTRATAÇAO DE PESSOA FÍSICA 1. TÍTULO Avaliar a eficácia na equiparação do preço do combustível praticado no mercado interno ao mercado externo,

Leia mais

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL TEMAS VOLUME DE RECURSOS Do aporte nacional, garantir para o RS no mínimo 20% (vinte por cento) dos recursos para financiamento agropecuário de forma oportuna, tempestiva e suficiente. Aumentar os limites

Leia mais

CAPÍTULO II DO ESTÍMULO À CONSTRUÇÃO DE AMBIENTES ESPECIALIZADOS E COOPERATIVOS DE INOVAÇÃO

CAPÍTULO II DO ESTÍMULO À CONSTRUÇÃO DE AMBIENTES ESPECIALIZADOS E COOPERATIVOS DE INOVAÇÃO LEI Nº 3095, de 17 de Novembro de 2006 DISPÕE sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo no âmbito do Estado do Amazonas, e dá outras providências O GOVERNADOR

Leia mais

III Encontro Cultivando Água Boa/Porã/Agenda 21 da Bacia Hidrográfica Paraná III

III Encontro Cultivando Água Boa/Porã/Agenda 21 da Bacia Hidrográfica Paraná III O III Cultivando Água Boa/Porã/Agenda 21 da Bacia Hidrográfica do Paraná III, realizado em Foz do Iguaçu, Brasil, nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro de 2006, com a presença de 2.300 participantes,

Leia mais

Compra Institucional SESAN/MDS

Compra Institucional SESAN/MDS PAA Compra Institucional SESAN/MDS Apoio à agricultura familiar: produção Garantia Safra Assistência técnica (ATER/ATES) PRONAF Seguro Agrícola PGPAF PGPM 1ª e 2ª Água Melhoria da renda dos agricultores

Leia mais

POLÍTICAS PÚBLICAS DE ECONOMIA SOLIDÁRIA

POLÍTICAS PÚBLICAS DE ECONOMIA SOLIDÁRIA POLÍTICAS PÚBLICAS DE ECONOMIA SOLIDÁRIA 1. Concepções e diretrizes políticas para áreas; Quando falamos de economia solidária não estamos apenas falando de geração de trabalho e renda através de empreendimentos

Leia mais

Agenda de Políticas para Inovação. Brasília, 14 de fevereiro de 2013

Agenda de Políticas para Inovação. Brasília, 14 de fevereiro de 2013 Agenda de Políticas para Inovação Brasília, 14 de fevereiro de 2013 Recursos Humanos para Inovação Horácio Lafer Piva - Klabin A Agenda Promover uma mudança no ensino brasileiro com direcionamento claro

Leia mais

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA MINISTÉRIO DA PESCA E AQUICULTURA SECRETARIA DE PLANEJAMENTO E ORDENAMENTO DA PESCA

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA MINISTÉRIO DA PESCA E AQUICULTURA SECRETARIA DE PLANEJAMENTO E ORDENAMENTO DA PESCA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA MINISTÉRIO DA PESCA E AQUICULTURA SECRETARIA DE PLANEJAMENTO E ORDENAMENTO DA PESCA PRESTAÇÃO DE CONTAS ORDINÁRIAS ANUAL RELATÓRIO DE GESTÃO DO EXERCÍCIO DE 2011 MARÇO/2011 PRESIDÊNCIA

Leia mais

RELATÓRIO DE OFICINA DE ALINHAMENTO ESTRATÉGICO

RELATÓRIO DE OFICINA DE ALINHAMENTO ESTRATÉGICO UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA UnB Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária FAV Programa de Pós-Graduação em Agronegócios PROPAGA RELATÓRIO DE OFICINA DE ALINHAMENTO ESTRATÉGICO AQUICULTURA DO ESTADO DE

Leia mais

Na lista das realizações destacadas, os PROFESSORES podem relembrar:

Na lista das realizações destacadas, os PROFESSORES podem relembrar: Professor: Muitas razões para votar em Scolforo e Édila O QUE FOI FEITO! Quando um membro de sua comunidade seja professor (a), técnico (a) administrativo ou estudante - apresentar uma crítica sobre algo

Leia mais

LEI Nº 358/2011. Súmula: Institui o Fundo Municipal de Saúde e dá outras providências. Capitulo I. Objetivos

LEI Nº 358/2011. Súmula: Institui o Fundo Municipal de Saúde e dá outras providências. Capitulo I. Objetivos LEI Nº 358/2011 Faço saber a todos os habitantes que a Câmara Municipal de Cafeara, Estado do Paraná aprovou e eu sanciono a presente Lei, que revoga a Lei nº. 084/92 de 17/09/1992. Súmula: Institui o

Leia mais

PROJETO DE LEI N.º 409, DE 2015 (Do Sr. Luis Carlos Heinze)

PROJETO DE LEI N.º 409, DE 2015 (Do Sr. Luis Carlos Heinze) *C0051416A* C0051416A CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI N.º 409, DE 2015 (Do Sr. Luis Carlos Heinze) Institui isenção da contribuição para o PIS/PASEP, COFINS e CIDE- Combustíveis incidente sobre o óleo

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

BuscaLegis.ccj.ufsc.br BuscaLegis.ccj.ufsc.br Reforma Agrária: mercado versus desapropriação ou mercado e desapropriação? Antônio Márcio Buainain e José Maria da Silveira Poucas questões suscitam tanta polêmica e paixão como

Leia mais

Marcha Global contra o Trabalho Infantil Conferência Internacional sobre Trabalho Infantil na Agricultura Washington DC, EUA 28-30 julho, 2012

Marcha Global contra o Trabalho Infantil Conferência Internacional sobre Trabalho Infantil na Agricultura Washington DC, EUA 28-30 julho, 2012 Marcha Global contra o Trabalho Infantil Conferência Internacional sobre Trabalho Infantil na Agricultura Washington DC, EUA 28-30 julho, 2012 MARCO DE AÇÃO A Conferência Internacional sobre Trabalho Infantil

Leia mais

MINISTÉRIO DA PESCA E AQUICULTURA EDITAL PÚBLICO Nº 1/2015.

MINISTÉRIO DA PESCA E AQUICULTURA EDITAL PÚBLICO Nº 1/2015. MINISTÉRIO DA PESCA E AQUICULTURA EDITAL PÚBLICO Nº 1/2015. EDITAL PÚBLICO PARA CADASTRO DE ÓRGÃOS OU ENTIDADES DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA INTERESSADOS EM DESENVOLVER PROJETOS CONJUNTOS DE ESTRUTURAÇÃO DA

Leia mais

Assunto: Subvenção Econômica ao Preço do Óleo Diesel para Embarcações Pesqueiras

Assunto: Subvenção Econômica ao Preço do Óleo Diesel para Embarcações Pesqueiras Assunto: Subvenção Econômica ao Preço do Óleo Diesel para Embarcações Pesqueiras Subsídio elaborado pela Diretoria de Desenvolvimento da Pesca da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência

Leia mais

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos

Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 11.124, DE 16 DE JUNHO DE 2005. Mensagem de veto Dispõe sobre o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social SNHIS, cria

Leia mais

PROPOSTA DE PROGRAMAS E AÇÕES PARA O PNRH

PROPOSTA DE PROGRAMAS E AÇÕES PARA O PNRH PROPOSTA DE PROGRAMAS E AÇÕES PARA O PNRH Objetivo Geral PROPOR PROGRAMAS, AÇÕES E ESTRATÉGIAS, INTERSETORIAIS E INTERINSTITUCIONAIS, VISANDO ASSEGURAR O DESENVOLVIMENTO INTEGRADO E SUSTENTÁVEL DOS USOS

Leia mais

2 O GOVERNO FEDERAL E A ERRADICAÇÃO DA POBREZA EXTREMA

2 O GOVERNO FEDERAL E A ERRADICAÇÃO DA POBREZA EXTREMA A ECONOMIA SOLIDÁRIA NA ESTRATÉGIA DE ERRADICAÇÃO DA POBREZA EXTREMA NO BRASIL: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA O DEBATE* Sandro Pereira Silva** 1 INTRODUÇÃO O termo economia solidária, enquanto marca política,

Leia mais