As Relações entre o Brasil e a Nigéria: Cooperação Inter-Regional e criação de novas. alternativas aos países do Sul.

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1 As Relações entre o Brasil e a Nigéria: Cooperação Inter-Regional e criação de novas alternativas aos países do Sul. Natália Barbosa Argiles Gonçalves 1 RESUMO: O presente trabalho analisa as relações do Brasil com a Nigéria desde o início da política externa brasileira para a África, na década de 1960, até o período atual, dando ênfase à primeira década do século XXI, por ser um período de consolidação de uma ordem multipolar, com a ascensão de potências emergentes e fortalecimento das relações Sul-Sul. Com o objetivo de se posicionar como um importante ator global, o Brasil passou a firmar uma nova rede de parceiros internacionais, fortalecendo os laços especialmente com outros países em desenvolvimento. A Nigéria surge como um importante país a ser observado pela estratégia brasileira devido ao seu expressivo crescimento econômico e demográfico, por ser um dos principais parceiros comerciais brasileiros na África e por ser o país de origem das principais importações de petróleo do Brasil. Além disso, a Nigéria tem se mostrado um significativo parceiro político no fortalecimento e diversificação das formas de cooperação Sul-Sul. Além da cooperação técnica em vários setores, destacam-se os esforços para promover a aproximação inter-regional. Ambos são membros da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS), mecanismo que aproxima países da África Austral e do Golfo da Guiné da América do Sul. Além disso, articulando-se esforços nigerianos e brasileiros, ocorreu em 2006 a I Cúpula América do Sul África (ASA), na capital nigeriana, Abuja. A Nigéria tem se tornado uma importante parceira brasileira na elaboração de acordos que criam novas alternativas aos países do Sul, aumentando o poder de barganha destes no cenário internacional e potencializando as capacidades do Brasil para exercer um papel central no plano global. Palavras Chave: Política Externa Brasileira, Nigéria, Cooperação Sul-Sul, Integração Inter-regional. 1. Introdução Este trabalho tem como objetivo analisar as relações entre o Brasil e a Nigéria, dando destaque aos contatos a partir da segunda metade do século XX. Assim como o Brasil, a Nigéria é um país emergente, com grande população e relevantes taxas de crescimento, que se destaca pela sua crescente importância regional e cada vez maior participação no cenário internacional. A partir de 2003, o Brasil tem perseguido uma política externa de caráter mais afirmativo, em que busca, além de manter as tradicionais parcerias com os países desenvolvidos, expandir seus contatos internacionais, estabelecendo novos laços com países em desenvolvimento. A África ocupa um lugar de destaque para esta política externa, o Brasil está fazendo investimentos em todo o continente, ampliando o 1 Granduanda em Relações Internacionais, UFRGS,

2 intercâmbio comercial e executando projetos de auxílio ao desenvolvimento e combate à pobreza em diversos países deste continente. Atualmente, a agenda de cooperação brasileira com a África é bastante intensa e a diplomacia brasileira se torna cada vez mais próxima dos africanos em foros internacionais, em temas de interesse comum, como o protecionismo dos países desenvolvidos. Dessa forma, é fundamental o aprofundamento do conhecimento mútuo entre as duas regiões, a fim de se descobrir potencialidades de cooperação em novas áreas e para que se definam estratégias corretas de aproximação. Neste contexto, entende-se que as relações do Brasil com a Nigéria são extremamente importantes para a estratégia brasileira de aproximação com a África. O início das relações entre os dois países se deu devido a mudanças na conjuntura internacional e interna dos dois países. Internacionalmente, ocorria uma redução na polaridade da Guerra Fria. A Nigéria se tornava um novo país independente, em 1960, enquanto o Brasil buscava mercados para seus produtos industrializados que começavam a ser exportados e procurava ampliar seus contatos com os países do Terceiro Mundo. Desde então, a Nigéria se tornou um grande fornecedor de petróleo para o Brasil e este produto fez com que este país sempre permanecesse muito importante para a política externa brasileira, mesmo em períodos de oscilações da diplomacia para o continente africano, assim, a Nigéria se tornou o maior parceiro comercial do Brasil na África. Atualmente, a influência nigeriana no continente africano e a ampliação da sua importância em foros multilaterais globais fazem com que este país seja um catalisador das relações do Brasil com o restante dos países da África. Dessa forma, torna-se fundamental o estudo e o aprofundamento dos laços com esta importante nação africana. Através do levantamento de dados bibliográficos, jornalísticos e de documentos oficiais brasileiros, fez-se a análise do histórico das relações entre os dois países, a fim de se descobrir convergências e divergências em assuntos prioritários como as relações econômicas e a cooperação Sul-Sul. Primeiramente, faz-se uma breve revisão da política externa brasileira para a África. Em seguida, situase a importância da Nigéria e seu contexto interno, regional e internacional, sublinhando-se os principais objetivos de sua política externa. Posteriormente, relata-se os principais fatos para a construção da parceria bilateral, com foco nas relações políticas e encontros de alto nível, no intercâmbio comercial e na cooperação técnica, a fim de se compreender de que forma Brasil e Nigéria estão contribuindo para a criação de novas alternativas para os países do Sul. Por fim, analisa-se a importância da criação de foros inter-regionais entre a América do Sul e a África, qual a efetividade destes arranjos e qual o impacto destes para o avanço na formação de parcerias no âmbito do Atlântico Sul.

3 2. Histórico da Política Externa Brasileira Para a África A colonização, a escravidão e o tráfico atlântico de escravos foram a origem da história comum entre o Brasil e a África, entre os séculos XVI e XIX. Desde então, a África faz parte da construção das instituições, da economia, da cultura e da própria identidade brasileira. O Brasil é o segundo maior país africano, estando apenas depois da Nigéria (Khanna 2008, 214). Por várias décadas, entre o final do século XIX o início do século XX, as relações entre o Brasil e a África foram pouco significativas. Isso ocorreu devido à própria política das grandes potências, que mantinha a África restrita às relações coloniais. Assim, o Brasil tinha poucas possibilidades de manter laços comerciais com este continente. Além disso, neste período, a política externa brasileira se voltava principalmente para as relações com os Estados Unidos e com a Europa (Saraiva 2012, 25). A partir da segunda metade do Século XX, o Brasil passou a elaborar uma estratégia própria de política externa para a África. Formulada essencialmente pelo Itamaraty, esta foi uma resposta brasileira ao novo contexto internacional, menos polarizado e marcado pelo surgimento do terceiro-mundismo, com a criação do Movimento dos Não-Alinhados. O país já desejava aumentar a sua capacidade de influência nos assuntos globais e, para isso, era necessário diversificar seus parceiros internacionais, tanto políticos como econômicos, passando a se aproximar dos países do Sul. A partir de então, a política africana não teve interrupções, porém, passou por diversas fases: teve um grande desenvolvimento na década de 1970, sofreu uma retração na década de 1990 e ganhou um novo impulso a partir do governo Lula, em 2003 (Lechini 2008, 55-57). A partir dos governos de Jânio Quadros e João Goulart, a África passou a ter uma importância especial para o Brasil. O interesse pela África foi impulsionado pela busca por novos mercados aos produtos industrializados brasileiros, que recentemente se inseriam no mercado internacional. Em 1961 foi criada a Divisão de África no Itamaraty e entre esse e o ano seguinte, foram estabelecidas as primeiras Embaixadas brasileiras na África negra, em Gana, no Senegal e na Nigéria. A aproximação com a África se deu nos marcos da Política Externa Independente, que visava maior autonomia para o Brasil no âmbito internacional, através da diversificação de parcerias e foi concomitante à aproximação do Brasil com países da Ásia e do Oriente Médio. Ao apresentar a nova política africana do Brasil, Jânio Quadros afirmou o apoio brasileiro aos africanos contra o colonialismo e o racismo e favorável à autodeterminação destes países (Saraiva 2012, 39). Visentini

4 (2010, 113) afirma que o objetivo desta aproximação era projetar o país na cena internacional e servir de elo entre do Ocidente com a África, no contexto do recuo do colonialismo. Nos primeiros anos da ditadura militar, houve um regresso nos contatos com os países do Terceiro Mundo. Tendo como foco a manutenção da segurança no Atlântico Sul contra a ameaça de regimes de orientação marxista do outro lado do Atlântico, o Brasil retomou o seu apoio ao colonialismo português e ao regime racista na África do Sul, que havia proposto inclusive, a criação de uma Organização do Tratado do Atlântico Sul (OTAS), aos moldes da OTAN. Durante o governo Médici, porém, o Brasil novamente se volta para a África. O Ministro Gibson Barboza realizou uma missão diplomática em 1972, visitando nove países africanos. Com base na Diplomacia do Interesse Nacional, buscaram-se alianças com países fornecedores de petróleo, além de mercados para as tecnologias tropicalizadas 2. Diversas empresas brasileiras passam a operar no continente africano durante este período, como a Petrobrás e a Vale do Rio Doce, e construtoras como a Mendes Jr e a Odebrecht (Gonçalves; Myamoto 1993). Com o Pragmatismo Responsável de Geisel, além dos interesses econômicos do período anterior, o Brasil passou a dar um suporte político e ideológico (marcado por um forte apelo terceiro-mundismo) às demandas dos países africanos. A decisão brasileira de reconhecer a independência de Guiné-Bissau e de Angola, ex-colônias portuguesas, além de se associar definitivamente à luta contra o apartheid na África do Sul, rompe com as linhas sustentadas até então pelos militares. O governo Figueiredo ampliou e aprofundou a política do pragmatismo responsável, tendo sido o primeiro presidente brasileiro a visitar oficialmente o continente, passando, inclusive, pela Nigéria. As relações comerciais foram ampliadas, assim como o número de representações diplomáticas de países africanos no Brasil (Gonçalves; Myamoto 1993). O governo Sarney manteve as mesmas diretrizes, também visitou alguns países africanos e reforçou a crítica ao apartheid. Foi justamente durante o seu governo que o Brasil liderou, no âmbito da ONU, a aprovação da resolução estabelecendo o Atlântico Sul como uma Zona de Paz e Cooperação, em um contexto de militarização desta região, devido à recente guerra das Malvinas. Assim, em 1988, ocorre no Rio de Janeiro a I Conferência do Atlântico Sul, com a presença de 19 países africanos. Neste período, o Brasil dava 2 O Brasil fornecia produtos com tecnologia intermediária a outros países do Terceiro Mundo, especialmente América Latina e África. Estas se adaptavam mais à realidade africana e, por terem preços mais baixos, porém qualidades inferiores, não representavam uma ameaça direta aos produtos norte-americanos. A Nigéria foi um dos principais países com quem o Brasil realizou este tipo de troca.

5 prioridade às relações com os Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOPS), tendo sediado, em 1989, a I Cúpula dos Países Lusófonos (Visentini 2010, ). Na década de 1990, novamente o Brasil se distancia do continente africano. Fernando Collor de Mello assume uma diretriz primeiro-mundista e neoliberal para a sua política externa, afirmando que a instabilidade econômica e política no continente havia criado o custo África, tornando os investimentos e os vínculos políticos bastante arriscados. Além disso, a própria vulnerabilidade externa brasileira fez com que o governo se voltasse mais ao fortalecimento dos laços com o Primeiro Mundo. Para o Terceiro-Mundo, optou-se pela aproximação com a América Latina, especialmente com o Mercosul, reduzindo-se a ênfase africana. Mesmo com a redução dos contatos, ao lado de Angola e da África do Sul, a Nigéria foi um dos poucos países africanos que mantiveram alguma relevância para o Brasil nesse período (Pimentel 2000, 8-9 e 15). Durante o governo de Itamar Franco, destaca-se a reativação da ZOPACAS e o apoio ao processo de paz e reconstrução em alguns países africanos, principalmente Angola. Durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, permaneceu a tendência declinante, especialmente nas relações econômicas, além da significativa redução de diplomatas brasileiros na África. Ainda assim, houve algumas conquistas políticas, como a retomada das relações com a África do Sul pós-apartheid, que desde então passou a se colocar como uma importante parceira. Além disso, o Brasil teve um papel significativo nas missões de paz da ONU no continente. FHC visitou Angola e a África do Sul em 1996 e recebeu a visita de Nelson Mandela em O governo Lula representou uma nova etapa nas relações Brasil-África, possibilitada pela combinação de uma nova visão sobre a ordem internacional com a transformação social interna (Visentini 2010, 118). Somente no seu primeiro mandato, o presidente Lula fez quatro viagens à África. No mesmo período, o Brasil também recebeu diversas visitas de alto nível de líderes africanos, além de terem sido reabertas e inauguradas embaixadas e outros postos de representação diplomática em todo o continente, que totalizaram 31 missões diplomáticas na África e 27 embaixadas africanas no Brasil (Ribeiro 2009, ). Através da cooperação com a África, o Brasil pôde desenvolver novas modalidades de Cooperação Sul- Sul. Tendo em vista o desenvolvimento econômico e social, o Brasil desenvolve programas de cooperação técnica, na área de educação, agricultura, combate à pobreza e a epidemias, como o HIV/AIDS, entre outros. Um aspecto diferenciado desta nova política externa é a criação de alianças e fóruns multilaterais entre os países do Sul que buscam a articulação de posições, tendo em vista a criação de uma ordem multipolar que permita a maior participação dos países em desenvolvimento. Destaca-se o Fórum de Diálogo IBAS (Índia,

6 Brasil e África do Sul) e o G-20 para o fortalecimento das posições no âmbito da OMC, ambos estabelecidos em Além de ter como base os laços históricos e culturais em comum, esta reaproximação também está fundamentada no crescente intercâmbio comercial e na convergência de interesses em votações em foros internacionais e se insere no contexto de uma nova orientação da política externa nacional, que visa diversificar os parceiros internacionais do país, aumentando a sua autonomia e capacidade de ação, assim como a sua influência internacional, a fim de que possa ser reconhecido como um importante ator global (Lechini 2008,55). 3. A importância da Nigéria para a Cooperação Sul-Sul A Nigéria conquistou a sua independência da Inglaterra no ano de 1960, o ano africano. Em 1982 sua capital foi transferida de Lagos para a cidade planejada de Abuja. A população é superior a 170 milhões, dividida em mais de 250 grupos étnicos, com predominância dos Hausa e Fulani (29%), Yoruba (21%) e Igbo (18%), nenhum outro grupo étnico representam uma parcela maior que 10% da população. Estima-se que 50% da população seja de Muçulmanos, 40% de Cristãos e 10% de religiões Tradicionais. Com um PIB de aproximadamente 272,6 bilhões de dólares, em 2012, o país vem mantendo uma taxa de crescimento de aproximadamente 7% ao ano. A Nigéria é uma importante produtora de petróleo, sendo membro da OPEP, e também possui uma grande produção de cacau e borracha 3. Desde a sua independência, a Nigéria passou defender a libertação dos países africanos. As relações com os países do continente se tornaram o foco da sua política externa. Até a década de 1990, os principais objetivos desta política externa eram a luta pela abolição do regime de apartheid na África do Sul; o aprimoramento das relações com as potências industriais, a fim de atrair capitais e investimentos; e financiar organizações internacionais do Terceiro Mundo, como o Movimento dos Países Não-Alinhados, a Comunidade Econômica da África Ocidental (ECOWAS) e a Organização da Unidade Africana (OUA), a qual foi um membro-fundador. Desta forma, percebe-se que, desde a sua independência, a Nigéria tem buscado a aproximação do Terceiro Mundo, tendo como um dos seus maiores objetivos a consolidação dos laços com países africanos, especialmente os de seu entorno geográfico mais imediato. Com o fim do regime autoritário, a Nigéria se tornou capaz de desempenhar um maior protagonismo regional, participando, inclusive de missões de paz da 3 Fonte: World Bank. Disponível em: Acesso em: 11/04/2013

7 União Africana, organização da qual é um dos maiores financiadores. Da mesma forma, a participação da Nigéria na ECOWAS é essencial para a existência do bloco, visto que esta detém 50% da população e mais de dois terços do PIB (Visentini 2010, 96). A Nigéria se projeta internacionalmente devido ao seu crescimento econômico e a sua grande influência regional. O país também desenvolve uma política de aproximação com os países do Sul, tendo em vista a superação da pobreza e a busca por maior autonomia para os países africanos para decidirem sobre as questões internas do continente. 4. As Relações Bilaterais Brasil-Nigéria As relações do Brasil com a Nigéria datam da década de 1960, com a abertura da Embaixada brasileira em Lagos, durante o governo de Jânio Quadros. Em 1972 ocorreu a primeira missão brasileira a países da costa ocidental da África, coordenada pelo então Ministro das Relações Exteriores Gibson Barboza, que visitou a Nigéria na ocasião. Foram firmados um acordo comercial e um acordo cultural. Em retribuição ao convite feito pelo brasileiro, em 1974, o Ministro para Assuntos Exteriores da Nigéria, Okoi Arikpo, visitou o Brasil, em caráter oficial. No encontro ministerial foram tratados assuntos bilaterais bastante específicos e temas globais de interesse comum, como a conjuntura internacional do petróleo, em crise na época. Os países acordaram em expandir o comércio bilateral no setor petrolífero, ampliando os contratos entre a Petrobrás e a Nigerian National Oil Company, de forma que todas as formas possíveis de cooperação e associação entre estas empresas pudessem ser exploradas, também foi reafirmada a aliança enquanto países produtores de cacau. Percebeu-se a necessidade de expansão dos contatos nos setores político, econômico, comercial e cultural. Durante as décadas de 1970 e 1980, foram firmados acordos de amizade, cooperação, comércio, agricultura, serviços aéreos, rádio e televisão. Criou-se uma Comissão Mista para coordenação das consultas bilaterais e foi estabelecido um importante acordo de cooperação econômica, científica e técnica 4. Foi de profunda relevância, ainda na década de 1980, a instituição do counter-trade com alguns países africanos, especialmente Nigéria e Angola, em que produtos com tecnologia tropicalizada e serviços brasileiros passaram a ser trocados por petróleo. A partir dos anos 1990, a Nigéria permaneceu como um dos poucos países com quem o Brasil teve relações significativas na África, tendo se estabelecido como o maior parceiro comercial brasileiro na África Negra, apesar dos poucos contatos políticos (Lechini 2008, 62). 4 Fonte: Sistema Consular Integrado: Sistema Atos Internacionais Ministério das Relações Exteriores Divisão de Atos Internacionais. Disponível em: Acesso em: 18/07/2012

8 O ano de 2005 foi de grande importância para as relações brasileiro-nigerianas. Nos dois anos anteriores, o Brasil já havia recebido a visita de diversas missões diplomáticas e empresariais nigerianas. Em 2005, o chanceler Celso Amorim visitou a Nigéria, em seguida, a Embaixada brasileira foi transferida para Abuja e, em abril, o presidente Lula visitou o país (Brasil 2010, 3). Ao ressaltar a necessidade de se ampliar a cooperação entre as nações do Sul, objetivando o desenvolvimento econômico, o presidente Lula falou das inúmeras potencialidades de colaboração entre os dois países, dando destaque a alguns projetos já em andamento, especialmente as negociações para a transferência de tecnologia brasileira na produção de medicamentos antirretrovirais. A cooperação em outros campos da saúde pública também passou a ser aprofundada. Os presidentes deram início ao diálogo para auxílio mútuo nas áreas de energia, agricultura foi assinado o Protocolo de Cooperação em matéria agrícola e em planos contra a fome e a pobreza (Brasil 2005a, 98-99). Nesta visita, o presidente brasileiro estava acompanhado de ministros, diretores de órgãos do governo e alguns empresários. O diálogo a respeito das afinidades culturais e históricas deu o tom do encontro, falou-se na aproximação cultural, mas também em outras áreas como cooperação técnica, comércio, investimentos, defesa e energia. Percebeu-se a necessidade de se convocar prontamente uma reunião da Comissão Mista Brasil-Nigéria, o que ocorreu em julho de Um importante ponto a se ressaltar neste encontro foi a iniciativa para o estabelecimento de um mecanismo de diálogo inter-regional. Primeiramente, o presidente Obasanjo propôs a criação de um fórum Brasil-África, aos moldes do fórum China-África. O presidente Lula, então, reformulou a proposta ao sugerir que a aproximação fosse feita com toda a América do Sul. Dessa forma, o Presidente Obasanjo se encarregou de consultar o interesse da União Africana, e o Brasil o de todos os países sul-americanos, para que fosse feita uma reunião inter-regional. (Brasil 2005a, 311). Nos dias 6, 7 e 8 de setembro do mesmo ano, o presidente Obasanjo veio ao Brasil a convite do presidente Lula, quando assistiu, em Brasília, aos festejos do Dia da Independência, como convidado de honra. Obasanjo também participou do Fórum Brasil-Nigéria de Negócios e Investimentos, organizado pela FIESP, em São Paulo. Os Chefes de Estado acordaram em instruir seus Ministros de Relações Exteriores para trabalharem na elaboração de uma parceria estratégica entre os dois países. Como forma concreta para promover a parceria Sul-Sul, os países assinaram seis acordos bilaterais em diversas áreas: serviços aéreos; assistência jurídica em matéria penal; isenção de vistos para portadores de passaportes diplomáticos; planos para a implementação dos projetos de produção agrícola, em parceria com a EMBRAPA; e um acordo para o

9 combate às drogas e lavagem de dinheiro. Somando-se a isso, os dois presidentes se comprometeram com a promoção das relações entre os países africanos e os sul-americanos e o presidente Obasanjo ofereceu seu país para sediar a Conferência África-América do Sul (Brasil 2005b, ). Nos anos seguintes, o Brasil recebeu missões nigerianas nas áreas de agricultura, energia, comércio, cultura e turismo e a Nigéria recebeu uma missão brasileira de Senadores e do Ministério de Minas e Energia. Em 2009, o Brasil recebeu a visita do novo presidente nigeriano, Umaru Yar Adua (Brasil 2010, 3). O atual presidente nigeriano, Goodluck Jonathan veio ao Brasil, em 2012, por ocasião da Rio+20. A Presidenta Dilma Rousseff visitou a Nigéria no dia 23 de fevereiro de Em Abuja, reuniu-se com o Presidente Goodluck Jonathan para dialogar sobre a formação de novas parcerias nos setores agrícola, energético, comercial e de defesa. Foi assinado um Memorando para o Estabelecimento de Mecanismo de Diálogo Estratégico, que busca impulsionar parcerias tecnológicas, cientificas, e industriais, sendo o primeiro passo para o estabelecimento de uma possível parceria estratégica atlântica. Em organismos multilaterais, Brasil e Nigéria participam da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS) e do G20 dos países em desenvolvimento, onde ambos defendem a proteção da produção agrícola no âmbito da OMC. Assim como o Brasil, a Nigéria também concorda com a necessidade de uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, contudo, não faz uma defesa explícita aos interesses do Brasil de ocupar um assento permanente no Conselho. Mesmo assim, percebe-se que as relações do Brasil com a Nigéria são um grande modelo para o estabelecimento das estratégias diplomáticas e comerciais brasileiras para o restante da África e demonstram uma atuação exemplar a ser seguida pela agenda externa brasileira, em matéria de Cooperação Sul-Sul As Relações Econômicas O comércio entre o Brasil e a Nigéria é crescente desde a década de 1980, quando a Nigéria substituiu a África do Sul como principal parceira comercial brasileira no continente africano. Através do mecanismo jurídico de counter-trade foi possível que os países realizassem trocas diretas, estas eram principalmente de produtos industrializados por petróleo nigeriano. Com os choques do petróleo, na década de 1970, os laços comerciais foram acentuados. Entre os anos de 1985 e 1986, a parcela brasileira no mercado nigeriano superou a de tradicionais parceiros da Nigéria, como a Inglaterra (Saraiva 2012, 47).

10 A Nigéria é um dos parceiros atlânticos mais importantes para o Brasil. Atualmente, as trocas já atingiram mais de US$9 bilhões e ainda existem grandes perspectivas de crescimento em diversas áreas, como agroindústrias, serviços e hidrocarbonetos. A Nigéria é um grande produtor de petróleo e o maior fornecedor deste produto ao Brasil, por esta razão, é o país com o qual o Brasil possui o segundo maior déficit comercial, atrás somente dos Estados Unidos. A Nigéria é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e tem a Nigerian National Petroleum Company (NNPC) como empresa estatal de maior atuação no setor. Para ampliar as relações comerciais, atualmente, a diplomacia brasileira concentra esforços para a construção de canais que permitam a prospecção e importação de petróleo por empresas brasileiras. Mesmo assim, as relações econômicas ainda possuem grandes potencialidades não exploradas (Ribeiro 2008, ). O Brasil importa principalmente óleos brutos de petróleo, que representam mais de 90% da pauta, além de gás natural e outros hidrocarbonetos, que somam mais de 7%. Para a Nigéria, o Brasil exporta uma pauta mais diversificada, formada principalmente por produtos manufaturados ou semimanufaturados, porém dentre os mais exportados, destacam-se o açúcar, arroz, óleos, fumo. Na última década, o comércio entre os dois países cresceu quase 500%, tornando a Nigéria o sexto principal país de origem das importações brasileiras e o principal parceiro comercial no continente africano, da mesma forma, o Brasil se tornou o terceiro maior exportador para a Nigéria, estando atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia. O crescimento do comércio na última década é demonstrado na Tabela 1: Tabela 1: Intercâmbio Comercial Brasileiro Nigéria US$ F.O.B. Ano Exportações Var % Importações Var % Saldo Intercâmbio , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior/SECEX.

11 4.2. Cooperação Técnica A Cooperação Técnica para o Desenvolvimento envolve menores custos do que outras formas de auxílio ao desenvolvimento tais como ajuda financeira. Aliado a isso, as semelhanças econômicas, culturais e de recursos naturais entre países africanos e o Brasil tornam esta a modalidade de Cooperação Sul-Sul a mais utilizada pelo Brasil como forma de auxílio oficial para o desenvolvimento. O Brasil passou de receptor para transferidor de conhecimentos através de determinados projetos, no entanto, a cooperação não é guiada por uma estratégia própria ex ante, mas faz parte da inserção internacional do Brasil que pretende, através de diversos mecanismos, projetar-se como ator assertivo e influir nas mudanças do sistema e das instituições internacionais (Berdnt 2009, 4 e 32). O primeiro tratado de cooperação técnica entre o Brasil e a Nigéria foi firmado em 1983, no contexto da política externa universalista de Figueiredo que ampliou e aprofundou a política africana do governo Geisel. Atualmente, existem acordos de cooperação técnica entre os dois países nas mais diversas áreas como na de biotecnologia, energia, cooperação esportiva, na área de saúde, no combate ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro e na difusão do rádio e televisão. Há também um acordo ente a Petrobras e a COIMEX para o desenvolvimento de Etanol na Nigéria. Destaca-se a cooperação técnica na área de agricultura, com acordo vigente desde Encontra-se em tramitação planos para a implementação de dois projetos relacionados à agricultura: o primeiro para a produção e processamento agroindustrial de mandioca e o segundo para a produção e processamento de frutas tropicais e hortaliças. Existe um projeto para a transferência de tecnologia brasileira para a produção de medicamentos contra o HIV/AIDS na Nigéria, a exemplo da fábrica de medicamentos antirretrovirais aberta em Moçambique através da cooperação brasileira com este país 5. O desenvolvimento de formas concretas de cooperação está redesenhando a parceria entre o Brasil e a África. O continente tem demonstrado o reconhecimento das iniciativas brasileiras, dando a entender que não querem apenas conceder ao Brasil o perdão histórico, mas querem encontrar novas alternativas para o futuro. Neste sentido, tem sido de extrema importância a atuação de instituições brasileiras como a EMBRAPA, dando apoio à pesquisa em agricultura tropical; o SEBRAE, amparando pequenos empreendimentos; e a Fiocruz, auxiliando na luta contra a AIDS (Saraiva 2012, 100). 5 Fonte: Sistema de Atos Internacionais (DAI-MRE). Disponível em: Acesso em: 11 de abril de 2013

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