A Influência dos Tipos de Cura na Resistência Mecânica do Concreto

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1 A Influência dos Tipos de Cura na Resistência Mecânica do Concreto Carolina dos Santos Silva, Hellen Karina Pereira Alkimin, Larissa Alves Matos e Nara Miranda de Oliveira Cangussu Resumo O controle da resistência à compressão do concreto deve ser realizado com operações definidas no Controle Tecnológico do Concreto CTC, devidamente normatizadas, fundamentados num conceito estatístico, em variáveis aleatórias e contínuas, com amostragem e ensaios padrão. Neste controle estão contempladas formas adequadas de produção, lançamento, adensamento e cura do material, de forma a garantir um produto final de qualidade, que atenda aos requisitos de segurança aos usuários. A perda prematura de água da mistura compromete a correta hidratação do cimento, provocando a perda de resistência e, consequentemente, a sua durabilidade. Assim sendo, o presente trabalho busca demonstrar a influência de possíveis variações no processo de cura do concreto, comparando essas variações a padrões específicos adequados. Serão comparadas as resistências mecânicas de amostras de concreto submetidas a diferentes tipos de cura: submersos em água saturada com cal, submetidos à cura química utilizando o agente de cura Emcoril S e exposto ao sol. Introdução O concreto é o principal insumo construtivo utilizado e consumido no Brasil. É um material de construção resultante da mistura, em quantidades racionais, de aglomerante, agregados e água. Para que se obtenha um concreto com resistências mecânicas satisfatórias, o processo de cura é de fundamental importância, uma vez que tem por finalidade evitar a evaporação prematura da água de amassamento que irá reagir com o cimento, provocando sua hidratação e consequente ganho de resistência mecânica. Através de um processo de cura adequado, garante-se não só a resistência mecânica à compressão que se deseja, mas também melhora outras propriedades 1

2 como a resistência ao desgaste, a impermeabilidade e a resistência ao ataque de agentes agressivos. Em virtude disso, este trabalho busca comparar as resistências mecânicas adquiridas em duas idades, de concretos de mesma amassada, em corpos de prova submetidos a diferentes processos de cura: submersos em água saturada com cal, submetidos à cura química utilizando o agente de cura Emcoril S e exposto ao sol. Para o desenvolvimento da pesquisa foram realizadas as etapas de composição do traço, produção do concreto, ensaios de índice de consistência, moldagem dos corpos de prova, até a constatação da sua resistência á compressão axial. Materiais e métodos Os ensaios foram realizados no Laboratório de Solos e Tecnologia das Construções das Faculdades Santo Agostinho. Foram confeccionados traços distintos para diferentes classes do concreto C20, C25, C30. Para cada traço foram moldados 12 corpos de prova - CP s cilíndricos de dimensões Ø 10x20 cm. Cada traço foi submetido aos três tipos de curas: imerso em água saturada com cal, cura química e exposto ao sol. Cada processo de cura, portanto, foi composto por 04 (quatro) CP s, para serem ensaiados 02 (dois) aos 07 dias e os outros 02 (dois), aos 28 dias. Como mostram as Figuras 1 e 2, a produção do concreto foi realizada mecanicamente com uso de betoneira e sua consistência verificada através do ensaio de abatimento do tronco de cone, Slump Test, conforme a NBR NM 67/1998 Concreto: Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone. O valor do slump foi fixado em 100mm. 2

3 Figura 1 Produção do Concreto Figura 2 Verificação da Consistência do Concreto Os traços de referência utilizados para cada classe de concreto foram previamente estudados e calculados, através de método adequado de Dosagem Racional. Os valores em massa de cada material estão descritos na Tabela 1. Tabela 1 Materiais de composição dos traços Classe do Cimento (kg) Areia (kg) Brita (kg) Água (kg) Concreto C20 19,66 46,67 60,22 12,00 C25 22,86 44,19 59,78 12,00 C30 25,98 40,21 60,35 12,28 As formas foram lubrificadas com uso de desmoldante específico. O adensamento do concreto nas formas se deu de acordo NBR 5738:2015, prosseguindo ao nivelamento e acabamento da superfície, conforme Figura 3. Figura 3 Corpos de provas moldados 3

4 A desforma dos CP s cilíndricos se deu em 24 horas após a moldagem, e dos CP s prismáticos, em 48 horas. As Figuras 4, 5 e 6 mostram os diferentes tipos de cura das amostras. Figura 4 Cura Imersa em água Saturada Com Cal Figura 5 Cura Química Figura 6 Cura Exposto ao Sol Os corpos de prova cilíndricos foram submetidos ao ensaio de resistência à compressão, conforme NBR 5739:2007. Resultados Os resultados obtidos nos ensaios de resistência à compressão são os descritos a seguir na Tabela 2, sendo considerados somente os maiores valores de cada exemplar, como previstos em normas vigentes. As Figuras 8 a 10 demonstram os resultados obtidos de forma gráfica para melhor visualização e análise. Tabela 2 Resultados da Compressão Axial 4

5 Figura 8 Resultados de Resistência à compressão - 20,0 MPa Figura 9 Resultados de Resistência à compressão - 25,0 MPa Legenda: Figura 10 Resultados de Resistência à compressão 30,0 MPa Discussão O processo de cura tem muita relevância na obtenção das resistências desejadas para o concreto. Podemos perceber que a cura submersa em água saturada com cal, como se preconiza nas normas para cura de corpos de prova, apresentou melhores resultados, alcançando resistências satisfatórias e maiores que os demais métodos. Esses resultados, portanto, foram tomados como referência, por se tratar de método indicado que garante a máxima hidratação do cimento e consequente ganho de resistência mecânica. 5

6 Há situações onde o processo de cura com água fica inviável e é recomendado o uso de agentes de cura química. Como exemplos de uso desses agentes, podem ser citadas as cortinas atirantadas ou panos de lajes muito extensos ou de difícil acesso a águas abundantes, geralmente em estruturas de maior porte. É importante lembrar que esses locais devem ser preferencialmente expostos, uma vez que, ao serem aplicados sobre a superfície, formam uma película que pode prejudicar a aderência de revestimentos. Esses agentes são capazes de evitar a retração e a formação de fissuras, pois tem alto poder de retenção de água. Comparando os resultados da cura química com os resultados de cura com água, podemos perceber que há uma mesma tendência de crescimento, aproximando-se bastante os resultados entre os dois processos. Com exceção do traço de classe C20, para os 28 dias, onde não houve ganho satisfatório da cura química, a diferença média percentual entre esses métodos ficou em 6,8% para as demais classes. Comparando os resultados de referência com os resultados dos corpos de prova submetidos à exposição ao sol, sem procedimentos adequados de cura, as resistências foram muito prejudicadas, chegando a ser 46,4% menores, aos 28 dias. Dessa forma, confirma-se a grande importância dos processos adequados de cura, de forma a evitar a perda prematura de água para hidratação do cimento, fato este causador de perdas consideráveis de resistência mecânica, além de provocar outras patologias como fissurações e trincas por retrações. Considerações finais A partir dos resultados obtidos é possível concluir que os processos de cura com submersão em água são os que garantem maior eficiência. Entretanto, os processos de cura química também obtiveram resultados satisfatórios, ainda que um pouco inferiores aos primeiros. Além disso, para efeitos de segurança estrutural, é definitivamente preocupante que existam concretos que possam estar expostos ao sol em obras correntes, sem qualquer processo de cura adequado. 6

7 Referências [1] ABNT ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR 7211: Granulometria dos agregados graúdos e miúdos. Rio de Janeiro: ABNT, [2] ABNT ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS. NBR NM 67: Concreto Determinação da consistência pelo abatimento do tronco de cone. Rio de Janeiro: ABNT, [3] AMBROZEWICZ, Paulo Henrique Loporte. Materiais de construção: Normas, Especificações, Aplicação e Ensaios de Laboratório. 1. Ed. São Paulo: Editora Pini Ltda, [4] BAUER, L.A. Falcão. Materiais de Construção Civil: Novos materiais para construção civil. 5. ed. Rio de Janeiro: LTC, p. [5] PEDROSO, Fabio Luis. Concreto: as origens e a evolução do material construtivo mais usado pelo homem. Revista Concreto e Construções, nº 53, p.14-19, Jan. Fev. Mar/2009. [6] RIBEIRO, Carmen Couto; PINTO, Joana Darc da Silva; STARLING, Tadeu. Materiais de Construção Civil. 4. ed. Belo Horizonte: Editora UFMG, [7] SOUZA, Roberto; TAMAKI, Marcos Roberto. Gestão de Materiais de Construção. 1. Ed. São Paulo: Editora Nome da Rosa,

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