RELAÇÃO ENTRE O SETOR DA QUADRA E O DESFECHO DO CONTRA-ATAQUE NO FUTSAL FEMININO DE ALTO RENDIMENTO

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1 RELAÇÃO ENTRE O SETOR DA QUADRA E O DESFECHO DO CONTRA-ATAQUE NO FUTSAL FEMININO DE ALTO RENDIMENTO Loani Landin Istchuk / UEL Wilton Carlos de Santana / UEL Hélcio Rossi Gonçalves / UEL ոո Palavras-chave: Futsal, Análise de Jogo, Contra-Ataque. INTRODUÇÃO A análise de jogo tem se constituído em uma valiosa ferramenta para a descrição e a obtenção de conhecimento sobre os jogos esportivos coletivos, tornando-se aliada na otimização do rendimento dos jogadores e das equipes. Sua aplicação permite, por exemplo, compreender os procedimentos táticos usados pelas equipes em realidade competitiva nos diferentes momentos do jogo, municiando treinadores na gestão do treino e da competição (GAR- GANTA, 2001). Esses momentos do jogo retratam os contextos táticos de organização ofensiva, organização defensiva, transição ofensiva, transição defensiva e bolas R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 9, p ,

2 paradas ofensivas e defensivas (PIVETTI, 2012). Essas fases correspondem às relações de oposição evolutivas que expressam em particular a localização dos jogadores, da bola e, sobretudo, a evolução provável que se pode deduzir a partir das trajetórias e das relações de velocidade observadas (GREHÁIGNE, 2001). O contra-ataque se encaixa no momento de transição ofensiva, em que há uma passagem veloz de uma postura defensiva para ofensiva, mediante, por exemplo, uma interceptação de passe, desarme, defesa do goleiro ou rápida reposição de bola (SANTANA, 2008). Se por um lado o contra-ataque tem sido analisado no âmbito do futsal masculino de alto rendimento e, por extensão, já se sabe que se trata de uma situação incidente e favorável para a marcação de gols (FUKUDA; SANTANA, 2012; MARCHI et al., 2010; SANTANA; GARCIA, 2007), por outro lado pouco se conhece sobre o seu desenvolvimento no âmbito do futsal feminino de alto rendimento. Sendo assim, este estudo teve por objetivo analisar o contra-ataque em jogos de futsal feminino de alto rendimento, verificando se o setor da quadra no qual ele é desenvolvido interfere no seu desfecho. MÉTODOS Trata-se de um estudo descritivo observacional (GAYA, 2008). Constituiu a amostra um total de 110 (24±4,90) ações retiradas dos cinco jogos entre as quatro equipes mais bem classificadas da 18 a Taça Brasil de Clubes. Nesses jogos foram marcados um total de 21 (4,2±2,86) gols. As ações foram editadas e, posteriormente analisadas. Os dados foram anotados em formulários específicos. O apelo ao meio audiovisual foi escolhido por permitir a visualização repetida e detalhada do comportamento técnico-tático quantas vezes necessária, minimizando os erros de observação. Foram adotados os seguintes critérios de observação: a) Para o setor da quadra onde se desenvolveu o contra-ataque: lateral ou centro; b) Para o desfecho do contra-ataque: positivo no caso de gol, finalização no gol e finalização para fora; negative no caso de interceptação de passe, 444 R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 9, p , 2013

3 desarme, bloqueio, bola perdida, passe para fora, falta; neutro no caso de opção pelo ataque posicional. Para verificar a qualidade da informação foi utilizada a concordância entre observadores (CEO) (THOMAS; NELSON; SILVERMAN, 2007), encontrando-se uma concordância intraobservador e interobservador, respectivamente, de 0,90 e 0,85 para o local da quadra e 0,90 e 0,90 para o desfecho do contra-ataque. O procedimento estatístico utilizado foi o de estatística descritiva anotando os valores de frequência absoluta (f) e frequência relativa (%). Assim como o teste de X 2 para comparações entre as proporções do desfecho do contra ataque e o setor da quadra. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos na Universidade Estadual de Londrina/Hospital Regional Norte do Paraná (Parecer 192/09). RESULTADOS E DISCUSSÃO A Tabela 1 contempla o desfecho do contra-ataque, considerando os tipos de ação técnico-táticas empregados pelos jogadores e o setor da quadra. Nota-se a falta de preferência das equipes em atacarem por um dos setores da quadra, contrariando o princípio de se buscar o centro da quadra para contra-atacar, na medida em que isso proporcionaria tanto um maior ângulo de finalização e possibilidades de passe (SAMPEDRO, 1999), quanto a possibilidade da projeção de jogadores pelas alas (SANTANA, 2008). R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 9, p ,

4 Tabela 1 - Valores absolutos e relativos para os desfechos do contra-ataque segundo o setor da quadra. Desfecho do contraataque Positivo Centro Lateral Somas Ações técnico-táticas f % f % f % Gol 8 7,27 3 2,73 Finalizações no gol 12 10,91 4 3,64 Finalizações para fora 4 3,64 8 7, ,46 Negativo Sub total 24 21, ,64 Desarmes 11 10, ,00 Bola perdida 1 0,91 1 0,91 Bloqueios 3 2,73 4 3,64 Passe para fora 3 2,73 4 3,64 Interceptação de passe 6 5,45 4 3,64 Faltas 1 0,91 4 3,64 Sub total 25 22, , ,2 Neutro Opções pelo Ataque Organizado 4 3,64 3 2,73 7 6,37 TOTAL 53 48, , ,0 Positivo 24 49, , ,9 Negativo 25 51, , ,1 Total , , ,0 Talvez isso explique os motivos de os contra-ataques desenvolvidos pela lateral originarem menos gols do que os desenvolvidos pelo centro, respectivamente, 5,26%; e 15,09%; menor número de finalizações no gol: 7,01% e 22,64%; maior número de finalizações para fora: 14,03% e 7,54%; maior número de desarmes: 38,59% e 20,75%. Por outro lado, destaca-se o menor número de interceptações de passe quando o contra-ataque foi desenvolvido pela lateral comparado ao conduzido pelo centro, respectivamente, 7, 01% e 11,32%. Quanto aos valores de X 2, entre o desfecho do contra ataque e o setor da quadra, o valor foi de 4,908, com nível de significância de 0,027, o que nos fez assumir que a hipótese de que contra-atacar pelo centro da quadra apresenta significativamente mais vantagem em relação à lateral da quadra. Lembrando que, neste caso, optamos por excluir as ações neutras (opção pelo ataque organizado). 446 R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 9, p , 2013

5 Verifica-se que mais da metade do total de contra-ataques obteve um desfecho negativo. Entre as ações técnico-táticas que produziram esse desfecho se sobressaem os desarmes e as interceptações de passe (42,64%). Isso é preocupante, pois estas foram reportadas como as mais incidentes na origem de contra-ataques em jogos de futsal de alto rendimento (SANTANA; GARCIA, 2007). Em teoria, esse achado permite inferir que é muito alta a possibilidade de a equipe que ataca sofrer um contra-ataque. Igualmente, constata-se o baixo percentual de gols convertidos (10%) diante do elevado número de contra-ataques produzidos, corroborando o achado de Marchi et al. (2010). Ainda assim, as jogadas de contra-ataque foram reportadas como mais efetivas para a consecução de gols do que as de ataque posicional (SANTOS, 2011). É plausível que isso aconteça em função do desequilíbrio numérico ou posicional dos defensores diante do contra-ataque, o que não acontece diante do ataque posicional, quando se defende em sistema (SAMPEDRO, 1999). Neste sentido, a média de 2,2 (±1,92) gols por jogo encontrada no presente estudo ratifica que o gol mediante o contra-ataque acontece de forma efetiva em jogos de futsal, ratificando os estudos de Santana e Garcia (2007) e Santos (2010). Igualmente, considerando o número total de gols entre os jogos estudados, verifica-se que 53,38% destes se originaram de contra-ataques, percentual superior aos encontrados nos estudos de Fukuda e Santana (2012) e Marchi et al. (2010) no âmbito do futsal masculino de alto rendimento, respectivamente, 24,35% e 30,09%. CONCLUSÃO Embora as equipes tenham demonstrado uma discreta preferência em atacar pela lateral em relação ao centro da quadra, os dados permitiram concluir que o setor da quadra parece interferir no desfecho do contra-ataque. Isso porque, independentemente de o desfecho ter sido positivo ou negativo, os desenvolvidos pelo centro proporcionaram mais gols, maior número de finalizações no gol, menor número de finalizações para fora e menos desarmes do que os desenvolvidos pela lateral. R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 9, p ,

6 Portanto, em hipótese, se mais contra-ataques fossem desenvolvidos pelo centro maiores seriam as vantagens e se minimizaria as desvantagens, o que parece ser motivo suficiente para que os treinadores da modalidade atentem para os achados do presente estudo quando da gestão do treino e da competição. REFERÊNCIAS FUKUDA, J. P.; SANTANA, W. Análise dos gols em jogos da Liga Futsal Revista Brasileira de Futsal e Futebol, v.4, n.11, p , GARGANTA, J. A análise da performance nos jogos desportivos: revisão acerca da análise do jogo. Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, v. 1, n. 1, p , GAYA, A. Ciências do movimento humano: introdução à metodologia da pesquisa. Porto Alegre: Artmed, GRÉHAIGNE, J. F. La organización del juego en el fútbol. Barcelona: INDE, MARCHI, R.; SILVA, C.; SCRAMIN, L.; TEIXEIRA, A.; CHIMINAZZO, J. Incidência de gols resultantes contra-ataques de equipes de futsal. Conexões, v. 8, n. 3, p , PIVETTI, B. Periodização tática: o futebol-arte alicerçado em critérios. São Paulo: Phorte, SAMPEDRO, J. Fundamentos de táctica deportiva. Madri: Editorial Gymnos, SANTANA, W. C. Futsal: apontamentos pedagógicos na iniciação e na especialização. 2. ed. Campinas: Autores Associados, SANTANA, W.; GARCIA, O. A incidência do contra-ataque em jogos de futsal de alto rendimento. Revista Pensar a Prática, v. 10, n. 1, p , SANTOS, F. O índice de aproveitamento dos contra-ataques é superior aos das jogadas ofensivas de posse de bola. Revista Brasileira de Futsal e Futebol, v. 3, n. 7, p , SANTOS, M. A.; NAVARRO, A. Análise dos gols da Copa do Mundo de futsal da Fifa Revista Brasileira de Futsal e Futebol, v. 2, n. 4, p , THOMAS, J. R.; NELSON, J. N.; SILVERMAN, S. J. Métodos de pesquisa em atividade física. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, n. 9, p , 2013

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