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1 Ética nos Negócios, Confiança e Redes de Valor (Parceria: EBEN - European Business Ethics Network PT) 4º FÓRUM RSO E SUSTENTABILIDADE Estamos a construir REDES DE VALOR Centro de Congressos de Lisboa 21 OUTUBRO 2010

2 Enquadramento A turbulência que se vive hoje no mundo dos negócios deixa claro que não é com mais regulamentação que se consegue relançar a economia. Se houver confiança entre os agentes económicos, e uma justiça que actue de forma célere, aqueles agentes económicos arriscam em fazer negócios, pois, sabem que o desvio às normas será rapidamente corrigido. Os valores aquilo em que as pessoas verdadeiramente acreditam são os "drivers da confiança. Esta, é cultivada no círculo de relações dos gestores (redes sociais pessoais) e também entre as organizações que podem integrar uma rede, tendo em vista a criação de valor. 2

3 Estrutura da comunicação 3

4 Conceito de confiança A confiança ocupou sempre uma posição central na vida das organizações. Factor chave do êxito das transacções, a confiança permite ultrapassar os interesses egoístas de cada parte e produzir benefícios mútuos no quadro das relações de cooperação entre actores económicos. A confiança é, em geral, apresentada como um processo que permite gerir a incerteza e justifica-se pela falta de conhecimento sobre os acontecimentos futuros. 4

5 Conceito de confiança Remete-nos para o que não pode ser formalizado por escrito (contratos incompletos), o que envolve a referência a normas sociais e a adesão a essas normas, por parte dos membros que pertencem a uma determinada Sociedade. Assim, a confiança é a presunção de que em situação de incerteza, a outra parte irá agir e cumprir, face a situações imprevistas, em função de regras de comportamento consideradas aceitáveis. O elemento fundamental na confiança são as relações recíprocas entre os indivíduos. A personalização é importante nas relações de confiança 5

6 Conceito de confiança De um modo geral, a confiança pode ser categorizada em: a) Interpessoal (confiança recíproca entre dois indivíduos); b) Inter-organizacional (confiança entre duas organizações); c) Intra-organizacional (dois indivíduos da mesma organização); d) Institucional (um individuo e uma organização enquanto pessoa moral). 6

7 Conceito de confiança Só Sociedades com um elevado grau de confiança estão aptas a criar o tipo de organizações comerciais e industriais exigidas por uma economia global. A confiança está geralmente associada à noção de capital social e de sociabilidade orgânica (capacidade em cooperar de modo espontâneo) e reduz o risco de oportunismo. A confiança é um mecanismo intrínseco a uma transacção, que intervém exante, para fixar o nível de risco em que estão dispostos a incorrer, voluntariamente, as diferentes partes contratuais nessa transacção. 7

8 Redes sociais dos gestores O conceito de rede social vínculo, nó, relação ou ligação aplicado aos gestores (administradores ou directores), chegou a ser visto como um mal a eliminar, o que levou alguns países a legislarem nesse sentido. As ligações privilegiadas nos estudos empíricos têm sido as da propriedade (participação no capital), sendo negligenciadas ligações com outras origens: a formação académica, a pertença ao mesmo grupo social ou a confiança transmitida por uma família dominante. A perspectiva financeira ignora as dimensões sociais e comportamentais, sendo redutora e inibidora da compreensão da complexidade das redes sociais a que pertencem os gestores. 8

9 Redes sociais dos gestores Na perspectiva financeira, as redes sociais não são tratadas como entidades com objectivos próprios. São tratadas à margem: a) Quer como um meio de reforçar o controlo sobre os gestores (a sua influência sobre o desempenho é considerada favorável ); b) Quer como uma alavanca do enraizamento (sua influência sobre o desempenho é considerada desfavorável). 9

10 Redes sociais dos gestores A perspectiva financeira não conduz a conclusões inequívocas. Assim, coloca-se a questão de saber se são compatíveis a competência e a independência dos administradores com a pertença a uma rede social. Os administradores que mais lugares acumulam em CA são, muitas vezes, os gestores com maior reputação e com mais competência para o desempenho das suas funções de monitorização. Em contrapartida, a pertença a uma rede social é habitualmente percebida como pouco compatível com a independência. 10

11 Redes sociais dos gestores Então, a resposta é contingente à natureza da rede social a que se pertence, ou seja, a rede social possui uma lógica própria de funcionamento. Os estudos consagrados especificamente à influência das redes sociais sobre o desempenho das organizações têm sido poucos. Os resultados obtidos não permitem tirar conclusões robustas. 11

12 Redes sociais dos gestores As teorias sociológicas justificam a formação de relações sociais independentemente de qualquer estratégia colectiva. Os indivíduos têm estratégias próprias que procuram, por esta via, aumentar a sua remuneração, o seu prestígio e a disponibilização de uma rede que lhes seja útil para o progresso na carreira. Nestas perspectivas, onde a noção de poder é central, as redes de gestores, prosseguem estratégias de poder do capital financeiro, de grupos de empresas, de famílias dominantes ou de classes sociais. 12

13 Redes sociais dos gestores As teorias sociais subjacentes a estas análises são qualificadas de integradoras. As redes prosseguem uma lógica própria, que transcende o interesse das organizações ou dos indivíduos aderentes. As organizações favorecidas pelas redes são à priori aquelas que são administradas pelos indivíduos pertencentes à rede. 13

14 Redes sociais dos gestores Exemplo: A pertença a uma rede relacional externa, frequentemente ligada a uma formação académica obtida na mesma escola tem influência, pois permite dispor de certos recursos estratégicos (financeiros, de informação, comerciais) que lhe permitem reforçar a sua posição em relação às outras partes interessadas. 14

15 Redes sociais dos gestores Para além de um estilo de vida em comum, as pessoas do grupo social formam uma rede estreita de relações, na qual é muito difícil a um estranho entrar. Os membros destas famílias relacionam-se em situações diversas e sobrepostas: partilham relações de amizade, relações profissionais, andam nos mesmos colégios, têm amigos comuns, frequentam os mesmos clubes, são convidados para as mesmas festas, têm casas próximas umas das outras e muito frequentemente, casam-se entre si. 15

16 Redes sociais dos gestores Estes múltiplos espaços de sociabilidade e interconhecimento promovem redes de relações, mais ou menos fechadas, que tendem a reproduzir-se no tempo, ao longo das gerações e através de múltiplos intercasamentos, criando barreiras informais à entrada de novos membros. Os sentimentos que unem estas pessoas baseiam-se em laços de conhecimento pessoal de longa data, no cruzamento de factores identitários comuns, na partilha de projectos de vida e de uma certa visão do mundo que tem continuidade nas gerações seguintes. 16

17 Redes sociais dos gestores Os gestores (ex.: os proprietários e gestores de uma empresa familiar), recorrem à activação de numerosas redes sociais a que pertencem, as quais estruturam o seu papel no seio das organizações. Estas, são percebidas como construções sociais, em particular, as redes sociais das relações pessoais que determinam quais as soluções a serem efectivamente adoptadas. 17

18 Criação de valor A análise das redes sociais ajuda a compreender melhor como se forma o desempenho (nomeadamente financeiro), e contribui também para explicar certos comportamentos financeiros, proporcionando um olhar diferente ao da eficiência. Por exemplo, o papel dos bancos tem sido estudado, primordialmente, na perspectiva inter-organizacional, através da influência exercida pelas redes de administradores sobre as decisões de endividamento e das decisões estratégicas das empresas 18

19 Criação de valor O estabelecimento de relações de rede entre as organizações e os bancos constitui um meio de moderar a incerteza ligada à relação de endividamento; parece haver uma influência positiva destas relações sobre o nível de endividamento das organizações. 19

20 Criação de valor O verdadeiro poder dos administradores parece não lhes advir da posição que ocupam nos CA deriva das conexões, quer formais (lugares de administradores no CA de outras organizações) quer informais (as relações interpessoais). Deve ser sobre estas redes sociais que as regras de transparência do bom governo das sociedades devem actuar prioritariamente. É no seio destas redes que se tomam as decisões estratégicas, incluindo atribuírem-se uns aos outros os famosos pára-quedas dourados. 20

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